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Filme

Guia da Pipoca: Cinemas recebem Moana e A Morte do Demônio

O remake live-action da Disney e o novo capítulo da longeva franquia de terror são as maiores estreias da semana

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8 de julho de 2026
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Netflix revela trailer do filme sobre Elize Matsunaga

True crime traz Lorena Comparato no papel principal e roteiro do autor de "A Menina que Matou os Pais"

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8 de julho de 2026
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    Aubrey Plaza persegue Elizabeth Olsen em novo trailer de comédia indie premiada

    30 de julho de 2017 /

    A Neon divulgou dois pôsteres e o terceiro trailer da comédia de humor negro “Ingrid Goes West”, premiada como Melhor Roteiro do Festival de Sundance 2017. A prévia aposta na graça da trama, em contraste com as anteriores, que tinham tom sinistro. O filme destaca Aubrey Plaza em mais um papel de lunática – sua especialidade, conforme os fãs da série “Legion” podem atestar – , desta vez quase como uma versão mais divertida de Tom Ripley, o psicopata de “O Talentoso Ripley” (1999). Na trama, Ingrid (Plaza) é uma jovem problemática obcecada pelas mídias sociais, que desenvolve uma fixação por Taylor (Elizabeth Olsen, de “Vingadores: Era de Ultron”), uma celebridade do Instagram que parece ter a vida perfeita. Como segui-la por computador não parece o suficiente, Ingrid resolve largar tudo para se tornar a melhor amiga de Taylor. O plano consiste em se mudar para a cidade dela, raptar seu cachorro e se introduzir como a garota que salvou o animalzinho perdido. Tudo dá certo. E se torna cada vez mais perigoso. O elenco ainda destaca O’Shea Jackson Jr. (o filho de Ice Cube que estrelou “Straight Outta Campton”), Billy Magnussen (“A Intrometida”), Wyatt Russell (“Jovens, Loucos e Mais Rebeldes”) e Pom Klementieff (a Mantis de “Guardiões da Galáxia Vol. 2”). O filme tem roteiro e direção do estreante Matt Spicer e estreia em 4 de agosto nos EUA. Não há previsão para o lançamento no Brasil.

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    Woody Harrelson se transforma de forma impressionante no primeiro trailer de LBJ

    30 de julho de 2017 /

    O primeiro trailer de “LBJ” destaca uma transformação impressionante de Woody Harrelson (“Jogos Vorazes”), que aparece irreconhecível no papel do presidente norte-americano Lyndon B. Johnson. Recentemente, a HBO também produziu um filme sobre Johnson, “Até o Fim” (2016), com Bryan Cranston muito bem no papel, mas sem chegar na transfiguração impressionante de Harrelson, que virou fisicamente LBJ. A prévia é notável também por contextualizar o papel de Johnson no governo, primeiro como alguém escolhido para ser vice de John F. Kennedy pela capacidade de atrair votos de conservadores, por isso visto com desconfiança por Robert F. Kennedy, e depois como o responsável por levar adiante o legado do presidente assassinado. A cinebiografia cobre cinco anos da política americana, de 1959 a 1964, um dos períodos mais conturbados do país, com direção de Rob Reiner (“Conta Comigo”) e roteiro de Joey Hartstone (série “The Good Fight”). A produção indie também conta em seu elenco com Jennifer Jason Leigh (“Os Oito Odiados”), Bill Pullman (“Independence Day”), Richard Jenkins (“Kong: A Ilha da Caveira”), Michael Stahl-David (série “Narcos”) e Jeffrey Donovan (série “Burn Notice”) como JFK. A première aconteceu no Festival de Toronto do ano passado. Graças ao telefilme da HBO e ao lançamento de “Jackie” (2016), que cobrem os mesmos eventos, “LBJ” teve seu lançamento adiado em um ano e só chegará aos cinemas americanos em 3 de novembro. Ainda não há previsão para a estreia no Brasil.

