Oscar 2021 abre mais espaço para streaming e diversidade
A disputa do Oscar 2021 é um retrato da situação do mercado cinematográfico atual, impactado pela pandemia de coronavírus, em que faltam blockbusters e cada vez mais filmes são lançados diretamente em streaming. O título com mais indicações, “Mank”, é da Netflix. E dos oito que disputam a categoria principal, apenas um foi produzido por um grande estúdio tradicional, “Judas e o Messias Negro”, da Warner. A retração do mercado causada pela covid-19 sepultou todos os argumentos contra o streaming, que tinha um detrator declarado em Steven Spielberg. O famoso cineasta chegou a esboçar um movimento para barrar produções do gênero no Oscar. Mas a natureza agiu de forma inesperada, mudando o destino da humanidade e da Academia. A pandemia também precipitou um grande aumento na compra de Smart TVs de tamanho família, diminuindo as diferenças entre as telas grandes do cinema e as da sala de estar. A questão de se o Oscar estaria pronto para aceitar o streaming foi superada com as 35 indicações conquistadas pela Netflix, um total não visto desde a “era de ouro” da Miramax de Harvey Weinstein, que acumulou 40 em 2003. Além disso, só o streaming tem apostado no mais cinematográfico de todos os formatos: o filme em preto e branco. Após produzir dessa forma o premiado “Roma”, de Alfonso Cuarón, a Netflix emplacou o preto e branco “Mank”, de David Fincher, na disputa de Melhor Filme. Antes da Netflix, o último filme em preto e branco a disputar – e vencer – o Oscar tinha sido “O Artista” em 2012, uma produção francesa. O último longa americano foi “A Lista de Schindler” em 1994 – dirigido adivinhe por quem? – , de Steven Spielberg. A falta de blockbusters também resgatou a participação do cinema independente na premiação da Academia. Desde a consagração de “Moonlight”, em 2017, os indicados vinham privilegiando produções de distribuição ampla e grandes bilheterias. A vitória de “Parasita”, no ano passado, foi notável não apenas por destacar um filme estrangeiro, mas por destoar do sucesso comercial de todos os demais concorrentes, a começar pelo longa com mais indicações, “Coringa” (US$ 1 bilhão nas bilheterias). A guinada pós-“Moonlight” se deu por pressão da rede ABC, que exibe o Oscar na TV americana, em reação à queda da audiência da cerimônia. Por conta disso, a Academia chegou até a cogitar, brevemente, a inclusão de uma categoria de Oscar de Filme Popular, mas abandonou as discussões após o tema se provar controverso entre seus membros. Com a relação dos indicados deste domingo (25/4), com excesso de filmes indies de distribuição precária devido à pandemia, a ABC já espera pelo inevitável recorde negativo. Mas até que ponto bilheteria realmente representa público em 2021? O Oscar também servirá para avaliar se o streaming é um fator diferencial. Com muitos candidatos disponíveis na Netflix, Amazon, Disney Plus e até em VOD, o público dos EUA (e em certa medida também do Brasil) tem, na verdade, maior acesso aos indicados – e no conforto do lar. O fato de o streaming e o cinema indie voltarem a ser temas principais das discussões acerta do Oscar revela outro detalhe da premiação deste ano: como ela se distanciou das críticas do #OscarSoWhite. Os questionamentos raciais ficaram para outros prêmios, enquanto a Academia avança cada vez mais em sua política de inclusão. O Oscar 2021 marca muitos avanços. Pela primeira vez, um longa com uma equipe de produtores totalmente negra, “Judas e o Messias Negro”, está sendo recebida na competição de Melhor Filme. Pela primeira vez, um intérprete de descendência asiática, Steven Yeun (“Minari”), e um muçulmano, Riz Ahmed (“O Som do Silêncio”), vão concorrer ao prêmio de Melhor Ator. E pela primeira vez duas mulheres, Chloé Zhao (“Nomadland”) e Emerald Fennell (“Bela Vingança”), disputarão o Oscar de Melhor Direção – prêmio até hoje vencido apenas por uma cineasta, Kathryn Bigelow por “Guerra ao Terror” em 2010. Chloé Zhao, a diretora de “Nomadland”, ainda entrou na lista seleta de cineastas com quatro indicações individuais num único ano – número inferior apenas à façanha do fenômeno Walt Disney, indicado seis vezes em 1954. Para aumentar a representatividade, Chloé Zhao é chinesa. E pelo segundo ano consecutivo (depois de “Parasita” no ano passado), um filme com um elenco central composto por atores de ascendência coreana, “Minari”, vai disputar a categoria principal. De fato, o impulso por maior diversidade não se limitou a raça, gênero e até idade, seguindo ainda a inclinação recente da Academia para se tornar um órgão mais internacional. Isto pode ser visto na inclusão do grande cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg na disputa de Melhor Direção por “Druk – Mais uma Rodada” (que também foi nomeado como Melhor Filme Internacional), no lugar de nomes como Aaron