Morena Baccarin terá que pagar R$ 1 milhão de pensão ao ex-marido
A justiça dos Estados Unidos determinou que a atriz brasileira Morena Baccarin deve pagar US$ 23 mil (cerca de R$ 85 mil) por mês em pensão para seu ex-marido, Austin Chick. Isto vai render, por ano, um desembolso de US$ 276 mil (cerca de R$ 1 milhão) para o diretor e roteirista do terror “Girls Against Boys” (2012). Segundo o site TMZ, Chick alegou no processo que a ex-mulher engravidou do ator Ben McKenzie, com quem trabalha na série “Gotham”, enquanto eles ainda tentavam “consertar o casamento”. Morena está grávida de cinco meses do intérprete do Detetive James Gordon. Além disso, ela é mãe de Julius, de 2 anos, e também trava com Chick uma batalha judicial pela guarda do filho. Como a atriz está gravando a série “Gotham” em Nova York, Julius está morando com a mãe. Mas como Chick vive em Los Angeles, ele ganhou o direito de ter um apartamento custeado pela atriz para passar os fins de semana com o filho em Nova York.
The Muppets: Miss Piggy parodia o novo clipe de Adele
A rede americana ABC divulgou um novo comercial da série “The Muppets”, que traz Miss Piggy parodiando o clipe de “Hello”, da cantora Adele. O vídeo mostra a porquinha em fotografia sépia, como no clipe, sofrendo com a lembrança do fim de um relacionamento – no caso, com o sapo Kermit. Toda melodramática, ela canta alto e joga seus cabelos ao vento, repetindo os gestos da cantora inglesa. Só que acaba se atrapalhando com as folhas que a ventania levanta. A série, que começou com boa audiência em setembro, perdeu muito público e vai sofrer uma reformulação completa em 2016. No Brasil, “The Muppets” é exibida pelo canal pago Sony.
Novela Os Dez Mandamentos vai ganhar versão de cinema com novo final
A rede Record decidiu explorar um pouco mais o sucesso da novela “Os Dez Mandamentos”. Após anunciar a produção de uma continuação, a trama bíblica também vai ganhar uma versão para os cinemas. A ideia vai além de condensar a história num filme com cerca de duas horas de duração. A versão para os cinemas de “Os Dez Mandamentos” terá cenas inéditas e deverá contar com um final diferente do exibido na TV. A distribuição do filme será feita pela Paris Filmes, com lançamento previsto para para fevereiro, um mês antes da estreia da 2ª temporada da novela na Record. De acordo com dados do Ibope, “Os Dez Mandamentos” conseguiu o feito de vencer a Rede Globo em seu horário nobre, superando a audiência do “Jornal Nacional” e da novela das nove, “A Regra do Jogo”. A sequência da abertura do Mar Vermelho registrou o recorde de público da produção, chegando a atingir 31 pontos de audiência.
Petição online pede boicote a Zoolander 2
Uma petição online pretende convencer o público a boicotar a comédia “Zoolander 2”, novo filme estrelado e dirigido por Ben Stiller, por praticar a transfobia. A iniciativa é uma reação ao personagem do ator Benedict Cumberbatch (“O Jogo da Imitação”), que na trama vive o modelo andrógino All. Segundo a idealizadora da campanha, Sarah Rose, a caracterização do personagem é ofensiva a pessoas transgênero. “O personagem de Cumberbatch é claramente representado como uma chacota exagerada e cartunesca de pessoas andróginas/trans/não-binárias”, afirma o texto da petição. “Este é o equivalente moderno a usar ‘blackface’ para representar uma minoria”, completa a acusação, que já conta com mais de 6 mil assinaturas de apoio. Embora a petição pareça algo saído do roteiro do próprio filme, aparentemente nem o roteirista Justin Theroux nem o diretor e astro Ben Stiller estão por trás dessa iniciativa politicamente hilária, que questiona um detalhe inadequado de um filme sobre modelos masculinos estúpidos transformados em espiões da CIA. O filme é continuação da cultuada comédia “Zoolander” (2001), que aborda a superficialidade da indústria da moda e a obsessão pela beleza, e conta em seu elenco com os retornos de Ben Stiller, Owen Wilson e Will Ferrel, além de ganhar o reforço de Penélope Cruz (“O Conselheiro do Crime”) e Cumberbatch. Com direção do próprio Stiller, “Zoolander 2” estreia no Brasil em 11 de fevereiro. O trailer do filme, em que aparece o modelo andrógino All, pode ser visto neste link.
