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Filme

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    Mãe!: Terror estrelado por Jennifer Lawrence ganha teaser legendado

    1 de agosto de 2017 /

    A Paramount divulgou o teaser legendado de “Mãe!”, o filme misterioso de Darren Aronofsky (“Noé”) estrelado por Jennifer Lawrence (“Jogos Vorazes”). Embora pouco se saiba sobre a trama, a prévia tem climão de filme de terror. O longa está sendo descrito como “um terror psicológico no estilo de ‘Cisne Negro'”, um dos maiores sucessos da carreira de Aronofksy. A comparação com o filme de 2010 foi feita por Kyle Davies, diretor de distribuição da Paramount, que ainda adiantou que a trama contém “sustos e suspense”. “Mãe!” ainda não ganhou sinopse oficial, mas sua trama vai girar em torno de um casal que sofre com uma visita inesperada em sua casa. A lista de papéis secundários inclui uma personagem atriz, um ladrão, uma pessoa de luto e uma jovem pedindo autógrafos. Além de Jennifer Lawrence, o elenco inclui Javier Bardem (“Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”), Michelle Pfeiffer (“A Família”), Domhnall Gleeson (“Star Wars: O Despertar da Força”), Kristen Wiig (“Caça Fantasmas”) e Ed Harris (série “Westworld”). Outra curiosidade é que a filmagem foi toda feita em 16mm, bitola amadora e atípica para os padrões de extrema qualidade de imagem de hoje. O filme terá premières nos festivais de Veneza e Toronto, e sua estreia no Brasil está marcada para 21 de setembro.

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    Hayley Atwell quer voltar a viver Peggy Carter no filme da Capitã Marvel

    1 de agosto de 2017 /

    O anúncio de que o filme da “Capitã Marvel” será passado nos anos 1990 animou pelo menos uma intérprete já estabelecida no universo Marvel. Em entrevista ao site Nerdist, Hayley Atwell revelou que isto permitiria uma aparição de Peggy Carter na trama e que adoraria poder participar do longa. “Sim, eu adoraria e eu amo a Brie Larson. Acho que, como vocês sabem, como Peggy morre com 96 anos, ela vive muito, então eu poderia ter emprego para sempre”. A atriz se refere ao destino de sua personagem, que morre de velhice em “Capitão América: Guerra Civil” (2016). Por enquanto, apenas outro personagem do universo cinematográfico da Marvel, Nick Fury (Samuel L. Jackson), foi confirmado na produção, que marcará a estreia de Brie Larson (“Kong: A Ilha da Caveira”) como super-heroína dos quadrinhos. A estreia de “Capitã Marvel” só vai acontecer em março de 2019.

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    Josh Brolin revela que voltará a viver Thanos em Vingadores 4

    1 de agosto de 2017 /

    O ator Josh Brolin indicou que estará em “Vingadores 4”. Ele publicou uma foto do vilão Thanos em seu Instagram com a legenda: “Voltando para mais e mais. Eu quero tudo!”. Veja abaixo. A postagem coincide com a revelação de Joe Russo, durante a Comic-Con, que as filmagens da continuação iam começar em agosto. “É muito louco, porque acabamos de encerrar as filmagens do primeiro há uma semana, e eu começo a rodar o segundo em duas semanas”, disse Russo, referindo-se a “Vingadores: Guerra Infinita” e sua continuação, como se fossem as partes um e dois de uma mesma história. Apesar dessa comparação, o diretor voltou a frisar que os longas serão diferentes entre si: “Eles são gigantescos. Mas é importante que eles sejam distintos, com tons diferentes, narrativas diferentes, surpresas distintas. Trabalhamos duro para garantir que eles fosse diferentes, estruturalmente”. “Vingadores: Guerra Infinita” estreia de abril de 2018 e “Vingadores 4” no ano seguinte, em maio de 2019. No meio dos dois lançamentos, Brolin ainda aparecerá como outro personagem da Marvel: Cable em “Deadpool 2”, previsto para junho de 2018. Going back for more more MORE! I want it all. #mcu #marvel @marvelstudios @disney @prevailactivewear Uma publicação compartilhada por Josh Brolin (@joshbrolin) em Jul 30, 2017 às 12:21 PDT

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    Ryan Reynolds divulga primeira foto de Zazie Beetz como Dominó

    1 de agosto de 2017 /

    Ryan Reynolds usou as redes sociais para divulgar a primeira foto de Zazie Beetz, revelação da série “Atlanta”, como a caçadora de recompensas mutante Dominó em “Deadpool 2”. A imagem recria uma das primeiras imagens de Reynolds como Deadpool para o filme do ano passado. Na foto original (veja abaixo), o herói aparecia sobre um tapete de pele de urso diante de uma lareira. Agora, Dominó é quem surge sobre um tapete e na sala da lareira. Mas em vez de urso, é o uniforme do próprio Deadpool que apoia seu corpo. A imagem é divertida, mas a escolha da atriz acabou causando mudanças radicais no visual da personagem. Nos quadrinhos, Dominó é uma mutante de pele branca (albina mesma) com uma mancha negra sobre um dos olhos. No filme, ela é uma personagem negra com um olho pintado de branco. No ano passado, o site Deadline apurou que uma dezena de atrizes estavam visadas para o papel. A lista incluía as americanas Lizzy Caplan (“A Entrevista”), Mary Elizabeth Winstead (“Rua Cloverfield, 10”), Sienna Miller (“Sniper Americano”), Kelly Rohrbach (do vindouro “Baywatch”), a canadense Mackenzie Davis (série “Halt and Catch Fire”), a irlandesa Eve Hewson (série “The Knick”), a australiana Ruby Rose (“xXx: Reativado”), a argelina Sofia Boutella (“Star Trek: Sem Fronteiras”), a mexicana Stephanie Sigman (“007 Contra Spectre”) e a holandesa Sylvia Hoeks (“O Melhor Lance”). A personagem foi criada em 1992 por Fabian Nicieza e Rob Liefeld, como resultado de uma experiência secreta do governo, e seu nome real é Neena Thurman. Graças a seus poderes e habilidades físicas, ela acaba integrando um esquadrão de mercenários liderado por Cable e participa da primeira fase da X-Force, grupo de mutantes responsável por realizar missões mais secretas e sensíveis, em vez de aparecer na mídia tentando impedir o fim do mundo como fazem os X-Men. Em entrevista recente, o diretor David Leitch (“Atômica”) disse que seu poder de alterar todas as probabilidades a seu favor será importante nas cenas de ação do filme. “Estamos empolgados para usar essa ideia na coreografia. No começo parece um problema, porque você precisa traduzir visualmente a sorte dela, mas depois vira a oportunidade mais legal do mundo.” “Deadpool 2” também traz Josh Brolin (que é Thanos nos filmes da Marvel) como Cable e a estreia está marcada para 31 de maio no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.

