Woody Allen decide processar a Amazon por não lançar seu novo filme
O diretor Woody Allen decidiu processar a Amazon após o estúdio desistir de lançar o seu próximo filme, “A Rainy Day in New York”, quando ele já estava filmado e editado. O cineasta entrou com processo nesta quinta-feira (7/2), pedindo US$ 68 milhões de indenização. Os advogados de Allen alegam que a Amazon informou o diretor, em junho de 2018, que não lançaria mais o drama estrelado por Timothée Chalamet (“Me Chame Pelo Seu Nome”), Elle Fanning (“Malévola”) e a cantora Selena Gomez (“Spring Breakers”). Allen diz que cobrou explicações da Amazon sobre o cancelamento da estreia, e que o estúdio respondeu que os motivos para a quebra de contrato incluíam “o retorno à tona de acusações de abuso sexual” e “declarações polêmicas” feitas pelo diretor. “A Rainy Day in New York”, o 48º e até aqui derradeiro filme dirigido pelo cineasta, foi rodado em 2017 e se tornou dano colateral do movimento #MeToo. Curiosamente, a onda de protestos femininos nas redes sociais foi precipitada com a ajuda do filho do diretor, Ronan Farrow, autor da reportagem da revista New Yorker que denunciou o produtor Harvey Weinstein em outubro do ano passado. A filha de Allen, Dylan Farrow, aproveitou o movimento de denúncias de assédios sexuais para retomar suas acusações de pedofilia contra Allen. Na véspera do lançamento de “Roda Gigante”, último filme de Allen a chegar aos cinemas, Dylan publicou uma carta aberta no jornal The Los Angeles Times, questionando o tratamento diferenciado dado a ele em relação a Weinstein. “Qual o motivo de Harvey Weinstein e outras celebridades acusadas de abuso terem sido banidas de Hollywood enquanto Allen recentemente conseguiu um contrato milionário de distribuição para seu próximo filme?”, ela questionou, referindo-se, justamente, à Amazon. Embora a pergunta tenha sido retórica, a grande diferença entre Allen e Weinstein sempre foi que apenas Dylan acusa o diretor, enquanto Weinstein acumulou uma centena de acusadoras. Dylan sabe disso, a ponto de dizer: “Estou falando a verdade e acho importante que as pessoas entendam que uma vítima importa e é suficiente para mudar as coisas”, ela disse. O caso chegou a ir parar na Justiça nos anos 1990, durante a separação do diretor de sua ex-mulher Mia Farrow, mas nada foi provado. Allen sempre se disse inocente e culpou Mia por fazer lavagem cerebral em sua filha. Moses Farrow, outro filho do diretor, recentemente contestou a irmã, apontando inconsistências na denúncia, culpando a mãe por violência física e psicológica e testemunhando que Allen jamais ficou sozinho com Dylan durante o alegado abuso. Nenhuma atriz ou ator filmados por Woody Allen ao longo de meio século de carreira acusou o diretor de qualquer coisa que não fosse extremo distanciamento. No entanto, a campanha de Dylan fez vários deles dizerem que não voltariam a filmar com o diretor, inclusive os integrantes de “A Rainy Day in New York”. Timothée Chalamet e Rebecca Hall chegaram a doar seus salários após participarem do filme. Para complicar, “A Rainy Day in New York” tem tema controverso, contando a história do relacionamento entre um homem de 44 anos e uma adolescente de 15 anos. O que torna seu lançamento ainda mais delicado diante de toda a polêmica revivida por Dylan Farrow. Graças à campanha da filha, Woody Allen teve a carreira interrompida. O ano de 2018 foi o primeiro em quase quatro décadas que o diretor ficou sem realizar uma nova produção. O último hiato tinha sido em 1981, após o fracasso comercial de “Memórias” (1980), seu primeiro filme sem a parceira Diane Keaton. O contrato de Allen com a Amazon foi assinado em 2014, e o estúdio já havia lançado dois de seus filmes anteriores, “Café Society” e “Roda Gigante”, além da minissérie “Crisis in Six Scenes”. Além disso, havia previsão para outros títulos após “A Rainy Day in New York”.
Ex-modelo revela ter sido amante de Woody Allen aos 16 anos de idade
A ex-modelo Christina Engelhardt revelou à revista The Hollywood Reporter que escondeu por mais de 40 anos seu envolvimento com o cineasta Woody Allen, que começou quando ela tinha apenas 16 anos de idade. O relacionamento começou 1976. Fã dos filmes de Allen, ela avistou o cineasta de longe num restaurante e decidiu deixar em sua mesa um bilhete: “Você já assinou autógrafos demais, então aqui está o meu”, dizia. Ao lado da assinatura, incluiu seu número de telefone. Aos 41 anos na época, Allen ligou para o número no bilhete e começou um caso secreto com a modelo. Ele nunca perguntou a idade dela, segundo Engelhardt, mas sabia que ela ainda estava no ensino médio e morava com a sua família. Os termos do envolvimento dos dois também eram controlados por Allen – e ela pouco resistiu às suas regras. “Eu só queria agradar. Como ele era um diretor famoso, eu tinha um sentimento de quase devoção em relação a ele”, conta. O cineasta proibia discussões sobre o seu trabalho quando os dois estavam juntos, e exigia que eles só se encontrassem em seu apartamento em Nova York, com as cortinas sempre fechadas. “A vista do Central Park provavelmente era linda, mas eu nunca a vi”, comenta a modelo. Após pouco mais de um ano de relacionamento, Allen começou a trazer outras mulheres para os encontros dos dois. Quando completaram quatro anos, ele a apresentou a sua nova namorada: a atriz Mia Farrow, com quem ele subsequentemente se casaria. “Eu me senti enjoada. Eu não queria estar lá [no quarto com os dois], mas não tinha coragem de ir embora. Ir embora significaria que tudo isso estaria acabado. Olhando para trás, eu sei que era disso que eu precisava, mas não ter Woody na minha vida parecia absurdo naquela época”, ela escreveu em seu diário, entregue à THR. Engelhardt diz que sempre foi evidente que Farrow estava fazendo aquilo a pedidos de Allen, e não por sua própria vontade. Mesmo assim, as duas desenvolveram uma amizade, bastante influenciada pela paixão de ambas por animais e astrologia. Relembrando o escândalo que Allen enfrentaria anos mais tarde, quando foi revelado o seu caso com a filha da atriz, Soon-Yi Previn (agora esposa do cineasta), Engelhardt comenta: “Eu me senti mal por Mia. Woody tinha tudo o que poderia querer. Ele precisava tirar algo de Mia?”