John Krasinski vai estrelar série do agente secreto Jack Ryan
O ator John Krasinski vai voltar a estrelar uma série, três anos após o final de “The Office”. Ele interpretará a nova versão do agente secreto Jack Ryan, que já rendeu cinco filmes, numa atração desenvolvida pelo roteirista-produtor Carlton Cuse (“Lost”, “Bates Motel”) para o serviço de streaming Amazon. A informação é do site Deadline. A série não será uma adaptação literal dos livros de Clancy, como foram os primeiros filmes, mas uma nova versão contemporânea do personagem, utilizando os romances como fonte. Embora não seja um recruta iniciante como no longa mais recente, “Operação Sombra – Jack Ryan” (2014), ele vai aparecer como um analista da CIA, cujo trabalho brilhante acaba levando-o para sua primeira missão de campo, em pleno Oriente Médio. O projeto foi uma iniciativa da Paramount, estúdio responsável pelos filmes, que buscou Michael Bay para monetizar seu catálogo de propriedades. Cuse, que é fã assumido do personagem, entrou a bordo a convite de Bay. Nos romances, Ryan começou como um corretor de investimentos da bolsa de valores, antes de assumir uma posição na Academia Naval dos EUA e posteriormente ingressar na CIA, subindo na carreira até virar diretor-adjunto e, eventualmente, tornar-se Presidente da Estados Unidos. Ao contrário de outros heróis literários, que se tornaram bastante identificados com seus intérpretes de cinema, Jack Ryan já foi vivido por quatro atores diferentes em cinco filmes. O único a repetir o papel foi Harrison Ford nos anos 1990. A história do agente Jack Ryan no cinema começou em 1990 com o longa “Caçada ao Outubro Vermelho”, que tinha Alec Baldwin no papel principal. Depois vieram “Jogos Patríoticos” (1992) e “Perigo Real e Imediato” (1994) com Harrison Ford como protagonista. A franquia tentou um primeiro reboot com Ben Affleck em “A Soma de Todos os Medos” (2002) e uma nova tentativa de recomeço com Chris Pine em “Operação Sombra – Jack Ryan” (2014), o que acabou rendendo um rejuvenescimento contínuo do personagem, que viveu suas aventuras praticamente em ordem decrescente. Essas mudanças constantes acabam por facilitar a reintrodução do personagem na série, pois a franquia não conseguiu fixar um ator no papel. Segundo o Deadline, Krasinski foi a principal escolha de Cuse para viver Jack Ryan desde que o projeto começou a ser desenvolvido. A série também marcará um reencontro entre Krasinski e Bay, que o dirigiu no thriller de ação militar “13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”. O roteiro do piloto já está pronto, escrito por Cuse em parceria com Graham Roland (“Lost”, “Fringe”), e as gravações devem começar em breve. A série de “Jack Ryan”, por sinal, seguirá um modelo diferente do mais utilizado até o momento pela Amazon. Assim como fez com Woody Allen, o serviço de streaming encomendou a série sem ver o piloto, baseando-se apenas nos nomes envolvidos. Isto sinaliza uma nova tendência do Amazon, que até então condicionava a produção de uma série à aprovação de seu piloto pelo público, via disponibilização gratuita na internet.