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    Desenhista dos quadrinhos da Torre Negra assina novos pôsteres do filme

    30 de julho de 2017 /

    A Sony divulgou dois novos pôsteres de “A Torre Negra”, adaptação da fantasia épica de Stephen King. O detalhe é que as artes são assinadas por Jae Lee e coloridos por Jane Chung. Os dois trabalharam na adaptação de quadrinhos da obra para a Marvel. Além de Idris Elba (“Beasts of No Nation”) no papel do protagonista Roland Deschain, também conhecido como o Pistoleiro, e Matthew McConaughey (“Interestelar”) como Walter Padick, o Homem de Preto, o elenco também inclui Tom Taylor (série “Doctor Foster”), Katheryn Winnick (a guerreira Lagertha da série “Vikings”), Jackie Earle Haley (“RoboCop”), Fran Kranz (“O Segredo da Cabana”), Claudia Kim (série “Marco Polo”) e Abbey Lee (“Mad Max: Estrada da Fúria”). O roteiro original foi escrito por Akiva Goldsman e Jeff Pinkner (que trabalharam juntos no fraco “A 5ª Onda”) e revisado por Anders Thomas Jensen (“Em um Mundo Melhor”). A direção é do dinamarquês Nikolaj Arcel (“O Amante Da Rainha”), em sua estreia em Hollywood. O filme chega aos cinemas brasileiros em 24 de agosto, 20 dias após o lançamento nos EUA.

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    Emilia Clarke compartilha vídeo com Chewbecca nos bastidores do filme de Han Solo

    30 de julho de 2017 /

    Emilia Clarke postou um vídeo com Chewbacca, nos bastidores da produção do filme de Han Solo, para comemorar ter atingido 10 milhões de seguidores no Instagram. Quando ela conta esta notícia, Chewie fica emocional e o resultado é muito divertido. Confira abaixo. O intérprete de Chewbacca é Joonas Suotamo, que já tinha trabalhado como dublê de Peter Mayhew, o Chewbacca original, hoje com 73 anos, em “”Star Wars: O Despertar da Força” (2015). Ainda sem título, o filme de Han Solo também inclui em seu elenco Alden Ehrenreich (“Ave Cesar”) como o personagem título, Donald Glover (série “Atlanta”) como o jovem Lando Carlrissian, Woody Harrelson (“Planeta dos Macacos: A Guerra”), Michael Kenneth Williams (série “The Night Of”) e Thandie Newton (série “Westworld”), além de Warwick Davis (que ainda criança viveu o famoso ewok Wicket em “O Returno de Jedi”). Os bastidores da produção passaram por dias menos leves. Ron Howard assumiu a direção do filme de Han Solo há um mês, após a demissão da dupla Christopher Miller e Phil Lord (“Anjos da Lei”) pela Lucasfilm. O roteiro é de Lawrence Kasdan (“Star Wars: O Despertar da Força”) e de seu filho Jon Kasdan (“A Primeira Vez”). A previsão de estreia permanece, por enquanto, para maio de 2018. In a Instagram far far away……. ? (Or in pinewood backlot filming #untitledhansolomovie ) One CHEWBACCA (and one @emilia_clarke) wanted to THANK EACH AND EVERY ONE OF YOU 10 MILLION WONDERSTAR-INCREDIBLE DREAM MAKERS for following me!!! ?✌️♥️ Yup. Those dreamboats at @starwars said yes, this furry ball of joy could help me thank you personally… @joonassuotamo you are more than just a cute nose and lotta hair to me. #allhailthewookieofourdreams #behindthescenes #behindthelove ❤️??????????????❤️ Uma publicação compartilhada por @emilia_clarke em Jul 28, 2017 às 10:38 PDT

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    Dunkirk é xadrez épico em que atores não passam de peões

