“The White Lotus” bate recorde de audiência com final da temporada
O final da 2ª temporada de “The White Lotus” teve a maior audiência já registrada pela série nos EUA, atraindo 4,1 milhões de espectadores no domingo (11/12) em todas as plataformas – incluindo as reprises no final da noite e o streaming na HBO Max. Isso representa um salto de 46% em relação à sintonia da semana anterior (2,8 milhões), que tinha sido o recorde da série até então. O episódio final, que revelou quem era o cadáver da cena de abertura da temporada, também atraiu mais do que o dobro da audiência do final da 1ª temporada (1,9 milhão de espectadores em 15 de agosto de 2021). Desde a estreia do segundo ano em 30 de outubro, “The White Lotus” teve uma média de 10,1 milhões de espectadores por episódio ao longo de uma semana, uma melhoria de 50% em relação à temporada inaugural. A 1ª temporada foi a grande vencedora do Emmy em setembro, levando para casa 10 prêmios, incluindo o troféu de Melhor Série Limitada ou Antológica e prêmios de Roteiro e Direção para o criador Mike White. O interesse nos novos episódios também resultou na procura pelos primeiros capítulos, levando a um aumento geral na visualização da série nas plataformas da HBO. A HBO já renovou a atração para sua 3ª temporada.
Netflix revela erros de gravação de “Wandinha”
A Netflix divulgou um vídeo com os erros de gravação da série “Wandinha” (Wednesday). E os “erros” que mais chamam atenção não foram cometidos por ninguém da produção. São os barulhos de aviões que interrompem as gravações. Em determinado ponto, Luis Guzmán (“Viagem 2: A Ilha Misteriosa”), que interpreta Gomez Addams, chega a imitar Tattoo, de “A Ilha da Fantasia” (1977–1984), apontando para o céu e repetindo a famosa fala de toda abertura da série clássica: “O avião, o avião…” Terceira série em inglês mais vista da Netflix em todos os tempos, “Wandinha” também destaca Jenna Ortega (“Pânico 5”) no papel-título, Catherine Zeta Jones (“A Máscara do Zorro”) como sua mãe Morticia, Isaac Ordonez (“Uma Dobra no Tempo”) como seu irmão Feioso (Pugsley) e Fred Armisen (“Los Espookys”) como o Tio Chico, além de Gwendoline Christie (a Brienne de “Game of Thrones”), Emma Myers (“Girl in the Basement”), Percy Hynes White (“The Gifted”), Joy Sunday (“Cara Gente Branca”) e Christina Ricci, que foi a Wandinha dos filmes de “A Família Addams” dos anos 1990. A série foi criada por Alfred Gough e Miles Millar, dupla que criou “Smallville” e a sci-fi de artes marciais “Into the Badlands”, e dirigida por um especialista em fantasia gótica juvenil: Tim Burton, responsável por “Os Fantasmas se Divertem” (1988) e “Edward Mãos de Tesoura” (1990), entre muitas outras produções sombrias.
Deborah, Kerline e Alex abandonam lavação de roupa suja de “A Fazenda”: “Respeito”
Deu ruim. Parte do elenco de eliminados de “A Fazenda 14” iniciou uma rebelião no início da noite desta segunda-feira (12/12) ao saber que a festa final do programa foi cancelada e que a lavação de roupa suja do reality não seria ao vivo, mas editada. Deborah Albuquerque fez um vídeo comunicando que ela, Kerline Cardoso e Alex Gallete tinham tomado a decisão de abandonar o hotel e encerrar suas participações em “A Fazenda” ao perceberem que as decisões da produção teriam sido supostamente para beneficiar seus rivais do grupo A. De acordo com Deborah, a festa teria sido cancelada após ameaça de tumulto de ex-participantes que não foram convidadas. Já a roupa suja editada beneficiaria o grupo com menos integrantes, reduzido após um expulsão e duas desistências. “Eu joguei o jogo limpo e não acho justo o que tá acontecendo! Não podemos pagar o pato de quem desistiu, agrediu… passamos o programa todo sendo achincalhados pra no final terem essa consideração? Respeito”, desabafou Deborah no Twitter. Kerline Cardoso logo se juntou a Deborah nos corredores do hotel em que estão os eliminados. Ela gravou vários vídeos nos Stories em protesto, afirmando que estava arrumando as malas para ir embora sem participar da dinâmica da lavação de roupa suja ou qualquer outra atividade do reality. “Querem que a gente vá para a lavagem de roupa editada, se expor novamente ao ridículo, após todas as humilhações que a gente já passou ali dentro, mas pra festa, que seria um momento de descontração nosso, única festa decente, que seria a festa da final com todos amigos, aí não tem! Fala sério”, reclamou Kerline. “Ao contrário de outras pessoas que falaram mentiras, foram superajudadas dentro do programa, eu não fui beneficiada com informação [externa], não fui beneficiada com nada, joguei meu jogo limpo, ajudei o que eu podia a produção, fui superbacana com o programa, cumpri todos os meus horários, tudo tudo certinho, daí pra vir com uma palhaçada dessas…”, continuou Kerline. Citando o benefício dado a Tiago Ramos, que saltou a cerca da sede da Fazenda, dormiu fora e voltou no dia seguinte como se nada tivesse acontecido, Kerline se declarou farta do programa. “Só vou arrumar minha mala aqui agora e ir embora. E se quiser resolva com meu jurídico. Beijos”. Circulando pelo corredor do hotel, Keline reforçou: “Não pode bater o sino, pular a cerca e voltar? Então pronto, eu não participo de mais nada” Ela citou que algumas pessoas já tinham investido em roupas para participar da festa do final do programa. Bruno Tálamo, por exemplo, gastou R$ 1 mil numa jaqueta. Em seguida, foi a vez de Alex Gallete mostrar sua revolta e fazer sua mala. “Não vou esperar carro nenhum de Record para nos levar pra casa. A gente vai pegar nosso Uber e vai embora”, contou. A apresentadora Adriane Galisteu deve abordar a polêmica na edição de “A Fazenda” desta segunda (12/12) na Record TV, atualizando o público sobre como ficou a participação prevista dos eliminados na lavação de roupa suja do reality. Em live, Deborah continua expondo o programa e diz que Deolane merece estar cancelada. #AFazenda pic.twitter.com/2fxZeZyDIH — Central Reality (@centralreality) December 12, 2022 🚨 Deborah também se revoltou com o cancelamento da festa final. #AFazenda pic.twitter.com/QSgl9iL3Bg — Dantas (@Dantinhas) December 12, 2022 Kerline disse que está arrumando a mala dela e está indo embora do hotel #AFazenda pic.twitter.com/v4jL9ogmbY — Dantas (@Dantinhas) December 12, 2022 🚨REBELIÃO: Kerline informa que não vai mais participar de dinâmica nenhuma porque está sendo prejudicada por conta da zona que virou a Fazenda 14. #AFazenda pic.twitter.com/uWh5yRyhmh — Dantas (@Dantinhas) December 12, 2022 Alex, Kerline e Deborah estão arrumando as malas para irem embora. Sem festa, eles não querem participar da lavação de roupa suja 🗣️ #AFazenda pic.twitter.com/aKvC3lyy6w — Central Reality (@centralreality) December 12, 2022
Detonada pela família Abravanel, série “O Rei da TV” é renovada
A plataforma Star+ confirmou que a série “O Rei da TV”, sobre a vida de Silvio Santos, terá 2ª temporada. As gravações dos novos episódios foram concluídas antes das reações negativas da família Abravanel à estreia em outubro passado, com críticas revoltadas das filhas de Silvio Santos ao conteúdo da atração e promessa de realizar uma série própria sobre o dono do SBT. Os novos episódios de “O Rei da TV”, com previsão de estreia para 2023, vão render ainda mais polêmica, ao abordarem o ano de 1989, quando o famoso se candidatou à presidência da República. Segundo a sinopse divulgada, o ressentimento de ter a intenção abortada teria sido a “motivação para transformar o SBT no canal mais assistido do Brasil, numa grande batalha que marcou a história da TV no país”. Para completar, a trama também vai mostrar o sequestro da filha Patrícia Abravanel, “transmitido ao vivo em rede nacional”, de acordo com o comunicado enviado pelo Star+ à imprensa. A notícia da continuação também foi divulgada nas redes sociais como uma “homenagem” a Sílvio Santos, que está completando 92 anos nesta segunda-feira (12/12). “Parabéns, Rei da TV! Segunda temporada confirmada”, postou o perfil da Star+. Produção da Gullane, “O Rei da TV” destaca em sua equipe o diretor Marcus Baldini (“Bruna Surfistinha”) e os atores José Rubens Chachá (“Bom Dia, Verônica”) e Mariano Mattos Martins (“Hebe: A Estrela do Brasil”), respectivamente como o Sílvio Santos maduro e sua versão jovem. Parabéns, Rei da TV! Segunda temporada confirmada! 🥳👑 Em breve, só no #StarPlusBR. #OReiDaTV pic.twitter.com/fFDIwnZNvI — Star+ Brasil (@StarPlusBR) December 12, 2022
Defensor da “liberdade de expressão”, Elon Musk censura críticos no Twitter
O bilionário Elon Musk não reagiu bem às vaias que recebeu durante uma aparição no show de stand-up do comediante Dave Chappelle, que aconteceu em São Francisco, EUA, no domingo (11/12). A usuária CleoPat4893885, que postou o vídeo da reação do público, teve sua conta de Twitter suspensa ou removida nesta segunda (12/12). “Este tuite é de uma conta que não existe mais”, informa a plataforma. A censura causou uma reação instantânea. “Elon Musk está excluindo contas que postam este vídeo dele sendo vaiado por 10 minutos ontem à noite em um show de Dave Chapelle. Ele não pode deletar todos nós. Retuite enquanto ainda pode”, disse um usuário, em resposta à repressão na plataforma. Não é a primeira vez que o defensor da “liberdade de expressão” é acusado de censurar críticas no Twitter, mostrando-se mais tolerante com fake news que com registros de fatos, especialmente se estes fatos não o mostram de forma positiva. O vídeo censurado mostra que Chappelle introduziu o CEO do Twitter no fim de sua apresentação de domingo como um convidado especial e o público não gostou nem um pouco da surpresa, vaiando Musk sem dó. “Você não estava esperando por isso, estava?”, o bilionário perguntou ao humorista. Em resposta, Chappelle brincou: “Parece que algumas das pessoas que você demitiu estão na plateia”. A piada foi uma referência às massivas demissões que aconteceram depois que Musk comprou Twitter. O comediante ainda criticou as vaias, dizendo que “há maneiras melhores de expressar seus protestos contra o homem”. E, no fim, pediu a Musk que gritasse a frase de encerramento do seu show, ao que Musk respondeu: “Sou rico, vadia”, recebendo mais vaias. Depois disso, Musk começou o dia atacando o politicamente correto, que nos EUA é chamado de “woke”, por identificar as vaias como críticas à sua defesa intransigente do politicamente incorreto. “O vírus da mente woke será derrotado ou nada mais importa”, ele tuitou, em tom de raiva. Na mesma medida em que restabeleceu contas de extrema direita que violaram as regras do Twitter no passado, estimulando um aumento sensível de conteúdo neonazista na plataforma, uma reportagem do site americano The Intercept revelou que Musk suspendeu várias contas notáveis de esquerda. Entre seus alvos, estão pesquisadores e organizadores antifascistas que se concentravam em documentar e denunciar atividades de extremistas violentos. Segundo o Intercept, Musk teria convidado o escritor de extrema-direita Andy Ngo, com quem frequentemente interage no Twitter, “para denunciar ‘contas Antifa’ [antifascistas] que deveriam ser suspensas”. Mas também há outros exemplos intrigantes de suspensão de contas – algumas, inclusive, são misteriosamente restabelecidas mais tarde – sem nenhuma razão que possa ser explicada pelos termos de serviço do Twitter. Na semana passada, duas dessas contas tinham em comum o mesmo “problema” da vítima desta segunda: zombaram de Musk.
