Cinquenta Tons de Cinza excita Jane Fonda, Diane Keaton e Candice Bergen em trailer de comédia
A Paris Filmes divulgou o trailer dublado (e legendado) de “Do Jeito que Elas Querem”, “tradução” nacional de “Book Club”, uma comédia romântica romântica da Terceira Idade, que mostra que o desejo não tem prazo de validade. A prévia mostra como a inclusão de “Cinquenta Tons de Cinza” no círculo de leitura (o clube do livro do título original) de quatro senhoras muda suas rotinas, voltando a despertar apetites sexuais. Curiosamente, Jane Fonda, que integra o elenco, explora a mesma linha de humor adulto da Terceira Idade em sua série “Grace and Frankie”, na Netflix. As demais amigas são Diane Keaton (“Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro”), Candice Bergen (série “Murphy Brown”) e Mary Steenburgen (série “The Last Man on Earth”). Seus pares românticos são vividos por Andy Garcia (“Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo”), Craig T. Nelson (série “Parenthood”), Don Johnson (série “Nash Bridges”) e Richard Dreyfuss (“RED: Aposentados e Perigosos”). E o elenco ainda inclui Alicia Silverstone (“Diário de um Banana: Caindo na Estrada”), Ed Begley Jr. (série “Future Man”) e Katie Aselton (série “Legion”). A comédia ao estilo dos filmes de Nancy Meyers (“Simplesmente Complicado”) é, curiosamente, escrita e dirigida por um cineasta jovem e iniciante, Bill Holderman, que vira diretor após escrever “Uma Caminhada na Floresta” (2015), também com protagonistas da Terceira Idade. O filme estreia nesta sexta (18/5) nos Estados Unidos, mas apenas daqui a um mês, em 14 de junho, no Brasil.
Diretor confirma o título do próximo Guardiões da Galáxia
O diretor James Gunn, que assina os filmes dos “Guardiões da Galáxia”, confirmou o título do próximo lançamento da franquia. O anúncio foi feito no Twitter, após sugestão de um usuário brasileiro de batizar o terceiro capítulo da saga espacial de “Guardiões da Galáxia.mp3”. “Ouço essa sugestão bastante, de pessoas variadas. Mas, não. Os três filmes são um conjunto só, e vou me manter consistente com Vol. 3”, respondeu ele. Apesar do título definido, “Guardiões da Galáxia Vol. 3” deve manter seu enredo em segredo pelo menos até a estreia de “Vingadores 4”, já que os personagens da franquia dependem da reversão do desfecho de “Vingadores: Guerra Infinita”. O filme ainda não tem data oficial de estreia, mas são grandes as chances de chegar aos cinemas em maio de 2020, mês reservado pela Marvel para um grande lançamento não nomeado. @JamesGunn have you ever considered calling Guardians 3, “Guardians of the Galaxy.mp3”?? Just saying it would be so cool. — Vitor Oliveira (@VitorXWing) May 15, 2018 I hear this suggestion a lot, from many different people. But, no, the three films are a set and I'm going to stay consistent with Vol. 3. https://t.co/jLGg625s4I — James Gunn (@JamesGunn) May 15, 2018
Deadpool 2 é proibido para menores de 18 anos no Brasil
O Ministério da Justiça classificou “Deadpool 2” como “não recomendado para menores de 18 anos“. O motivo seria a presença de “drogas, violência extrema e conteúdo impactante”. O primeiro filme do anti-herói recebeu uma classificação indicativa de 16 anos. Mas muitos que tinham a idade inferior à recomendada puderam assistir o longa acompanhados de um responsável que tivesse idade superior à classificação indicativa. Entretanto, as regras mudam quando se trata de um filme com classificação de 18 anos. Os menores de idade não podem assistir espetáculos públicos classificados para maiores, mesmo que com autorização ou acompanhamento do responsável. A classificação fará com muitos fãs do herói da Marvel sejam barrados nas bilheterias. O longa chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 17 de maio.