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    Sam Shepard (1943 – 2017)

    1 de agosto de 2017 /

    O ator, roteirista e dramaturgo Sam Shepard morreu na última quinta-feira (26/7), aos 73 anos, em sua casa no estado americano de Kentucky. Ele foi vítima de complicações da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), e estava cercado pela família no momento da morte, segundo anunciou um porta-voz na segunda-feira (31/7). Vencedor do Pulitzer por seu trabalho teatral – pela peça “Buried Child” (1979) – e indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Os Eleitos” (1983), Samuel Shepard Rogers III nasceu em 1943, no estado de Illinois, filho de pai militar. Antes de ficar conhecido em Hollywood, ele tocou bateria na banda The Holy Modal Rounders (que está na trilha de “Sem Destino/Easy Rider”), e decidiu escrever peças num momento em que buscava trabalhos como ator em Nova York. Em 1971, escreveu a peça “Cowboy Mouth” com a então namorada Patti Smith, que marcou sua traumática estreia nos palcos. Já no início das apresentações, Shepard ficou tão perturbado por se apresentar diante do público que abandonou o palco e, sem dar nenhuma explicação, foi embora da cidade. Ele decidiu se concentrar em escrever. Acabou assinando até roteiros de cinema, como o clássico hippie “Zabriskie Point” (1970), de Michelangelo Antonioni, e a adaptação da controvertida peça “Oh! Calcutta!” (1972). Também escreveu, em parceria com Bob Dylan, “Renaldo and Clara” (1978), único longa de ficção dirigido por Dylan. O filme marcou a estreia de Shepard diante das câmeras, numa pequena figuração. Sentindo menos pânico para atuar em estúdio, enveredou de vez pela carreira de ator, trabalhando a seguir no clássico “Cinzas do Paraíso” (1978), de Terrence Malick, como o fazendeiro que emprega Richard Gere e Brooke Adams. Fez outros filmes até cruzar com Jessica Lange em “Frances” (1982). A cinebiografia trágica da atriz Frances Farmer iniciou uma longa história de amor nos bastidores entre os dois atores, que só foi encerrada em 2009. Na época, ele já era casado e o divórcio só aconteceu depois do affair. Shepard finalmente se destacou em “Os Eleitos”, o grandioso drama de Philip Kaufman sobre os primeiros astronautas americanos, no qual viveu Chuck Yeager, que quebrou a barreira do som e sucessivos recordes como o piloto mais veloz do mundo. Sua história corria em paralelo à conquista do espaço, mas chegava a ofuscar a trama central, a ponto de lhe render indicação ao Oscar – perdeu a disputa para Jack Nicholson, por “Laços de Ternura” (1983). Fez seu segundo filme com Lange, “Minha Terra, Minha Vida” (1984), enquanto escrevia o fabuloso roteiro de “Paris, Texas” (1985), dirigido por Wim Wenders, que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Paralelamente, ainda alinhavou a adaptação de sua peça “Louco de Amor” (1986). Dirigido por Robert Altman, “Louco de Amor” foi o filme que consagrou Shepard como protagonista, na pele do personagem-título, apaixonado por Kim Basinger a ponto de largar tudo para encontrá-la num motel de beira de estrada e convencê-la a dar mais uma chance ao amor. O ator e roteirista resolveu também virar diretor, e foi para trás das câmeras em “A Casa de Kate é um Caso” (1988), comandando sua mulher, Jessica Lange, num enredo sobre uma família que passou anos separada até finalmente decidir acertar as contas. O filme não teve a menor repercussão e Shepard só dirigiu mais um longa, o western “O Espírito do Silêncio” (1993), que nem sequer conseguiu lançamento comercial. Por outro lado, entre estes trabalhos ele se tornou um ator requisitado para produções de temática feminina, como “Crimes do Coração” (1986) e “Flores de Aço” (1989), que giravam em torno de vários mulheres e seus problemas, e de histórias de amor, como “O Viajante” (1991), “Unidos pelo Destino” (1994) e “Amores e Desencontros” (1997). Como contraponto a essa sensibilidade, também fez thrillers de ação em que precisou mostrar-se frio e calculista, como “Sem Defesa” (1991), de Martin Campbell, “Coração de Trovão” (1992), de Michael Apted, e “O Dossiê Pelicano” (1993), de Alan J. Pakula. Ele conseguiu o equilíbrio e se manteve requisitado, aparecendo em alguns dos filmes mais famosos do começo do século, como o thriller de guerra “Falcão Negro em Perigo” (2001), de Ridley Scott, e “Diário de uma Paixão” (2004), de Nick Cassavetes. Em 2005, estrelou seu último filme com Lange, “Estrela Solitária”, dirigido por Wim Wenders, como um astro de filmes de cowboy que abandona uma filmagem e tenta se reconectar com a família, apenas para descobrir que tem um filho que não conhece. Dois anos depois, fez um de seus melhores trabalhos como ator, “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford” (2007), de Andrew Dominik, no papel de Frank James, o irmão mais velho de Jesse, interpretado por Brad Pitt. Ele voltou a trabalhar com o diretor e com Pitt em “O Homem da Máfia” (2012). Entre seus últimos trabalhos ainda se destacam o suspense político “Jogo de Poder” (2010), de Doug Liman, o thriller de ação “Protegendo o Inimigo” (2012), de Daniel Espinosa, e os dramas criminais “Amor Bandido” (2012), de Jeff Nichols, “Tudo por Justiça” (2013), de Scott Cooper, e “Julho Sangrento” (2014), de Jim Mickle. Em alta demanda, Shepard permaneceu requisitado e desempenhando bons papéis até o fim da vida. Só no ano passado estrelou três filmes (“Ithaca”, “Destino Especial” e “Batalha Incerta”). Mas depois de tanto viver namorado e amante, no fim da carreira especializou-se em encarnar o pai de família. Eles fez vários filmes recentes nesta função, como “Entre Irmãos” (2009), de Jim Sheridan, como o pai de Jake Gyllenhaal e Tobey Maguire, e “Álbum de Família” (2013), de John Wells, cuja morte volta a reunir a família disfuncional, formada por Julia Roberts, Meryl Streep e muitos astros famosos. A sua última e marcante aparição foi na série “Bloodline”, da Netflix, como o patriarca da família Rayburn, sobre a qual girava a trama de suspense. A atração completou sua trama na 3ª temporada, lançada em maio deste ano. Sam Shepard deixa três filhos — Jesse, Hannah e Walker.