Sorkin, por “Os Sete de Chicago”, ou Regina King, por “Uma Noite em Miami”. Neste contexto, vale reparar que “Collective”, de Alexander Nanau, vencedor da Competição Internacional do É Tudo Verdade 2020, tornou-se não só o primeiro longa romeno a disputar o prêmio de Melhor Filme Internacional, mas também o segundo título já nomeado simultaneamente para esta categoria e Melhor Documentário, depois do turco-macedônio “Honeyland” no ano passado. Entre os intérpretes, o falecido Chadwick Boseman é favoritíssimo a vencer um Oscar póstumo de Melhor Ator por seu desempenho no último papel de sua carreira, em “A Voz Suprema do Blues”. O fato dele levar vantagem numa categoria que ainda inclui Riz Ahmed (“O Som do Silêncio”) e Steven Yeun (“Minari”), além de reconhecer os veteranos Anthony Hopkins (“Meu Pai”) e Gary Oldman (“Mank”), serve de resumo para o tamanho da inclusão e diversidade atingidos pelos Oscar 2021. Mesmo assim, ainda não é o Oscar ideal, por continuar a deixar conservadores ditarem pauta comportamental e barrar alguns dos melhores candidatos. Impossível esquecer como eleitores conservadores transformaram o medíocre “Crash” em Melhor Filme de 2005 ao se recusarem a assistir ao principal candidato, “O Segredo de Brokeback Mountain”, por ser um romance gay. Ainda mais porque a história voltou se repetir em 2021, com muitos votantes se recusando a considerar “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” por retratar o aborto adolescente. Premiado nos festivais de Sundance e Berlim, entre outros, o filme da cineasta Eliza Hittman não foi lembrado em nenhuma categoria do Oscar 2021. Detalhe: com 99% de aprovação em mais de 220 resenhas avaliadas no Rotten Tomatoes, “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” supera com folga as supostas qualidades da grande maioria dos candidatos ao prêmio principal da noite deste 25 de abril, inclusive de “Nomadland”, o grande favorito, que atingiu “apenas” 94% na média das avaliações dos críticos da América do Norte e do Reino Unido. Os vencedores da premiação serão conhecidos durante a transmissão televisiva, marcada para começar a partir das 20h nos canais pagos TNT e TNT Séries e na plataforma TNT Go. A rede Globo também vai exibir o Oscar 2021, mas só levará a cerimônia ao ar após o “Big Brother Brasil”, em sua reta final.
Oscar 2021 quer ser o mais cinematográfico de todos
Afinal de contas, o Oscar é um evento cinematográfico ou um programa de TV? A questão é relevante porque, embora premie os melhores do cinema, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA sofre pressão constante da rede ABC para que sua cerimônia tenha grande audiência. E historicamente esta pressão tem influenciado várias decisões, inclusive a seleção dos indicados. Desde a vitória de “Moonlight” em 2017, os organizadores do Oscar têm recebido orientações explícitas da rede televisiva do grupo Disney para ter mais artistas e filmes populares em sua seleção. Isto levou até à discussão da criação de uma categoria de Melhor Filme Popular em 2018 – prontamente rechaçada pela crítica. A pressão acabou resultando na inclusão de cada vez mais blockbusters, inclusive filmes de super-heróis, na disputa do prêmio principal. Só que isso não teve o efeito desejado. A audiência, na verdade, desabou de vez. Vale a pena comparar. A vitória de “Moonlight”, um filme independente de temática LGBTQIA+, com diretor e elenco negros, foi vista por 32,9 milhões de pessoas – o pior público da premiação até então. No ano passado, com o blockbuster “Coringa” no páreo, a audiência foi de 23,6 milhões. Quem apontar que a vitória histórica de “Parasita”, uma produção sul-coreana, alienou o público vai ignorar que os demais candidatos representavam as maiores bilheterias já reunidas numa lista de indicações – além disso, o resultado surpreendente só foi conhecido ao fim da transmissão. A conclusão é óbvia. O que torna o Oscar duro de assistir não são os candidatos. É o formato. Durante anos, o evento foi influenciado pelos musicais da Broadway, com shows de dança e canções entre seus anúncios de premiados. Vestidos em trajes de gala, os apresentadores também evocam bailes de elite de dois séculos atrás. O Oscar é antiquado, careta, cafona, porque muitos de seus eleitores e seu comitê organizador são da época em que se falava careta e cafona. Nos últimos seis anos – desde que a hashtag #OscarSoWhite abalou a Academia – , várias mudanças de bastidores foram feitas no processo de votação, em busca de maior representatividade entre os eleitores, que conseguiram de fato assegurar indicados mais inclusivos. Ao mesmo tempo, porém, pouco mudou no palco do Dolby Theatre – fora sua mudança de nome, diante das dificuldades financeiras da Kodak, que batizava o local. A pandemia de coronavírus proporcionou um novo desafio e uma alternativa radical ao Oscar de