. “Ele treinou Mia, fez com que ela aguentasse tudo o que ele queria fazer. E depois fez isso. Foi um total desrespeito”, completa. A ex-modelo também acredita ter inspirado “Manhattan”, lançado por Allen em 1979, em que o personagem interpretado pelo diretor se envolve com uma aspirante a atriz adolescente interpretada por Mariel Heminghway. Engelhardt percebeu os paralelos nas primeiras cenas. “Eu chorei durante toda a sessão. Foi como se todos os meus piores medos viessem à superfície. Era assim que ele se sentia sobre mim? Nós dividimos uma conexão tão forte, desde o começo, e aqui estava essa interpretação de mim para todos os críticos de arte verem e desconstruírem”, comentou. Engelhardt deixou Allen e viajou à Europa nos anos 1980, onde se tornou amiga do cineasta Federico Fellini, um dos ídolos de seu ex-amante. Nesse período, virou atriz e apareceu em alguns filmes B italianos, dos quais o mais famoso é “Demonia” (1990), de Lucio Fulci. Atualmente trabalhando como astróloga, ela diz que não quer “derrubar” Allen com sua história. Mas prepara, claro, um livro/roteiro sobre seu relacionamento com o cineasta, que já está listado em seu site oficial. “O que me fez falar sobre isso é que eu sabia que poderia prover uma nova perspectiva. Eu estou contando a minha história. A história que me moldou. Não tenho arrependimentos”, completa.
Woody Allen negocia realizar novo filme na Espanha
Se Woody Allen enfrenta dificuldades para lançar seus filmes nos Estados Unidos, em meio à campanha de difamação da filha Dylan Farrow, que o acusa de ter abusada dela uma vez, quando tinha sete anos de idade, o diretor continua a ser bem-vindo na Europa. Menos de um mês após a Amazon anunciar a suspensão do lançamento, por prazo indeterminado, do mais recente filme do cineasta Allen (“A Rainy Day in New York”), a produtora espanhola Mediapro anunciou que está negociando com Allen a realização de um novo filme na Espanha. Em entrevista concedida à estação de rádio RAC1, o sócio-fundador da produtora, Jaume Roures afirmou que irá se reunir com o diretor na semana que vem, em Nova York, para fechar o negócio. De acordo com o produtor, o filme deverá ser rodado em 2019, e Allen ainda está trabalhando em ideias para o roteiro. Se o acordo for fechado, será a segunda vez que o cineasta americano, de 82 anos, irá realizar um filme passado na Espanha — a primeira vez foi com o sucesso “Vicky, Cristina, Barcelona” (2008), que rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Penélope Cruz.
Mulher de Woody Allen fala pela primeira vez das alegações de pedofilia contra o diretor e ataca Mia Farrow
Soon-Yi Previn, esposa de Woody Allen, falou pela primeira vez na imprensa sobre seu relacionamento com o cineasta e as acusações feitas por Mia Farrow contra ele. Em uma entrevista-perfil publicada pelo New York Magazine e compartilhada pelo site Vulture, da mesma empresa, ela afirmou categoricamente que as alegações de que Woody Allen teria molestado a própria filha Dylan Farrow são falsas e que Mia Farrow foi quem abusou dela, com violência, quando criança. “Mia nunca foi maternal comigo desde o começo”, disse Previn a Daphne Merkin, autora do artigo e amiga de Allen há quatro décadas. “Eu nunca me interessei em escrever um ‘Mamãezinha Querida’ focado em Mia – nada disso”, explicou Previn, que foi adotada na Coreia do Sul por Farrow e seu então marido Andre Previn quando ela tinha seis anos de idade. “Mas o que aconteceu com Woody é tão perturbador, tão injusto. [Mia] aproveitou o movimento #MeToo e desfilou Dylan como uma vítima. E toda uma nova geração está ouvindo sobre isso da forma errada, quando não deveria”. E daí passou a descrever como foi sua infância com Mia Farrow. “Ela tentou me ensinar o alfabeto com blocos de madeira. Se eu não os acertasse, às vezes ela os jogava em cima de mim ou no chão. Quem pode aprender sob essa pressão? Previn afirmou que, como não falava inglês, teve uma “pequena dificuldade de aprendizagem” e Farrow passou a escrever palavras em seus braços para fazê-la se lembrar delas, “o que era humilhante, então eu sempre usava camisas de mangas compridas”. A mãe adotiva também tinha o costume de pendurá-la de cabeça para baixo por períodos de tempo, porque “ela pensou – ou talvez leu, Deus sabe onde ela tirou essa ideia – que o sangue correr para à minha cabeça me tornaria mais esperta ou algo assim”. Ela disse que Mia Farrow também a esbofeteava e a espancava com uma escova de cabelo, enquanto a chamava de “estúpida”. A atriz teria, inclusive, pedido para ela gravar numa fita uma declaração de que era realmente uma filha da p*ta, mas ela se recusou. Sua mãe biológica era uma prostituta que a abandonou. Contou ainda que Mia que elegia filhos favoritos, entre os mais inteligentes e mais loiros, tratando os demais como empregados, que deveriam fazer as tarefas da casa para ela. Sobre o início de seu relacionamento com Allen, ela observou que os dois eram adultos na época – ela tinha 21 anos – e se aproximaram porque ela o via como outro “loser” (perdedor) e ele simplesmente via ela. “Mia nunca foi gentil comigo. E de repente eu tive a chance de encontrar alguém que demonstrava afeição e era gentil, e é claro que adorei”. Ela diz que, no começo, nenhum dos dois pensava que o caso duraria, mas com o tempo eles se aproximaram. “Eu conheceria alguém na faculdade, e isso acabaria”, contou Soon-Yi sobre o relacionamento. “Só se tornou realmente um relacionamento quando nós fomos jogados juntos em público