Confira os 50 melhores clipes indies de novembro
A seleção com clipes indies de novembro é das mais ecléticas já reunidas por aqui, com uma variedade extensa de tendências – dark wave eletrônica, pós-punk barulhento, balada dreampop, hardcore ultrarrápido e até ska. Entre os destaques, não há como ignorar Black Belt Eagle Scout, o projeto da cantora-guitarrista queer e nativo-americana Katherine Paul, que dá à expressão “som de indie” uma ressignificação e tanto. E para citar outra banda americana, a lista também registra a ascensão do trio feminino Hello Mary, que deixou de ser promessa para virar sensação no circuito indie de Nova York sem ter lançado ainda seu álbum de estreia. Como sempre, os vídeos são organizados por ordem de afinidade sonora numa playlist – para ver na Smart TV, busque Transmitir na aba de configurações do Chrome ou Mais Ferramentas/Transmitir etc no Edge. Alguns vídeos são um pouco mais antigos (setembro e outubro) para encaixar na sequência das faixas e ressaltar a impressão de videotecagem. Experimente ouvir sem saltar as faixas na versão Premium do YouTube (sem interrupções de anúncios).
Estreias: “Pinóquio”, “Adão Negro” e os destaques de streaming da semana
As estreias de streaming e VOD (locação digital) incluem filmes premiados, candidatos ao Oscar e blockbusters do cinema. O principal destaque é o “Pinóquio” do diretor Guillermo del Toro (“A Forma da Água”), favorito a despontar no Oscar de Melhor Animação de 2023. Mas há produções para todos os gostos, de super-herói e comédia brasileira a filme de arte europeu. Confira abaixo 10 opções novas para assistir em casa no fim de semana. | PINÓQUIO POR GUILLERMO DEL TORO | NETFLIX Há mais de uma década em desenvolvimento, a animação em stop-motion do cineasta Guillermo del Toro (vencedor do Oscar por “A Forma da Água”) conta uma versão altamente estilizada da fábula de Carlo Collodi (1826–1890), que abraça o lado mais sombrio da trama clássica, ao se focar na construção da autoestima do boneco/criança. Concebido com imaginação macabra, o filme surpreende por apresentar de forma inovadora uma história excessivamente conhecida – e que neste mesmo ano ganhou nova e tediosa versão da Disney. Em parceria com Mark Gustafson, animador de “O Fantástico Sr. Raposo” (2009), Del Toro consegue emocionar e inspirar como as melhores lições dos contos de fada. E faz isso com fantoches impressionantes, criados pela produtora Mackinnon and Saunders (“Noiva Cadáver”). A versão dublada em idioma inglês traz o estreante Gregory Mann como a voz de Pinóquio, Ewan McGregor (“Aves de Rapina”) como o Grilo Falante e David Bradley (“Game of Thrones”) como Gepeto, além de Cate Blanchett (“Carol”), Tilda Swinton (“Suspiria”), Tim Blake Nelson (“Watchmen”), Finn Wolfhard (“Stranger Things”), Ron Perlman (“Hellboy”), Christoph Waltz (“007 Contra Spectre”), John Turturro (“Transformers”) e Burn Gorman (“The Expanse”) em seu elenco grandioso. | ADÃO NEGRO | HBO Max e VOD* Dwayne “The Rock” Johnson (“Jumanji: Próxima Fase”) vive o anti-herói do título, cuja dualidade já foi bastante explorada nos quadrinhos. Vilão clássico de Shazam (desde a época do Capitão Marvel), ele passou a ser admitido entre os “mocinhos” apenas recentemente. E este dilema é explorado durante seu confronto com os heróis da trama, a Sociedade da Justiça da América – que estreia em longa-metragem formada por Gavião Negro (Aldis Hodge, de “O Homem Invisível”), Ciclone (Quintessa Swindell, de “Gatunas”), Esmaga-Átomo (Noah Centineo, de “Para Todos os Garotos que Já Amei”) e Sr. Destino (Pierce Brosnan, de “007 Um Novo Dia Para Morrer”). Este também é o problema do filme. The Rock é o ponto alto da produção, mas seu confronto com outros heróis – metade deles tão obscuros quanto inexpressivos – segue o padrão de várias títulos do gênero, inclusive “Batman vs. Superman”. E quando a poeira baixa e todos ficam amiguinhos (spoiler?), a falta de um vilão proeminente só aponta que a Warner não aprendeu nada após cometer o mesmo equívoco em “Liga de Justiça” e “Esquadrão Suicida”. Por tudo isso, “Adão Negro” é um filme para fãs de Zack Snyder, o diretor que estabeleceu o tom sombrio e os vilões genéricos de efeitos computadorizados nas adaptações da DC Comics. Atrás das câmeras, Jaume Collet-Serra (“Sem Escalas”) se comporta quase como um clone do cineasta de “Liga da Justiça”, entregando um longo primeiro ato de uma história que só deve ficar boa no próximo filme – caso a cena pós-créditos seja realmente um indício do desenvolvimento da trama. | EMANCIPATION | APPLE TV+ O filme sobre escravidão estrelado por Will Smith funciona como um thriller de ação intenso, mas é baseado numa história real que outra equipe transformaria num bom drama. A produção é uma cinebiografia do escravo Peter, que ficou famoso no século 19 após fugir de seu “dono” e torturador, engajar-se na Guerra Civil ao lado dos ianques e posar para uma foto expondo as cicatrizes de crueldade nas suas costas – marcas de um chicoteamento que quase o matou. A foto se tornou conhecida como “Scourged Back” e “viralizou” após ser publicada em uma série de veículos de imprensa em 1863, criando um impacto similar ao do assassinato de George Floyd em sua época. Estudiosos apontam a foto como uma das influências do crescimento do movimento abolicionista, que levou ao fim da escravidão nos EUA. A cena da reconstituição da foto faz parte da produção, que destaca uma performance frenética de Smith e uma belíssima fotografia em cores tão esmaecidas que parecem preto e branco, além de muitas cenas de perseguição, guerra e até luta contra crocodilo. A direção é assinada por Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento”, “O Protetor”). A produção chegou a ficar no limbo após a controvérsia do tapa de Smith em Chris Rock durante o Oscar deste ano. Embora vários projetos do ator tenham sido cancelados ou adiados, “Emacipation” já estava totalmente filmado quando aconteceu o desastre de relações públicas. A decisão de lançá-lo ainda neste ano foi tomada após uma exibição privada para um grupo de influencers nos EUA ter forte repercussão positiva nas redes sociais. Entretanto, o lançamento do filme em si não refletiu esse estado de espírito, dividindo a crítica. | THE HOLE IN THE FENCE | MUBI Com uma fotografia premiada no Festival de Veneza, o filme do diretor mexicano Joaquín del Paso (“Maquinaria Panamericana”) é um retrato desconcertante das instituições de ensino privado. A trama acompanha um grupo de alunos de elite num acampamento religioso de verão, separado da cidade vizinha, habitada por trabalhadores pobres, por uma cerca erguida para deixar claro que eles não devem se misturar. Apesar do tom religioso do local, os professores não escondem o objetivo de incutir a importância do sistema de classes e o senso natural de superioridade nos meninos, além de alimentar neles o medo do “outro” e o ódio do “diferente”. Isto resulta em bullying contra um aluno bolsista e vários jogos sádicos de poder, que estimulam violência e escancaram a formação venenosa dos privilegiados. | AS LINHAS TORTAS DE DEUS | NETFLIX A adaptação do suspense clássico do escritor Torcuato Luca de Tena (1923-1999) chega às telas pelas lentes do espanhol Oriol Paulo (“O Corpo”, “Durante a Tormenta”), um especialista no gênero, que materializa a trama de época de forma altamente estilizada. A história gira em torno de uma mulher que falsifica sua ficha psiquiátrica para dar entrada num hospício, com o objetivo de investigar um crime, mas ao seguir as pistas acaba sendo tratada como louca de verdade. O papel principal é de Bárbara Lennie (“A Garota do Fogo”). | ARDENTE PACIÊNCIA | NETFLIX A nova filmagem do livro romântico de Antonio Skármeta, já levado às telas no premiado “O Carteiro e o Poeta” (1994), traz Andrew Bargsted (“Segredos em Família”) como o carteiro apaixonado que tenta seduzir sua amada com poesias, mas comete o erro de plagiar Pablo Neruda, o poeta favorito da moça. Decepcionada ao descobrir a farsa, ela encerra o cortejo. Até que, um dia, o trabalho do carteiro o leva a conhecer o próprio Neruda, a quem tenta convencer a lhe ensinar como ser um poeta de verdade para reconquistar sua musa. A direção é do chileno Rodrigo Sepúlveda (“Aurora”). | PARADISE – UMA NOVA VIDA | VOD* A comédia italiana explora a paranoia de um jovem (Vincenzo Nemolato, de “Martin Eden”) enviado a uma cidade isolada nos Alpes suíços pelo serviço de proteção a testemunhas. Ao chegar lá, dá de cara com o assassino da máfia que ele denunciou e que também fez um acordo e foi relocado pela polícia. Temendo pela vida, o protagonista procura se disfarçar e aprender formas de matar o assassino antes de ser morto. Só que é completamente inepto. E tudo que lhe resta é encarar a desconfiança e ver se a solidão e as saudades da Sicília os aproxima. O que ele não esperava é que os dois desenvolvessem uma amizade inesperada, que rende cenas divertidas no filme, embora a sensação de uma ameaça em potencial continue à espreita, na forma de turistas suspeitos. Dirigido por Davide Del Degan, venceu o Globo de Ouro italiano na categoria de Melhor Filme de Estreia. | ANOTHER WORLD | MUBI O novo filme de Stéphane Brizé acompanha um executivo, sua esposa e filho no momento em que as escolhas de carreira estão prestes a mudar suas vidas. O drama francês pondera como as pressões do trabalho podem implodir famílias e o que realmente é importante na vida. Os papéis principais são de Vincent Lindon, ator favorito de Brizé, e Sandrine Kiberlain. Os dois já tinham contracenado em outro filme do diretor, o premiado “Mademoiselle Chambon” (2009). | BEM-VINDA A QUIXERAMOBIM | VOD* A nova comédia cearense de Halder Gomes e seu cúmplice Edmilson Filho (ambos de “Cine Holliúdy”) traz Monique Alfradique como uma influencer ricaça que perde tudo quando seu pai milionário é implicado em um esquema de corrupção. De uma hora para outra, ela fica sem teto e precisa se refugiar na última propriedade da família ainda disponível: uma fazenda caindo aos pedaços em Quixeramobim, interior do Ceará. Mas ao chegar lá, encontra Edmilson Filho