Novo trailer de Missão Impossível: Efeito Fallout mostra quantidade absurda de cenas de ação
A Paramount divulgou dois novos pôsteres e o segundo trailer legendado de “Missão: Impossível: Efeito Fallout”, que apresenta a trama central, além de uma quantidade absurda de cenas de ação. São tantas colisões, explosões, perseguições, saltos no vazio, quedas, tiroteios e pancadaria que só a prévia parece conter mais ação que em todos os filmes anteriores da franquia. Para se ter ideia, a cena menos espetacular é o pulo entre prédios que machucou Tom Cruise e o afastou das filmagens por três meses. Imaginem que o ator faz questão de fazer, ele mesmo, as peripécias de seu personagem, e revejam quantas vezes ele poderia ter morrido nas filmagens do novo longa. Em relação à trama, o vídeo repete alguns elementos já vistos na série, como as ameaças de vilões aprisionados, traições do governo e um novo confronto entre Ethan Hunt (o personagem de Cruise) e Ilsa Faust (a agente de Rebecca Ferguson, introduzida no filme anterior). Mas as principais brigas são mesmo entre Hunt e o aliado relutante com ordens de matá-lo caso ele saia da linha, August Walker, um brutamontes de bigode intocável, vivido por Henry Cavill (“Liga da Justiça”). O elenco do sexto “Missão Impossível” também traz de volta Simon Pegg, Ving Rhames, Alec Baldwin, Sean Harris e Michelle Monaghan, já vistos nos “capítulos” anteriores, e introduz novas personagens vividas por Vanessa Kirby (série “The Crown”) e Angela Bassett (“Pantera Negra”). Com roteiro e direção de Christopher McQuarrie, que assinou “Missão: Impossível – Nação Secreta” (2015), a continuação estreia em 26 de julho no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
Single Parents: Nova série de comédia da criadora de New Girl ganha imagens e trailer
A rede americana ABC divulgou cinco imagens e o primeiro trailer de “Single Parents”, nova série de comédia sobre famílias estrelada por Leighton Meester (a Blair de “Gossip Girl”). Criada pela dupla Elizabeth Meriwether e J.J. Philbin, respectivamente criadora e roteirista de “New Girl”, a série acompanha um grupo de pais solteiros que passam a conviver devido à escola dos filhos pequenos. Como pais solteiros, eles buscam se envolver o mínimo possível nas atividades escolares, até que surge um novo pai, superligado na filha. A série começa quando o grupo conhece o tal superpai, Will (Taran Killam, do humorístico “Saturday Night Live”), um cara de 30 e poucos anos que está tão focado em criar sua filha que perdeu de vista quem ele é como homem. Quando os outros pais solteiros percebem o quanto Will se afundou no papel de pai em tempo integral, eles se unem para tirá-lo do buraco e fazê-lo perceber que ser um ótimo pai não significa sacrificar tudo que envolve sua própria identidade. Leighton Meester vive a protagonista feminina, uma das poucas mulheres do grupo, que ainda destaca um deslocado Brad Garrett (da série “Everybody Loves Raymond”), bem mais velho que os demais e finalmente estrelando uma sitcom que não inclui auditório e claque. Os pai e a mãe que completam o grupo são Jake Choi (“Wolves”) e Kimrie Lewis (série “Scandal”). A série tem estreia prevista para a temporada de outono, entre setembro e novembro, nos Estados Unidos.