por causa da acusação de abuso sexual”. Depois que Farrow descobriu sobre o caso, encontrando fotos nuas de Previn, a relação de Previn com Farrow se deteriorou ainda mais. “Eu lembro do telefonema quando ela encontrou as fotos”, disse Previn. “Peguei o telefone e Mia disse: ‘Soon-Yi’. Isso é tudo que ela precisava dizer, naquele tom de voz arrepiante. Eu sabia que minha vida terminara e que ela sabia, apenas pelo modo como ela dizia meu nome. Quando ela chegou em casa, me perguntou sobre isso, e eu – por instinto de sobrevivência – neguei. Mas ela disse: “Eu tenho fotos”. Então eu sabia que tinha sido pega. Claro, ela me deu um tapa, você sabe o rumo dessas coisas. E então ela ligou para todos. Ela não conteve a situação. Ela espalhou como fogo”. Previn expressou remorso pelo efeito que seu caso com Woody Allen teve em Farrow, chamando o relacionamento de “uma enorme traição de ambas as partes, uma coisa terrível de se fazer, um choque terrível para infligir a ela”. Mesmo assim, ficou surpresa pela forma como o público em geral viu o caso, como se tivesse sido incesto. Soon-Yi garante que nunca viu Allen como um figura paterna. “Eu já tinha um pai”, ressalta. “Ele era André Previn e Mia nunca se casou com Woody, nem eles moravam juntos. Ele era o namorado da minha mãe, pura e simplesmente. Ele era como uma entidade separada. Eu achava que Mia tinha o fazia de tolo, fazendo-o acreditar que ela era uma ótima mãe. Eu achei que ele não era muito observador, não era alguém que valesse a pena conhecer. É por isso que foi o maior choque para mim quando acabamos juntos”. Ela está casada até hoje com Woody Allen, nunca passou uma noite sequer longe dele desde então e também adotou crianças. Meninas. Bechet, atualmente com 19 anos, e Manzie, de 18. Nenhuma fez qualquer denúncia contra o pai. A autora do artigo lembra que Moses Farrow, irmão de Soon-Yi, descreveu recentemente suas lembranças de infância com Mia Farrow da mesma maneira, com lembranças de violência física contra a irmã e ele próprio. “Ela até trancou meu irmão Thaddeus, paraplégico de polio, no quintal durante a noite por punição por alguma transgressão”, ele disse, referindo-se ao irmão que se suicidou aos 27 anos. Outra filha adotiva de Mia, uma órfã cega vietnamita chamada Tam, morreu aos 19 anos. De acordo com Mia, de ataque cardíaco. De acordo com o que Thaddeus teria dito a Moses: suicídio por overdose. A irmã de Allen, Letty Aronson, completou a história com uma declaração à Vulture, lembrando o que Mia lhe disse naquela época: “’Ele levou minha filha, eu vou levar a dele’. Eu disse: ‘Não seja ridícula. [Dylan] ama Woody. Uma criança deveria ter um pai. Ela disse: ‘Eu não me importo'”. E assim teria começado a acusação de que Woody Allen molestou a própria filha. Em agosto de 1992, Mia levou Dylan para a justiça para declarar que Allen havia abusado dela, o que Allen negou e continua negando até hoje, afirmando que tudo começou com uma manipulação de Mia, que virou lavagem cerebral em Dylan. As alegações levaram a uma batalha de custódia muito divulgada e prolongada, que não encontraram evidências contra Allen, mas resultaram na perda da guarda de seus filhos. É, de fato, notório que o diretor gosta de filmar histórias de relacionamentos entre homens mais velhos e mulheres muito mais novas, e que ele próprio se envolveu com uma garota de 21 anos quando tinha mais de 50. Mas também é fato que nenhuma atriz jamais o acusou de assédio, em mais de meio século de carreira. Dylan Farrow é a única mulher que acusa Woody Allen de abuso, baseada em memórias de sua infância. Ela rebatou a publicação do artigo voltando ao Twitter para reforçar sua acusação. AS primeiras palavras de seu texto são “Woody Allen me molestou quando eu tinha sete anos de idade”. Ela e seu irmão Ronan Farrow reforçaram que foram criados por uma mãe amável e condenaram a publicação por simplesmente realizar a entrevista. “Eu tenho uma mensagem para a mídia e os aliados de Woody Allen: ninguém está me ‘desfilando como vítima’. Eu continuo sendo uma mulher adulta fazendo uma alegação plausível que não se alterou em duas décadas, sustentada por evidências”, escreveu Dylan. “Eu devo tudo o que sou a Mia. Ela é uma mãe devotada que passou pelo inferno para criar os filhos e um lar amável para nós. Mas isto nunca impediu Woody Allen e seus aliados de plantar histórias que atacam e vilipendiam minha mãe para desviar de uma acusação plausível de abuso contra minha irmã”, escreveu Ronan. Ele ainda se disse chocado, como jornalista, pela cumplicidade do New York Magazine, que não teria ouvido o outro lado nem contraditórios de testemunhas, e ainda permitiu que o artigo fosse escrito por uma amiga notória de Woody Allen. O New York Magazine rebateu Ronan, lembrando que deixou claro no texto o relacionamento entre a jornalista e Allen, e que a entrevista só aconteceu por conta dessa amizade, porque Soon-Yi jamais tinha falado com a imprensa antes. Este fato apenas já tornava o material jornalisticamente relevante. Além disso, o perfil queria mostrar um lado diferente da história que ele e a irmã tornaram tão conhecida e que até então tinha tão poucos contraditórios. Um porta-voz da família de Mia Farrow também refutou todas as alegações de abuso físico, negligência e as demais acusações feitas na entrevista. Após a publicação, várias pessoas se alinharam a Ronan Farrow no Twitter atacando o artigo pela falta de isenção da entrevistadora. A porta-voz do New York Magazine, Lauren Starke, defendeu a história dizendo: “Esta é uma história sobre Soon-Yi Previn, e apresenta sua perspectiva sobre o que aconteceu em sua família. Acreditamos que ela tem direito a ser ouvida. O relacionamento de Daphne Merkin com Woody Allen é revelado e é uma parte da história, como foi a razão de Soon-Yi aceitar ser entrevistada. Esperamos que as pessoas leiam por si mesmas”.