O universo Marvel atinge o ápice em Capitão América: Guerra Civil
Os irmãos Anthony e Joe Russo revelaram-se a grande arma secreta da Marvel. Saíram do anonimato – na verdade, da série “Community” – para dirigir “Capitão América: O Soldado Invernal” (2014), o filme que impôs mais dramaticidade e seriedade na fórmula do estúdio, até então marcada pelo predomínio do humor em suas aventuras. Agora, com “Capitão América: Guerra Civil”, eles atingem o ápice, ao criar o filme perfeito da Marvel, com o qual todos os demais serão comparados, graças ao equilíbrio de seriedade dramática, ação intensa e diversão bem-humorada em doses harmoniosas. O tom dramático é estabelecido logo no começo, quando uma missão dos Vingadores termina em tragédia, levando o mundo e particularmente o governo dos EUA a exigir controle sobre o grupo. Até porque essa não foi a única intervenção dos heróis com vítimas civis, como mostraram “Os Vingadores” (2012) e “Vingadores: Era de Ultron” (2015). Mas enquanto Tony Stark (Robert Downey Jr.) se mostra pronto para assumir a culpa e se submeter, o Capitão Steve Rogers (Chris Evans) não aceita virar pau mandado, especialmente quando uma das novas missões é capturar seu ex-melhor amigo Bucky/Soldado Invernal (Sebastian Stan). A premissa é de um filme dos Vingadores. Entretanto, o clima solene não inclui as piadinhas trocadas entre os personagens, que marcaram os dois longas de Joss Whedon. Os Russo deixaram o humor por conta da introdução do Homem-Aranha (Tom Holland), que se mostra uma metralhadora de piadas em suas cenas, deixando bem claro sua diferença etária em relação aos demais super-heróis. Se os diretores conduzem o filme com precisão, o mérito da trama é de outra dupla, os roteiristas Stephen McFeely e Christopher Markus, que estão na franquia desde “Capitão América: O Primeiro Vingador” (2011) e se mostram verdadeiros experts em quadrinhos, enchendo a história de referências, como a nação africana de Wakanda, Sharon Carter, a prisão Balsa, o Barão Zemo, Ossos Cruzados, a joia do infinito etc. Além disso, seu roteiro é cirurgicamente interligado com os filmes dos Vingadores, do Capitão América, do Homem de Ferro e até do Homem-Formiga, como se as produções anteriores tivessem sido feitas para desaguar nele. A principal inspiração dos quadrinhos, por sua vez, vem da minissérie “Guerra Civil”, de Mark Millar (o criador de “Kick-Ass” e “Kingsman”), que marcou os anos 2000 e repercutiu em vários títulos da Marvel. Claro, a guerra civil original envolvia centenas de super-heróis e o filme lida com os limites do universo cinematográfico da Marvel, mas mesmo assim consegue passar a essência do conflito, sem deixar de introduzir novos personagens, como o citado Aranha e o Pantera Negra (Chadwick Boseman). A síntese do embate reúne doze heróis numa luta filmada em IMAX, que dá a dimensão grandiosa do momento (ainda que o 3D convertido dos filmes da Marvel continue fajuto e caça-níquel). Um dos grandes méritos da produção, aliás, é reforçar no público a convicção e força desses heróis, mostrando o que eles são capazes em cenas muito bem coreografadas, de grande intensidade física. No conflito generalizado, até a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), que tem poderes mais complexos, tem a chande de demonstrar seu potencial ao enfrentar o androide Visão (Paul Bettany). O centro dramático, porém, está na figura do Soldado Invernal. Se o ator Sebastian Stan não tem o mesmo carisma dos demais, seu arco é o mais trágico. Apesar de estar sob controle de inimigos, ele se sente culpado por ter executado tantas vidas inocentes a mando de terroristas. E este dilema o torna o principal eixo da trama, embora isso não tire o protagonismo do Capitão América e do Homem de Ferro, cujos intérpretes estão cada vez mais à vontade em seus papéis. “Capitão América: Guerra Civil” é um filme repleto de momentos memoráveis. Embora resulte consistente, é composto de várias cenas individuais com forte carga emocional. Uma cena em particular, envolvendo o Soldado Invernal, pode levar o espectador às lágrimas. E isso não é pouco em se tratando de um estúdio que, até então, jamais demonstrara pretensões de dar a seus filmes a atmosfera sombria das adaptações da DC Comics. Os irmãos Russo acabaram com o mito que todo o filme da Marvel precisa ser uma comédia, como o caso extremo do “Homem-Formiga” (2015), sem cair na seriedade sem graça das produções baseadas nos quadrinhos da sua rival. “Capitão América: Guerra Civil” mostrou como adaptações de super-heróis podem ser feitas de forma séria sem perder de vista seu potencial para a diversão. E esta é uma lição mais preciosa que uma joia do infinito.
