Estreias | “Mestres do Ar” e “Wonka” são destaques do streaming na semana
O Top 10 de streaming da semana lista 6 séries e 4 filmes, com destaque para 3 minisséries nos apps de assinatura e a chegada de 3 sucessos recentes de cinema ao serviços de VOD (para locação digital), incluindo a maior bilheteria do ano até o momento. Confira a seguir o melhor da programação. SÉRIES MESTRES DO AR | APPLE TV+ A terceira minissérie épica produzida por Tom Hanks e Steven Spielberg sobre a 2ª Guerra Mundial forma uma trilogia com “Band of Brothers” e “The Pacific” na HBO. Cada uma dessas atrações acompanha uma Força Armada diferente. Após o Exército e a Marinha, a nova produção foca nos esforços da Aeronáutica no conflito dos anos 1940. Com cenas impressionantes de combates aéreos e muitas cenas de ação, “Mestres do Ar” destaca as participações dos atores Austin Butler (“Elvis”), Callum Turner (“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”) e Barry Keoghan (“Saltburn”) como pilotos, além da camaradagem dos combatentes e a participação histórica de aviadores negros no conflito, fato que até o filme “Esquadrão Red Tails” (2012) costumava ser ignorados. Os episódios acompanham os desafios dos pilotos dos bombardeiros B-17 em missões perigosas sobre a Europa ocupada pelos nazistas entre 1942 e 1945. Conforme a trama avança, os dramas pessoais e os horrores da guerra proporcionam um panorama detalhado dos sacrifícios e da bravura dos jovens aviadores. Enquanto as cenas de combate aéreo são o grande destaque, demonstrando um alto nível de produção e realismo, a produção série equilibra a ação intensa com momentos de emoção e reflexão sobre as experiências vividas pelos personagens. Os 9 episódios foram inspirados no livro de não ficção de Donald L. Miller, escrito após entrevistas com vários aviadores e pesquisas exaustivas em arquivos sobre a guerra nos céus da Europa. O roteiro está a cargo de John Orloff, que trabalhou anteriormente em “Band of Brothers”, e a lista impressionante de diretores dos episódios inclui Cary Joji Fukunaga (“007: Sem Tempo para Morrer”), Dee Rees (“A Última Coisa que Ele Queria”), Timothy Van Patten (“The Pacific”) e o casal Ana Boden e Ryan Fleck (“Capitã Marvel”). Para completar, o elenco grandioso também inclui Anthony Boyle (“Tolkien”), Nate Mann (“Licorice Pizza”), Rafferty Law (filho de Jude Law), Josiah Cross (“King Richard: Criando Campeãs”), Branden Cook (“Me Conte Mentiras”) e Ncuti Gatwa (“Sex Education”). GRISELDA | NETFLIX Em seu primeiro papel dramático, Sofia Vergara (“Modern Family”) vive Griselda Blanco, poderosa chefona de um cartel de drogas. A personagem é durona, enfrenta ameaças e tiros de rivais, e reage à provocações com muito mais violência, sem receio de sujar as próprias mãos. Melhor de tudo: a história é baseada em fatos reais. Griselda – que também atendia pelos nomes de Viúva Negra, La Madrina e Madrinha da Cocaína – foi uma das maiores traficantes de cocaína dos anos 1980. Mas apesar disso – e de sua proximidade com Pablo Escobar e o cartel de Medellín – , não foi uma personagem de destaque em “Narcos”, série dos mesmos produtores da atual atração – entretanto, sua história já foi contada na tela, no filme “Cocaine Godmother”, de 2017, onde teve interpretação de Catherine Zeta-Jones. A série foi desenvolvida pelo produtor Eric Newman, showrunner de “Narcos” e “Narcos: Mexico”, e os episódios são escritos e dirigidos pelo colombiano Andrés Baiz, que também trabalhou na franquia “Narcos”. A trama retrata a vida de Griselda após sua fuga de Medellin em 1978 e chegada a Miami, onde se envolve no comércio de cocaína, ao mesmo tempo em que precisa lidar com misoginia, machismo, violência e intimidação. A história vai até 1981, quando encontra uma Griselda transformada em uma versão monstruosa de si mesma, impulsionada pelo poder e ganância. A opção de condensar três anos tumultuados da vida de Griselda em seis episódios resulta numa narrativa ágil, repleta de ação, moda e música de época, além de atuações convincentes, especialmente de Vergara, revelando novas facetas de seu talento em um papel sério. EXPATRIADAS | PRIME VIDEO A minissérie baseada no romance de Janice Y.K. Lee, explora as vidas entrelaçadas de três mulheres expatriadas em Hong Kong. Uma delas é Margaret, interpretada por Nicole Kidman (“Apresentando os Ricardos”), uma americana rica que vive na cidade com seu marido Clarke (Brian Tee de “Chicago Med”) e seus três filhos. A vida de Margaret é abalada quando seu filho mais novo desaparece, desencadeando uma espiral de trauma e alienação. A história segue também Mercy (Ji-young Yoo, de “The Sky Is Everywhere”), uma jovem recém-chegada de Nova York que encontra sua vida virada de cabeça para baixo após um encontro casual com Margaret, e Hilary (Sarayu Blue, de “Eu Nunca…”), uma vizinha de Margaret, cujo casamento está desmoronando. A atração é criada, escrita, dirigida e produzida por Lulu Wang, cineasta premiada de “A Despedida” (2019), e seu enredo também captura a dinâmica entre empregadores e empregados domésticos, além de abordar temas como maternidade e política, passando-se durante a Revolução dos Guarda-chuvas de 2014. O ritmo é lento, mas a obra se destaca por sua bela fotografia e por capturar a essência de Hong Kong. SEXY BEAST | PARAMOUNT+ Estreia do cineasta Jonathan Glazer (“Reencarnação” e “Sob a Pele”), “Sexy Beast” foi um filme de gângsteres de 2000 que rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Ben Kingsley. Na trama de cinema, Ray Winstone vivia Gal Dove, um ladrão que resolve se aposentar da vida do crime, saindo em férias com sua mulher e amigos para a Espanha. Mas seu antigo parceiro Don Logan (papel de Kingsley) quer que ele participe de um último grande assalto em Londres e se recusa a aceitar “não” como resposta. Ian McShane também estava no elenco com o poderoso chefão Teddy Bass, que se beneficiaria do crime. A nova série é um prólogo focado no passado criminoso desses personagens, mostrando o começo da parceria entre Gal Dove e Don Logan, na época em que começam a trabalhar para o chefão Teddy Bass, período em que Gal também conhece e se apaixona pela estrela de cinema adulto DeeDee – sua futura esposa. Gal é um ladrão brilhante e Don é um gângster cruel, e os episódios exploraram o complicado relacionamento do par, em meio à loucura sedutora do mundo criminoso de Londres durante os vibrantes e voláteis anos 1990. Os papéis principais são vividos por James McArdle (“Mare of Easttown”) como Gal, Emun Elliott (“Mistério no Mar”) como Don, Sarah Greene (“Normal People”) como Deedee, Stephen Moyer (“True Blood”) como Teddy, além de Tamsin Greig (“Episodes”) no papel da irmã controladora de Don, Cecília. A atração foi desenvolvida por Michael Caleo, roteirista das séries clássicas “Rescue Me” e “Os Sopranos”, além do filme “A Família”, de Luc Besson, e o primeiro episódio tem direção da cineasta Karyn Kusama (“O Peso do Passado”). VICKY E A MUSA 2 | GLOBOPLAY A primeira série musical do Globoplay traz uma história que mistura música pop, mitologia e dilemas da adolescência. A trama se passa no fictício bairro operário de Canto Belo, que, após a pandemia da Covid-19, precisou fechar as portas do único teatro da cidade, distanciando-se de qualquer tipo de manifestação artística. Tudo muda quando a jovem Vicky, interpretada por Cecília Chancez, pede ajuda às musas gregas e aos deuses da Arte, que respondem a seu apelo, assumindo a missão de devolver a alegria, a inspiração e o ritmo para os moradores locais. A musa da música Euterpe, vivida por Bel Lima (do teatro musical), e o deus do teatro Dionísio, interpretado por Túlio Starling (“O Pastor e o Guerrilheiro”), logo se misturam aos mortais para abrir um teatro musical comunitário, que engaja os jovens da trama, entre eles Tabatha Almeida (ex-“The Voice Kids”), Malu Rodrigues (“Minha Fama de Mau”), Nicolas Prattes (“Éramos Seis”), Pedro Caetano (“Sentença”), Cris Vianna (“Império”), Leonardo Miggiorin (“Malhação”), Jean Paulo Campo (“Carinha de Anjo”), João Guilherme (“De Volta aos 15”) e outros. Entretanto, na 2ª temporada, o dono do teatro invadido aparece para reclamar da ocupação – artística, segundo os jovens, criminosa segundo o proprietário. O dilema se instala e é preciso muita música, dança e dramaturgia para resolvê-lo. A série foi criada e escrita por Rosane Svartman, autora do folhetim de sucesso “Vai na Fé”, tem direção artística de Marcus Figueiredo (“Malhação”) e direção de gênero de José Luiz Villamarim (“Onde Está Meu Coração”). MESTRES DO UNIVERSO: A REVOLUÇÃO | NETFLIX Após duas temporadas de “Salvando Eternia”, a continuação enfrenta o desafio de desenvolver uma história completa em cinco episódios. A trama começa com as consequências da saga anterior. Eternia se vê sem um Preternia, seu lado celestial do pós-vida, deixando as almas em limbo ou Subternia. Teela, agora a Feiticeira de Grayskull, tem a missão de reconstruir esse paraíso. Paralelamente, o Rei Randor desafia He-Man a tomar uma escolha crucial entre reinar ou proteger Grayskull. A história ainda introduz o vilão Hordak e seu Exército do Mal, além de abordar o conflito entre tecnologia e magia, com participação de um Skeletor mais instável e aterrorizante. A temporada aposta em cenas de ação para atrair um público mais jovem e inclui diversos personagens queridos pelos fãs, fazendo até referências às diferentes variações da franquia, incluindo piadas meta sobre Gwildor do filme de 1987 e acenos para a recente série CGI. Com roteiros e produção de Kevin Smith (“O Balconista”), a produção destaca as vozes do casal Chris Wood e Melissa Benoist (ambos de “Supergirl”) como He-Man e Teela, Diedrich Bader (“Bela, Recatada e do Lar”) como Randor, Mark Hamill (“Star Wars”) como Skeletor e Keith David (“A Viagem”) como Hordak. FILMES WONKA | VOD* O prólogo musical do clássico “A Fantástica Fábrica de Chocolate” apresenta Timothée Chalamet (“Duna”) no papel de um jovem Willy Wonka, que chega a uma cidade europeia com o sonho de abrir sua própria loja de chocolates e doces. Diferente da versão mais madura e enigmática interpretada por Gene Wilder em 1971 e Johnny Depp em 2005, Chalamet é um Wonka ingênuo e sonhador, cujo amor pelo chocolate é herdado de sua mãe, interpretada por Sally Hawkins (“A Forma da Água”). O filme segue sua jornada enquanto ele tenta estabelecer seu negócio. A narrativa se desenrola em torno das tentativas de Wonka de se destacar no competitivo mundo dos doces, enquanto lida com a manipulação da astuta dona de uma pousada, Mrs. Scrubit, vivida por Olivia Colman (“A Favorita”), e a oposição do Cartel de Chocolate. Com a ajuda de uma órfã esperta e um grupo de cativantes personagens secundários, Wonka se aventura pela cidade, esquivando-se da polícia e experimentando suas invenções. O filme também apresenta Hugh Grant (“Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes”) como um Oompa Loompa, adicionando uma dimensão cômica à história. O diretor Paul King é conhecido por seu estilo visual distinto e habilidade em criar narrativas infantis encantadoras, como demonstrou em “Paddington” e sua sequência. E “Wonka” resulta num deleite visual, com cenários coloridos e extravagantes que lembram uma produção teatral. As canções originais do filme, compostas por Neil Hannon (da banda The Divine Comedy), ainda adicionam um charme musical, enquanto Chalamet e Grant dão vida a clássicos como “Pure Imagination” e “Oompa Loompa”. A abordagem do material é calorosa e acolhedora, sem a malícia presente na adaptação de Mel Stuart de 1971, fazendo de “Wonka” uma celebração do sonho e da imaginação, e uma experiência leve e agradável para o público. FERIADO SANGRENTO | VOD* Eli Roth, o diretor de “Cabana do Inferno” (2002) e “O Albergue” (2005), retorna ao terror, após um longo período distante, com uma produção que segue o modelo clássico dos slashers, incluindo um psicopata mascarado e uma data comemorativa. A trama se desenrola em Plymouth, Massachusetts, e começa com uma cena caótica de liquidação de Black Friday que termina em tragédia. Um ano após o evento, um assassino misterioso começa a matar aqueles que estiveram envolvidos no incidente, vestindo uma fantasia de peregrino e uma...
