Dick Miller (1928 – 2019)
O ator Dick Miller, que ficou conhecido por atuar em filmes cultuados dos cineastas Roger Corman e Joe Dante, morreu nesta quarta-feira (30/1) aos 90 anos, em Toluca Lake, na Califórnia. Com longa carreira no cinema, ele foi lançado por Corman, o lendário rei dos filmes B, durante os anos 1950. Reza a lenda que Miller procurou Corman para tentar emplacar um roteiro. Mas o cineasta respondeu que não precisava de roteiros e sim de atores. E assim o roteirista sem dinheiro Richard Miller virou Dick Miller, o ator de salário mínimo. De cara, ele estrelou dois westerns de Corman, “Pistoleiro Solitário” (1955) e “A Lei dos Brutos” (1956), antes de entrar nos clássicos de sci-fi e terror baratos que tornaram o nome do diretor mundialmente conhecido, como “O Conquistador do Mundo” (1956), “O Emissário de Outro Mundo” (1957), “Um Balde de Sangue” (1959), “A Loja dos Horrores” (1960), “Obsessão Macabra” (1962), “Sombras do Terror” (1963) e “O Homem dos Olhos de Raio-X” (1963), entre muitos outros. Ele também apareceu nos filmes de surfistas, motoqueiros e hippies da época, entre eles os cultuadíssimos “Os Anjos Selvagens” (1966) e “Viagem ao Mundo da Alucinação” (The Trip, 1967), ambos estrelados por Peter Fonda e dirigidos por Corman. O sucesso dos filmes baratos do diretor acabaram criando uma comunidade. Corman passou a contratar aspirantes a cineastas para transformar sua produtora numa potência, lançando mais filmes que qualquer outro estúdio de Hollywood, e isso fez com que Miller trabalhasse com Paul Bartel (em “Corrida da Morte – Ano 2000”), Jonathan Demme (em “Loucura da Mamãe”) e principalmente Joe Dante. Miller e Dante ficaram amigos desde que fizeram “Hollywood Boulevard” (1976) para Corman e essa amizade rendeu uma colaboração duradoura e cheia de clássicos, como “Piranha” (1978), “Grito de Horror” (1981), “Gremlins” (1985) e muito mais. Na verdade, todos os filmes de Dante tiveram participação do ator, até o recente “Enterrando Minha Ex” (2014). Querido pela comunidade cinematográfica, Miller também trabalhou com os mestres Martin Scorsese (“New York, New York” e “Depois das Horas”), Steven Spielberg (“1941”), Samuel Fuller (“Cão Branco”), Robert Zemeckis (“Febre de Juventude”, “Carros Usados”) e James Cameron (“O Exterminador do Futuro”). Ao atuar por sete décadas e aparecer em mais de 100 lançamentos, muitos deles reprisados até hoje na TV, tornou-se um dos rostos mais conhecidos de Hollywood. Por outro lado, por sempre interpretar papéis secundários, acabou não tendo uma projeção à altura da sua filmografia. Mas ele era reconhecido, sim, como apontou um documentário de 2014, que chamava atenção para o fato de todos já terem visto “That Guy Dick Miller” (aquele cara Dick Miller) em algum filme na vida. E ele ainda brincou com isso para batizar sua biografia de “You Don’t Know Me, But You Love Me” (você não me conhece, mas me ama). Ainda ativo, Miller tinha recém-finalizado o terror “Hanukkah”, que celebrava uma curiosidade de sua filmografia: era o sétimo filme em que o ator interpretava um personagem chamado Walter Paisley, costume inaugurado por Corman há 60 anos, em “Um Balde de Sangue”. No Twitter, o diretor Joe Dante lamentou a morte do grande parceiro. “Estou devastado em dizer que um dos meus melhores amigos e um dos meus colaboradores mais valiosos morreu”, escreveu. “Eu cresci assistindo Dick Miller em filmes dos anos 1950 e fiquei emocionado em tê-lo no meu primeiro filme”, disse. “Nós nos divertimos muito juntos e todo roteiro que eu escrevia tinha em mente um papel para o Dick – não apenas porque ele era meu amigo, mas porque eu amava vê-lo atuando! Ele deixa mais de 100 atuações, uma biografia e um documentário – nada mal para um cara que não gostava de personagens principais”, completou Dante.