instalado e dizendo ser o dono do lugar. A premissa parece uma comédia romântica, o que não deixa de ser, embutida numa Sessão da Tarde divertida, que ainda inclui Falcão, o youtuber Max Petterson e a mineira Chandelly Braz em seu primeiro filme, após muitas novelas. | AMSTERDAM | STAR+ Os filmes de David O. Russell, indicado ao Oscar por “O Lutador” (2010), “O Lado Bom da Vida” (2012) e “Trapaça” (2013), geralmente contam com elenco grandioso. Esta produção de época passada nos anos 1930 não é diferente. Christian Bale (“Thor: Amor e Paixão”), John David Washington (“Tenet”) e Margot Robbie (“O Esquadrão Suicida”) protagonizam o longa como dois soldados e uma enfermeira, que criaram laços durante a 1ª Guerra Mundial e se veem incriminados num homicídio. E para provar sua inocência, acabam se envolvendo com uma variedade de personagens, todos vividos por famosos – como Anya Taylor-Joy (“O Gambito da Rainha”), Zoe Saldana (“Vingadores: Ultimato”), Rami Malek (“007 – Sem Tempo Para Morrer”), Chris Rock (“Espiral – O Legado de Jogos Mortais”), Alessandro Nivola (“Os Muitos Santos de Newark”), Andrea Riseborough (“Oblivion”), Matthias Schoenaerts (“The Old Guard”), Michael Shannon (“A Forma da Água”), Mike Myers (“Bohemian Rhapsody”), Timothy Olyphant (“Justified”) e até a cantora Taylor Swift (“Cats”). Mas não criem grandes expectativas. Apesar do tom de comédia da produção, o roteiro conduz os protagonistas a um mistério de conspiração histórica que faz pouquíssimo sentido. De fato, é um dos piores filmes da carreira de todos os envolvidos, a ponto de amargar apenas 31% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Estreias: “Yellowstone”, “Patrulha do Destino” e as melhores séries da semana
As estreias de séries da semana destacam produções de ação e aventura. Há viajantes do tempo, super-heróis, fantasia épica e animada, além de três superproduções com temática criminal, reforçadas por um documentário de true crime. Confira abaixo 10 séries que chegam ao streaming nesta semana. | YELLOWSTONE 5 | PARAMOUNT+ Uma das atrações mais vistas da TV paga americana chega na sua 5ª temporada com John Dutton (personagem de Kevin Costner) empossado como Governador de Montana, enquanto o caos acompanha sua ascensão política. Os novos episódios começaram a ser exibidos em 13 de novembro nos EUA, quando foram sintonizados por 12,1 milhões de espectadores, marcando a maior audiência de estreia de uma série em 2022 no país. Além de ser a primeira atração semanal estrelada por Kevin Costner, “Yellowstone” também foi a primeira produção televisiva criada pelo cineasta Taylor Sheridan, que foi indicado ao Oscar 2017 pelo roteiro de “A Qualquer Custo” (2016) e estreou como diretor com “Terra Selvagem” (2017), vencendo um prêmio no Festival de Cannes. Desde então, ele criou um universo derivado com dois spin-offs de “Yellowstone” e lançou mais duas séries diferentes de sucesso – “Tulsa King”, com Sylvester Stallone, e “Mayor of Kingstown”, com Jeremy Renner. Sheridan assina os roteiros, a produção e a direção de alguns episódios de “Yellowstone”, que aborda o mesmo universo de seus filmes premiados: o interior rural dos Estados Unidos, onde os homens ainda usam chapéus de cowboy, andam a cavalo (e helicóptero) e são rápidos no gatilho. Por sinal, o ator indígena Gil Birmingham, que trabalhou nos dois filmes citados de Sheridan, também está no elenco. Os demais atores confirmam a ambição cinematográfica da produção, com destaque para Wes Bentley (“Jogos Vorazes”), Kelly Reilly (série “Britannia”), Luke Grimes (“Cinquenta Tons de Liberdade”), Cole Hauser (“Transcendence: A Revolução”), Kelsey Asbille (“Terra Selvagem”), Dave Annable (série “Red Band Society”), Josh Lucas (“Mark Felt – O Homem que Derrubou a Casa Branca”), Ian Bohen (“Teen Wolf”) além de Danny Huston (“Mulher-Maravilha”) nas duas primeiras temporadas e Josh Holloway (das séries “Colony” e “Lost”) no 3º ano. | GANGS OF LONDON 2 | LIONSGATE+ A polêmica série britânica retorna para mais pancadarias e tiroteios com a marca de seu criador e diretor, Gareth Evans, o cineasta por trás do fenômeno indonésio “The Raid – Operação Invasão”, marco do cinema de ação do século 21. Concebidos como premissa para um videogame, os episódios acompanham a luta de várias gangues pelo controle do submundo de Londres, e o nível de violência é tão alto que causou furor no Reino Unido. A história começa com o assassinato de Finn Wallace, o chefão do crime mais poderoso de Londres nos últimos 20 anos, deixando um buraco na rede que ele comandava. Quando seu filho e herdeiro coloca os negócios de lado para dar prioridade à vingança, tentando descobrir quem orquestrou o crime, uma variedade multicultural de gangues armadas até os dentes se movimenta para tirar proveito do vácuo repentino no topo dos negócios ilícitos da metrópole. O que se segue é um banho de sangue. A produção é estrelada por Joe Cole, que ficou conhecido como John Shelby em “Peaky Blinders”. Sua presença na trama, inclusive, rendeu algumas comparações entre as duas produções. Ambas são centradas em gângsteres britânicos de diferentes culturas e etnias, embora “Peaky Blinders” seja uma série de época e “Gangs of London” se passe nos dias atuais. O elenco ainda destaca Michelle Fairley (“Game of Thrones”), David Bradley (também de “Game of Thrones”), Richard Harrington (“Hinterland”), Mark Lewis Jones (“Chernobyl”), Jing Lusi (“Podres de Ricos”), Narges Rashidi (“Sob a Sombra”), Emmett J Scanlan (“Krypton”), Lucian Msamati (“His Dark Materials”), Ray Panthaki (“Marcella”), Ian Beattie (outro de “Game of Thrones”) e Colm Meaney (“Hell on Wheels”) como o falecido Finn Wallace. Além do galês Gareth Evans, a produção também atraiu outros cineastas para trás de suas câmeras, como o inglês Corin Hardy (“A Freira”) e o francês Xavier Gens (“(A) Fronteira”), ambos especialistas em filmes de terror. Ou seja, todos são conhecidos por trabalhos sanguinários. | LA CASA DE PAPEL: COREIA 2 | NETFLIX A Parte 2 encontra os ladrões sitiados pela polícia, enquanto levam adiante seu grande assalto, que ganhou um verniz mais politizado nessa adaptação coreana. A trama se passa após uma imaginária unificação das Coreias, quando os antigos norte-coreanos reparam que continuam pobres, enquanto os milionários do Sul se tornaram mais ricos. O desejo de ajuste de contas move o novo Professor e seu grupo, que resolvem tomar posse da fortuna do país num plano ousado de assalto. Em vez das célebres máscaras de Salvador Dali da versão espanhola, os coreanos também adotam um disfarce diferente: Yangban, um dos 12 personagens tradicionais das máscaras usadas em celebrações de ruas pela população pobre coreana desde o século 12. O elenco destaca Yoo Ji-tae (“Oldboy”) como o Professor, Park Hae-soo (“Round 6”) como Berlim, Jeon Jong-seo (“Em Chamas”) como Tóquio, Lee Won-jong (“Hand: The Guest”) como Moscou, Kim Ji-hun (“The Flower of Evil”) como Denver, Jang Yoon-ju (“Three Sisters”) como Nairóbi, Lee Hyun-woo (“To the Beautiful You”) como Rio, Kim Ji-hoon (“Voice”) como Helsinki, Lee Kyu-ho (“#Alive”) como Oslo e a sumida Kim Yunjin (de “Lost”) como Woo Jin, a versão sul-coreana da inspetora Raquel. Para completar, os novos episódios ainda incluem nova personagem na trama, a ladra Seul, vivida por Lim Ji Yeon (do filme “Spiritwalker: Identidade Perdida”). Os roteiros são assinados por Ryu Yong-jae (“Invasão Zumbi 2: Península”) e a direção é de Kim Hong-sun (das séries “Black” e “Voice”). | HIS DARK MATERIALS 3 | HBO MAX A última temporada de “His Dark Materials” conclui a adaptação da trilogia literária do escritor Philip Pullman, conhecida no Brasil como “Fronteiras do Universo”. Repleta de efeitos visuais e clima épico, a trama adapta “A Luneta Âmbar” (2000), último livro da saga, que conduz a menina Lyra Belacqua por universos paralelos, numa guerra celestial envolvendo ciência, bruxaria e ursos-polares. A versão televisiva é estrelada pela atriz Dafne Keen, a jovem revelação de “Logan”, no papel da protagonista Lyra, e o ótimo elenco também inclui Ruth Wilson (“The Affair”), Georgina Campbell (“Krypton”), Ruta Gedmintas (“The Stain”), Anne-Marie Duff (“As Sufragistas”), Andrew Scott (“Fleabag”) e Clarke Peters (“Três Anúncios para um Crime”), além de Amir Wilson (“O Jardim Secreto”) como Will Parry, jovem cujo destino começou a se entrelaçar com o de Lyra na 2ª temporada. Os próximos episódios também trazem de volta James McAvoy (“X-Men: Apocalipse”), que teve sua participação cortada devido à pandemia de coronavírus, após uma 2ª temporada menor que o previsto, e até Lin-Manuel Miranda (“O Retorno de Mary Poppins”), cujo personagem supostamente morreu em um tiroteio no segundo ano da série. | PATRULHA DO DESTINO 4 | HBO MAX A trama da 4ª temporada vai encontrar a equipe bizarra da DC numa nova viagem no tempo e diante de sua iminente dizimação, quando precisará decidir de uma vez por todas o que é mais importante: sua própria felicidade ou o destino do mundo. Tudo começa com uma nova aparição do místico Willoughby Kipling (Mark Sheppard), que anuncia a ameaça iminente de um vilão chamado Immortus. Nos quadrinhos, o General Immortus vive há séculos estudando as guerras e sua longevidade tem relação com a aparência rejuvenescida da Patrulha do Destino. Por sinal, sua introdução deve servir para explicar porque alguns dos heróis continuam com a mesma aparência há mais de meio século. Desenvolvida por Jeremy Carver (“The Exorcist”), a série é estrelada por April Bowlby (a Stacy de “Drop Dead Diva”) como Mulher-Elástica, Diane Guerrero (a Martiza de “Orange Is the New Black”) como Crazy Jane e Joivan Wade (Rigsy na série “Doctor Who”) como o Ciborgue, além de Brendan Fraser (da trilogia “A Múmia”) e Matt Bomer (de “White Collar” e “American Horror Story”) como dubladores e intérpretes das cenas de flashback dos personagens Homem-Robô e Homem Negativo, respectivamente. Introduzida no terceiro ano como a supervilã Madame Rouge, Michelle Gomez (“Doctor Who”) também segue no elenco, agora como uma versão regenerada de sua personagem. | INTERLIGADOS | STAR+ A