A Very Murray Christmas: Especial natalino de Bill Murray ganha novo trailer
O site Netflix divulgou o trailer do especial natalino “A Very Murray Christmas”, produção musical estrelada por Bill Murray e dirigida por Sofia Coppola, que voltam a se reunir após sua bem-sucedida parceria no cultuado “Encontros e Desencontros” (2003). A prévia mostra o clima da produção, passada nos bastidores de um show de variedades, entre vários astros famosos shows musicais, números dançantes e muitas piadas relativas ao fracasso do evento. A trama traz Murray interpretando a si mesmo e preocupado com seu show, com medo que ninguém apareça, devido a uma terrível tempestade de neve em Nova York. Mas logo os convidados surgem para ajudá-lo, dançando e cantando no espírito natalino. Entre os amigos vislumbrados na prévia, estão os atores George Clooney (“Caçadores de Obras-Primas”), Amy Poehler (série “Parks and Recreation”), Maya Rudolph (“Missão Madrinha de Casamento”), Michael Cera (“É o Fim”), Chris Rock (“Gente Grande”), Rashida Jones (“Celeste e Jesse Para Sempre”), Jason Schwartzman (“O Grande Hotel Budapeste”), o músico Paul Shaffer (programa “Late Show with David Letterman”) e a cantora Miley Cyrus (“Lola”). A estreia está programada para 4 de dezembro em todos os territórios onde o Netflix opera.
Polícia Federal prende responsáveis pelo site pirata Mega Filmes HD
Uma operação deflagrada na manhã de quarta-feira (18/11) pela Polícia Federal resultou no fechamento e na prisão do grupo que gerenciava o site pirata Mega Filmes HD. Batizada de Barba Negra, a operação cumpriu dois mandados de prisão temporária visando desarticular uma organização criminosa especializada na prática de crimes contra os direitos autorais. O Mega Filmes HD oferecia um acervo de 150 mil filmes, documentários, séries de TV e shows de forma ilegal. Segundo a Polícia Federal, o site recebeu 60 milhões de visitas únicas mensais no primeiro semestre de 2015 — 85% originadas no Brasil e 15% de locais como Portugal e Japão. Os conteúdos eram oferecidos de forma gratuita, mas o site lucrava com a exibição de anúncios publicitários a seus visitantes. Além de ter realizado as prisões, a PF bloqueou as contas bancárias de sete suspeitos de gerenciar a página. Os investigados serão indiciados não apenas pela violação de direitos autorais, que tem uma pena de dois a quatro anos e multa, mas também por constituição de organização criminosa, que acrescenta ao delito uma pena de três a oito anos de prisão e multa.
