Ex-Pajé denuncia consequências da evangelização dos índios brasileiros
Luiz Bolognesi é um de melhores roteiristas brasileiros de ficção. Só no ano passado, ele assinou o roteiro de dois dos filmes mais importantes do período, “Bingo – O Rei das Manhãs”, de Daniel Rezende, e “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, sua esposa. Isso para citar apenas dois mais recentes. Mas já havia dentro de sua filmografia um interesse muito especial pela Amazônia e pelos índios. Além de documentários sobre a Amazônia, seu longa anterior como diretor foi a animação “Uma História de Amor e Fúria” (2013), que também contava em parte a história do índio brasileiro. “Ex-Pajé” é um documentário que mais parece com ficção. A história de Perpera, o personagem-título, é fascinante em sua dimensão trágica: um homem que se sente proibido de exercer a sua função tão importante na tribo (dos Paiter Suruí) porque virou evangélico e os líderes religiosos dizem que o que ele fazia antes era coisa do diabo. E agora o pobre ex-Pajé tem medo de dormir de luz apagada por causa dos espíritos da floresta, que estariam furiosos com sua atitude de renúncia. Esse mal estar é sentido em cada cena, em cada enquadramento, no modo como a tecnologia e o hábito dos brancos parece invadir aquele espaço. Por outro lado, não há uma vilanização dessa tecnologia. Como julgar um povo que, como nós, está aberto a certos confortos, como um ventilador, uma máquina de lavar roupas ou o acesso à internet? Inclusive, a internet é usada para fins muito nobres por parte dos índios mais jovens, dispostos a denunciar qualquer invasão de madeireiros ilegais no Facebook, com apoio internacional. Mas aí voltamos novamente ao aspecto trágico de Perpera, que veste um terno enorme para ficar de porteiro na igreja, sem entender sequer a língua portuguesa. Passa boa parte do tempo olhando para a natureza que parece lhe chamar a todo instante. O modo como o filme parece se transformar cada vez mais em uma obra de ficção se multiplica no momento em que o ex-Pajé é chamado a voltar à forma. Por manter a atenção do espectador com uma narrativa sem voice-over ou algo que o caracterize mais facilmente como um documentário, “Ex-Pajé” é dessas obras que funciona como denúncia real e drama envolvente. Uma arma em defesa dos direitos dos habitantes do Brasil pré-cabralesco, mas também um exemplo de como utilizar cenas do cotidiano para construir um roteiro tão perfeito que parece ter sido tudo combinado. Muita coisa deve ter sido, mas a mágica do filme e a sua verdade estão presentes o tempo todo. Inteiras.
Curta brasileiro vence prêmio LGBT do Festival de Cannes 2018
O curta brasileiro “O Órfão”, de Carolina Markowicz, ganhou a Palma Queer 2018, premiação paralela do Festival de Cannes que elege o melhor filme de temática LGBT+ exibido nas mostras do evento. Exibido na mostra Quinzena dos Realizadores, “O Órfão” é inspirado em uma história real e narra a história de Jonathas, adotado e depois devolvido por causa do seu “jeito diferente”. O adolescente, interpretado por Kauan Alvarenga, gosta de passar batom e usar vestidos femininos. Quando a família descobre seus hábitos, obriga-o a voltar ao orfanato. “O Órfão” é o quinto curta-metragem de Carolina Markowicz, que em 2008 ganhou o prêmio de Melhor Curta no Festival do Rio com “69-Praça da luz”. Este foi o segundo curta com diretora brasileira premiado na Quinzena dos Realizadores de 2018. Além dele, o curta “Skip Day”, documentário codirigido pelo americano Patrick Bresnan e a brasileira Ivete Lucas, venceu o prêmio de Melhor Curta da mostra. Já o vencedor da Palma Queer de longa-metragem foi “Girl”, do belga Lukas Dhont, exibido na seção Um Certo Olhar, sobre adolescente que nasceu menino e sonha se tornar uma bailarina. Criado em 2010, a Palma Queer deste ano foi selecionada por um júri presidido pela produtora francesa Sylvie Pialat, que produziu “Timbuktu”, indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2015, e “Um Estranho no Lago”, vencedor da Palma Queer de 2013.