sempre. Afinal, com poucos blockbusters no mercado, por opção dos próprios estúdios, o período acabou trazendo de volta o cinema independente ao primeiro plano, além de abrir de vez as portas da Academia para o streaming. Logicamente, grandes bilheterias ficaram de fora da premiação. Sem saída senão inovar, o Oscar inovou – uma aposta que pode dar certo ou errado, mas que finalmente foi feita. Entre outras coisas, a cerimônia vai se passar numa estação de trem, a Union Station de Los Angeles, mudando toda a expectativa do ambiente. Mais que isso: a premiação está sendo encarada, pela primeira vez, com uma visão cinematográfica – em vez da tradicional abordagem de programa de variedades. Haverá um cenário, tema, enquadramentos e roteiros com padrões de cinema, garantem os organizadores. Os responsáveis pela cerimônia incluem um cineasta indie, Steven Soderbergh, uma produtora de filmes cults, Stacey Sher, e o produtor Jesse Collins, que este ano encenou a melhor cerimônia de premiação da indústria do entretenimento americano, o Grammy Awards. A experiência de Collins, ao realizar o primeiro evento de premiação presencial do ano, influenciou a decisão de fazer um Oscar sem participações por videochamadas – artistas europeus que não puderam viajar a Los Angeles contracenarão com os colegas em cenários especiais preparados em Londres e Paris. Esta proposta coincidiu com a expertise de Soderbergh como diretor de “Contágio”, que já o tinha colocado à frente dos esforços de Hollywood na elaboração de protocolos de trabalho durante a pandemia. Soderbergh também é ousado por natureza, sempre buscando formatos diferentes para contar suas histórias. Para completar, Sher (a produtora de “Pulp Fiction”!) trouxe a capacidade de transformar projetos inovadores em realizações factíveis. A maioria dos detalhes estão sendo guardados para o público descobrir ao vivo, durante a noite deste domingo (25/4), mas uma coisa os três fizeram questão de reforçar: o Oscar 2021 será o mais cinematográfico de todos, ainda que continue a ser exibido pela televisão. A transmissão está marcada para começar a partir das 20h nos canais pagos TNT e TNT Séries, na plataforma TNT Go e na rede Globo (somente o final, após o “Big Brother Brasil”).
Conheça os 40 filmes que concorrem ao Oscar 2021
Conseguiu ver todos os filmes que disputam o Oscar 2021? Neste ano, 40 longas foram selecionados – além de 15 curtas – , mas apesar de muitos terem sido disponibilizados em streaming, pelo menos um forte candidato à consagração na cerimônia deste domingo (25/4) ainda permanece inédito no Brasil: “Bela Vingança”, candidato a cinco troféus. Dificultando ainda mais a vida dos cinéfilos, as distribuidoras atrasaram a estreia de outros grandes favoritos, como “Minari”, “Judas e o Messias Negro” e “Nomadland”, que só tiveram lançamentos na véspera da premiação e exclusivamente nos cinemas – fechados até ontem em São Paulo, maior mercado cinematográfico do país. Além disso, alguns filmes da disputa de Melhor Filme Internacional e Documentário não conseguiram chegar a tempo nem em streaming – e “Quo Vadis, Aida” estreou só na sexta em VOD. Assim fica difícil. Por isso, visando ajudar a situar o público interessado na entrega dos prêmios, preparamos um lista diferenciada dos 40 longas que disputam troféus. Diferente da tradicional listagem por categoria divulgada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA e reproduzida pela imprensa em todo o mundo, a relação foi organizada por filmes. Cada longa que concorre ao Oscar pode ser visto abaixo acompanhado por suas respectivas indicações e representado por seus trailers, o que facilita a identificação, dá uma ideia do que trata cada título e evidencia quais são os mais nomeados. Os vencedores serão conhecidos durante a transmissão televisiva marcada para começar a partir das 20h nos canais pagos TNT e TNT Séries, na plataforma TNT Go e na rede Globo (somente o final, após o “Big Brother Brasil”). Obs: A expressão “Design de Produção” foi simplificada como Cenografia com o intuito de melhorar sua compreensão e diminuir a quantidade de caracteres das indicações. Mank | Filme, Direção, Ator, Atriz Coadjuvante, Fotografia, Edição, Cenografia, Figurino, Trilha, Som, Cabelo & Maquiagem Nomadland | Filme, Direção, Atriz, Roteiro Adaptado, Fotografia, Edição Minari | Filme, Direção, Ator, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original, Trilha Judas e o Messias Negro | Filme, Ator Coadjuvante 1, Ator Coadjuvante 2, Roteiro Original, Fotografia, Canção Os 7 de Chicago | Filme, Ator Coadjuvante, Roteiro Original, Fotografia, Edição, Canção Meu Pai | Filme, Ator, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Cenografia, Edição O Som do Silêncio | Filme, Ator, Ator Coadjuvante, Roteiro Original, Edição, Som Bela Vingança | Filme, Direção, Atriz, Roteiro