Tom Wolfe (1931 – 2018)
Morreu o escritor Tom Wolfe, que misturou jornalismo e literatura para criar, nos anos 1960, o híbrido cultural que ficou conhecido como “New Journalism”. Ele faleceu na segunda (14/5), aos 88 anos em Nova York, após ser hospitalizado com uma infecção. Além de autor premiado de best-sellers, que retratou desde astronautas e hippies a magnatas de Wall Street, Wolfe também ajudou a materializar alguns filmes famosos. O cinema se interessou pela prosa do escritor ainda nos anos 1970, quando artigos que ele escreveu sobre as corridas de stock car da NASCAR foram adaptados no filme “O Importante É Vencer” (1973), dirigido por Lamont Johnson e estrelado por Jeff Bridges. Muito mais bem-sucedido foi “Os Eleitos” (1983), em que Philip Kaufman levou às telas a extensa cobertura realizada por Wolfe sobre o início do programa espacial americano e de seus primeiros astronautas. O próprio Wolfe colaborou como consultor do roteiro de Kaufman. Belíssimo, o filme conquistou quatro Oscars, três deles técnicos e outro pela trilha de Bill Conti, mas merecia muito mais, num ano em que a Academia preferiu o convencional “Laços de Ternura”. Por conta disso, a expectativa em relação à adaptação de “A Fogueira das Vaidades” (1990), com direção de Brian De Palma, o mais famoso diretor a abordar o universo narrativo de Wolfe, foi às alturas. De Palma vinha do sucesso de “Os Intocáveis” (1987) e levaria para as telas a primeira ficção de Wolfe – e maior êxito comercial do escritor. Mas a história ácida do yuppie de Wall Street, que sai na rua errada e acaba atropelando e matando um jovem negro, foi tratada de forma convencional e – apesar de trazer Tom Hanks no papel principal – apresentada com personagens totalmente antipáticos, que não engajaram o público. O filme foi queimado pela crítica e acabou fracassando nas bilheterias. Tom Wolfe nunca mais voltou ao cinema, embora o site IMDb insista que ele escreveu o besteirol de época “Os Quase Heróis” (1998), que tem apenas 8% de aprovação. Trata-se de um homônimo. Mas ele fez algo melhor e mais divertido: duas aparições memoráveis na série animada de “Os Simpsons”. Numa delas, exibida em 2000, Homer cometia a heresia de derrubar chocolate sobre o imaculado terno branco que era marca registrada do escritor. Rápido diante do desastre, Wolfe simplesmente rasgava o terno sujo para revelar outro idêntico sob a roupa. Icônico.
Telefilme do romance de Meghan Markle e príncipe Harry ganha 41 fotos
O canal pago Lifetime divulgou 41 fotos do telefilme “Harry e Meghan: Um Amor Real” (Harry & Meghan: A Royal Romance), produção original sobre o romance entre o príncipe britânico Harry e a atriz americana Meghan Markle (da série “Suits”). O elenco traz a atriz Parisa Fitz-Henley (intérprete da bruxa Fiji na série “Midnight, Texas” e de Reva Connors em “Luke Cage”) como Meghan Markle, enquanto Murray Fraser (da minissérie “The Loch”) vive Harry. Com direção de Menhaj Huda (série “The Royals”), o telefilme vai mostrar como surgiu o romance, que gera atenção da mídia desde 2016, às vésperas do final feliz da proto-Cinderela americana, divorciada e negra – tudo o que seria rejeitado pela monarquia no passado, o que dá à história um apelo de fábula de princesa. A produção era considerada inevitável, já que o Lifetime fez o mesmo com o noivado do irmão de Harry. “William & Kate: The Movie”, sobre o romance entre o Príncipe William e Kate Middleton, foi lançado 11 dias antes daquele casamento real. Já o novo filme tem exibição marcada para quarta (16/5) no Brasil, três dias após ter sido exibido nos Estados Unidos e três dias antes do casamento real – literal e figurativamente – , marcado para 19 de maio.
Consagrado em Cannes, novo filme de Spike Lee ganha trailer divertido, político e provocante
A Focus Features divulgou oito fotos e o primeiro trailer de “BlacKkKlansman”, novo filme de Spike Lee, que foi aplaudido de pé no Festival de Cannes 2018. A prévia mostra o tom bem-humorado, mas também bastante provocante, com que o diretor aborda sua trama polêmica. “BlacKkKlansman” revela os bastidores da mais notória organização racista e de extrema direita dos Estados Unidos, a Ku Klux Klan, por meio de uma história inacreditável, ainda que verídica, em que um policial afro-americano do Colorado se infiltra em suas fileiras, em plenos anos 1970. Ron Stallworth (John David Washington, da série “Ballers”) foi o primeiro negro a entrar para os quadros da polícia de Colorado Springs, mas mesmo depois de ser aceito como detetive, continuou sendo assediado pelos colegas da corporação. Entretanto, para se infiltrar na KKK, ele terá que contar com a ajuda de um policial branco, já que, obviamente, não poderia fazer isso pessoalmente. Mas precisa ser o “policial certo”, como ele define na prévia: um judeu (vivido por Adam Driver, de “Star Wars: Os Últimos Jedi”), com motivos para odiar neonazistas. A dupla consegue penetrar na perigosa organização e uma das sacadas do trailer é demonstrar como o discurso de extrema direita é persuasivo. Uma das cenas mostra os seguidores da KKK repetindo slogans do líder da organização, David Duke (vivido por Topher Grace, de “Homem-Aranha 3”), como “America first” (que significa colocar os interesses dos Estados Unidos acima dos demais países), que alimentaram a campanha eleitoral do presidente Donald Trump. Não por acaso, o filme se encerra com imagens documentais dos confrontos entre supremacistas brancos e grupos antirracistas em Charlottesville, no ano passado, acompanhadas pelo discurso de Donald Trump sobre o evento, em que o presidente americano afirmou existir “algumas boas pessoas” entre os racistas. Este final rendeu uma salva catártica de palmas para a projeção, no Festival de Cannes. Spike Lee pretende lançar o filme nos Estados Unidos em agosto, na data que marca um ano da marcha em Charlottesville. No Brasil, porém, a estreia foi agendada apenas para novembro.