Kristen Stewart vai estrear como diretora de longas em adaptação literária
A atriz Kristen Stewart (“Branca de Neve e o Caçador”) revelou, durante sua participação no Festival de Cannes 2018, que vai consumar sua passagem para trás das câmeras com uma adaptação literária. Ela está escrevendo o roteiro e pretende dirigir a versão cinematográfica do livro “The Chronology of Water”, de Lidia Yuknavitch. “Eu amo os romances dela”, disse a atriz no festival, onde integra o juri da mostra competitiva. “Ela está no meu sangue e, assim que a encontrei, embarcamos nessa corrida sem senso de competição”. “Pretendo filmar no verão”, acrescentou. “Mas no momento meu objetivo é terminar logo o roteiro e contratar uma atriz realmente espetacular. Eu vou escrever o papel feminino mais f*dido. Vou escrever um papel que eu adoraria loucamente interpretar, mas não vou interpretá-lo”. Stewart já dirigiu curtas e clipes em preparação para sua estreia na função em longas. O primeiro curta, “Come Swim”, foi exibido no próprio Festival de Cannes em 2017, e pode ser conferido na íntegra neste link. “Come Swim”, por sinal, já ensaia temas de “The Chronology of Water”, que conta a história de uma ex-nadadora transformada em artista e explora questões de natureza sexual e vício em drogas. A história é baseada nas memórias de Yuknavitch, que foi nadadora profissional, com aspirações olímpicas, antes de virar escritora.
Exibição de filme maldito de Terry Gilliam frustra expectativas alimentadas por obsessão de duas décadas
A exibição de “The Man Who Killed Don Quixote” (o homem que matou Dom Quixote) no encerramento do Festival de Cannes 2018 era aguardada como um momento mágico, já que representaria o rompimento de uma maldição de mais de duas décadas da vida do diretor Terry Gilliam. A própria projeção foi precedida por um anúncio que lembrava os traumas de sua realização, além de destacar que o cineasta brigou por 25 anos para tirar o projeto do papel. Mas se não bastassem seus infortúnios causados por catástrofes naturais e financeiras, agora o filme terá que lidar com mais um obstáculo inesperado para sua afirmação: as críticas negativas. A maioria achou o filme muito fraco, para não dizer ruim. E quase todos se perguntam o que teria alimentado tamanha obsessão para filmar o que seria, basicamente, uma obra medíocre sem o brilho artístico que se supunha existir. A trama de “The Man Who Killed Don Quixote” parte das frustrações de Toby (Adam Driver, de “Star Wars: Os Últimos Jedi”), um diretor de publicidade arrogante, que durante a filmagem de um comercial no interior da Espanha, lembra do filme em preto e branco que fez sobre Don Quixote naquela mesma região, e com moradores locais, na época da faculdade. Ao ir atrás dos atores de seu filme de estudante, descobre que a jovem e inocente intérprete de Dulcineia (Joana Ribeiro, da versão portuguesa de “Dancin’ Days”) virou mulher de um mafioso, e o sapateiro que viveu Don Quixote (Jonathan Pryce, que trabalhou com Gilliam em “Brazil”) continuava incorporando o personagem de Miguel Cervantes. Vestido de armadura e lança em punho, ele parece reconhecer Toby, mas como seu escudeiro Sancho Pança. O reencontro logo se transforma em uma aventura insana, em que delírios e realidade se alternam e se confundem, com referências tanto à obra original de Cervantes quanto ao mundo contemporâneo, de imigrantes ilegais, mafiosos russos, Estado Islâmico e um