Original, Edição A Voz Suprema do Blues | Ator, Atriz, Figurino, Cenografia, Cabelo & Maquiagem Relatos do Mundo | Fotografia, Cenografia, Trilha, Som Uma Noite em Miami | Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Canção Soul | Animação, Trilha, Som Borat: Fita de Cinema Seguinte | Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado Druk – Mais uma Rodada | Direção, Filme Internacional Collective | Documentário, Filme Internacional Era Uma Vez um Sonho | Atriz Coadjuvante, Cabelo & Maquiagem Tenet | Cenografia, Efeitos Visuais Mulan | Figurino, Efeitos Visuais Emma. | Figurino, Cabelo & Maquiagem Pinóquio | Figurino, Cabelo & Maquiagem Os Estados Unidos vs. Billie Holiday | Atriz Pieces of a Woman | Atriz O Tigre Branco | Roteiro Adaptado Amor e Monstros | Efeitos Visuais O Céu da Meia-Noite | Efeitos Visuais O Grande Ivan | Efeitos Visuais Greyhound: Na Mira do Inimigo | Som Destacamento Blood | Trilha Festival Eurovision da Canção | Canção Rosa e Momo | Canção Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica | Animação A Caminho da Lua | Animação Shaun, o Carneiro: O Filme – A Fazenda Contra-Ataca | Animação Wolfwalkers | Animação Quo Vadis, Aida? | Filme Internacional Better Days | Filme Internacional O Homem que Vendeu sua Pele | Filme Internacional Crip Camp: Revolução Pela Inclusão | Documentário
Veja os clipes oficiais das músicas que disputam o Oscar 2021
Já conhece as músicas que disputam o Oscar de Melhor Canção? A premiação de 2021, que acontece neste domingo (24/4), será diferente de todas as edições anteriores, com uma abertura dedicada às músicas indicadas à premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Intitulado Oscars: Into the Spotlight, o evento musical servirá de aquecimento para a programação principal e incluirá shows de Celeste, H.E.R., Leslie Odom, Jr., Laura Pausini, Daniel Pemberton, Molly Sandén e Diane Warren. Das cinco músicas indicadas ao Oscar, quatro terão apresentações gravadas nas redondezas do Dolby Theatre, palco tradicional do Oscar em Los Angeles, enquanto a quinta acontecerá em Húsavik, na Islândia. Trata-se, por sinal, da música que tem o nome do local, “Husavik”, que faz parte da trilha do “Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars”. As outras músicas indicadas ao Oscar de Melhor Canção são “Fight for You” (de “Judas e o Messias Negro”), “Hear my Voice” (“Os 7 de Chicago”), “Io Sí” (“Rosa e Momo”) e “Speak Now” (“Uma Noite em Miami”). Os shows vão começar às 15h30 da tarde em Los Angeles, horário equivalente às 19h30 da noite em Brasília. Já o evento principal está marcado para às 17h em Los Angeles, 21 horas na capital nacional. A exibição no Brasil vai acontecer pela rede Globo (apenas o final, após o “BBB 21”) e pelo canal pago TNT (a íntegra ao vivo). Veja abaixo os clipes oficiais das canções que disputam o Oscar 2021. H.E.R.: “Fight For You” | Judas e o Messias Negro Celeste: “Hear My Voice” | Os Sete de Chicago Leslie Odom Jr.: “Speak Now” | Uma Noite em Miami Molly Sandén: “Husavik” | Festival Eurovision da Canção Laura Pausini: “Io Sí (Seen)” | Rosa e Momo
Oscar 2021 terá evento separado para shows dos indicados à Melhor Canção
Os organizadores da cerimônia do Oscar 2021 anunciaram neste sábado (17/4) que as músicas indicadas à premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas serão apresentadas num evento à parte, intitulado Oscars: Into the Spotlight, que servirá de aquecimento para o evento principal. De acordo com um comunidado oficial da Academia, as performances serão exibidas antes da cerimônia oficial, na noite de 26 de abril, e incluirão shows de Celeste, H.E.R., Leslie Odom, Jr., Laura Pausini, Daniel Pemberton, Molly Sandén e Diane Warren. Das cinco músicas indicadas ao Oscar, quatro terão apresentações gravadas nas redondezas do Dolby Theatre, palco tradicional do Oscar em Los Angeles, enquanto a quinta acontecerá em Húsavik, na Islândia. Trata-se, por sinal, da música que tem o nome do local, “Husavik”, que faz parte da trilha do “Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars”. As outras músicas indicadas ao Oscar de Melhor Canção são “Fight for You” (de “Judas e o Messias Negro”), “Hear my Voice” (“Os 7 de Chicago”), “Io Sí” (“Rosa e Momo”) e “Speak Now” (“Uma Noite em Miami”). Embora as cinco músicas não durem mais que 20 minutos ao todo, o especial dedicado à sua exibição terá 90 minutos de duração – ocupando, portanto, mais tempo que o tradicionalmente reservado para as interpretações das canções indicadas ao Oscar. Os shows vão começar às 15h30 da tarde em Los Angeles, horário equivalente às 19h30 da noite em Brasília. Já o evento principal está marcado para às 17h em Los Angeles, 21 horas na capital nacional. A exibição no Brasil vai acontecer pela rede Globo (apenas o final, após o “BBB 21”) e pelo canal pago TNT (a íntegra ao vivo).