Dusan Makavejev (1932 – 2019)
O diretor e roteirista sérvio Dusan Makavejev, responsável por clássicos provocantes como “W.R. – Mistérios do Organismo” (1971) e “Montenegro” (1981), morreu na sexta-feira (25/1) em Belgrado, aos 86 anos. Makavejev foi um dos pioneiros da escola cinematográfica Black Wave que surgiu na antiga Iugoslávia no início dos anos 1960. Seus filmes empregaram provocação subversiva, sensualidade e humor para comentar e denunciar elementos cotidianos da vida sob o governo socialista autoritário de Tito. Muitos de seus trabalhos foram banidos na Iugoslávia e resultaram na sua saída do país para viver e filmar na Europa ocidental e na América do Norte. Seus filmes, conhecidos por cenas de nudez e sexo explícito, muitas vezes centravam-se na liberação sexual de uma personagem feminina. “Você descobre que não há nada tão engraçado, tão louco, tão perigoso, excitante e problemático quanto o sexo”, disse ele certa vez. Seus problemas com os censores comunistas começaram em 1958, com dois curtas-metragens, o erótico “Don’t Believe in Monuments” e “Damned Holiday”. Este último foi admirado pelo cineasta escocês John Grierson, o que pavimentou o caminho para sua exibição na televisão escocesa, dando início à notoriedade internacional de Makavejev. Mas quanto mais se tornava conhecido no exterior, mais ele foi censurado em casa. Sua peça “The New Men of Flower Market” foi tirada de cartaz à força em 1962 e, durante o mesmo ano, outro curta, “Parade”, foi proibido por ser “desrespeitoso”. Era uma mistura louca de música, fotografias e citações, todas satirizando a pompa bombástica da máquina militar soviética. E então começaram os longas. O primeiro foi “O Homem Não É um Pássaro” (1965), que explorava amor e sexo numa cidade mineira, sob a sombra do comunismo, e introduziu um estilo de abordagem de falso documentário que, após se aprimorar em “Um Caso de Amor ou o Drama de uma Empregada da Companhia Telefônica” (1967), se tornaria marca registrada de seu cinema. O auge desse estilo materializou-se em seu terceiro longa, “W.R. – Mistérios do Organismo” (1971), que deu o que falar. O filme começava como uma investigação sobre as controvertidas teorias sexuais do psicanalista radical Wilhelm Reich, antes de implodir em uma narrativa livre sobre a liberação sexual, zombando de tudo, incluindo o culto a Stalin e a visão da 2ª Guerra Mundial entre os soviéticos. “WR” foi considerada a crítica mais intensa da Revolução bolchevique produzida em um país comunista, e acabou premiado pela crítica no Festival de Berlim. Seu reconhecimento internacional culminou em seu exílio. “A melhor maneira de descrever o que aconteceu é que fui gentilmente expulso da Iugoslávia”, ele disse ao jornal Los Angeles Times em 1981. Para seu próximo longa, “Um Filme Doce” (1974), Makavejev buscou financiamento de estúdios franceses, com apoio do cineasta Louis Malle. Mas a violência e a sexualidade animal da obra assustaram até os produtores. O fiapo de trama acompanha uma Miss Canadá virgem que embarcava numa jornada de depravação surreal pela Europa, com cenas de vômito e defecação e onde nem o Holocausto escapava. Em sua crítica, a revista Time afirmou que, apesar do título, aquilo não era um filme, mas “uma doença social”. A controvérsia aumentou seu prestígio e Makavejev arranjou emprego como professor de cinema na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, em 1978. Foi onde encontrou o produtor sueco Bo Jonsson, que lhe sugeriu uma mudança de trajetória, provocando-o a fazer uma comédia leve e de apelo popular, com um título como “Casablanca”. Ele ironizou a sugestão, dizendo que faria algo de nome similar, “Montenegro”, citando a região montanhosa da Iugoslávia que se tornaria independente em 2006. Produzido por Jonsson e filmada na Suécia, “Montenegro” acabou virando o maior sucesso comercial da carreira de Makavejev. Comédia de humor negro, acompanhava uma entediada dona de casa americana (Susan Anspach) em Estocolmo, que tem uma aventura com um grupo de ciganos iugoslavos. As cenas incluem sexo selvagem com um deles, chamado, justamente, de Montenegro, além de uma famosa sequência envolvendo vibradores. O final “engraçado” era a transformação