Alicia Vikander será Lara Croft no novo filme de Tomb Raider
A nova versão cinematográfica do game “Tomb Raider” escalou a sua protagonista. Os estúdios MGM e GK Films anunciaram a sueca Alicia Vikander, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Garota Dinamarquesa” (2015), como a substituta de Angelina Jolie no papel de Lara Croft. Angelina estrelou os primeiros e até aqui únicos filmes da heroína dos videogames, “Lara Croft: Tomb Raider” (2001) e “Lara Croft: Tomb Raider – A Origem da Vida” (2003). O novo filme será um reboot da franquia, inspirado no jogo lançado em 2013, que conta a origem da personagem, e tem roteiro esboçado pela estreante Geneva Robertson-Dworet (uma das roteiristas do vindouro “Transformers 5”) e finalizado por Evan Daugherty (“Divergente”). A direção está a cargo do norueguês Roar Uthaug (“Presos no Gelo”), que fará sua estreia em Hollywood, após vários sucessos escandinavos. Ainda não há data de estreia definida, mas a expectativa é de um lançamento no outono americano de 2017. Vikander superou diversas candidatas ao papel, entre elas a britânica Daisy Ridley, que se tornou mundialmente conhecida como a Rey de “Star Wars: O Despertar da Força” (2015). Com a agenda lotada, a atriz sueca será vista em mais três filmes neste ano: o drama de época “Tulip Fever”, previsto para 15 de julho nos EUA, “Jason Bourne”, que estreia em 28 de julho no Brasil, e o drama “A Luz Entre Oceanos”, com lançamento em setembro no Brasil. Ela também está no elenco de “Submergence”, o próximo filme do cineasta alemão Wim Wenders.
Em Nome da Lei leva o gênero policial à fronteira brasileira
Realizador de filmes como “Zuzu Angel” (2006) e “Salve Geral” (2009), Sergio Rezende roteirizou e dirigiu “Em Nome da Lei”, thriller policial inspirado em histórias reais, sobre o contrabando e o tráfico de drogas no Brasil, mais precisamente na fronteira com o Paraguai. Protagonista de novelas da Globo, o ator Mateus Solano ainda não se firmou no cinema, embora tenha participado, no início da carreira, do ótimo “Linha de Passe” (2008), de Walter Salles e Daniela Thomas. Mas mesmo sem tanta experiência cinematográfica, pode-se dizer que ele é a melhor parte desta produção, ao lado de Chico Diaz (“Oração do Amor Selvagem”). No filme, Solano é Vitor, um juiz que saiu de São Paulo e foi ao interior de Mato Grosso do Sul fazer justiça. Ele mudou de cidade em troca da posição de juiz titular e também para buscar um ideal. Como profissional, o personagem acredita que vai “mudar o mundo”, ou, pelo menos, as injustiças que acontecem na pequena cidade (fictícia) de Fronteiras. No fórum onde começa a trabalhar, conhece a procuradora Alice, vivida pela bela Paolla Oliveira (“Trinta”), e o policial federal Elton (Eduardo Galvão, de “Flordelis”). Os três têm a difícil missão de acabar com os desmandos do coronel Gomez (Chico Diaz), responsável pelo crime da região. Embora o enredo de “Em Nome da Lei” possa ter alguma semelhança com o momento atual do Brasil e com o juiz Sergio Moro, que lidera as investigações da Operação Lava Jato, em Curitiba, o autor do filme se inspirou no juiz federal Odilon de Oliveira, que ficou famoso por atuar no combate ao crime organizado naquela região. A cidade do juiz é Ponta Porã; a que foi filmada, é Dourados. A ideia da trama é boa – principalmente por sair do lugar-comum da favela e da pobreza, que marcam o cinema policial brasileiro – , mas falta um pouco de “caldo” nesta mistura. Há momentos em que o diretor parece não estar presente, tamanho é o descompasso entre os atores em cena. Além de interpretações que não convencem o espectador, a produção do longa deixa a desejar. Detalhes como a placa do carro e a garrafa de vinho que chega aberta na mesa do cliente, mostram uma falta de cuidado e, sobretudo, de verossimilhança. Outro problema é o excesso de didatismo nas cenas, principalmente nas que se referem ao contrabando. Cinema também serve para educar, mas sutileza é essencial quando se trata de arte.
