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Divulgação/Disney

Filme|9 de julho de 2026

Guia da Pipoca: Cinemas recebem Moana e A Morte do Demônio

O remake live-action da Disney e o novo capítulo da longeva franquia de terror são as maiores estreias da semana

A adaptação live-action de “Moana” e “A Morte do Demônio: Em Chamas”, novo capítulo da longeva franquia de horror iniciada nos anos 1980, são os principais lançamentos de cinema desta quinta (9/7). Os dois não concorrem entre si, já que visam públicos completamente distintos. A programação traz ainda três filmes brasileiros, incluindo a estreia de Paolla Oliveira no terror, além de uma comédia adulta de Oliva Wilde e um drama musical de época sobre Vivaldi.


 
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1 🎞️ MOANA
2 🎞️ A MORTE DO DEMÔNIO: EM CHAMAS
3 🎞️ HERANÇA DE NARCISA
4 🎞️ OS EMERGENTES
5 🎞️ O CONVITE
6 🎞️ PRIMAVERA
7 🎞️ TOQUINHO – ENCONTROS E UM VIOLÃO

🎞️ MOANA

▶ Assista ao trailer

 

A versão em live-action de “Moana” chega apenas dez anos depois da animação de 2016, que virou um dos títulos mais vistos da Disney no streaming, antes de ganhar uma continuação animada bilionária. A refilmagem é dirigida por Thomas Kail, conhecido pela gravação cênica de “Hamilton”, e refaz a jornada da jovem escolhida pelo oceano como uma aventura musical, com canto, dança, cenas aquáticas e coreografias baseadas nas culturas do Pacífico.

Catherine Laga’aia interpreta Moana após um processo de seleção internacional que teve milhares de candidatas. Filha do ator samoano Jay Laga’aia, a atriz australiana assume o papel criado na animação por Auli’i Cravalho, agora produtora executiva do longa. Dwayne Johnson (“Jumanji: Próxima Fase”) volta como Maui, personagem que dublou no filme original e cuja concepção visual teve ligação com seu avô, o lutador samoano Peter Maivia.

A adaptação mantém a estrutura da história conhecida: Moana deixa a ilha de Motunui para restaurar o equilíbrio ameaçado por uma maldição e precisa convencer Maui a acompanhá-la na travessia. John Tui (“Young Rock”) vive o Chefe Tui, Frankie Adams (“The Expanse”) interpreta Sina, Rena Owen (“Siren: A Lenda das Sereias”) aparece como Vovó Tala e Jemaine Clement (“O Que Fazemos nas Sombras”) retorna como Tamatoa. A equipe musical preserva nomes associados à animação, como o compositor Lin-Manuel Miranda, em uma produção que tenta transformar em imagem real o repertório visual que sustentou o fenômeno original.

A falta de novidades, por sinal, é o principal aspecto negativo da produção, que repete tudo, de forma quase igual, e obviamente sem o mesmo frescor que tornou a animação um sucesso.


 

🎞️ A MORTE DO DEMÔNIO: EM CHAMAS

▶ Assista ao trailer

 

O novo capítulo da longeva franquia criada por Sam Raimi volta a envolver a possessão de uma família e a ter uma mulher como protagonista após “A Morte do Demônio: A Ascensão” (2023). Alice, vivida por Souheila Yacoub (“Duna: Parte Dois”), procura apoio na casa isolada dos sogros, em luto pela morte do marido. O encontro se transforma em sobrevivência quando os integrantes da família passam a ser tomados por forças demoníacas.

A direção é do francês Sébastien Vanicek, escolhido depois da repercussão de “Infestação”, terror de aranhas que chamou a atenção de Sam Raimi. O cineasta assina o roteiro com Florent Bernard e preserva elementos centrais da série, como possessão, isolamento e degradação física progressiva, mas desloca a ameaça para um ambiente de viuvez e obrigações familiares. Não faltam momentos impactantes, incluindo cenas de dedos arrancados na porta de um carro e uma mulher possuída ingerindo cera de vela quente.

A produção também possui ligação direta com “A Ascensão”, por meio do retorno de Jessica (Anna-Maree Thomas), a endemoniada que protagonizou a sequência de abertura no filme anterior. Na continuação, ela é responsável por causar o acidente de carro que vitimou o marido de Alice. Hunter Doohan (“Wandinha”), Luciane Buchanan (“O Agente Noturno”), Tandi Wright (“Pearl”) e Erroll Shand (“Nossa Bandeira É a Morte”) completam o elenco.


 

🎞️ HERANÇA DE NARCISA

▶ Assista ao trailer

 

O primeiro terror da carreira de Paolla Oliveira transforma o inventário de uma casa em trama sobrenatural. A obra, que venceu a mostra Novos Rumos do Festival do Rio, gira em torno da relação da protagonista Ana com sua falecida mãe vedete, a Narcisa do título. Logo após a morte da mãe, Ana vai ao antigo casarão da família para colocar em ação planos de venda e de dividir o dinheiro com o irmão Diego, interpretado por Pedro Henrique Müller (“Bom Dia, Verônica”). Mas a limpeza logo expõe uma herança emocional difícil de descartar.

A presença de Narcisa permanece ligada à casa, aos objetos e à relação mal resolvida com a filha. O terror nasce da permanência da mãe dominante depois da morte, em um espaço doméstico onde memória, culpa e dependência afetiva se confundem.