    30 de julho de 2017 /

    Christopher Nolan nasceu pro cinema no momento certo. Numa época de ansiedade, euforia e excessos. Não é a toa que ele é o diretor mais festejado pelo público e por uma grande parcela da crítica. Ele traduz a loucura da sobrevivência num cotidiano em que nossa readaptação à realidade não ocorre na mesma velocidade que as mudanças. No cinema dele, a ação não para. Mas isso faz de Nolan um dos maiores cineastas da atualidade? “Dunkirk”, o filme que muito gente vem chamando de obra-prima, é o mais novo “case” de sucesso do diretor. Exatamente como no mundo da publicidade, ele estabelece nos primeiros minutos o espaço, a atmosfera e o conceito de tempo: retoma um capítulo da 2ª Guerra Mundial, a evacuação das tropas aliadas da França, e bifurca em três histórias com três tempos distintos. Temos lá: a espera dos soldados durante uma semana, o resgate de barco que durou um dia e o embate dos aviões que aconteceu em uma hora. Claro que nada disso ocorreu em variáveis tão fixas, só que, no mundo de Nolan, ele estabelece as regras e preenche a planilha prometendo um espetáculo de cinema. Os minutos iniciais realmente surpreendem. Pra começar, aquela falação excessiva, os diálogos reiterativos de suas duas últimas aventuras, “Batman: O Cavaleiro Ressurge” (2012) e “Interestelar” (2014) saíram de cena. Perto desses dois, “Dunkirk” é quase um filme mudo. A primeira imagem na tela mostra o final de um movimento de rápido recuo pra trás de seis soldados, como reflexo de uma bomba que explodiu e que sequer vimos ou ouvimos o barulho. Assinala-se a ideia do susto, do tranco, e o consequente estado de alerta. Não sobra muito tempo pra pensar. Como veremos a seguir: vacilou, piscou, morreu. Na sequência, o soldado raso Tommy (Fion Whitehead, da série “Him”) chega à praia e procura um canto pra defecar. Aliás, ele abaixa a calça e faz as necessidades de pé. Está em estado de vigia, sempre. Um sujeito próximo enterra um cadáver na areia. Tommy se aproxima para ajudar, pensando que o soldado improvisa o funeral de alguém muito familiar e querido. Mas trata-se de outra coisa. O soldado roubou as botas do morto e está, na verdade, jogando terra sobre a vergonha do que a guerra está fazendo ele passar. Esse é o momento mais forte e humano de “Dunkirk”. A ação transfere-se para a história em velocidade mais rápida do senhor inglês (Mark Rylance, de “Ponte dos Espiões”) que está trazendo seu barco para o resgate, e, em seguida, salta mais veloz ainda para o entrecho do piloto de caças (Tom Hardy, de “Mad Max: Estrada da Fúria”) em sua missão de ataque. São 10 minutos impressionantes que mostram tudo o que Nolan tem para oferecer. Um belo curta de 10 minutos. Tudo o que vem depois é uma repetição, com o agravante que o espaço dado aos atores é cada vez mais comprimido. Nolan parece achar os dramas humanos uma enrolação. Ele nunca deixa a emoção desenvolver-se por inteira. Corta pra outra cena de ação. A logística de produção é o que lhe interessa. Para quem ama a orquestração das multidões e das máquinas é um prato cheio. E o making off do filme deve ser muito bom. Elogiam muito também o realismo, a proeza de não usar efeitos digitais para criar figurantes e a busca por vivenciar o calor e o desespero visceral de um conflito, enfim, questões que soam muito boas para vender algo que verdadeiramente não tem nada de autêntico. Videogames igualmente possibilitam esse tipo de imersão. Uma receita para um grande filme de guerra não existe. Os maiores, só para citar alguns, como “Sem Novidade no Front” (1930), “Glória Feita de Sangue” (1957), “Vá e Veja” (1985) e “Apocalipse Now” (1979), possuem pouco em comum, não foram feitos por diretores que vivenciaram uma guerra, como aconteceu com Samuel Fuller e William Wellman, diretores dos seminais “Capacete de Aço” (1951) e “Também Somos Seres Humanos” (1945), mas tanto num caso como no outro, esses cineastas desceram da grua, se embrenharam na pesquisa com o elenco para encontrar um milhão de inquietações humanas que reflete uma guerra. Nolan parte da ideia de que a humanidade é violenta e bárbara, mas entre anônimos você encontra heróis. De fato, é fácil dizer que a humanidade é estúpida. Mesmo sendo um raciocínio generalizado, uma coisa é dizê-lo com doçura e inclusão, outra é olhar do alto, falar de fora. Distante. E é exatamente do alto que Nolan fala. Retomando filmes anteriores, o espectador pode não gostar de “A Origem” (2010) ou de “Interestelar”, mas ali o diretor tinha algo mais a dizer (ainda que sempre com o defeito da redundância). “Dunkirk” atém-se à introdução. Depois de 10 minutos não tem o que acrescentar. Destacam-se apenas o episódio do náufrago (Cillian Murphy, de “Batman Begins”), que não quer voltar para a guerra, e a cena em que um grupo de sobreviventes acuados no porão de um barco encalhado luta para não serem alvejados pelas balas de um inimigo que está lá fora, e ninguém se atreve a sair para ver sua face. Nolan também nunca foi um grande encenador. Pensando os filmes dele, no papel – apesar daquela mania de não deixar subtexto, precisa sempre explicar – , o sujeito tem engenho. Agora, quando se põe a filmar é uma lástima. Na entrevista de divulgação de “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, ele teve a manha de abrir o jogo sobre sua opção pelo formato IMAX. Disse que a resolução do suporte era tão grande, que ele não precisava mais perder tempo em filmar os detalhes. Captava em plano geral e quando precisava de algo particular em cena, sabia que o editor podia dar um zoom eletrônico sem perdas de resolução. Hitchcock, Kubrick, e outros diretores de verdade jamais pensariam assim. Claro, ele não é supervalorizado como diretor apenas por isso. Basta recapitular as cenas mais memoráveis de “A Origem”, ou do melhor dele, “O Cavaleiro das Trevas” (2008), para perceber como ele se apóia na direção de arte, na edição e na trilha sonora. Tirou os três de cena e Nolan vira um engenheiro de obras. Sua vantagem é a inteligência, ele tem consciência de seus limites. Tanto que sobrevaloriza a participação dos três setores. Em “Dunkirk”, chega a exceder a confiança que deposita em Hans Zimmer. A trilha-relojinho que o compositor criou para pontuar a narrativa gera um certo interesse por cinco minutos, depois a insistência segue a mesma filosofia de redundância. Em “A Origem”, havia pelo menos o prazer lúdico de ver o diretor alinhando as peças no tabuleiro e fazendo tudo amolecer e derreter como num quadro de Dali. Em “O Cavaleiro das Trevas”, havia Heath Ledger para trombar pelos cenários e zombar com a mania de rigoroso controle de Nolan. Em “Dunkirk” temos o quê? Nada que transcenda o mero jogo de peões.