da dona de casa em serial killer. Ele tentou se tornar mais comercial em seu filme seguinte, “Coca-Cola Kid” (1985), bancado por produtores australianos e estrelado por Eric (irmão de Julia, pai de Emma) Roberts no papel de um jovem executivo de marketing da Coca-Cola que tenta entender porque uma comunidade australiana preferia refrigerantes locais à marca multinacional. Com menos sexo que o habitual – envolvendo uma secretária vivida pela italiana Greta Scacchi – , acabou não tendo a mesma repercussão e sucesso. Seu único filme americano também foi contido. “Manifesto por uma Noite de Amor” (1988), adaptação de Émile Zola, era uma farsa sobre a tentativa de assassinar um tirano europeu, numa cidadezinha obcecada por sexo. Com a queda do comunismo nos anos seguintes, ele voltou para o Leste Europeu para filmar seu último longa de ficção, “Gorilla Bathes at Noon” (1993), enquanto seu país se dilacerava em guerras étnicas e territoriais. Ele ainda participou de uma antologia com o provocante título “Danish Girls Show Everything” (garotas dinamarquesas mostram tudo) e assinou sua última obra em 1994, o documentário “A Hole in the Soul”, que era parte autobiografia, parte meditação sobre a luta da identidade nacional iugoslava, ilustrando como a morte violenta da sua pátria deixou-o sentindo-se roubado de sua alma. Em uma entrevista de 2000, Makavejev explicou que tinha virado cineasta para tentar dar sentido ao mundo. “É muito difícil dizer o que faz você se envolver com o cinema. Os filmes sempre nos seguem como um material de referência ou como algum tipo de material onírico para lidar com coisas que não entendemos em nossas vidas. Os filmes nos dão soluções ou fornecem um comentário sussurrante sobre o que está acontecendo ao nosso redor”.
Michel Legrand (1932 – 2019)
O compositor francês Michel Legrand, vencedor de três estatuetas do Oscar por suas trilhas sonoras, e que trabalhou com mitos da música como Frank Sinatra, Ray Charles, Miles Davis, Edith Piaf e Elis Regina, faleceu neste sábado (26/1) em Paris aos 86 anos. Sua carreira teve quase 70 anos, marcando tanto a história do jazz quanto a do cinema. Músico e arranjador, Legrand começou a compor música para filmes com o surgimento da Nouvelle Vague francesa, trabalhando para Agnès Varda no clássico “Cléo das 5 às 7” (1962), no qual também estrelou, com Jean-Luc Godard em “Uma Mulher É Uma Mulher” (1961), “Viver a Vida” (1962) e “Bando à Parte” (1964), mas sobretudo com Jacques Demy, para quem quem compôs dois musicais cultuadíssimos, “Os Guarda-Chuvas do Amor” (1964) e “Duas Garotas Românticas” (1967). Com o impacto causado pelos longas de Demy, Legrand chamou atenção do colega Henry Mancini, grande compositor de Hollywood, que lhe convidou a trabalhar em seu primeiro filme americano, assinando a trilha sonora de “Crown, o Magnífico” (1968). E a principal canção do longa, “The Windmills of Your Mind”, rendeu a primeira estatueta do Oscar ao compositor em 1969. Seguiram-se uma coleção de trilhas clássicas, 13 indicações ao Oscar e duas vitórias na Academia, pelas melodias inesquecíveis dos filmes “Houve uma vez um Verão” (1972) e “Yentl” (1984). Mas apesar do sucesso em Hollywood, Legrand não abandonou o cinema francês, trabalhando em obras nos dois continentes, e ainda manteve uma carreira paralela e igualmente premiada na música. Suas composições receberam 17 indicações ao Grammy, vencendo cinco troféus da indústria fonográfica. Entre as muitas trilhas famosas de sua carreira, também merecem citação os trabalhos de “Lola, a Flor Proibida” (1961), “Quem é Polly Maggoo?” (1966), “A Piscina” (1969), “Tempo para Amar, Tempo para Esquecer” (1969), “Mosaico de Sonhos” (1970), “A Garota no Automóvel – Com Óculos e um Rifle” (1970), “As 24 Horas de Le Mans” (1971), “Interlúdio de Amor” (1973), “Os Três Mosqueteiros” (1973), “Verdades e Mentiras” (1973), “Retratos da Vida” (1981), “Amigos Muito Íntimos” (1982), “007 – Nunca Mais Outra Vez” (1983), “Prêt-à-Porter” (1994), “Os Miseráveis” (1995) e o filme recém-resgatado de Orson Welles “O Outro Lado do Vento” (2018). Relembre abaixo seis trabalhos famosos de Legrand no cinema. Na cena de “Cléo das 5 às 7”, é ele quem aparece cantando ao piano.