minissérie é sul-coreana, mas quem assina sua direção é um cultuado diretor japonês: Takashi Miike, conhecido por filmes de ação extremamente violentos. A produção, que chama “Connect” no original, acompanha um jovem solitário que passa seu tempo postando vídeos musicais no YouTube, até ser sequestrado por um caçador de órgãos e ter um dos seus olhos removido. Após a experiência traumática, o jovem percebe que passou a compartilhar a visão de quem recebeu o seu olho: um serial killer. E a descoberta o impulsiona em direção ao perigo para ter o seu olho de volta. O personagem principal é vivido por Jung Hae-in, dos doramas “Uma Noite de Primavera” (2019) e “Enquanto Você Dormia” (2017), enquanto o serial killer é interpretado por Go Kyung-pyo, estrela de “Decisão de Partir” (2022), o novo filme de Park Chan-wook (“A Criada”). | FUTURE MAN | STAR+ A série de comédia estrelada por Josh Hutcherson (“Jogos Vorazes”) entre 2017 e 2020 chega com suas três temporadas completas, com referências de sci-fi dos anos 1980 e 91% de aprovação no Rotten Tomatoes. A trama gira em torno de Josh Futturman (Hutcherson), que é apenas um faxineiro durante o dia, mas de noite se transforma num gamer de nível mundial, com o destino do mundo em suas mãos. Josh tem um péssimo emprego como faxineiro num centro de pesquisas de disfunções sexuais, e a única coisa em que se destaca é o Cybergeddon, game ambientado em um futuro distópico em que seu personagem, Future Man, é o campeão do mundo. Até que ele consegue chegar ao último nível, quando descobre que o jogo na verdade era um vídeo de treinamento, e que ele foi selecionado para viajar no tempo e salvar o mundo – basicamente como no filme “O Último Guerreiro das Estrelas” (1984). Na 1ª temporada, ele é enviado ao passado para impedir que o responsável pelo fim do mundo possa dar início à catástrofe. Já no segundo ano tem o futuro com seu novo destino, referenciando a ordem de acontecimentos da franquia “De Volta ao Futuro”. Até finalmente “quebrar o tempo” no desfecho da trama. A atração foi concebida pela dupla Kyle Hunter e Ariel Schaffir, roteiristas da comédia “Sexo, Drogas e Jingle Bells” (2015), e a produção é de outra dupla, Seth Rogen e Evan Goldberg, criadores da série “Preacher” e, claro, também produtores de “Sexo, Drogas e Jingle Bells”. Além de produzir, Rogen e Goldberg dirigiram alguns episódios. E o segundo ano ainda destacou participação de Rogen como ator. | LITTLE AMERICA 2 | APPLE TV+ A série é uma antologia de histórias de imigrantes nos EUA, criada por Kumail Nanjiani (o Kingo de “Eternos”) e sua parceira Emily V. Gordon. Os dois foram indicados ao Oscar 2018 pelo roteiro de “Doentes de Amor”. Todas as histórias da atração são inspirados em relatos reais, e focam diferentes aspectos da vida engraçada, romântica, sincera, inspiradora e inesperada dos imigrantes que tentam realizar seu sonho americano. Além de assinar os roteiros, o casal Nanjiani e Gordon também produz o projeto junto de Alan Yang, co-criador de “Master of None”, e do produtor Lee Eisenberg, da série “SMILF”. Já o elenco dos novos episódios inclui Faysal Ahmed (“Capitão Phillips”), Mohammad Amiri (“Lutando pela Família”), Michael Chernus (“Severance”), Lee Jung-Eun (“Uma Advogada Extraordinária”), Alan S. Kim (“Minari”), Ki Hong Lee (“Maze Runner”), Phylicia Rashard (“The Cosby Show”), Stacy Rose (“Ballers”), Teresa Ruiz (“Narcos: Mexico”), James Saito (“Altered Carbon”), Sathya Sridharan (“Succession”) e a veterana June Squibb (“Nebraska”) | DRAGON AGE: ABSOLVIÇÃO | NETFLIX A adaptação animada do game da BioWare se passa no mundo místico de Tevinter, habitado por elfos, magos, cavaleiros, templários vermelhos, demônios e outras criaturas místicas. Os episódios acompanham um grupo de magos rebeldes e ladrões que se unem para roubar um artefato perigoso e derrotar uma força sinistra. Roteiros e produção são de Mairghread Scott,...
Cinemas recebem “Irmãos de Honra” e mais 12 filmes
Os cinemas recebem 13 estreias nesta quinta (8/12), mas o filme com maior distribuição saiu de cartaz há 13 anos. “Lua Nova” (2009), segundo longa da “Saga Crepúsculo”, retorna aos cinemas em 400 salas durante uma única semana, em comemoração ao aniversário do fim da franquia. Entre as novidades, os lançamentos mais amplos são o filme de ação aérea “Irmãos de Honra” e a comédia brasileira “Pronto, Falei”, que chegam em 300 salas. Mas a lista de destaques ainda inclui dois títulos de prestígio, “Ela Disse” e “Ruído Branco”, que tentam chamar atenção na disputada temporada de premiações. Confira abaixo os filmes que entram em cartaz. | IRMÃOS DE HONRA | O filme de aviação passado durante a Guerra da Coreia chega nas telas no vácuo do blockbuster “Top Gun: Maverick”, que é evocado não apenas pelas cenas de caças em voos rasantes, mas também pela presença do ator Glen Powell, um dos “irmãos de honra” do título, ao lado de Jonathan Majors (“Loki”). Com direção de J.D. Dillard (“O Mistério da Ilha”), a trama retrata o racismo sofrido pelo primeiro afro-americano a voar em combate pela Marinha dos Estados Unidos e sua parceria com um colega que o acompanha até o limite, enquanto os dois se tornam os melhores pilotos e os melhores amigos sob fogo. | ELA DISSE | O drama jornalístico recria os bastidores da primeira publicação de denúncias de assédio, abuso e estupro contra um dos mais poderosos produtores de Hollywood, Harvey Weinstein. A prévia mostra Carey Mulligan (“Bela Vingança”) e Zoe Kazan (“Doentes de Amor”) no papel das repórteres do New York Times que investigaram e publicaram as denúncias que abalaram Hollywood e deram início ao movimento #MeToo. O filme é baseado no livro de mesmo nome, lançado em 2019, que conta os detalhes da investigação sobre os boatos que circulavam há anos a respeito da conduta sexual de Weinstein. A história foca nos bastidores de meses de investigações e obstáculos legais que as jornalistas enfrentaram para publicar suas reportagens, lutando contra a fortuna e o poder de um homem que ganhou mais agradecimentos que Deus na História do Oscar. Apesar da dificuldade inicial para conseguir quem assumisse as denúncias, uma vez publicada a reportagem inspirou uma centena de mulheres, inclusive estrelas de primeira grandeza de Hollywood, a revelar as tentativas de abusos e até mesmo estupros praticados impunemente pelo produtor – e dono de estúdio de cinema – por mais de três décadas. A sucessão de acusações fez ruir um esquema de proteção que incluía pagamentos por baixo dos panos, acordos de confidencialidade, ameaças de retaliação profissional e até serviços de vigilância e intimidação profissional, levando o magnata à julgamento e para a cadeia, além de render o prêmio Pulitzer para as jornalistas. Ao vir à tona, os crimes de Weinstein também tiveram um efeito dominó, inspirando novas denúncias contra poderosos chefões que abalaram os alicerces da indústria do entretenimento e as relações trabalhistas em todo o mundo – com ecos até na queda do presidente da CBF e da Caixa Econômica Federal no Brasil. A dramatização tem roteiro da inglesa Rebecca Lenkiewicz (“Desobediência”) e direção de Maria Schrader (da minissérie “Nada Ortodoxa”). | RUÍDO BRANCO | O novo filme de Noah Baumbach (“História de um Casamento”) é uma comédia absurda, horripilante, lírica e apocalíptica, baseada no romance homônimo de Don DeLillo (“Cosmópolis”), que acompanha as tentativas de uma família americana dos anos 1980 para lidar com os pavores da vida cotidiana e a possibilidade de felicidade num mundo incerto. Com clima apocalíptico, traz a família central em fuga de um nuvem tóxica, mas tudo é exacerbado pela condição psicológica do pai: um medo exagerado da morte, que acompanha cada passo de sua vida. Adam Driver vive o personagem principal, fazendo sua segunda parceria com Baumbach, após ser indicado ao Oscar por seu desempenho em “História de um Casamento” (2019). O elenco também destaca a participação da mulher do diretor, Greta Gerwig, que não atuava numa produção live-action desde “Mulheres do Século 20” (2016) – basicamente, desde que também decolou como cineasta com “Lady Bird: A Hora de Voar” (2017). E ainda Don Cheadle (“Vingadores: Ultimato”), Raffey Cassidy (“Tomorrowland”), Jodie Turner-Smith (“Sem Remorso”), Alessandro Nivola (“Os Muitos Santos de Newark”) e seus filhos Sam e May Nivola. Com a produção é da Netflix, o lançamento nos cinemas é bastante limitado, antes da estreia em streaming, | BEM-VINDOS A BORDO | O drama francês acompanha o cotidiano de uma comissária de bordo vivida por Adèle Exarchopoulos (“Azul É a Cor Mais Quente”). Levando sua rotina de trabalho no modo automático, um dia é dispensada pela empresa de aviação e se vê obrigada a lidar com o que a vida lhe reservou em seu retorno para casa. Vencedor do Festival de Gijón e premiado em Cannes, o filme é o primeiro longa do casal Julie Lecoustre e Emmanuel Marre, que chamou atenção ao conquistar o troféu de Melhor Curta no Festival de Locarno de 2018 (com “D’un château l’autre”). | PRONTO, FALEI | A primeira comédia de Michel Tikhomiroff (“Confia em Mim”) é uma história típica de farsa que dá errado, com referências que vão de “Para Todos os Garotos que Já Amei” a “Cyrano de Bergerac”. Na trama, Nicolas Prattes (“O Segredo de Davi”) é um jornalista que, após beber muito, descobre que enviou vários rascunhos de emails falando mal de todos no trabalho. Certo que vai perder o emprego, aceita uma barganha: outro jornalista, vivido por Romulo Arantes Neto (“Quem Vai Ficar com Mário?”), propõe assumir a autoria dos emails, e em troca pede que ele passe a escrever sua coluna. Só que os emails aumentam a popularidade do outro, que ainda é elogiado pelo trabalho que não faz. Decepcionado, o protagonista atrapalhado passa a imaginar como reverter a situação. O elenco também inclui Kéfera Buchmann (“É Fada”) e Duda Santos (“Travessia”). | SOL | O drama brasileiro acompanha um pai recém-separado, que não consegue se reconectar com a filha de dez anos, e se vê obrigado a viajar com ela para o interior nordestino em busca do próprio pai que o abandonou quando criança e