Boy Erased finalmente chega ao Brasil… em DVD!
O filme “Boy Erased: Uma Verdade Anulada” não foi lançado nos cinemas brasileiros, mas ganhou edição especial numa mídia que poucos ainda consomem. O DVD do filme chegou nesta quarta (17/4) nas lojas que ainda oferecem esse tipo de produto. Veja a capa abaixo. O DVD conta com 47 minutos de conteúdo extra, como cenas excluídas da versão cinematográfica ou editadas em versões prolongadas. Dentre essas cenas, destacam-se o momento em que o personagem principal Jared Eamons (Lucas Hedges) visita a prisão e também quando ele não consegue fazer sexo com uma mulher. A Universal decidiu cancelar o lançamento do filme nos cinemas na véspera da data em que ele estava previsto para estrear. E a decisão repentina causou revolta na internet, relacionando o fato ao avanço da direita evangélica no governo federal. Os rumores se intensificaram após o autor do livro, Garrard Conley, lamentar o cancelamento em seu perfil no Twitter. Além dele, o ator Kevin McHale, famoso pela série “Glee”, usou o Instagram para reclamar, fazendo a conexão que os brasileiros anteciparam. “Banir um filme sobre terapia de conversão é perigoso! Bolsonaro é uma ameaça Às vidas LGBTQIA+. Eu te amo, Brasil, e vou lutar com vocês”, escreveu o ator. A explicação oficial da assessoria da Universal Pictures diz que o cancelamento da estreia foi “única e exclusivamente por uma questão comercial baseada no custo de campanha de lançamento versus estimativa de bilheteria nos cinemas”. O cancelamento também refletiu o anti-clímax criado pela falta de indicações do filme na temporada de premiações, apesar de ele ter conquistado elogios da crítica americana – tem 80% de aprovação no site Rotten Tomatoes, que compila críticas da imprensa escritas em inglês. Não por acaso, “Boy Erased” foi indicado apenas a prêmios de críticos, o Globo de Ouro e o Critics Choice Awards, e exclusivamente em categorias de interpretação e música. O longa é inspirado em livro de memórias homônimo, que foi lançado no Brasil no mês passado pela editora Intrínseca. Escrito por Garrard Conley, ele conta como o protagonista é forçado, aos 19 anos de idade, a escolher entre sua verdadeira orientação sexual e sua família aparentemente amorosa, mas religiosa – ou seja, intolerante. Por amar os pais, ele se deixa matricular num grupo de conversão evangélica para se “curar” da homossexualidade e voltar a ser bem-vindo em sua própria casa e no reino de Deus. Mas tudo o que consegue com esta decisão é humilhação e violência. O elenco destaca Lucas Hedge (de “Manchester à Beira-Mar”) como o personagem do título, Nicole Kidman (“Lion”) como sua mãe e Russell Crowe (“A Múmia”) como seu pai pastor, além de Joel Edgerton (“Operação Red Sparrow”) no papel do responsável pelo programa de conversão. Edgerton ainda assina o roteiro e a direção do longa, em seu segundo trabalho na função, após o intenso suspense “O Presente” (2015). Curiosamente, o lançamento do DVD acontece um dia antes da estreia nos cinemas de outro filme sobre “cura gay”. Vencedor do Festival de Sundance do ano passado, “O Mau Exemplo de Cameron Post” terá a distribuição que “Boy Erased” não conseguiu, mostrando que se trata mesmo de opção de distribuidora. A Pandora Filmes é bem menor que a multinacional Universal Pictures.
Censura chinesa à Bohemian Rhapsody irrita fãs do Queen e gays do país
A censura sofrida por “Bohemian Rhapsody” nos cinemas da China foi lamentada por fãs do Queen e gays do país. Os censores locais decidiram cortar uma série de cenas relacionadas à sexualidade de Freddie Mercury (Rami Malek), as referências à Aids e os momentos em que a banda consome drogas. “As cenas deletadas afetam a história. O filme é sobre como Freddie encontrou sua identidade, e sua sexualidade é parte disso”, disse Peng Yanzi, ativista de direitos LGBTQIA+ na China e fã de longa data do Queen, em entrevista à revista americana Billboard, que realizou reportagem sobre a polêmica. Outra ativista, Hua Zile, fez questão de comparar a versão chinesa de “Bohemian Rhapsody” com a exibida no território semiautônomo de Hong Kong, que não sofreu censura. “É uma pena o que eles fizeram com o filme”, comentou. “Isso enfraquece a identidade gay do personagem. É desrespeitoso à experiência real de Mercury, e deixa o personagem superficial. Não o vemos crescendo”. Entre as cenas cortadas pelos censores chineses, estão o momento em que Mercury diz para Mary Austin, então sua mulher, que pode não ser heterossexual. O momento em que o vocalista conta aos companheiros de banda que tem AIDS ficou sem o áudio. Su Lei, que trabalha como contadora, disse à Billboard que leu a biografia de Mercury antes de assistir ao filme. “Os cortes foram desnecessários. É uma nova era na China, influenciada por produtos do Ocidente. Todo mundo seria capaz de entender e aceitar [a sexualidade do personagem]”, disse. A lei chinesa não proíbe a exibição da homossexualidade nos cinemas, mas veta expressamente os temas LGBTQIA+ na TV e nos serviços de streaming disponíveis no país. Apesar disso, os censores chineses costumam não autorizar a exibição de filmes com personagens LGBTQIA+. Filmes americanos premiados como “O Segredo de Brokeback Mountain” e “Moonlight” não estrearam no país, e até a versão para menores de “Deadpool 2” (que inclui um casal lésbico de super-heroínas) precisou fazer cortes para entrar na China.
