Censura: Editores do Brasil se revoltam contra repressão da prefeitura do Rio na Bienal do Livro
Diversas editoras brasileiras de livros decidiram se manifestar nesta sexta (6/9) contra a invasão da Bienal do Livro por censores uniformizados da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), com ordem para encontrar material “impróprio” e caçar a licença de funcionamento do evento – em outras palavras, apreender livros e fechar a Bienal. A ordem partiu do prefeito e bispo Marcelo Crivella, que atacou publicamente a comercialização dos quadrinhos “Vingadores – A Cruzada das Crianças” na Bienal, por conter um beijo entre dois super-heróis do sexo masculino. Crivella publicou um vídeo na noite de quinta, anunciando a repressão. “Pessoal, precisamos proteger as nossas crianças. Por isso, determinamos que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdos impróprios para menores. Não é correto que elas tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades”. A organização da Bienal não aceitou a “ordem” anticonstitucional, considerando que o desenho de dois rapazes se beijando, completamente vestidos, não é pornografia. E se recusou a recolher ou lacrar a publicação para incluir aviso de que o material era proibido para menores de idade. Isto gerou a ação de repressão oficial. Comandada pelo subsecretário de operações da Seop, o coronel Wolney Dias, os fiscais buscaram a graphic novel nas estantes do evento com ordem de apreender tudo. Mas não encontraram. Os quadrinhos sumiram do estande da Panini, que publicou a história em parceria com a editora Salvat há dois anos. O livro também está indisponível no site da Salvat. E não pode ser encontrado em nenhuma outra estande da Bienal. Oficialmente, os expositores afirmam que a história foi toda vendida e os exemplares acabaram se esgotando. Como não encontraram o gibi que procuravam, os fiscais foram aos estandes que vendiam quadrinhos folhar vários exemplares em busca de desenhos com cenas “impróprias” (afeto LGBTQIA+), num ato flagrante de autoritarismo, que lembra a ação nazista contra livros considerados “degenerados” na Alemanha dos anos 1930. Além de recolher a publicação, os fiscais pretendiam criar um flagrante para cassar a licença do evento, com o objetivo expresso de “proteger as nossas crianças” de material LGBTQIA+. “Em caso de descumprimento, o material sem o aviso será apreendido e o evento poderá ter sua licença de funcionamento cassada”, disse a Seop em comunicado que antecedeu a ação, deixando clara a missão de fechar a Bienal. O ato ultrajou as editoras que participam do evento. Em comunicado, a Companhia das Letras manifestou seu “repúdio a todo e qualquer ato de censura” e se posicionou “à favor da liberdade de expressão”. “Posturas como a do prefeito Marcelo Crivella e do governador João Doria — que recentemente mandou recolher uma apostila escolar que falava sobre diversidade sexual — tentam colocar a sociedade brasileira em tempos medievais, quando as pessoas não tinham a liberdade de expressar suas identidades. Eles desprezam valores fundamentais da sociedade e tentam impedir o acesso à informação séria, que habilita os jovens a entrar na fase adulta mais preparados para uma vida feliz”, diz o texto, assinado pelo fundador da empresa, Luiz Schwarcz. A Galera Record, selo do Grupo Editorial Record, publicou uma foto com diversos livros de temática LGBTQIA+ distribuídos por ela, como o vencedor do Pullitzer “As Desventuras de Arthur Less”. “Homofobia é crime e acreditamos que o papel do Estado é incentivar a leitura e não criar barreiras que marginalizem uma parcela da população que já sofre com a intolerância”, diz a nota. “Nossos livros estão à venda no estande e em todas as livrarias brasileiras, online e físicas. Vamos continuar lutando para que todos os jovens se vejam representados em nossas histórias.” De forma semelhante, a Intrínseca compartilhou nas redes sociais imagens de livros de seu catálogo, como “Me Chame pelo Seu Nome”, “Com Amor, Simon” e “E Se Fosse a Gente?”. “Em um mundo que nega nossa existência, os livros nos mostram a beleza de ser quem somos”, diz a publicação. A Todavia escreveu que continuará “publicando e vendendo livros que exprimem nossa visão plural de mundo e do Brasil, direito esse amparado pela Constituição”. Dedicada ao público infanto-juvenil, a Plataforma 21 também se manifestou, afirmando que “a arte está sob ataque” e que “os livros e a literatura são a mais valiosa arma para vencer preconceitos e acabar com a desinformação”. A Quimera Produções Literárias também compartilhou imagem na qual se lê “aqui não acreditamos em censura”. O ataque à Bienal alinha-se à “política cultural” do presidente Bolsonaro, que fez crítica similar em relação a séries com a temática LGBTQIA+ e mandou suspender edital que aprovava produção de programas do gênero. Um inquérito do Ministério Público Federal (MPF) do Rio já investiga se esta decisão pode ser enquadrada como censura e homofobia, uma proibida e a outra criminalizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A escalada de repressão ao que governantes de extrema direita consideram “impróprio” refletem a ascensão do nazismo na Alemanha dos anos 1930. Políticos brasileiros voltam a proibir, reprimir e provocar uma histeria de quase um século atrás contra a cultura “degenerada”, que seria capaz de desviar a formação dos jovens e transformá-los em… gays! Daí para queimar livros é um passo. O resto é consequência.