Guy Hamilton (1922 – 2016)
Morreu o diretor inglês Guy Hamilton, responsável por alguns dos filmes mais famosos de James Bond e grandes clássicos do cinema britânico. Ele faleceu na quarta (20/4), aos 93 anos, num hospital em Palma de Maiorca, na Espanha, onde residia há quatro décadas. Apesar do passaporte britânico, Hamilton nasceu em Paris, em 16 de setembro de 1922, onde seus pais trabalhavam a serviço da Embaixada do Reino Unido. Ele começou a carreira ainda na França, aos 16 anos, como batedor de claquete de um estúdio de cinema de Nice. Mas precisou fugir quando os nazistas avançaram sobre o país. No barco em que rumava para a África formou amizade com outro “britânico parisiense” em busca de asilo, o escritor Somerset Maugham (“O Fio da Navalha”). O encontro o inspirou a se alistar na Marinha britânica e realizar diversas missões de resgate de compatriotas em fuga da França ocupada. Ele próprio se viu enrascado quando seu barco foi afundado por nazistas, e dizia que devia a vida aos heróis da resistência, especialmente à bela francesa de 18 anos Maria-Therese Calvez, inspiradora, em sua memória, de dezenas de Bond girls. Após a guerra, ele se reuniu com sua família em Londres, onde retomou seus planos de trabalhar com cinema. Logo começou a estagiar na London Film Productions, exercendo a função de diretor assistente sem receber créditos, em clássicos como “Seu Próprio Verdugo” (1947), de Anthony Kimmins, e “Anna Karenina” (1948), de Julien Duvivier, antes de ganhar o respeito de Carol Reed, que lhe deu seus primeiros créditos profissionais e se tornou seu mentor. Hamilton assistiu Reed na criação de grandes clássicos do cinema britânico, como “O Ídolo Caído” (1948), o fabuloso “O 3º Homem” (1949), estrelado por Orson Welles, e “O Pária das Ilhas” (1951), em que conheceu sua futura esposa, a atriz franco-argelina Kerima. A parceria deixou nele uma marca profunda. “Carol era basicamente meu pai”, ele observou, em entrevista ao jornal The Telegraph. “Ele me ensinou tudo o que sei. Eu o adorava.” Outra experiência marcante foi trabalhar como assistente de John Huston no clássico “Uma Aventura na África” (1951), produção estrelada por Humphrey Bogart e Katharine Hepburn, realizada entre bebedeiras e surtos de disenteria na savana africana, que serviu para demonstrar ao jovem tudo o que podia dar errado numa filmagem. Os rigores de “Uma Aventura na África” lhe encheram de confiança para iniciar sua carreira como diretor. Hamilton conseguiu convencer o produtor Alexander Korda que podia completar um filme inteiro em três semanas, e seu mentor Carol Reed aconselhou-o a estrear com um thriller de comédia, pois teria o dobro de chances de acertar, fosse na tensão ou na diversão. O resultado foi a adaptação de “O Sineiro” (1952), considerada um das melhores produções baseadas na literatura de mistério de Edgar Wallace. A boa recepção lhe rendeu convites para dirigir mais filmes do gênero. Vieram “Um Ladrão na Noite” (1953) e “Está Lá Fora um Inspetor” (1954). Mas para se firmar como grande diretor, Hamilton foi buscar inspiração em suas aventuras reais de guerra. “Escapando do Inferno” (1955) narrava a fuga de um grupo de prisioneiros de um campo de concentração nazista e foi rodada no castelo de seu título original, “The Colditz Story”. Baseado no livro de memórias de P.R. Reid (interpretado por John Mills no filme), o longa provou-se tão ressonante que sua trama acabou resgatada numa série de TV, duas décadas depois – “Colditz”, que durou três temporadas entre 1972 e 1974. O sucesso continuou com “A Clandestina” (1957), um filme incomum para a época, sobre o poder destrutivo da paixão sexual, envolvendo um capitão de navio (Trevor Howard) e uma jovem clandestina mestiça (a italiana Elsa Martinelli). E persistiu com a comédia “Quase um Criminoso” (1959), em que James Mason finge deserção para a União Soviética para processar os jornais por calúnia e sustentar seu plano de uma vida de luxo nos EUA. Os acertos sucessivos lhe renderam o convite para assumir sua primeira produção a cores, “O Discípulo do Diabo” (1959), drama de época que havia perdido seu diretor em meio a choques com os egos de seus astros, Burt Lancaster, Kirk Douglas e Laurence Olivier. Ainda que o filme tenha representado seu primeiro fracasso comercial, o fato de Hamilton conseguir trabalhar/domar as feras foi tido como um feito, que lhe abriu o mercado internacional – seguiram-se a produção italiana “O Melhor dos Inimigos” (1961), estrelada por David Niven, e a coprodução americana “As Duas Faces da Lei” (1964), com Robert Mitchum. Quando os produtores Albert R. Broccoli e Harry Saltzman adquiriram os direitos de James Bond, Hamilton foi sua primeira opção para estrear o personagem nos cinemas. Mas o cineasta tinha a agenda ocupada, e a oportunidade foi agarrada por Terence Young. Dois anos depois, porém, Hamilton não voltou a recusar o convite, que considerou uma oportunidade de superar seu maior desgosto. Ele estava arrasado após filmar “The Party’s Over”, que foi proibido pelo comitê de censura por conter cenas polêmicas, como uma orgia envolvendo necrofilia. Foram meses de trabalho perdido – o longa só veio à tona muito depois e com inúmeros cortes. Com a censura atravessada na garganta, Hamilton resolveu ousar na franquia de espionagem e acabou realizando aquele que até hoje é o longa mais cultuado de James Bond, “007 Contra Goldfinger” (1964). Para começar, decidiu aumentar a temperatura sexual, apresentando, logo de cara, uma mulher nua coberta de ouro – a morte mais brilhante, literalmente, nas cinco décadas da série. A trama também destacava a Bond girl de nome mais chamativo, Pussy Galore (Honor Blackman), e a melhor ameaça a laser, apontada exatamente entre as pernas de um cativo 007. As tiradas do vilão também marcaram época – “Não, Sr. Bond, eu espero que você morra!”