Bohemian Rhapsody vai mostrar Freddie Mercury heterossexual em versão editada para a China
Não é só “Nasce uma Estrela” que vai ganhar uma nova versão após o Oscar 2019. “Bohemian Rhapsody” também. Mas enquanto o romance musical vai acrescentar músicas de Lady Gaga, a cinebiografia musical vai tirar as cenas que retratam Freddie Mercury consumindo drogas e se portando como um homem gay. A nova versão “reprimida” (antônimo de estendida) será exibida exclusivamente nos cinemas da China, onde o filme estreia em 22 de março. Os censores da China já tinham cortado a tradução da palavra “gay” no discurso de Rami Malek, ao vencer o Oscar de Melhor Ator, na noite de domingo (24/2). Mas, ao contrário da “democracia” russa, o regime do Partido Comunista chinês não tem uma política específica anti-gay. É uma discussão que não sai do armário, e que consiste em barrar sem explicações filmes que promovam este modo de vida. Dirigido pelo taiwanês Ang Lee, “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), por exemplo, não foi lançado comercialmente no país. Para a exibição no país, a Fox cortou cerca de um minuto do longa. E em vez de fomentar protestos, o corte cirúrgico, ironicamente, virou motivo de chacota por quem já achava ridícula a forma como “Bohemian Rhapsody” minimizou a sexualidade do cantor da banda Queen. Bastou tirar um minuto do longa para Freddie Mercury virar um macho man heterossexual. Mesmo com sua castração, o filme será lançado de forma limitada na China, via National Alliance of Arthouse Cinemas (NAAC), uma iniciativa público-privada dirigida pela China Film Archive e apoiada pelo Estado e por um consórcio de exibidores. No entanto, se a bilheteria for alta, a opção pode ser revisada e render um lançamento em mais salas.
Cancelamento de Boy Erased no Brasil gera suspeita de censura por filme denunciar cura gay
Previsto para estrear no Brasil na última quinta (31/1), o filme “Boy Erased: Uma Verdade Anulada” teve sua estreia cancelada em cima da hora. O drama, que conta a história real de um jovem que se submete a um tratamento de “cura gay” nos EUA, sairá agora diretamente em VOD no país. A decisão repentina causou revolta na internet. Após um tuíte do estúdio Universal confirmar o cancelamento, diversos internautas consideraram se tratar de censura, relacionando o fato ao avanço da direita evangélica no governo federal. Os rumores se intensificaram após o autor do livro, Garrard Conley, lamentar o cancelamento em seu perfil no Twitter. Além dele, o ator Kevin McHale, famoso pela série “Glee”, usou o Instagram para reclamar, fazendo a conexão que os brasileiros anteciparam. “Banir um filme sobre terapia de conversão é perigoso! Bolsonaro é uma ameaça Às vidas LGBTQIA+. Eu te amo, Brasil, e vou lutar com vocês”, escreveu o ator. A explicação oficial da assessoria da Universal Pictures diz que se trata “única e exclusivamente por uma questão comercial baseada no custo de campanha de lançamento versus estimativa de bilheteria nos cinemas”. O cancelamento também reflete o anti-clímax criado pela falta de indicações do filme na temporada de premiações, apesar de ele ter conquistado elogios da crítica americana – tem 80% de aprovação no site Rotten Tomatoes, que compila a nota da imprensa escrita em inglês. Não por acaso, “Boy Erased” foi indicado apenas a prêmios de críticos, o Globo de Ouro e o Critics Choice Awards, e exclusivamente em categorias de interpretação e música. O longa é inspirado em livro de memórias homônimo, que foi lançado no Brasil no mês passado pela editora Intrínseca. Escrito por Garrard Conley, ele conta como o protagonista é forçado, aos 19 anos de idade, a escolher entre sua sexualidade e sua família aparentemente amorosa, mas religiosa – ou seja, intolerante. Por amar os pais, ele se deixa matricular num grupo de conversão evangélica para se “curar” da homossexualidade e voltar a ser bem-vindo em sua própria casa e no reino de Deus. Mas tudo o que consegue com esta decisão é humilhação e violência. O elenco destaca Lucas Hedge (de “Manchester à Beira-Mar”) como o personagem do título, Nicole Kidman (“Lion”) como sua mãe e Russell Crowe (“A Múmia”) como seu pai pastor, além de Joel Edgerton (“Operação Red Sparrow”) no papel do responsável pelo programa de conversão. Edgerton ainda assina o roteiro e a direção do longa, em seu segundo trabalho na função, após o intenso suspense “O Presente” (2015). Este também é o segundo filme sobre “cura gay” de 2018 que fica sem lançamento no Brasil. Vencedor do Festival de Sundance e lançado em agosto nos Estados Unidos, “O Mau Exemplo de Cameron Post” (The Miseducation of Cameron Post) trouxe uma perspectiva feminina sobre o tema, com Chloe Moretz (“Carrie, a Estranha”) no papel principal. Por conta disso, o ativista Mathew Shurka, que trabalhou como consultor de “Boy Erased” e é fundador da organização Born Perfect, que trabalha contra a chamada “terapia de conversão”, acredita que a distribuidora deveria dar mais detalhes sobre o cancelamento. Segundo ele, a decisão corre o risco de abrir precedentes para outros fillmes com temática LGBT não serem distruibuídos por “razões comerciais”. “Trabalhei de graça no filme, pois a própria produtora disse que ele foi feito para “salvar vidas’. Isso quer dizer que, por razões comerciais, a Universal não quer salvar vidas?”, ele disse ao jornal O Globo.
Vida do cantor Ney Matogrosso vai virar filme
O cantor Ney Matogrosso assinou na última semana um contrato com a Paris Filmes para a produção de sua cinebiografia. Ainda sem título, o filme será produzido por Renata Rezende (da Paris Entretenimento) e deverá acompanhar a vida do artista desde a a infância no Mato Grosso do Sul, incluindo o complicado relacionamento com o pai militar, mostrará a vida do cantor no Rio de Janeiro vendendo artesanato até o sucesso com o grupo Secos e Molhados, sua carreira solo e os dias atuais. Como pano de fundo, a trama deve abordar a história do país, desde movimentos culturais como o Tropicalismo, até políticos como a luta contra a censura e a Diretas Já. O projeto acontece após o estouro internacional de “Bohemian Rhapsody”, cinebiografia da banda Queen e do cantor Freddie Mercury, comprovando o interesse do público por histórias de músicos. Outros filmes recentes, como “Elis”, “Tim Maia” e “Gonzaga, de Pai para Filho”, atestam a viabilidade do filão no Brasil. O filme de Ney Matogrosso deverá ser rodado em 2019 para um lançamento em 2020. Além do filme, a Paris Filmes também adquiriu os direitos das músicas do cantor para desenvolver ainda um espetáculo teatral e uma série de TV.
HBO Brasil censura íntegra do programa de John Oliver que critica “terrível” Jair Bolsonaro
Vencedor do Emmy de Melhor Talk Show do ano, o programa “Last Week Tonight with John Oliver”, da HBO, teve um de seus episódios recentes censurado no Brasil. O programa tinha como tema as eleições presidenciais brasileiras, e trouxe Oliver gozando da campanha do PT e, principalmente, fazendo críticas duras ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, a quem chamou de “ser humano terrível”. Exibido em 7 de outubro nos Estados Unidos, o episódio simplesmente não foi ao ar no Brasil. Ele deveria ter sido transmitido em 8 de outubro, no dia seguinte ao primeiro turno das eleições brasileiras. No entanto, na ocasião, a HBO reprisou o episódio 24 da 5ª temporada. Na semana seguinte, o canal exibiu o episódio 26, como se o 25 não existisse. A HBO Brasil também não deu alternativas para o público assistir ao capítulo pela plataforma HBO Go. Após o episódio 24, o catálogo do serviço oferece diretamente o episódio 26, pulando a edição dedicada às eleições brasileiras. A censura foi na TV e também online. Procurada pela reportagem do jornal O Globo, a HBO Brasil não se manifestou sobre o motivo. Em junho, o Supremo Tribunal Eleitoral (STF) derrubou a regra que impedia sátiras a políticos em período eleitoral. Ou seja, não havia restrições legais para a exibição do conteúdo pela HBO Brasil. Anteriormente, apenas a China, que não é uma democracia, proibiu a exibição de um episódio de “Last Week Tonight”. Fez mais que isso: tirou a HBO do ar para impedir uma piada de John Oliver, que lembrava como o presidente chinês Xi Jingpin não gostava de ser comparado ao Ursinho Pooh. Já o Brasil ainda é uma democracia, pelo menos até o resultado final das eleições. Mesmo assim, houve censura, como na época da ditadura, momento de repressão intensa que Bolsonaro sugere representar. Apesar de barrado no Brasil, a íntegra do segmento dedicado ao país, com 16 minutos de duração, pode ser encontrada na página oficial do programa no YouTube. Por conta disso, “fãs” resolveram legendar uma versão de 11 minutos do vídeo, sem a longa introdução sobre como o mundo via o Brasil