Trailer legendado e vibrante de A Múmia tem mais explosões que filme dos Transformers
A Universal divulgou um pôster e o segundo trailer legendado de “A Múmia”. E é um show de feitos visuais, com mais explosões que os filmes dos “Transformers”, num ritmo vibrante, bem diferente das antigas versões do monstro clássico. Vê-se logo porque se trata de uma produção estrelada por Tom Cruise. Mas, conforme a poeira baixa, também é possível encontrar os ecos de terror, com Sofia Boutella dando vida a outra personagem marcante, após “Kingsman – Serviço Secreto” (2014) e “Star Trek: Sem Fronteiras” (2016). Por ser argelina, Sofia ainda aparece politicamente correta no papel – pela primeira vez, Hollywood retrata a Múmia por meio de uma intérprete africana. Na trama, a múmia desperta após um sono milenar para levar seu terror antigo para a Londres dos dias de hoje. Mas a prévia ainda conta sua história pregressa, mostra a descoberta de sua tumba pelo personagem de Tom Cruise e ainda a versão contemporânea do Dr. Henry Jackyll, vivido por Russell Crowe (“Noé”). O elenco também destaca Annabelle Wallis (“Annabelle”), Jake Johnson (série “New Girl”) e Courtney B. Vance (série “The People vs. O.J. Simpson: American Crime Story”). O roteiro foi escrito por Jon Spaihts (“Prometheus”) e a direção é de Alex Kurtzman (roteirista de “Além da Escuridão – Star Trek”), em seu segundo longa na função. “A Múmia” tem estreia agendada para 8 de junho no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Liam Neeson vai viver o clássico detetive noir Philip Marlowe em história inédita no cinema
Liam Neeson vai reviver um personagem icônico do cinema e da literatura noir: o detetive Philip Marlowe, criado pelo escritor Raymond Chandler em 1939. No cinema, o papel foi imortalizado por Humphrey Bogart no clássico “À Beira do Abismo” (1946), mas também encarnado por James Garner em “Detetive Marlowe em Ação” (1969) e Robert Mitchum em dois filmes, “O Último dos Valentões” (1975) e “A Arte de Matar” (1978), entre muitas outras adaptações. A nova história do detetive vai se chamar simplesmente “Marlowe”, mas não terá como base os clássicos de Raymond Chandler. O filme vai adaptar um livro recente, “The Black-Eyed Blonde”, escrito por Benjamin Black (pseudônimo do premiado John Banville) e publicado em 2014. O jornal britânico The Guardian chamou a obra de “renascimento de Marlowe” e a boa repercussão entre os críticos despertou o interesse de Hollywood. A trama se passa nos anos 1950 e encontra Marlowe em decadência, solitário e com os negócios indo de mal a pior. Até que uma cliente loira e fatal entra em seu escritório, pedindo ajuda do detetive para encontrar seu ex-amante desaparecido. A adaptação está nas mãos do roteirista William Monahan, vencedor do Oscar por “Os Infiltrados” (2006), remake americano do filme policial clássico de Hong Kong “Conflitos Internos” (2002).
The Walking Dead encerra temporada lutando contra seu pior inimigo: a queda de audiência
A série “The Walking Dead” leva ao ar neste domingo (2/4) o episódio final de sua 7ª temporada. Intitulado “The First Day of the Rest of Your Life” (O primeiro dia do resto de sua vida), ele terá duração estendida. No site da AMC (canal responsável pela veiculação da série nos EUA), o episódio apresenta duração de quase uma hora e meia com comerciais. Já o canal pago Fox inclui em sua programação brasileira o horário de exibição das 22h30 até 23h42, o que resulta em 1 hora e 12 minutos – provavelmente sem comerciais ou com poucos. Segundo os produtores, não haverá cliffhanger como no ano passado. Por isso, a longa duração deverá ser usada para amarrar todos os nós da trama para satisfazer o público. Que, por sinal, está bastante insatisfeito, conforme demonstra a queda vertiginosa de audiência que a série registrou neste ano. Desde a segunda metade da 4ª temporada, em 2014, a atração não registrava audiência tão “baixa”, na casa dos 10 milhões de telespectadores por episódio nos EUA. As duas fases de queda têm algo em comum: ritmo lento e uma estrutura de episódios dedicados a personagens ou grupos distantes, que só se encontram no final da temporada. Ambas também possuem o mesmo showrunner, Scott M. Gimple, o terceiro produtor a assumir o comando da série. Sob seu controle, a produção se aproximou mais dos quadrinhos de Robert Kirkman e desacelerou. 10 milhões ainda é um público considerável. Mas em outubro, quando voltou acompanhada pelas expectativas da revelação da vítima do ataque brutal de Negan (Jeffrey Dean Morgan), a série foi vista por 17 milhões de espectadores, sua segunda maior audiência. Cada capítulo que se passou desde então foi despertando menos interesse até despencar para os 10,5 milhões da semana passada. Isto representa uma queda de 62% do público. Mais da metade das pessoas que sintonizaram a estreia da temporada desistiram de continuar acompanhando a história. E isto também é considerável.
