Bolsonaro tenta forçar demissão de Regina Duarte
Após demitir ou levar à demissão seus dois ministros mais populares, Henrique Mandetta e Sergio Moro, agora Jair Bolsonaro se volta a outra integrante de sua equipe para quem prometeu “carta branca” e a quem recebeu no governo com elogios rasgados: a secretária de Cultura, Regina Duarte. O governo de Bolsonaro readmitiu nesta terça-feira (5/5) Dante Mantovani como presidente da Fundação Nacional de Arte (Funarte), uma das primeiras pessoas afastadas na época da posse da ex-atriz da Globo. Para quem não lembra, o olavista Dante Mantovani é o autor da seguinte pérola: “o rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo”. Ele informou à imprensa que foi sondado na semana passada para voltar ao cargo por um assessor do Palácio do Planalto. E que não sabe se Regina Duarte, supostamente sua chefe, foi ao menos avisada. Sua volta ao posto desautoriza a atriz. Ela acontece na véspera de uma reunião marcada (para quarta) entre Regina e o presidente, na qual, tudo indica, Bolsonaro espera que ela se demita. Ela também acontece duas semanas após o presidente mandar demitir o pesquisador Aquiles Brayner, indicado por Regina para a diretoria do Departamento de Livro, Literatura e Bibliotecas. Ele caiu apenas três dias após sua nomeação, sob pressão de perfis radicais nas redes sociais. Segundo Brayner, estes extremistas fazem um “grande complô para derrubar qualquer ação legítima no âmbito da cultura”. Regina Duarte também não conseguiu nomear seu favorito ao posto de número dois da secretaria, o gestor público e produtor Humberto Braga, que igualmente foi alvo de uma campanha nas redes sociais com acusações de ser um “esquerdista” tentando se infiltrar no governo. Empossada no cargo no começo de março, Regina Duarte enfrenta ataques e sabotagens diárias do presidente, do “gabinete do ódio” e seus (supostos) líderes extremistas Olavo de Carvalho e Carlos Bolsonaro, além de subalternos como Sérgio Camargo, o polêmico presidente da Fundação Palmares, que tem respaldo de Bolsonaro. Para assumir o cargo de secretária de Cultura, Regina atendeu a um pedido pessoal de Jair Bolsonaro e precisou encerrar sua relação contratual de mais de 50 anos com a rede Globo. Ela abriu mão de sua carreira, benefícios e um salário muito maior para atender ao apelo do presidente, acreditando em promessas que não foram cumpridas. Atualização: A repercussão da nomeação do presidente da Funarte foi tão grande que Bolsonaro mudou de ideia. Leia aqui. Entretanto, além de Mantovani, também foi nomeado Luciano Barbosa Querido, ex-auxiliar de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, para o cargo de número 2 da Funarte. Barbosa Querido trabalhou com Carlos na Câmara de Vereadores do Rio desde o início dos anos 2000 até o fim de 2017. A nomeação dele, publicada no “Diário Oficial da União”, foi assinada pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio. Ele também foi empossado no cargo sem consulta à Regina Duarte.
Flávio Migliaccio teria cometido suicídio
O ator Flávio Migliaccio encontrado morto na manhã de segunda-feira (4/5) em seu sítio em Rio Bonito, no Rio de Janeiro, teria cometido suicídio. É o que consta no boletim de ocorrência do caso, após a polícia encontrar uma carta de despedida em seu quarto. O corpo do ator foi descoberto pelo caseiro do sítio. A Polícia Militar informou que a ocorrência segue em andamento e aguarda realização da perícia no local. Migliaccio tinha 85 anos de idade e seus últimos trabalhos foram a novela “Órfãos da Terra”, na Globo, e a minissérie “Hebe”, na Globoplay, ambos no ano passado. Saiba mais sobre a carreira do ator aqui.