há 80 anos. Ambas as versões podem ser vistas abaixo. No programa, além de chamar Bolsonaro de “terrível”, Oliver mostra uma compilação de declarações constrangedoras do deputado, lembrando acusações de homofobia, misoginia, racismo e comportamento antidemocrático. “A melhor coisa que você pode dizer sobre Bolsonaro é que ele não foi denunciado por um escândalo de corrupção, ainda. Infelizmente essa é, literalmente, a única coisa boa que você pode dizer sobre ele, pois ele é um ser humano terrível”. É tão pesado que Oliver termina o programa fazendo uma conclamação aos brasileiros para não votarem em Bolsonaro, dizendo que ainda havia esperanças, graças à campanha #EleNão. Oliver também brincou com a popularidade de Lula, falando que seria prático eleger um presidente que já está preso por corrupção. E chama a campanha petista, que tenta colar a imagem de Fernando Haddad a Lula, de “um insulto à inteligência das pessoas”. O apresentador inglês ainda se mostrou fascinado pela fauna de candidatos brasileiros a cargos legislativos, inclusive os super-heróis, como o “Homem-Aranha do Amapá” e “Geraldo Wolverine”. Ao final, ele conclui que qualquer candidato é melhor do que Bolsonaro. “Brasileiros, sei que vocês estão desiludidos com todos os políticos e que nenhum dos candidatos os inspiram, mas, por favor, qualquer um deles é melhor que o Bolsonaro”, inclusive o “Lula diet” (em referência a Haddad), ele cita, além do Homem-Aranha. “Bolsonaro não reflete o que vocês são de melhor, Brasil”, encerrou. Confira abaixo.
Criador de Black-ish confirma que censura de episódio pela Disney o empurrou para a Netflix
O criador da sitcom “Black-ish”, Kenya Barris, confirmou em nova entrevista ao The Hollywood Reporter os verdadeiros motivos que o levaram a trocar a rede ABC pela Netflix. E não foi dinheiro. Conforme especulado pela imprensa, ele esta descontente com a rede após ter um episódio da série censurado por expressar posicionamentos políticos contrários ao presidente dos EUA, Donald Trump. O capítulo em questão, “Please Baby Please”, trazia o protagonista Dre (Anthony Anderson) contando uma história para o seu filho na hora de dormir. Usando metáforas, Dre refletia sobre acontecimentos políticos do ano – e o episódio usava animações e trechos de telejornais para ilustrar a trama. “Please Baby Please” chegou a ser gravado e ainda receberia narração especial do cineasta Spike Lee (“Faça a Coisa Certa”). No entanto, dias antes da exibição prevista (em 27 de fevereiro), executivos da ABC e da sua companhia-mãe, a Disney, decidiram não colocar “Please Baby Please” no ar. Barris assume que foi “a gota d’água” para o fim do seu relacionamento com a Disney. “Eu percebi que não seria útil para eles depois disso, não como eles queriam que eu fosse”, explicou. “Eu sei que a Disney tinha preocupações sobre o ângulo da história que estávamos contando. Uma coisa que aprendi na TV aberta é que, quando você está falando de política, precisa apresentar todos os lados”, continua. Apesar das ressalvas, Barris aponta que a abordagem de Ben Sherwood, chefe de TV da Disney, não foi ideal no momento delicado de descartar o episódio. “Ben queria manter a aparência da ABC como um ambiente aberto para qualquer tipo de expressão, quando não era. Isso eu vejo muito claramente. Quando você tem os seus limites, você precisa dizer. Eu respeitaria mais a Disney se eles fizessem isso”, comenta Barris. Para completar, a rede não vinha apostando em novas criações do produtor-roteirista. A ABC recusou “Libby e Malcolm”, série política que seria estrelada por Felicity Huffman e Courtney B. Vance, “Unit Zero”, que mostraria Toni Collette na CIA, além de uma comédia com Alec Baldwin, que foi abandonada após o ator desistir do projeto. A situação levou Barris a pedir liberação de seu contrato com a companhia, que originalmente seguiria por mais três anos, e assinar um acordo milionário com a Netflix. “Eu pensei comigo mesmo: ‘Se vou sair daqui, quero sair para um lugar onde estarei completamente liberado’. Eu quero fazer algo na Netflix com atitude – algo ousado e sem pedir desculpas”, diz. Sem Barris, “Black-ish” vai seguir para a sua 5ª temporada, marcada para estreia em 16 de outubro. Ele também deixa o spin-off “Grow-ish” no Freeform e dois projetos em desenvolvimento, “Besties”, também no Freeform, e um remake de “A Feiticeira” com atriz negra na ABC.