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    Jeanne Moreau (1928 – 2017)

    31 de julho de 2017 /

    Morreu a atriz Jeanne Moreau, ícone da nouvelle vague e uma das maiores intérpretes do cinema francês em todos os tempos. Ela tinha 89 anos e foi encontrada morta em sua casa em Paris, na manhã desta segunda-feira (31/7). Mais que estrela francesa, ela foi um mito mundial, tendo estrelado mais de 130 filmes, inclusive no Brasil, para alguns dos maiores cineastas que já existiram. A impressionante relação de diretores que a endeusaram inclui François Truffaut, Elia Kazan, Michelangelo Antonioni, Luis Bunuel, Rainer Werner Fassbinder, Louis Malle, Joseph Losey, Wim Wenders, Theodoros Angelopoulos, Manoel de Oliveira e Orson Welles, que a descreveu como “a melhor atriz do mundo”. “Se foi uma parte da lenda do cinema”, afirmou o presidente francês Emmanuel Macron em um comunicado, no qual descreve Moreau como uma mulher “livre, rebelde e a serviço das causas nas quais acreditava”. Jeanne Moreau nasceu em 23 de janeiro de 1928, em Paris, filha de uma pai restaurador e uma mãe dançarina inglesa. O pai conservador foi responsável por seu feminismo latente. Em entrevista, ela o descreveu como “um homem criado por pais do século 19”, que não suportava o fato de não poder controlar sua mulher. “Isso me marcou pela raiva de ver como uma mulher poderia deixar-se intimidar”, disse, ao descrever a relação de seus pais e a motivação para viver personagens libertárias. Aos 19 anos, após o Conservatório, fez sua estreia no teatro. Mais especificamente na Comédie-Française que, para ela, representava “disciplina, rigor”. A estreia no cinema veio dois anos depois, em 1949, como coadjuvante em “Dernier Amour” (1949), um melodrama de Jean Stelli. As câmeras se apaixonaram pela atriz, que em pouco tempo saiu do elenco de apoio para os papéis principais. Em “Os Amores de uma Rainha” (1954) já viveu a personagem-título, a trágica Rainha Margot, e passou a reinar no cinema. Encarnou a persona de sedutora sensual em “Segredos de Alcova” (1954) e virou uma femme fatale, com “Alma Satânica (As Lobas)” (1957) e “Perversidade Satânica” (1958), estereótipos que acompanharam sua carreira, indissociáveis de sua beleza. Ela já era uma estrela em ascensão quando foi filmada por Louis Malle em “Ascensor para o Cadafalso” (1958), seu primeiro trabalho para um cineasta da nouvelle vague. Foi também sua estreia como cantora no cinema, gravando a voz numa trilha composta e interpretada por Miles Davis, mais elogiada que o próprio filme. Um ano depois, Moreau retomou a parceria com Malle em “Amantes” (1959), que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza. Filme “escandaloso” na época, mostrava a atriz tendo um caso com um estranho na mansão do próprio marido. Este enredo foi considerado “obsceno” em muitos países, inclusive nos Estados Unidos, e marcou Moreau como uma atriz “corajosa”. Após um papel em “Os Incompreendidos” (1959), filme de estreia de François Truffaut, ela voltou a encarnar uma sedutora fatal em “Ligações Amorosas” (1959), a versão de Roger Vadim para o romance “Ligações Perigosas”, de Choderlos de Laclos, no qual viveu a manipuladora Juliette de Merteuil. Já considerada estrela, quis conhecer a escritora Marguerite Duras. “Uma vez que me tornei uma estrela, poderia impor o tema, o diretor, o ator, então disse a mim mesma: vou conhecer esta mulher. Escrevi para ela, ela me recebeu”, contou. Moreau estrelou a adaptação de “Duas Almas em Suplício” (1960), roteirizada pela própria escritora, e venceu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. As duas ficaram amigas e voltariam a trabalhar juntas outras vezes, inclusive na estreia de Duras como diretora, “Nathalie Granger” (1972). Ao final, a atriz até interpretou Duras em “Cet Amour-là” (2001). Sua fama ficou ainda maior ao cruzar fronteiras com o clássico italiano “A Noite” (1961), em que foi dirigida por Michelangelo Antonioni e contracenou com Marcello Mastroianni. Um dos filmes mais influentes de sua época, tornou-se famoso pela atmosfera, ao retratar uma noite na vida de um casal entediado com a própria relação e com la dolce vitta. Mas não foi seu principal papel. Este viria no reencontro com Truffaut, “Jules e Jim – Uma Mulher para Dois” (1962). O filme foi um turbilhão – e incluía uma canção chamada “Le Torubillon” – ao pregar o amor livre no começo dos anos 1960 e sintetizar o júbilo da juventude numa corrida em direção à câmera, que era uma corrida contra o próprio tempo. Filmes de Godard já tinha estabelecido uma nova estética, mas foi “Jules e Jim” que estabeleceu o novo discurso. A nouvelle vague virava com ele o cinema mais jovem e libertário do mundo, conforme Jean Moreau corria sem amarras para inspirar gerações. Não mais uma garota sexy, mas uma mulher moderna. E os grandes cineastas vieram correndo atrás dela. Joseph Losey a filmou em “Eva” (1962), Orson Welles em “O Processo” (1962), Jacques Demy em “A Baía dos Anjos” (1963), até seu antigo parceiro Louis Malle no espetacular “Trinta Anos Esta Noite” (1963), Luis Bunuel em “O Diário de uma Camareira” (1964), John Frankenheimer em “O Trem” (1964). Louis Malle conseguiu realizar o que muitos invejaram ao juntar Moreau com Brigitte Bardot na comédia western “Viva