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    Cartas da Guerra contrasta o horror de batalhas sem sentido com a beleza da poesia

    29 de julho de 2017 /

    De um lado, o amor, de outro, a guerra. De um lado, a poesia, de outro, o sangue e a violência. O filme “Cartas da Guerra”, do cineasta português Ivo Ferreira, se nutre desses contrastes o tempo todo. O que o filme nos mostra é um acampamento de guerra, ações, confrontos. O personagem António (Miguel Nunes, astro de novelas portuguesas), convocado como médico pelo exército para atuar na guerra colonial de Angola, cuidando de feridos, triste e solitário, escreve cartas e um romance e tem com um superior hierárquico um ponto de contato intelectual, alimentado por conversas, ao jogo de xadrez. O que mais se vê, no entanto, são soldados vivendo o cotidiano embrutecedor da guerra. Se as imagens, maravilhosas em preto e branco, focam a guerra, o áudio é pleno de amor e poesia. Lindas cartas de amor apaixonado, poético, se sucedem ao longo do filme. Amo-te em tudo e sempre é uma das coisas mais repetidas nas cartas, que exploram literariamente a ausência da amada, da casa, dos pequenos prazeres da vida. É António escrevendo à sua esposa, a quem ele é fiel e de quem é sinceramente apaixonado. Mas ele está irremediavelmente longe da mulher amada, já grávida, e da filha que ele não poderá ver nascer, nem embalar, para seu desespero. De 1971 a 1973, ele escreve cartas de amor permanentemente, recebe as respostas que a gente não ouve, nem vê. E começa a escrever um romance. É o que o motiva a sobreviver. O contraste entre as belas mas terríveis imagens de batalha e a pureza de sentimentos do médico, aspirante a escritor, em suas cartas, produz uma espécie de curto-circuito entre a beleza do amor e a violência sem sentido de uma guerra colonial brutal. O impasse entre o desejo pelas coisas simples e cheias de humanidade e o horror do sangue jorrado em vão e da morte sem sentido, tese e antítese a clamar por uma síntese, que não virá. O que “Cartas da Guerra” nos mostra é a angustiante espera, a vida que se põe em suspensão e na incerteza. Só o amor para sustentar tal espera. Para além do sentimento, há a força das palavras, essencial para significar a vida e tudo o que acontece. A literatura como elemento de salvação. Baseado no romance homônimo de António Lobos Antunes, “Cartas da Guerra” é um filme de guerra belo, poético, amoroso. Não se dirige a uma racionalidade pacifista, mas às emoções que o conflito cria ou suprime. Mostra o contraste entre a vida de dentro e de fora da guerra, vivido por um ser humano sensível, capaz de colocar em palavras, bem escolhidas e encadeadas, a expressão de sentimentos de uma quadra decisiva da sua existência.