Zac Efron vira o serial killer Ted Bundy no primeiro trailer surpreendente de drama indie
O estúdio indie Voltage divulgou o trailer de “Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile”, que traz o ator Zac Efron (“Baywatch”) como Ted Bundy, um dos serial killers mais famosos dos Estados Unidos. A prévia subverte expectativas ao mostrar o vilão como um bom marido e pai de família, que jura inocência e é capaz de criar dúvidas mesmo diante dos fatos, enquanto se vangloria de ter ficado mais popular que o parque Disney World. A recriação dos anos 1970 é assinada pelo diretor Joe Berlinger, que ficou conhecido por realizar a trilogia de documentários “Paradise Lost”, responsável por ajudar a libertar três jovens presos injustamente após um assassinato ritual de crianças em West Memphis. O caso rendeu comoção nacional, porque eles foram condenados por serem fãs de heavy metal. Antes do novo trabalho, Berlinger só tinha feito um filme de ficção e há 18 anos, o terror “A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras” (2000), que, em retrospectiva e comparado ao novo “Bruxa de Blair” (2016), não era tão ruim assim. O roteiro é de Michael Werwie (do vindouro suspense “Lost Girls”, com Sarah Paulson) e o elenco também inclui Kaya Scodelario (“Maze Runner: A Cura Mortal”), Lily Collins (“O Mínimo para Viver”), John Malkovich (“Horizonte Profundo: Desastre no Golfo”), Jim Parsons (série “Big Bang Theory”), Angela Sarafyan (“Westworld”), Grace Victoria Cox (“Under the Dome”), Terry Kinney (série “Billions”), Haley Joel Osment (o menino agora crescido de “O Sexto Sentido”), Dylan Baker (série “The Good Wife”) e o cantor do Metallica James Hetfield, em sua estreia como ator. “Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile” fará sua estreia mundial neste sábado (26/1), durante o Festival de Sundance 2019, em janeiro, e ainda não tem previsão para seu lançamento comercial.
Ratched: Sharon Stone e Cynthia Nixon entram na nova série de Ryan Murphy
Um dos produtores mais poderosos das séries americanas, Ryan Murphy (“American Horror Story”) adicionou mais star power em sua próxima atração. As atrizes Sharon Stone (“Instinto Selvagem”) e Cynthia Nixon (“Sex and the City”) vão reforçar o elenco de “Ratched”, série sobre a juventude da enfermeira sádica do clássico “Um Estranho no Ninho”, filme premiado de Milos Forman. Seus papéis não foram reveladas, mas elas se juntam a um elenco de respeito na atração da Netflix, que inclui Judy Davis (“Feud”), Corey Stoll (“Homem-Formiga”), Amanda Plummer (“Pulp Fiction”), Charlie Carver (“Teen Wolf”), Harriet Sansom Harris (“Trama Fantasma”, Hunter Parrish (“Weeds”) e Finn Wittrock (“American Horror Story”), além de Sarah Paulson (“Bird Box”) no papel-título. A história da série vai se iniciar em 1947, acompanhando a jornada que transformou uma enfermeira inocente num “verdadeiro monstro”, conforme visto no filme de 1975. A trama vai revelar a progressão de seus assassinatos, cometidos impunemente no sistema público de saúde mental. O ator Michael Douglas, que foi um dos produtores originais de “Um Estranho no Ninho”, será um dos produtores executivos da série ao lado de Murphy. Mas a criação do projeto partiu de um roteirista inexperiente, Evan Romansky, que escreveu o roteiro do piloto e ofereceu no mercado. O texto acabou caindo nas mãos de Murphy, que organizou um “pacote de talentos” e foi ao mercado, gerando um frenesi entre os interessados. “Rachted” ainda não tem previsão de estreia.