Perdido em Marte e Joy disputarão o Globo de Ouro como comédias
O comitê da Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood, que organiza anualmente a premiação do Globo de Ouro, decidiu que os filmes “Joy: O Nome do Sucesso” e “Perdido em Marte” vão competir como Comédias na cerimônia deste ano. Comédias… ou Musicais, afinal, o nome da categoria é Filmes de Comédia ou Musical. O musical marciano e a comédia cinebiográfica cumprirão, assim, a missão de preencher vagas e garantir prêmios em categorias esvaziadas, como Melhor Atriz de Comédia ou Musical, praticamente já definido para Jennifer Lawrence no anúncio desta semana. A tática é uma forma de evidenciar filmes que poderiam ter dificuldades de premiação como dramas. No Globo de Ouro de 2014, por exemplo, “Nebraska” e “O Lobo de Wall Street” concorreram como Comédias – ou Musicais! Se a decisão de definir “Joy: O Nome do Sucesso” como comédia acompanha a tradição de dar prêmios aos filmes do superestimado David O. Russell, é mais difícil imaginar “Perdido em Marte” como uma produção engraçada – ou musical! A definição acabou acontecendo por apenas um voto, e seguiu solicitação do estúdio 20th Century Fox, que ao manifestar sua preferência já projeta prêmios na disputa com as piadas do ano. A cinebiografia “Trumbo” também queria concorrer como comédia, mas até o Globo de Ouro tem limites. Não deixa de ser desmoralizante, porém, que dramas possam disputar como comédias, na contramão da decisão do Emmy 2015, que impediu as redes de TV de buscarem essa facilidade. Graças à firmeza do Emmy, “Orange Is the New Black” deixou de ser comédia para se assumir drama, inclusive vencendo prêmios na nova e correta categoria. Os indicados ao Globo de Ouro 2016 serão anunciados no dia 10 de dezembro e a cerimônia de premiação será realizada um mês depois, no dia 10 de janeiro, com apresentação do comediante Ricky Gervais.
Veja um novo curta animado estrelado por Scrat, de A Era do Gelo
A Fox Film do Brasil divulgou na íntegra um curta animado estrelado pelo personagem Scrat, o esquilo pré-histórico de “A Era do Gelo”. Em versões legendada e dublada, “Scratástofre Cósmica” leva a obsessão por nozes da criaturinha a outro nível. Literalmente, ao espaço. Isto acontece quando ele liga, por acidente, um disco voador congelado. O final inclui participação de outros personagens da franquia. O curta está sendo exibido junto às cópias de “Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme” nos Estados Unidos. O longa estreou em 5 de novembro por lá, mas só chega ao Brasil em 17 de dezembro.
Charlie Sheen revela ser portador do vírus HIV
O ator Charlie Sheen (série “Tratamento de Choque”) revelou que é soropositivo. Em uma entrevista ao programa Today, da rede NBC, exibida na terça (17/11), ele assumiu ser portador do vírus HIV. Ele contou que soube do diagnóstico há quatro anos, época que coincide com o período mais tumultuado de sua carreira, que culminou com sua demissão da série “Dois Homens e Meio” (Two and a Half Men). Quando soube do problema, ele contou ter entrado em espiral. “Pensei que minha vida estava acabada. Fiquei deprimido. Usava muitas drogas e bebia muito”. No estúdio, o médico Robert Huizenga, que trata Sheen, esclareceu os detalhes. Apesar de ser portador do HIV, o comediante não tem Aids. Segundo ele, o tratamento feito pelo ator foi bem sucedido. Exames de sangue mostram que o vírus é indetectável. Sheen, que toma quatro pílulas por dia, revelou ainda que foi chantageado por uma prostituta. Ela encontrou os remédios no banheiro do ator e fotografou. Ele confirmou que gastou US$ 10 milhões (cerca de R$ 38 milhões) na tentativa de comprar o silêncio das pessoas. “Esse é um dinheiro que tomaram dos meus filhos”, desabafou. Apesar disso, o ator de 50 anos afirmou ao apresentador Matt Lauer que nunca mentiu a respeito do assunto para as pessoas com quem manteve relações. “Sempre usei camisinha e fui honesto sobre a minha condição”, disse ele. Sobre a possibilidade de ter infectado outras pessoas, ele foi categórico: “É impossível”. Ele confirmou que Denise Richards e Brooke Mueller, com quem foi casado, sabiam de sua condição. No entanto, logo após a entrevista, Bree Olsen, que namorou o ator há quatro anos, revelou que não sabia disso no começo de seu relacionamento. Ela escreveu no Twitter: “Me lembrei do dia em que passei meia hora fazendo testes de HIV. Isso é muito estressante”. Segundo a imprensa, outras mulheres, com quem ele teria feito sexo desprotegido, estariam se preparando para processá-lo.