Estreias | Cinemas recebem dois filmes do Oscar 2024
A programação de cinema desta quinta (25/1) recebe dois lançamentos que disputam o Oscar de Melhor Filme, “Anatomia de uma Queda” e “Vidas Passadas”, mas o circuito amplo privilegia a comédia romântica “Todos Menos Você” e a fantasia infantil brasileira “Príncipe Lu e a Lenda do Dragão”. Outros filmes incluem a continuação do blockbuster nacional “Nosso Lar”, thrillers espanhóis intensos e animações inovadoras. Confira abaixo a relação completa das estreias. ANATOMIA DE UMA QUEDA Filme europeu mais premiado do ano, vencedor do Festival de Cannes e do European Film Awards (o Oscar europeu), o drama de tribunal e suspense da francesa Justine Triet (“Sibyl”) acompanha o julgamento de uma mulher suspeita de matar o marido. O homem foi encontrado ensanguentado no gelo, após uma queda de um andar elevado da casa da família e a única testemunha do que aconteceu é o filho cego do casal, que vive mudando sua versão dos acontecimentos. A trama se desdobra em um mistério: foi acidente, suicídio ou assassinato? A verdade transita entre a vida doméstica do casal e o tribunal, e para expô-la, Triet explora temáticas como sexo, ambição, papéis de gênero, casamento e os julgamentos sociais impostos às mulheres. A narrativa é enriquecida por flashbacks do marido e pelo envolvimento do filho do casal, vivido por Milo Machado Graner, cuja visão prejudicada é tanto um ponto do enredo quanto uma metáfora na história. Este é o tipo de filme que mantém o espectador questionando a verdadeira natureza dos eventos e a culpabilidade dos personagens até o final, provocando reflexões sobre percepção, verdade e justiça. O papel principal é interpretado pela alemã Sandra Hüller (conhecida por “Toni Erdmann”), que também venceu o European Awards na categoria de Melhor Atriz do ano e concorre ao Oscar de Melhor Atriz, que será entregue em março. Ao todo, “Anatomia de uma Queda” disputa a cinco Oscars, incluindo Melhor Direção e Filme do Ano – mas, por motivos muito franceses, não foi selecionado pela França para tentar vaga no Oscar de Filme Internacional. VIDAS PASSADAS O primeiro longa-metragem da cineasta coreano-canadense Celine Song apresenta uma narrativa envolvente que se desenrola ao longo de 24 anos, explorando as relações e o conceito de in-yun, uma conexão pessoal que transcende vidas. A trama segue a jornada de Hae Sung, interpretado por Teo Yoo, e Nora, vivida por Greta Lee, dois amigos de infância de Seul que se separam quando Nora emigra para Toronto com sua família. A história avança 12 anos, quando os dois se reconectam virtualmente, compartilhando conversas pelo Facebook e Skype. Nora, agora uma dramaturga, e Hae Sung, um estudante de engenharia, discutem sobre suas vidas, transformações e memórias, enquanto Nora se adapta a uma nova identidade em uma cultura diferente. Essa reconexão virtual revela sentimentos não resolvidos entre eles, embora Nora esteja casada com Arthur, um escritor interpretado por John Magaro. A presença de Arthur adiciona tensão à história, pois ele representa um novo capítulo na vida da protagonista e um obstáculo potencial ao reencontro com Hae Sung. Mesmo assim, Hae Sung decide visitar Nora em Nova York, desencadeando uma série de emoções e reflexões sobre as escolhas feitas e os caminhos não percorridos. “Vidas Passadas” destaca a complexidade das relações humanas e o impacto da distância e do tempo em amizades e amores passados. A cinematografia e a trilha sonora intensificam a atmosfera de nostalgia e introspecção, enquanto a direção de Song conduz habilmente uma jornada emocional que questiona o destino, a identidade, existências paralelas e o significado das conexões humanas ao longo do tempo, fazendo com o espectador se veja refletido na tela, questionando sua própria trajetória. Inspirada em sua própria experiência pessoal, a estreia de Celine Song foi considerada tão impressionante que concorre a dois Oscars: Melhor Roteiro Original e Filme do ano. TODOS MENOS VOCÊ Sucesso nas bilheterias dos EUA, o filme é apontado como responsável por resgatar o gênero das comédias românticas no cinema. Com uma abordagem jovem e contemporânea, a produção revitaliza o gênero sem inovar na fórmula, que segue uma estrutura clássica – da peça “Muito Barulho por Nada”, de William Shakespeare. Na história, os personagens de Sydney Sweeney (conhecida por “Euphoria”) e Glen Powell (de “Top Gun: Maverick”) são antigos colegas de faculdade que reatam a convivência ao serem convidados para o casamento de um amigo em comum. A situação se complica quando descobrem que seus ex-namorados também estão na lista de convidados, levando-os a combinar um relacionamento falso para criar um clima. Só que tem um detalhe: os dois na verdade nunca se suportaram. A premissa é das mais conhecidas do gênero, envolvendo um casal que se repudia até se apaixonar. Tudo acontece durante um casamento na Austrália, onde a combinação de paisagens deslumbrantes, atuações carismáticas e um roteiro bem elaborado resultam numa diversão leve e descomplicada. A direção é de Will Gluck (de “A Mentira” e “Pedro Coelho”), que também assina o roteiro em parceria com Ilana Wolpert (de “High School Musical: A Série: O Musical”), e o elenco ainda inclui Alexandra Shipp (“X-Men: Apocalipse”), Hadley Robinson (“O Pálido Olho Azul”), Michelle Hurd (“Star Trek: Picard”), Dermot Mulroney (“Invasão Secreta”), Darren Barnet (“Gran Turismo”), Rachel Griffiths (“A Sete Palmos”) e Bryan Brown (“Deuses do Egito”). AS BESTAS O suspense de Rodrigo Sorogoyen (“Madre”), um dos diretores mais aclamados do cinema contemporâneo espanhol, é baseado num caso criminal real na Espanha. Construído como uma tragédia, o enredo acompanha o casal francês Antoine (Denis Ménochet) e Olga (Marina Foïs), que se mudam para a região da Galícia, na Espanha, com o objetivo de adotar práticas agrícolas sustentáveis. Eles se encontram em oposição a dois irmãos locais, Xan (Luis Zahera) e Lorenzo (Diego Anido), cuja hostilidade contra os “estrangeiros” vai além do mero desagrado. O filme explora as tensões entre os personagens principais, enfatizando um conflito cultural e ideológico no ambiente rural. O roteiro, coescrito por Sorogoyen e Isabel Peña, desenvolve uma narrativa onde os confrontos são intensificados pela recusa de Antoine em vender suas terras para projetos de energia eólica, algo desejado por muitos na comunidade. Esse impasse gera uma série de eventos hostis, incluindo sabotagem e intimidação, à medida que a tensão entre o casal e os irmãos aumenta. Além de atuações intensas, a obra é notável pelo seu aspecto visual e técnico. Apesar de alguma controvérsia relacionada à representação dos personagens locais, “As Bestas” recebeu nove prêmios Goya em 2022, incluindo Melhor Filme e Direção. O REFÉM – ATENTADO EM MADRI O thriller espanhol acompanha as consequências de um atentado terrorista e apresenta uma parceria já estabelecida entre o diretor Daniel Calparsoro e o talentoso ator Luis Tosar, que previamente colaboraram em “Até o Céu” (2020) – e na série homônima da Netflix – , recebendo elogios da crítica. A história se concentra em Santi, interpretado por Luis Tosar, um taxista que, de forma inesperada, se torna refém do único terrorista sobrevivente do atentado fracassado. A reviravolta acontece quando Santi é forçado a se tornar uma bomba humana, caminhando pela Gran Vía de Madrid com um colete explosivo. Esse cenário tenso estabelece o tom para a ação frenética e uma complexa interação entre os serviços de inteligência, as forças de emergência e os meios de comunicação espanhóis. A atuação de Tosar como Santi é um ponto alto da produção, destacando-se na representação de um homem comum enfrentando uma tragédia extraordinária. Graças a seu desempenho, o longa supera o formato padrão de thriller, tornando-se uma reflexão sobre a condição humana diante de circunstâncias extremas. NAUEL E O LIVRO MÁGICO O filme chileno-brasileiro de animação, dirigido por Germán Acuña, narra a história de um menino, Nauel, que vive com seu pai pescador e tem um medo intenso do mar. A vida do garoto muda drasticamente quando ele descobre um livro mágico antigo e atrai a atenção de um feiticeiro malicioso que quer o livro para si. A situação se agrava quando o pai de Nauel é sequestrado pelo vilão, levando o garoto a embarcar em uma jornada perigosa para resgatá-lo e enfrentar seus temores. Repleto de elementos tradicionais, como animais falantes e uma jovem que ajuda o protagonista a encontrar coragem, a história, direcionada principalmente ao público infantil, faz de Nauel um personagem com o qual crianças podem se identificar, aprendendo a lidar com seus próprios medos. Mas ainda que siga uma fórmula tradicional, o longa se diferencia por seu estilo visual marcante. A animação mistura técnicas digitais com traços que remetem aos animes dos anos 1970, além de contar com cenários bem elaborados, que criam um ambiente cativante e atraente. O resultado evidencia a qualidade crescente da cena de animação da América Latina. BIZARROS PEIXES DAS FOSSAS ABISSAIS A animação do diretor Marão acompanha uma tartaruga urbana com transtorno obsessivo-compulsivo, dublada por Rodrigo Santoro. O filme explora a obsessão da personagem pela ordem e limpeza através de detalhes visuais, em vez de diálogos. Mas uma enchente inesperada a arrasta do conforto de sua loja ao caótico centro do Rio de Janeiro, onde ela encontra um ambiente desordenado que desafia suas compulsões. O elenco de vozes também conta com a atriz Natália Lage como a protagonista feminina, uma mulher com superpoderes excêntricos, e o dublador Guilherme Briggs, que empresta sua voz a uma nuvem com características particulares. Juntos com a tartaruga, eles formam o trio central de personagens, que embarcam numa jornada única, desde a Baixada Fluminense até as profundezas oceânicas das fossas abissais, passando por Araraquara e Sérvia, enfrentando rinocerontes espaciais pelo caminho, enquanto buscam de cacos de um jarro que formam um mapa. A trama inusitada é acompanhada por uma estética anárquica, criada por Marão e sua pequena equipe, que mistura técnicas diferentes de animação para refletir um espírito caótico: cenas em preto e branco são sucedidas por sequências coloridas e texturizadas, enquanto os personagens transitam entre momentos de introspecção e caricaturas cômicas. Misturando ação, humor e elementos de fantasia num cenário brasileiro, a animação conclui com um desvio para o drama familiar, oferecendo uma experiência de entretenimento diferenciada e marcada pela criatividade. PRÍNCIPE LU E A LENDA DO DRAGÃO O segundo longa-metragem de Luccas Neto produzido para os cinemas apresenta uma aventura ambientada em um reino medieval, onde Neto interpreta o personagem principal. A história segue a jornada de Lu, um príncipe jovem e desinteressado, que enfrenta a tarefa de amadurecer rapidamente devido a uma profecia que ameaça seu reino com a aparição de um dragão. Apesar da criatura estar no título, este elemento-chave da trama quase não aparece o filme, que segue uma estrutura narrativa convencional de contos de fadas, incluindo reis, espadas, dragões e princesas. Dirigido por Leandro Neri, o longa infantil também conta com Maurício Mattar e Flávia Monteiro, como os pais reais de Lu, e Renato Aragão, o eterno Trapalhão, que assume agora o papel de simples coadjuvante, como mentor do jovem protagonista. NOSSO LAR 2 – OS MENSAGEIROS A sequência do blockbuster espírita lançado em 2010, baseado na obra homônima psicografada pelo médium Chico Xavier, acompanha um grupo de mensageiros da cidade Nosso Lar, liderados por Aniceto (Edson Celulari), que vai à Terra com o objetivo de ajudar a salvar três de seus protegidos que estão prestes a fracassar. Com histórias que se cruzam, um é médium que não cumpriu o planejado em sua missão, outro é líder de uma casa espírita e o terceiro é um empresário responsável por uma oficina espiritual. Com direção de Wagner de Assis (do primeiro “Nosso Lar”), o filme também traz no elenco Vanessa Gerbelli (“Maldivas”), Fábio Lago (“Tropa de Elite”), Julianne Trevisol (“Os Mutantes”), Othon Bastos (“O Paciente: O Caso Tancredo Neves”) e Fernanda Rodrigues (“O Outro Lado do Paraíso”), além de Renato Prieto (“Nosso Lar”), que retoma o papel do médico André Luiz, protagonista do primeiro filme e um dos espíritos autores mais frequentes nas obras de Xavier. Bastante didático, o filme tem objetivo de conversão, buscando transmitir ensinamentos espíritas, enquanto oferece aos espectadores...