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    Kiki – Os Segredos do Desejo diverte com fetiches sexuais

    29 de julho de 2017 /

    O desejo sexual assume formas e manifestações surpreendentes, inesperadas, bizarras. Em tempos de uma moral estreita e rígida, baseada na noção de normalidade, as variações sexuais eram chamadas de desvios sexuais e, claro, condenadas. A partir do momento em que se passou a estudá-las, para além dos julgamentos morais, elas ganharam um nome técnico: parafilias. Uma forma de desejar que está fora da expectativa ou da norma. Para vem do grego, significa “fora de” e filia se refere ao amor. Ainda implica um problema a ser resolvido, mas agora na esfera da saúde. É de diversidade que se trata, este um conceito mais aberto e contemporâneo. E quanta diversidade há neste mundo! Se você duvida, vá ver “Kiki – Os Segredos do Desejo”, uma boa comédia espanhola, que explora em seus personagens algumas formas de excitação pouco usuais, como o tesão por gente chorando, dormindo, ao sofrer a violência de um assalto, a atração por plantas ou por tocar em tecidos de seda, para chegar ao orgasmo. Também estão lá fetiches mais conhecidos, como o dos pés ou do ato de ser urinado, mas nomes como dacrifilia, sonofilia, hifefilia, harpaxofilia, convenhamos, não fazem parte do vocabulário cotidiano, nem dos especialistas da área da sexualidade. Ao potencializar o mais bizarro e exagerado ou, pelo menos, novidadeiro, o filme do diretor Paco León, remake espanhol do australiano “A Pequena Morte” (2014), consegue nos provocar mais e produzir risos. Quanto mais estranho, melhor, para comprovar a tese de que a diversidade é infinita e todas as formas existentes têm o direito de se expressar e de serem acolhidas na sociedade. Foi-se o tempo do pecado e da exclusão. Há que se celebrar essa diversidade toda e, como o filme acaba demonstrando, é possível conviver com isso numa boa e até se dar bem. Talvez não em todos os casos, há situações arriscadas, perigosas e ilegais. Mas sempre se pode dar um jeitinho de acomodar as coisas e simbolizar, em vez de concretizar. Fica até mais divertido. Há um detalhe a apontar. “Kiki” inclui personagens com deficiência de um modo muito positivo, nessa ciranda sexual, sem esforço para ser politicamente correto. Quando se veem todas as pessoas como seres humanos e como cidadãos plenos de direitos, tudo se torna mais adequado no tratamento das tramas. Para fazer humor, não é preciso atropelar direitos nem ofender pessoas ou categorias. Preconceito não tem graça. “Kiki” é inteligente, aberto e bem feito. Um vasto elenco de maioria bem jovem traz um frescor à narrativa, que torna o filme simpático e envolvente. O próprio diretor Paco León, que é também roteirista e ator do filme, tem apenas 42 anos e vem de uma família de artistas. Tem muito a nos oferecer pela frente.

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    O Futuro Perfeito demonstra como a linguagem pode ampliar fronteiras

    29 de julho de 2017 /

    “O Futuro Perfeito” (2016), da diretora alemã radicada na Argentina Nele Wohlatz é tão estranho quanto atraente. Isso porque o tom, por vezes bressoniano de interpretação (e um elenco formado por não-atores), acaba se tornando acessível até para um público menos familiarizado com um tipo de cinema mais hermético, e até lembra, em alguns momentos, a trajetória da Macabeia de “A Hora da Estrela” (1986). Mas o caso de Xiaobin (Xiaobin Zhang), que adota o nome Beatriz na Argentina, é ainda mais complicado, já que ela chega àquela terra estranha sem saber nenhuma palavra do espanhol. Seus pais não se interessam em se integrar àquela sociedade, pois planejam ganhar dinheiro e voltar para a China e por isso só falam em mandarim, na empresa de lavanderia que cuidam. Mas a menina de 17 anos não: ela quer se adaptar àquele mundo novo. E para isso procura empregos simples e também cursos para aprender o espanhol. Até porque, no primeiro trabalho, ela não entendia nada o que os clientes falavam e isso lhe custou o emprego. É possível também se identificar com a personagem se, em algum momento da sua vida, você também já se sentiu excluído ou um peixe fora d´água. Daí, é possível entender um pouco a atração que Beatriz sente por um rapaz indiano, que se demonstra interessado nela. Os dois estão unidos pela exclusão social. A cena do cinema, quando ele pede para casar com ela e ambos dizem que não estão entendendo o filme, é bem representativa dessa situação incômoda. Interessante notar que Beatriz vai se tornando mais inteligente e mais esperta à medida que suas aulas de espanhol progridem. Se antes tudo era muito simples nas aulas, como dizer o nome de objetos ou das partes do corpo humano ou de eventos relacionadas ao passado ou ao presente dela, a coisa se torna mais complexa quando a professora introduz o estudo do condicional, com o verbo no que a gente chama em português de futuro do pretérito. Assim, o futuro passa a ser visualizado em uma série de possibilidades. E se o rapaz indiano for casado, o você faria? E se seus pais descobrirem e não gostarem do rapaz, o que aconteceria? E se você viajar para a Índia, como seria? Assim, as imagens surgem na tela quase como verdades, embora saibamos que estamos diante de jogos de imagem a partir dos pensamentos de Beatriz. Interessante como o drama mostra o quanto a linguagem é capaz de modificar o futuro das pessoas, após o cinema mostrar a questão com uma obra bem mais ambiciosa, no registro de ficção científica – “A Chegada” (2016), de Denis Villeneuve. Bem mais modesto, principalmente em seu orçamento, minúsculo, “O Futuro Perfeito” ganha uma dimensão enorme no que tange à reflexão sobre as influências da linguagem na vida e na mente de uma pessoa, no quanto isso pode aumentar suas fronteiras. Claro que também não é só isso, pois há toda uma angústia que acompanha a projeção da história pela ponto de vista de Beatriz. Mas “O Futuro Perfeito” realmente abre mentes e conquista corações.