presidente chamado Trump. Revistas de prestígio como Variety e The Hollywood Reporter descreveram o longa como uma bagunça sem sentido ou finalidade, um equívoco completo metido a engraçado e sem um pingo de graça. Entretanto, houve críticos (boa parte deles brasileiros) que acharam uma obra-prima. Isto equilibrou a nota no Rotten Tomatoes na altura da mediocridade e não da podridão, com 57% de aprovação. Os maiores elogios foram para a atuação de Adam Driver, num papel que originalmente seria interpretado por Johnny Depp. Por sinal, as várias versões inacabadas da obra foram lembradas numa dedicação do filme ao ator francês Jean Rochefort (“A Viagem de Meu Pai”) e ao britânico John Hurt (“O Espião que Sabia Demais”), que participaram de filmagens incompletas e não viveram para ver o filme projetado. Vale lembrar que o filme só foi exibido graças à vitória liminar do Festival de Cannes na Justiça francesa. Gilliam e os atuais produtores de “Dom Quixote” travam uma disputa legal contra o produtor português Paulo Branco, que tentou impedir que o longa fosse visto, alegando não ter permitido sua filmagem como detentor legal dos direitos da obra. Para entender os percalços dessa história, é preciso lembrar a história amaldiçoada de “The Man Who Killed Dom Quixote”, iniciada há 25 anos, quando as primeiras páginas do roteiro foram escritas. A pré-produção começou em 1998 e as primeiras filmagens aconteceram em 2000, com Johnny Depp no papel principal. Já neste momento, foram tantos problemas, incluindo inundações, interferências das forças armadas espanholas e uma hérnia sofrida pelo astro Jean Roquefort, que a produção precisou ser interrompida e o filme abandonado. Todas as dificuldades enfrentadas pelo projeto foram registradas num documentário premiado, “Lost in La Mancha” (2002). Uma década depois, em 2010, Gilliam voltou a ficar perto de realizar o longa, chegando a filmar Ewan McGregor (“Trainspotting”) como protagonista e Robert Duvall (“O Juiz”) no papel de Dom Quixote, mas a produção precisou ser novamente interrompida, desta vez por problemas financeiros. Em 2015, ele chegou a anunciar uma nova tentativa, agora estrelada por Jack O’Connell (“Invencível”) e John Hurt, mas a briga com o produtor português Paulo Branco adiou o projeto. Os dois se desentenderam durante a pré-produção, o que levou o diretor a entrar na justiça francesa para anular a cessão de direitos, enquanto realizava o longa com apoio de outra produtora. Neste meio tempo, John Hurt acabou morrendo e precisou ser substituído na quarta filmagem anunciada, desta vez definitiva. Assim, quem acabou nos papéis principais foram, finalmente, Adam Driver e Jonathan Pryce. Mas enquanto Gilliam comemorava a conclusão das filmagens amaldiçoadas no ano passado, um tribunal de Paris se pronunciou em primeira instância em favor do produtor português, embora tenha rejeitado seu pedido de interromper a produção. O cineasta recorreu e uma nova audiência da justiça francesa foi marcada para 15 de junho, data em que se saberá qual será o destino do filme. Por enquanto, apenas o público do Festival de Cannes pôde ver a obra. Alguns dizem que a obra é prima, outros que é perda de tempo. Pelo sim, pelo não, a maldição continua. A revista The Hollywood Reporter publicou que a Amazon, parceira americana da produção, teria desistido de financiar a distribuição do filme nos Estados Unidos após a sessão no festival francês.