Maria!” (1965) e ela foi parar na capa da revista americana Time – além de vencer o BAFTA (o Oscar inglês). O sucesso só aumentou seu status, mas ela recusou propostas comerciais para continuar suas parcerias com mestres do cinema, boa parte deles renegados pela própria Hollywood, como Orson Welles, que revisitou em “Falstaff – O Toque da Meia Noite” (1965), “História Imortal” (1968) e “The Deep” (1970). Também filmou mais dois textos de Margarite Duras com o diretor inglês Tony Richardson, “Chamas de Verão” (1966) e “O Marinheiro de Gibraltar” (1967). E voltou a trabalhar com Truffaut em outro filme emblemático, “A Noiva Estava de Preto” (1968), que retomou sua aura noir, de atriz noturna, sombria, antes de virar do avesso as aparências e se tornar tropical. Em 1973, Jean Moreau virou a “Joanna Francesa” do título do filme de Cacá Diegues. No longa brasileiro, ela abandonava o marido – ninguém menos que o estilista Pierre Cardin – para se aventurar com sexo nacional e MPB. Até gravou a música “Joana Francesa”, composta por Chico Buarque. Voltou a experimentar o amor a três e a chocar “valores burgueses” em “Corações Loucos” (1974), de Bertrand Blier, antes de se lançar como diretora. Incentivada por Orson Welles, estreou atrás das câmeras com “No Coração, a Chama” (1976), bisou a experiência com “A Adolescente” (1979) e a encerrou com um documentário sobre sua musa inspiradora, a estrela do cinema mudo Lillian Gish (“Órfãs da Tempestade”) em 1983. Apesar de prestigiada nos Estados Unidos, ela só foi filmar uma superprodução de Hollywood em 1976, “O Último Magnata”, adaptação da obra de F. Scott Fitzgerald em que contracenou com Robert De Niro e foi dirigida por Elia Kazan. Curiosamente, no mesmo ano também estrelou “Cidadão Klein” (1976) para o outsider Joseph Losey, americano que fez carreira no exterior e a dirigiu três vezes – a última em “La Truite (1982). Sua fama de “corajosa” a levou a “Querelle” em 1982, adaptação de Jean Genet com direção de Rainer Werner Fassbinder que virou um marco do cinema gay, pela forma crua como retratou relações sexuais entre homens. Exibido no Festival de Veneza, o filme polarizou opiniões, a ponto do Presidente do Júri, o veterano cineasta Marcel Carné, divulgar um manifesto durante a premiação, lamentando a decisão dos colegas de não premiarem a obra. “Ame ou odeie, um dia o filme de Fassbinder vai encontrar o seu lugar na história do cinema.” Na época, porém, a repercussão foi brutal. E até Moreau, acostumada com escândalos, preferiu uma saída estratégica para a televisão francesa. Só foi voltar ao cinema cinco anos depois, numa comédia leve, “Ladrão de Milagres” (1987). Em 1990, participou de “Nikita – Criada Para Matar”, thriller de ação dirigido por Luc Besson, que se tornou uma das maiores bilheterias internacionais do cinema francês. E assim voltou ao mundo. Seu itinerário cinematográfico a levou literalmente “Até o Fim do Mundo” (1991), com o alemão Win Wenders, obra seguida por “O Passo Suspenso da Cegonha” (1991), do grego Theodoros Angelopoulos, “O Mapa do Coração” (1992), do neozelandês Vincent Ward, “O Amante” (1992), do francês Jean-Jacques Annaud, “As Cento e Uma Noites” (1995) da belga Agnes Varda, “Além das Nuvens” (1995), parceria de Antonioni e Wenders, até conduzi-la de volta a Hollywood, com o romance “Bem-Me-Quer, Mal-Me-Quer” (1996), que juntava o casal Jude Law e Claire Danes, e o sucesso “Para Sempre Cinderela” (1998), com Drew Barrymore. No mesmo ano, ela recebeu das mãos de Sharon Stone um Oscar honorário por toda a sua carreira. A homenagem da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos foi apenas uma dentre as inúmeras honrarias que a estrela recebeu nos últimos anos por sua vasta filmografia. A lista inclui um Leão de Ouro em 1992, um Urso de Ouro em 2000, uma Palma de Ouro em 2003 e um “Super César” (o Oscar francês) em 2008, em celebração aos 60 anos de sua carreira. Ela também foi a única atriz convidada a presidir duas vezes o júri do Festival de Cannes (em 1975 e 1995). E mesmo com tantas homenagens ao seu passado, nem cogitava a aposentadoria. Seu último grande filme francês foi “O Tempo que Resta” (2005), de François Ozon, mas isto porque cineastas de todo o mundo disputavam filmá-la. O israelense Amos Gitai fez nada menos que quatro filmes com ela: “Aproximação” (2007), “Mais Tarde, Você Vai Entender” (2008), “Carmel” (2009) e “A Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas” (2009). Mas Moreau também filmou com o bósnio Ahmed Imamović (“Go West”), o estoniano Ilmar Raag (“Uma Dama em Paris”), o malaio Tsai Ming-liang (“Face”) e o português Manoel de Oliveira em seu último longa-metragem, “O Gebo e a Sombra” (2012). Em 2013, ela estrelou uma série francesa que era uma verdadeira homenagem a seu talento, “Le Tourbillon de Jeanne”, que contou com a participação de grandes astros do cinema francês. “Mas não sou o tipo de pessoa que pensa ‘Oh meu Deus, não era maravilhoso quando eu tinha 25 anos?'”, ela afirmou, em entrevista ao jornal New York Times em 2000, quando se tornou a primeira mulher eleita para integrar a Academia de Belas Artes francesa. Foi nesta ocasião, como notou o jornal americano, que ela se tornou “oficialmente” imortal. Mesmo que já fosse considerada mitológica há muitos e muitos anos.