Jennifer Lawrence é eleita a estrela mais valiosa de Hollywood
A atriz Jennifer Lawrence foi eleita, pelo segundo ano consecutivo, como a estrela mais valiosa do mundo, em apuração do Vulture, blog de entretenimento da New York Magazine. O site reuniu dados de bilheterias, opinião da crítica, alcance nas redes sociais e pesquisas de popularidade para montar sua lista com as 100 estrelas de cinema mais valiosas do ano. Segundo a publicação, Lawrence vem fazendo “tudo certo”: é adorada pelos fãs e pela crítica e alterna blockbusters milionários com produções menores e de mais prestigio, fórmula que já lhe garantiu um Oscar e outras três indicações, além de um dos maiores salários de Hollywood. Na lista, a atriz é seguida, em ordem decrescente, por Robert Downey Jr., Leonardo DiCaprio, Bradley Cooper, Dwayne Johnson, Tom Cruise, Hugh Jackman, Sandra Bullock, Channing Tatum e Scarlet Johansson, que fecha o Top 10. Em outra apuração, realizada pela revista Forbes, Lawrence também se destacou como a mulher mais bem paga de Hollywood, com rendimentos de US$ 51 milhões no último ano. Entre astros de todos os sexos, ela aparece atrás apenas de Robert Downey Jr., que faturou US$ 80 milhões no período. A atriz será vista novamente nos cinemas a partir desta quarta (18/11), quando estreia “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final”, última parte da franquia que a transformou em estrela de blockbusters.
Gunnar Hansen (1947 – 2015)
Morreu o ator Gunnar Hansen, que ficou conhecido por interpretar o canibal Leatherface no clássico de terror “O Massacre da Serra Elétrica” (1974). Ele faleceu no sábado (7/11) de um câncer no pâncreas, em sua casa, no estado americano do Maine, aos 68 anos de idade. Gunnar Hansen nasceu em 4 de março de 1947 em Reykjavik, capital da Islândia, e se mudou para os EUA com a família quando ainda era criança. Ele passou a maior parte de sua juventude no Texas e estava fazendo pós-gradução em literatura na faculdade, visando virar poeta, quando soube de filmagens na região. Como precisava de dinheiro, procurou o diretor Tobe Hooper e acabou contratado para interpretar o psicopata canibal da motosserra, seu primeiro papel. O teste para viver o personagem foi uma curta entrevista. Em seu livro de memórias, Hansen recorda que o diretor explicou rapidamente o personagem, dizendo que ele tinha problemas mentais e, apesar de parecer aterrador, sofria abusos de sua própria família insana. As sequelas traumáticas de sua infância impediram seu desenvolvimento, a ponto de ele não conseguir falar, apenas grunhir como um porco. “Se eu sei grunhir como um porco? Eu posso aprender”, ele escreveu. “Só mais tarde descobri que não fui contratado pelos meus grunhidos, mas porque eu era o homem mais alto e forte que tinha se candidatado ao papel”. Mesmo assim, Hansen se empenhou para interpretar o monstro, visitando escolas de crianças especiais, para determiner os maneirismos de Leatherface, o assassino que usava uma máscara feita da pele de suas vítimas, como o notório serial killer Ed Gain. Integrante mais assustador de uma família de canibais, ele perseguia com sua motosserra um grupo de amigos, que entrara na estrada errada no interior do Texas. Suas cenas se tornaram antológicas graças à improvisação do ator, que passou a brandir a motosserra de forma perigosa para sua própria segurança. Em busca de realismo, Tobe Hooper filmou até sangue real, quando a atriz Marilyn Burns se cortou inteira ao esbarrar em arbustos durante a perseguição mais famosa da trama, com Leatherface tocando o terror em seu encalço. Em 1999, a revista Entertainment Weekly elegeu “O Massacre da Serra Elétrica” como o segundo filme mais assustador de todos os tempos, atrás apenas de “O Exorcista” (1973). Mas na época em que foi lançado, o filme perturbou muito mais que a superprodução do diabo, sendo proibido em diversos países. No