Trailer do novo filme do diretor de Jurassic World parece filme infantil… até virar suspense tenso
A Focus Features divulgou duas fotos, um pôster e o primeiro trailer de “The Book of Henry”, novo filme de Colin Trevorrow, diretor do blockbuster “Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros”. A prévia começa como um filme infantil sobre um menino prodígio, repleto de cenas lúdicas envolvendo a genialidade precoce do Henry do título, que assume funções de adulto para sua mãe e o irmão mais novo. Entretanto, a trama logo dá uma guinada bastante inesperada rumo ao suspense tenso e sombrio, envolvendo a menina da casa ao lado e seu padrasto violento. Escrita por Gregg Hurwitz (série “V: Visitantes”), o filme é estrelado por Jaeden Lieberher, revelação de “Um Santo Vizinho” (2015) e Jacob Tremblay, revelação de “O Quarto de Jack” (2015). Eles são filhos de uma mãe solteira (Naomi Watts, de “Diana”) e o mais velho da dupla (o Henry do título, vivido por Lieberher) acaba colocando todos os perigo ao decidir resgatar sua vizinha (Maddie Ziegler, a bailarina dos clipes de Sia) das mãos do padrasto cruel (Dean Norris, da série “Under the Dome”). A estreia está marcada para 16 de junho nos EUA e ainda não há previsão de lançamento para o Brasil.
Fenômeno de crítica e bilheteria nos EUA, terror Corra! ganha trailer legendado
A Universal divulgou o primeiro trailer legendado de “Corra!”, um dos maiores fenômenos do ano nos EUA. A trama, que envolve a visita de um jovem negro (Daniel Kaluuya, de “Sicário”) à casa de campo da família rica de sua namorada branca (Allison Williams, da série “Girls”), causou comoção entre o público e a crítica. O terror motivado por racismo conquistou impressionantes 99% de aprovação no site Rotten Tomatoes. E após uma estreia em 1º lugar em fevereiro e mais de um mês no Top 5, também deixou para trás o recorde de arrecadação de “Fragmentado” para se tornar a maior bilheteria de terror já registrada nos EUA em todos os tempos. O filme marca a estreia do comediante Jordan Peele (série “Key and Peele”) como diretor e, assim como “Fragmentado”, é uma produção da Blumhouse, a mais bem-sucedida produtora de terror da atualidade. Infelizmente, também como aconteceu com “Fragmentado”, o lançamento nacional ainda vai demorar. Está marcado apenas para 18 de maio, três meses após a estreia original e junto com a distribuição do blu-ray nos EUA.
Novo trailer de Rei Arthur explica a trama, conjura monstros e toca Led Zeppelin
A Warner Bros. divulgou 12 fotos e mais um trailer legendado de “Rei Arthur: A Lenda da Espada”, versão repleta de efeitos digitais da lenda de Camelot. A nova prévia explica bem a trama, que se revela bem diferente das versões mais conhecidas, destacando o antagonismo do rei Vortigern (Jude Law, da série “Young Pope”) e mostrando Arthur (Charlie Hunnam, da série “Sons of Anarchy”) como integrante da plebe rude. Vilão assumido, Vortigen vai contestar o direito à coroa de Arthur, filho do rei que ele assassinou, mesmo depois que o jovem criado num bordel cumpre a profecia e retira a espada Excalibur da pedra. A luta, porém, não se resume apenas aos aspirantes ao trono. Ela envolve magia negra, criaturas místicas, monstros gigantes, exércitos, castelos e um rock clássico – “Babe, I’m Gonna Leave You”, do Led Zeppelin. Dirigido por Guy Ritchie (“O Agente da UNCLE”), o filme inclui em seu elenco Astrid Bergès-Frisbey (“Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas”), Eric Bana (“Livrai-Nos do Mal”), Djimon Hounsou (“Guardiões da Galáxia”), Annabelle Wallis (“Annabelle”), Katie McGrath (série “Supergirl”), Aidan Gillen (série “Game of Thrones”) e o jogador de futebol David Beckham. A estreia está marcada para 18 de maio no Brasil, uma semana após o lançamento nos EUA. Clique nas fotos abaixo para ampliá-las em tela inteira.