Edyr de Castro (1946 – 2019)
A cantora e atriz Edyr de Castro, que fez parte do grupo As Frenéticas e atuou em novelas, morreu na manhã desta terça-feira (15/1) no Rio de Janeiro. Ela começou sua carreira no teatro, na montagem do famoso musical “Hair”, em 1969. Mas só ficou conhecida após ser convocada por Nelson Motta para integrar o sexteto vocal As Frenéticas, juntamente com Sandra Pêra, Regina Chaves, Leiloca Neves, Dhu Moraes e Lidoka Martuscelli. Ao emplacar o tema de abertura da novela “Dancin’ Days” (1978), o grupo virou um fenômeno de popularidade – e ainda bisou o feito com o tema de “Feijão Maravilha” (1979). Com o fim das Frenéticas em 1984, Edyr migrou para a televisão, aparecendo na minissérie “Tenda dos Milagres” (1985) e na novela mais vista da rede Globo, “Roque Santeiro” (1985). Em seguida, ela viveu seu papel mais lembrado, como Doroteia na novela “Cambalacho” (1986). Edyr de Castro ficou na Globo até 2006, participando ainda das minisséries “Anos Rebeldes” (1992) e “Chiquinha Gonzaga” (1999), além de algumas novelas, despedindo-se do canal com “Sinhá Moça” (2006). Depois disso, ainda atuou na série “A Turma do Pererê”, na TVE Brasil, e fez duas novelas na Record – “Amor e Intrigas” (2007) e “Poder Paralelo” (2009). Sua carreira ainda inclui diversos filmes, com destaque para “Menino Maluquinho: O Filme” (1995), “Uma Onda No Ar” (2002), “Proibido Proibir” (2006) e “5x Favela, Agora por Nós Mesmos” (2010). Mas a aposentadoria se tornou incontornável quando descobriu que sofria de Alzheimer. Ela viveu seus últimos oito anos no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro, sem deixar ser abater. “Sou feliz aqui, estou em paz comigo mesma”, disse em entrevista ao jornal Extra em 2015. Lembre abaixo o maior sucesso das Frenéticas.
Paul Koslo (1944 – 2019)
O ator Paul Koslo, que foi coadjuvante em diversos clássicos da década de 1970, morreu de câncer na quarta-feira passada (9/1) em sua casa, em Lake Hughes, Califórnia. Ele tinha 74 anos. Nascido Manfred Koslowski na Alemanha em 27 de junho de 1944, seu primeiro papel de destaque no cinema foi como Dutch, um ex-estudante de medicina que é um dos poucos a sobreviver à praga biológica que extermina a civilização na sci-fi “A Última Esperança na Terra” (Omega Man, 1971), estrelada por Charlton Heston. Koslo também viveu um patrulheiro rodoviário em “Corrida Contra o Destino” (Vanishing Point, 1971), ex-militar traumatizado pela Guerra do Vietnã em “A Máquina de Matar” (1971), caçador de recompensas em “Joe Kidd” (1972), gângster em “Cleopatra Jones” (1973), psicopata em “Jogo Sujo” (1973), integrante de uma família sanguinária em “Quando o Ódio Explode” (1973), pistoleiro em “Justiceiro Implacável” (1975), novamente gângster em “A Piscina Mortal” (1975), judeu em fuga dos nazistas em “A Viagem dos Condenados” (1976) e o prefeito do western “Portal do Paraíso” (1980), entre muitos outros personagens. Nestes filmes, contracenou com grandes astros como John Wayne, Katharine Hepburn, Paul Newman, Clint Eastwood, Charles Bronson, Faye Dunaway, Robert Duvall, Rod Steiger, Jeff Bridges, Christopher Walken, John Hurt, Isabelle Huppert, Charlotte Rampling, Joanne Woodward e o já mencionado Charlton Heston, para citar alguns. Chegou a se tornar um dos atores favoritos do diretor Stuart Rosenberg, que o escalou em quatro filmes consecutivos – “Matança em São Francisco” (1973), “A Piscina Mortal” (1975), “A Viagem dos Condenados” (1976) e “Amor e Balas” (1979). E também foi um dos principais antagonistas de Charles Bronson, com quem lutou em três filmes – “Jogo Sujo” (1973), “Desafiando o Assassino” (1974) e “Amor e Balas” (1979). Ele ainda viveu o pai de River Phoenix na comédia juvenil “Uma Noite na Vida de Jimmy Reardon” (1988), enfrentou Gene Hackman e Dan Aykroyd na comédia policial “Um Tiro que Não deu Certo” (1990) e voltou a atuar com Charleton Heston em nova sci-fi, “Solar Crisis” (1990). Mas, apesar desses filmes esporádicos, sua carreira cinematográfica estagnou após o início promissor, o que o levou a privilegiar participações em episódios de séries. Foram dezenas, de “Missão: Impossível” e “O Incrível Hulk” até “Stargate: SG1” em 2000. Seu último papel foi como ele mesmo, na comédia indie “Breaking the Fifth” (2004).