A direção e o roteiro são de Clarissa Appelt e Daniel Dias, ambos com formação em roteiro nos Estados Unidos. Clarissa dirigiu “A Casa de Cecília”, exibido em Tiradentes, enquanto Daniel foi roteirista de “Nosso Sonho”, maior bilheteria brasileira de 2023. “Herança de Narcisa” marca o primeiro longa da dupla como codiretores.


 

🎞️ OS EMERGENTES

▶ Assista ao trailer

 

A comédia brasileira tem a troca de posição social como premissa. O filme dirigido por Hsu Chien (“De Repente, Miss”) acompanha uma família da elite carioca que perde a fortuna e passa a depender justamente de seus antigos empregados na casa. A premissa coloca os ex-patrões na função de mordomo e governanta para os empregados que agora enriqueceram.

Em vez de deslocar os personagens para uma pobreza abstrata, a trama os mantém presos ao mesmo ambiente de consumo, agora sem poder econômico para comandá-lo. Alexandra Richter (“Vai que Cola”) e Nelson Freitas (“Minha Mãe É Uma Peça”) interpretam o casal obrigado a rever a própria noção de status quando a ruína financeira desmonta os privilégios que sustentavam sua vida social. O elenco também reúne Rafael Cardoso (“Império”), Paulinho Serra (“Vai que Cola”), Mônica Carvalho (“Mulheres de Areia”), Lucas Penteado (“Nosso Sonho”) e outros.


 

🎞️ O CONVITE

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Remake americano do filme espanhol “Sentimental”, de Cesc Gay, a comédia dramática usa um jantar entre vizinhos para desmontar a fachada de dois casamentos. Olivia Wilde dirige e também interpreta Angela, casada com Joe, personagem de Seth Rogen (“Vizinhos”). A relação dos dois está desgastada quando eles recebem em sua casa os vizinhos do andar de cima, Piña e Hawk, vividos por Penélope Cruz (“Mães Paralelas”) e Edward Norton (“Clube da Luta”).

A noite começa como encontro social e avança para uma proposta sexual que força os anfitriões a encarar frustrações, rotina e desejo reprimido. O interesse do filme está menos no escândalo da situação e mais na negociação verbal entre quatro adultos que tentam manter controle sobre o próprio desconforto. A estrutura de câmara, herdada do original espanhol, concentra a narrativa em diálogos, embaraços e mudanças de poder dentro da sala.

O roteiro é dos também atores Rashida Jones (“Parks and Recreation”) e Will McCormack (que escreveu “Toy Story 4”). Exibido no Festival de Sundance, o filme provocou disputa por distribuição, atingiu 94% de aprovação da crítica americana no Rotten Tomatoes e recolocou Wilde no circuito de arte depois de flertar com a sci-fi retrô de “Não Se Preocupe, Querida”. A trilha é de Devonté Hynes, músico associado ao projeto Blood Orange, e a montagem é assinada por Yorgos Mavropsaridis, colaborador premiado de Yorgos Lanthimos em “A Favorita” e “Pobres Criaturas”.


 

🎞️ PRIMAVERA

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A adaptação do romance “Stabat Mater”, de Tiziano Scarpa, marca a estreia no cinema de Damiano Michieletto, diretor italiano de ópera com carreira consolidada nos palcos, e acompanha o começo da carreira de Antonio Vivaldi. Entretanto, o próprio cineasta rejeita a ideia de cinebiografia: a trama se interessa menos pelo compositor de “As Quatro Estações” e mais pelo cotidiano das meninas do Ospedale della Pietà, instituição veneziana que abrigava órfãs e mantinha uma orquestra feminina no século 18.

O roteiro de Ludovica Rampoldi (“O Traidor”) se dedica a um momento anterior à consagração de Vivaldi, quando o compositor ainda trabalhava com a orquestra da Pietà. A verdadeira protagonista é Cecilia, jovem violinista órfã, formada em um espaço onde a música representa oportunidade e clausura ao mesmo tempo. A chegada de Vivaldi, vivido por Michele Riondino (“A Bela que Dorme”), altera a percepção da personagem interpretada por Tecla Insolia (“Família”), que passa a refletir sobre o próprio talento e os limites impostos às mulheres da instituição, que se apresentam para o público sem poder ocupar o centro visível da vida cultural de Veneza.

A formação operística de Michieletto aparece na relação entre corpo, espaço e música, conforme a câmera foca sua atenção à experiência da personagem confinada. O trabalho foi vencedor de quatro David di Donatello (o Oscar italiano) nas categorias de Música, Som, Figurino e Maquiagem.


 

🎞️ TOQUINHO – ENCONTROS E UM VIOLÃO

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O documentário chega aos cinemas na semana em que Toquinho completa 80 anos e transforma o aniversário em eixo de memória, sem reduzir a obra a uma homenagem protocolar. A diretora Erica Bernardini organiza a trajetória do músico a partir de depoimentos, apresentações, bastidores e imagens de arquivo, com o próprio Toquinho como principal narrador de sua carreira.

A narrativa passa pela formação musical, pelo processo criativo e pelas parcerias que colocaram Toquinho em contato com diferentes gerações da música popular, sem afastar o filme de sua figura de intérprete e compositor.

Entre os depoimentos, incluem-se participações de Ornella Vanoni, Pedro Bial, Ivan Lins, Roberto Rivellino e Jane Duboc, nomes que indicam a amplitude do recorte escolhido por Bernardini. O resultado busca aproximar palco, memória pessoal e circulação internacional, tratando Toquinho não apenas como personagem da canção brasileira, mas como artista que construiu parte de sua identidade no trânsito entre repertório popular, herança italiana e colaborações de longa duração.

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