Stephenie Meyer anuncia mais um livro da saga Crepúsculo
A saga “Crepúsculo” (Twilight) vai ganhar um novo volume, em comemoração aos 15 anos de sua primeira publicação. Stephenie Meyer, a autora dos livros adaptados para o cinema no começo do século, confirmou em seu site oficial o lançamento de “Midnight Sun” (O Sol da Meia-Noite), que foi marcado para 4 de agosto nos EUA — ainda não há confirmação sobre edição no Brasil. “Midnight Sun” foi, durante 12 anos, uma espécie de lenda urbana dos fãs da franquia. O livro seria originalmente publicado em 2008, mas Meyer suspendeu o projeto quando vários capítulos vazaram na internet. Ela teria desistido do lançamento, que ficou “engavetado” e chegou a ser chamado de “livro amaldiçoado” pela escritora. A história é conhecida, mas não apenas devido ao vazamento. Trata-se da mesma trama de “Crepúsculo”, o livro que embalou adolescentes que hoje são trintões. Trata-se da love story sobrenatural de Edward e Bella, personagens vividos no cinema por Robert Pattinson e Kristen Stewart. A única diferença é que, enquanto o livro original era narrado pelo ponto de vista de Bella Swan, a nova obra reconta o relacionamento pela perspectiva de Edward Cullen. Em comunicado anunciando o lançamento, Meyer explicou por que mudou de ideia sobre a obra. “Eu sei que o mundo está uma loucura agora [por causa da pandemia do coronavírus], mas vocês estão esperando por esse livro por tanto tempo que eu não quis deixá-los esperando ainda mais”, ela afirmou. Meyer não repetiu o sucesso da saga “Crepúsculo” em outras publicações. Não por acaso, esta não é a primeira vez que ela volta ao básico de sua história. Em 2015, ela lançou “Vida e Morte: Crepúsculo Reimaginado”, que narrava a mesma trama com papéis invertidos (um rapaz humano se apaixonando por uma vampira).
John Ericson (1926 – 2020)
O ator John Ericson, que estrelou várias produções famosas dos anos 1950, morreu no domingo (3/5) em Santa Fé, no Novo México (EUA), onde vivia desde a década de 1990. Ele tinha 93 anos. Nascido Joseph Meibes em 25 de setembro de 1926, em Düsseldorf, na Alemanha, Ericson estudou na Academia Americana de Artes Dramáticas de Nova York na mesma classe de Grace Kelly, Jack Palance e Don Rickles. Ele se destacou no teatro antes de chamar atenção de Hollywood. Ericson estreou no cinema em “Teresa” (1951), dirigida por Fred Zinnemann, já no principal papel masculino da produção, formando par com Pier Angeli (a Teresa do título). Em seguida, atuou em “Rapsódia” (1954) com Elizabeth Taylor, cantou no musical “O Príncipe Estudante” (1954) e foi irmão de Anne Frances no clássico criminal “Conspiração do Silêncio” (1955), de John Sturges. Sua filmografia eclética inclui ainda quatro westerns consecutivos: “Assassino a Sangue Frio” (1955), “Emboscada Selvagem” (1957), “Na Fúria de uma Sentença” (1958) e “Dragões da Violência” (1957), este último de Samuel Fuller. Em 1960, ele protagonizou a cinebiografia de gângster “Pretty Boy Floyd”, seu último grande papel antes de entrar no estágio de decadência descrito pelo filme “Era uma Vez em Hollywood”. Após estrelar as aventuras italianas “Sob Dez Bandeiras” (1960), “Semiramis” (1963) e “Operação Atlantis” (1965), Ericson percebeu-se restrito à participações em séries. Sua principal realização no período foi uma retomada da parceria com Anne Francis na série de detetives “Honey West”, que durou apenas uma temporada, mas foi muito reprisada após o cancelamento em 1966. Ele nunca mais teve outro papel fixo na TV, mas apareceu em episódios de várias séries clássicas, de “O Fugitivo” a “CHiPs”, além de ter se especializado em filmes B de terror e ação, nenhum deles memorável. Seu último trabalho foi num capítulo da série “Crash”, estrelada por Dennis Hopper, em 2008.