Black Mirror: Bandersnatch rende processo da editora dos livros de Escolha Sua Aventura
A editora Chooseco, que publica nos EUA os livros infantis da famosa franquia “Escolha Sua Aventura” (Choose Your Own Adventure), entrou com processo contra a Netflix por usar a estrutura patenteada por ela para lançar o filme interativo “Black Mirror: Bandersnatch”. Criados por Edward Packard, os livros de “Escolha Sua Aventura” foram originalmente desenvolvidos para estimular a criatividade das crianças. Eles permitem que leitores façam escolhas em momentos chave da narrativa, que indicam páginas a sere puladas para continuar a leitura, resultando em histórias diferentes, conforme as escolhas. Packard escreveu o primeiro livro do gênero, “Adventures of You on Sugarcane Island”, em 1970, mas ele só foi publicado em 1976, um ano depois do desenvolvimento do primeiro game interativo, “Colossal Cave Adventure”, pelo programador Will Crowther e outros. Antes de a internet virar o que é hoje, “Colossal Cave Adventure” também consistia só de textos, com opções a serem definidas pelos jogadores por meio da inclusão de comandos. Foi um grande sucesso e acabou inspirando outros jogos interativos, criando um gênero que foi denominado de “Aventura” (Adventure), devido ao título do game original. “Colossal Cave Adventure” foi um processo longo, que levou de 1975 a 1976 a ser aperfeiçoado, mas desde o começo foi compartilhado entre vários jogadores dispostos a testá-lo na arpanet, a rede de computadores precursora da internet, inspirando outros a desenvolverem seus próprios jogos. Para todos os efeitos, ficou conhecido como a primeira obra de ficção interativa do mundo, precedendo as publicações de Packard. Já o termo “Escolha Sua Aventura” só foi introduzido para apresentar o segundo livro de Packard, “Adventures of You on Deadwood City” (1977), como uma anotação na contracapa. Outro detalhe é que o editor dos livros, R.A. Montgomery, só começou a adaptar a estrutura interativa para games nos anos 1980, quando lançou uma versão de “Choose Your Own Adventure” para Atari em 1984 – antes de criar CD-Roms para a Apple em 1990. Assim, na prática, os games da arpanet precederam os livros interativos. Mas, para a Chooseco, isso não importa, já que ela alega ter o copyright da estrutura que foi usada por “Bandersnatch”. Segundo a revista The Hollywood Reporter, a Chooseco decidiu processar a Netflix nesta sexta-feira (11/1), revelando que a empresa de streaming chegou a fazer uma proposta para comprar os direitos da frase “Choose Your Own Adventure” e da franquia literária, mas que nenhum contrato foi fechado. A Chooseco preferiu fechar com o estúdio 20th Century Fox, que ficou com os direitos cinematográficos e televisivos de “Escolha Sua Aventura”. Os advogados da editora ainda dizem no processo que a Netflix já usou a frase patenteada pela companhia para promover outros produtos interativos, a maioria deles do catálogo infantil da plataforma. O processo também aponta que a frase “Escolha Sua Aventura” é usada em uma das cenas de “Bandersnatch”, durante um diálogo entre o protagonista Stefan (Fionn Whitehead) e seu pai, em que ele explica a estrutura do videogame que está criando. A editora diz que, como a associação de seu nome aos produtos da Netflix não foi previamente autorizada, ela tem direito a uma compensação de pelo menos US$ 25 milhões ou uma porcentagem dos lucros do serviço de streaming com “Black Mirror: Bandersnatch”. O caso vai depender da extensão da patente da Chooseco sobre a estrutura interativa – se ela registrou o formato para audiovisual, por exemplo. De todo modo, não é a primeira vez que a Chooseco faz valer a sua patente sobre a frase “Escolha Sua Aventura”. Na década passada, a empresa processou a Chrysler pelo uso da frase na propaganda de um de seus jipes. O caso terminou em um acordo monetário entre as duas partes.