Novo filme de Spike Lee eletriza Festival de Cannes com aplausos contra o racismo
Spike Lee voltou à competição do Festival de Cannes em alto estilo. Seu novo filme, “BlacKkKlansman”, foi aplaudido em pé pelo público do festival. Quase 30 anos após ter sido apontado como favorito à Palma de Ouro por “Faça a Coisa Certa” (1989), o melhor filme de sua carreira, o diretor reencontrou foco e reconhecimento internacional com uma trama politizada, baseada numa história real, mas permeada pela experiência de quem já filmou muitos suspenses policiais e comédias. A nova obra é um resumo perfeito de sua evolução como cineasta. “BlacKkKlansman” revela os bastidores da mais notória organização racista e de extrema direita dos Estados Unidos, a Ku Klux Klan, por meio de uma trama inacreditável, ainda que verídica, em que um policial afro-americano do Colorado se infiltra em suas fileiras, em plenos anos 1970. Ron Stallworth (John David Washington, da série “Ballers”) foi o primeiro negro a entrar para os quadros da polícia de Colorado Springs, mas mesmo depois de ser aceito como detetive, continuou sendo assediado pelos colegas da corporação. Entretanto, para se infiltrar na KKK, ele precisará da ajuda de um policial branco (Adam Driver, de “Star Wars: Os Últimos Jedi”), já que, obviamente, não poderia fazer isso pessoalmente. De forma significativa, o filme abre com uma sequência de “E o Vento Levou ….” (1939), de Victor Fleming e George Cukor, inclui trechos de “O Nascimento de uma nação” (1915), de D. W. Griffith, obra-prima do racismo no cinema, e fecha com imagens documentais, dos confrontos entre supremacistas brancos e grupos antirracistas em Charlottesville, no ano passado, acompanhadas pelo discurso de Donald Trump sobre o evento, em que o presidente americano afirmou existir “algumas boas pessoas” entre os racistas. O desfecho foi acompanhado por uma salva catártica de palmas. O cineasta justificou a inclusão da fala de Trump, de forma incisiva, durante o encontro com a imprensa internacional. “Nós temos um sujeito na Casa Branca, eu não vou dizer o nome dele, que no momento decisivo, não apenas para a América, mas para o mundo, teve a chance de dizer: ‘Nós estamos do lado do amor, não do ódio’. Mas aquele filho da p*ta não denunciou a maldita Klan, os extremistas de direita e os nazistas filhos da p*ta”. Além de usar palavras de Trump no filme, o cineasta também mostrou a semelhança entre o slogan que elegeu o empresário como presidente dos Estados Unidos e a mensagem galvanizadora da KKK. Numa das cenas, o líder da organização, David Duke (vivido por Topher Grace, de “Homem-Aranha 3”) afirma que quer trazer a “grandeza de volta à América”, evocando o lema de campanha do republicano. “A nossa preocupação número 1 era pegar essa história que se passa nos anos 1970 e conectar ao presente”, disse o diretor, que afirma pretender lançar o filme nos Estados Unidos em agosto, na data que marca um ano da marcha em Charlottesville. “Aquele foi um momento definidor na história americana.”