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    A Garota Ocidental examina a repressão feminina na tradição muçulmana

    29 de julho de 2017 /

    Certos filmes se fazem necessários menos por suas implicações estéticas e mais pela necessidade de chamar atenção para injustiças sociais. Especialmente em se tratando de uma cultura muito resistente como a tradição muçulmana, que influencia variados povos, etnias e crenças com sua inequívoca mensagem de repressão feminina. “A Garota Ocidental – Entre o Coração e a Tradição”, de Stephan Streker (“Michael Blanco”), apresenta história de Zahira (Lina El Arabi, da série francesa “Kaboul Kitchen”), uma jovem paquistanesa que é obrigada pela tradição a se casar com um homem paquistanês, mesmo morando em uma moderna cidade belga e contrariada com a imposição de sua família. Para piorar ainda mais a situação da moça, ela está grávida de um rapaz que não quer assumir a paternidade. Ela tenta, em algum momento, fazer o aborto, mas é impedida por sua consciência. Ela pede para que o procedimento seja interrompido. Um dos grandes méritos do filme é colocar o espectador no lugar de Zahira, já que, desde o começo, sentimos uma angústia que permanece até o fim da projeção. Aliás, que permanece um bom tempo depois que os créditos sobem. Mas será que a culpa do destino de Zahira é mesmo da religião e da cultura, elementos que aprisionam as pessoas, ou há algo que se aproxima de maldade pura na história? O que é mostrado no filme é uma questão complexa, mas não deixa de conter esse tipo de questionamento. O filme tem uma aproximação tão forte com a protagonista que quase beira um registro documental, com uso de câmera na mão em diversos momentos. Mesmo os momentos em que Zahira tenta se libertar, fugindo de casa ou mesmo da cidade, com um rapaz que diz gostar dela, parecem inquietantes, pois há sempre uma impressão de algo muito ruim que esteja prestes a acontecer. Isso demonstra a força da direção de Streker, cineasta belga que tem sua primeira obra lançada no Brasil em circuito comercial. E talvez tenha chamado atenção dos distribuidores justamente pela temática apelativa, no bom sentido do termo.

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    Certas Mulheres é um dos melhores filmes não lançados nos cinemas brasileiros em 2017