. Sem esquecer da música tema de Shirley Bassey, “Goldfinger”, uma das canções mais famosas do cinema, que Hamilton brigou com os produtores para incluir na abertura – “Eu não sei se vai fazer sucesso, Harry, mas dramaticamente funciona”, ele disse a Saltzman. Foi ainda “007 Contra Goldfinger” que estabeleceu os elementos mais icônicos dos filmes de James Bond, ao apresentar Sean Connery dirigindo seu Aston Martin repleto de armas secretas, seduzindo vilãs até torná-las aliadas, tomando martíni para flertar com o perigo e fumando com charme antes de explodir uma bomba. O longa rendeu o dobro de bilheteria dos dois filmes anteriores de 007. O que colocou Hamilton na mira de um rival, o agente secreto Harry Palmer. O cineasta filmou em seguida “Funeral em Berlim” (1966), o segundo filme da trilogia do espião que usava óculos, vivido por Michael Caine. Ele completou sua década vitoriosa com “A Batalha da Grã-Bretanha” (1969), recriação meticulosa e em escala épica do esforço da RAF (força aérea britânica) para impedir a invasão nazista ao Reino Unido. A produção talvez seja seu trabalho mais elogiado pela crítica, que resiste até hoje como um dos grandes clássicos de guerra. A ambiciosa realização de “A Batalha da Grã-Bretanha” confirmou que Hamilton era o diretor mais indicado para comandar a franquia 007, que começava a dar sinais de decadência, com o desastre representado pela falha de George Lazenby em substituir Connery em 1969. Convencidos disto, os produtores o trouxeram de volta para três filmes consecutivos, de modo a garantir uma transição tranquila entre Sean Connery, que voltou à saga oficial para se despedir pela segunda vez com “007 – Os Diamantes São Eternos” (1971), e Roger Moore, o novo James Bond a partir de “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (1973). Para emplacar Moore, Hamilton contou até com a ajuda de um Beatle, Paul McCartney, que compôs “Live and Let Die” como tema da estreia do ator. Mas foi o filme seguinte, “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” (1974), que soube explorar melhor a mudança de intérprete, apresentando um Bond mais divertido, relaxado e simpático. A franquia praticamente renasceu com a adoção de elementos cômicos, que Hamilton já considerava um diferencial em “Goldfinger”, além de se tornar mais extravagante, com carrões, jatos e mulheres sempre lindas. James Bond virou um playboy. Depois de três “007” seguidos, Hamilton voltou à guerra. Foi dirigir Harrison Ford, recém-consagrado pelo sucesso de “Guerra nas Estrelas” (1977), em “O Comando 10 de Navarone” (1978), continuação do clássico “Os Canhões de Navarone” (1961). Mas, acostumado a blockbusters, ele entendeu o sucesso moderado obtido pela produção como hora de mudar de estilo. Quis mudar tudo, diminuir o ritmo, e optou por trocar a ação intensa pelas tramas cerebrais de mistério que lançaram sua carreira. Assim, realizou duas adaptações consecutivas de Agatha Chistie. “A Maldição do Espelho” (1980) registrou a última aparição da personagem Miss Marple no cinema, vivida por Angela Lansbury, enquanto “Assassinato num Dia de Sol” (1982) foi o penúltimo filme com Peter Ustinov no papel do detetive Hercule Poirot. Filmada nas ilhas de Maiorca, esta produção acabou tendo impacto na vida pessoal do cineasta, que, impressionado pela locação, convenceu-se a abandonar sua residência na Inglaterra para passar o resto de sua vida no litoral espanhol com sua esposa. Hamilton já fazia planos de aposentadoria e não filmava há três anos quando foi convencido pela MGM a fazer sua tardia estreia em Hollywood. O projeto era basicamente lançar um 007 americano, baseado num personagem igualmente extraído de uma franquia literária de ação. Só que a crítica não perdoou a tentativa apelativa. Estrelado por Fred Ward como um agente secreto a serviço da Casa Branca, “Remo – Desarmado e Perigoso” (1985) foi considerado um James Bond de quinta categoria. E a produção, que ia inaugurar uma franquia, se tornou o maior fracasso da carreira do diretor. Resignado, ele decidiu encerrar a carreira. Mas nos seus termos, lembrando o conselho precioso de Carol Reed. Se tinha começado com um thriller de comédia, também sairia de cena com chances de motivar meio riso ou meia aflição. E deixou a cortina cair com “De Alto Abaixo” (1989). Deu sua missão por comprida, e gentilmente recusou a proposta da Warner para, novamente, ajudar a lançar uma franquia de ação em Hollywood. Guy Hamilton disse não a “Batman” (1989).