Veja o trailer do filme de Lars Von Trier que enojou o público do Festival de Cannes
A Zentropa divulgou o pôster, sete fotos e o primeiro trailer de “The House that Jack Built”, novo filme de Lars Von Trier, que levou pelo menos 100 pessoas a abandonarem a sessão de sua première mundial no Festival de Cannes, revoltadas e enojadas. A prévia é uma colagem de cenas ultraviolentas, editadas como um aperitivo, sem revelar demais, apenas o suficiente para demonstrar o quanto o filme é doentio. No arsenal de momentos repugnantes, há desde mal-tratos contra animais até surras brutais contra mulheres. Uma cena em que o protagonista, vivido por Matt Dillon (série “Wayward Pines”), arrasta um cadáver amarrado à traseira de seu carro, deixando um rastro de sangue pela estrada, resume o exagero mórbido da produção. Mas as imagens de terror também são acompanhadas por uma narração pretensiosa do protagonista, que aborda temas metafísicos e estéticos, julgando-se profundo, num contraste com a banalidade com que pratica violência. Para ele, os assassinatos são obras de arte. E isso vem acompanhado, na tela, de montagens metafóricas óbvias, em que ovelhinhas se contrapõe ao rosto de vítimas desesperadas, enquanto um predador selvagem as caça. Mais explícito que “O Anticristo” (2009), mas com estrutura narrativa similar a “Ninfomaníaca” (2013), o filme parte de uma confissão de Jack, o serial killer, que rememora assassinatos cometidos por mais de uma década para um homem chamado Verge (vivido por Bruno Ganz, de “O Leitor”). O elenco ainda inclui Uma Thurman (“Kill Bill”), Riley Keough (“Mad Max: Estrada da Fúria”), Sofie Gråbøl (série “Fortitude”) e Siobhan Fallon Hogan (também de “Wayward Pines”), como mulheres que entram em contato com o assassino enquanto ele “tenta criar sua obra definitiva”. A estreia comercial está marcada para 29 de novembro na Dinamarca, único país que, até agora, confirmou o lançamento.
Filme de Lars von Trier revolta Cannes e faz espectadores saírem do cinema
O novo filme do cineasta dinamarquês Lars von Trier, “The House that Jack Built”, causou revolta no Festival de Cannes 2018 por suas cenas explícitas e repletas de violência. Mais de 100 espectadores deixaram o cinema durante a première mundial, quando a projeção ainda estava em sua metade, e a crítica internacional tratou de defini-lo como “nojento”, “pretensioso” e “torturante”, entre outros termos nada elogiosos. Considerado mais chocante que “O Anticristo” (2009), até então o filme mais extremo do diretor, “The House that Jack Built” tem duas horas e meia de duração, mas parece muito mais longo, tamanha agonia que desperta, pois a maior parte do tempo é preenchida por torturas pornográficas auto-reflexivas, que flertam com idéias provocativas. Por isso, fica a meio termo entre uma obra subversiva e um snuff film apelativo. Foi concebido para irritar e consegue. A cena que iniciou a revolta dos espectadores mostra o personagem-título, interpretado por Matt Dillon — um serial killer que vê seus assassinatos como elaboradas obras de arte — , atirando em duas crianças com um rifle de caça. Daí em diante, a chacina só aumenta. O controverso diretor dinamarquês tinha retornado ao Festival de Cannes sete anos após ser banido do evento. Ele fora considerado persona non grata em Cannes em 2011 quando deu declarações polêmicas à imprensa, durante coletiva para promover seu longa “Melancolia”. Ele disse frases como “eu entendo Hitler” e “Eu sou um nazista”. Após a repercussão de suas falas, e acusações de antissemitismo, ele se desculpou, afirmando que havia sido apenas uma “brincadeira”. Também prometeu parar de dar entrevistas à imprensa. Seu retorno acontece no momento em que uma entrevista coletiva o pressionaria a falar dos escândalos sexuais cometidos em seu estúdio e graves acusações de abusos, reveladas numa reportagem da revista The New Yorker e por uma denúncia da cantora Bjork, que contou detalhes das filmagens de “Dançando no Escuro”, musical que rendeu justamente a Palma de Ouro ao diretor no festival de 2000. Bjork relatou nas redes sociais algumas das propostas indecentes que ouviu e as explosões de raiva do “dinarmaquês” (que ela não nomeia) por se recusar a ceder, enquanto a reportagem da New Yorker descortinou o “lado negro” da companhia de produção Zentropa, criada pelo diretor. Segundo a denúncia, Von Trier obrigava todos os empregados da Zentropa a se despirem na sua frente e nadar nus com ele e seu sócio, Peter Aalbaek Jensen, na piscina do estúdio. Em novembro, a polícia da Dinamarca iniciou uma investigação sobre denúncias de assédio na Zentropa. Entrevistadas pelo jornal dinamarquês Politiken, nove ex-funcionárias revelaram que pediram demissão por não aguentarem se submeter ao assédio sexual e bullying diários. Considerando que o próprio festival francês estabeleceu um “disque denúncia sexual” este ano, como reação tardia à denúncias de abusos cometidos durante eventos passados em Cannes, a decisão de “perdoar” Lars Von Trier sofre, no mínimo, de mau timing. Graças a isso, Cannes agora tem que lidar com um filme altamente desagradável de um diretor que não deveria estar no festival. Ainda que “The House that Jack Built” tenha sido exibido fora de competição, sua projeção aconteceu diante da imprensa internacional, com uma repercussão que apenas Cannes é capaz de provocar.