Martin Scorsese prepara novo documentário sobre Bob Dylan para a Netflix
O cineasta Martin Scorsese vai fazer um novo documentário sobre Bob Dylan, 14 anos depois do abrangente “No Direction Home”. Desta vez, a produção será centrada numa única turnê do cantor e realizada para a Netflix. Intitulado “Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese”, o documentário vai esmiuçar a turnê “Rolling Thunder Revue”, que levou Dylan a se juntar com amigos famosos numa “caravana musical” pela América do Norte entre 1975 e 1976. Entre os músicos que participaram da turnê estão artistas tão diferentes quanto as cantoras folks Joan Baez e Joni Mitchel e a punk Patti Smith, sem esquecer do ex-Byrds Roger McGuinn e o ex-Beatle Ringo Starr, além do poeta Allen Ginsberg e os atores Sam Shepard, Dennis Hopper e Bette Midler, entre outros. Segundo a Netflix, o filme de Scorsese vai misturar entrevistas com participantes da turnê, imagens de Dylan e companhia na estrada e durante os shows, e até algumas cenas ficcionais “similares a um sonho febril”. O próprio Dylan concedeu entrevista para o longa, rompendo um longo isolamento auto-imposto. Notavelmente recluso, o músico raramente fala com a imprensa. O lançamento de “Rolling Thunder Revue” consolida o relacionamento de Scorsese com a Netflix, por onde também irá lançar seu próximo longa de ficção, o aguardadíssimo “The Irishman”, drama sobre mafiosos estrelado por Robert De Niro e Al Pacino, ainda neste ano.
Al Pacino vai estrelar a primeira série de sua carreira
O ator Al Pacino vai estrelar sua primeira série em 50 anos de carreira. Ele entrou no elenco de “The Hunt”, série da Amazon produzida pelo cineasta Jordan Peele (“Corra!”). Pacino vai se juntar a Logan Lerman (“Percy Jackson”, “As Vantagens de Ser Invisível”) na atração, que se passa nos anos 1970 e conta uma história supostamente real de caça a criminosos nazistas, que fugiram após a 2ª Guerra Mundial e se disfarçaram de pessoas comuns. Escrita por David Weil (do vindouro “Moonfall”) e Nikki Toscano (“Revenge”), a trama lembra “Meninos do Brasil”, pois acompanha um time de caçadores de nazistas que descobre uma conspiração, envolvendo vários ex-oficiais alemães, para instaurar um Quarto Reich nos EUA. O papel de Pacino será o de mentor do personagem de Lerman, após o jovem descobrir a existência do grupo que caça nazistas em Nova York. Curiosamente, o ator veterano começou sua carreira com uma aparição numa série, “N.Y.P.D.”, em 1968. Depois disso, ele só voltou a trabalhar em algo próximo do gênero na minissérie de sete episódios “Angels in America”, em 2003. Mas nos últimos tempos tem estrelado muitos telefilmes da HBO. “The Hunt” será a primeira série convencional de sua carreira, ainda que produzida para streaming.