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    Angelina Jolie se manifesta após reportagem sugerir abuso infantil em seu novo filme

    30 de julho de 2017 /

    A atriz e cineasta Angeline Jolie decidiu se manifestar após a repercussão negativa de sua entrevista para a revista Vanity Fair, que sugere abuso infantil na seleção do elenco de seu novo filme como diretora, “First They Killed My Father”, inspirado na infância da ativista pelos direitos humanos Loung Ung durante os horrores do Khmer Vermelho. De acordo com a reportagem, Angelina procurou crianças em orfanatos, circos e escolas de favelas do Cambodja. E para escolher a protagonista que interpretaria a jovem Loung Ung, os diretores de elenco criaram uma espécie de jogo cruel por seu realismo: eles colocavam dinheiro numa mesa e diziam para a criança candidata ao papel para pensar em algo de que precisava e depois pegá-lo. Aí o responsável pela seleção fingiria pegá-las, como se elas estivessem roubando, e elas teriam que inventar uma mentira para se safar. Angelina nega esta interpretação da história. Ela divulgou um comunicado, publicado pelo Huffington Post, em que afirma que o teste era simulação de uma cena do filme, como qualquer teste de elenco, e que havia médicos, assistentes sociais e parentes das crianças presentes durante todo o processo de escolha. “Estou chateada porque um exercício de improvisação, de uma cena que de fato existe no filme, foi descrita como se fosse uma situação real”, declarou. Ela também negou que dinheiro real tenha sido usado na simulação e afirmou ter ficado chateada com o que considera falsas alegações. “Seria um ultraje para mim se isso tivesse acontecido”, acrescentou. Na entrevista gravada pela Vanity Fair, porém, ela diz textualmente: “Srey Moch (a garota escolhida) foi a única que ficou olhando para o dinheiro por muito, muito tempo. Quando ela foi obrigada a devolver o dinheiro, ficou muito emocionada. Todas essas coisas voltando”. Neste momento da entrevista, a atriz cai em lágrimas para concluir: “Quando perguntaram para que era o dinheiro, ela disse que seu padrinho morrera e eles não tinham dinheiro para um funeral decente”. “First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers” foi selecionado para o Festival de Toronto.

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    Críticas negativas afundam Emoji e Dunkirk mantém 1º lugar na América do Norte