Oscar 2021 pode ter palcos em Londres e Paris, além de Los Angeles
Os organizadores do Oscar 2021 ainda estão batendo cabeças com artistas, seus representantes e os estúdios para tentar evitar participações por videochamadas. E, por ironia, as discussões estão acontecendo justamente por videochamadas. Segundo o site The Hollywood Reporter, uma reunião por Zoom na tarde desta terça (30/3) rendeu a sugestão de criação de palcos em Londres e Paris para acomodar aqueles que não poderão viajar até Los Angeles para a cerimônia, marcada para 25 de abril. A conversa vazou após a imprensa americana noticiar que os indicados estão irritados com a Academia por proibir participação por vídeo e exigir presença na cerimônia em Los Angeles. Só na categoria de Melhor Ator, há dois indicados que não moram nos EUA, Riz Ahmed (“O Som do Silêncio”) e Anthony Hopkins (“Meu Pai”). No caso de Hopkins, que tem 83 anos, a viagem é considerada um risco extremo e desnecessário por seus agentes. Mesmo assim, a Academia continua incentivando os indicados a viajarem até Los Angeles, se puderem, prometendo pagar pelas diárias adicionais em hotéis enquanto eles cumprem o período de quarentena obrigatório. Esta questão era outro ponto de discórdia, desta vez com os estúdios, que geralmente pagam as contas de hospedagem. Enquanto em circunstâncias normais eles teriam que pagar apenas uma ou duas diárias de hotel para cada indicado de fora de Los Angeles, neste ano precisariam arcar com as duas semanas de quarentena de cada um deles, antes e depois da cerimônia. A Academia também pretende montar em Los Angeles um estabelecimento de testagem para o coronavírus especialmente voltado para os indicados e suas equipes, visando resultados rápidos e precisos. O evento deste ano acontecerá em dois palcos: no Dolby Theatre, tradicional local da premiação, e na Union Station, principal centro ferroviário de Los Angeles. O responsável por organizar a cerimônia – e criar a saia-justa – é o cineasta Steven Soderbergh (“Doze Homens e um Segredo”). Mas depois de dizer que não aceitaria participação por videoconferência de forma alguma, mudar de ideia e tentar a solução dos palcos paralelos, ele já não tem mais opinião formada sobre o assunto. Não houve resposta quando um indicado perguntou o que será feito caso alguém não seja capaz de viajar para nenhuma das localidades da cerimônia. Também não foi confirmado se o uso de máscara será obrigatório.
Academia volta atrás e permite que atores participem do Oscar por videoconferência
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA voltou atrás em sua decisão radical de proibir discursos por videoconferência na cerimônia do Oscar 2021. Os organizadores não aguentaram a pressão de estúdios e representantes de artistas, que ameaçaram simplesmente ignorar o convite da participação presencial. A exigência de comparecimento ao local da cerimônia em Los Angeles, no dia 21 de abril, irritou representantes de indicados que não moram nos EUA, como os atores Riz Ahmed (“O Som do Silêncio”) e Anthony Hopkins (“Meu Pai”), por exemplo. No caso de Hopkins, que tem 83 anos, a viagem chegou a ser considerada um risco extremo e desnecessário por seus agentes. Os estúdios também protestaram, mas por motivos financeiros. Enquanto em circunstâncias normais teriam que pagar apenas uma ou duas diárias de hotel para cada indicado de fora de Los Angeles, neste ano precisariam arcar com as duas semanas de quarentena de cada um deles, antes e depois da cerimônia. Além disso, a exigência da Academia também afetaria projetos atualmente em filmagem pelos indicados, que precisariam ser interrompidos para que os atores se deslocassem até Los Angeles para participar do evento. Algumas filmagens poderiam ficar paradas por até um mês completo, considerando as quarentenas obrigatórias de viagens entre diferentes países. Há também o caso de países que estão com aeroportos fechados, ou simplesmente barraram voos para os EUA, e os que estão cobrando multas altíssimas das pessoas que saem de casa para atividades não essenciais. No Reino Unido, por exemplo, a penitência é de 5 mil libras esterlinas, o equivalente a R$ 38 mil. Caso conseguisse levar adiante sua decisão, o Oscar 2021 seria a primeira premiação desde o começo da pandemia a acontecer sem a ajuda de videoconferências. O Emmy do ano passado, o Globo de Ouro deste ano, e diversas outras cerimônias, contaram com indicados e vencedores discursando por vídeo de suas casas. Mas os organizadores do Oscar viram que o Grammy foi muito elogiado por conseguir reunir a maioria dos premiados com máscaras e distanciamento social, numa cerimônia extremamente bem-realizada. No Brasil, o Oscar 2021 será exibido ao vivo pelos canais Globo e TNT.