Censura: Prefeitura do Rio ameaça fechar a Bienal do Livro por causa de quadrinhos dos Vingadores
A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), ameaçou fechar a Bienal do Livro. Uma equipe de fiscais foi ao evento logo na sua abertura na manhã desta sexta (6/9), acompanhada por subsecretário militar, para recolher todos os exemplares de uma graphic novel dos Vingadores, que o prefeito e bispo Marcelo Crivella (PRP) considerou “imprópria”. Comandada pelo subsecretário de operações da Seop, o coronel Wolney Dias, os fiscais buscaram a graphic novel “Vingadores: A Cruzada das Crianças” nas estantes do evento com ordem de apreender tudo. Mas não encontraram. Os quadrinhos sumiram do estande da Panini, que publicou a história em parceria com a editora Salvat há dois anos. O livro também está indisponível no site da Salvat. E não pode ser encontrado em nenhuma outra estande da Bienal. Oficialmente, os expositores afirmam que a história foi toda vendida e os exemplares acabaram se esgotando. Além de proibir a venda da publicação, os fiscais pretendiam criar um flagrante para cassar a licença do evento, com o objetivo expresso de “proteger as nossas crianças” de material LGBTQIA+. “Em caso de descumprimento, o material sem o aviso será apreendido e o evento poderá ter sua licença de funcionamento cassada”, disse a Seop em comunicado que antecedeu a ação, deixando clara a missão de fechar a Bienal. A ação aconteceu após a Bienal se recusar a censurar a publicação, repudiando um vídeo em que o bispo prefeito disse ter mandado recolher o livro. Impedido pela Constituição de fazer isso, Crivella na verdade enviou uma notificação extrajudicial para que os livros fossem lacrados e viessem com uma classificação indicativa, ou aviso de que há material ou cenas proibidas para menores de idade. Em sua nota, a Bienal afirmou que não iria recolher nem embalar a publicação, pois seu conteúdo não era impróprio e nem pornográfico. A organização do evento disse ainda que “dá voz a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser. Este é um festival plural, onde todos são bem-vindos e estão representados. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá dois painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+”. Isto gerou a ação de repressão assumida, com a desculpa de verificar se os livros tinham sido lacrados e acompanhados pelos avisos. Como não encontraram o gibi que procuravam, os fiscais foram aos estandes que vendiam quadrinhos folhar vários exemplares em busca de desenhos com cenas “impróprias” (de afeto LGBTQIA+), num ato flagrante de autoritarismo, que lembra a ação nazista contra livros considerados “degenerados” na Alemanha dos anos 1930. Foi a primeira vez que uma fiscalização do tipo aconteceu na história da Bienal do Livro, cuja trajetória coincide com a abertura política e o fim da ditadura militar no Brasil. O aparato do governo municipal foi mobilizado apenas porque a publicação inclui heróis homossexuais. O que causou tudo foi um desenho de dois jovens se beijando. Completamente vestidos. Veja a cena “polêmica” abaixo. A série dos Jovens Vingadores, que envolve “A Cruzada das Crianças”, é uma das mais premiadas da Marvel, tanto pela GLAAD, organização LGBTQIA+ que destaca os produtos mais inclusivos da mídia americana, quanto pelo prestigioso Harvey Award. Um vereador extremista, Alexandre Isquierdo (DEM), também repudiou a obra numa sessão ordinária na Câmara Municipal do Rio na quarta (4/9), deixando claro qual era o “problema” da publicação. “Absurdo um livro que está sendo comercializado na Bienal do Livro: ‘Vingadores – A Cruzada das Crianças’, no qual o autor, que é assumidamente gay, coloca dois super-heróis em um relacionamento homossexual”, apontou. A escalada da ultradireita intolerante chegou à prefeitura na quinta, quando Crivella publicou um vídeo falando da repressão. “Pessoal, precisamos proteger as nossas crianças. Por isso, determinamos que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdos impróprios para menores. Não é correto que elas tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades”. A Bienal discordou, considerando que o desenho de dois rapazes se beijando não era pornografia. O alvo foi decididamente o afeto LGBTQIA+, que pelo entendimento do governo municipal é impróprio para menores. Beijos heterossexuais não foram alvo da repressão. Paralelamente, várias condenações ao material se multiplicaram em sites de tendências nazistas (também atacam cotas raciais, direitos das mulheres e exigem o fim do estado laico), com textos irônicos que acusam os quadrinhos de “lacração”. As manifestações seguem a orientação do presidente Bolsonaro, que fez crítica similar em relação a séries com a temática LGBTQIA+ e mandou suspender edital que aprovava produção de programas do gênero. A tentativa de censura aconteceu no dia em que a rede Globo efetivamente censurou o beijo entre duas personagens femininas de sua novela das 18h. O carinho entre o casal Valéria (Bia Arantes) e Camila (Anajú Dorigon) deveria ir ao ar no capítulo de “Órfãos da Terra” antecipado em streaming na quinta – e que chega na TV nesta sexta (6/9) – , mas foi cortado por “decisão artística”, segundo a emissora, que passou a semana alardeando o “beijo apaixonado” na divulgação oficial da novela. São sinais perigosos, que desenterram o fantasma do nazismo. Políticos brasileiros voltam a proibir, reprimir e provocar uma histeria de quase um século atrás contra a cultura “degenerada”, que seria capaz de desviar a formação dos jovens e transformá-los em… gays! Daí para queimar livros é um passo. O resto é consequência.