Flávio Migliaccio (1934 – 2020)
O ator Flávio Migliaccio, visto recentemente na novela “Órfãos da Terra”, foi encontrado morto na manhã desta segunda (4/5) em seu sítio em Rio Bonito, no Rio de Janeiro, aos 85 anos. Junto com o corpo, o caseiro do sítio encontrou uma carta escrita pelo ator. A notícia foi confirmada pelo 35º BPM de Rio Bonito, delegacia que ainda investiga a causa da morte. Flávio nasceu no Brás, em São Paulo, em 15 de outubro de 1934, e teve uma longa carreira. Sua estreia como ator aconteceu no teatro, ainda nos anos 1950, ao lado da irmã, Dirce Migliaccio (1933-2009). Os dois participaram de diversas montagens do Teatro de Arena. Décadas depois, Dirce acabou virando a Emília, do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, e também uma das irmãs Cajazeira, de “O Bem Amado”. Do teatro, Flávio foi para as telas. E embora sua carreira televisiva tenha sido notável, seus filmes foram ainda mais impressionantes. A lista incluiu clássicos absolutos como “O Grande Momento” (1958), de Roberto Santos, precursor do Cinema Novo, a antologia “Cinco vezes Favela” (1962), no segmento de Marcos Farias, “Fábula” (1965), de Arne Sucksdorff, “A Hora e Vez de Augusto Matraga” (1965), trabalhando novamente com Santos, “Todas as Mulheres do Mundo” (1966), de Domingos de Oliveira, “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha, “Arrastão” (1967), do francês Antoine d’Ormesson, “O Homem que Comprou o Mundo” (1968), de Eduardo Coutinho, “O Homem Nu” (1968), outra parceria com Roberto Santos, “Pra Frente, Brasil” (1982), de Roberto Farias, só para citar alguns, inscrevendo seu nome na história do Cinema Novo e da comédia contemporânea brasileira. Ele também foi cineasta. Escreveu e dirigiu nada menos que sete comédias, de “Os Mendigos” (1963) até uma produção dos Trapalhões, “Os Trapalhões na Terra dos Monstros” (1989). Paralelamente, deu início à carreira televisiva na antiga rede Tupi, encontrando grande sucesso em 1972 com o papel de Xerife, na novela “O Primeiro Amor”. O personagem se tornou tão popular que ganhou derivado, “Shazan, Xerife e Cia”, série infantil que Flávio estrelou com Paulo José (o Shazan). A atração marcou época. O ator se tornou muito popular com as crianças dos anos 1970, tanto pelo Xerife quanto pelo Tio Maneco, papel que ele criou e desempenhou no cinema e na TV. O primeiro filme, “Aventuras com Tio Maneco” (1971), virou fenômeno internacional, vendido para mais de 30 países. Sua criação ainda apareceu em “O Caçador de Fantasma” (1975) e “Maneco, o Super Tio” (1978), antes de ganhar série, “As Aventuras do Tio Maneco”, exibida pela TVE entre 1981 e 1985. A estreia na rede Globo aconteceu com a novela de comédia “Corrida do Ouro”, em 1974. E vieram dezenas mais, como “O Casarão” (1976), “O Astro” (1977), “Pai Herói” (1979), “Chega Mais” (1980), “O Salvador da Pátria” (1989), “Rainha da sucata” (1990), “A Próxima Vítima” (1994), “Torre de Babel” (1998), “Vila Madalena” (1999), “Senhora do Destino” (2004), “América” (2005), “Caminho das Índias” (2007), “Passione” (2010), “Êta! Mundo Bom” (2017) e a recente “Órfãos da Terra”, exibida no ano passado, em que viveu o imigrante Mamede. Ele também fez muitas séries, com destaque para “Tapas & Beijos” (2011–2015), ao lado de Andréa Beltrão e Fernanda Torres. E se manteve ligado ao universo infantil por toda a carreira, aparecendo nos filmes “Menino Maluquinho 2: A Aventura” (1998), de Fernando Meirelles, e “Os Porralokinhas” (2007), de Lui Farias. A lista enorme de interpretações de Flávio Migliaccio ainda inclui dois dos melhores filmes sobre futebol já feitos no Brasil, “Boleiros: Era Uma Vez o Futebol…” (1998) e a continuação “Boleiros 2: Vencedores e Vencidos” (2006), ambos com direção de Ugo Giorgetti. Em 2014, ele foi homenageado no Festival de Gramado com um Troféu Oscarito honorário pelas realizações de sua carreira. Seus últimos trabalhos foram a minissérie “Hebe”, da Globoplay, e o filme “Jovens Polacas”, de Alex Levy-Heller, lançado em fevereiro passado.
