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Morre Benito di Paula, cantor de Charlie Brown e Retalhos de Cetim
Cantor e pianista enfrentava um câncer de próstata havia cerca de um ano e morreu internado em São Paulo aos 84 anos
Morte em São Paulo
O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu neste domingo (18/10), aos 84 anos, no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, em decorrência de um câncer de próstata. O artista enfrentava a doença havia cerca de um ano. A morte foi confirmada por sua assessoria de imprensa, que informou que os detalhes do velório e do sepultamento serão divulgados posteriormente.
Como nasceu o samba de piano?
Nascido Uday Vellozo, em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, Benito começou a carreira como cantor de boates e casas noturnas, especialmente em Santos e São Paulo. Seu primeiro sucesso veio em 1969, com “Canção para o Nosso Amor”, incluída na trilha da novela “Nino, o Italianinho”, da TV Tupi. Em 1971, lançou seu primeiro LP pela gravadora Copacabana.
Sua característica mais marcante foi a maneira de incorporar o piano ao samba, com influências do bolero, do jazz e da música romântica. O estilo recebeu o rótulo de “samba-joia”, expressão utilizada de forma depreciativa por parte da crítica musical dos anos 1970, que considerava suas composições excessivamente comerciais. Benito rejeitava a classificação, mas conquistou enorme popularidade e se tornou um dos maiores vendedores de discos da música brasileira do período.
Sucessos marcaram os anos 1970 e 1980
O reconhecimento nacional veio com “Retalhos de Cetim”, lançada em 1973 no álbum “Um Novo Samba”. A canção, que mistura o ritmo do samba a uma interpretação romântica intensa, tornou-se um dos maiores sucessos daquela década e abriu caminho para uma sequência de músicas populares, como “Se Não For Amor”, “Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Vai Ficar na Saudade” e “Tudo Está no Seu Lugar”.
O repertório também incluiu “Do Jeito Que a Vida Quer”, “Proteção às Borboletas”, “Como Dizia o Mestre” e “Ah! Como Eu Amei”. Suas composições atravessaram gerações, com regravações de artistas como Roberto Carlos, Maria Bethânia, Alcione e Xande de Pilares. A música “Do Jeito Que a Vida Quer”, por exemplo, ganhou nova popularidade com interpretações de grupos de pagode e sambistas contemporâneos.
O sucesso comercial acompanhou a projeção artística. Benito lançou dezenas de discos, acumulou vendas estimadas em mais de 50 milhões de cópias e levou seu repertório a outros países, com gravações em diferentes idiomas. Também comandou o programa musical “Brasil Som 75”, na TV Tupi, e teve canções incluídas em trilhas de novelas, como “Último Andar”, de “O Espigão” (1974), e “Mulher Brasileira”, de “O Clone” (2001).
Nas últimas décadas, Benito manteve uma relação artística próxima com o filho Rodrigo Vellozo, também cantor, compositor e pianista. Os dois lançaram juntos o álbum “O Infalível Zen” (2021), com canções inéditas e composições recuperadas do repertório do artista. A colaboração ganhou um significado pessoal após a morte de outro filho, André Vellozo, em 2019, aos 36 anos. Pai e filho também gravaram “Lágrimas no Meu Sorriso”, dedicada à memória de André.
Em 2025, Benito foi homenageado pela escola de samba Águia de Ouro no Carnaval de São Paulo. A agremiação apresentou o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do Jeito que a Vida Quer”, inspirado na trajetória musical do artista. O compositor acompanhou o desfile no Sambódromo do Anhembi, ao lado de familiares, e demonstrou emoção com a homenagem.
Seu trabalho mais recente também envolveu Rodrigo. Em julho deste ano, o filho lançou um álbum de releituras do repertório paterno. No mesmo mês, organizou o espetáculo “Benito 85”, na Casa Natura Musical, em São Paulo, antecipando a comemoração dos 85 anos que o cantor completaria em novembro. Benito participou da apresentação, que também contou com Zeca Baleiro e músicos de gerações mais novas.
Despedida de artistas e familiares
Rodrigo Vellozo homenageou o pai nas redes sociais com uma fotografia dos dois no palco e uma mensagem breve: “Te amo, papai! Obrigado!”. A publicação recebeu manifestações de artistas como Fafá de Belém, Mariana Aydar, Juçara Marçal e Mumuzinho. “Sua importância pra nossa música vive”, escreveu Mumuzinho. Juçara também se despediu: “Agradecida por tanto, Benito”.