BBB | Boninho interviu? Bate-Papo inofensivo segue discurso sem conteúdo de Tadeu
Vinicius Rodrigues teve um tratamento completamente diferente dos eliminados anteriores no “Bate-Papo BBB” da madrugada desta quarta (24/1). Enquanto os demais foram cobrados por falas machistas e atitudes equivocadas no programa, o atleta contou até com cumplicidade dos apresentadores Thais Fersoza e Ed Gama em suas piadas de cunho “pegador”. Em contraste ao clima depressivo da participação de Nizam Abou Jokh, que apenas 48 horas antes tinha chorado e pedido desculpas ao Brasil, a passagem de Vinicius pelo interrogatório pós-eliminação foi marcada por clima leve e risos. As poucas controvérsias lembradas foram usadas com luvas de pelica. Não teve VAR da conversa polêmica sobre o corpo de Yasmin Brunet, com a desculpa de que o vídeo já tinha sido muito mostrado (ele nunca viu), nem mesmo lembrança do discurso de Tadeu Schmidt sobre falta de “posicionamento”, situação destacada na saída de Lucas Pizane e esquecida agora com Vinicius, cúmplice da mesma conversa que, até segunda-feira (22/1), era considerada muito crítica. Intervenção? A mudança de tom foi gritante o suficiente para sugerir uma intervenção da produção, após comentários nas redes de que Thais estaria pegando pesado. De fato, o que mais chamou atenção foi a alteração radical do comportamento da apresentadora, incisiva e firme com Nizam, mesmo diante de lágrimas, e seu jeito tranquilo e sem qualquer cobrança diante de Vinicius. Não por acaso, o brother entrou e saiu do Bate-Papo sem saber por que foi eliminado, nem a razão de seu grupo ter caído em desgraça com o público. Ele articulou isso na entrevista. “Eu acho que o paredão vai muito com quem você vai. A gente não entende muito lá”, disse o atleta. A falta de clareza, na verdade, começou com o discurso confuso e sem conteúdo de Tadeu Schmidt para despachar o brother. “Quando alguém é eliminado do BBB é possível dizer qual foi a causa? Às vezes dá sim para dizer, às vezes é impossível”, resumiu o apresentador, jogando a sujeira para baixo do tapete, enquanto assobiava. Omissão Na noite de segunda, a Globo já tinha omitido a fala mais machista de toda a temporada, capaz de deixar a conversa sobre o corpo de Yasmin com vergonha. O próprio Vinicius participou do assunto (novamente), que envolveu reduzir mulheres do confinamento a seus órgãos sexuais – “x*reca”, no linguajar dos “brincalhões”. Foi a pauta do dia nas redes sociais, mas não ganhou um take sequer na edição do reality na TV aberta – ou menção no Bate-Papo. Em vez disso, Tadeu pintou Vinicius como um cara romântico por dar em cima de Isabelle Nogueira, inclusive torcendo pelo casal – no instante em que frase “golpe de x*reca”, associada a Isabelle pelos brothers, reverberava em volume máximo no X (o antigo Twitter). Assim, percebe-se que a mudança não se restringiu ao “Bate-Papo BBB”. Foi um pacote completo, com omissão na edição da TV aberta, que até então vinha mostrando tudo de ruim sem censura, seguida por diferenças visíveis no discurso de eliminação e na entrevista pós-eliminação. Coincidência ou não, isso aconteceu no momento em que o primeiro Camarote saiu do programa. Também aconteceu após Gretchen usar sua influência para conclamar um boicote aos homens da edição, pedindo eliminação de todos, um por um – para se fazer Justiça, note-se que Matteus Amaral tem se mostrado o oposto dos demais. Boninho sentiu? Repetição? Importante lembrar que a Globo teve enorme dificuldades de lidar com o machismo no “BBB 23”. A falta de controle levou até a expulsão de dois brothers por importunação sexual. Entretanto, nunca houve “posicionamento” do programa contra as diversas falas disparadas contra Larissa Santos, objetificada por vários participantes, embora outras pautas sociais tenham sido trazidas em discursos pelo apresentador Tadeu Schmidt. Essa falha da emissora, inclusive, pode ter sido um dos fatores do engajamento do público em torno das quatro Desérticas, que foram juntas até o final, deixando pelo caminho os favoritos das páginas de fofoca e até de integrantes da própria produção – em posições confessadas no Twitter (o atual X). A equipe do “BBB 24” se vê agora diante do mesmo dilema. Só que, desta vez, o gênio já saiu da garrafa. O diferencial dos primeiros episódios da temporada foi justamente apontar o dedo para as situações incômodas, sugerindo ter havido reflexão e decisão de não repetir o erro do “BBB 23”. Ou seja, palavras e atitudes foram exibidas às claras para todo o Brasil. Entretanto, até semana passada a polêmica só “afetava” Pipocas anônimos – primeiros eliminados no que agora já se percebe como fila. A saída de Vinícius e a rejeição nas redes sociais à Rodriguinho poderiam estar por trás da aparente mudança de rumo? Mas como corrigir a rota com uma guinada brusca de 180 graus, após até Gretchen se manifestar? Ana Maria Braga também vai server um café light para o eliminado? “Posicionamento” O fato é que a situação ficou muito mais grave nos últimos dias, em contraste com a súbita mudança de tom, com risadinhas. Não é possível que os produtores do “BBB” compactuem com quem reduz mulheres a “x*ereca”, mas esconder essas falas do público do sofá e tratar os envolvidos com luvas de pelica é se enquadrar no discurso de Tadeu sobre “posicionamento” e, sinceramente, passar um grande pano para o machismo. Se a opção for mesmo adotar essa linha, as cenas dos bastidores do reality correm o risco de se tornarem mais polêmicas que as exibidas na TV.
Norman Jewison, diretor de “No Calor da Noite” e “Feitiço da Lua”, morre aos 97 anos
O aclamado diretor Norman Jewison, responsável por clássicos como “No Calor da Noite” (1967) e “Feitiço da Lua” (1987), faleceu aos 97 anos. Ele morreu no sábado (21/1) no West River Health Campus, um lar de idosos em Evansville, Indiana (EUA), conforme anunciado por seu agente. A causa da morte não foi divulgada. Jewison era conhecido pela sua capacidade de dirigir uma variedade de gêneros, desde dramas raciais e thrillers estilosos até musicais e comédias românticas. Seu talento em extrair performances excepcionais de atores rendeu-lhe sete indicações ao Oscar e o Prêmio Memorial Irving G. Thalberg em 1999. Começo da carreira e consagração Nascido em Toronto em 1926, Jewison se aventurou no entretenimento desde jovem, estudando piano e teoria musical no Conservatório Real. Após servir na Marinha Real Canadense, graduou-se na Universidade de Toronto e deu seus primeiros passos na direção, dirigindo especiais musicais na televisão. Sua jornada em Hollywood começou com comédias leves, como “20 Quilos de Confusão” (1962), “Tempero do Amor” (1963) e “Não Me Mandem Flores” (1964), as duas últimas estreladas por Doris Day. No entanto, foi com um drama racial que Jewison estabeleceu sua reputação como um diretor sério. “No Calor da Noite” (1967) trouxe Sidney Poitier na pele do detetive Virgil Tibbs, um papel que desafiou as convenções raciais da época e se tornou um ícone. Investigando um crime em uma pequena cidade do sul dos EUA, o detetive negro chega a dar um tapa num rosto de um branco racista, uma “ousadia” nunca vista no cinema até então. “Foi um filme que abriu portas e iniciou conversas importantes”, refletiu Jewison. A produção venceu o Oscar de Melhor Filme. No começo da carreira, ele também dirigiu Steve McQueen nos clássicos “A Mesa do Diabo” (1965) e “Crown, o Magnífico” (1968), além de ter marcado época com o musical “Jesus Cristo Superstar” (1973), que transformou a vida de Jesus num espetáculo controverso e, ao mesmo tempo, popular, baseado numa montagem da Broadway. Outros destaques Entre seus filmes mais notáveis, “Um Violinista no Telhado” (1971), “A História de um Soldado” (1985) e “Feitiço da Lua” (1987) renderam-lhe novas indicações ao Oscar, mas Jewison também se destacou com diversas outras produções cultuadas, como a comédia “Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!” (1966), o policial “Justiça para Todos” (1974), a sci-fi “Rollerball: Os Gladiadores do Futuro” (1975) e o drama “Agnes de Deus” (1985). Entre seus últimos filmes, ele também dirigiu “O Furacão” (1999), biografia de um boxeador que foi injustamente condenado por assassinato – e que rendeu uma indicação ao Oscar para o astro Denzel Washington. Seus últimos trabalhos foram o telefilme dramático “Jantar com Amigos” (2001) e o drama “A Confissão” (2003), em que Michael Caine vivia um ex-nazista foragido. Ele se aposentou das telas há duas décadas e, ultimamente, dedicava-se ao Centro Canadense de Estudos Avançados em Cinema, contribuindo para a formação de novos cineastas. “O cinema tem o poder de mudar corações e mentes”, disse Jewison em uma de suas últimas entrevistas. “E é isso que sempre tentei fazer com meus filmes – contar histórias que importam e que ressoam com as pessoas”.