Margot Kidder (1948–2018)
Morreu a atriz canadense Margot Kidder, que ficou conhecida por interpretar Lois Lane em quatro filmes do “Superman”. Ela faleceu em sua casa no estado americano de Montana, aos 69 anos, de causas não divulgadas. Kidder começou a carreira no final dos anos 1960, fazendo diversas aparições em séries. Mas seu talento só ficou claro após o papel duplo de “Irmãs Diabólicas” (1972), primeiro suspense da carreira do diretor Brian De Palma, em que se alternou entre duas personagens, a gêmea boazinha e a gêmea psicopata. A repercussão do filme a transformou numa espécie de “scream queen” e a levou a outros lançamentos cultuados do terror, como o slasher “Noite do Terror” (1974), de Bob Clark, e o primeiro “Horror em Amityville” (1979), de Stuart Rosenberg. E esta poderia ter sido a tendência de sua filmografia, caso não tivesse sido “salva” por um super-herói voador. Ao ser escalada para formar par com Christopher Reeve em “Superman: O filme” (1978), Margot Kidder reivindicou um lugar de destaque na cultura pop. Ela não foi apenas a protagonista feminina de um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos. Ela foi destaque num elenco que tinha Marlon Brando e Gene Hackman roubando cenas. O diretor Richard Donner contou ter percebido que tinha achado sua Lois Lane no momento em que Kidder entrou no teste para o papel. A primeira coisa que ela fez ao chegar foi tropeçar na entrada. “E eu simplesmente me apaixonei. Vi que ela era perfeita, com seu comportamento atrapalhado”, revelou o cineasta, em entrevista à revista The Hollywood Reporter em 2016. Sua atuação introduziu elementos cômicos ao papel da repórter determinada, além de dar a Lois um viés feminista, conforme ela tenta superar Clark Kent para virar a primeira jornalista a entrevistar Superman. Ao mesmo tempo, a química entre os dois personagens também aproximou a adaptação dos quadrinhos das tramas clássicas das comédias românticas, em que rivais se atraem. E, para completar, também comoveu com um arco dramático, a ponto de inspirar até música de Gilberto Gil: “Super-Homem – A Canção”, centrada no amor do herói por sua musa, tão forte que era capaz de “mudar o curso da História por causa da mulher”, numa alusão à trama. O papel de Lois Lane atingiu ainda maior desenvolvimento em “Superman II – A Aventura Continua” (1980), que foi além do que os quadrinhos ousavam mostrar na época, sugerindo sexo entre a repórter do Planeta Diário e Clark Kent/Superman. A atriz viveu Lois em mais dois filmes, até “Superman IV: Em Busca da Paz” (1987), mas eles não repetiram nem a qualidade nem o sucesso dos primeiros lançamentos. Ao mesmo tempo, sua opção por investir em comédias acabou estagnando sua carreira por falta de sucessos – mesmo contracenando com ases do humor, como Richard Pryor (“Apuros e Trapalhadas de um Herói”) e Ted Danson (“Pequeno Tesouro”). De forma inesperada para todos que a assistiram levantar voo no cinema, Kidder desapareceu no final dos anos 1980. Havia boatos de que ela se tornara uma atriz difícil de lidar. Mas a verdade é que seu comportamento resultava de uma luta, até então perdida, contra um transtorno bipolar. A situação se tornou pública de forma sensacionalista, quando ela foi descoberta morando nas ruas, como uma sem-teto, em 1996. O incidente teve uma repercussão enorme e ajudou Kidder a recuperar algo parecido com uma