Censura: Prefeito do Rio manda recolher gibis dos Vingadores na Bienal do Livro
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, mandou recolher uma graphic novel dos Vingadores da Bienal do Livro. Em post no Twitter, ele se vangloriou do ato de censura, dizendo ter agido para “proteger as nossas crianças” de material “impróprio”. “Pessoal, precisamos proteger as nossas crianças. Por isso, determinamos que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdos impróprios para menores. Não é correto que elas tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades”. O “problema” da publicação é que ele inclui heróis homossexuais. A publicação tem um desenho de dois jovens se beijando. Completamente vestidos. A organização da Bienal, entretanto, não reconheceu a autoridade do prefeito para realizar censura, que é proibida pela Constituição. Ao perceber que prefeitura mandou apenas uma notificação extrajudicial, com um pedido que os livros fossem lacrados e viessem com uma classificação indicativa ou aviso de que há material ou cenas proibidas para menores de idade, a Bienal emitiu seu próprio comunicado. Na nota, a Bienal afirmou que não irá recolher nem embalar a publicação, pois seu conteúdo não é impróprio e nem pornográfico. A organização do evento disse ainda que “dá voz a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser. Este é um festival plural, onde todos são bem-vindos e estão representados. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá dois painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+”. Sobre o conteúdo, a organização do evento diz que se qualquer pessoa que se sentir ofendida, ou não gostar do material, tem todo o direito de trocar o livro. Mas quando a feira abriu às 9h desta sexta-feira (6/9), os quadrinhos sumiram do estande da Panini, que publicou a história em parceria com a editora Salvat há dois anos. O livro também está indisponível no site da Salvat. E não pode ser encontrado em nenhuma outra estande da Bienal. Oficialmente, os expositores afirmam que a história foi toda vendida e os exemplares acabaram se esgotando. A prefeitura do Rio, porém, enviou uma equipe de fiscais, acompanhada por um subsecretário militar, para verificar a venda dos gibis, numa ação que só pode ser caracterizada como repressão. Saiba mais sobre os desdobramentos aqui. A série dos Jovens Vingadores, que envolve “A Cruzada das Crianças”, é uma das mais premiadas da Marvel, tanto pela GLAAD, organização LGBTQIA+ que destaca os produtos mais inclusivos da mídia americana, quanto pelo prestigioso Harvey Award. A reação do prefeito pegou carona numa cruzada conservadora encabeçada pelo vereador Alexandre Isquierdo (DEM), que repudiou a obra numa sessão ordinária na Câmara Municipal do Rio na quarta (4/9). “Absurdo um livro que está sendo comercializado na Bienal do Livro: ‘Vingadores – A Cruzada das Crianças’, no qual o autor, que é assumidamente gay, coloca dois super-heróis em um relacionamento homossexual”, apontou. Assim como o prefeito, o vereador também publicou um vídeo com discurso contra a revista nas redes sociais, paralelamente ao surgimento de várias condenações ao material em sites fundamentalistas, inclusive textos que acusam os quadrinhos de “lacração”. As manifestações seguem a orientação do presidente Bolsonaro, que fez crítica similar em relação a séries com a temática LGBTQIA+ e mandou suspender edital que aprovava produção de programas do gênero. O timing da tentativa de censura foi curioso, pois aconteceu no dia em que a rede Globo efetivamente censurou o beijo entre duas personagens femininas de sua novela das 18h. O carinho entre o casal Valéria (Bia Arantes) e Camila (Anajú Dorigon) deveria ir ao ar no capítulo de “Órfãos da Terra” antecipado em streaming na quinta – e que chega na TV nesta sexta (6/9) – , mas foi cortado por “decisão artística”, segundo a emissora, que passou a semana alardeando o “beijo apaixonado” na divulgação oficial da novela. São sinais perigosos, que lembram o nazismo dos anos 1940 e a caça às bruxas macarthista dos anos 1950. Políticos brasileiros voltam a pressionar, proibir e provocar uma histeria de mais de meio século atrás contra a cultura, que seria capaz de desviar a formação dos jovens e transformá-los em… gays! Daí para queimar livros é um passo. Pessoal, precisamos proteger as nossas crianças. Por isso, determinamos que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdos impróprios para menores. Não é correto que elas tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades. pic.twitter.com/sFw82bqmOx — Marcelo Crivella (@MCrivella) September 5, 2019 Ver essa foto no Instagram Um alerta aos pais! Assista e compartilhe o discurso contra o livro infantil da Marvel que propaga o homossexualismo para as CRIANÇAS! A história em quadrinhos está sendo vendida lacrada na Bienal do Livro e nas livrarias, os pais só percebem o conteúdo depois. Um crime absurdo! #ideologiadegenero #isquierdorio #camarario Uma publicação compartilhada por Alexandre Isquierdo (@alexandreisquierdo) em 4 de Set, 2019 às 5:47 PDT
Escola católica dos EUA proibe Harry Potter porque feitiços e maldições “são reais”
Uma escola católica de Nashville, no estado americano do Tennessee, proibiu que os livros da saga Harry Potter na biblioteca da instituição. O motivo? Dan Reehil, padre da St. Edward School, alega que os feitiços e maldições apresentadas na trama são legítimos e podem atrair o mal para as crianças que lerem as histórias. Em comunicado enviado por email aos pais dos alunos, Dan Reehil faz o seguinte argumento: “Esses livros apresentam a magia como bem e mal, o que não é verdade, mas, de fato, um engano inteligente. As maldições e feitiços usados nos livros são maldições e feitiços reais, que quando lidas por um ser humano correm o risco de conjurar espíritos malignos na presença da pessoa que lê o texto”. Reehil teria tomado a decisão depois de consultar vários exorcistas nos Estados Unidos e Roma que recomendaram a remoção dos livros. Detalhe: os livros da escritora J.K. Rowling não são proibidos pelo Vaticano. Ao canal CBS News, Rebecca Hammel, superintendente de escolas da Diocese Católica Romana de Nashville, afirmou que o email é real e a atitude faz parte dos direitos de Reehil. “Ele está condizente a sua autoridade para agir dessa maneira. Cada pároco tem autoridade canônica para tomar essas decisões em sua escola paroquial”, afirmou ela à CBS.