Nova série de antologia sci-fi ganha trailer com Lea Michele, Joel McHale e Mark Hamill
O Hulu divulgou o trailer de uma nova série sci-fi com formato de antologia, chamada “Dimension 404”. Repleta de astros conhecidos, a prévia situa a atração num futuro próximo e, graças a situações envolvendo tecnologia, chega a lembrar “Black Mirror”. Como era inevitável o surgimento de outras atrações no mesmo nicho, “Dimension 404” nem disfarça sua intenção, sendo escrita como: “As maravilhas e horrores da nossa era digital”. O título é inspirado no código de erro da internet “404”, mas também remete à “5ª Dimensão” (The Outer Limits), cuja abertura clássica de 1963 mencionava interferências na televisão. Cada episódio terá uma história diferente com personagens diferentes. Numa delas, Lea Michele (série “Scream Queens”) recorre ao um aplicativo de namoro online e se envolve com Robert Buckley (série “iZombie”). Em outra, Ryan Lee (“Goosebumps”) encontra um antigo game de arcade e descobre uma fase misteriosa que nunca foi jogada. Outros atores vistos na prévia incluem Joel McHale (série “Community”), Patton Oswalt (série “Agents of SHIELD”), Megan Mullally (série “Will & Grace”), Lorenza Izzo (“Bata Antes de Entrar”), Ashley Rickards (série “Awkward”), Constance Wu (série “Fresh Off the Boat”), Sarah Hyland (série “Modern Family”) e Daniel Zovatto (série “Fear the Walking Dead”). Todos os episódios tem narração de Mark Hamill (o eterno Luke Skywalker de “Star Wars”) e a estreia está marcada para 4 de abril, numa referência (404) ao título do programa.
Clássico de terror de Stephen King, It ganha título nacional e primeiro trailer legendado
A Warner divulgou a versão legendada do trailer da aguardada versão cinematográfica de “It”, clássico da literatura de terror de Stephen King. A prévia inicia com a famosa aparição do palhaço demoníaco dentro de um bueiro. Fãs da minissérie lançada em 1990, com o subtítulo nacional de “Uma Obra-Prima do Medo”, vão reconhecer a importância da cena: o momento em que Pennywise atrai Georgie e termina agarrando o menino. A partir daí, o irmão mais velho da criança junta os amigos para enfrentar a criatura do mal. E se algumas cenas do trailer chegam a evocar a série “Stranger Things” é porque a produção da Netflix usa “It” entre suas referências. Por sinal, Finn Wolfhard, o Mike de “Stranger Things”, faz parte do bom elenco juvenil da produção (quase irreconhecível atrás de óculos de grau), que também inclui Jaeden Lieberher (série “Masters of Sex”), Owen Teague (série “Bloodline”), Nicholas Hamilton (“Terra Estranha”), Megan Charpentier (“Resident Evil 5: Retribuição”), Jack Grazer (“Tales of Halloween”), Wyatt Oleff (“Guardiões da Galáxia”), Sophia Lillis (“37”), Chosen Jacobs (série “Hawaii Five-0”), Jeremy Ray Taylor (“The History of Us”) e Bill Skarsgård (série “Hemlock Grove”) como Pennywise. O trailer brasileiro também confirma que a adaptação terá por aqui o mesmo título do livro, publicado em 1986 e lançado no Brasil como “It – A Coisa”. O romance é um dos mais volumosos de Stephen King, com mais de mil páginas, e será adaptado em dois filmes distintos. A trama gira em torno de sete crianças perseguidas pela criatura maligna que lhe dá título. Para sobreviver, elas precisarão superar seus medos e enfrentar Pennywise duas vezes em suas vidas – na infância e também como adultos. O confronto adulto ficará para o segundo filme. “It: A Coisa” foi roteirizado por Gary Dauberman (“Annabelle”) e Chase Palmer (“Black Lung”) e a direção é do argentino Andrés Muschietti, do terror “Mama” (2013). A estreia está marcada para 7 de setembro no Brasil.