    30 de julho de 2017 /

    “Emoji – O Filme” conseguiu realizar uma façanha, ao se tornar a primeira animação de grande estúdio a ser repudiada de forma unânime pela crítica norte-americana. Com apenas 8% de aprovação no site Rotten Tomatoes, a produção da Sony foi maldosamente identificada pela imagem de um de seus personagens, Poop (um cocô), e seguiu descarga abaixo, rendendo bem menos que o esperado nas bilheterias. O longa animado, que só chega no Brasil no final de agosto, abriu com US$ 25,6 milhões e não conseguiu superar o drama de guerra “Dunkirk”, que manteve o 1º lugar pela segunda semana seguida na América do Norte, com US$ 28,1 milhões. Foi a primeira vez que um lançamento se manteve por duas semanas no topo desde a estreia de “Mulher-Maravilha”, no início de junho. A superprodução de Christopher Nolan já ultrapassou os US$ 100 milhões no mercado doméstico. O 3º lugar ficou com “Girls Trip”, uma comédia para maiores sobre farra de mulheres, protagonizada por atrizes negras. O sucesso deste filme, que soma US$ 65,5 milhões em 10 dias, é inversamente proporcional ao fracasso da produção similar com atrizes brancas (e Scarlett Johansson) “A Noite É Delas”, que fez ao todo US$ 21,8 milhões e já saiu de cartaz. Estrelada por Queen Latifah (série “Star”) e Jada Pinkett Smith (série “Gotham”), “Girls Trip” não tem previsão de estreia no Brasil O êxito de “Girls Trip” também realça o tropeço de “Atômica”, que abriu abaixo das projeções da Universal. Nem os 75% de aprovação da crítica ajudou o thriller de ação a atingir sua meta, somando nas bilheterias US$ 18,5 milhões. Apesar do orçamento ser baixo (US$ 30 milhões), o estúdio contava com um pouco mais de ímpeto para investir numa continuação. A decisão agora vai depender do desempenho internacional. A estreia no Brasil acontece em 31 de agosto. Entre os lançamentos limitados, que não entraram no Top 10, o documentário “Uma Verdade Mais Inconveniente”, sobre o aquecimento global, teve a melhor performance, faturamento mais por tela que qualquer filme em cartaz no fim de semana. A estreia ocupou apenas quatro salas. “Detroit”, o novo longa da diretora Kathryn Bigelow (“A Hora Mais Escura”), também teve uma performance de “blockbuster indie” em sua exibição em 20 telas. Ambos os filmes terão seu circuito ampliado nos próximos dias. Mas vão demorar a chegar ao Brasil. A estreia nacional de “Detroit” está marcada para 7 de setembro, enquanto “Uma Verdade Mais Inconveniente” ficou apenas para 9 de novembro.     BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Dunkirk Fim de semana: US$ 28,1 milhões Total EUA: US$ 102,8 milhões Total Mundo: US$ 234,1 milhões 2. Emoji – O Filme Fim de semana: US$ 25,6 milhões Total EUA: US$ 25,6 milhões Total Mundo: US$ 25,6 milhões 3. Girls Trip Fim de semana: US$ 20 milhões Total EUA: US$ 65,5 milhões Total Mundo: US$ 67,5 milhões 4. Atômica Fim de semana: US$ 18,5 milhões Total EUA: US$ 18,5 milhões Total Mundo: US$ 24,4 milhões 5. Homem-Aranha: De Volta para Casa Fim de semana: US$ 13,4 milhões Total EUA: US$ 278,3 milhões Total Mundo: US$ 633,7 milhões 6. Planeta dos Macacos: A Guerra Fim de semana: US$ 10,3 milhões Total EUA: US$ 118,6 milhões Total Mundo: US$ 224,5 milhões 7. Meu Malvado Favorito 3 Fim de semana: US$ 7,7 milhões Total EUA: US$ 230,4 milhões Total Mundo: US$ 819,2 milhões 8. Valerian e a Cidade dos Mil Planetas Fim de semana: US$ 6,8 milhões Total EUA: US$ 30,6 milhões Total Mundo: US$ 30,6 milhões 9. Em Ritmo de Fuga Fim de semana: US$ 4 milhões Total EUA: US$ 92 milhões Total Mundo: US$ 138,6 milhões 10. Mulher-Maravilha Fim de semana: US$ 3,5 milhões Total EUA: US$ 395,4 milhões Total Mundo: US$ 786 milhões

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    O Reencontro foi feito sob medida para os talentos das Catherine Frot e Deneuve

    30 de julho de 2017 /

    É com uma sequência de um parto que inicia “O Reencontro” (La Sage Femme), longa-metragem francês que traz duas Catherine veteranas no elenco: Catherine Frot (“Marguerite”) e Catherine Deneuve (“O Novíssimo Testamento”). Outros partos estarão na tela para ilustrar a profissão de Claire, a parteira vivida por Frot. Ela ama o que faz e ajuda, de forma maternal e ao mesmo tempo profissional, as mulheres grávidas darem à luz. Porém, a satisfação na clínica em que atua chega ao fim quando recebe a notícia de que ela vai fechar e ceder o espaço aos “hospitais modernos”, que pouco se importam com a natureza do parto e estão mais preocupados com o dinheiro que eles rendem. O nome original do longa, “La Sage Femme”, significa “obstetriz”, mas também pode ser um trocadilho no idioma de Molière. “Sage femme” quer dizer mulher sábia, o que cai perfeitamente para a personagem criada pelo diretor e autor do roteiro Martin Provost (“Séraphine”). Não é sempre que o distribuidor brasileiro acerta no nome da adaptação, principalmente quando resolve mudar completamente o nome e não apenas traduzi-lo literalmente – caso deste longa. No Brasil, não funcionaria um filme com o título “Obstetriz”. Nada contra o ofício, ao contrário, mas não é um nome forte o bastante para despertar interesse do público – talvez o fosse caso se tratasse de um documentário sobre a jornada de uma parteira. Mas não é o caso e aqui a adaptação do nome é feliz. O longa trata justamente do reencontro das duas personagens centrais, vividas pelas duas Catherine. Claire (Frot), a parteira, ao chegar em casa após mais um dia exaustivo de trabalho, recebe a ligação de Béatrice (Deneuve), ex-mulher de seu pai, que desapareceu havia 30 anos, pedindo para se verem. A contragosto, Claire vai ao seu encontro e recebe uma péssima notícia. Enquanto Claire é organizada e responsável, Béatrice, que tem um diagnóstico de saúde nada bom, fuma, bebe e joga (e perde) rios de dinheiro. Comportamentos contrários tão previsíveis como a fábula da “Formiga e da Cigarra”. E é enquanto tenta se entender e ajudar a ex-madrasta que Claire conhece Paul (Olivier Gourmet, de “A Garota Desconhecida”), um caminhoneiro internacional, capaz de despertar os desejos da mulher que estavam enterrados há muito. É quando ela deixa um pouco de lado sua vida de “caxias” para aproveitar e brindar “à la vie”. As interpretações são um verdadeiro deleite. Embora as personagens estejam se reencontrando, este foi o primeiro encontro das duas atrizes: elas nunca haviam trabalhado juntas. Provost explica, no material de divulgação para a imprensa, que escreveu os papéis pensando nas respectivas atrizes. E elas responderam muito bem à missão. A trama, inspirada no nascimento do realizador (não por completo, mas apenas alguns detalhes), vai bem e é capaz de emocionar o espectador. O fim, porém, é um tanto moralista, segue a fábula e não surpreende. De qualquer maneira, “O Reencontro” é um filme que homenageia as parteiras e inspira o espectador a valorizar cada vez mais a vida, dia após dia.

