Jorge Fernando (1955 – 2019)
O ator e diretor Jorge Fernando morreu no domingo (27/10), aos 64 anos, após dar entrada no Hospital CopaStar, em Copacabana, devido a uma parada cardíaca. Ele vinha se recuperando de um AVC (acidente vascular cerebral), que sofreu há dois anos, e tinha inclusive retomado a carreira, como ator e diretor da novela “Verão 90”, encerrada em julho passado. Jorge começou a atuar na escola onde estudava no Méier, Zona Norte do Rio, e se lançou em meio ao boom do teatro besteirol, estreando como ator profissional em 1976, na peça “As Mil e uma Encarnações de Pompeu Loredo”, de Mauro Rasi e Vicente Pereira. A carreira televisiva começou dois anos depois, como ator na série “Ciranda, Cirandinha”, de 1978, no papel de Reinaldo (Rei). Mas ele não queria ficar só na frente das câmeras. Mostrando sua versatilidade, no mesmo ano estrelou e dirigiu a peça “Zoológico” e foi assistente de direção do filme “Na Boca do Mundo”. Ele fez transição para as novelas com um papel de destaque em “Pai Herói” (1979), onde viveu o antagonista de Tony Ramos. Mas ao atuar em sua novela seguinte, “Água Viva” (1980), passou a se interessar mais pelo trabalho atrás das câmeras, acumulando sem créditos o papel de co-diretor. Sua estreia oficial como diretor da Globo aconteceu logo em seguida, em “Coração Alado”, de Janete Clair, em 1980. Ao todo, ele dirigiu 34 novelas, minisséries e séries. Um dos seus sucessos mais marcantes foi “Guerra dos Sexos” (1983), escrita por Sílvio de Abreu, que tinha como protagonistas Fernanda Montenegro e Paulo Autran (seu pai em “Pai Herói”). O tom de humor que ajudou a imprimir na produção acabou virando sua marca, e por um bom tempo determinou o estilo das novelas das 19h. Ele próprio assinou a direção de alguns dos maiores sucessos do horário, como “Vereda Tropical” (1984), “Cambalacho” (1986), “Brega & Chique” (1987) e “Que Rei Sou Eu?” (1989), antes de fazer sua transição para o “horário nobre” com “Rainha da Sucata” (1990), mais uma parceria bem-sucedida com o escritor Sílvio de Abreu. A partir daí, passou a transitar entre os dois horários, assinando hits pela noite inteira da Globo, de “Vamp” (1991), às 19h, até “A Próxima Vítima” (1995), às 20h, que fez o Brasil parar para debater a identidade de seu grande assassino. Consagrado como diretor de novelas, passou a se desafiar com outros formatos. Dirigiu séries (“Armação Ilimitada”, “Sai de Baixo”), programas infantis (“Angel Mix”, “Gente Inocente”), de variedades (“Não Fuja da Raia”, “TV Xuxa”) e foi redefinir o horário das 18h com “Chocolate com Pimenta” (2003), de Walcyr Carrasco, com quem trabalhou em mais quatro folhetins, entre eles “Alma Gêmea” (2004), que bateu recorde de audiência do horário. O último foi “Êta Mundo Bom!”, em 2016. Esteve à frente, também, dos remakes de “Ti Ti Ti” (2010) e da própria “Guerra dos Sexos” (2012). E estabeleceu uma parceria criativa com o casal Fernanda Young e Alexandre Machado em duas séries de comédia, “Nada Fofa” (2008) e “Macho Man” (2011). Além de dirigir, ele também estrelou a última produção no papel principal, como um ex-gay determinado a provar sua heterossexualidade. Para completar, trouxe sua mãe, Hilda Rebello, para atuar em algumas novelas que dirigiu, permitindo-lhe início tardio de uma vida artística, reprimida na juventude. Sua carreira, entretanto, não coube inteira na TV. Jorge Fernando também desenvolveu diversos trabalhos no cinema e no teatro. Dirigiu (e atuou em) “Sexo, Amor e Traição” (2004), “Xuxa Gêmeas” (2006) e “A Guerra dos Rocha” (2008), além de aparecer no clássico “Alma Corsária” (1993), de Carlos Reichenbach, e no blockbuster “Se Eu Fosse Você” (2006), de Daniel Filho. No palco, esteve à frente de sucessos do teatro besteirol, comandou Cláudia Raia no musical “Não Fuja da Raia”, coordenou a adaptação teatral de “Vamp” e criou a peça autobiográfica “Salve Jorge”, com histórias que marcaram sua trajetória profissional. Sua vida se multiplicou em arte.