Claws: Série de manicures e gângsteres mostra suas garras em três comerciais
O canal pago americano TNT divulgou três comerciais de sua nova série “Claws”, produzida pela atriz Rashida Jones (séries “Parks and Recreation” e “Angie Tribecca”). As prévias mostram muitas unhas coloridas, já que gira em torno de um salão de manicures, mas também cenas de prisão e armas em punho. Niecy Nash (série “Scream Queens”) lidera o elenco como Desna Simms, proprietária do salão, localizado no sul da Flórida, onde trabalham outras cinco mulheres: Polly (Carrie Preston, da série “True Blood”), que recentemente cumpriu pena por roubo de identidade, Jennifer (Jenn Lyon, da série “Justified”), uma garota tentando se livrar dos vícios, Quiet Ann (Judy Reyes, da série “Devious Maids”), a segurança do salão, e Virginia (Karrueche Tran, da série “The Bay”), sempre entediada com o próprio trabalho. O problema é que, sob esse esmalte de normalidade, o salão é uma fachada para lavagem de dinheiro de uma clínica ilegal comandada pelo mafioso Roller (Jack Kesy, da série “The Strain”). O elenco ainda conta com Dean Norris (série “Breaking Bad”), Harold Perrineau (série “Lost”) e Kevin Rankin (também de “Breaking Bad”). Criada por Eliot Laurence (roteirista da dramédia indie “Bem-Vindos ao Mundo”), a série ainda não tem previsão de estreia.
Diretor de Vingadores fará filme solo da Batgirl
A Batgirl vai ganhar um filme solo e o estúdio Warner está negociando com ninguém menos que Joss Whedon (“Os Vingadores”) para escrever, dirigir e produzir o longa-metragem. Quem garante é o site da revista Variety. Não existem muitas informações sobre o projeto, mas ele deve incluir outros personagens do universo de Batman, como o Comissário Gordon. O site diz que a ideia surgiu no mês passado e tem a supervisão de Toby Emmerich, presidente e chefe de conteúdo da Warner Bros. Com isso, a Warner terá seu segundo filme protagonizado por uma heroína da DC Comics depois de “Mulher-Maravilha”, que chega aos cinemas em 1º de junho, enquanto a Marvel enrola e enrola e não anuncia o longa da Viúva Negra. Por ironia, Whedon foi uma das primeiras escolhas da Warner para desenvolver o filme da Mulher-Maravilha. Mas, na ocasião, ele teve seu roteiro recusado. Isto foi anos antes do criador de “Buffy – A Caça-Vampiros” virar diretor de blockbusters, ao bater recordes de bilheteria com “Os Vingadores” (2012) e “Vingadores: Era de Ultron” (2015) na Marvel. Assim como a Arlequina, Batgirl não teve origem nos quadrinhos, mas numa produção televisiva. Sua criação foi encomendada pelo produtor da série “Batman” dos anos 1960 e se tornou o único caso em que um intérprete de super-herói se provou tão importante quanto os traços do desenhista que determinou seu estilo visual. Durante as discussões da 3ª temporada de “Batman”, o produtor William Dozier pediu ao editor da DC Comics, Julius Schwartz, que criasse uma nova heroína, com a indicação de que ela deveria ser filha do Comissário Gordon. Mas apesar de Schwartz introduzi-la alguns meses antes nos quadrinhos, quando Barbara Gordon debutou, em janeiro de 1967, ela já parecia exatamente como sua futura intérprete na série. É que a atriz Yvonne Craig serviu de modelo para os desenhos, tendo até gravado um vídeo piloto de apresentação da personagem para o canal ABC e a DC Comics, enfrentando o mesmo vilão de sua estreia nos gibis – o Mariposa Assassina. O desenhista Carmine Infantino acabou aperfeiçoando o uniforme, mas o visual definitivo se deve à série de TV, após a nova heroína causar sensação por enfrentar os batvilões com golpes supercoreográficos, que utilizavam a experiência de Yvonne como dançarina de balé – ela dispensava dublês. Batgirl também aparentava ser mais mod que Batman, conforme demonstrava sua predileção por dirigir uma scooter envenenada. E era extremamente sexy, graças ao uniforme colante que salientava suas curvas perigosas. Tudo isso vinha de Yvonne, atriz que já era cultuada por participações em filmes e séries clássicas. Ao contrário de alguns vilões criados especialmente para o programa, o apelo de Batgirl sobreviveu ao cancelamento da série “Batman” em 1968. E Yvonne, que faleceu em 2015, manteve-se por toda a vida orgulhosa de ter inspirado a personagem, a ponto de protestar publicamente quando a DC Comics publicou a graphic novel “A Piada Mortal” nos anos 1980, na qual o Coringa deixou Barbara Gordon paraplégica. Desde este atentado, outras personagens já tentaram assumir o capuz da Batgirl. Mas, segundo a revista Entertainment Weekly, o filme será mesmo sobre Barbara Gordon. Por enquanto, não há data para o começo da produção. Mas as especulações sobre quem viverá a nova Batgirl já podem começar. A dúvida é se a Warner buscará preservar a personagem como uma jovem ruiva, já que todos os personagens ruivos de seus quadrinhos são interpretados por atores negros nas adaptações televisivas.