Ator de Game of Thrones quebra recorde mundial de levantamento de peso
O ator e atleta de força islandês Hafthor Bjornsson estabeleceu um novo recorde mundial para o levantamento terra, uma das modalidades do levantamento de peso, ao erguer 501 quilos. O evento foi transmitido ao vivo pelo canal pago ESPN no sábado (2/5), diretamente de sua academia, Thor’s Power Gym, na Islândia. Conhecido por interpretar Ser Gregor Clegane, o Montanha, na série “Game of Thrones”, Bjornsson quebrou o recorde que pertencia ao britânico Eddie Hall, que em 2016 se tornou o primeiro homem a conseguir levantar 500 kg. Ele conseguiu erguer a barra com os pesos por dois segundos, à meia altura, antes de soltá-la e rugir pelo recorde. Como o evento foi realizado sem público, devido à pandemia do novo coronavírus, Eddie Hall, que perdeu o recorde, disse que a façanha não deveria ser considerada oficial pela ausência de uma estrutura competitiva. Bjornsson, que tem 31 anos e 1,80m de altura, também já venceu a competição de homem mais forte do mundo em 2018. Veja abaixo o vídeo com a quebra do recorde mundial. Hafthor Bjornsson has only gone and set the new World Record Deadlift (501kg) beating 500kg, the former World Record previously set by Eddie Hall 😱 pic.twitter.com/UaRI8tu0CX — 𝙎𝙖𝙢𝙞 (@SamiulAmiin) May 2, 2020
Desafio junta Scarlett Johansson, Margot Robbie, Zoe Saldana e dublês em vídeo de lutas virtuais
A dublê e atriz Zoë Bell, que protagonizou “À Prova de Morte” (2007), de Quentin Tarantino, lançou um desafio para as colegas de filmes de ação, envolvendo-as numa briga virtual coletiva. A brincadeira começou no TikTok, primeiro entre dublês, e acabou chegando às outras redes sociais com a participação de estrelas famosas, numa distribuição de chutes, socos e golpes de todos os tipos contra as câmeras. O resultado, muito bem editado e produzido pela própria Bell, pode ser visto abaixo. Além de estrelas como Florence Pugh (“Midsommar”), Scarlett Johansson (“Viúva Negra”), Rosario Dawson (“Demolidor”), Halle Berry (“X-Men”), Zoe Saldana (“Guardiões da Galáxia”), Drew Barrymore, Cameron Dias (ambas de “As Panteras”) e suas dublês, o vídeo também mostra atrizes incorporando personagens de seus filmes, como Daryl Hannah, voltando a viver Ellie Driver, de “Kill Bill” (2004), Lucy Lawless com o chakram de “Xena: A Princesa Guerreira” e Margot Robbie, apelando ao taco de beisebol da Arlequina. Confira abaixo a corrente da porrada à distância, que monstra como as profissionais do cinema de ação estão matando o tédio e mantendo a forma durante o isolamento social preventivo contra a pandemia de coronavírus.