Marlena Shaw, cantora do hit “California Soul”, morre aos 81 anos
A cantora Marlena Shaw, conhecida pelo sucesso “California Soul”, morreu na sexta (19/1) aos 81 anos. A notícia foi divulgada foi divulgada no Facebook por sua filha, Marla, sem detalhes sobre a causa da morte. “Olá a todos, é com um coração muito pesado que, em nome de mim mesma e da minha família, anuncio que nossa amada mãe, seu ícone e artista adorada, Marlena Shaw, faleceu hoje às 12:03”, disse Marla no vídeo. “Ela estava em paz, estávamos em paz”, completou. Carreira e sucessos Nascida em New Rochelle, Nova York, em 1942, Shaw assinou com a Chess Records, famosa gravadora de blues/R&B de Chicago, em 1966. Seu maior sucesso, “California Soul”, foi lançado em seu álbum de 1969, “The Spice of Life”. “California Soul” foi escrita por Ashford & Simpson e gravada inicialmente por The Messengers, mas foi a versão da cantora que se tornou icônica, tornando-se uma das mais sampleadas da História do hip hop – com trechos aparecendo em gravações de Gang Starr, DJ Shadow, Diplo e Nightmares on Wax, entre outros – , além de integrar trilhas sonoras de blockbusters como “Uma Saída de Mestre” (2003) e “O Poder e a Lei” (2011), sem esquecer o videogame “Grand Theft Auto V” (2013) e muitos anúncios de televisão. A faixa possui mais de 100 milhões de streams no Spotify. Ela também fez muito sucesso com o álbum “Sweet Beginnings” de 1977, o disco de maior vendagem de sua carreira, graças à faixa “Look at Me, Look at You”, que duas décadas depois retornou como hit na cena rare groove/acid jazz britânica. Ela também emplacou um grande hit com “Don’t Ask to Stay Until Tomorrow”, música-tema do filme “À Procura de Mr. Goodbar”. Marlene Shaw teve uma carreira de cinco décadas e seguia ativa até recentemente. Em 2015, ela se apresentou no SESC Pompeia, em São Paulo.
Mary Weiss, líder do grupo Shangri-Las, morre aos 75 anos
Mary Weiss, vocalista principal do grupo Shangri-Las, famoso nos anos 1960 por sucessos como “Leader of the Pack” e “Give Him a Great Big Kiss”, faleceu aos 75 anos. Sua morte foi confirmada por Miriam Linna da Norton Records, que lançou o único álbum solo de Weiss em 2007. A causa da morte não foi divulgada. “Mary era um ícone, uma heroína, para homens e mulheres jovens da minha geração e de todas as gerações”, disse Linna. Inovação Junto com as Ronettes, as Shangri-Las simbolizam mais do que qualquer outro grupo feminino a era dos girl groups. Weiss estava no centro do som e da imagem do grupo, com uma voz jovem e ansiada que ecoava no rádio, e longos cabelos loiros que a tornaram objeto de inúmeros admiradores na época. Com uma série de músicas pop marcantes escritas por George “Shadow” Morton, Ellie Greenwich e Jeff Barry e produzidas por Morton, o auge do grupo foi breve — apenas 1964 e 1965 — mas seu impacto foi atemporal. As Shangri-Las inovaram com a música “Leader of the Pack”, que gerou inúmeras imitações e foi incluída no Rock and Roll Hall of Fame. Suas músicas frequentemente abordavam relacionamentos problemáticos com “bad boys”, incorporando uma sexualidade revolucionária para as garotas da época. Além das letras modernas, o quarteto feminino tinha um visual que foi muito copiado e marcou os anos 1960 antes da era hippie. Musicalmente, representaram ainda o “wall of sound”, um estilo de produção que incorporava ecos, efeitos sonoros e fazia tudo soar épico. Trajetória Weiss, criada no Queens, Nova York, e sua irmã Betty frequentaram a mesma escola que as futuras colegas de banda, as gêmeas Margie e Mary-Ann Ganser. O grupo começou a se apresentar em clubes noturnos em 1963, chamando a atenção do produtor Artie Ripp, que orquestrou o primeiro contrato de gravação do grupo. Ele ajudou a arranjar o primeiro contrato de gravação do grupo com a Kama Sutra, levando à primeira gravação em dezembro de 1963, “Simon Says”. O sucesso veio com “Shadow” Morton, associado de Phil Spector (produtor das Ronettes), que escolheu as garotas para gravar “Remember (Walking in the Sand)”. A música alcançou o número 5 no Billboard Hot 100 no verão de 1964 e estabeleceu o grupo no cenário musical. Ainda naquele ano, “Leader of the Pack” chegou ao número 1, uma miniópera adolescente com uma dramática introdução falada e efeitos sonoros de motocicleta. Com o lançamento e apresentações na TV, Morton destacou a habilidade de Weiss como atriz, não apenas como cantora. O grupo se apresentou com os Beatles, fez turnês com os Rolling Stones e apareceu em vários programas de TV da época, continuando a fazer sucesso com hits como “Give Him a Great Big Kiss” e “Out in the Streets”. A imagem de adolescentes duronas, mas vulneráveis de Nova York era genuína. “No começo, não nos dávamos bem”, lembrou Weiss, falando sobre as gêmeas Ganser. “Elas eram meio rudes, com gestos e linguagem e mascando chiclete e meias rasgadas. Nós dizíamos, ‘Não é legal, vocês devem ser damas’, e elas respondiam, ‘Não queremos ser damas'”. Weiss observou que o grupo era apenas adolescente — ela tinha apenas 15 anos quando “Remember” foi lançada — e enfrentou instabilidade na formação; todos os membros, exceto Weiss, deixaram o grupo em algum momento. A onda dos girl groups foi ofuscada pela Invasão Britânica – de Beatles, Stones, The Who, etc – e pela psicodelia, e as Shangri-Las se separaram em 1968 em meio a uma série de processos judiciais. Weiss tinha 19 anos na época e as batalhas legais a mantiveram afastada do mundo da música por uma década. “Minha mãe meio que assinou minha vida quando eu tinha 14 anos”, disse Weiss. Legado Apesar da carreira curta, as Shangri-Las deixaram um grande legado. Primeiro foram os Beach Boys e os grupos vocais contemporâneos da surf music, que se inspiraram no wall of sound para criar harmonizações em hits da mesma era. Depois, chegou a vez de artistas da geração glam como Suzi Quatro e os New York Dolls, grande influência no punk rock – a banda nova-iorquina até incorporou “Give Him a Great Big Kiss” em seu repertório. Em seguida, a banda Blondie baseou seu som no estilo dos girl groups, com Deborah Harry adotando até o visual de vestidos curtos. Os Ramones, B-52s e as Go-Go’s também assumiram influência do grupo, assim como, em tempos mais recentes, Lana del Rey, Duffy e a falecida Amy Winehouse. Além disso, o repertório do musical “Grease” foi praticamente baseado no estilo vocal e nas apresentações teatralizadas das Shangri-Las. O quarteto ainda voltou a se juntar em 1976, contratado pela Sire Records, mas ficou insatisfeito com as músicas gravadas, que até hoje permanecem inéditas. Depois disso, se reuniram ocasionalmente para turnês. Weiss, porém, só lançou um único álbum solo, “Dangerous Game”, em 2007. Ela falou dos desafios que enfrentou na indústria musical sexista dos anos 1960, como adolescente, no livro “But Will You Love Me Tomorrow?”, lançado no ano passado.
Estreias | Novos “Zorro” e “Jogos Vorazes” chegam ao streaming
O fim de semana promete ser uma aventura em streaming, com os lançamentos da nova série do “Zorro” e a chegada do prólogo de “Jogos Vorazes” ao circuito de VOD (locação digital). O Top 10 especialmente selecionado com as novidades da programação ainda traz opções para fãs de biografias, moda, mistérios, suspense, sci-fi, anime e comédia animada adulta. Confira as sugestões de estreias para degustar em casa – ou levar pra viagem. SÉRIES ZORRO | PRIME VIDEO A nova série sobre um dos mais famosos heróis da ficção traz Miguel Bernardeau (“Elite”) com a máscara do herói de capa e espada, em cenas de esgrima e muita ação, com direito a algumas referências à Batman (que Zorro inspirou nos quadrinhos). Na trama, Bernardeau interpreta Diego de la Vega, um herdeiro rico de terras que à noite se disfarça para virar o herói mascarado do povo, enfrentando a tirania de um governo corrupto. Na atração, ele contracena com a mexicana Renata Notni, conhecida por outra série da Netflix, “A Vingança das Juanas”, que tem o papel de Lolita Marquez, o amor de sua juventude. Desenvolvida pelo roteirista espanhol Carlos Portela (de “As Telefonistas”), a produção é uma versão moderna do herói, mas passada no período de sempre, o início dos anos 1800, em Monterey, na Califórnia mexicana. A “modernização” inclui um contexto místico – Zorro agora é um escolhido pelos espíritos ancestrais – que, de forma colateral, coloca a produção no nicho das histórias de “branco salvador”, clichê inexistente no pulp original (era só o “rico salvador”). Além disso, há cenas típicas de telenovela, com direito a beijo roubado seguido de tapão e coadjuvante escalado para servir de alívio cômico. O ritmo veloz, porém, supera muitas séries recentes de aventuras de época. As gravações aconteceram nas Ilhas Canárias, na Espanha, sob direção de Javier Quintas, que trabalhou em “Sky Rojo” e “La Casa de Papel”, e o elenco ainda inclui Rodolfo Sancho (“Os Herdeiros da Terra”), Luis Tosar (“Até o Céu”), Fele Martínez (“Machos Alfa”) e Elia Galera (“El Cid”). CRISTOBAL BALENCIAGA | STAR+ A minissérie biográfica sobre a vida do renomado estilista espanhol é um deleite para fãs da história da moda, com desfiles de criações clássicas da alta costura, citações de grandes nomes do universo fashion e a rivalidade entre Balenciaga e Christian Dior. Criada, escrita, dirigida e produzida pelo trio Aitor Arregi, Jon Garaño e Jose Mari Goenaga (todos de “A Trincheira Infinita”), a série acompanha Balenciaga, vivido por Alberto San Juan (“Enquanto Você Dorme”), desde o lançamento de sua primeira coleção de alta costura em Paris em 1937. No entanto, os designs que marcaram tendências na Espanha não se adequam ao sofisticado império da moda de Paris, onde Chanel, Dior e Givenchy ditam as referências