agora quer morrer. O convívio forçado com o pai que ele odeia e a imediata conexão de sua filha com o avô testa todos os seus limites, mas lhe dá a chance de se reaproximar da filha. A direção é de Lô Politi (“Alvorada”) e o papel principal rendeu o prêmio de Melhor Ator a Romulo Braga (“Irmãos Freitas”) no Festival do Rio. | # (HASHTAG) | Paula Burlamaqui (“Verdades Secretas”) vive Bia uma influencer, modelo e blogueira bem-sucedida que está se preparando para a sua festa de comemoração de aniversário. Ao mesmo tempo, fica cada vez mais desconectada do mundo real e de sua própria família. Mas quando acha que vive o seu melhor momento, uma ameaça de exposição a faz questionar sua realidade. A direção é de Caio Sóh (“Canastra Suja”). | CORAÇÃO DE PAI – SÃO JOSÉ | O documentário religioso busca entender quem era José de Nazaré, o pai de Jesus. O diretor espanhol Andrés Garrigó é especialista em produções do gênero, já tendo filmado “Fátima, O Último Mistério” (2017) e “Luz de Soledad” (2016) sobre a santa espanhola María Soledad Torres y Acosta, entre outros documentários católicos. | MUCO – CONTRADIÇÃO NA TRADIÇÃO | O documentário de Oberom acompanha dois irmãos brasileiros em viagem à Índia a fim de entender as implicações que a prática milenar do Yoga, e seus princípios éticos (os Yamas), têm em nossa sociedade. Ao longo da jornada aprendem verdades ocultas da Índia que colocam em xeque a própria tradição do Yoga. | CLARICE LISPECTOR – A DESCOBERTA DO MUNDO | O filme de estreia de Taciana Oliveira é um ensaio documental criado a partir de uma seleção de depoimentos da escritora Clarice Lispector e entrevistas com amigos e familiares. O formato resulta numa costura poética visual de trechos adaptados da sua obra e um resgate da participação da escritora no programa “Os Mágicos”, da TV Educativa, em dezembro de 1976. | O TABLADO E MARIA CLARA MACHADO | O filme de estreia de Creuza Gravina foi resultado de vários anos de pesquisa para contar a história do Teatro Tablado e de sua fundadora Maria Clara Machado. A narrativa ganha forma por meio de 62 depoimentos de ex-alunos de diferentes gerações, como Marieta Severo, Malu Mader, Cláudia Abreu, Lúcio Mauro Filho, Marcelo Serrado, Bárbara Heliodora, Ernesto Piccolo, Lupe Gigliotti, Louise Cardoso, Cacá Mourthé, Leandro Hassum, Andréa Beltrão e muitos outros, além dos professores do curso de teatro e de amigos que acompanharam o trabalho da escritora, como o falecido Gilberto Braga e Marcos Palmeira. | A SAGA CREPÚSCULO – LUA NOVA | A Paris Filmes está relançando toda a “Saga Crepúsculo” nos cinemas brasileiros em comemoração aos 10 anos do final da franquia, que foi encerrada em 2012 com “Amanhecer – Parte 2”. Depois de “Crepúsculo” (2008), é a vez de “Lua Nova” (2009), que transformou a história de amor sobrenatural entre a mortal Bella (Kristen Stewart) e o vampiro Edward (Robert Pattinson) num triângulo com a introdução do lobisomem Jacob (Taylor Lautner). O sucesso dos filmes catapultou as carreiras do par central, que também viveu um namoro tumultuado fora das telas. Stewart e Pattinson têm feito alguns dos filmes recentes de mais prestígio e sucesso de Hollywood. Enquanto a atriz foi indicada ao Oscar por “Spencer”, o ator virou o novo “Batman” do cinema. Já Taylor Lautner, por outro lado, tornou-se coadjuvante de comédias de Adam Sandler. A “Saga Crepúsculo” também está integralmente disponível em streaming nas plataformas Netflix e Star+.
Estreias: “Willow”, “Gossip Girl” e as melhores séries da semana
A variedade de séries disponibilizadas em streaming nesta semana atende aos mais diferentes gostos. Fantasia, suspense, drama, comédia, atrações para crianças e adultos, tem de tudo um pouco. Confira abaixo as 10 melhores novidades das plataformas. | WILLOW | DISNEY+ A continuação da fantasia clássica produzida por George Lucas em 1988 traz Warwick Davis de volta ao papel-título. Para quem não lembra, o filme original era centrada no anão Willow Ufgood, que relutantemente era forçado a proteger um bebê caçado pela Rainha Bavmorda (Jean Marsh), após uma profecia espalhar que a criança traria a queda da rainha do mal. Para cumprir sua missão, ele acaba sendo ajudado por um espadachim mercenário (Val Kilmer), que cruza seu caminho. A série continua essa história acompanhando uma nova missão do protagonista, que volta a ser se juntar com aventureiros para novos encontros com criaturas fantásticas e magia. Desta vez, ele atende a um chamado do antigo bebê, agora uma rainha, para salvar seu filho raptado por trolls. E contará entre seus acompanhantes com a filha da ex-bebezinha, vivida por Ellie Bamber (“O Quebra Nozes e os Quatro Reinos”). O elenco também inclui Tony Revolori (“Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”), Dempsey Bryk (“O Silêncio”), Amar Chadha-Patel (“Doom: Aniquilação”), Ruby Cruz (“Mary of Easttown”), Talisa Garcia (“Baptiste”) e Erin Kellyman (“Falcão e o Soldado Invernal”), com quem o intérprete de Willow já tinha trabalhado em “Han Solo: Uma História Star Wars” (2018). A atração foi desenvolvida pelo roteirista Jonathan Kasdan (“Han Solo: Uma História Star Wars”), tem Wendy Mericle (“Arrow”) como showrunner, e conta com o diretor e o roteirista do filme original, Ron Howard e Bob Dolman, entre seus produtores. | SLOW HORSES 2 | APPLE TV+ A série de espionagem estrelada por Gary Oldman retorna para uma nova aventura. Adaptação do livro homônimo de Mick Herron, a trama acompanha os “pangarés”, uma equipe de agentes da inteligência britânica que atua no departamento menos importante do MI5, onde funcionários vão para encerrar a carreira após cometerem erros no trabalho. Oldman vive Jackson Lamb, o líder dos espiões fracassados – 11 anos depois de encabeçar “O Espião que Sabia Demais” – , lembrando a todos da irrelevância de suas funções, até que se vê precisando defendê-los, quando são envolvidos num complô inesperado e têm que mostrar a competência que nunca tiveram para não virar danos colaterais de seus superiores. Com o sucesso de sua primeira missão, os pangarés enfrentam novo desafio na 2ª temporada, ao investigarem segredos antigos da Guerra Fria, precisando superar novamente suas limitações para impedir uma conspiração que pode ocasionar um massacre nas ruas de Londres. Com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, a série já se encontra renovada até a 4ª temporada. | GOSSIP GIRL 2 | HBO MAX A série juvenil volta em sua 2ª temporada repleta de olhares arregalados, empurrões, água na cara e até perseguição policial, prometendo mais esquemas ardilosos, triângulos e quadriláteros amorosos e, claro, muitos escândalos, especialmente devido ao retorno da Georgina Sparks (Michelle Trachtenberg), a malvadinha da série original dos anos 2000. Continuação da série que foi sucesso entre 2007 e 2012 na TV americana, a nova “Gossip Girl” é escrita por Joshua Safran e tem produção de Josh Schwartz e Stephanie Savage, criadores da primeira atração. E apesar de novos personagens, reforça a ligação entre as duas gerações por meio da narração de Kristen Bell, que repete seu papel como a voz informal de Gossip Girl. Uma década depois que o blog da “garota fofoqueira” foi desativado, a trama revela uma nova Gossip Girl, desta vez concebida pelos professores da escola de elite da trama, que surge para controlar a atual geração de estudantes sem noção de limites. O elenco da versão 2.0 reúne Emily Alyn Lind (“A Babá”), Jordan Alexander (“Sacred Lies”), Whitney Peak (“O Mundo Sombrio de Sabrina”), Eli Brown (“Pretty Little Liars: The Perfeccionists”), Johnathan Fernandez (“Lethal Weapon”), Tavi Gevinson (“Scream Queens”), Thomas Doherty (“Legacies”), Adam Chanler-Berat (“Next to Normal”), Zion Moreno (“Claws”), o veterano da Broadway Jason Gotay (“Peter Pan Live!”) e Elizabeth Lail (a vítima da 1ª temporada de “Você”). | RESERVATION DOGS 2 | STAR+ A comédia passada em território nativo-americano gira em torno de quatro adolescentes de descendência indígena, que cometem pequenos delitos em sua cidadezinha em Oklahoma, sonhando em juntar dinheiro para ir para a Califórnia. A série é criação do cineasta neozelandês Taika Waititi, diretor de “Thor: Amor e Trovão”, que é descendente da tribo maori, e de Sterlin Harjo, diretor-roteirista do premiado filme indie “Mekko” (2015), que tem sangue seminole e creek, e mora na região abordada pela trama. Harjo também dirige episódios e é coprodutor da atração com Waititi. Aclamada pela crítica, “Reservation Dogs” é notável por ser a primeira série a apresentar uma equipe totalmente nativa de escritores, diretores e elenco, e é um dos programas mais assistidos da FX Networks disponibilizados diretamente em streaming – na plataforma Hulu nos EUA. | TIME | HBO MAX A minissérie vencedora do BAFTA TV (o Emmy britânico) se passa numa prisão do Reino Unido e acompanha o embate entre um agente penitenciário, vivido por Stephen Graham (“O Chef”), e um dos criminosos mais perigosos do presídio, que o chantageia com ameaças à vida de seu filho. No meio disso tudo, um professor remoendo culpa por uma atropelamento, interpretado por Sean Bean (“Expresso do Amanhã”), começa uma sentença de quatro anos, impressionando-se com a violência daquele lugar. A partir daí, a série pressiona os protagonistas sem parar, buscando mostrar em que ponto eles podem quebrar. Com três episódios, a produção de Jimmy McGovern (“Moving On”) tem 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, foi eleita a Melhor Minissérie Britânica do ano e ainda premiou Sean Bean como Melhor Ator. | CABEÇA QUENTE | NETFLIX A sci-fi turca se passa num mundo pós-apocalíptico abalado por uma epidemia de loucura, que se espalha através da fala desordenada dos infectados. Enquanto todos andam com fones de ouvido, um recluso linguista descobre ser a única pessoa misteriosamente não afetada pelo contágio. Caçado por uma implacável Instituição Antiepidêmica para ser estudado, ele se vê forçado a deixar a zona segura e fugir para as ruínas das ruas de Istambul, em meio aos loucos e em busca do segredo de seu “crânio quente”, uma marca duradoura da doença. A