Estreias: Scarlett Johansson leva ação e o melhor entretenimento da semana aos cinemas
“A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” traz para cerca de 800 cinemas do Brasil o mundo futurista dos mangás e animes japoneses, em versão com atores feita em Hollywood. O visual é de cair o queixo. Mas a americanização não passa apenas pela escalação de Scarlett Johansson, por sinal perfeita no papel. A história de Masamune Shirow foi simplificada para o público “menos esperto” do Ocidente. Extirpada de suas questões existenciais, a sci-fi cyberpunk assume mais cara de blockbuster americano, com uma cena de ação atrás da outra, em ritmo frenético. Os quadrinhos e a animação originais eram influenciadas por “Blade Runner” (1982) e, por sua vez, influenciaram “Matrix” (1999), entre muitas outras obras. Por isso, mesmo que o roteiro se esforce em transformar Scarlett em “RoboCop”, ainda sobra DNA suficiente – e impressionantes efeitos visuais – para garantir um filme de entretenimento passável (49% de aprovação no Rotten Tomatoes). Com ainda mais visibilidade, em torno de 900 salas, a animação “O Poderoso Chefinho” dividiu as opiniões da crítica norte-americana. Há quem a considere o primeiro grande equívoco da DreamWorks Animation e quem celebre seu ritmo alucinado, ao melhor estilo do Looney Tunes. No meio do caminho entre o primeiro trailer e a exibição do filme, a história original, adaptada do livro infantil de Marla Frazee, foi abandonada por uma trama de correrias. Talvez nem a Pixar ousasse adaptar a franquia, que mostra como os bebês se tornam pequenos tiranos, mandando na vida dos pais. Mas se o objetivo era transformar isso num desenho de bebê agente secreto, talvez fosse melhor não gastar dinheiro com os direitos autorais. O público alvo, que são as crianças, só precisa mesmo é de piadas de bumbum, que o longa entrega em número recorde. Já sobre “O Espaço entre Nós” há um consenso. O filme conseguiu implodir com 17% e faturar apenas US$ 7 milhões, antes de ser tirado de cartaz nos EUA. Mistureba de gêneros, sua trama faz uma improvável combinação de “Perdido em Marte” (2015) com “A Culpa É das Estrelas” (2014), explorando a tendência do romance de doença adolescente com um viés de ficção científica, a cargo do diretor responsável por “Hanna Montana – O Filme” (2009)! O melhor da semana, apesar de também ser americano, foi relegado a apenas 12 salas. Saudado pela crítica com 88% de aprovação, o drama indie “Mulheres do Século 20” foi indicado ao Oscar 2017 de Melhor Roteiro e traz uma interpretação consagradora de Annette Bening. Ela vive uma mãe feminista, que resolve alistar a ajuda de duas outras mulheres mais novas para educar seu filho adolescente: uma fotógrafa punk vivida por Greta Gerwig e uma garota de 16 anos, interpretada por Elle Fanning. Como a história se passa em 1979, tem ainda uma das melhores trilhas de rock dos últimos tempos. Entre as três produções europeias lançadas nos cinemas “de arte”, “Os Belos Dias de Aranjuez” foi a única exibida em competição num festival top. Ainda assim, só o que conquistou em Veneza foram críticas negativas, ao levar a extremos a pretensão de Wim Wenders de filmar dramas em 3D. Desta vez, a condição, expressa na trama, é que houvesse apenas diálogos. Uma história contada num jardim, por uma mulher a um homem, e anotada por um escritor. Tudo falado em francês e eventualmente acompanhado ao piano por Nick Cave. Wenders não é o único cineasta alemão veterano a estrear obra nova nesta semana. “O Mundo Fora do Lugar” volta a juntar a diretora Margarethe von Trotta e a atriz Barbara Sukowa após “Hannah Arendt” (2012), numa história sobre segredos e aparências. O menos convencional da lista europeia é “O Ornitólogo”, do cultuado português João Pedro Rodrigues, que combina elementos sobrenaturais e homoerotismo. A trama parte de clichês de filme de terror, mostrando um homem perdido