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Divulgação/CNN Brasil

TV|19 de outubro de 2026

Mensagens revelam negociações de Vorcaro para influenciar CNN

ICL revela mensagens sobre patrocínio de R$ 10 milhões anuais e interferência no CNN Money em meio a escândalo que já provocou demissão na Globo


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Influência financeira
2 Como Vorcaro tentou controlar a narrativa?
3 Patrocínio incluía influência editorial
4 CNN atacou a reportagem antes de sua publicação
5 Escândalo já derrubou diretor da Globo
6 Vorcaro editava reportagens e vetava notícias
7 Entrevista contra Lula amplia questionamentos
8 Reinaldo Azevedo compara entrevista à eleição de 1989
9 Aberto para posicionamentos
10 Mais Pipoca

Influência financeira

Mensagens de Daniel Vorcaro reveladas neste domingo (18/10) pelo ICL Notícias expuseram tentativas do Banco Master de interferir no conteúdo jornalístico da CNN Brasil, incluindo a exigência de combinar antecipadamente perguntas de uma entrevista, a intenção de influenciar a programação do CNN Money e negociações envolvendo R$ 10 milhões anuais em publicidade. A emissora negou qualquer interferência e acusou o ICL de distorcer as conversas, mas a denúncia surge após vazamentos demonstrarem que o banqueiro efetivamente editava e vetava notícias de seu interesse em diversos veículos de imprensa, num escândalo que já provocou uma demissão na direção da Globo.

Como Vorcaro tentou controlar a narrativa?

A reportagem de Juliana Dal Piva e Flávio VM Costa afirma que Vorcaro e sua executiva de marketing Ana Matos “exigiram da cúpula da CNN Brasil que combinasse perguntas” de uma entrevista a Fernando Nakagawa, responsável pela cobertura econômica, destinada a beneficiar o Master, em abril de 2025. A afirmação se apoia em mensagens trocadas entre o banqueiro e a executiva, que relatou ter apresentado a exigência a João Camargo, então presidente executivo do conselho da emissora. “Eu respondi que ele tem que combinar com a gente antes as perguntas do Naka. Todas. Antes”, disse a executiva Ana Matos.

A proposta do Master era determinar os assuntos abordados. Vorcaro, entretanto, decidiu não comparecer pessoalmente, por receio de ficar exposto em meio às críticas ao banco, e enviou o economista-chefe Paulo Gala em seu lugar. A entrevista foi realizada ao vivo e incluiu questionamentos sobre os CDBs que pagavam até 140% do CDI, a situação financeira da instituição e a utilização do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Nakagawa afirmou ao ICL que desconhecia qualquer interferência na pauta. As mensagens divulgadas não demonstram que as perguntas tenham sido efetivamente combinadas, mas registram a exigência relatada pela executiva do banco.

Patrocínio incluía influência editorial

A tentativa de controlar a entrevista fazia parte de uma relação comercial mais ampla. Em setembro de 2024, Vorcaro revelou a Ana Matos que negociava uma participação na CNN Brasil com o empresário Rubens Menin, controlador da emissora. O banqueiro pretendia ocupar uma cadeira no conselho e participar da definição do conteúdo do futuro canal de economia. A executiva apresentou ainda uma proposta para transferir ao CNN Money os R$ 10 milhões anuais que, segundo ela, o Master já destinava à CNN News.

O plano incluía uma cota exclusiva de patrocínio para o banco, a possibilidade de vetar anunciantes concorrentes e a presença de alguém indicado pelo Master para acompanhar as decisões editoriais. Vorcaro aprovou a proposta. Em outubro daquele ano, Ana relatou que o então vice-presidente da CNN, Cris Moreira, havia mencionado um primeiro aporte feito pelo banco na condição de acionista. As mensagens, porém, não esclarecem como as negociações terminaram. A emissora sustenta que Vorcaro nunca adquiriu participação societária nem integrou seus conselhos, e que o Master foi apenas patrocinador do lançamento do CNN Money.