J.K. Rowling doa 1 milhão de libras para ajudar vulneráveis à pandemia de coronavírus
A escritora J.K. Rowling, que criou “Harry Potter” e assina os roteiros da franquia “Animais Fantásticos”, anunciou a doação de 1 milhão de libras esterlinas (aproximadamente R$ 6,8 milhões) para ajudar populações vulneráveis afetadas pela pandemia da covid-19. O anúncio foi feito no sábado (2/5), dia do 22º aniversário da Batalha de Hogwarts, que na saga de “Harry Potter” marca o maior confronto entre os aliados do bruxinho e as forças de Lord Voldemort. Após dizer que parecia inadequado falar de mortes da ficção neste momento em que vivemos, em que tantas pessoas estão perdendo seus entes queridos, Rowling afirmou que faria a doação para ajudar “os mais pobres e mais vulneráveis, que são mais afetados”. Metade da quantia doada pela autora será destinada a uma organização que presta auxílio aos sem-teto, enquanto a outra metade irá para uma instituição voltada a mulheres em situação de violência doméstica. “Como sempre em uma crise deste tipo, os mais vulneráveis são os que mais sofrem”, ela escreveu no Twitter. A doação ocorre um mês após Rowling, que tem 54 anos e é casada com um médico, dizer que havia se recuperado de uma suspeita de covid-19 após ficar doente por duas semanas. Ela disse ter três profissionais de serviços essenciais em sua família imediata e que estava dividida entre “orgulho e ansiedade”. A contribuição de Rowling marca a mais recente doação de uma celebridade aos esforços de assistência. Longe de ser um “grande equalizador”, como disse Madonna, repetindo alguns políticos, a pandemia não afeta ricos do mesmo modo que os pobres, por isso a solidariedade se mostra absolutamente relevante para preservar vidas.
Good Omens: David Tennant e Michael Sheen retomam papéis da minissérie em curta da quarentena
O escritor Terry Pratchett divulgou uma “sequência” de “Belas Maldições” (Good Omens) em homenagem aos 30 anos do livro, que ele escreveu em parceria com Neil Gaiman. Trata-se, na verdade, de um áudio com diálogo inédito, acompanhado por imagens editadas num vídeo de curta-metragem, que traz os personagens centrais nos dias atuais, durante a pandemia do novo coronavírus. Para materializar o projeto, Pratchett alistou os atores David Tennant e Michael Sheen, que protagonizaram a minissérie “Good Omens” – adaptação do livro produzida pela Amazon em 2019 – e voltaram a seus papéis especialmente para a pequena continuação. O áudio registra uma ligação do demônio Crowley (Tennant) para o anjo Aziraphale (Sheen), em que os dois amigos, já acostumados à vida na Terra como representantes do Céu e do Inferno, conversam sobre a quarentena. E, diferente do que se podia imaginar, é o demônio quem enfrenta maior dificuldade para lidar com o tédio, enquanto seu amigo celestial revela estar se divertindo comendo bolos. Veja – na verdade, ouça – abaixo.
Sebastião Salgado lança campanha contra extermínio indígena por covid-19 com apoio da O2 Filmes
A O2 Filmes realizou um vídeo em apoio a uma campanha do fotógrafo Sebastião Salgado para que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário brasileiros intervenham e evitem um extermínio indígena por conta da pandemia do novo coronavírus. Produzido pelo cineasta Fernando Meirelles (“Dois Papas”), o vídeo tem narração do premiado fotógrafo e é ilustrado por fotos que ele tirou ao longo dos sete anos em que conviveu com os povos da Amazônia, além de incluir os rostos de alguns apoiadores famosos. A campanha busca assinaturas numa petição que já conta com mais de 6 mil signatários, incluindo algumas personalidades nacionais e internacionais, como Paul McCartney, Madonna, Chico Buarque, Brad Pitt, Richard Gere, Meryl Streep, Glenn Close, Sylvester Stallone, Sting, João Carlos Martins, Caetano Veloso e os cineastas Oliver Stone, Pedro Almodóvar, Alfonso Cuarón, Alejandro