Criador de Black-ish assina contrato de exclusividade para criar novas séries na Netflix
Conforme especulado, o roteirista-produtor Kenya Barris, criador das séries “Black-ish” e “Grown-ish” e autor dos roteiros de “Viagem das Garotas” e do novo “Shaft”, fechou um contrato milionário de exclusividade com a Netflix. Ele é o terceiro talento televisivo atraído para um acordo de desenvolvimento de novas séries para a plataforma. Mas, ao contrário de Shonda Rhimes e Ryan Murphy, seu contrato é apenas para séries, já que possui um relacionamento cinematográfico com a Fox. Todos os três foram tirados do alcance da Disney, que prepara sua própria plataforma. Kenya Barris e Shonda Rhimes saíram da ABC, onde comandavam carros-chefes de audiência da rede do conglomerado Disney, como a citada “Black-ish” e “Grey’s Anatomy”, e Murphy era a joia da coroa dos estúdios Fox, recém-adquiridos pela Disney, graças a sucessos como “American Horror Story” e “9-1-1”, entre outras atrações. No final de julho, Barris anunciou o encerramento de sua parceria com o ABC Studios, seu lar criativo desde 2015, mas o negócio com a Netflix já estava sendo especulado desde abril, quando a relação do produtor com a ABC começou a dar sinais de desgaste. Os problemas de Barris ficaram claros após o canal vetar a exibição de um episódio politicamente temático do “Black-ish”, citando “diferenças criativas”. “Dadas as nossas diferenças criativas, nem ABC nem eu estávamos felizes com a direção do episódio e concordaram em não colocá-lo no ar”, Barris disse na época. Mas o que se comenta é que ele não aprovou a atitude da emissora. Para completar, a rede não vinha apostando em suas novas criações. A ABC recusou “Libby e Malcolm”, série política que seria estrelada por Felicity Huffman e Courtney B. Vance, “Unit Zero”, que mostraria Toni Collette na CIA, além de uma comédia com Alec Baldwin, que foi abandonada após o ator desistir do projeto. Ele só vinha emplacando séries no canal pago juvenil do conglomerado, o Freform. Todo o material dispensado pode, agora, ressurgir na Netflix, bem como novas produções do requisitado roteirista, que na despedida do ABC Studios deixará uma nova série no Freeform, “Besties”. Por sinal, Cindy Holland, a “rainha do conteúdo” da Netflix, frisou em seu discurso de boas-vindas duas palavras que devem ter feito Barris sorrir: “liberdade criativa”. “Kenya Barris é um dos nossos grandes contadores de histórias modernos”, disse Holland, em comunicado. “Ele usa sua voz para tornar o público mais consciente do mundo ao seu redor, enquanto simultaneamente os faz rir. Sua honestidade, brilho cômico e ponto de vista singular, combinados com a liberdade criativa que ele desfrutará na Netflix, prometem criar novas histórias poderosas para todos os nossos assinantes em todo o mundo.”