Filme sobre índios brasileiros é premiado no Festival de Cannes 2018
A mostra Um Certo Olhar 2018, principal seção paralela do Festival de Cannes, consagrou o longa luso-brasileiro “Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos”, codirigido pelo português João Salaviza e a brasileira Renée Nader Messora, com seu Prêmio Especial do Júri. Filmado no Brasil, o longa embaralha os limites entre ficção e registro documental. Com elenco extraído de uma aldeia de índios Krahô, no estado de Tocantins, a obra recria na tela histórias e dramas da comunidade, encenados pelos indígenas em seu próprio idioma. Exibido na noite de quarta-feira (16/5), o filme teve uma première marcada por protestos no tapete vermelho do festival. Os dois cineastas e os protagonistas do filme, Ihjac Kraho e Koto Kraho, desfilaram de preto com cartazes vermelhos, com os dizeres “Parem o genocídio dos povos indígenas” e “Pela demarcação das terras dos povos indígenas”. O protesto ecoa a mobilização de líderes indígenas no Brasil, diante de favorecimentos a empresários agrários – alguns, inclusive, famosos delatores de propinas – , além dos desastres ecológicos causadas por obras faraônicas do antigo PAC (Programa de Aceleração de Crescimento da administração de Dilma Rousseff), como a usina de Belo Monte. A situação apenas se agravou com a ascensão do vice da coligação PT-PMDB-PP, Michel Temer. Ao final da projeção, o filme e sua equipe foram aclamados com palmas demoradas pela plateia do cinema Debussy, na Riviera Francesa. “Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos” foi o terceiro filme com integrantes brasileiros premiado nas mostras paralelas do Festival de Cannes 2018. Os anteriores foram “Skip Day”, documentário codirigido pelo americano Patrick Bresnan e a brasileira Ivete Lucas, vencedor do prêmio de Melhor Curta da mostra Quinzena dos Realizadores, e “Diamantino”, coprodução de Brasil, Portugal e França, dirigida pelos portugueses Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, que conquistou o Grande Prêmio da Semana da Crítica de Cannes. “Border”, de Ali Basi, coprodução entre Suécia e Dinamarca que flerta com a ficção científica, ficou com o troféu de Melhor Filme da mostra Um Certo Olhar.
Trailer do novo filme de Garpar Noé, premiado em Cannes, vai da festa ao horror sexual
A Wild Bunch divulgou o primeiro trailer, três fotos e o pôster de “Climax”, novo filme de Gaspar Noé, que venceu a Quinzena dos Realizadores 2018, mostra paralela do Festival de Cannes. A prévia em ritmo pulsante é embalada pela trilha criada especialmente para a produção por Thomas Bangalter, integrante do Daft Punk, e vai do clima de festa ao terror escancarado, com escala numa orgia generalizada. No filme, uma companhia de dança faz uma festa pós-ensaio que ganha rumos inesperados quando os jovens dançarinos percebem que alguém batizou o ponche com LSD. O ápice da loucura é a cena de orgia coletiva. Mas há momentos de horror puro. O elenco reflete a falta de limites do diretor, abrangendo da estrela de cinema Sofia Boutella (“A Múmia”) à estrela pornô Giselle Palmer (“She Likes It Rough”), além de uma seleção de atores amadores. Especialista em filmes sexualmente agressivos, Noé ficou conhecido por “Irreversível” (2002), que apresentou uma cena de 9 minutos de estupro da personagem de Monica Bellucci. Seu filme mais recente, “Love” (2015), tinha cenas reais e explícitas de sexo filmadas em 3D. O mais curioso é que o próprio Noé ficou surpreso com a recepção positiva a “Climax” durante a première em Cannes. Em entrevistas, ele disse que o seu agente o alertara para reações piores do que aos longas “Love” ou “Viagem Alucinante” (2009), exibidos em edições anteriores do festival francês. Mas aconteceu o oposto. A estreia comercial está marcada para 19 de setembro na França e ainda não há previsão de lançamento em outros países.
Novo filme de Gaspar Noé é premiado no Festival de Cannes 2018
O filme “Climax”, do polêmico diretor Gaspar Noé, foi o grande vencedor da Quinzena dos Realizadores 2018, mostra paralela ao Festival de Cannes. A produção é outra obra de sexo explícito do cineasta argentino radicado na França, que chegou a ser descrita pelo jornal britânico The Guardian como “delírio satânico de sexo e desespero de uma trupe de dança”. No filme, uma companhia de dança faz uma festa pós-ensaio que ganha rumos inesperados quando os jovens dançarinos percebem que alguém batizou o ponche com LSD. O ápice da loucura é uma cena de orgia coletiva. Mas há momentos de terror puro. Veja o trailer aqui. Especialista em filmes sexualmente agressivos, Noé ficou conhecido por “Irreversível” (2002), que apresentou uma cena de 9 minutos de estupro da personagem de Monica Bellucci. Seu filme mais recente, “Love” (2015), tinha cenas reais e explícitas de sexo filmadas em 3D. O mais curioso é que o próprio Noé ficou surpreso com a reação positiva ao filme. Em entrevistas, ele disse que o seu agente o alertara para reações piores do que aos longas “Love” ou “Viagem Alucinante” (2009), exibidos em edições anteriores do festival francês. Mas aconteceu o oposto. Já o prêmio de melhor curta-metragem foi para “Skip Day”, documentário codirigido pelo americano Patrick Bresnan e a brasileira Ivete Lucas, que vive atualmente nos Estados Unidos. A dupla já tinha sido premiada no festival SXSW em 2016 pelo curta documental “Send Off” e prepara um documentário em longa-metragem sobre a cidadezinha retratada nos dois, “Pahokee”, uma comunidade majoritariamente negra e jovem da Flórida.