Mostra do Filme Marginal sofre censura no Rio de Janeiro
A 3ª Mostra do Filme Marginal sofreu censura do Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), no Rio de Janeiro. Os organizadores do evento foram comunicados que três curtas da programação tinham sido vetados e não poderiam ser exibidos. “Após o envio da programação, a instituição nos comunicou sobre a impossibilidade de exibição de três filmes selecionados. Não concordamos com o entendimento da instituição e nos posicionamos contrário a postura da mesma”, acusaram os curadores da mostra em comunicado, destacando que sofreram censura. Os três filmes proibidos foram “Mente Aberta”, “Rebento” e “Nosso Sagrado”. Nos dois primeiros, há referências ao presidente Jair Bolsonaro. “Mente Aberta”, de Getúlio Ribeiro, cineasta de Nova Iguaçu, trata de “um sujeito que se autodenomina um ‘cidadão de bem’, tem uma relação opressora com a família e tenta nos convencer de que é a vitima”. Nele, Getúlio usa três declarações do Bolsonaro, não editadas, e de diferente momentos da carreira dele. “Não existe homofobia no Brasil”, “Nenhum pai gostaria de chegar em casa e ver seu filho brincando de boneca” e “eu sou a favor da tortura, você sabe disso. E o povo brasileiro também”. “O filme já passou em outros festivais e isso nunca aconteceu comigo. Vi coisa muito mais radical que não foi censurada. É um filme de oito minutos, que passaria, a galera ia ver e ficaria por isso”, disse o diretor Getúlio Ribeiro ao jornal O Globo. Os diretores dos outros curtas preferiram não se manifestar. Mas os curadores da mostra foram incisivos, aptando por cancelar todo o evento na CCJF por não aceitarem censura. Isso não significa que as forças obscuras venceram. Ao contrário. Toda a mostra, inclusive com os “proibidões”, será exibida na íntegra em novo local, o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica. Em resposta à polêmica, o Centro Cultural da Justiça Federal emitiu com um comunicado em que diz que “a restrição das temáticas propostas ao CCJF dá-se estritamente pelo dever constitucional de imparcialidade a que está submetido o Poder Judiciário Federal”. E lista: “O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) tem, dentre seus critérios estabelecidos para sediar eventos culturais e artísticos, o de não promover produções de cunho corporativo, religioso ou político-partidário, independentemente de que pessoa, instituição ou conceito ideológico esteja sendo defendido ou criticado”. O país não via um filme ter sua exibição proibida por motivo estritamente político desde “Pra Frente Brasil”, de 1982, durante a ditadura militar.