carreira, com participações em séries em filmes. Ela apareceu até em “Smallville”, série sobre a juventude do Superman, como homenagem dos produtores em 2004, e tornou-se porta-voz da causa das pessoas que sofrem de transtornos mentais. Seu último trabalho foi o filme B “The Neighborhood”, lançado em 2017. Margot Kidder foi casada três vezes, todas com integrantes da indústria cinematográfica – o roteirista Thomas McGuane (“Duelo de Gigantes”), com quem teve uma filha, o diretor Philippe de Broca (de “Cartouche”, falecido em 2004) e o também ator John Heard (de “A Marca da Pantera”, falecido em 2017). A DC Comics, editora dos quadrinhos de Superman, prestou-lhe uma última homenagem nas redes sociais, agradecendo a atriz “por ser a Lois Lane com quem tantos de nós crescemos”. Thank you for being the Lois Lane so many of us grew up with. RIP, Margot Kidder. pic.twitter.com/IhY73TB52P — DC (@DCComics) May 14, 2018
Cláudia Celeste (1952 – 2018)
A atriz Cláudia Celeste, primeira travesti a atuar em novelas brasileiras, morreu na madrugada de domingo (13/5), aos 66 anos, no Rio de Janeiro. Segundo informações das redes sociais, a atriz estava com pneumonia e o quadro se agravou. Carioca de Irajá, Cláudia começou a carreira como dançarina Go Go-Girl do Beco das Garrafas, após trabalhar como cabeleireira em Copacabana. Mas não demorou a teatralizar sua vida, após se destacar num concurso de danças como “A Lebre Misteriosa do Imperial”, nome que fazia referência a seu padrinho artístico, Carlos Imperial. Foi o produtor artístico quem também a batizou de Cláudia Celeste. Sua estreia nos palcos aconteceu na montagem histórica de “O Mundo É das Bonecas”, em 1973, no lendário Teatro Rival, na Cinelândia. Realizado por Américo Leal (avô da atriz Leadra Leal), foi o primeiro show de travestis a obter uma licença do governo, depois da ditadura militar proibir este tipo de produção. A projeção a levou a ser eleita Miss Brasil Trans e a chamar atenção de produtores de cinema e TV. Ela acabou estreando nas telas na comédia “Motel” (1974), três anos antes de o diretor Daniel Filho resolver incorporar um espetáculo do Rival – “Transetê no Fuetê” – na trama da novela “Espelho Mágico” (1977), da TV Globo. A atriz chegou a contracenar com a mocinha Sonia Braga. Mas sua participação na novela acabou cortada depois que a imprensa celebrou – ou denunciou – a primeira travesti na TV. “Antes, ninguém sabia que eu era travesti, nem Daniel Filho. Ninguém nunca me perguntou! E, como ficou muito ti-ti-ti, tiraram os capítulos que eu já tinha feito”, contou a atriz em entrevista à revista Geni, em 2013. Mas Cláudia foi recompensada e manteve seu pioneirismo, 14 anos depois. Em 1988, ela se tornou a primeira travesti a integrar o elenco de uma novela do início ao fim. Foi em “Olho por Olho”, na extinta TV Manchete, no qual interpretou a travesti Dinorá, apaixonada por Mário Gomes. Ela também participou de dois filmes nos anos 1980: o drama criminal “Beijo na Boca” (1982), também estrelado por Mário Gomes, e o inacreditável trash futurista “Punks – Os Filhos da Noite” (1982), com Lady Francisco. Na época desse filme, até chegou a ensaiar uma carreira como cantora de rock, formando a banda Coisa que Incomoda. Em 2016, a atriz foi a grande homenageada na primeira edição do Festival TransArte, evento que trata de identidade de gênero e sexualidade.