Trailer da 3ª temporada de One Day at a Time revela participações especiais
A Netflix divulgou 11 fotos e o trailer da 3ª temporada da comédia “One Day at a Time”, que revela novos “dramas” da família protagonista e algumas participações especiais. Duas convidadas são Melissa Fumero e Stephanie Beatriz, a Amy e a Rosa de “Brooklyn Nine-Nine”, respectivamente. Mas o destaque principal é a aparição da famosa cantora Gloria Estefan no papel Mirtha, irmã de Lydia (Rita Moreno). A série já mencionou a personagem antes, dizendo que as duas irmãs não se davam muito bem e não se falavam há anos. A série é um reboot latino da atração homônima, um marco da TV americana, exibido ao longo de nove temporadas entre 1975 e 1984, com produção de Norman Lear, um dos principais roteiristas-produtores de sitcoms de famílias americanas dos anos 1970 – também criou “Os Jefferson”, “Maude”, “Tudo em Família” e “Good Times”. A versão original acompanhava uma mãe divorciada (Bonnie Franklin), após ela se mudar com suas duas filhas (Mackenzie Phillips e Valerie Bertinelli) para um prédio de apartamentos em Indianápolis, onde a família conta com a ajuda do zelador Schneider (Pat Harrington) para lidar com os problemas do dia-a-dia. Na nova versão da Netflix, a família é latina. O remake gira em torno de três gerações de uma família de origem cubana que vive sob um mesmo teto. A mãe e veterana militar Penélope (Justina Machado) alista a “ajuda” de sua mãe cubana Lydia (a lendária Rita Moreno, de “Amor, Sublime Amor”) e do rico proprietário do imóvel Schneider (Todd Grinnell), enquanto cria dois adolescentes: sua filha radical Elena (Isabella Gomez) e o filho introvertido Alex (Marcel Ruiz). Sim, a produção mudou diversos detalhes, incluindo o sexo de um dos filhos. A 3ª temporada terá mais 13 episódios e estreia em 8 de fevereiro.
Fosse/Verdon: Trailer de minissérie com Sam Rockwell e Michelle Williams capricha nas coreografias
O canal pago FX divulgou o primeiro trailer da minissérie “Fosse/Verdon”, que traz Sam Rockwell (“Três Anúncios para um Crime”) e Michelle Williams (“Todo o Dinheiro do Mundo”) respectivamente como o diretor e coreógrafo Bob Fosse e a atriz e dançarina Gwen Verdon. A prévia é repleta de coreografias, recriando momentos famosos da carreira do casal, como os espetáculos da Broadway “Charity, Meu Amor”, “Cabaret” e “Chicago”. A minissérie vai acompanhar suas trajetórias como um casal de artistas que, como destaca o release da FX, “mudou a cara do entretenimento americano – a um custo perigoso”. O elenco da série também inclui Margaret Qualley (“The Leftovers”), Norbert Leo Butz (“Bloodline”), Aya Cash (“You’re the Worst”), Susan Misner (“Billions”) e Bianca Marroquín (“Eleanor”), Paul Reiser (“Stranger Things”), além de Nate Corddry (“Mindhunter”) como Neil Simon, Kelli Barrett (“O Justiceiro”) como Liza Minnelli e Laura Osnes (“City of Dreams”) como Shirley MacLaine. “Fosse/Verdon” ainda não tem previsão de estreia.
American Soul: Vídeo e fotos de nova série recriam a cena musical dos anos 1970
O canal pago americano BET divulgou um vídeo de bastidores e dezenas de fotos da produção de “American Soul”, série passada nos anos 1970, que vai dramatizar a história do programa musical “Soul Train”, a atração mais popular da história do gênero musical conhecido como soul. Criada por Jonathan Prince (“American Dreams”) e Devon Greggory (roteirista de “Underground”), a série pretende contar como um jornalista e DJ de Chicago chamado Don Cornelius (vivido por Sinqua Walls, de “Teen Wolf”) revolucionou a TV americana ao produzir e apresentar um programa com dançarinos e artistas negros, ajudando a tirar o R&B do gueto racial para transformar a então chamada soul music num fenômeno popular em todos os Estados Unidos – e no mundo. Para materializar essa história, o elenco de “American Soul” conta com vários nomes renomados da música e cinema americanos. A lista inclui artistas como Bobby Brown, no papel de Rufus Thomas, Gabrielle Dennis como Tina Turner, K. Michelle como Martha Reeves, Kelly Rowland na pele de Gladys Knight e Michelle Williams como Diana Ross. Isto mesmo, dois terços do Destiny Child fazem parte da produção. A estreia está marcada para 5 de fevereiro nos Estados Unidos.