Reino Unido e na Escandinávia, por exemplo, só foi liberado, justamente, em 1999! Após a repercussão de sua estreia, Hansen apareceu em outro terror, “Demon Lover” (1977), num pequeno papel, mas a produção era tão trash que ele decidiu que não valia a pena investir na carreira de ator de filmes de horror. Em vez disso, decidiu seguir seu plano original de se tornar escritor. Hansen se mudou para o Maine e se dedicou a escrever, rejeitando, inclusive, a oferta de um papel em outro clássico, “Quadrilha de Sádicos” (1977), de Wes Craven. Sem sucesso literário, acabou voltando ao cinema em 1988, numa comédia trash de terror rodada em menos de uma semana: “Hollywood Chainsaw Hookers”. Parodiando seu personagem clássico, ele interpretava o líder de um culto de prostitutas adoradoras de motosserras. Desde então, Hansen filmou mais de 20 terrores baratos, alguns feitos diretamente para vídeo e a maioria jamais lançada no Brasil. Sem o pudor de se envolver novamente com motosserras, como em “Chainsaw Sally” (2004) ou em produções intituladas “massacre”, ele enfrentou psicopatas até em sua terra natal, no terror de sobrevivência marítima “Reykjavik Whale Watching Massacre” (2009). Em meio à pilha de lançamentos trash, vale citar ainda “Mosquito” (1995), no qual Gunnar enfrentava mosquitos gigantes com sua motosserra, e “Brutal Massacre: A Comedy” (2007), história de um diretor de terror decadente que tenta realizar sua última obra. Esta produção reuniu o ator com outras lendas do terror, como David Naughton (“Um Lobisomem Americano em Londres”), Ken Foree (“O Despertar dos Mortos”), Mick Harris (criador da série “Masters of Horror”), Ellen Sandweiss e Betsy Baker (ambas de “A Morte do Demônio”). Sua última aparição no cinema acabou sendo, apropriadamente, em “O Massacre da Serra Elétrica 3D – A Lenda Continua” (2013). Ele fez uma pequena participação na sequência, ao lado da colega de elenco Marilyn Burns, além de surgir em cenas extraídas do filme original, usadas como flashback, como o próprio ícone da franquia, o monstro Leatherface.
Melissa Mathison (1950 – 2015)
Morreu a roteirista Melissa Mathison, que foi indicada ao Oscar pela história de “E.T. – O Extraterrestre” (1982). Ela faleceu na quarta-feira (4/11), aos 65 anos, de câncer, em um hospital de Los Angeles. Natural de Los Angeles, Melissa nasceu em 3 de junho de 1950, cresceu em Hollywood Hills, perto do emblemático cartaz de Hollywood, e conviveu desde criança com muitos artistas, que frequentavam a casa de seu pai, chefe de redação da revista Newsweek. Essas amizades de infância acabaram mudando seu destino, fazendo com que desistisse de um trabalho na faculdade de Ciências Políticas de Berkeley para trabalhar no cinema. Sua carreira começou por acaso, com o convite de um amigo da família, que precisava de ajuda no set de seu novo filme. O amigo era Francis Ford Coppola, para quem Melissa costumava trabalhar como baby-sitter. Ela foi ao set de filmagem acompanhar a pequena Sofia, então com três anos de idade, que participaria de uma cena do filme, e auxiliou Coppola a lidar com a filha. O diretor acabou lhe passando outras tarefas e, ao final, a convidou a trabalhar na produção. Melissa estreou no cinema aos 23 anos, como sua assistente no set de “O Poderoso Chefão II” (1974). Coppola não esqueceu da jovem auxiliar ao organizar sua produção seguinte. Ela voltou a ser sua assistente na jornada épica de “Apocalypse Now” (1979), filme em que conheceu seu futuro marido, o ator Harrison Ford. Durante a filmagem, ela ainda ajudou a revisar o roteiro. O que inspirou o diretor a lhe aconselhar a escrever para o cinema. Melissa aceitou o desafio e desenvolveu a adaptação do clássico literário infantil “O Corcel Negro”, que Coppola produziu. Lançado em 1979, o filme se tornou um grande sucesso e foi indicado a dois Oscars. O roteiro de “O Corcel Negro” impressionou