Amazon revela não ter planos de lançar o novo filme de Woody Allen
O mais recente filme de Woody Allen, o inédito “A Rainy Day in New York”, não será lançado pela Amazon Studios tão cedo. A produtora, que tem um contrato para outros trabalhos com o cineasta, divulgou comunicado dizendo que “ainda não há data de lançamento prevista”. O estúdio é obrigado por contrato a distribuir o longa, que tem tema controverso, contando a história do relacionamento entre um homem de 44 anos e uma adolescente de 15 anos. “A Rainy Day in New York”, o 48º e até aqui derradeiro filme dirigido pelo cineasta, foi rodado no ano passado e se tornou dano colateral do movimento #MeToo. Curiosamente, a onda de protestos femininos nas redes sociais foi precipitada com a ajuda do filho do diretor, Ronan Farrow, autor da reportagem da revista New Yorker que denunciou o produtor Harvey Weinstein em outubro do ano passado. A filha de Allen, Dylan Farrow, aproveitou o movimento de denúncias de assédios sexuais para retomar suas acusações de pedofilia contra Allen. O caso chegou a ir parar na Justiça nos anos 1990, durante a separação do diretor de sua ex-mulher Mia Farrow, mas nada foi provado. Allen sempre se disse inocente e culpou Mia por fazer lavagem cerebral em sua filha. Moses Farrow, outro filho do diretor, recentemente contestou a irmã, apontando inconsistências na denúncia, culpando a mãe por violência física e psicológica e testemunhando que Allen jamais ficou sozinho com Dylan durante o alegado abuso. No entanto, a campanha de Dylan fez vários atores que trabalharam com Allen dizerem que não voltariam a filmar com o diretor, entre eles os integrantes de “A Rainy Day in New York”, razão pelo qual a Amazon não sabe como lançar o filme. Timothée Chalamet e Rebecca Hall chegaram a doar seus salários após participarem do filme de Allen. Por isso, não há planos para realizar uma première ou envolver o elenco na divulgação. A tática da Amazon é esperar. E, por enquanto, “A Rainy Day in New York” está sendo guardado para quando as nuvens passarem. Sem previsão alguma de sair do depósito da empresa. Woody Allen, por sua vez, também não tem previsão de voltar a filmar tão cedo. É a primeira vez em 37 anos que ele ficará um ano inteiro sem realizar uma nova produção. O último hiato foi em 1981, após o fracasso comercial de “Memórias” (1980), seu primeiro filme sem a parceira Diane Keaton.
Woody Allen não consegue mais filmar após atores desistirem de trabalhar com ele
Woody Allen não lançará nenhum filme em 2019, porque não consegue atores para filmar seu novo projeto. Será a primeira vez em 37 anos que ele ficará um ano inteiro sem realizar uma nova produção. O último hiato foi em 1981, após o fracasso comercial de “Memórias” (1980), seu primeiro filme sem a parceira Diane Keaton. “A Rainy Day in New York”, o 48º e até aqui derradeiro filme dirigido pelo cineasta, foi rodado no ano passado e será lançado ainda em 2018 pela Amazon, com quem Allen celebrou contrato que previa a produção de outras três longas. Entretanto, a Amazon deve romper o acordo, pagando uma pesada multa, segundo artigo da revista The Hollywood Reporter. Isto porque o cineasta virou dano colateral do movimento #MeToo, que foi precipitado com a ajuda de seu filho Ronan Farrow, autor da reportagem da revista New Yorker que denunciou o produtor Harvey Weinstein em outubro do ano passado. A filha de Allen, Dylan Farrow, aproveitou o movimento de denúncias de assédios sexuais para retomar suas acusações de pedofilia contra Allen. O caso chegou a ir parar na Justiça nos anos 1990, durante a separação do diretor de sua ex-mulher Mia Farrow, mas nada foi provado. Allen sempre se disse inocente e culpou Mia por fazer lavagem cerebral em sua filha. Moses Farrow, outro filho do diretor, recentemente deu contestou a irmã, apontando inconsistências na denúncia, culpando a mãe por violência física e psicológica e testemunhando que Allen jamais ficou sozinho com Dylan durante o alegado abuso. No entanto, a campanha de Dylan fez vários atores que trabalharam com Allen dizerem que não voltariam a filmar com o diretor, entre eles os integrantes de “A Rainy Day in New York”, razão pelo qual o filme ainda não foi lançado. Timothée Chalamet e Rebecca Hall chegaram a doar seus salários após participarem do filme mais recente de Allen. A polêmica deve fazer com que a estreia aconteça sem participação do elenco e pouca divulgação. Isto não significa que o cineasta vá tirar “férias forçadas”, como declararam alguns blogues. Ou a garganta profunda anônima do Page Six, coluna de fofocas nova-iorquina transformada em site. “Woody adora trabalhar. Nunca sai de férias, mas vai tirar um tempo para descansar este ano até que encontre um patrocinador”, disse uma fonte identificada como “produtor de cinema de Hollywood”. Se não pode filmar, Allen continua a escrever. Ele já tem um roteiro pronto para ser filmado, que poderia ser lançado em 2020. E deve continuar desenvolvendo suas ideias, que é algo que sua mente criativa está acostumada a fazer. Na pior das hipóteses, pode escrever livros, como adiantou uma fonte com nome e endereço, Letty Aronson, irmã mais nova do cineasta. Mas provavelmente acumulará roteiros, esperando a chance de retomar a carreira ou deixá-los para a posteridade e para outros cineastas aproveitarem. “Woody Allen sempre conseguiu atores fantásticos. As estrelas trabalhavam por um salário mínimo porque recebiam prestígio, mas com o movimento #MeToo, agora ele é tóxico”, disse a fonte do Page Six, que ainda lembrou que “suas produções não geram dinheiro”. “Durante anos, passou de um de um patrocinador para outro. Inclusive foi à Europa, mas já está sem opções”, acrescentou a