Censura de Bolsonaro às séries LGBTQIA+ repercute na revista americana Variety
Além dos problemas para a imagem do Brasil causados pelo incêndio devastador na Amazônia, a censura à produção de séries LGBTQIA+ pelo governo Bolsonaro também teve repercussão internacional. A revista americana Variety, principal publicação da indústria cinematográfica de Hollywood, publicou um artigo destacando a “escalada de censura” da produção cultural brasileira sob a presidência de Jair Bolsonaro. Além da polêmica suspensão de um edital para produção de 80 séries, para impedir que 10 atrações com temas de “diversidade de gênero” e “sexualidade” fossem financiadas, a revista destacou os novos critérios para aprovação de apoio cultural de estatais, que passaram a exigir informações detalhadas sobre o conteúdo das obras – filmes precisam declarar se seus projetos têm temas políticos ou religiosos, referências a crimes, drogas, prostituição e pedofilia, ou nudez e sexo explícito. “O que vemos é uma política de estrangulamento”, disse à Variety Andre Mielnik, da produtora If You Hold a Stone, do Rio de Janeiro. “O governo está tentando impor sua bússola moral ao setor, minando a independência das agências estatais. Separar LGBTQIA+ e outras minorias não é apenas prejudicial para a igualdade social de nosso país, mas profundamente ruim para os negócios. Há um enorme nicho de mercado sendo ignorado por razões ideológicas”. A Variety também lembrou que, desde que Bolsonaro assumiu a presidência, o setor audiovisual brasileiro têm lidado com uma rotina de ameaças e com o corte de diversos investimentos. Foco principal da fúria do presidente, a Ancine tem importância “difícil de exagerar”, lembrou a revista. “A agência não apenas apóia vários projetos a cada ano, mas é encarregada de estabelecer e ampliar a infra-estrutura cinematográfica no país. Em 2017, 158 filmes nacionais foram lançados no Brasil, contra 30 em 2001, ano em que a Ancine foi fundada”, diz o texto americano, que ainda destacou o fato de que cerca de 70% dos filmes produzidos no Brasil dependem de financiamento público. A reportagem também publicou um contundente comunicado da API (Associação de Produtores Independentes do Audiovisual Brasileiro), em protesto contra a censura federal. “Repudiamos tais atitudes, uma vez que entendemos que não compete a ninguém, especialmente ao presidente de uma república democrática, censurar por qualquer motivo ancorado em motivações tendenciosas e num discurso de ódio, as artes, os projetos audiovisuais e os filmes”, diz a API. “Além de infundada e obscurantista, a perseguição ideológica que o setor audiovisual brasileiro vem sofrendo flagela a economia de nosso país, atualmente em recessão e passando por uma grave crise. Isso afeta diretamente o trabalho de milhares de pessoas. Ainda no que diz respeito à economia, vale destacar que obras de temas LGBTQIA+, de gênero e de raça estão em alta demanda no mercado, tanto para festivais de cinema quanto para o consumidor médio. A censura impede que este país leve para as telas a arte brasileira legítima que respeita a diversidade”, completa o texto, repercutido nos Estados Unidos.
Netflix corta cena de suicídio de Hannah da série 13 Reasons Why
A Netflix resolveu limar a cena de suicídio da personagem Hannah Baker em “13 Reasons Why”, dois anos depois do lançamento da série. A decisão foi tomada tendo em vista a campanha agressiva de grupos conservadoras contra a série, especialmente a forma detalhista com que a morte da personagem foi registrada. Entre os argumentos críticos, até o aumento do índice de suicídios nos EUA foi brandido. Prevendo uma reprise e até intensificação deste debate com o lançamento da 3ª temporada, a plataforma decidiu ceder, anunciando a mudança por meio de um comunicado que tenta minimizar o lobby e sugerir que a decisão foi espontânea, ao mesmo tempo em que o texto evita o “mea culpa” e qualquer vestígios de desculpas. “Ouvimos de muitos jovens que ’13 Reasons Why’ os encorajou a começar conversas sobre temas difíceis como depressão e suicídio. Enquanto nos preparamos para lançar a 3ª temporada no final deste verão americano, ouvimos o debate sobre a série. Seguindo conselho de especialistas médicos, incluindo a Dra. Christine Moutier, chefe médica na American Foundation for Suicide Prevention, decidimos com o criador Brian Yorkey e os produtores editar a cena em que Hannah tira sua própria vida na 1ª temporada”, diz o comunicado. No texto, “editar” foi usado como eufemismo. A cena será eliminada completamente. A nova versão mostrará Hannah se olhando no espelho e fim. A imagem seguinte será a reação de seus pais ao encontrá-la, já sem vida. A cena polêmica, que mostrava a personagem de Katherine Langford cortando os pulsos e sangrando na banheira, sempre foi a mais criticada da série, considerada por seus detratores como um “tutorial sobre como se suicidar”. Mas também ajudou a série a se tornar uma das mais vistas da Netflix, graças à fama de “perigosa”. Vale lembrar que, logo os primeiros protestos surgiram, o CEO da Netflix Reed Hastings saiu em defesa da atração, dizendo: “É controvertido, mas ninguém precisa assistir.” Agora, porém, até o roteirista-produtor Brian Yorkey se manifestou a favor da “censura social”. ‘Era nossa esperança, ao fazer ’13 Reasons Why’, contar uma história que ajudasse os jovens espectadores a se sentirem vistos e ouvidos, e incentivar a empatia em todos que a assistiram, como o livro best-seller fez antes de nós”, disse Yorkey no comunicado. “Nossa intenção criativa, ao retratar a realidade feia e dolorosa do suicídio em detalhes tão gráficos na 1ª temporada, foi contar a verdade sobre o horror de tal ato e garantir que ninguém jamais desejasse imitá-lo. Mas, quando estávamos prontos para a 3ª temporada, ouvimos as preocupações sobre a cena da Dra. Christine Moutier, da Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio, e de outros, e concordamos com a Netflix em reeditá-la. Nenhuma cena é mais importante do que a vida do show e sua mensagem de que devemos cuidar melhor uns dos outros”. Várias organizações e profissionais relacionados à prevenção do suicídio assinaram um comunicado paralelo, em que dizem apoiar o corte. “Tem havido muito debate sobre a série na comunidade médica. Mas essa mudança positiva garantirá que ’13 Reasons Why’ continue incentivando conversas abertas sobre saúde mental e prevenção do suicídio – ao mesmo tempo em que atenua seu risco para os espectadores adolescentes mais vulneráveis.”