outro cineasta no auge de sua criatividade. Há anos, Steven Spielberg queria filmar uma história sobre um alienígena abandonado na Terra, mas, sem consegur encontrar a forma de contá-la, sondou a jovem roteirista. Melissa encontrou o caminho ao escrevê-la como uma fábula sobre um menino e seu melhor amigo, que em vez de ser um cachorrinho era um alienígena perdido, usando sua experiência como baby-sitter para criar diálogos inesquecíveis para as personagens crianças. “E.T. – O Extraterrestre” virou um fenômeno. “Era um script que me deu vontade de filmar imediatamente”, disse Spielberg, nos extras do DVD de “E.T.”. “A voz de Melissa fez uma conexão direta com o meu coração”, ele completou. Ela também atuou como produtora assistente e fez uma figuração como enfermeira no filme, que quebrou recordes de bilheteria, faturando US$ 359 milhões só nos EUA – US$ 792 milhões em todo o mundo. Maior sucesso de 1982, ainda foi indicado a nove Oscars, entre eles os de Melhor Filme e Roteiro. Venceu quatro, de trilha (do mestre John Williams) e prêmios técnicos. Consagrada, ela escreveu outro filme infantil produzido por Coppola, “O Pequeno Mágico” (1983), e o segmento dirigido por Spielberg na antologia “No Limite da Realidade” (1984), homenagem cinematográfica à série clássica “Além da Imaginação” (The Twilight Zone). Mas a ascenção fulminante foi interrompida após seu casamento com Harrison Ford e o nascimento de seus dois filhos. A família optou por se afastar de Hollywood para ir morar em 1983 numa fazenda de 700 acres no interior do Wyoming, onde Melissa priorizou cuidar dos filhos. “Eu tenho duas crianças pequenas”, ela disse à Newsweek, na época. “Eu não quero perder a infância delas me ausentando para escrever filmes sobre outras crianças”. A roteirista só foi voltar a trabalhar após mais de uma década, quando os filhos já estavam mais grandinhos. O retorno se deu, para variar, com a história de uma nova fantasia infantil, “A Chave Mágica” (1995), dirigido por Frank Oz, um dos responsáveis pelo sucesso dos Muppets. Mas a essa altura ela já desenvolvia planos mais ambiciosos. Melissa, que era budista, tinha conhecido o Dalai Lama em 1990, por intermédio do ator Richard Gere, e no encontro o convenceu que sua infância daria um belo filme, capaz de ajudar a promover o budismo. A partir dali, foram várias conversas e revelações, com viagens até a Índia, onde o Lama residia, até a escritora se dar por satisfeita. “Eu sou meio que famosa por histórias de meninhos, e esta é uma história fantástica de menininho, cheia de fantasia, mas totalmente real”, ela explicou, em entrevista ao jornal The New York Times em 1996. O roteiro rendeu uma parceria com outro mestre do cinema, o cineasta Martin Scorsese, que dirigiu sua história em “Kundun” (1997). O filme foi indicado a quatro Oscars. E pelos anos seguintes Melissa se dedicaria à causa da libertação do Tibete, participando do comitê internacional pela independência do país, invadido pela China em 1951. Ela se divorciou de Harrison Ford em 2004 e estava curtindo sua aposentadoria quando Spielberg foi procurá-la no ano passado para retomar a parceria. O cineasta lhe encomendou o roteiro de seu próximo filme, apropriadamente uma fantasia infantil, adaptando o livro “The BFG”, de Roald Dahl, sobre a amizade de uma menina e um gigante camarada, que invade os quartos das crianças para soprar-lhes bons sonhos. Juntos, eles partem para a terra dos sonhos, onde encontram outros gigantes, que não são camaradas e só gostam de crianças como jantar. Mas, com a ajuda da Rainha da Inglaterra, conseguem prendê-los e viver felizes para sempre. Spielberg estava no meio do processo de pós-produção quando Melissa faleceu. Emocionado, ele divulgou uma nota em homenagem à velha amiga, dizendo: “Melissa tinha um coração que brilhava com generosidade e amor e viveu com a mesma luz que deu a E.T.”.