da alta costura. Guiado por sua obsessão pelo controle em todos os aspectos de sua vida, Balenciaga não se conforma aos modismos para criar seu estilo próprio, tornando-se um dos estilistas mais importantes de todos os tempos. O elenco também destaca Gemma Whelan (“Game of Thrones”), Belén Cuesta (“La Casa de Papel”), Adam Quintero (“Academia de Vampiros”), além de Anouk Grinberg (“A Musa de Bonnard) como Coco Chanel e Patrice Thibaud, repetindo seu papel do filme “Yves Saint Laurent” (2014), como Christian Dior. A MORTE ENTRE OUTROS MISTÉRIOS | STAR+ A minissérie de mistério gira em torno de um assassinato em alto mar. Essa espécie de “Morte no Nilo” contemporâneo tem até seu próprio detetive Poirot, chamado de Rufus Cotesworth e interpretado por Mandy Patinkin (de “Homeland”) Quando um passageiro insuportável é assassinado, a principal suspeita recai sobre Imogene Scott (Violett Beane, da série “The Flash”), flagrada por câmeras ao entrar no quarto da vítima durante a noite para executar uma vingança. Entretanto, o detetive resolve descartá-la como suspeita e transformá-la em auxiliar da investigação. Para provar sua inocência, ela aceita formar uma aliança disfuncional com Cotesworth, descrito como o maior detetive do mundo, e juntos descobrem que enfrentam resistências poderosas e interesses bilionários. A série é uma criação de Mike Weiss (produtor-roteirista de “Chicago PD”) e Heidi Cole McAdams (produtora-roteirista de “The 100”), que também são responsáveis pela produção executiva e roteiro. Já a direção é de ninguém menos que Marc Webb, conhecido por dirigir os dois filmes de “O Espetacularr Homem-Aranha”. A HERDEIRA | NETFLIX A primeira série sul-coreana da Netflix em 2024 é um thriller violento que se inicia com uma cena enigmática, onde um homem idoso, sob o efeito do makgeolli (vinho de arroz coreano), depara-se com algo aterrorizante em um campo invernal e morre. Esse mistério é o ponto de partida para uma história repleta de suspense e reviravoltas. Criada pelo cineasta Yeon Sang-ho, conhecido por “Invasão Zumbi”, “Profecia do Inferno” e “Jung_E”, a atração é dirigida por Min Hong-nam, que foi assistente de direção do filme dos zumbis. A trama se desenrola no campo e acompanha uma professora vivida por Kim Hyun-joo (“Profecia do Inferno”), que descobre ser herdeira do velho morto e conhece no funeral seu meio-irmão perturbador, interpretado por Ryu Kyung-soo (“Jung_E”). Sua herança é um cemitério familiar, cobiçado pelo irmão desagradável, que a emaranhada em uma investigação policial de assassinatos em série. Embora tenha uma pegada de “True Detective”, a produção percorre temas recorrentes do cinema coreano, evocando “Memórias de um Assassino” (2003) e “O Lamento” (2016) por meio de seu cenário rural opressivo, rituais xamânicos e desconfiança de estrangeiros. Yeon Sang-ho imprime sua marca na série com personagens desesperados e uma sociedade implacável, remetendo também a outras obras suas como a animação “The Fake”. PONTO FINAL | NETFLIX A nova comédia de Rodrigo Sant’Anna (“A Sogra que Te Pariu”) segue um casal divorciado, Sandra (Roberta Rodrigues) e Ivan (Sant’Anna), que, apesar da separação, continuam vivendo juntos e trabalhando como motoristas em um terminal de ônibus no Rio de Janeiro. Sandra dirige um ônibus, enquanto Ivan opera uma van clandestina. Eles enfrentam desafios diários enquanto trabalham com o transporte público, em meio a situações cômicas e interações peculiares com os passageiros. A série é caracterizada pelo humor típico de Sant’Anna, calcado na comédia pastelão e no estilo das produções do Multishow, onde o humorista fez carreira. Por sinal, o projeto é o primeiro após Sant’Anna fechar um contrato com a Netflix e mantém o artista na plataforma após o cancelamento discreto de “A Sogra que Te Pariu”, que não terá uma 3ª temporada apesar do sucesso inicial. Com sete episódios, a produção de Os Suburbanos conta com a direção de Luciano Sabino e um elenco com nomes como Faiska Alves, Polly Marinho, Nany People, Tuca Andrada, entre outros. HAZBIN HOTEL | PRIME VIDEO A animação musical para adultos narra a história de Charlie, a filha otimista de Satanás, que tem uma visão peculiar para o inferno. Inconformada com os métodos tradicionais de gestão do inferno, Charlie propõe uma alternativa não violenta para lidar com a superpopulação infernal: criar um hotel de reabilitação para oferecer uma segunda chance aos demônios, permitindo-lhes buscar a redenção e um lugar no céu. Esta ideia inovadora, contudo, é recebida com ceticismo e escárnio tanto pelos habitantes do inferno quanto por aqueles que observam de fora. Os episódios se aprofundam nas dinâmicas entre personagens intrigantes, como Vaggie, a namorada de Charlie, Angel Dust, um demônio estrela pornô, e Alastor, o Demônio do Rádio, que se apresenta para auxiliar no ambicioso projeto de Charlie. Suas verdadeiras intenções, porém, são nebulosas, adicionando surpresas e suspense ao enredo. Os personagens são desenvolvidos por meio de suas interações e conflitos, enquanto Charlie enfrenta desafios constantes para provar a viabilidade de seu projeto. Criada por Vivienne Medrano, também conhecida como VivziePop, “Hazbin Hotel” foi inicialmente lançada como um piloto independente no YouTube em 2019 e rapidamente capturou a atenção do público, acumulando 90 milhões de visualizações. O sucesso do vídeo levou a um contrato com a produtora indie A24 e à produção de uma temporada completa. Apesar de mudanças no elenco de voz para a produção na Prime Video, a série mantém seu caráter único e humor característico, com as vozes de talentos como Erika Henningsen (“Girls5eva”), Stephanie Beatriz (“Brooklyn Nine-Nine”), Keith David (“Não! Não Olhe”) e cantores famosos dos musicais da Broadway. FILMES JOGOS VORAZES: A CANTIGA DOS PÁSSAROS E DAS SERPENTES | VOD* Espécie de “Malévola” da franquia “Jogos Vorazes”, o blockbuster é um prólogo centrado na trajetória inicial de Coriolanus Snow, que mais tarde se torna o presidente tirânico de Panem. Interpretado por Tom Blyth (da série “A Idade Dourada”), o jovem Snow é apresentado como um estudante de uma família outrora influente, mas agora empobrecida. Ele é encarregado de ser mentor de Lucy Gray Baird, uma tributo do Distrito 12 (o mesmo de Katniss), vivida por Rachel Zegler (“Amor, Sublime Amor”). Ambientada numa época em que os Jogos Vorazes ainda estão se estabelecendo como um instrumento de opressão do Capitólio, a trama explora as origens do evento e o início da ascensão de Snow ao poder. Dirigido por Francis Lawrence e escrito por Michael Arndt, veteranos da franquia, o filme detalha o desenvolvimento moral de Snow, entre a sua ambição e seu senso de moralidade. A dinâmica entre Snow e Lucy Gray evolui durante os Jogos, com Snow reconhecendo o potencial dos Jogos como ferramenta política e espetáculo manipulador. A narrativa é enriquecida por personagens secundários marcantes, como a Dra. Volumnia Gaul, interpretada por Viola Davis (“A Mulher Rei”), uma personificação da crueldade e manipulação do regime de Panem, o reitor de universidade Dean Casca Highbottom, vivido por Peter Dinklage (“Game of Thrones”) e responsável por uma dinâmica complexa com Snow, além de Jason Schwartzman (“Fargo”), que acrescenta uma camada de humor negro como Lucretius “Lucky” Flickerman, o apresentador dos Jogos, um antepassado do personagem de Stanley Tucci nos filmes anteriores. Com elementos visuais e atuações destacadas, “A Canção dos Pássaros e das Serpentes” dividiu a crítica dos EUA, mas se tornou um grande sucesso de bilheteria, apesar da duração excessiva (2h37) e de várias cenas de música, particularmente em torno do personagem de Lucy Gray Baird, para aproveitar o talento vocal de Rachel Zegler. O uso da música é um aspecto distintivo deste filme em comparação com os anteriores, que se concentravam mais na ação. PEDÁGIO | VOD* Com apenas dois longas, a brasileira Carolina Markowicz já é uma diretora reconhecida no circuito internacional. Seu primeiro longa-metragem, “Carvão”, foi selecionado para festivais renomados como Toronto e San Sebastián, estabelecendo sua reputação como uma cineasta inovadora e corajosa, e “Pedágio” repetiu a dose, inclusive com direito a prêmio, o Tribute Award, no Festival de Toronto como talento emergente. A obra emerge como um poderoso drama repleto de angústia e embate familiar, centrado em Suellen, uma cobradora de pedágio na estrada de Cubatão, que busca fazer dinheiro para financiar a participação de seu filho, Tiquinho, em uma controversa terapia de “cura gay”. O elenco, liderado por Maeve Jinkings (“Os Outros”), traz uma performance notável, capturando a essência de uma mãe dilacerada pelo conflito entre o amor pelo filho e as pressões sociais. O novato Kauan Alvarenga (que trabalhou no curta “O Órfão”, da diretora), por outro lado, dá vida a Tiquinho com uma mistura de vulnerabilidade e força, representando a juventude LGBTQIAP+ que luta por aceitação e amor em uma sociedade hostil, dominada por dogmas religiosos. “Pedágio” se destaca também por sua abordagem técnica, com cenários que refletem a solidão dos personagens e uma trilha sonora que aprimora a experiência emocional do filme. O elenco ainda inclui Thomás Aquino (também de “Os Outros”), Aline Marta Maia (“Carvão”) e Isac Graça (da série portuguesa “Três Mulheres”). THE KITCHEN | NETFLIX A estreia na direção do ator Daniel Kaluuya (vencedor do Oscar por “Judas e o Messias Negro”) é ambientada numa Londres distópica do futuro, onde a disparidade entre ricos e pobres atinge níveis extremos. Após toda as moradias sociais serem eliminadas, resta apenas “The Kitchen”, uma comunidade que se recusa a abandonar...