Deadpool 2 é reclassificado para maiores de 16 anos no Brasil
Após estrear nos cinemas do país na quinta-feira (17/5) com classificação etária para maiores de 18 anos, “Deadpool 2” conseguiu ser reclassificado para 16 anos. O anúncio foi feito nesta sexta-feira pela Fox Film do Brasil, que distribui o longa-metragem. Menores de 16 terão a entrada autorizada desde que acompanhados pelos pais ou responsáveis legais. A distribuidora brasileira fez o anúncio por meio de sua página no Twitter e aproveitou a natureza irônica e sarcástica do personagem para fazer piada: “Eu disse que era um filme família!”. Veja abaixo Segundo informações do site Filme B, que acompanha o mercado audiovisual brasileiro, “Deadpool 2” entrou em cartaz na quinta com público estimado de 238 mil pessoas, desempenho 41% menor do que a performance do o primeiro título, que levou 404 mil espectadores aos cinemas no dia da estreia, apesar de distribuído em menos cinemas. A expectativa, com a nova classificação indicativa, é que os números melhorem no fim de semana. O primeiro filme tinha sido classificado para maiores de 16 anos. O Departamento de Políticas de Justiça do Ministério da Justinha afirmou ter proibido a continuação para menores de 18 anos por conter exibição de “drogas, violência extrema e conteúdo impactante”. Se esta classificação não fosse revertida, espectadores com idades abaixo dessa faixa não seriam admitidos nas salas nem se estiverem acompanhados de seus pais ou responsáveis. Por conta isso, algumas redes de exibição e serviços online de vendas de ingressos, como o Cinemark, chegaram a orientar os menores de idade que tinham adquirido ingressos para o filme em pré-venda a pedirem reembolso. A repercussão nas redes sociais foi grande, com manifestações a favor e contra a medida. Boa parte das reclamações veio de fãs menores que estavam se programando para assistir ao filme. Ninguém lembrou, entretanto, da polêmica de “Aquarius”. O filme de Kleber Mendonça Filho também foi classificado para maiores de 18 anos. Tinha cenas de consumo de drogas e nudez masculina frontal, com pênis ereto e sexo grupal. Mas protestos politizaram a discussão da recomendação etária, que acabou revista para 16 anos após o diretor insinuar que se tratava de perseguição política. Aquele filme era para adultos. “Deadpool 2” é um besteirol adolescente. Eu disse que era um filme família. OFICIAL: A classificação indicativa de #Deadpool2 (que antes era 18 anos) agora é 16 anos. ASSISTA HOJE NOS CINEMAS! Compre aqui: https://t.co/OHaSJ3sHBk pic.twitter.com/9CgW6EaxJV — Fox Film do Brasil (@FoxFilmdoBrasil) May 18, 2018
Deadpool 2 vira maior lançamento “para adultos” de todos os tempos no Brasil
A classificação etária para maiores de 18 anos não mudou a programação da Fox para “Deadpool 2”, que chega aos cinemas nesta quinta (17/5) em aproximadamente 1,4 mil salas. Trata-se da maior distribuição de um filme para adultos de todos os tempos no Brasil. Contribui para a elevada expectativa de comparecimento o fato de os filmes de super-heróis arrasarem quarteirões no país mesmo quando são ruins – o Brasil foi um dos países em que “Liga da Justiça” fez mais sucesso – , além de ser uma continuação com personagem conhecido e o investimento em marketing criativo ter sido esmagador – até Rubens Barrichello se envolveu na divulgação. A cereja no topo é o fato de “Deadpool 2” ser uma fantástica explosão metalinguística de violência e humor negro, que tende a deixar o público na dúvida se acredita no que está vendo ou se cobre os olhos para não ver. A história? O que que menos importa é a história. Quem viu o primeiro, já sabe o que esperar. E tem o detalhe: o filme está com 85% de aprovação no site Rotten Tomatoes, então é oficialmente melhor que o primeiro, que teve 83% de críticas positivas. A contraprogramação nos shoppings é um desenho animado para crianças, infantilóide a ponto de dispensar