Os diálogos também revelaram a negociação de um patrocínio para o CNN Talks, braço de eventos da empresa. Segundo o ICL, João Camargo solicitou inicialmente R$ 4 milhões, valor considerado excessivo pela equipe do Master. A proposta acabou reduzida para R$ 1 milhão, quantia que Ana Matos informou ter fechado com a direção comercial. A executiva reclamava dos pedidos frequentes de dinheiro feitos por representantes da CNN, que considerava um destino cada vez mais caro para os investimentos publicitários do banco.

CNN atacou a reportagem antes de sua publicação

A reação da emissora começou antes mesmo da divulgação da investigação. Às 13h38 deste domingo (18/10), a CNN publicou uma matéria acusando o ICL de preparar uma reportagem baseada em premissas falsas. A investigação foi publicada às 14h18 e, às 17h57, o canal apresentou uma segunda contestação, sob o título “Entenda por que ICL distorce mensagens de Vorcaro sobre CNN”.

“Não há uma única mensagem trocada com jornalistas da CNN Brasil”, afirmou a emissora, ao argumentar que as conversas registravam apenas as intenções do anunciante, sem comprovação de que a redação tivesse recebido ou cumprido alguma exigência. A CNN também destacou a desistência de Vorcaro da entrevista e os questionamentos dirigidos a Paulo Gala sobre os problemas financeiros do Master.

A emissora contestou ainda as negociações societárias descritas pelo ICL. “Cota de patrocínio não é participação societária”, declarou, ao afirmar que Vorcaro nunca integrou seus conselhos nem participou de decisões editoriais. A explicação diferencia o patrocínio efetivamente contratado da participação empresarial pretendida pelo banqueiro, mas não elimina o relato de Ana Matos de que havia comunicado à direção da CNN a exigência de combinar as perguntas e que uma entrevista foi realizada em seguida.

Escândalo já derrubou diretor da Globo

A denúncia contra a CNN ganhou relevância porque outras mensagens extraídas do celular de Vorcaro demonstraram que suas tentativas de influenciar a imprensa não se limitavam a intenções ou propostas comerciais. Na quinta-feira (15/10), o Grupo Globo demitiu Frederic Kachar, diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, responsável por veículos como O Globo, Valor Econômico, Extra, Vogue, Marie Claire e CBN. A decisão ocorreu depois da divulgação de conversas nas quais o executivo negociava patrocínios, discutia reportagens e recebia pedidos do banqueiro para promover interesses pessoais e empresariais.

Um dos episódios envolveu Martha Graeff, então namorada de Vorcaro, que preparava o lançamento de uma marca de suplementos. O empresário pediu que Kachar mobilizasse publicações do grupo para promover o empreendimento. O executivo se dispôs a ajudar, e reportagens sobre a marca foram publicadas por Vogue, Marie Claire e Ela. A Globo classificou a relação entre Kachar e o anunciante como inadequada, mas afirmou que a atuação independente das redações permaneceu preservada, inclusive na cobertura crítica do Banco Master.

A investigação de Renata Agostini e Tiago Dantas, do UOL, revelou um esquema ainda mais abrangente de interferência editorial. No Metrópoles, que mantinha contrato publicitário de R$ 20 milhões com o Master, a CEO Lilian Tahan encaminhou ao menos 14 reportagens antecipadamente ao banqueiro. Segundo o levantamento, 11 sofreram alterações após pedidos dele, e outras duas foram publicadas por sua solicitação. Tahan defendeu o procedimento como checagem de informações com fontes e negou que os contratos comerciais influenciassem o jornalismo do portal.

Vorcaro editava reportagens e vetava notícias

No Brazil Journal, o fundador Geraldo Samor submetia reportagens ao empresário antes da publicação e atendia solicitações de mudanças. A relação incluía a participação de uma empresa ligada ao assessor Flávio Carneiro no braço de vídeos e eventos do site. No PlatôBR, Carneiro chegou a combinar o envio de textos para aprovação prévia de Vorcaro, que também determinou vetos a assuntos e nomes de políticos.