Estreias | Programação de cinema destaca Turma da Mônica Jovem
O filme da “Turma da Mônica Jovem” é o maior lançamento desta quinta (18/1), ocupando o circuito amplo dos cinemas. Mas as telas também recebem filmes de terror, animação, catástrofe e drama da temporada do Oscar – com dois filmes portugueses no circuito de arte. Confira as estreias da semana. TURMA DA MÔNICA JOVEM – REFLEXOS DO MEDO A nova fase na franquia cinematográfica da Turma da Mônica introduz uma mudança significativa de elenco, equipe criativa e produção em relação às versões live-action anteriores. Recebendo hate desde a escalação, por substituir o elenco original amplamente aclamado, e sofrendo questionamentos precoces pela divulgação de trailers de qualidade duvidosa, o lançamento vem confirmar muitos dos temores dos fãs. Para começar, a trama complica a simplicidade dos primeiros lançamentos ao ser apresentada como uma história de terror (ao estilo “Scooby-Doo encontra os Feiticeiros de Waverly Place”), mas não usa o gênero para representar uma jornada de amadurecimento como “Laços” e “Lições”, embora houvesse uma possibilidade clara de explorar os medos/traumas associados à chegada à adolescência e à transição para o Ensino Médio. A história se desenrola no contexto do primeiro dia de aula do Ensino Médio, quando Mônica, Cebola, Magali, Cascão e Milena descobrem que o Museu do Limoeiro está ameaçado de ser leiloado. Determinados a impedir que isso aconteça, os amigos se unem para investigar os motivos por trás da situação e se deparam com segredos antigos e assustadores relacionados ao bairro. À medida que exploram esses mistérios, percebem que estão lidando com uma ameaça maior do que imaginavam, envolvendo elementos sobrenaturais. Há a intenção de abordar temas de terror e suspense, mas falhas técnicas e a falta de conexão entre os intérpretes impedem que a tentativa seja levada a sério. Complicador maior, a história traz uma Magali feiticeira. Embora seja uma característica que os leitores reconhecem dos gibis da versão jovem da Turma, o detalhe não deixa de ser um choque para o público que cresceu com os quadrinhos originais ou descobriu os personagens nos dois filmes recentes. E, no fundo, só serve para tornar a produção mais próxima de um “Detetives do Prédio Azul Jovem”. Por sinal, esse é o grande paradoxo da “Turma da Mônica Jovem”: embora o elenco seja mais velho, o filme é mais infantil, sem o mesmo apelo universal para todas as idades dos anteriores. A direção é de Maurício Eça (“A Menina Que Matou os Pais”), o papel de Mônica é feito pela atriz Sophia Valverde (“As Aventuras de Poliana”) e o grande elenco – com personagens demais – ainda destaca Xande Valois (“Um Tio Quase Perfeito”) como Cebola, Bianca Paiva (“Chiquititas”) como Magali, Theo Salomão (“Escola de Gênios”) como Cascão e Carol Roberto (“The Voice Kids”) como Milena. MEU AMIGO ROBÔ A animação sem diálogos é uma fantasia gentilmente excêntrica, ambientada numa versão animada da Nova York dos anos 1980, povoada exclusivamente por animais antropomórficos e robôs surpreendentemente sensíveis. Esta narrativa, que dispensa falas em favor de uma narrativa visual expressiva, é baseada na graphic novel de 2007 de Sara Varon, que originalmente tinha um público-alvo jovem. O filme de Berger, no entanto, mergulha em nostalgia pela Nova York da era Reagan, apelando para um público mais amplo e difícil de definir. Apesar de adequado para crianças, o subtexto incidente e a atmosfera de melancolia podem confundir os mais jovens. Premiado no Annie Awards 2023 (o Oscar da animação) como Melhor Filme Independente, a obra do espanhol Pablo Berger (da versão muda de “Branca de Neve”) explora a relação entre dois personagens principais, um cão e um robô, que vivem uma amizade caracterizada por um companheirismo potencialmente queer, mas mantido em castidade. A história segue o cão, vivendo uma vida solitária no East Village, cuja rotina é interrompida ao montar um robô de um kit que ele compra, inspirado por um infomercial. A amizade entre o cão e o robô floresce através de atividades compartilhadas, como passeios turísticos e patinação no Central Park, ao som de “September” de Earth, Wind and Fire. No entanto, a separação inevitável ocorre quando o companheiro mecânico enferruja após um dia na praia, forçando o cão a enfrentar o inverno sozinho, enquanto o robô se deteriora, sonhando com um reencontro. “Meu Amigo Robô” aborda temas de amor, perda e amizade, sugerindo que relacionamentos finitos não são necessariamente fracassados. A narrativa comovente também se destaca por suas referências visuais inteligentes aos anos 1980 e à vida nas ruas de Nova York, explorando as alegrias e tristezas da vida urbana e a busca por conexão em um mundo frequentemente indiferente. MERGULHO NOTURNO Embora não seja adaptação de um conto de Stephen King, o terror compartilha das características tradicionais das obras do autor, confrontando americanos comuns com o sobrenatural. Na trama, o casal formado por Wyatt Russell (“O Falcão e o Soldado Invernal”) e Kerry Condon (de “Os Banshees de Inisherin”) se muda com a filha adolescente (Amelie Hoeferle, de “Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes”) e o filho caçula (Gavin Warren, de “Fear the Walking Dead”) para uma nova casa, apenas para descobrir que a piscina do quintal é assombrada por espíritos malévolos. A produção da Blumhouse/Atomic Monster expande a história de um aclamado curta-metragem homônimo de 2014, de Rod Blackhurst e Bryce McGuire. A direção é do próprio McGuire, que faz sua estreia em longas e, desde o início, estabelece um clima de suspense e tensão. No entanto, a ampliação da história para o formato de longa-metragem enfrenta desafios. Embora comece de forma promissora, o desenvolvimento da história se depara com complicações em seu roteiro e mitologia, tornando-se vítima de uma narrativa excessivamente elaborada. O que é bizarro diante de uma premissa que se resume, basicamente, a duas palavras: piscina assombrada. SOBREVIVENTES – DEPOIS DO TERREMOTO O candidato da Coreia do Sul ao Oscar 2004 traz novas perspectivas para o cinema de catástrofe. A ação se passa em Seul após um terremoto devastador, quando um único edifício permanece em pé, cercado por escombros. A escassez de alimentos e água logo se torna um problema para os moradores sobreviventes, incluindo Min-sung (Park Seo-joon, de “A Criatura de Gyeongseong”), um jovem servidor público, e sua esposa (Park Bo-young, de “Uma Dose Diária de Sol”). A narrativa não se concentra apenas no drama de sobrevivência, mas também examina questões morais complexas. Young-tak (Lee Byung-hun, de “Round 6”), um homem corajoso, é eleito líder pelos moradores e toma decisões difíceis, incluindo a expulsão violenta dos refugiados que buscam abrigo. E assim, o que começa como um microcosmo funcional e igualitário, logo se transforma rapidamente em um estado fascista, evidenciando tensões sociais e políticas. A produção é adaptação de um webtoon (quadrinhos online) de Kim Soong-Nyung, que examina a complexidade moral em tempos de crise e desafia o público a refletir sobre a natureza humana e as escolhas feitas em circunstâncias extremas. A direção é de Um Tae-hwa (“Desaparecimento: O Garoto que Retornou”). SEGREDOS DE UM ESCÂNDALO O novo drama de Todd Haynes (“Carol”) é baseado num fato real, mas se apresenta com uma abordagem original e intensa. Estrelado por Natalie Portman (“Thor: Amor e Trovão”) e Julianne Moore (“Kingsman: O Círculo Dourado”), o filme é marcado por personagens moralmente ambíguos, com o objetivo de criar desconforto proposital. A trama segue uma atriz (Portman) que viaja até a Georgia para estudar a vida de uma mulher da vida real (Moore), que ela vai interpretar em um filme biográfico. A personagem de Moore era uma mulher casada que teve um romance com um adolescente de 13 anos, foi presa e após cumprir a pena judicial se casou com o jovem, vivido por Charles Melton (de “Riverdale”). Mas nem duas décadas de distância e uma vida discreta nos subúrbios fizeram o escândalo ser esquecido. E com sua vida revirada pela estranha em sua casa, questões do casal, até então adormecidas, começam a vir à tona. Na sua busca para compreender Gracie, Elizabeth ultrapassa os limites entre curiosidade e invasão, enquanto seu objeto de estudo se mostra defensiva e complexa. Nesse jogo, o filme cria uma atmosfera tensa e estranha, salpicada por um humor sutilmente obsceno, que dialoga com seu tema tabu. A tensão é equilibrada por elementos cômicos, tornando possível arrancar risadas pela audácia da trama. Mas não se trata de uma obra fácil, especialmente para quem evita mergulhar em narrativas sobre indivíduos terríveis. Ousado em sua temática e na construção dos personagens, “Segredos de um Escândalo” traz os atores entregando performances habilidosas e desconcertantes, que resulta numa experiência que pode ser profundamente perturbadora, mas também extasiante para os cinéfilos. O NATAL DO BRUNO ALEIXO Bruno Aleixo é uma mistura de urso de pelúcia e cão, com um toque visual que lembra um Ewok do universo “Star Wars”. Seu um humor peculiar, rabugento e irônico ganhou notoriedade com uma série de vídeos na internet e se popularizou com “O Programa do Aleixo”, lançado na TV portuguesa em 2008. Desde então, Aleixo ganhou vários spin-offs online e participações em outros programas, que fizeram crescer seus coadjuvantes e o tornaram um fenômeno pop em Portugal. O personagem foi criado por João Moreira, Pedro Santo e João Pombeiro. Os dois primeiros assinam seu segundo longa – depois de “O Filme do Bruno Aleixo” (2019) – que chega ao Brasil fora de época, devido à temática natalina. A produção narra as recordações de Natais passados de Bruno Aleixo após um acidente de carro que o deixa em coma – entre as memórias, destaca-se um Natal passado na casa de sua avó brasileira. A trama acaba por recontar o tradicional conto de Natal de Charles Dickens de forma original, utilizando diferentes estilos de animação para cada segmento. Essa abordagem criativa oferece ritmos e tonalidades variadas à narrativa. Apesar de ser um pouco ofuscado pelo sucesso de seu antecessor, a produção foi uma das comédias portuguesas mais destacadas de 2022. MAL VIVER O drama do português João Canijo (“Sangue do Meu Sangue”) forma um díptico com “Viver Mal”, ambos ambientados em um hotel. Enquanto a outra obra se foca nos hóspedes, o lançamento atual se concentra na equipe, principalmente nas relações femininas em deterioração. O enredo envolve a gerente do hotel, Piedade (Anabela Moreira), sua mãe Sara (Rita Blanco), dona do estabelecimento, e a filha de Piedade, Salomé (Madalena Almeida), que retorna inesperadamente após a morte de seu pai. Completando o elenco, estão Raquel (Clei Almeida), prima e empregada, em um relacionamento complicado com Angela (Vera Barreto), a fiel governanta e cozinheira. A trama explora as tensões familiares e profissionais, que se misturam no local visivelmente desgastado e em dificuldades financeiras, criando um efeito trágico, com personagens femininas refletindo sobre suas vidas em meio a um ambiente de hostilidade, tristeza e desafeto. Venceu o Prêmio do Júri do último Festival de Berlim.
Christian Dior cria “The New Look” e rivaliza com Coco Chanel em trailer de minissérie
A Apple TV+ divulgou o trailer de “The New Look”, série sobre a disputa entre Coco Chanel e Christian Dior pelo mercado da moda em meados do século 20. A prévia localiza a trama nos anos 1940, com várias cenas da ocupação nazista de Paris em paralelo ao início da trajetória de Dior. A atração vai acompanhar a ascensão de Christian Dior após a 2ª Guerra Mundial, quando Coco Chanel começa a perder sua fama de estilista mais importante do mundo da moda com a chegada de novas grifes, como Balmain, Balenciaga, Givenchy, Pierre Cardin e Yves Saint Laurent. O título é inspirado pela coleção “The New Look” (o novo visual), lançada por Dior em 1947, que popularizou o blazer, saias plissadas e mais curtas na altura dos joelhos, estampas de animais e cinturas muito finas, mudando o perfil da moda feminina ao destacar a silhueta das mulheres de forma elegante. O nome do design veio de uma fala espontânea da editora da revista Harper Bazaar, Carmel Snow, que ao ver os figurinos da primeira coleção de Dior exclamou: “É uma verdadeira revolução querido, querido Christian! Seus vestidos têm um visual totalmente novo!”. Para os papéis principais, foram escalados o australiano Ben Mendelsohn (“Rogue One”) e a atriz francesa Juliette Binoche (“A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell”), e o elenco ainda destaca Maisie Williams (“Game of Thrones”), John Malkovich (“Bird Box”) e Glenn Close (“Agente Stone”). Roteiro, direção e produção está a cargo de Todd A. Kessler, criador das séries “Damages” e “Bloodline” – a última, por sinal, estrelada por Mendelsohn. A estreia está marcada para 14 de fevereiro.
Por que o filme da “Turma da Mônica Jovem” tem elenco diferente?