G. Iñárritu e, claro, Fernando Meirelles. A lista também traz os nomes do escritor Mario Vargas Llosa, da modelo brasileira Gisele Bündchen, da apresentadora e empresária americana Oprah Winfrey, do príncipe Albert de Mônaco, do cientista brasileiro Carlos Nobre e muitos outros. “Os povos indígenas do Brasil enfrentam uma ameaça extrema à sua própria sobrevivência devido à pandemia de coronavírus. Há cinco séculos atrás, esses grupos étnicos foram dizimados por doenças trazidas pelos colonizadores europeus. Desde então, sucessivas crises epidemiológicas mataram a maioria de suas populações. Agora, com esse novo flagelo se espalhando rapidamente por todo o Brasil, povos indígenas, como aqueles que vivem isolados na Bacia Amazônica, podem ser completamente eliminados, uma vez que não têm defesa contra o Coronavírus. Sua situação é duplamente crítica, porque os territórios reconhecidos para o uso exclusivo dos povos indígenas estão sendo invadidos por atividades ilegais de garimpeiros, madeireiros e grileiros”, alerta o fotógrafo na petição. “Esses povos indígenas fazem parte da extraordinária história de nossa espécie. Seu desaparecimento seria uma grande tragédia para o Brasil e uma imensa perda para a humanidade. Não há tempo a perder”, completa o texto da campanha, assinado por Salgado e sua esposa, Lélia Wanick Salgado. Para completar a mensagem, o vídeo produzido por Meirelles pede: “pressione o governo”, além de pedir para que a campanha seja compartilhada. O endereço da petição é este aqui), e a iniciativa também tem uma página no Instagram: 2020 Indígenas. Salgado, Meirelles e a O2 Filmes já tinham trabalhado juntos anteriormente num vídeo sobre a Amazônia concebido para eventos da Cúpula do Clima, da ONU, em setembro passado.
John Lafia (1957 – 2020)
O cineasta John Lafia, que co-escreveu o filme de terror “Brinquedo Assassino” em 1988 e dirigiu sua continuação de 1990, suicidou-se em Los Angeles, na quarta-feira passada (29/4). Ele tinha 63 anos. Lafia colaborou com o diretor Tom Holland e o co-roterista Don Mancini na história do filme original. Não apenas ajudou a criar um dos monstros mais famosos do terror moderno como também o batizou. Foi ele quem sugeriu o nome Chucky e criou a frase “Oi, eu sou Chucky, quer brincar?”. “Brinquedo Assassino” foi um dos grandes campeões de bilheteria de 1988 e recebeu um prêmio Saturn de Melhor Filme de Terror do ano. O criador de Chucky se formou em cinema e televisão pela UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles). Ele trabalhou no departamento de arte de “Fugitivos das Galáxias” (1983) e no cultuado “Repo Man: A Onda Punk” (1984), de Alex Cox, antes de progredir para roteiros e direção. A carreira de cineasta começou com “The Blue Iguana”, uma comédia de ação que ele escreveu e dirigiu em 1988, no mesmo ano de “Brinquedo Assassino” – e que teve première no Festival de Cannes. Mas o sucesso de seu terror eclipsou todo o resto. Ao coescrever e dirigir “Brinquedo Assassino 2”, que fãs e críticos consideram o melhor da franquia, consolidou sua identificação com o gênero. Os trabalhos que se seguiram foram episódios da série baseada no terror “A Hora do Pesadelo” e um filme de cachorro feroz, “Max: Fidelidade Assassina” (1993), que ele também escreveu e dirigiu. O fracasso nas bilheterias desse lançamento enterrou sua carreira cinematográfica. Nos 13 anos seguintes, ele ficou restrito a trabalhos televisivos, dirigindo episódios de “Babylon 5” e “The Dead Zone” (O Vidente, na TV aberta) e telefilmes de baixa qualidade, até o teledesastre “Fogo Mortal” (2006). Sem ser remunerado, ele decidiu realizar por conta própria um último projeto, “The Ballad of Frank and Cora”. Lafia escreveu, dirigiu, editou, produziu e ainda desenvolveu a trilha do filme, em parceria com o músico Bill Jones. Mas, com apenas 30 minutos, a ópera rock teve um lançamento