Na IstoÉ e na IstoÉ Dinheiro, o banqueiro encomendava pautas relacionadas a seus investimentos e exercia influência por meio de empresários associados às publicações. O próprio Vorcaro afirmou em uma conversa que dispunha de maior controle sobre a IstoÉ. As mensagens também registraram pedidos para atacar adversários, evitar notícias negativas sobre aliados e retirar informações desfavoráveis de reportagens.

O esquema alcançou ainda veículos de esquerda. Segundo as mensagens analisadas pelo UOL, o Diário do Centro do Mundo (DCM) recebeu pagamentos mensais para evitar críticas ao banqueiro e publicar conteúdos de seu interesse. Na CartaCapital, Vorcaro manteve contratos publicitários, adiantamentos financeiros e negociações para uma possível participação societária. A revista negou interferência editorial. O conjunto revela que o empresário utilizava investimentos comerciais, relações pessoais e participações empresariais para influenciar a produção de notícias, com resultados documentados em diferentes redações.

Entrevista contra Lula amplia questionamentos

O histórico de Vorcaro coincidiu com outra controvérsia sobre os critérios editoriais da CNN. Na noite de sábado (17/10), a emissora dedicou uma entrevista exclusiva à empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada na Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo benefícios do INSS. Aos jornalistas Débora Bergamasco e Iuri Pitta, ela afirmou ter presenciado encontros de Lulinha com integrantes do governo, acusou o presidente de mentir sobre as relações do filho e anunciou a intenção de fazer uma delação premiada.

A entrevistada, entretanto, não apresentou documentos que comprovassem a prática de crimes por Lula ou Lulinha. Em vários momentos, admitiu desconhecer o conteúdo de conversas que mencionava e afirmou não ter participado dos negócios atribuídos ao filho do presidente. Também declarou que nunca manteve contratos públicos e que não considerava criminosas suas próprias atividades. Questionada sobre o que poderia revelar em uma colaboração premiada, respondeu que caberia à Polícia Federal e à Justiça avaliar os fatos de que tinha conhecimento.

A exposição televisiva ocorreu na véspera do primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno da eleição presidencial, realizado pela Band neste domingo. A CNN divulgou sucessivas notícias extraídas da entrevista, destacando as acusações e a disposição da empresária de colaborar com as autoridades. Durante o debate, Flávio Bolsonaro usou a entrevista como ponto de partida para atacar Lula.

Reinaldo Azevedo compara entrevista à eleição de 1989

O jornalista Reinaldo Azevedo criticou a exposição dada à empresária em uma coluna publicada no Metrópoles ainda no sábado, sob o título “Luchsinger na CNN: após 37 anos, ‘Operação Miriam Cordeiro’ II pré-debate”. A referência remete à participação de Miriam Cordeiro, ex-companheira de Lula, na propaganda eleitoral de Fernando Collor às vésperas do debate presidencial decisivo de 1989. Na ocasião, a campanha de Collor utilizou um depoimento pessoal para atacar o adversário.

Azevedo apontou a ausência de acusações objetivas na entrevista e a contradição entre a intenção de fazer uma delação premiada e a afirmação de que não havia cometido crimes. Também questionou a decisão de levar ao ar uma sucessão de insultos e insinuações pessoais sem apresentação de elementos concretos que sustentassem denúncias criminais.

O presidente respondeu às declarações da lobista ainda na noite de sábado. Em nota, Lula negou envolvimento com as supostas tratativas mencionadas por ela e questionou a divulgação das acusações às vésperas da eleição. Sua defesa também rejeitou as insinuações contra Lulinha, que permanece sob investigação. A participação de Roberta terminou por acrescentar um novo questionamento público à atuação jornalística da CNN justamente quando a emissora precisa explicar sua relação comercial com o Banco Master.

Aberto para posicionamentos

O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.

Mais Pipoca

Folha e Metrópoles trocam acusações sobre dinheiro de Vorcaro em notícias Vorcaro controlava Jornalismo da grande imprensa com dinheiro do Master Globo demite diretor que prometeu pautar jornalismo para Vorcaro Luiza Brunet apoia Yasmin após divulgação de mensagens com Vorcaro

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