O sucesso dos primeiros filmes e da série da “Turma da Mônica” deixou muitos fãs revoltados com a troca de intérpretes para a produção do longa da “Turma da Mônica Jovem”, a ponto de render uma petição online. Com o título de “Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo”, a produção estreia nesta quinta (18/1) no Brasil. Por ironia, as reclamações foram resultado do grande acerto na escalação dos atores das primeiros adaptações live-action dos quadrinhos de Mauricio de Sousa. O público se apaixonou por Giulia Benite (Mônica), Kevin Vechiatto (Cebolinha), Laura Rauseo (Magali) e Gabriel Moreira (Cascão). Com isso, sobrou hate para seus substitutos. Até Sophia Valverde, que protagonizou as novelas de Poliana do SBT, sofreu rejeição. Mas se o elenco original foi um sucesso, por que mudaram a escalação? Ainda mais que “Turma da Mônica Jovem” reflete a passagem do tempo e mostra os personagens no começo da adolescência, idade atual dos intérpretes originais. Existe uma resposta oficial. O produtor-executivo de audiovisual da Mauricio de Sousa Produções (MSP), Marcos Saraiva, revelou, em entrevista à Folha de São Paulo no ano passado, que o elenco foi alterado por conta de uma série de fatores, sendo dois deles a idade dos personagens e os direitos de adaptação de obra, apontando que “Turma da Mônica” e a “Turma da Mônica Jovem” são propriedades diferentes. A desculpa da idade dos personagens não cola, porque Giulia Benite está com 15 anos, exatamente a idade da Mônica em sua versão Jovem. Sophia Valverde, ao contrário, terá que fingir ser mais nova no filme, por ter atingido 18 anos. O restante da turma traz Xande Valois (“Um Tio Quase Perfeito”) como Cebola, Bianca Paiva (“Chiquititas”) como Magali, Theo Salomão (“Escola de Gênios”) como Cascão e Carol Roberto (“The Voice Kids”) como Milena – com idades variando entre 18 e 19 anos. Siga o dinheiro Já a questão dos direitos de adaptação traz à tona um ponto interessante. Afinal, ambas as publicações são originárias da MSP. Mas basta ver quem produziu os filmes para reparar que a empresa cometeu o mesmo erro de iniciante da Marvel. Visando obter mais dinheiro, a MSP negociou “Turma da Mônica” e “Turma da Mônica Jovem” com estúdios diferentes – como a Marvel fez com os X-Men e o Homem-Aranha, antes de assumir suas próprias produções. Os filmes da “Turma da Mônica” tiveram parceria com a Paramount, Globo Filmes, Paris Filmes e outras empresas, incluindo Quintal e Biônica Filmes, enquanto “Turma da Mônica Jovem” vem pela Sony e outros parceiros, como Bronze Filmes, BeBossa Entertainment e Imagem Filmes. Empresas completamente diferentes. Curiosamente, Marcos Saraiva disse à Folha que o estúdio não queria repetir o “erro” da Marvel, vinculando protagonistas aos mesmos atores, como em “Os Vingadores”, e apontando que os cachês sobem conforme os artistas se tornam famosos. Eles ainda poderiam se recusar a voltar aos papéis. É por isso, por sinal, que a Marvel fecha contratos para até seis filmes quando define os protagonistas – seria um “acerto” da Marvel, então? Ou seja, para não cometer um “erro” da Marvel, a MSP cometeu outro. A leitura que se pode fazer desse negócio é que houve pressa – não é possível saber se o pagamento pelos direitos foi antecipado no fechamento do contrato. E também subestimou-se a possibilidade de sucesso continuado do elenco dos filmes originais, já que o filme da “Turma da Mônica Jovem” só saiu do papel após dois longas e uma série, tempo suficiente para o elenco da “Turma da Mônica” atingir a idade certa para estrelá-lo. Outro detalhe é que a MSP adiantou planos para fazer uma trilogia da “Turma da Mônica Jovem”. Só que o novo elenco escalado já está mais velho que os personagens no filme inicial. Se os lançamentos refletirem o espaçamento de dois anos, que ocorreu entre “Laços” e Lições”, Sophia Valverde terá 22 no último longa, idade de formatura na faculdade – e ela é uma das mais novas desse casting. A Mônica jovem ainda está no Ensino Médio nos gibis de Mauricio. Entretanto, as mudanças não se resumem ao elenco. Envolvem toda a equipe de produção, incluindo direção e roteiro, e até a própria abordagem da franquia, que deixa de lado o foco principal na jornada de amadurecimento para contar uma história mais convencional, com elementos sobrenaturais. A estreia de “Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo” nos cinemas nesta quinta (17/1) permitirá ver pra valer a reação do público diante de tantas diferenças. O lado positivo para a MSP – e seus novos parceiros – é que a franquia é tão famosa que pode originar mais um sucesso.
“Succession”, “O Urso” e “Treta” dominam Emmy 2024
O Emmy 2024 confirmou as votações da crítica que o precederam, elegendo “Succession” como Melhor Série de Drama, “O Urso” como Melhor Comédia e “Treta” como Melhor Série Limitada (minissérie). Num resultado anticlimático, as estatuetas da Academia de Televisão foram entregues quase integralmente aos mesmos vencedores do Globo e Ouro e Critics Choice, que aconteceram dias antes – no caso do prêmio dos críticos americanos, horas antes. Só que a votação do Emmy aconteceu muito antes – as indicações foram anunciadas em julho do ano passado. A cerimônia estava originalmente marcada para setembro, mas sofreu adiamento por causa das graves dos roteiristas e atores dos Estados Unidos. Com isso, deixou de abrir a temporada de prêmios televisivos para se tornar praticamente um reflexo da opinião dominante nos eventos do setor. Uma das poucas diferenças entre o Emmy e as outras premiações foi a consagração de Quinta Brunson. Ela se tornou a segunda atriz negra a vencer na categoria de Melhor Atriz de Comédia – por “Abbot Elementary”. A primeira vencedora, Isabel Sanford, conquistou seu prêmio há mais de 40 anos – por “Os Jeffersons”, em 1981. Aceitando o Emmy das mãos da lendária comediante Carol Burnett, Brunson não conseguiu conter as lágrimas e confessou não ter preparado discurso por acreditar que não venceria. Além de protagonizar “Abbot Elementary”, ela é criadora da série. Se Brunson não tivesse vencido, a favorita era outra atriz negra, Ayo Edebiri, que venceu o Globo de Ouro e Critics Choice por seu desempenho em “O Urso”. A diferença no Emmy é que Edebiri foi inscrita em outra categoria, Melhor Atriz Coadjuvante de Comédia, que acabou vencendo. As premiações da crítica não contemplam essa divisão de coadjuvantes em diferentes gêneros televisivos. Embora esperado, o criador de “Treta”, Lee Sung-jun, fez História ao levar para casa três Emmys, de Melhor Série Limitada, Direção e Roteiro, tornando-se o primeiro asiático a vencer três troféus no mesmo ano e o primeiro premiado nas categorias de Direção e Roteiro. Seus dois protagonistas da série – Steven Yeun e Ali Wong – também levaram para casa os Emmys de Melhor Ator e Atriz de Série Limitada, e também viraram os primeiros vencedores asiáticos em cada categoria. Embora previsíveis, as conquistas renderam discursos animados, como o de Kieran Culkin, Melhor Ator em Série de Drama por “Succession”, que aproveitou o palco para informar sua esposa que queria mais filhos. Tanto o drama “Succession”, da HBO, quanto a “comédia” “O Urso”, da Hulu/Star+, venceram seis prêmios nos chamados Primetime Emmy (a premiação principal), seguidos pela minissérie “Treta”, da Netflix, que faturou cinco estatuetas. Com isso, “Better Call Saul”, “Maravilhosa Sra. Meisel” e “Ted Lasso”, ex-queridinhos da Academia, saíram sem nenhum reconhecimento em suas temporadas finais. “Maravilhosa Sra. Meisel” ainda pode ser conformar por ter vencido três categorias técnicas, no chamado Creative Arts Emmy. Outros favoritos, como “The Last of Us” e “Wandinha”, também precisaram se contentar com a premiação técnica, antecipada na semana anterior, com as conquistas de oito e quatro troféus, respectivamente. Além da premiação, o evento ainda destacou diversos encontros icônicos, com destaque para o elenco original de “Grey’s Anatomy” – Ellen Pompeo (Meredith Grey), Justin Chambers (Alex Karev), James Pickens Jr. (Richard Webber), Chandra Wilson (Miranda Bailey) e Katherine Heigl (Izzie) – que comemorou o marco de a produção ter se tornado a série médica há mais tempo no ar nos EUA. Outras séries que tiveram reunião de atores foram a clássica “Cheers”, “Community”, “It’s Always Sunny in Philadelphia”, “Martin” e “Família Soprano”. Para completar, a emoção marcou o segmento dedicado aos artistas falecidos, que foi finalizado com a lembrança de Matthew Perry, o Chandler de “Friends”, acompanhado pela música tema da série. Confira abaixo a lista dos premiados do Primetime Emmy 2024. MELHOR SÉRIE DE DRAMA “Succession” MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA “O Urso” MELHOR SÉRIE LIMITADA OU ANTOLÓGICA “Treta” MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA Kieran Culkin, por “Succession” MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA Jeremy Allen White, por “O Urso” MELHOR ATOR EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Steven Yeun, por “Treta” MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA Sarah Snook, por “Succession” MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA Quinta Brunson, por “Abbott Elementary” MELHOR ATRIZ EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Ali Wong, por “Treta” MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA Matthew Macfayden, por “Succession” MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA Ebon Moss-Bachrach, por “O Urso” MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Paul Walter Hauser, por “Black Bird” MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA Jennifer Coolidge, por “The White Lotus” MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA Ayo Edebiri, por “O Urso” MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Niecy Nash-Betts, por “Dahmer: Um Canibal Americano” MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE DRAMA Mark Mylod, por “Succession” MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE COMÉDIA Christopher Storer, por “O Urso” MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Lee Sung Jin, por “Treta’ MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE DRAMA Jesse Armstrong, por “Succession” MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE COMÉDIA Christopher Storer, por “O Urso” MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Lee Sung Jin, por “Treta” MELHOR ROTEIRO EM TALK SHOW Equipe de “Last Week Tonight With John Oliver” MELHOR PROGRAMA DE COMPETIÇÃO “RuPaul’s Drag Race” MELHOR TALK SHOW “The Daily Show with Trevor Noah” MELHOR PROGRAMA DE VARIEDADES “Last Week Tonight With John Oliver” MELHOR ESPECIAL DE VARIEDADES “Elton John Live: Farewell From Dodger Stadium”
Série baseada no filme “Magnatas do Crime” ganha primeiro trailer
A Netflix divulgou o trailer de “Magnatas do Crime” (The Gentlemen), série inspirada no filme de mesmo nome. A prévia destaca o ator Theo James, conhecido pelo seu trabalho na franquia “Divergente”, no papel de um aristocrata criminoso, equilibrando classe e brutalidade em doses equivalentes. Elogiado pela crítica internacional (75% de aprovação no Rotten Tomatoes), “Magnatas do Crime” marcou a volta do diretor Guy Ritchie, do blockbuster “Aladdin” (2019), às tramas de gângsteres do começo de sua carreira. A série continua a história do filme de 2019 e vai acompanhar Eddie Halstead (personagem de James),que recebeu uma enorme propriedade de herança do seu pai. O problema é que a propriedade está localizada no local onde antes operava o império de maconha do lendário Mickey Pearson (personagem de Matthew McConaughey no longa). Agora, o protagonista precisará decidir se ele tem coragem para assumir o controle do submundo de Londres e liderar toda a operação. O elenco também destaca Kaya Scodelario (“Predadores Assassinos”), Vinnie Jones (“Law & Order: Organized Crime”), Daniel Ings (“As Marvels”), Joelly Richardson (“O Amante de Lady Chatterley”), Giancarlo Esposito (“Better Call Saul”) e Ray Winstone (“Viúva Negra”). A atração foi criada e escrita pelo próprio diretor do longa original, Guy Ritchie, em parceria com Matthew Read (produtor de “Peaky Blinders”). O cineasta britânico também é responsável por dirigir os dois primeiros episódios. Ainda não há previsão para a estreia.