limitadíssimo em vídeo em 2013 e nem mesmo o IMDb identifica o responsável pela obra. “The Ballad of Frank and Cora” foi a culminação de outro aspecto pouco conhecido de sua carreira. Lafia fez parte da cena musical underground de Los Angeles na década de 1980. Seu último registro artístico, por sinal, foi uma compilação de suas gravações, um álbum duplo chamado “John Lafia 1980-1985”, lançado em 2019. Ele também recebeu créditos pelo roteiro original de “Brinquedo Assassino” na produção do remake de 2019. Seu co-roteirista nos filmes de Chucky, Don Mancini, se disse arrasado ao saber da morte do antigo parceiro e amigo. “Estamos arrasados ao saber da morte de nosso amigo John Lafia. Ele foi uma parte crucial da família ‘Chucky’ desde o início. Ele co-escreveu o roteiro original de ‘Brinquedo Assassino’, juntamente com o diretor Tom Holland e eu, e John dirigiu ‘Brinquedo Assassino 2’ – o filme favorito entre os fãs de ‘Chucky’. John era um artista incrivelmente generoso. Ele me deixou acompanhá-lo em todas as reuniões e observá-lo no set; ele me ensinou mais sobre cinema durante a produção daquele filme que vários semestres na escola de cinema. John também foi uma das pessoas mais naturalmente curiosas e constantemente criativas que eu já conheci, alguém que estava sempre tirando fotos e anotando idéias”, pronunciou-se Mancini, em comunicado divulgado pelos dois filhos de Lafia.
Dinheiro que pode salvar indústria audivisual está bloqueado há 17 meses por Bolsonaro
Jair Bolsonaro já demonstrou claramente como gosta de governar: criando crises para causar paralisias setoriais. O caso mais dramático acontece na área da Cultura. Ao tomar posse em Brasília, ele transformou o MinC em Secretaria e a subordinou ao Ministério da Cidadania. Poucos meses depois, trocou tudo de novo, transformando a Cultura num apêndice do Ministério do Turismo. Só que “esqueceu” de completar totalmente a mudança, criando impasses no organograma que deixam a pasta numa espécie de limbo, dividida entre dois ministérios. Paralelamente, Bolsonaro também “esqueceu” de nomear representantes de comitês e agências, vetou renovações de leis de incentivo, impediu patrocínios de estatais e reduziu a importância do secretário especial da Cultura até transformá-lo num cargo figurativo e tapa-buraco. Aliados do presidente espalham nas redes sociais que a atual secretária, Regina Duarte, já estaria com os dias contados. Ela foi empossada sob ataques de bolsonaristas e, dois meses depois, ainda não terminou o processo de definir os novos chefes de fundações, museus, entidades, pastas, etc, devido a vetos daquele que teria lhe dado “carta branca”. Quando cair, quem assumir seu lugar provavelmente recomeçará todas as nomeações de novo, com nova “carta branca” de Bolsonaro. A repetição escancarada do método revela a tática de mudar tudo, o tempo todo, para que nada aconteça e ninguém faça coisa alguma. Esta paralisia por incompetência planejada tem acumulado uma fortuna nos cofres do governo. E ajudado a quebrar setores que Bolsonaro considera inimigos. Em crise desde antes da pandemia do novo coronavírus, graças à suspensão de fontes de verbas que dependiam de liberação estatal, a indústria audiovisual brasileira experimenta uma agonia sem precedentes. Enquanto isso, o governo deixa parado mais de R$ 700 milhões do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), que deveriam ter sido liberados no começo de 2019. O método das demissões em série, desorganização estrutural e sabotagem assumida fizeram com que o governo Bolsonaro levasse 12 meses para viabilizar a criação do comitê responsável por formular editais e gerir o FSA. E mesmo formado há cinco meses, o comitê ainda não se reuniu uma vez sequer para deliberar sobre a verba – sua função primordial. Por conta disso, o dinheiro que poderia salvar a indústria audiovisual do país está bloqueado