série é uma criação de Mert Baykal (“Kardesim Benim”) e é estrelada por Osman Sonant (“A Caixa de Pandora”). Os dois trabalharam juntos antes na dramática “Fi” (2017–2018), vencedora do Golden Butterfly Awards, uma premiação do público da TV turca. | AMIGAS PARA SEMPRE 2 | NETFLIX A 2ª temporada encerra a série estrelada por Katherine Heigl (a Dra. Izzie Stevens de “Grey’s Anatomy”) e Sarah Chalke (a Dra. Eliot Reid de “Scrubs”). Adaptação do romance homônimo de Kristin Hannah, a trama acompanha duas melhores amigas ao longo de décadas, acompanhando o envelhecimento das personagens após se unirem durante uma tragédia na adolescência. Heigl vive Tully, “a garota ousada e atrevida que você não pode ignorar”, e Chalke é Kate, “a garota tímida que você nunca nota”, e uma vez ligadas se tornam inseparáveis por 30 anos de altos e baixos, até que uma traição impensável sacode essa amizade, deixando dúvidas se elas conseguirão se reconciliar. Vale reparar que “Amigas para Sempre” foi a primeira série estrelada por Heigl, desde que saiu de “Grey’s Anatomy”, a não acabar após uma temporada. Ela não tinha emplacado nenhum sucesso em sua tentativa de voltar às produções televisivas, após uma carreira frustrante no cinema. Atrações que protagonizou, como “State of Affairs” e “Doubt”, foram canceladas com menos de 13 episódios exibidos. Para completar, ela entrou em “Suits” e a série acabou logo em seguida. O elenco de “Amigas para Sempre” também inclui Ali Skovbye (de “O Homem do Castelo Alto”) e Roan Curtis (“The Magicians”) como as versões adolescentes das protagonistas, além de Ben Lawson (“Designated Survivor”), Yael Yurman (também de “O Homem do Castelo Alto”) e Beau Garrett (“The Good Doctor”). | MAGGIE, A VIDENTE | STAR+ A personagem do título é uma vidente de verdade, que ganha a vida fazendo previsões sobre o futuro das pessoas. Até que um dia, ao atender um cliente charmoso, descobre seu próprio futuro, ao ter uma visão de seu casamento com ele. A revelação tira seu chão e ela busca ajuda das amigas para lidar com o fato de que um desconhecido aleatório será seu marido. A comédia romântica com humor ácido e personagens carismáticos foi criada por Justin Adler e Maggie Mull, respectivamente criador e produtora de “Life in Pieces”, e traz a atriz Rebecca Rittenhouse (“Era uma Vez em… Hollywood”) como protagonista. | ARCHER 13 | NETFLIX Paródia hilária de séries e filmes clássicos de espionagem, “Archer” chega a sua 13ª temporada com uma nota triste. Esta foi o primeiro ano da animação sem uma de suas protagonistas principais, após a morte de Jessica Walter. A atriz, também conhecida pela série “Arrested Development”, interpretava a mãe de Archer, a espiã mestre Malory Archer, e faleceu em março do ano passado, enquanto dormia em sua casa, em Nova York, aos 80 anos. A série é criação de Adam Reed, que ficou conhecido por outra paródia animada, “Laboratório Submarino 2021”, sátira de um desenho clássico de 1972, e gira em torno do espião Sterling Archer, que atende pelo codinome nada másculo de Duquesa e até a temporada passada trabalhava para sua dominadora mãe e chefe, Malory, numa agência de espionagem internacional. Agora o personagem dublado por H. Jon Benjamin (série “Master of None”) e demais associados da agência precisam lidar com a nova chefia, após sua organização ser adquirida por um conglomerado de espionagem internacional, que os envia em missões cada vez mais estranhas. O elenco de dubladores originais também inclui Aisha Tyler (série “Criminal Minds”) como a espiã Lana Kane, Chris Parnell (“Anjos da Lei”) como o espião Cyril Figgis, Amber Nash (dubladora de “Frisky Dingo”) como a diretora do RH Pam Poovey e Judy Greer (“Homem-Formiga”) como a secretária sexy Cheryl Tunt. | TATAMI: UMA VIAGEM NO TEMPO | STAR+ O novo anime estiloso do estúdio Science SARU (“A Hora da Aventura”) é uma continuação de “The Tatami Galaxy”, originalmente um romance de Tomihiko Morimi, que ganhou uma adaptação animada – e cultuada – em 2010. A trama original girava em torno de um estudante universitário sem nome, oficialmente conhecido como “Watashi” (japonês para “I”), que vê seu objetivo de ter uma “vida cor-de-rosa no campus” ser repetidamente frustrado por seu colega de classe Ozu, que se aparece com uma figura demoníaca. Totalmente surreal, a série usava o conceito de multiversos para explorar a contraposição do livre arbítrio e do destino, mostrando Watashi repetindo padrões em diferentes versões da realidade. Os personagens retornam na continuação, agora numa trama de viagem no tempo. Depois de Ozu quebrar o controle remoto do ar-condicionado do dormitório, Watashi e seus amigos ponderam que a única forma de evitar passar calor é usar uma máquina do tempo recém-descoberta no campus, para voltar alguns minutos no passado e impedir o estrago. Claro que tudo sai errado. Várias vezes. Apesar de contada no contexto de “Tatamy Galaxy”, a história na verdade é uma adaptação do filme “Summer Time Machine Blues”, escrito por Morimi e lançado em 2005 no Japão. “Tatami: Uma Viagem no Tempo” também foi concebido para o cinema, sendo dividido em seis episódios apenas para passar na plataforma adulta da Disney. Na prática, porém, isso não faz diferença, já que a temporada foi lançada completa.
Estreias: “Morte, Morte, Morte”, “Era uma Vez um Gênio” e os novos filmes em streaming
A programação de lançamentos nas plataformas de assinatura e locação digital continuam tocando o terror após um mês do Halloween. Estreias de horror e fantasia sombria são os maiores destaques da semana, mas também há opções para crianças, casais românticos e cinéfilos. Confira abaixo as 10 principais novidades disponibilizadas para o cinema em casa. | MORTE, MORTE, MORTE | VOD* O suspense de humor ácido destaca-se pelo bom elenco e o roteiro esperto, que cria um “quem matou” moderno e envolvente. A trama traz Amandla Stenberg (“O Ódio que você Semeia”) e Maria Bakalova (a filha de “Borat 2”) como um casal quente, que chega numa mansão isolada para se divertir com uma turma de influencers. Quando o tédio se instala, alguém sugere um jogo, em que uma pessoa fingiria ser um assassino enquanto os demais se escondem. O problema é que, quando uma tempestade apaga as luzes, começam a surgir cadáveres. Um assassino estaria realmente entre eles. O filme tem direção da atriz holandesa Halina Reijn (“Instinto”) e seu elenco também inclui Pete Davidson (“O Esquadrão Suicida”), Myha’la Herrold (“Industry”), Rachel Sennott (“Shiva Baby”), Chase Sui Wonders (“Generation”) e Lee Pace (“Guardiões da Galáxia”). | ERA UMA VEZ UM GÊNIO | VOD* O filme que marca a volta do cineasta George Miller ao cinema, sete anos após deixar público e crítica impressionados com “Mad Max: Estrada da Fúria”, é inspirado pelas fábulas das Mil e uma Noites. A fantasia de visual arrebatador traz Idris Elba (“Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw”) como um gênio encantado – na verdade, um Djinn – , cuja “lâmpada” mágica vai parar nas mãos de uma viúva solitária (vivida por Tilda Swinton, de “Doutor Estranho”) após passar séculos perdida. Enquanto pondera seus três desejos, a mulher conhece a história do gênio e reflete sobre a velha moral da história: “cuidado com o que desejar”. O visual, especialmente durante as cenas de recriação do Oriente exuberante, é de encher os olhos, com muitos efeitos visuais, além de uma fotografia, cenografia e figurinos refinadíssimos. Mas a expectativa para a produção era maior que seus 71% de aprovação da crítica na contabilização do site Rotten Tomatoes. | O TROLL DA MONTANHA | NETFLIX A fantasia norueguesa acompanha uma equipe de especialistas formada para investigar estranhos acontecimentos na montanha de Dovre. Eles logo descobrem que um monstro gigante despertou após mil anos, destruindo tudo pelo caminho – um caminho que leva à capital da Noruega. Uma premissa curiosa, que sugere um Godzilla inspirado nas lendas nórdicas. O filme tem direção de Roar Uthaug (“Tomb Raider: A Origem”) e é estrelado por Ine Marie Wilmann (“Furia”), Mads Sjøgård Pettersen (“O Rei da Montanha”), Kim Falck (“Presos no Gelo 3”) e Gard B. Eidsvold (“Em Busca do Castelo Dourado”). | HALLOWEEN ENDS | VOD* Anunciado como encerramento da longeva saga de terror, o filme apresenta a última batalha entre o bicho-papão Michael Myers e a final girl Laurie Strode (Jamie Lee Curtis). Literalmente no final mesmo, após frustrar grande parte do público com uma longa história paralela em torno de um assassino copiador. Apesar da moral da história ser que o mal nunca morre e pode se esconder por trás de muitas máscaras, esta continuação foi vendida como o final definitivo da franquia. Mas desde que Laurie e Michael se enfrentaram pela primeira vez em 1978, eles já tiveram três finais anunciados como definitivos – o primeiro foi a continuação direta, “Halloween II”, de 1980, seguido por “Halloween H20: Vinte Anos Depois” em 1998 e, por fim, “Halloween: Ressurreição” em 2002, o filme em que Laurie morre. Todos foram ignorados pela nova trilogia, inaugurada em 2018 como uma sequência direta do longa original de John Carpenter. O papel de Laurie deu à Jamie Lee Curtis, filha de Tony Curtis (“Quanto Mais Quente Melhor”) e Janet Leigh (“Psicose”), a fama de maior “scream queen” (rainha do grito) e mais popular “final girl” (última garota sobrevivente) de todos os tempos. A nova trilogia também resgatou as crianças cuidadas pela então babá Laurie em 1978 – uma delas vivida pela mesma atriz, Kyle Richards – , e introduziu a filha e a neta da heroína, interpretadas por Judy Greer e Andi Matichak. Uma delas foi despachada pelo bicho papão no longa anterior, o que deixa Laurie meio desnorteada na nova sequência, especialmente ao aproximar sua descendente restante do perigoso aprendiz de Mike Myers. A direção é de David Gordon Green, que comandou toda trilogia atual e conseguiu uma façanha: fazer com que cada novo capítulo fosse mais decepcionante que o anterior. | O AMANTE DE LADY CHATTERLEY | NETFLIX A nova adaptação do romance homônimo de DH Lawrence traz Emma Corrin (a Princesa Diana de “The Crown”) em