Patricio Bisso (1957 – 2019)
O artista argentino Patricio Bisso morreu no domingo passado (13/10) em Buenos Aires, após sofrer um ataque cardíaco, aos 62 anos. Natural da capital argentina, Bisso mudou-se para a cidade de São Paulo aos 17 anos, no fim dos anos 1970, e teve a maior parte de sua carreira no Brasil. Ele se projetou inicialmente como ilustrador, publicando seus trabalhos no jornal Folha de S. Paulo, mas logo se tornou um ícone na noite LGBTQIA+ paulistana por suas performances de humor, na maioria das vezes travestido. Uma das personagens que criou nesses shows foi até parar na Globo, a russa Olga del Volga, sexóloga e conselheira sentimental. Além de personagens próprios, ele recriava nos shows o visual de divas da música internacional dos anos 1950 e 1960, como Connie Francis e Gigliola Cinquetti. Acompanhado pela banda Os Boko Mokos e pelo trio vocal As Notas Pretas, seu show “Louca Pelo Saxofone” estreou em 1985 e ficou anos em cartaz. No ano passado, o selo Discobertas relançou pela primeira vez em CD o álbum “Louca pelo Saxofone”, derivado do show, que serve como testamento de sua genialidade. Bisso quase materializou uma carreira musical, participando do movimento de músicos Vanguarda Paulista, mas foi mais consistente como ator de cinema, atividade iniciada em “Maldita Coincidência” (1979), de Sergio Bianchi. Ele participou de clássicos da filmografia nacional, como “Das Tripas Coração” (1982), de Ana Carolina, “O Homem do Pau-Brasil” (1982), de Joaquim Pedro de Andrade, “Onda Nova” (1983) e “A Estrela Nua” (1984), ambos da dupla José Antonio Garcia e Ícaro Martins, antes de levar Olga del Volga para a Globo, na novela “Um Sonho a Mais” (1985). A versão Olga de Patricio também foi uma convidada frequente do programa de Hebe Camargo, o que acabou lembrado no longa “Hebe – A Estrela do Brasil”, atualmente em cartaz. Bisso também atuou e foi figurinista do filme “O Beijo da Mulher-Aranha” (1985), de Hector Babenco, e seguiu trabalhando com os figurões do cinema brasileiro, como Bruno Barreto, em “Além da Paixão” (1986), e Cacá Diegues em “Dias Melhores Virão” (1989), até sair do Brasil. Na época, dizia que tinha se cansado, por não conseguir dinheiro para projetos mais ambiciosos, como um longa-metragem focado em Olga Del Volga. Mas a gota d’água pode ter sido sua prisão em flagrante na noite de 3 de dezembro de 1994. Ele acabava de terminar a temporada do show “Bissolândia”, o mais elaborado de sua carreira, em que recriava canções dos personagens da Disney, quando foi preso por sexo com dois outros homens em plena praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Passou a noite em cana, pagou fiança e saiu dizendo ter apanhado na delegacia. Em seguida, voltou a morar em sua Buenos Aires natal, no mesmo prédio de sua mãe, praticamente sumindo do mundo pop. Mesmo assim, voltou a trabalhar com o conterrâneo Babenco em 2007, desenhando figurinos do filme “O Passado”, em que o cineasta também voltou (provisoriamente) à Argentina em que nasceu. E chegou a ensaiar uma volta por cima com o musical satírico “Castronauts”, que ele concebeu. Após ser exibido em um festival em Nova York, Bisso planejava em transformá-lo em filme. Mas foi outro projeto frustrado. Nos últimos anos, ele passou a compartilhar seu humor ácido, acompanhado por ilustrações sessentista e referências à iconografia das pin-ups, com os seguidores de seu perfil no Facebook, onde, de forma significativa, sempre escrevia em português. Seu último post foi publicado no sábado (12/10).