num rio que pode ser assombrado, mas ganha um significado, digamos, alegórico, ao assumir paralelos com a história de Santo Antônio de Pádua, via tabus sadomasoquistas. Premiado em festivais menos tradicionais, confirma o talento de Rodrigues como um dos melhores representantes do cinema queer atual. Quatro filmes brasileiros disputam as salas que sobram. Dois são documentários e, cada um a seu modo, tratam de prisão: “Central – O Filme” foca o Presídio Central de Porto Alegre, superlotado e imundo, enquanto “Galeria F” relembra a fuga de um preso político da ditadura militar, que, num caso raro da história brasileira, fora condenado à morte pela justiça. A diretora Emilia Silveira já tinha abordado o período em seu documentário “Setenta” (2013). Os dois dramas nacionais que completam a programação têm registros distintos. Em preto e branco e ao som de heavy metal, “Eu Te Levo” marca a estreia na direção do roteirista Marcelo Müller (“Infância Clandestina”), que cai na armadilha da representação do tédio, de forma tediosa. Já “A Glória e a Graça” tropeça em outra armadilha. O título diz respeito a duas irmãs de mundo opostos – uma em crise, após ser diagnosticada com um melodrama terminal, e a outra bem resolvida, que resolveu se assumir como travesti. O detalhe é que, ao buscar – em tese – empoderar minorias sexuais, Flávio R. Tambellini (“Malu de Bicicleta”) optou por prática oposta ao escalar uma atriz conhecida, Carolina Ferraz, como travesti. Ironicamente, ela está muito bem e é o melhor elemento de todo o filme. Clique nos títulos destacados dos lançamentos acima para assistir aos trailers de todas as estreias da semana.
Haters não impedem Punho de Ferro de ser ótima e aprovada pelo público da Netflix
Quarta produção de super-heróis Marvel produzida pela Netflix, a série “Punho de Ferro” é um grande sucesso, segundo a empresa Parrot Analytics, que mede a popularidade de programas de streaming com base nas interações dos usuários nas redes sociais. A Parrot determinou que o público adorou a produção com base em manifestações positivas encontradas na internet. Entre todas as atrações da Marvel/Netflix, só teria gerado menos repercussão que “Luke Cage”. Os haters não devem se conformar, pois imaginavam uma rejeição maciça após as pedradas de críticos precipitados, que determinaram que “Punho de Ferro” eram ruim com base nos seis primeiros episódios – o número de capítulos antecipados pela Netflix para a confecção de resenhas. Diversas críticas lamentaram um suposto ritmo lento, as lutas mal coreografadas de artes marciais e, por incrível que pareça para os fãs dos quadrinhos, o fato de o protagonista não ser asiático. Mas a verdade é que “Punho de Ferro” não é, nem de longe, a pior série de super-herói produzida pela Netflix. Muito antes pelo contrário. Tendo como comparação a fraca “Luke Cage”, a mediana “Jessica Jones” e os altos e baixos de “Demolidor”, é a série mais coesa, que nunca se desvia de sua história central, num crescendo constante. Seu principal defeito é ser vítima de um formato estabelecido e repetido pela Marvel desde a 1ª temporada de “Demolidor”. As quatro atrações que o estúdio criou para a Netflix têm praticamente a mesma estrutura. Todas usam flashbacks para contar a origem de seus protagonistas, deixando muitos “buracos” na história, que os fãs dos quadrinhos precisam completar com as recordações de suas leituras. No caso do “Punho de Ferro”, a situação se complica pela falta de orçamento para dar aos flashbacks a grandiosidade do filme do “Doutor Estranho”. Afinal, Danny Rand, o herói do Punho de Ferro, tem uma origem mística não muito diversa da jornada de Stephen Strange. Criado nos anos 1970 por Roy Thomas, o roteirista que substitui Stan Lee como editor da Marvel, os quadrinhos do herói combinavam dois grandes sucessos televisivos da época, as séries “Kung Fu” (que estabeleceu a estrutura da origem em