cenas quentes. A trama é famosamente escandalosa e já gerou versões muito picantes na tela, inclusive um lançamento proibido para menores estrelado por Sylvia Kristel (a “Emmanuelle”) em 1981. O livro foi publicado originalmente na Itália e na França na década de 1920, mas não foi impresso nos Estados Unidos até 1959 sob a acusação de conter obscenidades. A história gira em torno da rica e privilegiada Lady Chatterley, casada com um homem que ela não ama. Entediada e isolada no campo, ela inicia um relacionamento casual, que vira passional, com um jovem humilde que trabalha em sua propriedade inglesa. Além de Emma Corrin como Lady Chatterley, o elenco destaca Jack O’Connell (“Invencível”) como o amante e Nicholas Bishop (“Industry”) como o marido traído. O roteiro foi escrito por David Magee (“As Aventuras de Pi”) e a direção é da francesa Laure de Clermont-Tonnerre, diretora do filme “The Mustang” (2019) e da minissérie “The Act”. | HOLD ME TIGHT | MUBI O novo filme de Mathieu Amalric (“O Quarto Azul”) acompanha uma mulher que um dia simplesmente abandona sua família. Enquanto dirige para longe, ela imagina situações que podem estar acontecendo, sobre a reação dos filhos e do marido ao descobrirem que ela não vai voltar logo. Ancorado por uma performance magistral de Vicky Krieps (“Trama Fantasma”), o ator, roteirista e diretor francês realiza um estudo da dor e da perda de forma fragmentada, mas permite a visualização de todas as peças para o público contemplar o grande quadro da vida. Por seus trabalhos, Krieps e Amalric estão concorrendo ao César 2023 (o Oscar francês), que acontece em fevereiro. | AS AVENTURAS DE TADEO E A TÁBUA DE ESMERALDA | VOD* A terceira animação da franquia de Tadeo traz o Indiana Jones espanhol desencadeando acidentalmente um antigo feitiço, que coloca em perigo a vida de seus amigos – entre eles, a Múmia do primeiro filme, que agora tem uma namorada. As aventuras vão das pirâmides do México às pirâmides do Egito, sem esquecer da pirâmide de Paris (diante do Museu do Louvre). Assim como os anteriores, o novo filme tem direção de Enrique Gato, criador de Tadeo Jones – que ele revelou pela primeira vez em 2006 num curta animado. O personagem, um ex-trabalhador da construção civil que sonhava virar arqueólogo aventureiro, é simpaticíssimo e suas animações muito bem feitas, com ação suficiente para contentar os fãs, senão de Indiana Jones, ao menos de Tintim, o aventureiro de quadrinhos mais famoso da Europa. | ENTRE ROSAS | *VOD A comédia dramática francesa acompanha uma criadora de rosas à beira da falência, que é salva por uma solução de sua fiel secretária: contratar três presidiários sem nenhum conhecimento de jardinagem, mas que trabalham por salários baixos. Completamente diferentes, eles se unem na missão de salvar a pequena fazenda. A veterana Catherine Frot (“Margueritte”) tem o papel principal. | UM NATAL CHEIO DE GRAÇA | NETFLIX A comédia que marca a estreia de Gkay como protagonista virou babado com duas semanas de antecedência por conta das fofocas de bastidores, que trouxeram à tona supostos ataques de estrelismo da influencer. Na trama, Sérgio Malheiros (“Impuros”) fica desconsolado após flagrar a noiva lhe traindo com outra mulher na véspera do Natal e, sem saber como encarar a festa da família, convida a primeira desconhecida que encontra para ser sua acompanhante no Natal, na mansão de sua mãe rica (Vera Fisher, de “Salve Jorge”) e diante de todos os parentes. Só que a desconhecida é Gkay, que se revela sem classe alguma e capaz de causar um vexame atrás do outro. O elenco também inclui Monique Alfradique (“Bem-vinda a Quixeramobim”), Letícia Isnard (“Um Tio Quase Perfeito”), Nando Cunha (“Vizinhos”) e Cezar Maracujá (“Nada Suspeitos”), entre outros. O roteiro é de Carol Garcia (“Bom Dia, Verônica”) com consultoria de Fil Braz (“Minha Mãe É uma Peça”) e direção de Pedro Antônio (“Tô Ryca!”). | SR. | NETFLIX O documentário retrata a vida do cineasta Robert Downey, pai do ator Robert Downey Jr. Tem direção de Chris Smith (“Fyre Festival: Fiasco no Caribe”), mas foi concebido e é conduzido na tela por Downey Jr. A obra destaca momentos emocionantes da convivência entre pai e filho, enquanto o intérprete do Homem de Ferro registra os últimos meses de vida de seu pai em conversas sobre suas realizações, lutas e família. O filme também serve para apresentar a obra do diretor para as novas gerações. Como os filmes eram independentes, nunca receberam muita atenção do mercado e jamais saíram do circuito dos iniciados, o que deixou seus principais títulos inéditos no Brasil e em vários países do mundo. Por conta disso, sua ousadia acabou esquecida. Mais que isso, é até desconhecida entre os que se referiam a ele apenas como o pai de Robert Downey Jr. Mas Robert Downey marcou época no cinema como um dos cineastas mais transgressores e identificados com o movimento contracultural dos EUA. Ele tem pelo menos um filme cultuadíssimo, “Putney Swope”, de 1969, que contrastou o movimento dos direitos civis com a indústria da publicidade. Seu filho famoso atuou em vários de seus longas, estreando como ator na comédia “Pound” (1970), com cinco anos de idade. Além de dirigir, Robert Downey também foi ator e participou de filmes como “Boogie Nights” (1997) e “Magnolia” (1999), ambos de Paul Thomas Anderson. Sua última aparição nas telas foi como convidado do humorístico “Saturday Night Live” em 2015. Ele morreu em julho de 2021, aos 85 anos, após sofrer do Mal de Parkinson por 5 anos. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Claro TV+, Google Play, Loja Prime, Microsoft Store, Vivo Play e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
Irene Cara, estrela de “Fama” e cantora de “Flashdance”, morre aos 63 anos
A cantora e atriz Irene Cara, que venceu dois Oscars de Melhor Canção, morreu no sábado aos 63 anos, na Flórida. A causa da morte não foi divulgada. Irene Cara nasceu em 18 de março de 1959, na região do Bronx, em Nova York, e era filha de um saxofonista porto-riquenho, e era conhecida por cantar “Flashdance… What a Feeling”, da trilha de “Flashdance – Em Ritmo de Embalo” (1983) e a música-título de “Fama” (1980), ambas premiadas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA. A artista também estrelou “Fama” como atriz, após se destacar anteriormente em outro musical: “Sparkle”, de 1976, sobre três irmãs cantoras cujos laços familiares são rompidos enquanto buscam a fama. O começo de sua carreira foi justamente em musicais da Broadway, ainda adolescente, de onde ela saiu para estrelar o romance interracial “Aaron Loves Angela” (1975) no cinema. Depois de “Sparkle”, ainda teve papéis proeminentes na minissérie de televisão “Raízes II” (1979) e no telefilme “Jim Jones: A Tragédia da Guyana” (1980). Mas foi no musical de 1980 de Alan Parker que ela despontou para o sucesso. Cara viveu a protagonista de “Fama”, Coco Hernandez, lutando ao lado de estudantes de um escola de artes cênicas para aperfeiçoar seus talentos e buscar viver de arte. O filme foi um fenômeno de bilheteria e de venda de discos. Ela cantou a faixa-título e o hit “Out Here on My Own”, que entraram nas listas das músicas mais tocadas do ano. Ambas ainda foram indicadas ao Oscar de Melhor Canção Original, numa disputa que deu a estatueta para “Fame”. A repercussão levou Cara a ser indicada ao Grammy de Melhor Artista Revelação e Melhor Performance Pop Feminina de 1980. E em 1983 ela dobrou o feito como cantora e coautora de “What a Feeling”, que lhe rendeu vitórias no Grammy e no Oscar em 1984. Entretanto, após atingir esse ponto alto da carreira, Cara viu tudo desabar com grande rapidez. Ela estrelou uma seleção de filmes muito ruins nos anos 1980, incluindo a comédia besteirol “Taxi Especial” (1983) com Mr. T., a comédia de ação “Cidade Ardente” (1984) com Clint Eastwood e o thriller “Choque Mortal” (1985) com Tatum O’Neal. Nenhum desses trabalhos fez sucesso comercial, o que a colocou na rota das produções trash e encurtou sua carreira. Em 1989, ela fez seu último filme: “Caged in Paradiso”, em que viveu uma presidiária encarcerada com outras mulheres numa ilha tropical. Depois disso, ainda estrelou a série policial “Anjo Maldito” (Gabriel’s Fire), ao lado de James Earl Jones, mas a produção durou apenas uma temporada, entre 1990 e 1991, e Cara só voltou a trabalhar como dubladora de games e animações lançadas diretamente em vídeo. Paralelamente, a carreira musical sofreu com sua decisão de processar sua gravadora, Network Records, por se sentir usada e roubada. No processo aberto em 1985, Cara pediu US$ 10 milhões, afirmando que a Network havia explorado o seu trabalho e sua confiança, fazendo-a assinar contratos que lhe custaram mais de US$ 2 milhões. A ação correu na Justiça durante oito anos, antes de a Corte reconhecer que Cara, de fato, havia sido prejudicada pela gravadora. Mas ela só ganhou US$ 1,5 milhão de indenização, grande parte comprometida com os custos do processo, e terminou com a reputação prejudicada numa época em que mulheres deveriam apenas fazer o que lhes era mandado. Em entrevistas ao longo dos anos, Cara afirmou que foi renegada pela indústria musical após ir atrás de seus direitos, recebendo o rótulo de “difícil”. Cara teve um último salvo de fama ao regravar “Flashdance… What a Feeling” com DJ BoBo para a trilha da comédia “Ou Tudo ou Nada” de 1997. O filme fez bastante sucesso e devolveu a música às rádios, lhe permitindo reviver pela última vez seus dias de glória. Historicamente, “Fama” e “Flashdance” se diferenciaram dos musicais que os precederam por mostrar diversidade racial e histórias de superação de personagens da classe trabalhadora. Isto também ajudou a transformar suas músicas em hinos de desprivilegiados dispostos a vencer as adversidades sociais. Esse detalhe foi lembrado pela atriz Jennifer Beals, que estrelou “Flashdance”, ao homenagear Cara em seu Instagram, enquanto celebrava o multitalento da artista. “Foi preciso uma bela sonhadora para criar e cantar as trilhas sonoras para aqueles que ousam sonhar.” Lembre abaixo os três maiores hits de Irene Cara.