há 17 meses sob o caos criado propositalmente pelo governo Bolsonaro. Embora a secretaria da Cultura tenha sido transferida para o Ministério do Turismo, o comitê gestor do FSA ainda está ligado, em seu organograma, ao Ministério da Cidadania. Essa é uma das confusões propositais que impedem o andamento de muitas medidas. São propositais, porque o presidente não faz nada para colocar ordem na situação, apesar de apelos de representantes do setor e provavelmente da própria Regina Duarte. Mas não há pressa. Para manter tudo parado, Bolsonaro só avança para dar ré. Outro exemplo dessa estratégia de rodar parafuso espanado materializa-se na iniciativa de nomear para a Ancine pessoas que o mercado jamais pressionaria para que assumissem logo suas funções. Bolsonaro indicou em fevereiro um pastor, Edilásio Barra, o Tutuca, e a produtora de um festival evangélico, Veronica Blender, para duas de três vagas que estão abertas na diretoria da Ancine desde o ano passado. Nomes sem nenhuma representatividade, quase nulidades no mercado, e até agora nenhum dos dois foi sabatinado pelo Senado. A situação de Blender é até pior. Sua indicação sequer foi enviada para análise pelo Planalto. Com tanta inércia, o dinheiro do FSA continua aplicado e rendendo juros. Estes juros não podem ser revertidos diretamente em novos projetos. Eles são remetidos ao Tesouro Nacional. Como a taxa Condecine, que gera o montante do FSA, não deixou de ser cobrada, os mais de US$ 700 milhões declarados, relativos a taxação da indústria audiovisual em 2018, já dobraram e começam a triplicar. Os números totais não foram revelados. Mas o governo deve ter mais de US$ 1,5 bilhão da indústria audiovisual bloqueados, enquanto o setor quebra. Como o comitê gestor não formula editais nem providencia a gestão dessa verba, a Ancine resolveu formular sua própria política para o dinheiro, propondo emprestar à juros para cineastas e produtores. O dinheiro, que deveria servir como investimento em fomento, viraria assim instrumento bancário. Só que até esse desvio de objeto – pode chamar de acinte – precisaria de aval do comitê gestor… Enquanto isso, a indústria segue quebrando, porque subestima Bolsonaro. Muitos ainda acham que é possível argumentar com o governo do “e daí?”. Já deveria ser evidente que o FSA só será liberado por via judicial.
Sam Lloyd (1963 – 2020)
O ator Sam Lloyd, conhecido pela série de comédia médica “Scrubs”, morreu na noite de quinta-feira (30/4) em Los Angeles, aos 56 anos, de câncer. O ator ficou famoso como Ted Buckland, o advogado do hospital em que se passava “Scrubs”, coestrelando 95 episódios da série entre 2001 e 2009. O papel marcou tanto que ele o repetiu em mais três episódios de “Cougar Town”, de 2011 e 2012. Ajudou o fato de ambas as séries terem o mesmo roteirista-produtor, Bill Lawrence. Sua carreira, porém, começou uma década antes, em programas clássicos como “Night Court”, “Matlock”, “Mad About You” (Louco por Você, na TV aberta) e até “Seinfeld”. Ele também teve um papel recorrente em “Desperate Housewives” e, no cinema, participou das comédias “Flubber: Uma Invenção Desmiolada” (1997), com Robin Williams, e “Heróis Fora de Órbita” (1999), produção cultuadíssima que reuniu ainda Tim Allen, Sigourney Weaver e Alan Rickman. Entre seus últimos trabalhos estão episódios das séries “Modern Family” (Família Moderna) e “American Housewife” (Bela, Recatada e do Lar) exibidos no ano passado, um pouco antes do ator ser diagnosticado com câncer no pulmão e um tumor cerebral inoperável. O astro de “Scrubs”, Zach Braff, descreveu Lloyd como “um dos atores mais engraçados com quem já tive a alegria de contracenar” em seu Twitter. “Sam Lloyd me fez rir e sair do personagem toda vez que fizemos uma cena juntos. Ele não poderia ter sido um homem mais gentil. Vou sempre amar o tempo que tive com você, Sammy”, completou.