Elton John protesta contra censura de Rocketman na Rússia: “Triste reflexo do mundo dividido em que vivemos”
O cantor Elton John resolveu se manifestar sobre a censura sofrida por “Rocketman” na Rússia, onde o filme será lançado sem cenas de sexo, consumo de drogas e o texto do final que revela que o cantor se casou com David Furnish e adotou dois filhos. O astro pop e os produtores de “Rocketman” divulgaram um comunicado repudiando os cortes. “Rejeitamos da maneira mais enfática possível a decisão de ceder à leis locais e censurar ‘Rocketman’ para o mercado russo”, diz a nota. “A Paramount Pictures tem sido uma parceira corajosa e ousada ao nos permitir criar um filme que é uma representação verdadeira da vida extraordinária de Elton, com todos os lados negativos. Que o distribuidor local tenha editado certas cenas, negando ao público a oportunidade de ver o filme como foi concebido é um triste reflexo do mundo dividido em que ainda vivemos e como o amor entre duas pessoas ainda pode ser tão cruelmente inaceitável. Nós acreditamos na construção de pontes e diálogo aberto, e continuaremos a pressionar para a quebra de barreiras até que todas as pessoas sejam ouvidas igualmente em todo o mundo.” Desde 2013, uma lei pune com multa ou prisão qualquer ato de “propaganda” homossexual para menores na Rússia. Ela foi criada para impedir celebrações públicas, como a parada do orgulho LGBTQIA+. Apoiadores da legislação argumentam que ela é necessária “para proteger valores familiares e impedir a exposição de menores de idade a orientações sexuais não tradicionais”. No entanto, isso não deveria se aplicar ao filme, que será proibido para menores de 18 anos quando for lançado comercialmente na Rússia, na semana que vem. O ministro russo da Cultura, Vladimir Medinski, desmentiu que sua pasta tenha sido responsável por estes cortes, argumentando que “tudo é decidido pelo distribuidor”, segundo a agência Ria Novosti. Elton John é muito popular na Rússia, lotando shows no país desde 1979, quando ainda existia a União Soviética, e até chegou a cantar um amor soviético (homossexual) no hit “Nikita”, de 1985. Em 2014, o presidente russo Vladimir Putin disse que “Elton John é uma pessoa e um músico incrível. Milhões de nossos compatriotas o amam sinceramente” e acrescentou: “apesar de sua orientação”.
Rocketman será exibido sem cenas de “propaganda homossexual” na Rússia
O filme “Rocketman”, cinebiografia do músico Elton John, será exibido em versão censurada na Rússia, com o corte de cerca de 5 minutos em relação às cenas disponíveis no resto do mundo. A distribuidora do filme confirmou ter realizado essas modificações por razões legais, sem dar mais explicações. Os cortes obedecem uma lei que proíbe a divulgação de “propaganda homossexual” no país, segundo o jornal britânico The Guardian. O crítico de cinema Anton Dolin, um dos mais populares da Rússia, foi o primeiro a apontar os cortes. Em seu Facebook, ele escreveu: “Todas as cenas com beijos, sexo ou sexo oral entre homens foram cortadas… A parte mais terrível é que eles também removeram o texto no fim do filme. Sinto muito, sir Elton”. A versão original de “Rocketman” se encerra com um texto que explica que o cantor é atualmente casado com David Furnish, e que o casal cria dois filhos juntos. Na Rússia, este texto foi removido do filme. Outro jornalista russo que assistiu à exibição afirmou que as cenas sobre drogas também foram suprimidas. Desde 2013, uma lei pune com multa ou prisão qualquer ato de “propaganda” homossexual para menores na Rússia. Ela foi criada para impedir celebrações públicas, como a parada do orgulho LGBTQIA+. Apoiadores da legislação argumentam que ela é necessária “para proteger valores familiares e impedir a exposição de menores de idade a orientações sexuais não tradicionais”. No entanto, isso não deveria se aplicar ao filme, que será proibido para menores de 18 anos quando for lançado comercialmente na Rússia, na semana que vem. O ministro russo da Cultura, Vladimir Medinski, desmentiu que sua pasta tenha sido responsável por estes cortes, argumentando que “tudo é decidido pelo distribuidor”, segundo a agência Ria Novosti. Elton John é muito popular na Rússia, lotando shows no país desde 1979, quando ainda existia a União Soviética, e até chegou a cantar um amor soviético (homossexual) no hit “Nikita”, de 1985. Em 2014, o presidente russo Vladimir Putin disse que “Elton John é uma pessoa e um músico incrível. Milhões de nossos compatriotas o amam sinceramente” e acrescentou: “apesar de sua orientação”.
Boy Erased finalmente chega ao Brasil… em DVD!