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    Tal Mãe, Tal Filha é um pastelão francês com a cereja de Juliette Binoche

    30 de julho de 2017 /

    Tem cara de pastelão o início do longa-metragem “Tal Mãe, Tal Filha”, de Noémie Saglio (“Beijei Uma Garota”). E é. O pôster de divulgação do filme já dá uma ideia do que vem pela frente, ao mostrar as duas protagonistas grávidas. A mãe, Mado, vivida por Juliette Binoche (“Ghost in the Shell”), praticamente troca de papel com a filha, Avril (Camille Cottin, de “Aliados”). Enquanto a moça, aos 30 anos, é casada, tem emprego fixo e é responsável, a mãe vive de favor na casa da filha, é bagunceira e tem comportamento de adolescente no modo de se vestir e de agir. A cena dela mascando chiclete no supermercado mostra bem isso. Até que um dia Avril anuncia que está grávida e Mado alega que não está pronta para ser avó. Em cena também está o pai de Avril e ex-marido de Mado, personagem vivido por Lambert Wilson, de “Sobre Amigos, Amor e Vinho” e “Homens e Deuses”, que acaba originando a segunda gravidez da história. A diretora Noémie Saglio, que escreveu o roteiro ao lado de Agathe Pastorino, teve a ideia da trama lendo revistas femininas, nas quais havia histórias sobre mães e filhas engravidando ao mesmo tempo. Ou seja, embora pareça surreal, o comportamento é mais comum (e real) do que parece. O que não me parece comum, porém, é a maneira de agir da mãe. Binoche, uma das atrizes francesas mais cobiçadas por renomados diretores – ela já filmou, por exemplo, com o iraniano Abbas Kiarostami, o alemão Michael Haneke e o polonês Krzysztof Kieslowski – parece um pouco desconfortável no papel da mãe bancando a adolescente. A plateia, assim, não compra a personagem de primeira. É preciso insistência pra ir se convencendo aos poucos. É difícil, mas rir de comédias pastelões – principalmente quando já se é mãe, no caso desta trama – não faz mal a ninguém.

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    O Mínimo para Viver é um dos piores filmes bem-intencionados já feitos

    30 de julho de 2017 /

    Drama de doença, “O Mínimo para Viver” (To The Bone) é o primeiro longa-metragem dirigido por Marti Noxon, criadora das séries “UnReal” e “Girlfriends’ Guide to Divorce”. E é um prato cheio para quem quiser ilustrar uma aula sobre como não se deve fazer cinema. De forma apropriada, a produção evita as salas e chega direto em streaming pela Netflix. Por mais que seja motivada por boas intenções, ao tocar um assunto delicado e pouco explorado em filmes, a diretora novata passa a sensação de ter medo de enfrentar o problema da anorexia de frente e prefere, em vez disso, olhar com simpatia sua protagonista. Obviamente, quer abrir os olhos de todos, inclusive busca diálogo aberto com quem sofre ou sofreu com a doença. Mas é o filme mais feliz e censura livre que você verá na vida sobre o tema. Este problema se manifesta porque “O Mínimo para Viver” não parece saber qual caminho quer percorrer e o desequilíbrio entre cada mudança na história é grave. Tem hora que a trama quer ser dura, mas não demais. Depois, descamba para um estilo mais John Green, o autor de “A Culpa É das Estrelas”. Em outro momento, sem intenção, lembra “A Viagem”. A novela, não o filme, refletindo problemas na comunicação entre pacientes e o médico interpretado por Keanu Reeves (“John Wick”), coadjuvante de luxo, mas o pior doutor dos filmes recentes, que trata a protagonista sorrindo e pregando que a vida é bela. Anorexia é uma doença que pode levar à morte e pede uma abordagem e situações mais contundentes. Para piorar, a diretora parece não saber onde posicionar a câmera para convencer o público de que Lily Collins (“Os Instrumentos Mortais – A Cidade dos Ossos”) realmente ficou magra como o roteiro pede, pois os planos poucas vezes flagram a magreza da atriz, preferindo esconder seu corpo. E quando vemos Lily por inteiro, talvez seja tarde demais para crer. Fica parecendo que toda a revelação é um truque visual. É claro que o trabalho de atuação não se limita somente ao aspecto físico, mas, caramba, como fazer um filme sobre anorexia sem que isso seja importante?

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    Transformers – O Último Cavaleiro é barulho e poluição visual sem sentido algum