Bertrand Tavernier (1941 – 2021)
O icônico cineasta Bertrand Tavernier, de filmes clássicos como “Um Sonho de Domingo” (1984) e “Por Volta da Meia-Noite” (1986), morreu nesta quinta (25/3) aos 79 anos, anunciou o Instituto Lumière, que ele presidia. A causa da morte não foi informada. Filho do escritor e combatente da resistência René Tavernier, Bertrand foi um dos principais e mais premiados diretores do cinema francês após a nouvelle vague. Seu interesse pela sétima arte começou em seus dias de estudante universitário na Sorbonne, quando entrevistou o diretor Jean-Pierre Melville. Ele acabou conseguindo trabalho como relações públicas da empresa que produziu o filme de Melville de 1962, “Técnica de um Delator”, e posteriormente se associou a um amigo para se tornar assessor de imprensa independente, trabalhando nos filmes que lhe interessavam, entre eles “O Desprezo” (1963), de Jean-Luc Godard. O trabalho evoluiu para a função de assistente de direção, que ele começou a exercer na Itália, fazendo sua estreia no trash “Maciste, O Gladiador de Esparta” (1964). No mesmo ano, debutou como diretor nas antologias românticas “Os Beijos” (1964) e “A Chance e o Amor” (1964). Entretanto, seu primeiro longa individual só saiu uma década depois, o complexo filme de mistério “O Relojoeiro” (1974), que venceu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim. Com os dois filmes seguintes, “Que a Festa Comece” (1975) e “O Juiz e o Assassino” (1976), chamou atenção da Academia Francesa de Cinema, vencendo consecutivamente dois prêmios César (o Oscar francês) como roteirista. Ao experimentar a ficção científica com “A Morte ao Vivo” (1980), antecipou em décadas a febre por reality shows que transformou o “Big Brother” num fenômeno. Cultuadíssimo, o filme também registrou um dos últimos papéis da estrela Romy Schneider, que morreu dois anos depois. O reconhecimento internacional veio com “A Lei de Quem Tem o Poder” (1981), indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. No filme, Philippe Noiret vivia um chefe de polícia de uma pequena cidade que decide a despachar os cidadãos indignos do lugar com sua arma. Seus filmes mais famosos vieram logo em seguida. Com “Um Sonho de Domingo” (1984), ambientado em uma casa de campo em 1912, venceu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes. E embora não tenha sido agraciado por seu trabalho em “Por Volta da Meia-Noite” (1986), sua ode definitiva ao jazz é considerada um dos melhores filmes já feitos sobre o gênero musical. A obra rendeu um Oscar ao jazzista Herbie Hancock pela Trilha Sonora, além de indicação de Melhor Ator ao mítico saxofonista Dexter Gordon. A filmografia de Tavernier seguiu produzindo filmes espetaculares, como “A Vida e Nada Mais” (1989), vencedor do BAFTA (o Oscar inglês), e “O Regresso” (1990), mas foi só com “L.627 – Corrupção Policial” (1992), um thriller com registro quase documental sobre as atividades do dia-a-dia de um pequeno e mal equipado braço do Esquadrão Antidrogas de Paris, que ele venceu o troféu principal da França, o César de Melhor Filme, além do César de Melhor Direção. O reconhecimento nacional o levou à sua primeira grande aventura de época, “A Filha de D’Artagnan” (1994), estrelada pela jovem Sophie Marceau no auge de sua popularidade. Mas após este breve desvio comercial, o cineasta voltou com tudo em “A Isca” (1995), sobre crimes de menores, que venceu o Festival de Berlim, e “Capitão Conan” (1996), drama de guerra que lhe rendeu outro César de Melhor Direção. Em “Quando Tudo Começa” (1999), Tavernier seguiu um ano na vida do diretor de uma escola em uma região economicamente falida da França e venceu o Prêmio da Crítica no Festival de Berlim e o Prêmio do Público no Festival de San Sebastian. Ele seguiu frequentando festivais no século 21, mas sem causar o mesmo frisson. Seus últimos longas de ficção foram “Passaporte para a Vida” (2002), “Holy Lola” (2004), escrito por sua filha, “Às Margens de um Crime” (2009), “A Princesa de Montpensier” (2010) e “O Palácio Francês” (2013). Pelo derradeiro, ainda voltou a vencer o César de Melhor Roteiro. Depois disso, assinou o documentário “Viagem Através do Cinema Francês”, lançado em 2016 e transformado em minissérie no ano seguinte, dedicando-se a contar a história do cinema de seu país. Cinéfilo assumido, Tavernier adorava falar da história ao cinema. Ele escreveu um guia sobre a história de Hollywood, cuja primeira edição foi chamada de “20 Anos de Cinema Americano”, mas acabou expandida em reedições para “30 Anos…” e até “50 Anos de Cinema Americano”. Ele também publico um livro de entrevistas, chamado “American Friends”, com conversas que teve com John Ford, Robert Altman, Roger Corman e “muitos outros que não haviam sido entrevistados antes”, e se dedicou à preservação de filmes clássicos, movido tanto pelo desejo de defender o cinema independente francês como pela paixão pelo cinema americano do século 20. Em 2015, foi homenageado com um Leão de Ouro especial do Festival de Veneza, pelo conjunto da obra. Tavernier foi casado com a roteirista Claudine (Colo) O’Hagen de 1965 a 1980 e deixa dois filhos cineastas, Nils Tavernier, diretor e ator, e Tiffany Tavernier, romancista, roteirista e assistente de direção.