Emmy 2024 | Saiba tudo sobre o “Oscar da TV”, que acontece nesta noite
A Academia de Artes e Ciências Televisivas dos Estados Unidos entrega na noite desta segunda-feira (15/1) os prêmios Emmys, principal premiação da indústria americana de televisão e streaming. Originalmente realizada em setembro, a premiação do Emmy de 2023 acabou adiada devido às greves dos atores e roteiristas dos Estados Unidos, fazendo com que o chamado “Oscar da Televisão” acontecesse pela primeira vez após o Globo de Ouro e o Critics Choice. A cerimônia contará com apresentação do comediante Anthony Anderson (da série “Black-ish”) e acontece no Peacock Theater, em Los Angeles, com transmissão ao vivo para o Brasil pelo canal pago TNT e a plataforma HBO Max a partir das 21h30 do horário de Brasília. Apesar dos prêmios mais esperados estarem concentrados nesta noite, a lista de categorias é tão grande que o Emmy é dividido em três cerimônias. Premiação antecipada Os troféus de categorias técnicas, animações, documentários, especiais de variedades e reality shows já foram, inclusive, entregues na semana passada, quando “The Last of Us” se destacou com oito prêmios. As categorias vitoriosas incluíram Melhor Ator Convidado em Drama, concedido a Nick Offerman por seu papel como Bill num dos episódios mais comentados da série, e Melhor Atriz Convidada para Storm Reid, que interpretou Riley num capítulo de flashback. Os demais troféus foram conquistados em categorias técnicas: Edição, Design de Título, Maquiagem Prostética, Edição de Som, Mixagem e Efeitos Visuais (VFX). A premiação antecipada também destacou “The White Lotus”, “O Urso” e “Wandinha” com quatro prêmios cada, “Treta” e “A Maravilhosa Sra. Maisel” com três, além de premiar “Weird: The Al Yankovic Story” como Melhor Telefilme e entregar as estatuetas das categorias de Ator e Atriz Convidada de Comédia, conquistados por Judith Light em “Poker Face” e Sam Richardson em “Ted Lasso”. Representatividade latina A edição também marca avanço na representatividade latina. Indicada na categoria de Melhor Atriz Principal em Série de Comédia, Jenna Ortega se tornou a terceira latina a ser nomeada na categoria, depois de Rita Moreno por “9 to 5” (em 1983) e America Ferrera por “Ugly Betty” (2007). Além disso, a interprete de Wandinha tornou-se uma das atrizes mais jovens a disputar a estatueta, aos 20 anos. Ela ficou atrás apenas de Patty Duke, nomeada aos 17 anos em 1964 por “The Patty Duke Show”. Vale mencionar que Ortega tem descendência mexicana e porto-riquenha. Já Pedro Pascal é o primeiro latino indicado como Melhor Ator de Drama em mais de 20 anos, por seu papel em “The Last Of Us”. A última nomeação na categoria foi de Jimmy Smits, descendente de porto-riquenhos, pela série “Nova York Contra o Crime”, em 1999. Nascido no Chile, Pascal tem se tornado nos últimos anos um dos nomes mais aclamados de Hollywood. A lista de estrelas com descendência latina também destaca Aubrey Plaza, indicada pela primeira vez ao Emmy na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em Drama por seu papel no fenômeno “The White Lotus”, da HBO. Embora tenha nascido nos Estados Unidos, seu pai é de origem porto-riquenha. A presença desses artistas representa um recorde de representatividade para a comunidade latina nos EUA. E ainda podia ser maior. Dentre os artistas esnobados pela premiação incluem-se o mexicano Diego Luna, protagonista de “Andor” (produção indicada a Melhor Série Dramática), e Selena Gomez por “Only Murders in the Building” (na disputa de Melhor de Série de Comédia). Feito histórica da HBO A HBO marca presença de peso na edição deste ano com as produções de “The White Lotus”, “House of the Dragon” e a citada “The Last of Us”, além de história com a liderança de “Succession”, que recebeu – apenas – 27 indicações em diversas categorias. Com as quatro séries competindo como Melhor Drama, o canal pago atingiu um recorde anteriormente só visto na era da TV aberta, quando a rede NBC também teve quatro indicados na categoria em 1992. Veja abaixo a lista de indicados nas principais categorias. MELHOR SÉRIE DE DRAMA “Andor” “Better Call Saul” “The Crown” “A Casa do Dragão” “The Last of Us” “Succession” “The White Lotus” “Yellowjackets” MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA “Abbott Elementary” “Barry” “O Urso” “Jury Duty” “A Maravilhosa Sra. Maisel” “Only Murders in the Building” “Ted Lasso” “Wandinha” MELHOR SÉRIE LIMITADA OU ANTOLÓGICA “Treta” “Dahmer: Um Canibal Americano” “Daisy Jones & the Six” “A Nova Vida de Toby” “Obi-Wan Kenobi” MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA Jeff Bridges, por “The Old Man” Brian Cox, por “Succession” Kieran Culkin, por “Succession” Bob Odenkirk, por “Better Call Saul” Pedro Pascal, por “The Last of Us” Jeremy Strong, por “Succession” MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA Bill Hader, por “Barry” Jason Segel, por “Shrinking” Martin Short, por “Only Muders in the Building” Jason Sudeikis, por “Ted Lasso” Jeremy Allen White, por “O Urso” MELHOR ATOR EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Taron Egerton, por “Black Bird” Kumail Nanjiani, por “Bem-Vindos ao Clube da Sedução” Evan Peters, por “Dahmer: Um Canibal Americano” Daniel Radcliffe, por “Weird: The Al Yankovic Story” Michael Shannon, por “George & Tammy” Steven Yeun, por “Treta” MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA Sharon Horgan, por “Bad Sisters” Melanie Lynskey, por “Yellowjackets” Elisabeth Moss, por “The Handmaid’s Tale” Bella Ramsey, por “The Last of Us” Keri Russell, por “A Diplomata” Sarah Snook, por “Succession” MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA Christina Applegate, por “Disque Amiga Para Matar” Rachel Brosnahan, por “A Maravilhosa Sra. Maisel” Quinta Brunson, por “Abbott Elementary” Natasha Lyonne, por “Poker Face” Jenna Ortega, por “Wandinha” MELHOR ATRIZ EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Lizzy Caplan, por “A Nova Vida de Toby” Jessica Chastain, por “George & Tammy” Dominique Fishback, por “Swarm” Kathryn Hahn, por “Tiny Beautiful Things” Riley Keough, por “Daisy Jones and the Six” Ali Wong, por “Treta” MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA F. Murray Abraham, por “The White Lotus” Nicholas Braun, por “Succession” Michael Imperioli, por “The White Lotus” Theo James, por “The White Lotus” Matthew Macfayden, por “Succession” Alan Ruck, por “Succession” Will Sharpe, por “The White Lotus” Alexander Skarsgard, por “Succession” MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA Anthony Carrigan, por “Barry” Phil Dunster, por “Ted Lasso” Brett Goldstein, por “Ted Lasso” Anazib Freevee, por “Jury Duty” Ebon Moss-Bachrach, por “O Urso” Tyler James Williams, por “Abbott Elementary” Henry Winkler, por “Barry” MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Murray Bartlett, por “Bem-Vindos ao Clube da Sedução” Paul Walter Hauser, por “Black Bird” Richard Jenkins, por “Dahmer: Um Canibal Americano” Joseph Lee, por “Treta” Ray Liotta, por “Black Bird” Young Mazino, por “Treta” Jesse Plemons, por “Amor & Morte” MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA Jennifer Coolidge, por “The White Lotus” Elizabeth Debicki, por “The Crown” Meghann Fahy, por “The White Lotus” Sabrina Impacciatore, por “The White Lotus” Aubrey Plaza, por “The White Lotus” Rhea Seehorn, por “Better Call Saul” J. Smith-Cameron, por “Succession” Simona Tabasco, por “The White Lotus” MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA Sheryl Lee Ralph, por “Abbott Elementary” Hannah Waddingham, por “Ted Lasso” Ayo Edebiri, por “O Urso” Janelle James, por “Abbott Elementary” Alex Borstein”, por “Maravilhosa Sra. Maisel” Juno Temple, por “Ted Lasso” Jessica Williams, por “Falando a Real” MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Annaleigh Ashford, por “Bem-Vindos ao Clube da Sedução” Maria Bello, por “Treta” Claire Danes, por “A Nova Vida de Toby” Camila Morrone, por “Daisy Jones & the Six” Niecy Nash-Betts, por “Dahmer: Um Canibal Americano” Merritt Wever, por “Tiny Beautiful Things” MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE DRAMA Benjamin Caron, por “Andor” Dearbhla Walsh, por “Bad Sisters” Peter Hoar, por “The Last of Us” Andrij Parekh, por “Succession” Mark Mylod, por “Succession” Lorene Scafaria, por “Succession” Mike White, por “The White Lotus” MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE COMÉDIA Bill Hader, por “Barry” Christopher Storer, por “O Urso” Amy Sherman-Palladino, por “Maravilhosa Sra. Maisel” Mary Lou Belli, por “The Ms. Pat Show” Declan Lowney, por “Ted Lasso” Tim Burton, por “Wandinha” MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Lee Sung Jin, por “Treta’ Jake Schreier, por “Treta’ Carl Franklin, por “Dahmer – Monstro: A História de Jeffrey Dahmer” Paris Barclay, por “Dahmer – Monstro: A História de Jeffrey Dahmer” Valerie Faris e Jonathan Dayton, por “Fleishman Is In Trouble” Dan Trachtenberg, por “Prey” MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE DRAMA Beau Willimon, por “Andor” Sharon Horgan, Dave Finkel e Brett Baer, por “Bad Sisters” Gordon Smith, por “Better Call Saul” Peter Gould, por “Better Call Saul” Craig Mazin, por “The Last of Us” Jesse Armstrong, por “Succession” Mike White, por “The White Lotus” MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE COMÉDIA Bill Hader, por “Barry” Christopher Storer, por “O Urso” Mekki Leeper, por “Jury Duty” John Hoffman, Matteo Borghese e Rob Turbovsky, por “Only Murder in the Building” Chris Kelly e Sarah Schneider, por “The Other Two” Brendan Hunt, Joe Kelly e Jason Sudeikis, por “Ted Lasso” MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE LIMITADA, ANTOLÓGICA OU TELEFILME Lee Sung Jin, por “Treta” Joel Kim Booster, por “Fire Island” Taffy Brodesser-Akner, por “Fleishman is in trouble” Patrick Aison e Dan Trachtenberg, por “Prey” Janine Naber e Donald Glover, por “Swarm” Al Yankivic e Eric Appel, por “Weird: The Al Yankovic Story” MELHOR PROGRAMA DE COMPETIÇÃO “The Amazing Race” “RuPaul’s Drag Race” “Survivor” “Top Chef” “The Voice” MELHOR TALK SHOW “The Late Show with Stephen Colbert “Late Night with Seth Meyers” “Jimmy Kimmel Live” “The Daily Show with Trevor Noah” “The Problem with Jon Stewart” MELHOR PROGRAMA DE VARIEDADES “A Black Lady Sketch Show” “Last Week Tonight With John Oliver” “Saturday Night Live”