    29 de julho de 2017 /

    Dentre os filmes que não chegaram aos cinemas brasileiros neste ano, “Certas Mulheres”, de Kelly Reichardt (“Movimentos Noturnos”), lançado direto em DVD no país, talvez seja o que mais fez falta na telona. Não que seja uma obra de muitos planos gerais ou coisas do tipo. É justamente essa aproximação mais requerida entre personagem e espectador que seria importante na intimidade da sala de cinema. Mas ver o filme com o espírito tranquilo, numa madrugada dessas, também funciona que é uma beleza. Inclusive para deixar o espectador sem dormir com suas histórias. Entre suas histórias paralelas, a mais impactante, no sentido de trazer dor e angústia, mostra Kristen Stewart como uma professora de Direito e Lily Gladstone (“Subterranea”) como uma vaqueira de jeito simples, que fica encantada com aquela jovem mulher que leva quatro horas para chegar até sua cidadezinha. A beleza de cada palavra não dita, os momentos em que os olhares se encontram e, principalmente, não se encontram – Kristen é ótima em fazer o tipo tímida e imaginem ela dentro de uma sala de aula, toda desconcertada –, tudo neste terceiro segmento contribui para que seja uma leve e gentil facada no peito. E este segmento é o que mais torna a obra de Reichardt valiosa e muito parecida com alguns contos modernistas que lidam com problemas simples e do dia a dia de certas mulheres. É possível se lembrar de Clarice Lispector, Katherine Mansfield ou Virginia Woolf. O que, aliás, é muito bom, levando em consideração que muitas vezes o cinema parece se contentar com pouco, em sua estrutura convencional. As demais histórias, ainda que menos impactantes, não deixam de ter também o seu valor, ainda mais pela força das atrizes que as interpretam. A primeira traz a grande Laura Dern (“Livre”) como uma advogada que tenta ajudar um cliente frustrado. É a história em que mais coisas acontecem, ainda que o tom seja exatamente o oposto de um filme de enredo amarradinho, levando em consideração que há uma situação envolvendo polícia e refém. Numa dessas histórias em que nada parece acontecer, brilha Michelle Williams, fazendo um papel bem distinto do visto em “Manchester à Beira-Mar” (2016). O tom é mais sutil, mas ela traz igualmente aquele sorriso sem graça que lhe caracteriza há algum tempo. Sua personagem está acampando com o marido e a filha adolescente e percebemos que há um atrito entre ela e a filha. Mas o que mais torna a história incômoda é a conversa que ela tem com um senhor que mora isolado. Ela deseja comprar dele umas pedras que remontam a tempos históricos dos Estados Unidos. O velho senhor não parece muito feliz com a proposta, embora não negue doar as pedras. No fim do segmento, fica aquele gosto amargo. Mal sabíamos que um amargo maior ainda estaria por vir no melhor segmento, o que traz a já citada história estrelada por Kristen Stewart, que está cada vez mais se provando uma atriz de primeira grandeza. De dar gosto mesmo. Quanto à diretora Kelly Reichardt, é o caso de reclamar porque suas obras, todas maravilhosas, não chegam aos cinemas brasileiros. Uma delas, inclusive, “Wendy and Lucy” (2008), traz Michelle Williams como protagonista e rendeu o prêmio para a atriz no Festival de Toronto. Por sinal, “Certas Mulheres” venceu o Festival de Londres do ano passado.

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    Richard Linklater volta aos anos 1980 com o divertido Jovens, Loucos e Mais Rebeldes

    29 de julho de 2017 /

    A filmografia de Richard Linklater é bem irregular. O homem que dirigiu obras tão intensas quanto a trilogia “Antes do Amanhecer” (1995), “Antes do Pôr-do-Sol” (2004) e “Antes da Meia-Noite” (2013) tem em seu currículo alguns filmes inexpressivos e que muitas vezes passam batido. Porém, não dá pra dizer que ele seja um diretor sem uma marca autoral. Uma das características de seus filmes, como dá para perceber pela citada trilogia, é a preocupação com a passagem do tempo, em pensar sobre o tempo como algo fugaz e por isso mesmo tão valioso. “Jovens, Loucos e Mais Rebeldes” (Everybody Wants Some, 2016) é uma continuação espiritual de “Jovens, Loucos e Rebeldes” (Dazed and Confused, 1993), que mostrava as aventuras de um grupo de estudantes do ensino médio no último dia de aula em 1976, com todo aquele espírito dos anos 1970 impresso. O novo filme traz outro grupo de jovens, desta vez em seu primeiro dia no ambiente universitário, antes de as aulas começarem no ano de 1980. A virada da década está presente nos figurinos, no comportamento, na bem selecionada trilha musical, na direção de arte, na fotografia colorida e no espírito festivo do filme. O que pode incomodar um pouco, especialmente aos fãs do cineasta que gostam de conversas de cunho mais aprofundado, é o quanto é rasa a filosofia de vida dos vários personagens que passeiam pela tela, especialmente se pensarmos que estamos diante de um filme do mesmo diretor de “Acordar para a Vida” (2001). Mas Linklater também é o cara que dirigiu “Escola de Rock” (2003) e que também gosta de pura diversão, sem muitas pretensões intelectuais. O olhar principal do filme é o de Jake Bradford (Blake Jenner, da série “Glee”). Sua perspectiva apresenta e filtra os demais membros da turma que farão parte dessa importante etapa de sua vida. Cada um deles tem a sua importância em um filme que não se preocupa com o enredo, mas que prefere deixar fluir um fluxo narrativo com naturalidade e leveza, como se estivéssemos testemunhando aquele momento e olhando com carinho para aquelas pessoas, sem nenhuma preocupação com uma conclusão. Afinal, a vida deles está mal começando. São jovens que estão mais interessados em jogar beisebol, namorar e brincar do que exatamente estudar. E é muito bom testemunhar o otimismo de quem que está acabando de chegar àquele ambiente e se enturmando. Para aqueles jovens, estar ali era uma questão de autoafirmação. Por isso, em muitos momentos, o grupo fica parecendo um clube do Bolinha com pouca sensibilidade, quase machista, embora haja algumas personagens femininas bem marcantes e encantadoras – principalmente a personagem de Zoey Deutch (“Tinha Que Ser Ele?”). A alegria contagia pela liberdade que os jovens finalmente encontram, depois de superar tudo o que lhes é proibido durante o colegial. E uma vez que o público consiga embarcar nessa atmosfera, “Jovens, Loucos e Mais Rebeldes” (título brasileiro tosco e nada a ver) pode ser uma experiência muito divertida.

