Camila Queiroz troca Globo por Netflix
Camila Queiroz rompeu seu contrato de longo prazo com a Globo para trabalhar na Netflix. Segundo a coluna de Leo Dias, ela e o marido, Klebber Toledo, já estão gravando a versão nacional do reality “Casamento às Cegas”. Destacando-se na TV aberta desde 2015, quando protagonizou “Verdades Secretas”, a atriz agora passará a trabalhar por obra na emissora carioca, começando essa nova etapa justamente na continuação da novela de Walcyr Carrasco, que será gravada a partir de março. Em comunicado, a assessoria de Queiroz informou que “a atriz decidiu unilateralmente passar a trabalhar com a TV Globo em um novo formato” e que havia informado a emissora sobre sua decisão de não renovar o contrato longo em dezembro do ano passado. Rumores acrescentam tempero na história, ao espalhar que a situação teria gerado um grande mal-estar na Globo. Mas como já era para a atriz ter rodado “Verdades Secretas 2” no ano passado e todos os capítulos destacam Angel, a sua personagem, a Globo optou por um novo contrato limitado somente para essa obra. “Camila Queiroz está contratada pela Globo para fazer ‘Verdades Secretas 2’, como obra certa. A atriz não faz mais parte do banco de talentos com prazo longo”, confirma a Globo em seu próprio comunicado. Os mesmos rumores plantados por “fontes” da Globo sugerem que ela “fez uma besteira” ao fechar com a concorrência. Avaliam que a atriz trocou uma carreira de futuro, como protagonista de novelas, por um reality show incerto, que, como tudo na Netflix, pode não passar da 1ª temporada. No entanto, o comunicado da assessoria da atriz contesta essa versão, afirmando que ela saiu da Globo antes de fechar com “outra empresa” e tem diversos projetos em desenvolvimento, “que em breve serão anunciados”. Antes de assinar para estrelar “Verdades Secretas 2”, ela andava esquecida na Globo, tendo aparecido pela última vez como uma golpista na novela “Verão 90” (2019). A continuação da história se passará seis anos após o desfecho de “Verdades Secretas”, que mostrou Angel matando o homem que passou de seu cliente a padrasto (Rodrigo Lombardi), depois do suicídio de sua mãe, que havia descoberto o caso entre os dois. Ela estará falida, viúva e com um filho para criar. A trama será disponibilizada primeiramente no Globoplay e não tem data para ser exibida na TV aberta. Já o reality “Casamento às Cegas” mostra homens e mulheres que ficam noivos sem se conhecer pessoalmente. Os candidatos se comunicam por telas que não mostram suas imagens. No fim, há um casamento de verdade. Camila Queiroz e Klebber Toledo serão os apresentadores, replicando o formato americano, apresentado pelo casal Nick e Vanessa Lachey.
Nicette Bruno (1933 – 2020)
A atriz Nicette Bruno morreu na manhã deste domingo (20/12), aos 87 anos, após ficar mais de uma semana internada com covid-19 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro. De acordo com o boletim médico, seu estado de saúde “era considerado muito grave”. Ela estava sedada e dependente de ventilação mecânica, e morreu por “complicações decorrentes da Covid-19”. Os filhos de Nicette, Bárbara Bruno, Beth Goulart e João Goulart Filho, chegaram a fazer correntes de orações nas redes sociais pela recuperação da mãe, informando aos seguidores da gravidade da doença. A vida da atriz foi toda dedicada à atuação, além da espiritualidade. Nicette Xavier Miessa nasceu em Niterói em 7 de janeiro de 1933 e começou a carreira ainda pequena, aos 4 anos, em um programa infantil na Rádio Guanabara. Ela dizia que foi por isso que adotou o sobrenome da mãe, Eleonor Bruno Xavier, cuja família já tinha tradição artística. Precoce, tomou gosto pelo teatro aos nove anos, ao ingressar no grupo da Associação Cristã de Moços (ACM). Depois disso, passou pelo Teatro Universitário e pelo Teatro do Estudante, criado pelo ator Paschoal Carlos Magno. Aos 14 anos, já era atriz profissional