Colin Welland (1934 – 2015)
Morreu o ator e roteirista britânico Colin Welland, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original por “Carruagens de Fogo” (1981). Welland , que sofria do mal de Alzheimer há vários anos, faleceu na segunda-feira (2/11), aos 81 anos, durante o sono, anunciou sua família. Ele nasceu Colin Williams em Lancashire, na Inglaterra, em 4 de julho de 1934, filho de um estivador, e estudou para se tornar professor de Artes Dramáticas em Manchester. Após as aulas, costumava ir a um bar frequentado por funcionários da Granada TV, o canal 3 do Norte da Inglaterra, na esperança de conseguir um emprego na produção de séries. Ironicamente, acabou conhecendo e integrando uma trupe de teatro, que lhe rendeu, após aparecer em algumas peças, convite para atuar numa nova e revolucionária série policial exibida no canal. Sua estreia na TV foi como um dos detetives coadjuvantes de “Z Cars”, drama policial passado no Norte da Inglaterra, com sotaques até então pouco ouvidos na televisão britânica. A trama girava em torno de patrulhas de carros da polícia e marcou época por seu realismo social, explorando a criminalidade derivada do desemprego, ao mesmo tempo em que apresentava um retrato pouco simpático das autoridades. Colin participou das cinco temporadas originais da produção, em 87 episódios exibidos entre 1962 e 1965. Logo depois, foi convidado a estrear no cinema por ninguém menos que Ken Loach, encantando a crítica com seu papel em “Kes” (1969), um dos filmes mais célebres do cineasta inglês. Welland venceu o BAFTA (o Oscar britânico) de Melhor Ator Coadjuvante por interpretar o único professor simpático da trama, que incentivava o jovem protagonista, um estudante pobre e vítima de bulling, cujo único amigo era um falcão. Após aparecer como um pastor em outro clássico de outro mestre do cinema, o ultraviolento “Sob o Domínio do Medo” (1971), de Sam Peckinpah, ele passou a escrever roteiros de TV. Assinou muitos teleteatros para a BBC, deixando a carreira de ator um pouco de lado. Ainda assim, pôde ser visto em “O Vilão” (1971), no filme derivado da série “Sweeney!” (1977) e como um dos protagonistas da série de comédia “Cowboys” (1980-1981), entre outras aparições, cada vez mais raras. Logo escreveu seu primeiro roteiro de cinema, “Os Yankees Estão Voltando” (1979), dirigido por John Schlesinger. O drama, sobre relacionamentos entre soldados americanos e a comunidade britânica durante a 2ª Guerra Mundial, rendeu-lhe uma indicação ao BAFTA de Melhor Roteiro. A repercussão positiva o inspirou a escrever outro drama histórico, sobre dois atletas britânicos, que superaram diferenças de classe e religião para formar um time imbatível nos Jogos Olímpicos de Paris em 1924. Dirigido por Hugh Hudson, “Carruagens de Fogo” (1981) foi indicado a sete Oscars. Venceu quatro, incluindo Melhor Filme e Roteiro Original, escrito por Welland. Além disso, consagrou imagens e uma trilha sonora, assinada por Vangelis, que passaram a representar o espírito olímpico dali em diante. Tanto que, 30 anos depois, a abertura dos Jogos Olímpicos de Londres rendeu-lhe homenagem em 2012. Curiosamente, o filme era tido como azarão no Oscar de 1982. Dramas britânicos não venciam o prêmio de Melhor Filme desde “Oliver”, em 1968. Além disso, a crítica estava dividida desde sua première no Festival de