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    Novo trailer da Liga da Justiça finalmente ganha versão legendada

    29 de julho de 2017 /

    A Warner levou uma semana para legendar, mas finalmente disponibilizou a versão brasileira do trailer da “Liga da Justiça”, exibido na Comic-Con. A prévia se passa num mundo sem Superman (Henry Cavill), ainda em luto pela morte do herói em “Batman vs. Superman”, quando os parademônios comandados pelo vilão Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) desembarcam diante das amazonas da Ilha de Temiscira, iniciando uma invasão planetária. Batman (Ben Affleck) e Mulher-Maravilha (Gal Gadot) juntam-se a Aquaman (Jason Momoa), Flash (Ezra Miller) e Ciborgue (Ray Fisher) para enfrentar a ameaça, mas eles próprios temem não serem suficientes para deter um ataque alienígena. Por sorte, Alfred (Jeremy Irons) convocou um reforço. O suspense da última cena assinala 1) a ressurreição de Superman ou 2) o reboot de Lanterna Verde. Infelizmente, a resposta correta só virá no próximo material de marketing. Dirigido por Zack Snyder (“Batman vs. Superman”) e Joss Whedon (“Os Vingadores”), “Liga da Justiça” estreia em 16 de novembro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.

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  • Filme

    Angelina Jolie causa revolta nas redes sociais ao revelar como selecionou atriz mirim de seu novo filme

    29 de julho de 2017 /

    Angeline Jolie escolheu a revista Vanity Fair para voltar a expor sua intimidade ao público. Mas além de tocar em amenidades e focar em sua imagem como mãe dedicada, o retorno à mídia também visava divulgar seu novo filme como diretora, “First They Killed My Father”, inspirado na infância da ativista pelos direitos humanos Loung Ung durante os horrores do Khmer Vermelho. O filme foi selecionado para o Festival de Toronto. Entretanto, essa parte da reportagem não correu tão bem quanto sua tentativa de se mostrar uma dona de casa, que cozinha para os filhos e limpa o cocô do cachorro, ou como a mulher forte que enfrenta o câncer. O trecho em que ela explica como selecionou a atriz mirim que estrela seu novo longa causou revolta nas redes sociais. De acordo com a reportagem, Angelina procurou crianças em orfanatos, circos e escolas de favelas do Cambodja. E para escolher a protagonista que interpretaria a jovem Loung Ung, os diretores de elenco criaram uma espécie de jogo cruel por seu realismo: eles colocavam dinheiro numa mesa e diziam para a criança candidata ao papel para pensar em algo de que precisava e depois pegá-lo. Aí o responsável pela seleção fingiria pegá-las, como se elas estivessem roubando, e elas teriam que inventar uma mentira para se safar. “Srey Moch (a garota escolhida) foi a única que ficou olhando para o dinheiro por muito, muito tempo”, disse Jolie. “Quando ela foi obrigada a devolver o dinheiro, ficou muito emocionada. Todas essas coisas voltando”. Neste momento da entrevista, a atriz cai em lágrimas para concluir: “Quando perguntaram para que era o dinheiro, ela disse que seu padrinho morrera e eles não tinham dinheiro para um funeral decente”. A revelação movimentou as redes sociais, com muita gente reagindo ao “processo de seleção” e condenando a atriz por utilizá-lo. A história manchou a imagem de ativista humanitária encarnada por Angelina, especialmente com seu trabalho como embaixadora da boa vontade para a agência de refugiados da Organização das Nações Unidas.

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