Favorito ao Oscar 2021, Druk será lançado em streaming no Brasil
Com duas indicações ao Oscar 2021, o drama dinamarquês “Druk – Mais uma Rodada” teve sua estreia no Brasil impactada pela pandemia de coronavírus. Com boa parte das salas de cinema fechada no país, o filme de Thomas Vinterberg será lançado na quinta-feira (25/3) de forma simultânea nas poucas salas de cinemas que estiveram abertas e nas muitas plataformas digitais que oferecem locação digital de filmes. Inicialmente, “Druk” tinha previsão de chegar aos cinemas antes de ir para o streaming. “Com a atual situação da saúde pública, os comércios e cinemas estão fechados até o final do mês de março. Adiantamos a chegada do filme nas plataformas digitais para que o público tenha a possibilidade de assistir na data de estreia”, disse o sócio e diretor da distribuidora Vitrine Filmes, Felipe Lopes, responsável pelo lançamento. O filme concorre ao Oscar de Melhor Direção (com Vinterberg) e é favoritíssimo como Melhor Filme Internacional, após vencer o Festival de Londres, o César (o Oscar francês) da categoria e o prêmio de Melhor Filme Europeu, conferido pela Academia Europeia de Cinema. “Druk” marca um reencontro entre Vinterberg e o ator Mads Mikkelsen, após o êxito da pareceria no também premiado “A Caça” (2012). A trama gira em torno de Martin, interpretado por Mikkelsen, professor, marido e pai que já foi brilhante, mas se torna apenas uma sombra de si mesmo após embarcar numa jornada alcoólica com colegas acadêmicos para testar uma teoria. O favoritismo de “Druk – Mais uma Rodada” é reforçado pela ausência de “Minari”, que venceu o Globo de Ouro e o Critics Choice como Melhor Filme em Língua Estrangeira. O longa de Lee Isaac Chung ficou fora da categoria Internacional por ser uma produção americana, ainda que falada em coreano, e concorre diretamente ao Oscar de Melhor Filme do ano. Veja abaixo, o trailer legendado do drama dinamarquês.
Academia proíbe participação por Zoom e traje informal no Oscar 2021
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA informou que não vai permitir que os indicados ao Oscar 2021 participem remotamente da cerimônia pelo aplicativo Zoom. Em carta aos indicados, os responsáveis pelo evento se justificaram afirmando ter feito “grandes esforços para oferecer uma noite segura e agradável para todos presencialmente”. “Para aqueles que não podem comparecer devido à agenda ou desconforto contínuo em viajar, queremos que saibam que não haverá uma opção de Zoom para a cerimônia”, diz um trecho da carta endereçada aos membros da entidade. “Estamos fazendo um grande esforço para proporcionar uma noite segura e agradável para todos vocês presencialmente, assim como para todos os milhões de fãs de cinema ao redor do mundo, e sentimos que a coisa virtual comprometerá esses esforços.” A exigência de participação presencial na 93ª edição do Oscar — marcada para 25 de abril, em Los Angeles — vai na contramão do Globo de Ouro, Critics’ Choice e Emmy, em que os ganhadores aceitaram seus prêmios via Zoom, respeitando o isolamento social como medida de segurança contra a covid-19. Mas o Grammy, realizado no domingo passado (14/3) em Los Angeles, contou com participação presencial dos vencedores. “Haverá instruções específicas para aqueles que vão viajar para Los Angeles, e outras instruções para aqueles que já estão baseados em Los Angeles”, diz a carta. “Isso tudo chegará diretamente para você da Academia para garantir que tenham uma noite segura e despreocupada (um vislumbre do futuro?)” Além de exigir a presença dos indicados, os organizadores ainda estabeleceram que será necessário traje de gala — outra diferença em relação às premiações por Zoom, em que alguns vencedores apareceram em roupas informais. O evento acontecerá no Dolby Theatre, tradicional palco da premiação, e na Union Station, principal centro ferroviário de Los Angeles, onde será montada centro de testes de covid-19. De acordo com o site Deadline, a Academia pretende realizar uma confraternização de 90 minutos, antes da premiação, no pátio da Union Station para os indicados e seus convidados. Este “esquenta” serviria como “tapete vermelho” do Oscar 2021.