    30 de julho de 2017 /

    É impossível lembrar ou explicar o que acontece do início ao fim em “Transformers: O Último Cavaleiro”, espécie de lobotomia disfarçada de cinema. Não que a culpa seja somente da ação exagerada, que faz com que os olhos se percam e não consigam focar coisa alguma, com tanta poluição visual na tela (sem falar no barulho ensurdecedor e ininterrupto que maltrata os ouvidos). É tudo desconexo em nível básico de desenvolvimento de um roteiro e até na função do diretor como um contador de histórias, conduzindo a trama de um ponto ao outro. Estes pontos são inexistentes no quinto “Transformers”. Não é falha ou buraco. Eles simplesmente não existem e a sensação é que o filme se resume a explosões e efeitos visuais justificados por qualquer absurdo. Bom, você pode dizer: “Ah, mas isso é um filme do Michael Bay!” Verdade. E parece um greatest hits dos outros “Transformers”, com o diferencial de contar com um plot envolvendo o Rei Arthur (!), Merlin (!!) e os cavaleiros da távola redonda (!!!), além de ter Anthony Hopkins pagando mico (!!!!). Claro, Bay já fez isso antes com gente boa como John Malkovich e Stanley Tucci. Mas não é questão de o roteiro ser ruim ou a ação ser mais importante que tudo. As soluções que desenvolvem a narrativa, muitas vezes, fazem menos sentido que roteiro de filme de Renato Aragão (pós-Trapalhões!). Imagine um menino de seis anos brincando e misturando personagens em sua inocente imaginação, criando situações e histórias diferentes, tudo ao mesmo tempo agora e uma pessoa (mais velha) observando aquilo sem entender o que está acontecendo e para onde a cabeça da criança está indo. Pois “Transformers: O Último Cavaleiro” é exatamente assim: uma cena não tem nada a ver com a outra, e quem quiser encontrar sentido nisso vai se sentir frustrado. Por sinal, tem tanta gente nesse filme que provavelmente o público não seja capaz de guardar os nomes de seus personagens. Além de incluir novidades no elenco, como Laura Haddock (a nova Megan Fox) e Isabela Moner, o longa ainda resgata atores dos primeiros filmes, como Josh Duhamel e o pobre John Turturro, em participação especial tão desnecessária que não tem a menor importância na trama. Michael Bay é reconhecido por criar espetáculos em larga escala com câmeras que usam a tecnologia mais avançada existente. E seu novo filme abusa disso. Ao contrário de Christopher Nolan, por exemplo, que também usou câmeras de IMAX em “Dunkirk”, Bay aponta as câmeras megaultrahipermodernas para fogo e fumaça, sem compromisso algum com a linguagem cinematográfica. Ao menos, ele é consistente. Nunca decepciona em relação ao que se espera dele. Impressionante mesmo é lembrar como o primeiro “Transformers”, há dez anos, até tinha algum nexo e levava em consideração a inteligência do público apesar dos pesares. De lá para cá, cada filme ficou pior que o outro, mas suas bilheterias bilionárias estimularam Bay a considerar sua abordagem imune à críticas. A impressão é que ele decidiu extrapolar de vez e fez “Transformers: O Último Cavaleiro” para rir de todo mundo. Não há outra razão para ele responder a um repórter que a diferença em relação aos filmes anteriores é que “O Último Cavaleiro” tem mais ação.

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    Carros 3 é o melhor filme da trilogia animada da Pixar

    30 de julho de 2017 /

    Ninguém pediu “Carros 3”, mas a Pixar foi lá e fez. Por quê? Porque esse é o produto mais voltado para a criançada que o estúdio tem em seu acervo. Aceite: esse é o verdadeiro público-alvo das aventuras de McQueen e Mate. Mas pode ficar tranquilo que o filme é bem melhor que “Carros 2” (o que não seria muito difícil). E ainda saímos no lucro, afinal conclui o arco de Relâmpago McQueen com extrema dignidade – se “Carros 3” for o último da série, claro. Em qualquer franquia lucrativa do cinema, a decisão de ajustar o tom dos episódios seguintes de acordo com a idade dos fãs que cresceram com o filme original é, digamos, um tanto arriscada (do ponto de vista dos negócios que rolam nesse setor). A Pixar poderia fazer “Carros” para sempre e do mesmo jeito, já que a animação não é como “Harry Potter”, com atores de carne e osso, que envelhecem e amadurecem, assim como seu público. Mas Relâmpago McQueen está velho em “Carros 3”. E, pior, não sabe disso. Tenta, inclusive, superar em vão um carro de corrida moderno com os features mais atuais que a tecnologia pode proporcionar. Em uma cena chocante – até mesmo para os fãs que acompanham essa história desde 2006 –, McQueen capota feio na pista após acelerar tudo que pode, e é obrigado a dar um tempo para se recuperar, treinar muito e tentar dar a volta por cima superando o novo rival. Ora, ele decide a hora de parar. Ou será que é o tempo que decide? Eis a questão. Dizem, por exemplo, que um jogador de futebol morre duas vezes. Uma delas quando se aposenta. Máxima que deve servir para todos os atletas. Enfim, a franquia sempre quis homenagear a febre americana por carros. Mas, no fundo, foi uma oportunidade para revisitar temas de produções e gêneros que marcaram o cinema hollywoodiano com a presença de diferentes modelos de automóveis. A Pixar se agarrou aos dramas de mensagens positivas de Frank Capra no primeiro “Carros”, homenageou os filmes de agentes secretos em “Carros 2” e, agora, a influência é de “Rocky” – mais ainda das continuações da série estrelada e criada por Sylvester Stallone, cujo longa original foi elogiado na época de seu lançamento por ninguém menos que… Frank Capra. E Mate, o personagem coadjuvante mais popular da franquia? Ele está no filme, mas após as críticas a “Carros 2” (2011), a Pixar optou claramente por reduzir sua participação, assim como George Lucas foi obrigado a fazer com Jar Jar Binks, em “Star Wars: Ataque dos Clones” (2002) e “Star Wars: A Vingança dos Sith” (2005). Talvez “Carros 3” pudesse ser ainda mais melancólico para combinar com seus emocionantes minutos finais, como, por sinal, “Toy Story 3” (2010) não teve medo de ser. Mas o miolo de “Carros 3” apronta algumas gracinhas para arrancar risadas e o público infantil não estranhar tanto. Até que vem o final. E que final. Por mais que possa levar os marmanjos às lágrimas, a solução encontrada para fechar o ciclo de Relâmpago McQueen não só honra o legado do personagem como as próprias inspirações da Pixar em algumas das melhores histórias de superação já contadas pelo cinema. Fãs que cresceram com McQueen – e adultos – devem aceitar bem a conclusão. Mas fico pensando o que os pequeninos, que viram McQueen somente em home video, irão pensar. Se fosse para apostar, eu diria que também não deve ser um problema, afinal as novas gerações surgem para evoluir nossos modelos ultrapassados. E a evolução que o filme aponta é um futuro com menos preconceito e machismo, onde o cinema destaca protagonistas femininas fora de comédias românticas e papéis de princesas, mães ou donas de casa – percepções que a própria Disney vem ajudando a mudar com seus filmes recentes. Se “Carros” é uma franquia imperfeita, ao menos seu desfecho termina bem. Com ou sem Relâmpago McQueen.

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