Christopher Robin é proibido na China porque presidente do país não gosta de ser comparado ao Ursinho Pooh
Parece piada, e realmente começou com uma piada, porém é sério e de verdade. A nova fábula com atores da Disney, “Christopher Robin”, foi proibido na China por conta das comparações, feitas por opositores políticos, entre o Ursinho Pooh e o atual presidente do país, Xi Jinping. Oficialmente, as autoridades chinesas não deram motivo para impedir a estreia do filme. No entanto, imagens do Ursinho Pooh tem sido censuradas até mesmo nas redes sociais, visto que o personagem virou uma espécie de símbolo provocativo da resistência contra o Partido Comunista, ainda no poder no país. Até a HBO sofreu as consequências quando o talk show “Last Week Tonight”, do comediante John Oliver, resolveu tocar na piada feita contra Xi Jinping. A emissora foi simplesmente tirada do ar no país na hora prevista para o programa. Veja abaixo o vídeo polêmico. Aparentemente, o presidente não acha graça da piada. Apesar do comunismo chinês não ser sério, tendo em vista como depende do capitalismo mundial para prosperar, ninguém do país tem autorização para ver o rei nu – por sinal, outra fábula da Disney que deve gerar repulsa nos governantes. A situação deixa realmente de ter graça quando inspira a repressão. Para dar a dimensão aleatória do caso, o filme se passa na Inglaterra em meados do século 20 e nem sequer cita a China. “Christopher Robin” mostra o reencontro do personagem do título com seus amiguinhos de infância, bichinhos falantes de pelúcia que incluem o Ursinho Pooh. Para quem não lembra, Christopher Robin era o único personagem humano de Milne, inspirado no próprio filho do escritor. Nos livros originais e nos desenhos da Disney, ele é um menino curioso e de imaginação fértil. Mas, no filme, surge como um homem de negócios atormentado por ter que priorizar o trabalho à sua esposa e filha. Sofrendo pela obrigação de demitir diversos funcionários, a última coisa que precisa é voltar a ver Pooh. Mas é exatamente o que acontece. O ursinho ressurge em sua vida, pedindo sua ajuda para encontrar seus amigos novamente. Ewan McGregor (série “Fargo”) interpreta o Robin adulto e Hayley Atwell (a “Agent Carter”) vive sua esposa. Conhecido em todo o mundo pelo título de “Christopher Robin”, o filme de Marc Forster (“Guerra Mundial Z”) vai se chamar aqui “Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível”. Trata-se de um penduricalho para justificar salário dos tradutores de título, a atividade menos qualificada do mercado cinematográfico local. Ou alguém realmente chamou o filme “Os Vingadores” de “Os Vingadores – The Avengers”? A estreia está marcada para 16 de agosto nos cinemas brasileiros.
Criador de Black-ish abandona ABC por negociação de exclusividade com a Netflix
O roteirista-produtor Kenya Barris, criador das séries “Black-ish” e “Grown-ish” e autor dos roteiros de “Viagem das Garotas” e do novo “Shaft”, vai trocar a TV pelo streaming. Ele anunciou ter encerrado sua parceria com o ABC Studios, seu lar criativo desde 2015, e a imprensa americana afirma que isso acontece no momento em que ele negocia valores para fechar um acordo com a Netflix. Com esse acordo, Barris se juntaria a Shonda Rhimes e Ryan Murphy entre os contratados exclusivos da plataforma de streaming. O negócio, na verdade, está sendo especulado desde abril, quando a relação do produtor com a ABC começou a dar sinais de desgaste. Os problemas de Barris ficaram claros após o canal ABC vetar a exibição de um episódio politicamente temático do “Black-ish”, citando “diferenças criativas”. “Dadas as nossas diferenças criativas, nem ABC nem eu estávamos felizes com a direção do episódio e concordaram em não colocá-lo no ar”, Barris disse na época. Mas o que se comenta é que ele não estava feliz era com a atitude da emissora. Para completar, a rede não vinha apostando em novas criações do roteirista. A ABC recusou “Libby e Malcolm”, série política que seria estrelada por Felicity Huffman e Courtney B. Vance, “Unit Zero”, que mostraria Toni Collette na CIA, além de uma comédia com Alec Baldwin, que foi abandonada após o ator desistir do projeto. Ele só vinha emplacando séries no canal pago juvenil do conclomerado, o Freform. Todo o material dispensado pode, agora, ressurgir na Netflix, bem como novas produções do requisitado roteirista, que na despedida do ABC Studios deixará uma nova série no Freeform, “Besties”. De todo modo, em comunicado oficial, o produtor jogou panos quentes nos rumores sobre seu descontentamento com a ABC. “Sou muito grato a Patrick Moran e o seu time na ABC Studios, que me apoiaram em todas as etapas enquanto eu criava as palavras que seriam ditas pelos personagens de ‘Black-ish’, ‘Grown-ish’ e agora ‘Besties’. Deixar a ABC me deixa um sentimento agridoce, mas entre os projetos que estão no ar e os que estão em desenvolvimento, eu sei que continuarei trabalhando com a ABC por muito anos.” A declaração final de Barris refere-se ao fato de que todas as séries que estão na ABC, continuarão na ABC, mesmo após ele (supostamente) assinar com a Netflix
Ministério Público Federal intima Netflix por série que a plataforma não lançou