na Companhia Dulcina-Odilon, da atriz Dulcina de Morais, na qual estreou na peça “A Filha de Iório”. Pela atuação como Ornela, recebeu prêmio como atriz revelação da Associação Brasileira de Críticas Teatrais. A paixão pelo teatro também a levou ao casamento com o colega ator Paulo Goulart. Ela tinha 19 anos quando o conheceu, ao contracenarem na peça “Senhorita Minha Mãe”, no Teatro de Alumínio, futuro Paço Municipal, em São Paulo. Os dois se casaram dois anos depois, em 1954, e compartilharam quase 60 anos de casamento. Ficaram juntos até a morte de Paulo, em 2014, e tiveram três filhos que seguiram a carreira dos pais: O casal também fundou em 1953 a companhia Teatro Íntimo de Nicette Bruno, que teve participação de nomes como Tônia Carrero e Walmor Chagas. Paralelamente, Nicette começou sua carreira na televisão. Pioneira, ela estreou junto da TV Tupi (primeiro canal do Brasil) em 1950, participando de recitais e de teleteatros, chegando a comandar a série “Teatro Nicette Bruno”, além de integrar a primeira adaptação do “Sítio do Picapau Amarelo”, exibida entre 1952 e 1962. Anos depois, ela estrelaria outra versão da obra de Monteiro Lobato, produzida pela Globo entre 2001 e 2004, como Dona Benta. A primeira novela foi “Os Fantoches”, realizada em 1967 na TV Excelsior. Mas logo voltou à Tupi para participar de grandes êxitos de audiência, como “A Muralha” (1968), “Sangue do Meu Sangue” (1969), “Meu Pé de Laranja Lima” (1970), “Éramos Seis” (1977) e, finalmente, a inacabada “Como Salvar Meu Casamento” (1979), tirada do ar com a extinção da emissora. Nicette foi para a Globo em 1981 após convite do diretor e ator Fabio Sabag para fazer parte da série “Obrigado, Doutor” como a freira Júlia, auxiliar do protagonista interpretado por Francisco Cuoco. Mas logo vieram as novelas, em papéis sempre importantes. Em “Sétimo Sentido” (1982), de Janete Clair, foi mãe da paranormal vivida por Regina Duarte. Em “Louco Amor” (1983), de Gilberto Braga, interpretou a cozinheira Isolda, que guardava o segredo da novela. Ao longo dos anos, integrou os elencos de atrações que marcaram época, como “Selva de Pedra” (1986), “Rainha da Sucata” (1990) e “Mulheres de Areia” (1993), sempre como mulheres de bem. A primeira vilã só veio em 1997, quando viveu a malvada Úrsula, em “O Amor Está no Ar”. Depois de três anos no novo “Sítio do Picapau Amarelo”, voltou a novelas convidada por Walcyr Carrasco, participando de “Alma Gêmea” (2005) como Ofélia, e “Sete Pecados” (2007), como Juju, grande amor do personagem de Ary Fontoura. A partir daí, teve presença constante nas telas, atuando em “A Vida da Gente” (2011), “Salve Jorge” (2012), “Joia Rara” (2013), “I Love Paraisópolis” (2015), “Pega Pega” (2017) e “Órfãos da Terra” (2019). Mesmo com o sucesso na televisão, a atriz nunca deixou o teatro, estrelando várias montagens e recebendo vários prêmios por seus trabalhos no palco. Mesmo com tanta experiência, ela nunca deixou de se reinventar. A morte de Paulo Goulart incentivou Nicette a fazer o primeiro monólogo de sua carreira, “Perdas e Ganhos”, em 2014, a partir de texto da escritora gaúcha Lya Luft. A direção e adaptação da peça que rodou o Brasil foi feita por sua filha, Beth. A intensa atividade no teatro e na TV, porém, deixou pouco tempo para o cinema. Nicette fez poucos filmes, estrelando como ela mesma “A Marcha” (1972), de Oswaldo Sampaio, e só voltando à tela grande em tempos mais recentes, em filmes como “A Guerra dos Rocha” (2008), de Jorge Fernando, “Doidas e Santas” (2016), de Paulo Thiago, e “O Avental Rosa” (2018), de Jayme Monjardim, todos em papéis de destaque. Sua última aparição nas telas foi ocasionada por uma homenagem da Globo. Nicette foi convidada a participar do remake de “Éramos Seis” como uma freira, na reta final da novela, para encontrar a personagem Lola (Gloria Pires), que ela interpretou na versão original da novela em sua juventude.