Jason Bourne ganha trailer legendado repleto de ação
A Universal Pictures divulgou um novo pôster e o trailer legendado de “Jason Bourne”, que marca o retorno de Matt Damon ao papel do espião que é uma “arma perfeita”. A prévia começa com um apanhado de cenas dos filmes anteriores para destacar que ele recuperou a memória, mas ainda não sabe de tudo sobre a conspiração que o originou, conforme ensina a espiã Nicky Parsons, novamente vivida por Julia Stiles. Bourne sai das sombras para reencontrar a antiga parceira, que possui documentos sigilosos. O nome de Edward Snowden é citado para dar gravidade ao material confidencial e justificar uma grande caçada, com direito a muitas explosões, tiros, socos e capotagens sensacionais. O ritmo é trepidante como se espera de um filme da franquia. Além de Damon e Stiles, o filme terá a volta do diretor Paul Greengrass, responsável por “A Supremacia Bourne” (2004) e “O Ultimato Bourne” (2007). Os dois desenvolveram a trama da continuação em parceria com Cristopher Rouse, editor de “Supremacia” e “Ultimato”, que estreia como roteirista. O elenco ainda inclui Tommy Lee Jones (“Homens de Preto”), Vincent Cassel (“Em Transe”), Riz Ahmed (“O Abutre”) e Alicia Vikander (“O Agente da UNCLE”). “Jason Bourne” tem estreia agendada para 28 de julho no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Mente Criminosa explode elenco famoso em ação sem sentido
O que leva um projeto tão vagabundo como “Mente Criminosa” juntar um elenco tão talentoso e respeitável? A produção é trash desde a premissa, que gira em torno da transferência das memórias de um agente da CIA (Ryan Reynolds, de “Deadpool”), assassinado por criminosos, para um condenado no corredor da morte (Kevin Costner, de “3 Dias para Matar”). Ironicamente, o filme foi rejeitado por Nicolas Cage (“Reféns”), famoso por atuar em bombas. Mas gente mais famosa não se acanhou com a trama de tecnologia mágica, que combina “Frankenstein” (1931) com a série “Stitchers”. Nem Tommy Lee Jones (“Homens de Preto”) dá credibilidade a seu papel, como o cientista que estuda a transfusão de memórias do cérebro de uma pessoa morta para outra viva. A forma como ele decide colaborar com a CIA acontece com um desapego tão grande que chega a ser pueril. E o que dizer das cenas de aproximação do personagem perturbado de Costner com a viúva vivida por Gal Gadot (a Mulher Maravilha)? Em sua mente embaralhada pela cirurgia, ele consegue lembrar várias coisas, inclusive sentir o amor que o falecido agente da CIA nutria por ela, dentre outras coisas, que servem de desculpa para conduzir a trama de espionagem, por assim dizer. Se o roteiro fosse bem construído, até faria sentido essa relação entre o assassino perigoso, que vai se tornando um homem bom, à medida que é contaminado pelas memórias do agente da CIA (desconsiderando o tipo de coisa que um agente da CIA deve fazer) e a viúva que vê naquele estranho um pouco do marido, a ponto de aceitá-lo em sua casa. Mas infelizmente tudo escorre pelo ralo. Isso porque “Mente Criminosa” não é daqueles filmes ruins divertidos de ver, que podem ser considerados guilty pleasure. É uma bagunça tão grande que implode a cada minuto que passa, numa narrativa mal-conduzida pelo diretor israelense Ariel Vromen (“O Homem de Gelo”). Assim, não há beleza de Gadot (também israelense) nem mesmo elenco (que ainda inclui Gary Oldman), capaz de salvar este estúpido thriller, cujo roteiro é de ofender a criatividade vista na TV atual – qualquer capítulo de “Black Mirror” é muito mais inteligente.