flashback) e “Dallas”. A adaptação, porém, preferiu passar por cima de todo o aprendizado do “gafanhoto” Danny Rand para se concentrar na história do empresário Danny Rand, lutando para retomar o controle da empresa criada por seu pai. Mas mesmo limando o aprendizado do protagonista e sem jamais mostrar a tão citada cidade mística de K’un-Lun, a produção consegue ser bem-sucedida em sua proposta de juntar “Dallas” com lutas de kung fu. E, sim, as lutas melhoram muito, conforme os episódios avançam, chegando a superar as de outras séries da companhia nos últimos episódios. É importante destacar ainda que “Punho de Ferro” lançou a melhor personagem feminina da Marvel (sorry, Jessica Jones). Collen Wing rouba as cenas com uma jornada repleta de reviravoltas e um desempenho encantador de Jessica Henwick (série “Game of Thrones”) – de dar vergonha na forma como Elektra foi utilizada na 2ª temporada de “Demolidor”. Na verdade, não há nada de ritmo lento em sua trama, que aproveita cada minuto disponível para desenvolver muito bem seus personagens, que são os mais matizados de todas as produções da Marvel. Não há ninguém mau demais nem bom demais. Todos tem falhas, inclusive o herói. E há grandes atuações, como a de um surpreendente Tom Pelphrey (série “Banshee”), capaz de evocar as dualidades rival/aliado, vilão/herói e fazer o espectador mudar várias vezes de ideia a respeito de seu personagem, o empresário Ward Meachum. Faltou um grande supervilão? Talvez por a trama visar maior realismo que as outras séries. Até os ninjas do Tentáculo entram em cena com trajes de tropa de elite. Por outro lado, a tentativa de fincar a produção num plano mais factível é responsável pelo único equívoco realmente notável. Não há wire fu, o kung fu voador dos filmes chineses de wuxia, embora tudo na história pedisse por isso, desde as menções à cidade mística ao mundo mágico do Tentáculo. E embora Finn Jones (série “Game of Thrones”) seja o elo mais fraco, a sugestão de escalar um ator asiático para viver o protagonista – um jovem herdeiro americano – não foi evocada na adaptação de “Doutor Estranho” – cuja origem também envolve monges, filosofia oriental e encenação nas mesmas cordilheiras. Bruce Wayne (Batman), Oliver Queen (Arqueiro Verde) e Tony Stark (Homem de Ferro) também são herdeiros bilionários que desenvolveram suas habilidades no oriente. Se a história de Danny Rand não traz novidade nesse sentido, dizer que Punho de Ferro deveria ter uma etnia mais “politicamente correta”, apenas com base no kung fu, ecoa o oposto de um pensamento progressista. Apenas reforça o estereótipo do tipo de papel que um asiático pode interpretar em Hollywood.
Louis Garrel é Jean-Luc Godard em primeiro teaser de cinebiografia
O filme francês “Le Redoutable”, em que o ator Louis Garrel (“Dois Amigos”) vive o cineasta Jean-Luc Godard, ganhou seu primeiro teaser. Com legendas em inglês, a prévia registra uma entrevista de Godard por meio de um plano fechado em seu intérprete, destacando no close a transformação convincente do galã no infant terrible, o que é uma façanha e tanto, tendo em vista como os dois são diferentes. Com entradas de calvice, mas ainda jovem, Godard é retratado durante sua fase mais contestadora, nos anos 1960. Além de Garrel, o elenco também destaca Stacy Martin, revelação de “Ninfomaníaca” (2013), como a atriz alemã Anne Wiazemsky. O filme vai contar o romance entre Godard e Wiazemsky, iniciado nos bastidores de “A Chinesa”, em 1967. Ela tinha apenas 19 anos na época, mas os dois se casaram e ficaram juntos por mais de uma década. A trama é baseada no livro autobiográfico “Un An Après”, de Wiazemsky, e tem direção de Michel Hazanavicius, que retorna ao tema dos bastidores cinematográficos de “O Artista”, seu filme mais conhecido – e que lhe rendeu do Oscar de Melhor Direção em 2012. Ainda não existe previsão para a estreia de “Le Redoutable”.