O Ministério Público Federal de Minas Gerais resolveu caçar drag queens animadas. Em nota divulgada na quinta (26/6), o procurador da República Fernando de Almeida Martins escreveu ser “necessária a intervenção do poder público” contra a exibição da série animada “Super Drags” na Netflix. Embora anunciada, a série não foi lançada, e a manifestação se faz sem que ninguém tenha visto seu conteúdo. A intimação ecoa, em vários pontos, uma manifestação anterior da Sociedade Brasileira de Pediatria. E usa argumentos similares ao grupo religioso americano Christian Film and Television Commission (Comissão Cristã de Filmes e Televisão), que pediu o cancelamento da produção. Como o Ministério Público não tem poder de censura, proibida pela Constituição Federal – embora incentivada pelos grupos de pressão – , o texto que fala em “intervenção” é “apenas” uma afronta ao Artigo 5º, que usa a defesa de direitos das crianças e do consumidor como escudo para se sobrepor à lei maior. Com a desculpa de “preservar os direitos das crianças, mais propensas a serem influenciadas, principalmente quando se trata do uso de uma linguagem que é, essencialmente, do universo infantil — como é o caso dos desenhos animados”, o texto ignora propositalmente a grande quantidade de outras séries animadas adultas já disponíveis na própria Netflix, além da TV paga. Todas são “o caso dos desenhos animados”. A única diferença de “Super Drags” em relação a outras produções adultas é que traz super-heróis LGBTQIA+. O MPF destaca que “vários estudos internacionais importantes comprovam os efeitos nocivos, entre crianças e adolescentes, desse tipo de exposição”. “É preciso lembrar que o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece o respeito à integridade, inclusive com relação aos valores”, escreve Fernando de Almeida Martins, sugerindo que o problema está mesmo no conteúdo LGBTQIA+. É a mesma linha de raciocínio de quem também ataca, por exemplo, a adoção de menores abandonados por casais LGBTQIA+, e que considera homossexualidade como perversão sexual – contra o texto constitucional que define: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. O procurador ainda cobra responsabilidade da Netflix para fornecer a classificação indicativa da série e a proíbe de disponibilizar a produção em seu menu infantil. Para completar, dá prazo de 30 dias para a Netflix cumprir a “recomendação”. Recomendação, como se sabe, não tem prazo para ser cumprida. O absurdo da situação ultrapassa o surrealismo mais delirante. Afinal, a série não foi lançada ainda. E nem estará disponível daqui a 30 dias. Produzida pelo brasileiro Combo Estúdio, tudo o que se viu de “Super Drags”, por enquanto, foi um teaser, de 27 segundos. A produção não foi finalizada e, por isso, ainda não se sabe qual será sua data de estreia, muito menos sua classificação indicativa, cuja implementação não depende da boa vontade da Netflix, mas da Coordenação de Classificação Indicativa (Cocind) do Departamento de Promoção de Políticas de Justiça (DPJUS), que integra a Secretaria Nacional de Justiça (SNJ) do Ministério da Justiça (MJ). A equipe responsável pela classificação etária consiste de cerca de 30 pessoas, entre classificadores e pessoal administrativo, concursados, com várias formações acadêmicas. Estes analistas da classificação indicativa passam por treinamento contínuo, e nunca atribuem uma classificação de forma individual. Todas as obras são vistas, por, pelo menos, dois analistas separadamente e não havendo consenso, amplia-se o grupo de análise. O texto do Ministério Público Federal de Minas Gerais estaria passando por cima dessas atribuições do Ministério da Justiça, que, em última análise, é quem define a classificação indicativa de todas as atividades e produtos culturais do Brasil, e ainda não começou a avaliar “Super Drags”, já que o produto não está pronto, apesar do ultimato dos 30 dias dado pelo procurador da República Fernando de Almeida Martins. O Ministério da Justiça pode até determinar que a série seja disponibilizada com censura livre, já que os 27 segundos disponibilizados e que “preocupam” pelos “valores”, não tem cenas de sexo, drogas e violência, que podem ser vistas em outras atrações animadas da plataforma, como “Bojack Horseman”, “Big Mouth” e “F Is for Family”. Neste momento, é impossível afirmar o que há em “Super Drags”, porque a série é mesmo inédita. De todo modo, a Netflix não está posicionando “Super Drags” como uma série para crianças. A própria empresa já se manifestou sobre o lançamento com um comunicado que pode ser repetido, linha a linha, em resposta ao paladino das criancinhas indefesas. “A Netflix oferece uma grande variedade de conteúdos para todos os gostos e preferências. ‘Super Drags’ é uma série de animação para uma audiência adulta e não estará disponível na plataforma infantil [Netflix Kids]”, afirmou a empresa na semana passada. Além disso, a plataforma disponibiliza controle parental para pais conservadores bloquearem conteúdo LGBTQIA+ ou o que mais desejarem proibir seus filhos de assistirem. “A seção dedicada às crianças combinada com o recurso de controlar o acesso aos nossos títulos faz com que pais confiem em nosso serviço como um espaço seguro e apropriado para os seus filhos. As crianças podem acessar apenas o nosso catálogo infantil e colocamos o controle nas mãos dos pais sobre quando e a que tipo de conteúdo seus filhos podem assistir”, acrescenta a Netflix. A iniciativa está de acordo com recomendação do próprio Ministério da Justiça, que em seu portal oficial afirma, de forma clara, que a classificação indicativa não deve ser encarada como censura, nem solução definitiva contra acesso a conteúdo impróprio. “A ClassInd não substitui o cuidado dos pais – é fundamentalmente uma ferramenta que pode ser usada por eles. Por isso recomendamos que os pais e responsáveis assistam e conversem com os filhos sobre os conteúdos e temas abordados na mídia”, diz o texto do Ministério, de conteúdo completamente oposto ao tom “intervencionista” do funcionário público aparentemente fora da lei. Veja abaixo o teaser que tornou “necessária a intervenção do poder público”.