Cannes. Na ocasião, Roger Ebert, fã da produção, juntou os críticos americanos para dar ao filme um prêmio especial, separado dos críticos internacionais, que estavam sendo influenciados pelo repúdio dos franceses à forma como o roteiro tratava seu país. Parte das resenhas americanas também preferiu desdenhar a trama, considerada britânica demais. “A reação a ‘Carruagens de fogo’ na América foi a seguinte: quem quer ouvir a história de dois atletas de 1924?”, lembrou Welland, em um artigo de 2001. “Quando exibimos em Twickenham, um produtor de Hollywood deixou a sala depois de dez minutos. No fim, ele voltou e disse que não tinha interesse. Quando nós ganhamos quatro Oscars, não sei onde ele se escondeu”. Welland também fez história ao receber seu prêmio, rendendo, com seu discurso, um dos grandes momentos do Oscar. Com a estatueta nas mãos, ele bradou “Os britânicos estão chegando!”, alusão a uma conhecida frase da revolução americana, mas também um prenúncio certeiro do que viria. Depois da vitória de “Carruagens de Fogo”, os longas britânicos deixaram de ser azarões, tornando-se favoritos a acumular troféus da Academia de Artes e Ciências de Hollywood. O sucesso também cercou seu próximo trabalho de expectativas. Mas Welland experimentou bloqueio criativo e levou anos para materializar seu roteiro seguinte, “Duas Vezes na Vida”, que só chegou aos cinemas em 1985. A história de infidelidade conjugal, estrelada por Gene Hackman, Ellen Burstyn e Ann-Margret, chegou a ser especulada para o Oscar, mas o próprio escritor implodiu suas chances de indicação, ao admitir que tinha adaptado a ideia de um antigo roteiro televisivo feito para a BBC em 1973. Ele nunca mais conseguiu repetir o sucesso de “Carruagens de Fogo”. Pior que isso, dos dez novos roteiros que escreveu, só dois viraram filmes. Para aumentar a injúria, o script de um deles, “Assassinato Sob Custódia” (1989), sobre as crueldades do apartheid em África do Sul, foi totalmente modificado pela diretora, a francesa Euzhan Palcy. Seu último roteiro de cinema foi a versão britânica de “A Guerra dos Botões” (1995) , refilmagem do clássico francês homônimo de 1962, por sua vez baseado no romance de Louis Pergaud, sobre a rivalidade brutal das crianças de duas vilas vizinhas. Sua maior frustração foi nunca ter conseguido tirar do papel o roteiro sobre a história das locomotivas a vapor, uma invenção do engenheiro Robert Stephenson. “Os produtores americanos disseram que era mais ‘Carruagens de Fogo’ e não se interessaram. Mas era um drama histórico fantástico. Robert Stephenson não sabia ler e escrever, mas foi o maior engenheiro de sua geração. Ele tinha o mundo contra ele e precisou lutar contra os esnobes para realizar uma revolução industrial. E quanto mais eu tentava explicar, mais ouvia: ‘É mais ‘Carruagens de Fogo’”. Sem conseguir emplacar seus roteiros, ele voltou a aparecer como ator em algumas produções televisivas dos anos 1990. Sua última interpretação foi ao ar na série “Bramwell”, em 1998. Logo depois, viria o Alzheimer. “Alzheimer é uma doença cruel, e passamos por momentos difíceis. Mas, no fim, Colin morreu em paz durante o sono. Temos orgulho das conquistas dele ao longo da vida, mas — acima de tudo — vamos sentir falta do amigo, marido, pai e avô amoroso”, disse sua esposa Patricia. Os dois eram casados desde 1962.