fonte. Na verdade, “Roda Gigante” foi o único filme de Woody Allen que deu prejuízo com lançamento em mais de 500 cinemas na América do Norte. Ele foi lançado em dezembro de 2018, em plena explosão das denúncias de Dylan Farrow, que chegou a assediar os atores que trabalharam no filme. O lançamento rendeu apenas US$ 1,4 milhão no mercado doméstico, mas atingiu US$ 15 milhões no mundo inteiro. Em entrevista posterior, ela disse que seu objetivo era arruinar o pai e acabar com a carreira dele. Na véspera do lançamento de “Roda Gigante”, Dylan publicou uma carta aberta no jornal The Los Angeles Times, questionando o tratamento diferenciado dado a Allen em relação a Weinstein. “Qual o motivo de Harvey Weinstein e outras celebridades acusadas de abuso terem sido banidas de Hollywood enquanto Allen recentemente conseguiu um contrato milionário de distribuição para seu próximo filme?”, ela questionou. Embora a pergunta tenha sido retórica, a grande diferença entre Allen e Weinstein é que apenas Dylan acusa o diretor, enquanto Weinstein acumulou uma centena de acusadoras. Dylan sabe disso, a ponto de dizer: “Estou falando a verdade e acho importante que as pessoas entendam que uma vítima importa e é suficiente para mudar as coisas”, ela disse. Nenhuma atriz filmada por Woody Allen ao longo de meio século de carreira acusou o diretor de qualquer coisa que não fosse extremo distanciamento. Mesmo assim, em janeiro deste ano a Pipoca Moderna publicou um artigo em que já ponderava o impacto da campanha negativa, afirmando que a carreira de Woody Allen poderia ter chegado ao fim.
Neil Simon (1927 – 2018)
Um dos criadores mais importantes da História do teatro americano, Neil Simon morreu neste domingo (26/8), aos 91 anos. Com suas peças, o autor ajudou a redefinir o humor americano, enfatizando os problemas da vida urbana e os conflitos de intimidade familiar, fosse por meio do romance, do musical, da catástrofe ou do mais completo absurdo. Antes de se tornar um dramaturgo famoso, Simon se destacou como roteirista de televisão, escrevendo episódios de séries de comédias estreladas por grandes nomes do humor dos anos 1950, como Sid Caesar, Phil Silvers e Garry Moore. Esta experiência marcou seu estilo de humor, ao criar obras tão populares que eram chamadas de “máquinas de riso”, pois faziam o público gargalhar do começo ao fim da apresentação. Suas peças redefiniram as comédias da Broadway e reinaram absolutas em bilheteria entre os anos 1960 e 1970 — só em 1966, ele teve quatro montagens simultâneas nos principais teatros de Nova York. A maioria das peças foi levada para os cinemas. A primeira adaptação foi “O Bem Amado” (1963), estrelada por Frank Sinatra, seguida por “O Fino da Vigarice” (1966), com Peter Sellers. Mas ninguém imaginaria o sucesso que viria a partir de “Descalços no Parque” (1967), que marcou as carreiras de Robert Redford e Jane Fonda. Muito menos o impacto cultural causado pelo filme seguinte, “Um Estranho Casal” (1968), que transformou o nome de Neil Simon em estrela de Hollywood. A trama dos dois solteiros, vividos por Jack Lemmon e Walter Matthau, que decidem dividir um apartamento e se revelam neuróticos como um casal, virou um fenômeno. Acabou inspirando série de TV em 1970, que durou cinco temporadas bem-sucedidas, e até remake televisivo recente, com Matthew Perry e Thomas Lennon, entre 2015 e 2017. Jack Lemmon estrelou outro clássico absoluto inspirado em obra de Simon, “Forasteiros em Nova Iorque” (1970), sobre a viagem de um casal que se vê perdido em Nova York durante uma viagem repleta de contratempos. A trama inspirou incontáveis variações cinematográficas e ganhou remake em 1999, com Steve Martin e Goldie Hawn. Outras peças famosas de Simon levadas para o cinema incluem “Charity, Meu Amor” (1969), com Shirley MacLaine, “Hotel das Ilusões” (1971), estrelado por Matthau, “O Prisioneiro da Segunda Avenida” (1975), novamente com Lemmon, “Uma Dupla Desajustada” (1975), outra vez com Matthau, o cultuadíssimo “Assassinato por Morte” (1976), com Peter Sellers, Peter Falk e David Niven, e “A Garota do Adeus” (1977), que rendeu o Oscar de Melhor Ator para Richard Dreyfuss. Alguns diretores se tornaram especialistas em suas adaptações, como Arthur Hiller, Herbert Ross e Gene Saks. Mas, a partir dos anos 1980, nem eles conseguiam mais repetir o mesmo tipo de sucesso unânime conquistado pelos clássicos com as novas peças de Simon. Mesmo assim, as adaptações não pararam, testemunhando uma troca de guarda nas gerações do humor americano, com a entrada em cena de Steve Martin, Goldie Hawn, Chevy Chase, Matthew Broderick, e depois, nos anos 1990, de Alec Baldwin, Ben Stiller, Sarah Jessica Parker, Kelsey Grammer e Julia Louis-Dreyfus. Até Woody Allen estrelou uma adaptação de Simon, “Feitos Um para o Outro” (1996), e a saudosa dupla Jack Lemmon e Walter Matthau se reuniu pela última vez em “Meu Melhor Inimigo” (1998), continuação, 30 anos depois, do clássico de 1968. Sua última adaptação cinematográfica foi “Antes Só do que Mal Casado” (2007), remake de seu roteiro original para “Corações em Alta” (1972) com direção dos irmãos Farrelly (“Débi & Lóide”), cujo tipo de humor escatológico não poderia passar mais longe do estilo de Simon. Popular no passado, Simon acabou se distanciando dos gostos contemporâneos, o que também joga nova luz sobre suas comédias, altamente refinadas na comparação com os temas líquidos (mijo, sêmen, diarreia) do humor americano no século 21. Na introdução de uma antologia de suas peças, Simon citou uma frase do crítico Clive Barnes para refletir como sua contribuição artística seria avaliada pela posteridade: “Neil Simon está destinado a permanecer rico, bem-sucedido e subestimado”.