Estreias: Terror da Netflix e novas séries pra maratonar
O mês do Halloween já começou em clima de terror com o lançamento de “O Clube da Meia-Noite”, nova incursão no gênero do diretor de “A Maldição da Residência Hill”, que já se estabelece como uma das melhores produções sobrenaturais em 2022. Há também a volta dos zumbis de “The Walking Dead” e da antologia “Creepshow”. A programação também inclui a nova temporada de “Grey’s Anatomy” e outros dramas tensos, mas também comédias leves, com direito até a humor político brasileiro, além de uma atração inspirada nos quadrinhos da DC Comics e uma série documental sobre o canibal Jeffrey Dahmer para quem quiser conhecer o verdadeiro serial killer da minissérie recém-lançada pela Netflix. Confira abaixo as melhores novidades para colocar na fila do fim de semana. | O CLUBE DA MEIA-NOITE | NETFLIX A nova série de terror desenvolvida pelo cineasta Mike Flanagan, responsável pelas minisséries “A Maldição da Residência Hill”, “A Maldição da Mansão Bly” e “A Missa da Meia-Noite”, começa como um drama juvenil de doença, antes de sofrer uma reviravolta tensa e sobrenatural e se tornar uma das melhores do diretor – usando o horror como forma de ilustrar as piores coisas que podem se manifestar contra alguém. A trama gira em torno de um grupo de adolescentes com doenças terminais, que se reúne todo dia à meia-noite na clínica em que estão internados para contar histórias de terror. Essas histórias ganham vida nos episódios, mas há um fio narrativo que se sobrepõe. No espírito desses encontros, o grupo decide firmar um pacto sinistro: o primeiro deles que morrer deve tentar se comunicar com os amigos que sobreviveram. Pois assim que essa morte ocorre, coisas estranhas começam a acontecer. A produção adapta o livro homônimo de Christopher Pike com um elenco repleto de atores jovens, com destaque para Iman Benson (“Alexa & Katie”), Aya Furukawa (“O Clube das Babás”) e Igby Rigney (“Missa da Meia-Noite”), além dos adultos Zach Gilford (também de “Missa da Meia-Noite”) e a sumida Heather Langenkamp (a eterna Nancy de “A Hora do Pesadelo”) como um médico e uma enfermeira do hospital. | THE WALKING DEAD | STAR+ A reta final da série começa com intrigas políticas e o avanço de uma horda de zumbis em direção à Commonwealth (Império na tradução dos quadrinhos nacionais). A expectativa para esta Parte 3 da 11ª e última temporada é de um desfecho para os sobreviventes de Alexandria, que devem travar uma guerra contra as tropas da Governadora Pamela Milton pelo controle da Commonwealth e enfrentar a invasão dos mortos-vivos na comunidade até então protegida. Mas os episódios semanais, que se encerram em 20 de novembro, não representarão o fim do universo da série, que continuará em “Fear the Walking Dead” e em vários spin-offs novos, centrados em Maggie, Negan, Daryl e até em Rick e Michonne. | CREEPSHOW 3 | STAR+ Baseado no filme de George A. Romero de 1982 com o mesmo nome, “Creepshow” é uma antologia de terror, que conta histórias diferentes a cada episódio. A série tem produção de um dos mais conhecidos discípulos de Romero: Greg Nicotero, diretor, produtor e responsável pela maquiagem dos zumbis de “The Walking Dead”. Nicotero tem forte ligação com o original. Foi durante uma visita ao set da produção que ele conheceu o seu mentor Tom Savini, de quem virou assistente de maquiagem no clássico de zumbis “Dia dos Mortos” (1985), dirigido por Romero. Ele também trabalhou nos efeitos de “Creepshow 2”, antes de virar um mestre da maquiagem de terror. Cada episódio reúne duas histórias e Nicotero dirige três delas na 3ª temporada, que também conta com capítulos assinados pelos diretores Joe Lynch (“Um Dia de Caos”), John Harrison (do clássico “Contos da Escuridão”), Axelle Carolyn (“A Mansão”), Rusty Cundieff (“Contos Macabros”) e até um segmento animado de Jeffrey F. January (também de “The Walking Dead”). | TRÊS IRMÃS | NETFLIX Esta adaptação muito – mas muito – livre de “Adoráveis Mulheres”, clássico literário de Louisa May Alcott levado às telas por Greta Gerwig em 2019, é um drama contemporâneo e capitalista envolvente sobre a luta das três irmãs do título para sair da pobreza, que surpreende com reviravoltas inesperadas graças ao talento da premiada roteirista Jeong Seo-kyeong, parceira do diretor Park Chan-wook em cinco filmes, incluindo “Lady Vingança”, “A Criada” e o recente “Decision to Leave”. Vivendo uma vida sem luxos e enfrentando os desperdícios da mãe perdulária, as duas irmãs mais velhas da família Oh se esforçam para dar à mais nova e de inclinação artística um futuro melhor. Mas enquanto uma perde o emprego e se entrega ao álcool, a outra se envolve num perigoso esquema de peculato depois que um suicídio inesperado a deixa com 2 bilhões de won (em torno de R$ 7,3 milhões), conduzindo as irmãs a um enfrentamento com a família mais rica do país. As três irmãs são vividas por Kim Go-eun (“O Rei Eterno”), Nam Ji-Hyun (“O Túnel”) e Park Ji-hu (“All of Us Are Dead”). | A INUNDAÇÃO DO MILÊNIO | NETFLIX Baseada numa inundação real de 1997, a série polonesa de catástrofe acompanha os esforços para impedir que a capital da Baixa Silésia seja sepultada pelo avanço das águas. Mas quando os políticos tomam a decisão de salvar a cidade, as vilas e campos ao redor são entregues à própria sorte. Os criadores Kasper Bajon (de “A Saída”, também disponível na Netflix) e Kinga Krzemińska apresentam em detalhes as histórias das pessoas envolvidas na tragédia, encarregados da emergência e vítimas, criando um retrato convincente e imensamente envolvente da comunidade durante seis episódios. | DERRY GIRLS 3 | NETFLIX Uma das melhores séries britânicas recentes chega ao fim. As duas primeiras temporadas tem “apenas” 98% de aprovação no Rotten Tomatoes, destacando a irreverência das atrizes Saoirse-Monica Jackson, Louisa Harland, Nicola Coughlan e Jamie-Lee O’Donnell, além do “Derry Boy” Jamie-Lee O’Donnell, como adolescentes do começo dos anos 1990 na Irlanda do Norte. A trama acompanha seus cotidianos na escola, casa e ruas da cidade que batiza a produção. Como a comédia é uma história de amadurecimento, a história termina com os cinco adolescentes virando lentamente adultos… muito lentamente, enquanto a própria Irlanda do Norte amadurece, encerrando um período de confrontos entre católicos e protestantes, para entrar em uma fase mais esperançosa. | ELEITA | AMAZON PRIME VIDEO A nova série de comédia nacional estreia em clima de eleições. Na trama, Clarice Falcão (“Shippados”) interpreta Fefê, uma influenciadora digital que decide se candidatar a governadora do Rio de Janeiro “na zoeira” e acaba vencendo a eleição. Isto acontece porque a política virou um circo e o resultado desse cenário caótico é a eleição de uma executiva mais sem noção que a Selina Meyer (Julia Louis-Dreyfus) de “Veep”. O elenco de “Eleita” conta também com Bella Camero (“Marighella”), Diogo Vilela (“Detetives do Prédio Azul 2”), Luciana Paes (“3%”), Ingrid Guimarães (“De Pernas pro Ar”) e Luis Lobianco (“Vai que Cola”), entre outros. Além de estrelar, Clarice Falcão ajudou a escrever os episódios, ao lado de Célio Porto (“Desculpe o Transtorno”), Matheus Torreão (“Mister Brau”) e Rafael Spinola (“A Divisão”). A direção geral é da cineasta Carolina Jabor (“Aos Teus Olhos”). | PENNYWORTH 3 | HBO MAX A série que acompanha a juventude de Alfred Pennyworth (interpretado por Jack Bannon) avança no tempo na 3ª temporada para mostrar o futuro mordomo de Batman numa trama psicodélica do final dos anos 1960, enfrentando uma droga capaz de controlar mentes, além de supervilões. Desenvolvida por Bruno Heller, criador de “Gotham”, a produção iniciou sua trama na Inglaterra do começo dos anos 1960, mas terá um salto de cinco anos nos novos episódios, que assumem maior influência de 007 – ou melhor, das paródias de 007 da época. Até as invenções do jovem Lucius Fox (Simon Manyonda) ganham equivalência aos gadgets de Q. | GREY’S ANATOMY 18 & STATION 19 5 | STAR+ Os novos episódios de “Grey’s Anatomy” e “Station 19” chegam juntos ao streaming, e de forma apropriada, porque as duas séries compartilham um crossover tenso, que envolve um acidente e o destino do Dr. Owen Hunt (Kevin McKidd) em jogo. Os episódios que se juntam são os de número 9 – a história do capítulo anterior de “GA” deixa um gancho que segue em “S19” antes de voltar para “GA”. A 18ª temporada “Grey’s Anatomy” também marcou a exibição do 400º episódio da duradoura atração médica. Entre os destaques da trama, incluem-se um reencontro espiritual entre Meredith (Ellen Pompeo) e sua mãe, Ellis Grey (Kate Burton), que morreu na 3ª temporada, e a despedida de três atores do elenco fixo: Richard Flood, intérprete do Dr. Cormac Hayes, Greg Germann, intérprete do Dr. Tom Koracick, e Jesse Williams, que viveu o cirurgião Jackson Avery por 12 temporadas. Sem esquecer do retorno da Dra. Addison Montgomer (Kate Walsh), que no passado estrelou seu próprio spin-off, “Private Practice”. | CONVERSANDO COM UM SERIAL KILLER: O CANIBAL DE MILWAUKEE | NETFLIX Aproveitando o sucesso de “Dahmer: Um Canibal Americano”, a Netflix está disponibilizando uma nova minissérie da franquia “Conversando com um Serial Killer”. Depois de Ted Bundy e do “Palhaço Assassino” John Wayne Gacy, o terceiro volume é centrado no “Canibal de Milwakee”, ninguém menos que Jeffrey Dahmer, e traz o próprio confessando seus crimes hediondos em entrevistas que revelam sua mente doentia. Dirigida pelo veterano de documentários Joe Berlinger, mentor da coleção documental sobre os serial killers, a série apresenta trechos de cerca de 30 horas de entrevistas em áudio “nunca antes ouvidas” entre Dahmer e sua equipe de defesa, respondendo perguntas sobre sua motivação, impunidade e a responsabilidade da polícia em seus crimes. A produção ecoa a história da série de ficção produzida por Ryan Murphy (“American Horror Story”), que se tornou um fenômeno do streaming.