trabalho aos neurônios. Produção alemã, “A Abelhinha Maya: O Filme” é um derivado de uma série televisiva do Studio 100 Animation (o mesmo que produziu as novas séries de “Heidi” e “Vicky, o Viking”) exibida no canal pago Disney Junior. No circuito limitado, o destaque é o documentário “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, que venceu vários prêmios internacionais. Ao cobrir o Impeachment de Dilma, o filme escancara a bizarrice que reina no Congresso nacional, um show de horrores que os eleitores precisam parar de prestigiar. Dito isso, sua narrativa tenta diferenciar os que vestem vermelho, embora, na vida real, tanto estes quanto aqueles se igualam em outros processos, que não são políticos, mas criminais. Completam a programação limitada quatro dramas. Dentre eles, o brasileiro “Querida Mamãe” e o japonês “Entre-Laços” têm em comum o tema da aceitação e da tolerância em relação à sexualidade de pessoas que compõem as famílias abordadas. Vale avisar que o japonês é muito melhor resolvido, tanto que venceu o Teddy Award (melhor filme de temática LGBT) do Festival de Berlim. Confira abaixo todos os filmes, com sinopses e trailers, que estreiam nesta semana nos cinemas. Deadpool 2 | EUA | Super-Heróis Quando o super-soldado Cable (Josh Brolin) chega em uma missão para assassinar o jovem mutante Russel (Julian Dennison), o mercenário Deadpool (Ryan Reynolds) precisa aprender o que é ser herói de verdade para salvá-lo. Para isso, ele recruta seu velho amigo Colossus e forma o novo grupo X-Force, sempre com o apoio do fiel escudeiro Dopinder (Karan Soni). A Abelhinha Maya: O Filme | Alemanha | Animação Quando a entusiasmada Maya surpreende de maneira negativa a Imperatriz de Buzztropolis, ela é forçada a formar uma equipe para competir nos Jogos de Mel. Com a chance de salvar sua colmeia, Maya irá conhecer novos amigos, além de adversários extremamente habilidosos, e se aventurar além do jogo. O Processo | Brasil | Documentário A diretora Maria Augusta Ramos passou meses no Planalto e no Congresso Nacional captando imagens sobre votações e discussões que culminaram no Impeachment da “presidenta” Dilma Rousseff, e mostra os bastidores políticos da crise política sem nenhum tipo de abordagem direta, como entrevistas ou intervenções nos acontecimentos. Querida Mamãe | Brasil | Drama Heloísa (Letícia Sabatella) é uma médica que sofre de infelicidade crônica, tendo problemas com o marido (Marat Descartes) e a própria mãe (Selma Egrei), a quem constantemente acusa de tê-la preterida pela irmã. Após se separar do marido, Heloísa conhece no hospital em que trabalha a pintora Leda, que sofreu um acidente de carro. Grata pelo atendimento prestado, Leda deseja pintar um quadro da médica. Inicialmente reticente, ela aceita a proposta e, ao visitar o ateliê, acaba se envolvendo com a pintora. Entretanto, por mais que o novo relacionamento deixe Heloísa bem mais feliz, ela precisa lidar com o preconceito tanto de sua mãe quanto da própria filha. Entre-Laços | Japão | Drama Aos 11 anos de idade, Tomo é abandonada pela mãe e terá que confiar na ajuda de seu tio, que a leva para morar com ele e sua namorada Rinko. Inicialmente com pensamentos confusos após descobrir que Rinko é uma mulher transexual, Tomo vai aos poucos descobrindo o verdadeiro sentido de família. A Natureza do Tempo | Argélia, França, Alemanha | Drama Argélia, tempos atuais. Entre as novas configurações da sociedade árabe contemporânea, a vida de três pessoas completamente distintas irão se interligar inesperadamente: a de um corretor de imóveis rico, de um médico neurologista ambicioso preso ao seu passado e a de uma bela jovem totalmente dividida entre a razão e a emoção. Paris 8 | França | Drama Etienne se muda para Paris para estudar cinema. Na faculdade, ele conhece dois jovens que compartilham objetivos similares aos seus, mas, ao longo do ano, nem tudo sai como o planejado.