Woody Allen diz que devia ser o garoto-propaganda do movimento #MeToo
O cineasta Woody Allen deu uma longa entrevista para o programa “Periodismo Para Todos”, exibida na Argentina na noite de domingo (3/6), na qual não apenas se defendeu das acusações de pedofilia, como afirmou que deveria ser o “garoto propaganda” do movimento #MeToo, criado como reação às centenas de acusações de assédio e estupro dentro da indústria cinematográfica. “Sou um grande incentivador do movimento #MeToo”, disse Allen ao jornalista argentino Jorge Lanata. “Eu deveria ser o garoto-propaganda do movimento, porque faço filmes há 50 anos, trabalhei com centenas de atrizes e nenhuma – famosa ou aspirante – jamais sugeriu qualquer tipo de conduta imprópria de minha parte”. O diretor também afirmou ter ficado chateado ao se ver associado pelo #MeToo a Harvey Weinstein e outros acusados de assediar e estuprar dezenas de mulheres. Allen virou alvo do movimento após sua filha adotiva, Dylan Farrow, aproveitou o timing das denúncias de assédio para promover uma campanha de desmoralização, reafirmando ter sido molestada pelo pai quando tinha sete anos, em agosto de 1992. Em entrevista televisiva, ela afirmou que seu objetivo era destruir a carreira de Allen. “Acredito que qualquer situação em que alguém é acusado de forma injusta é muito triste. Me incomoda que eu seja ligado a quem foi acusado por 20, 50, 100 mulheres de abuso – e eu, que fui acusado por uma mulher em uma ação de custódia, na qual foi analisada e negada, apareço ao lado dessas pessoas”, reclamou. Questionado se tinha feito algumas das coisas alegadas pela filha adotiva, Allen foi incisivo. “Claro que não, quer dizer isso tudo é loucura. Isso é algo que vem sendo analisado há 25 anos por autoridades e todos chegaram à conclusão de que não é verdadeiro. E esse foi o final e pude seguir com a minha vida. Para que isso tenha voltado agora… é uma coisa terrível acusar uma pessoa disso. Sou um homem com uma família e meus próprios filhos. Então, claro que é triste”. A entrevista não foi disponibilizada na internet, mas a chamada para o programa pode ser vista abaixo.
Filho diz que Woody Allen é vítima do verdadeiro monstro da família, sua mãe Mia Farrow
Nem todos os filhos de Woody Allen pintam o pai como um monstro pedófilo. Para Moses Farrow, por exemplo, Woody Allen é uma vítima do verdadeiro monstro da família, sua mãe Mia Farrow. Não é a primeira vez que ele diz isso, em frontal desacordo com o relato da irmã Dylan, que acusa o pai de abuso sexual, e do irmão Ronan, um dos repórteres mais importantes na denúncia que derrubou o magnata Harvey Weinstein e deu início a uma grande limpeza em Hollywood, marcando o fim da tolerância com predadores. Mas esta é a primeira vez que ele defende o pai adotivo sem ninguém lhe perguntar. Moses, que foi adotado ainda bebê na Coréia do Sul por Mia Farrow e depois co-adotado por Allen em 1991, virou terapeuta especializado no atendimento de famílias. E lida com relatos muito parecidos com o que diz ter experimentado em sua vida pessoal. Isto o inspirou a desabafar na quarta-feira (23/5) em seu blogue. No longo texto, intitulado “Um Filho Fala”, Moses afirma ter visto Mia Farrow maltratar fisicamente seus irmãos até deixá-los “fisicamente incapacitados, arrastando-os por um lance de escadas para serem jogados em um quarto ou em um armário, então tendo a porta trancada do lado de fora”. Ele alega que sua irmã adotiva, Soon-Yi Previn, “era bode expiatório mais frequente”. Em 1992, Allen teve um caso com Soon-Yi, com quem se casou mais tarde, terminando seu relacionamento com Mia Farrow e iniciando a batalha pela custódia de seus filhos, tanto biológicos quanto adotivos, que culminou na denúncia de Dylan, então com sete anos de idade. “Quando Soon-Yi era jovem, Mia certa vez jogou uma grande peça de porcelana na cabeça dela. Felizmente ela errou, mas as peças quebradas atingiram suas pernas”, afirma Moses. “Anos depois, Mia bateu nela com um telefone.” Estas lembranças já tinham sido trazidos à público anteriormente, durante conversas com o escritor Eric Lax para uma biografia de Woody Allen. Na ocasião, Moses também comentou sobre as alegações de sua irmã Dylan, de que Allen a molestou quando criança, alegando que o cineasta nunca fez nada parecido. Em seu post no blog, Moses reforçou sua posição de que Allen — que nunca foi condenado e que negou as alegações de Dylan por décadas — é inocente. Para ele, sua irmã mais nova jamais foi molestada por Woody Allen, mas isso não a impede de ter sido uma vítima de assédio. Vítima de uma campanha de manipulação da mãe, Mia Farrow. Na época em que Dylan Farrow disse ter sido alvo de abusos por parte de Allen, Mia já travava uma luta diária contra o diretor. Fazia sete meses desde que atriz descobrira a relação entre a sua filha adotiva Soon-Yi e o então parceiro Woody Allen – o casal está junto até hoje. Segundo Moses, tudo o que se ouvia em sua casa naquele período era que Woody era “maldoso, um monstro, o diabo”, e que Soon-Yi “estava morta” para eles. “A minha mãe era a nossa única fonte de informação sobre Woody – e ela era extremamente convincente”, ele descreve. “Também