Velozes e Furiosos 8: Vin Diesel olha para a estrada vazia em arte da continuação
O ator Vin Diesel divulgou em seu Facebook um pôster de “Velozes e Furiosos 8”, que foi criado por um fã. Ele aparece sozinho no cartaz, contemplando a estrada vazia com um olhar introspectivo. A imagem remete à ausência de seu parceiro ao longo de toda a franquia, Paul Walker, morto no final de 2013. O oitavo filme será o primeiro sem o ator. As filmagens da produção já começaram e, além de trazer de volta o elenco tradicional, “Velozes & Furiosos 8” também contará com as participações de Charlize Theron (“Mad Max: Estrada da Fúria”), Kristofer Hivju (série “Game of Thrones”) e Scott Eastwood (“Uma Longa Jornada”). Com direção de F. Gary Gray (“Straight Outta Compton – A História do NWA”), a estreia está prevista para 13 de abril de 2017 no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Jason Bourne: Matt Damon volta à ação em dois teasers
A Universal Pictures disponibilizou duas prévias do trailer de “Jason Bourne”, novo filme do espião vivido por Matt Damon, que o mostram desaparecendo no meio da multidão, sob o olhar da nova personagem vivida pela sueca Alicia Vikander (“A Garota Dinamarquesa”), e também com um coquetel molotov nas mãos, distribuindo violência. Além de Damon e Vikander, o filme terá a volta de Julia Stiles, presente nos três filmes anteriores da franquia, além de Tommy Lee Jones (“Homens de Preto”), Vincent Cassel (“Em Transe”) e Riz Ahmed (“O Abutre”). A direção é de Paul Greengrass, responsável por “A Supremacia Bourne” (2004) e “O Ultimato Bourne” (2007), e a estreia está agendada para 28 de julho no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Scott Eastwood presta tributo a Paul Walker ao confirmar-se em Velozes & Furiosos 8
Ao confirmar sua participação em “Velozes e Furiosos 8”, por meio de um post em seu Instagram, o ator Scott Eastwood (“Uma Longa Jornada”) aproveitou para homenagear Paul Walker, protagonista original da franquia, que faleceu em novembro de 2013, antes de terminar as filmagens de “Velozes e Furiosos 7”. No texto, o ator compartilhou seus sentimentos sobre trabalhar no “legado” de Walker. “É difícil expressar quanto estou animado para o próximo ‘Velozes’ e Furiosos. Para mim, essa série é muito mais de uma franquia, é um legado. Esses ótimos atores que trabalham juntos se tornaram uma família. Eu mal posso esperar para me unir a eles”, disse, antes de mencionar especificamente Walker. “Paul era um amigo. Nós surfamos juntos, viajamos juntos e ele foi um grande modelo e figura influenciadora quando eu era jovem. Ele ainda é. Ele foi um irmão mais velho para mim. Por isso, ingressar na história de ‘Velozes e Furiosos’, na história de Paul e da família Velozes é como um sonho se tornando realidade. Gary F. Gray e Neal Moritz: mal posso esperar para começar. Vin: obrigado pelo apoio. Paul: eu vou deixar você orgulhoso”, escreveu. Na trama, Eastwood fará um protegido de Sr. Nobody (Kurt Russell) e atuará ao lado da turma de Dominic Toretto (o personagem de Vin Diesel). Além dele, duas outras novidades foram confirmadas anteriormente: a atriz Charlize Theron (“Mad Max: Estrada da Fúria”) e o norueguês Kristofer Hivju (série “Game of Thrones”), que viverão vilões na trama. A sequência já começou a ser filmada, com direção de F. Gary Gray (“Straight Outta Compton – A História do NWA”), e tem estreia prevista para 14 de abril de 2017.