Marvel contrata roteiristas para adaptação dos quadrinhos dos Eternos
A Marvel quer tirar outro coelho da cartola. O estúdio presidido por Kevin Feige selecionou uma dupla de roteiristas estreantes, que ainda não viu nenhum de seus textos virar filme, para o longa de “Eternos”, adaptação dos quadrinhos cósmicos do lendário Jack Kirby. Nos quadrinhos, os Eternos são uma raça de super-humanos, surgidos como um desdobramento da evolução que criou a vida inteligente na Terra. Concebidos pelos alienígenas Celestiais, eram destinados a ser defensores da Terra. Mas algo deu errado, a ponto da experiência gerar ninguém menos que Thanos, que é um desses seres geneticamente evoluídos. Toda essa história veio da mente febril de Jack Kirby em sua volta à Marvel em 1976, e compartilha algumas semelhanças com os Novos Deuses, que ele criou na DC Comics. Mas a trajetória original dos personagens ficou sem fim, graças às vendas fracas e uma briga definitiva de Kirby com a editora. Os roteiristas Roy Thomas e Mark Gruenwald tentaram juntar as pontas soltas ao incluir os personagens num arco de Thor, que deveria encerrar a trama. Mas foi preciso o mestre Neil Gaiman (criador de “American Gods”) retomar a criação de Jack Kirby, numa minissérie de 2006, para tudo fazer sentido. Kevin Feige selecionou os primos Matthew e Ryan Firpo para desenvolverem o roteiro que adaptará esta odisseia espacial. Eles nunca encararam nenhum projeto deste porte. Na verdade, nunca materializaram nenhuma palavra que escreveram nas telas. Mas já escreveram. E, por causa disso, se destacaram na “Black List”, a lista dos melhores roteiros de Hollywood que acabaram não saindo do papel. A história deles que chamou atenção se chama “Ruin” e gira em torno de um ex-capitão nazista que, para reparar seus crimes, persegue e mata os membros de seu ex-esquadrão. Mas se ainda estão inéditos no cinema, os Firpo logo se tornarão conhecidos dos assinantes da Netflix. Eles emplacaram um thriller futurista no serviço de streaming, que venceu grande competição pelos direitos da produção, após o projeto dos primos despertar interesse de vários estúdios. Intitulada “Mimi from Rio”, a sci-fi se passa nas favelas do Rio em um futuro próximo, e acompanha dois irmãos encarregados de transportar o primeiro androide totalmente sensível do mundo. Ainda não há previsão para esta estreia, mas ela deverá estar disponível bem antes de “Eternos”, se este projeto maluco, centenas de vezes mais obscuro do que era os “Guardiões da Galáxia”, for adiante.