O filme “Boy Erased: Uma Verdade Anulada” não foi lançado nos cinemas brasileiros, mas ganhou edição especial numa mídia que poucos ainda consomem. O DVD do filme chegou nesta quarta (17/4) nas lojas que ainda oferecem esse tipo de produto. Veja a capa abaixo. O DVD conta com 47 minutos de conteúdo extra, como cenas excluídas da versão cinematográfica ou editadas em versões prolongadas. Dentre essas cenas, destacam-se o momento em que o personagem principal Jared Eamons (Lucas Hedges) visita a prisão e também quando ele não consegue fazer sexo com uma mulher. A Universal decidiu cancelar o lançamento do filme nos cinemas na véspera da data em que ele estava previsto para estrear. E a decisão repentina causou revolta na internet, relacionando o fato ao avanço da direita evangélica no governo federal. Os rumores se intensificaram após o autor do livro, Garrard Conley, lamentar o cancelamento em seu perfil no Twitter. Além dele, o ator Kevin McHale, famoso pela série “Glee”, usou o Instagram para reclamar, fazendo a conexão que os brasileiros anteciparam. “Banir um filme sobre terapia de conversão é perigoso! Bolsonaro é uma ameaça Às vidas LGBTQIA+. Eu te amo, Brasil, e vou lutar com vocês”, escreveu o ator. A explicação oficial da assessoria da Universal Pictures diz que o cancelamento da estreia foi “única e exclusivamente por uma questão comercial baseada no custo de campanha de lançamento versus estimativa de bilheteria nos cinemas”. O cancelamento também refletiu o anti-clímax criado pela falta de indicações do filme na temporada de premiações, apesar de ele ter conquistado elogios da crítica americana – tem 80% de aprovação no site Rotten Tomatoes, que compila críticas da imprensa escritas em inglês. Não por acaso, “Boy Erased” foi indicado apenas a prêmios de críticos, o Globo de Ouro e o Critics Choice Awards, e exclusivamente em categorias de interpretação e música. O longa é inspirado em livro de memórias homônimo, que foi lançado no Brasil no mês passado pela editora Intrínseca. Escrito por Garrard Conley, ele conta como o protagonista é forçado, aos 19 anos de idade, a escolher entre sua verdadeira orientação sexual e sua família aparentemente amorosa, mas religiosa – ou seja, intolerante. Por amar os pais, ele se deixa matricular num grupo de conversão evangélica para se “curar” da homossexualidade e voltar a ser bem-vindo em sua própria casa e no reino de Deus. Mas tudo o que consegue com esta decisão é humilhação e violência. O elenco destaca Lucas Hedge (de “Manchester à Beira-Mar”) como o personagem do título, Nicole Kidman (“Lion”) como sua mãe e Russell Crowe (“A Múmia”) como seu pai pastor, além de Joel Edgerton (“Operação Red Sparrow”) no papel do responsável pelo programa de conversão. Edgerton ainda assina o roteiro e a direção do longa, em seu segundo trabalho na função, após o intenso suspense “O Presente” (2015). Curiosamente, o lançamento do DVD acontece um dia antes da estreia nos cinemas de outro filme sobre “cura gay”. Vencedor do Festival de Sundance do ano passado, “O Mau Exemplo de Cameron Post” terá a distribuição que “Boy Erased” não conseguiu, mostrando que se trata mesmo de opção de distribuidora. A Pandora Filmes é bem menor que a multinacional Universal Pictures.
Censura chinesa à Bohemian Rhapsody irrita fãs do Queen e gays do país
A censura sofrida por “Bohemian Rhapsody” nos cinemas da China foi lamentada por fãs do Queen e gays do país. Os censores locais decidiram cortar uma série de cenas relacionadas à sexualidade de Freddie Mercury (Rami Malek), as referências à Aids e os momentos em que a banda consome drogas. “As cenas deletadas afetam a história. O filme é sobre como Freddie encontrou sua identidade, e sua sexualidade é parte disso”, disse Peng Yanzi, ativista de direitos LGBTQIA+ na China e fã de longa data do Queen, em entrevista à revista americana Billboard, que realizou reportagem sobre a polêmica. Outra ativista, Hua Zile, fez questão de comparar a versão chinesa de “Bohemian Rhapsody” com a exibida no território semiautônomo de Hong Kong, que não sofreu censura. “É uma pena o que eles fizeram com o filme”, comentou. “Isso enfraquece a identidade gay do personagem. É desrespeitoso à experiência real de Mercury, e deixa o personagem superficial. Não o vemos crescendo”. Entre as cenas cortadas pelos censores chineses, estão o momento em que Mercury diz para Mary Austin, então sua mulher, que pode não ser heterossexual. O momento em que o vocalista conta aos companheiros de banda que tem AIDS ficou sem o áudio. Su Lei, que trabalha como contadora, disse à Billboard que leu a biografia de Mercury antes de assistir ao filme. “Os cortes foram desnecessários. É uma nova era na China, influenciada por produtos do Ocidente. Todo mundo seria capaz de entender e aceitar [a sexualidade do personagem]”, disse. A lei chinesa não proíbe a exibição da homossexualidade nos cinemas, mas veta expressamente os temas LGBTQIA+ na TV e nos serviços de streaming disponíveis no país. Apesar disso, os censores chineses costumam não autorizar a exibição de filmes com personagens LGBTQIA+. Filmes americanos premiados como “O Segredo de Brokeback Mountain” e “Moonlight” não estrearam no país, e até a versão para menores de “Deadpool 2” (que inclui um casal lésbico de super-heroínas) precisou fazer cortes para entrar na China.