CEO da Netflix justifica renovação de 13 Reasons Why: “Ninguém é obrigado a assistir”
A renovação de “13 Reasons Why” para uma 3ª temporada causou controvérsia, e não apenas entre grupos conservadores que gostariam de ver a série sumir. Até fãs consideram que a história já acabou. Pois o CEO da Netflix, Reed Hastings, assumiu que a decisão foi movida pela audiência e repercussão da atração, independente de qualquer desdobramento seu conteúdo. Falando a acionistas durante uma reunião, Hastings disse: “’13 Reasons Why é muito popular e bem sucedida’. É conteúdo engajante mas também controverso. Ninguém é obrigado a assistir”. Entretanto, a 2ª temporada não teve inimigos apenas entre militantes de grupos de pressão. A queda de qualidade da série foi destacada pelas avaliações da crítica. Enquanto a 1ª temporada teve 80% de aprovação no site Rotten Tomatoes, a 2ª despencou para 26%. Não é por acaso que a decisão de continuar a produzir a série está sendo questionada.
Chaves sofre censura ao ser exibido no Multishow
A ida de “Chaves” ao Multishow acabou sendo traumática, considerando-se que qualquer censura é sempre traumática. O canal pago tomou a iniciativa de eliminar um detalhe “inconveniente” de um velho episódio da série mexicana, que teve uma fala redublada para evitar uma piada supostamente homofóbica. No episódio em questão, Chapolin é desprezado por uma personagem, que diz que teria sido melhor “chamar o Batman” do que ele. No SBT, o desbocado Chapolin disparava: “Em primeiro lugar, o Batman não está, porque está em lua de mel com o Robin”. No Multishow, a frase considerada homofóbica foi substituída por: “Em primeiro lugar, o Batman não pôde vir porque furou o pneu do batmóvel.” A troca de uma piada – boba, por sinal – esbarra no conceito do anacronismo. Tenta-se fazer com que um personagem dos anos 1970 tenha a consciência politicamente correta dos dias de hoje. Por conta dessa mentalidade orwelliana – em “1984”, um dos trabalhos da burocracia era reescrever o passado diariamente – , muitos livros de Monteiro Lobato também foram reescritos, com a supressão de termos racistas. Para o Multishow, não se trata de censura, mas de “entender” os limites do humor. Na prática, porém, parece haver confusão entre defender um humor mais ético nos dias de hoje e maquiar produtos históricos para adequá-los às conveniências das narrativas atuais. Um exemplo equivalente, para dar uma dimensão cultural mais ampla da polêmica, seria omitir a designação popular do Largo do Pelourinho, em Salvador, porque o nome remete à escravidão. Apagar registros históricos também pode estimular a ilusão de que os fatos censurados jamais ocorreram. Há uma vasta literatura de extrema direita que tenta provar que o Holocausto nunca existiu, e bem intencionados de esquerda – os politicamente corretos – podem alimentar uma linha de pensamento similar com revisões retroativas de menções preconceituosas. Com base em episódios “retificados”, seria possível acreditar no futuro que “Chaves” nunca produziu nenhuma piada preconceituosa. A posição do canal foi defendida em comunicado assinado pela diretora de programação e conteúdo artístico, Tatiana Costa, que se diz aberta aberta à discussão, ao mesmo tempo em que promete fidelidade ao material original. O discurso não reflete a prática já efetivada de censura. Confira a íntegra do posicionamento da emissora abaixo: “Estamos cientes das críticas e ainda vamos acertar e errar, mas sempre na tentativa de fazer o melhor. É vivo, uma troca, não é uma decisão única. Estamos aqui para discutir juntos, ajustar também com os fãs. Em algumas piadas, realmente existe um cunho homofóbico, mais machista. Nos anos 1970, isso era mais comum, mas hoje, felizmente, estamos em outro momento. Vamos entendendo o limite dentro do humor. A linha é muito tênue e, por isso, uma decisão sempre difícil. Somos uma marca democrática, com a responsabilidade de debater todas essas questões. Temos um poder social muito grande nas mãos. Vamos, sim, ficar de olho nisso, mas entendemos a liberdade artística e o contexto da época do produto e, por isso, vamos buscar ser fiéis à obra idealizada pelo Bolaños.”