Oscar 2021 será evento presencial com indicados e apresentadores
Após revelar os indicados ao Oscar 2021, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou os primeiros detalhes da cerimônia de premiação. Em um comunicado dirigido aos membros da Academia, obtido pela imprensa americana, a entidade demonstrou que o evento deve refletir uma tendência já vista neste fim de semana no Grammy, com uma participação presencial limitada, restrita aos indicados, seus “plus one” e aos apresentadores das categorias – que ainda não foram anunciados. O presidente da Academia, Dan Ruby, confirmou também o cancelamento de todos os eventos pré-Oscar, como o almoço dos indicados e o coquetel em homenagem aos filmes internacionais. Confira o comunicado completo abaixo. “Caros membros da Academia, me junto a vocês para parabenizar todos os indicados ao Oscar. Agora estamos a menos de dois meses de uma cerimônia do Oscar nos icônicos monumentos de Los Angeles Union Station e Dolby Theater. Uma cerimônia que com certeza será única e memorável. Embora tenhamos acreditado que a pandemia estaria no nosso retrovisor em abril, a saúde e a segurança dos nossos caros membros e indicados é nossa prioridade, então precisamos tomar algumas decisões em relação aos nossos aguardados eventos de semana do Oscar. Este ano, irão pessoalmente ao evento os indicados, seus convidados e os apresentadores – junto a um público de milhões de pessoas do mundo todo. Por isso, não poderemos realizar nosso sorteio de ingressos para membros. Também não teremos nenhum evento presencial, incluindo exibição dos filmes, o almoço dos indicados e outros eventos da nossa adorada semana do Oscar, como o coquetel de recepção aos filmes internacionais e a programação dos indicados a melhor curta, melhor documentário, melhor filme animado, melhor longa internacional e melhor cabelo e maquiagem. Também não sediaremos nosso baile pós-Oscar, ou as watch parties em Londres e Nova York. Em um ano cheio de incertezas, uma coisa é certa: convocamos o trio ideal de produtores – Jesse Collins, Stacey Sher e Steven Soderbergh – para criar um Oscar único para homenagear os filmes extraordinários, performances memoráveis e façanhas cinematográficas do ano passado. Agradecemos seu apoio e estamos animados para uma grande cerimônia no dia 25 de abril”
Academia divulga pôsteres oficiais do Oscar 2021
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA divulgou uma coleção de cartazes oficiais do Oscar 2021. Os pôsteres incluem obras criadas por sete talentos internacionais das artes plásticas – Temi Coker, Petra Eriksson, Magnus Voll Mathiassen, Michelle Robinson, Karan Singh, Victoria Villasana e Shawna X – que foram apresentados individualmente e também numa colagem com fundos coloridos. A cerimônia do Oscar 2021 vai acontecer em 25 de abril, com transmissão ao vivo no Brasil pelos canais Globo e TNT. Já os indicados serão conhecidos na segunda-feira (15/3), em evento transmitido pelos sites e plataformas sociais da Academia, incluindo o YouTube, com apresentação do casal Nick Jonas e Priyanka Chopra Jonas.
Leon Gast (1936 – 2021)
O documentarista Leon Gast, vencedor do Oscar por “Quando Éramos Reis” (1996), que capturou em detalhes a luta “Rumble in the Jungle” de 1974 entre Muhammad Ali e George Foreman, morreu nesta segunda-feira (8/3), aos 85 anos. A causa da morte não foi divulgada. Gast começou sua carreira como diretor de fotografia de “Blonde on a Bum Trip”, uma produção hippie-psicodélica de 1968. Em 1974, ele viajou a Kinshasa, no país então chamado de Zaire (o Congo atual), para filmar um festival de música, mas no meio do trabalho resolveu se concentrar na luta entre Ali e Foreman, que registrou o momento histórico em que Ali recuperou o título dos pesos pesados com um nocaute em oito assaltos contra o jovem e favorito Foreman. Com o material do festival, ele lançou o curta “B.B. King: Live in Africa”, mas voltou com 300 mil pés de filme da luta que pretendia transformar num longa-metragem. Mas enfrentou uma série de dificuldades e, pela falta de recursos para concluir e lançar o documentário, seguiu filmando outros projetos musicais, como “Salsa” (1976), “The Grateful Dead Movie” (1977), que co-dirigiu com Jerry Garcia, e “Celia Cruz: Guantanamera” (1989). Ele explicou os desafios jurídicos que impediam o lançamento do filme numa entrevista ao jornal The Jersey Journal em 2011: “[o promotor de boxe] Don King processou, [o distribuidor] Hank Schwarz processou, [o promotor de música] Lloyd Price processou”… O filme só pôde ser visto quando o produtor David Sonenberg pagou uma fortuna para garantir todos os direitos em 1996. Assim que recebeu permissão para existir, “Quando Éramos Reis” teve reconhecimento imediato em sua première no Festival de Sundance, vencendo o Prêmio Especial do Júri. O filme também venceu o Critics Choice e o Spirit Award (o Oscar indie) de Melhor Documentário, antes de ser consagrado na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywoo. Cerca de duas décadas após sua filmagem original, o longa mudou a vida e a carreira de Gast. Seus projetos seguintes conseguiram apoios fartos financeiros, entre eles “Destrua essa Câmera” (2010), um retrato do pioneiro paparazzo Ron Galella, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Diretor de Documentário no Festival de Sundance. O cineasta também foi produtor executivo do documentário “The Trials of Muhammad Ali” (2013) da rede pública PBS, premiado com o Emmy.