tínhamos aprendido repetidamente que ir contra a sua vontade trazia repercussões horríveis.” Moses vai direto ao ponto, ao descrever o dia em que o suposto abuso teria acontecido. Quando Woody Allen foi passar o dia com as crianças na casa de Connecticut – enquanto Mia foi às compras – , todos estavam em estado de alerta, graças à campanha de sua mãe, de que o diretor era o mal encarnado. Ele afirma que havia cinco crianças e três adultos na casa na ocasião – duas babás e uma professora de francês, e “que todos tinham sido instruídos durante meses que Woody era um monstro. Portanto, nenhum de nós teria permitido que Dylan se afastasse com Woody, mesmo que ele tentasse”, garante, afirmando que seu pai nunca ficou sozinho com a irmã no dia em que supostamente a teria abusado. O rapaz afirma que as pessoas se basearam na relação entre Woody e Soon-Yi (que nunca foi sua filha adoptiva) para se convencerem de que as alegações de Dylan eram verdadeiras. “Sim, [a relação] era pouco ortodoxa, desconfortável, perturbadora para a nossa família e magoou terrivelmente a minha mãe. Mas a relação, por si só, não foi tão arrasadora para a nossa família como a insistência da minha mãe em fazer da sua traição o centro das nossas vidas desde então”. O terapeuta aponta ainda algumas incongruências na versão dos acontecimentos descrita por sua irmã mais nova, como o trenzinho de brinquedo que Dylan associa ao momento do abuso. Segundo sua acusação, Woody a teria distraído com o brinquedo enquanto a tocava. Mas o trenzinho não estava no lugar em que a jovem afirma ter sido abusada. Para Moses, na idade de Dylan seria normal que o reforço da acusação e da repetição da história substituísse a realidade. E ele lembra que a mãe ensaiou o que ele devia dizer no julgamento de custódia. Na sua opinião, tanto de testemunha dos fatos e como expert em terapia familiar, a falta de nexo da acusação deveria ser suficientes para que as pessoas tivessem menos vontade de jogar pedras num homem que, para ele, sempre foi inocente. Ao final, Moses dirige-se às pessoas que vieram à público, após a pressão do movimento #MeToo, se dizer arrependidas por terem trabalhado com o seu pai no passado: “Precipitaram-se ao se juntar a um coro de condenação com base numa acusação desacreditada [por múltiplas investigações], por medo de não estarem no lado ‘certo’ deste grande movimento social”. Ele deixou ainda uma mensagem para a irmã: “Desejo paz e sabedoria para que você possa compreender que dedicar sua vida a ajudar a nossa mãe a destruir a reputação do nosso pai não lhe trará, provavelmente, nenhum consolo.”
Festival de Berlim barra filmes de assediadores denunciados, mas esquece o condenado Kim Ki-duk
O diretor do Festival de Berlim, Dieter Kosslick, afirmou nesta sexta-feira (2/2) que a programação deste ano barrou a inclusão de filmes com a participação de pessoas acusadas de abusos ou assédio sexual, em concordância com a campanha #MeToo. Em um encontro com a Associação da Imprensa Estrangeira na Alemanha, Kosslick não quis citar os títulos recusados nem os nomes dos envolvidos, mas confirmou que retirou do evento filmes que pretendia exibir. “São menos de cinco”, especificou o diretor. Kosslick destacou a importância do debate aberto pela campanha #MeToo, que começou com as denúncias de abuso sexual contra um dos produtores mais poderosos de Hollywood, Harvey Weinstein. Apesar disso, ele afirmou que não pode garantir que entre os 400 filmes que serão exibidos não exista alguém que possa virar alvo de denúncias. “Vamos aguardar ver o que acontecerá. Espero que não aconteça nada sério com os filmes que escolhemos”, apontou. Entretanto, algo “sério” já aconteceu com o diretor sul-coreano Kim Ki-duk, presente na mostra Panorama com seu novo filme “Human, Space, Time and Human”. Ele não foi apenas denunciado, mas condenado por agredir uma atriz durante a produção do longa “Moebius” em 2013. Kim Ki-duk já venceu o prêmio de Melhor Direção do Festival de Berlim com “Samaritana” (2004). Vale lembrar que o Festival de Berlim também premiou Roman Polanski como Melhor Diretor há bem pouco tempo. Foi em 2010, por “Escritor Fantasma”. O prêmio foi especialmente significativo, porque reconheceu o cineasta logo após sua detenção na Suíça, por mais de 200 dias, a pedido da promotoria de Los Angeles. Na ocasião, havia a expectativa de que ele fosse extraditado para os EUA, onde seria julgado por estupro de menor – o caso de Samantha Geimer, de 1977. Mas Polanski acabou libertado, após campanha de várias celebridades e intelectuais, e seu filme bastante comemorado em Berlim. Para Kosslick, o debate é “difícil”, principalmente quando se analisa a possibilidade de separar a obra de arte do seu autor, quando este é alvo de graves acusações de assédio ou abusos sexuais. Entre os filmes que já terminaram as filmagens e poderiam figurar no festival, mas não foram incluídos, estão “A Rainy Day in New York”, de Woody Allen, e “The House That Jack Built”, de Lars von Trier. O Festival de Berlim 2018 começa em 15 de fevereiro, com a exibição de “Isle of Dogs”, animação de Wes Anderson, e termina dia 25, com a entrega dos Ursos de Ouro e Prata.