Scott Easwood entra no elenco de Velozes e Furiosos 8
O ator Scott Eastwood (“Uma Longa Jornada”), filho de Clint Eastwood, revelou em sua conta no Twitter que estará no oitavo filme da franquia “Velozes e Furiosos”. Ele vai ser um novo membro da gangue de Dominic Toretto, personagem de Vin Diesel. Além dele, duas outras novidades foram anteriormente confirmadas: a atriz Charlize Theron (“Mad Max: Estrada da Fúria”) e o norueguês Kristofer Hivju (série “Game of Thrones”), que viverão vilões na trama. O elenco também vai incluir os principais atores de “Velozes & Furiosos 7”, menos, obviamente, Paul Walker, que faleceu em novembro de 2013. A sequência já começou a ser filmada, com direção de F. Gary Gray (“Straight Outta Compton – A História do NWA”), e tem estreia prevista para 14 de abril de 2017.
Velozes & Furiosos 8: Veja as fotos e vídeos das filmagens na Islândia
A produção de “Velozes & Furiosos 8” está a todo vapor. As primeiras cenas começaram a ser filmadas na Islândia, com direito a veículos com proteção reforçada e explosões no gelo. Vídeos e fotos já surgiram na internet, revelando os tipos de carros envolvidos e os bastidores das gravações. Há também dois vídeos (via Instagram) que registram a experiência de Tyrese Gibson no set. A sequência será dirigida por F. Gary Gray (“Straight Outta Compton – A História do NWA”) e vai voltar a reunir todo o elenco de “Velozes & Furiosos 7”, menos, obviamente, Paul Walker, que faleceu em novembro de 2013. Entre as novidades confirmadas estão Charlize Theron (“Mad Max: Estrada da Fúria”), que viverá a nova vilã da trama, e o norueguês Kristofer Hivju (série “Game of Thrones”). A estreia está marcada para 14 de abril de 2017. https://www.youtube.com/watch?v=4Ck23zeWY9Y https://www.youtube.com/watch?v=JZJyHDeBgg4 https://www.youtube.com/watch?v=qN3nHfHsxRs
Jack Bauer pode reaparecer na nova série derivada de 24 Horas
O ator Kiefer Sutherland deu a entender que seu personagem, o agente Jack Bauer pode aparecer na nova série “24: Legacy”, derivado do sucesso “24 Horas”. Em entrevista à revista americana Rolling Stone, o ator elogiou a atração, da qual é produtor, e praticamente se escalou para fazer uma participação especial. “O roteiro é fenomenal. Acho que vai ser libertador para os roteiristas não ter que inventar um novo dia ruim para Jack Bauer. Eles vão escrever para novos personagens. E Bauer ainda está por aí, então nunca se sabe o que pode acontecer”, ele disse, lembrando que já havia aposentado o personagem antes. “Já disse duas vezes [que não voltaria a interpretar Bauer] e acabei fazendo, por isso não falarei mais”, concluiu Sutherland. Jack Bauer apareceu pela última vez na minissérie “24 Horas: Viva um Novo Dia” (2014), que terminou com sua prisão por agentes do serviço secreto russo. Os produtores pretendiam continuar a história do personagem, mas a relutância do ator em estrelar uma nova temporada alimentou a ideia do spin-off, que acabou aprovado pela rede Fox no começo de 2016. Intitulada “24: Legacy”, a série será estrelada por Corey Hawkins (o Dr. Dre de “Straight Outta Compton”) no papel de um herói de guerra chamado Eric Carter, que retorna do Oriente Médio aos EUA. Entretanto, uma ameaça contra ele faz com que procure a CTU (Agência de Contra-Terrorismo) para salvar sua vida, enquanto tenta impedir um grande ataque terrorista. A atração não deve repetir personagens da série original, mas fará referências à tramas anteriores. Além de Hawkins, também participam do elenco Miranda Otto (que estrelou a última temporada de “Homeland”), Teddy Sears (série “The Flash”), Jimmy Smits (série “Sons of Anarchy”), Dan Bucatinsky (série “Scandal”), Anna Diop (série “The Messengers”), Ashley Thomas (série “Beowulf: Return to the Shieldlands”) e Charlie Hofheimer (série “Mad Men”). “24: Legacy” deve manter a estrutura da ação em tempo real, com produção dos mesmos executivos de “24 Horas”, Howard Gordon, Manny Coto e Evan Katz. Mas terá uma duração menor por temporada, com apenas 13 episódios, como a minissérie de 2014.