Bohemian Rhapsody vai mostrar Freddie Mercury heterossexual em versão editada para a China
Não é só “Nasce uma Estrela” que vai ganhar uma nova versão após o Oscar 2019. “Bohemian Rhapsody” também. Mas enquanto o romance musical vai acrescentar músicas de Lady Gaga, a cinebiografia musical vai tirar as cenas que retratam Freddie Mercury consumindo drogas e se portando como um homem gay. A nova versão “reprimida” (antônimo de estendida) será exibida exclusivamente nos cinemas da China, onde o filme estreia em 22 de março. Os censores da China já tinham cortado a tradução da palavra “gay” no discurso de Rami Malek, ao vencer o Oscar de Melhor Ator, na noite de domingo (24/2). Mas, ao contrário da “democracia” russa, o regime do Partido Comunista chinês não tem uma política específica anti-gay. É uma discussão que não sai do armário, e que consiste em barrar sem explicações filmes que promovam este modo de vida. Dirigido pelo taiwanês Ang Lee, “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), por exemplo, não foi lançado comercialmente no país. Para a exibição no país, a Fox cortou cerca de um minuto do longa. E em vez de fomentar protestos, o corte cirúrgico, ironicamente, virou motivo de chacota por quem já achava ridícula a forma como “Bohemian Rhapsody” minimizou a sexualidade do cantor da banda Queen. Bastou tirar um minuto do longa para Freddie Mercury virar um macho man heterossexual. Mesmo com sua castração, o filme será lançado de forma limitada na China, via National Alliance of Arthouse Cinemas (NAAC), uma iniciativa público-privada dirigida pela China Film Archive e apoiada pelo Estado e por um consórcio de exibidores. No entanto, se a bilheteria for alta, a opção pode ser revisada e render um lançamento em mais salas.
Cancelamento de Boy Erased no Brasil gera suspeita de censura por filme denunciar cura gay
Previsto para estrear no Brasil na última quinta (31/1), o filme “Boy Erased: Uma Verdade Anulada” teve sua estreia cancelada em cima da hora. O drama, que conta a história real de um jovem que se submete a um tratamento de “cura gay” nos EUA, sairá agora diretamente em VOD no país. A decisão repentina causou revolta na internet. Após um tuíte do estúdio Universal confirmar o cancelamento, diversos internautas consideraram se tratar de censura, relacionando o fato ao avanço da direita evangélica no governo federal. Os rumores se intensificaram após o autor do livro, Garrard Conley, lamentar o cancelamento em seu perfil no Twitter. Além dele, o ator Kevin McHale, famoso pela série “Glee”, usou o Instagram para reclamar, fazendo a conexão que os brasileiros anteciparam. “Banir um filme sobre terapia de conversão é perigoso! Bolsonaro é uma ameaça Às vidas LGBTQIA+. Eu te amo, Brasil, e vou lutar com vocês”, escreveu o ator. A explicação oficial da assessoria da Universal Pictures diz que se trata “única e exclusivamente por uma questão comercial baseada no custo de campanha de lançamento versus estimativa de bilheteria nos cinemas”. O cancelamento também reflete o anti-clímax criado pela falta de indicações do filme na temporada de premiações, apesar de ele ter conquistado elogios da crítica americana – tem 80% de aprovação no site Rotten Tomatoes, que compila a nota da imprensa escrita em inglês. Não por acaso, “Boy Erased” foi indicado apenas a prêmios de críticos, o Globo de Ouro e o Critics Choice Awards, e exclusivamente em categorias de interpretação e música. O longa é inspirado em livro de memórias homônimo, que foi lançado no Brasil no mês passado pela editora Intrínseca. Escrito por Garrard Conley, ele conta como o protagonista é forçado, aos 19 anos de idade, a escolher entre sua sexualidade e sua família aparentemente amorosa, mas religiosa – ou seja, intolerante. Por amar os pais, ele se deixa matricular num grupo de conversão evangélica para se “curar” da homossexualidade e voltar a ser bem-vindo em sua própria casa e no reino de Deus. Mas tudo o que consegue com esta decisão é humilhação e violência. O elenco destaca Lucas Hedge (de “Manchester à Beira-Mar”) como o personagem do título, Nicole Kidman (“Lion”) como sua mãe e Russell Crowe (“A Múmia”) como seu pai pastor, além de Joel Edgerton (“Operação Red Sparrow”) no papel do responsável pelo programa de conversão. Edgerton ainda assina o roteiro e a direção do longa, em seu segundo trabalho na função, após o intenso suspense “O Presente” (2015). Este também é o segundo filme sobre “cura gay” de 2018 que fica sem lançamento no Brasil. Vencedor do Festival de Sundance e lançado em agosto nos Estados Unidos, “O Mau Exemplo de Cameron Post” (The Miseducation of Cameron Post) trouxe uma perspectiva feminina sobre o tema, com Chloe Moretz (“Carrie, a Estranha”) no papel principal. Por conta disso, o ativista Mathew Shurka, que trabalhou como consultor de “Boy Erased” e é fundador da organização Born Perfect, que trabalha contra a chamada “terapia de conversão”, acredita que a distribuidora deveria dar mais detalhes sobre o cancelamento. Segundo ele, a decisão corre o risco de abrir precedentes para outros fillmes com temática LGBT não serem distruibuídos por “razões comerciais”. “Trabalhei de graça no filme, pois a própria produtora disse que ele foi feito para “salvar vidas’. Isso quer dizer que, por razões comerciais, a Universal não quer salvar vidas?”, ele disse ao jornal O Globo.