Lançada no cinema por Woody Allen, Hayley Atwell renega o diretor
Mais uma atriz diz que não voltará a trabalhar com Woody Allen. A britânica Hayley Atwell, mais conhecida pelo papel de Agente Carter nas séries e filmes da Marvel, afirmou ao jornal The Guardian que se solidariza com as denúncias de Dylan Farrow, que acusa o pai adotivo de tê-la abusado quando tinha sete anos, e não pretende filmar novamente com o diretor. Ironicamente, Hayley foi lançada no cinema por Woody Allen, no filme “O Sonho de Cassandra” (2007). Na entrevista para o jornal, ela também descreveu a experiência como estranha. “Nunca falei sobre isso. Foi meu primeiro filme e não me senti dirigida por ele em momento algum. Não tivemos qualquer tipo de relacionamento, o que é ok, mas bizarro. Era uma grande oportunidade, então fiz o melhor que pude e fui embora. Não sabia na época o que sei agora. Se eu trabalharia com ele agora? Não. Me solidarizo com sua filha e ofereço minhas desculpas se meu trabalho lhe causou sofrimento de alguma forma. É empolgante poder dizer isso hoje e não entrar automaticamente numa lista negra.” O estilo frio da direção de Woody Allen também foi recentemente criticado por Marion Cotillard, estrela de “Meia Noite em Paris” (2011), que também declarou que não voltará a trabalhar com o diretor. “Não acho que ele me convidaria novamente, pois a experiência que tivemos foi bastante bizarra. Admiro parte de sua obra, mas não houve conexão alguma no set. Se ele me chamasse hoje eu questionaria mais, investigaria profundamente. Não sei, sou ignorante a respeito dessa história e só sei que dói ver o sofrimento alheio”. Várias publicações, como os jornais americanos The New York Times, The New York Post, o inglês Daily Mail e o espanhol El País publicaram artigos no domingo (28/1), em que revelam que o diretor está enfrentando dificuldades para conseguir que atores se comprometam com seu próximo filme. Não só isso, a Amazon estaria querendo encerrar seu acordo de distribuição com Allen. E o novo longa já filmado do diretor, “A Rainy Day in New York”, tende a nem sequer ser lançado, pois vários atores que participaram da produção agora se recusam a promovê-lo. Woody Allen sempre negou as acusações de que tivesse agido de forma imprópria com a filha. Mas Dylan retomou as denúncias de 1992 no rastro do #MeToo e prometeu, entre lágrimas, não parar até destruir a carreira de Woody Allen – como disse numa recente e emocional entrevista televisiva. Ela vem assediando atores que trabalharam com o pai adotivo para cobrar que o reneguem. E os que não o fazem são constrangidos por ela, como aconteceu recentemente com Justin Timberlake.
Diane Keaton defende Woody Allen com resgate de entrevista da época do suposto abuso
Alec Baldwin não é o único que acha que a onda recente de repúdio a Woody Allen é “injusta e triste”. A atriz Diane Keaton, parceira de longa data do diretor, publicou no Twitter uma antiga entrevista em que Allen aborda as acusações de Dylan Farrow. Produzido na época em que o suposto abuso teria acontecido, o especial do programa “120 Minutes” traz o diretor afirmando aquilo que sempre disse: que é inocente e que sua ex-mulher Mia Farrow plantou a ideia do abuso para prejudicá-lo. “Woody Allen é meu amigo e continuo acreditando nele”, escreveu a atriz. “Pode ser do interesse de todos conferir a entrevista do ’60 Minutes’ de 1992 para ver o que acham”. O tuíte de Keaton se junta aos de Alec Baldwin, que comparou Dylan Farrow com a personagem de “O Sol É para Todos”, que mente sobre um estupro, levando um homem negro inocente à prisão. A opinião da atriz também se contrapõe ao movimento coletivo de repúdio ao diretor, embalado pelo movimento #MeToo, que fez com que Timothée Chalamet e Rebecca Hall se vissem compelidos a doar seus salários após participarem do filme mais recente de Allen, “A Rainy Day in New York”. Outros, incluindo Colin Firth, Greta Gerwig, Marion Cotillard e Mira Sorvino, disseram que se arrependeram de trabalhar com ele e não voltarão a fazer isso novamente, enquanto Kate Winslet preferiu mencionar “certos cineastas” no mesmo contexto. Woody Allen sempre negou as acusações de que tivesse agido de forma imprópria com a filha. Mas Dylan retomou as denúncias no rastro do #MeToo e prometeu, entre lágrimas, não parar até destruir a carreira de Woody Allen – como disse numa recente e emocional entrevista televisiva. Ela vem assediando atores que trabalharam com o pai adotivo para cobrar que o reneguem. E os que não o fazem são constrangidos por ela, como aconteceu recentemente com Justin Timberlake. Por conta disso, Allen estaria enfrentando dificuldades para conseguir que atores se comprometam com seu próximo filme. Não só isso. Diversos artigos publicados no domingo (28/1) apontaram que a carreira do diretor pode ter chegado a um encruzilhada, com a Amazon querendo encerrar o acordo de distribuição de suas obras, a ponto do lançamento do já filmado “A Rainy Day in New York” correr o risco de ser cancelado. Esta enorme repercussão negativa motivou Diane Keaton a resgatar a antiga entrevista, que pode ser vista abaixo. Woody Allen is my friend and I continue to believe him. It might be of interest to take a look at the 60 Minute interview from 1992 and see what you think. https://t.co/QVQIUxImB1 — Diane Keaton (@Diane_Keaton) January 29, 2018
Kate Winslet se diz arrependida por ter trabalhado com “certos cineastas”
A atriz Kate Winslet resolveu se manifestar neste domingo (28/1), durante homenagem por sua carreira na premiação do London Critic’s Circle, a associação dos críticos de Londres, afirmando ter “amargos arrependimentos” de aceitar trabalhar como “certos cineastas”. Sem citar nomes, a atriz afirmou que são diretores, produtores e homens poderosos que por décadas ganharam prêmios e foram aplaudidos por seus trabalhos na indústria. Ela já trabalhou com Harvey Weinstein, no filme “Almas Gêmeas” (1994) e “O Leitor” (2008), pelo qual ela ganhou o Oscar, e recentemente com Woody Allen, no filme “Roda Gigante” (2017). “Ficou claro para mim que, não dizendo nada, eu poderia estar aumentando a angústia de muitas mulheres e homens corajosos. Abuso sexual é crime”, disse.