O jovem Han Solo vai protagonizar novos filmes do universo Star Wars
A presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, confirmou que as versões jovens de Han Solo e Chewbacca protagonizarão novos filmes após “Han Solo: Uma História Star Wars”. A revelação foi feita durante a exibição de “Han Solo: Uma História Star Wars” no Festival de Cannes 2018. Mas, por erro de tradução da revista francesa Première, ganhou o mundo de forma equivocada, estimulando manchetes mal informadas até em grandes portais brasileiros. A declaração da produtora veio em resposta ao questionamento sobre a possibilidade de um filme solo de Lando Calrissian, que em “Han Solo” é interpretado por Donald Glover (da série “Atlanta”). “Eu adoraria ver um filme de Lando no futuro, mas também seria divertido contar [outra] história de Han e Chewie”, ela afirmou. As reproduções equivocadas desta frase espalharam que o próximo spin-off do universo “Star Wars” seria um filme de Lando Calrissian. A Lucasfilm procurou a Première e pediu para a informação ser corrigida, mas quem reproduziu a tradução equivocada não percebeu e mantém o filme de Lando Calrissian como próximo lançamento do estúdio. A frase de Kennedy reforça informação anteriormente adiantada por Alden Ehrenreich (“Ave, César”). O ator disse ter assinado contrato para viver Han Solo em três filmes. A disputa entre Han e Lando é uma das atrações de “Han Solo: Uma História Star Wars”, que conta como os dois se conheceram. O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 24 de maio, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.
Filme com coprodução brasileira vence Semana da Crítica de Cannes 2018
O filme português “Diamantino”, que conta com coprodução do Brasil e da França, venceu o Grande Prêmio da Semana da Crítica de Cannes. O segundo longa da dupla Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt (que antes colaborou em “Palácios de Pena”, de 2011) trata de maneira bem-humorada assuntos da atualidade, como o culto à celebridade, o crescimento da extrema direita e a crise dos refugiados na Europa. A trama gira em torno do personagem-título, o jogador de futebol Diamantino (Carloto Cotta). Depois de ser responsabilizado por um dos maiores fracassos da história recente do futebol português, o jogador resolve abandonar os campos. Em crise, ele decide fazer uma série de coisas em busca de um novo propósito na vida, entre elas adotar um refugiado. Mas enquanto embarca nessa odisseia, as irmãs gêmeas do jogador tramam para continuar lucrando às custas do seu talento nas quatro linhas. A participação brasileira na produção é da Syndrome Films, de Daniel van Hoogstraten, que emitiu um comunicado comemorativo. “É inacreditável, emocionante! Estou extremamente feliz e honrado com o Grande Prêmio da Crítica de Cannes. O reconhecimento é a recompensa ao trabalho árduo, complexo, e à ousadia de um filme que derruba barreiras e paradigmas. O primeiro trabalho internacional da Syndrome não majoritariamente brasileiro, mas que conseguimos realizar com apoio da ANCINE e do FSA. Ao longo de seis anos, foram muitas idas e vindas, conversas, novas versões do roteiro, e a prova de que estamos no caminho certo não poderia ser melhor”, disse o produtor. Coberto de críticas positivas, o filme foi descrito como “surreal” pela imprensa internacional. “Diamantino” será distribuído no Brasil pela Vitrine Filmes, em data ainda não definida.
Vídeo de bastidores revela que novo Jurassic World terá recorde de dinossauros na franquia
A Universal divulgou um vídeo de bastidores legendado de “Jurassic World: Reino Ameaçado”, centrado nos dinossauros da produção. Além de mostrar o processo de criação e cenas do set com as criaturas, o vídeo traz depoimentos do elenco e da equipe técnica, revelando que o novo longa terá mais dinossauros que todos os anteriores – desde Jurassic Park em 1993 -somados! Vale lembrar que o primeiro trailer destacou a destruição da Ilha Nublar e um êxodo espetacular de dinossauros variados, e o segundo adiantou que cientistas usam manipulação genética para criar novas espécies de répteis gigantes. Ou seja, os dinossauros vão mesmo se multiplicar na tela. O roteiro é de Colin Trevorrow (diretor de “Jurassic World”), a direção está a cargo do espanhol Juan Antonio Bayona (“O Impossível”) e a produção é de Steven Spielberg (“Jurassic Park”). Com um elenco novamente encabeçado por Chris Pratt e Bryce Dallas Howard (ambos de “Jurassic World”), o novo filme estreia em 21 de junho no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.