Brasil disputa cinco prêmios no Emmy Kids Internacional
Cinco produções brasileiras foram selecionadas para a disputa do Emmy Kids Internacional 2019. A premiação, que reconhece atrações infantis da TV mundial, teve seus indicados anunciados nesta segunda-feira (14/10) pela Academia da Televisão e premiará os vencedores em 31 de março numa cerimônia em Cannes, na França. Duas das indicações brasileiras são da série teen “Malhação”, da Globo. Vencedora do Emmy Kids 2018 com a temporada “Viva da Diferença”, a novelinha volta a concorrer como Melhor Série por “Vidas Brasileiras”. A trama contou a história de Gabriela Fortes (Camila Morgado), uma professora brasileira idealista que ultrapassava os limites da escola para entender cada um de seus alunos. A cada 15 dias, a trama mergulhava na vida de um dos alunos. A história tratou de temas como drogas, machismo, idealização do corpo, racismo, assédio, intolerância religiosa e maternidade precoce, entre outros. A segunda indicação veio pela ação “Malhação Ao Vivo”, do site Gshow, que trazia o elenco da série, ao lado de influenciadores digitais, fãs e especialistas, discutindo os acontecimentos da trama em transmissões nas redes sociais. “Malhação Ao Vivo” concorre na categoria de conteúdo digital. Os demais indicados são a 3ª temporada de “Irmão do Jorel”, do Cartoon Network, que concorre como Melhor Série de Animação, “The Voice Kids”, indicado na categoria de reality show pelo terceiro ano, e o documentário “Nosso Sangue, Nosso Corpo”, da Fox, que desmistifica a menstruação e foi indicado como Melhor Conteúdo Factual. Confira abaixo a lista completa das indicações. Melhor Série Infantil De Regels van Floor (Holanda) Guru Paarvai 4 (Cingapura) Jamie Johnson (Reino Unido) Malhação: Vidas Brasileiras (Brasil) Melhor Série de Animação Grizzy et les Lemmings (França) Irmão do Jorel (Brasil) Lamput (Índia) Zog (Reino Unido) Melhor Telefilme ou Minissérie Der Krieg und ich (Alemanha) Jacqueline Wilson’s Katy (Reino Unido) Joe All Alone (Reino Unido) Just Dance (Coreia do Sul) Melhor Conteúdo Pré-Escolar Animanimals (Alemanha) Bluey (Austrália) Petit (Chile) SuperWings Mission Teams (Coreia do Sul) Melhor Conteúdo Digital Lik Meg (Noruega) Malhação Ao Vivo (Brasil) MarcoPolo World School (Reino Unido) Ultra Nyt (Dinamarca) Melhor Conteúdo Factual My Life: Hike to Happiness (Reino Unido) Nosso Sangue, Nosso Corpo (Brasil) Ultras Like-Eksperiment (Dinamarca) What’s New? (Nigéria) Melhor Reality Show Hua Na Ha Kuob (Tailândia) Lego Masters (Reino Unido) Nachtraven (Bélgica) The Voice Kids (Brasil)
Brasil tem nove indicados ao prêmio Emmy Internacional
A premiação do Emmy Internacional, que reconhece os melhores da televisão mundial (fora dos EUA), divulgou nesta quinta (19/9) os concorrentes para sua edição deste ano, com indicações de 21 países. E nove representantes brasileiros estão na disputa por estatuetas. Os destaques individuais da lista são para Marjorie Estiano, que concorre na categoria Melhor Atriz por sua atuação na 2ª temporada de “Sob Pressão”, da Globo, e Raphael Logam, que disputa como Melhor Ator pela série “Impuros”, da Fox. Entre as obras de ficção, “1 Contra Todos”, da Fox, foi indicado como Melhor Série Dramática, “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, da Globo, com Débora Falabella, Mariana Ximenes e Murilo Benício, concorre como melhor Minissérie, o “Especial de Natal Porta dos Fundos”, produzido para a Netflix, na categoria de Comédia, e a série “Magnífica 70” como melhor produção de língua não-inglesa exibida na TV americana – na HBO. A premiação ainda inclui produções brasileiras nas categorias de Documentário (“A Primeira Pedra”, do Futura), Programa de Arte (“Ópera Aberta – Os Pescadores de Pérolas”, da HBO) e Série Curta (“Hack the City”, da National Geographic). Além destas, a produção britânica “McMafia”, que inclui o brasileiro Caio Blat em seu elenco, disputa o troféu de Melhor Série Dramática. “A diversidade, a distribuição geográfica e a qualidade dos indicados deste ano são um testemunho da crescente riqueza de televisão de destaque criada em escala global”, disse Bruce L. Paisner, presidente e CEO da Academia Internacional da Televisão, em comunicado. A premiação acontece em novembro, em Nova York. Confira abaixo a lista completa dos indicados.
Kito Junqueira (1948 – 2019)
O ator Kito Junqueira morreu nesta sexta (23/8) aos 71 anos em Curitiba, após sofrer um infarto de madrugada. Nascido em 15 de maio de 1948, em São Paulo, Heráclito Gomes Pizano adotou o nome artístico Kito Junqueira em seus diversos trabalhos no teatro, cinema e TV. A carreira artística começou em 1973 na extinta TV Tupi, na qual participou das novelas “As Divinas & Maravilhosas”, “Vila do Arco”, “Tchan, a Grande Sacada” e “Como Salvar Meu Casamento”, todas na década de 1970. Ele também teve trabalhos na Globo (“Espelho Mágico” em 1978, “Vereda Tropical” em 1984 e “Por Amor” em 1997), na extinta Manchete (“Tudo ou Nada” em 1986 e “Pantanal” em 1990), SBT (“Jogo do Amor”, em 1985), Bandeirantes (“Cavalo Amarelo” em 1980, “Os Adolescentes” em 1981 e “Ninho da Serpente” em 1982) e Record (“Vidas Opostas” em 2007 e “Chamas da Vida” em 2008). Ele também atuou no filme “Eternamente Pagu” (1987), teve participações em programas como “Você Decide” e “Carga Pesada” (ambas na Globo), além de ter integrado os elencos centrais da minissérie “Chapadão do Bugre” (na Bandeirantes) e da série “A Lei e o Crime”, seu último trabalho nas telas, em 2009 (na Record). Fora das telas, Junqueira ainda estrelou diversas peças de teatro e se destacou na peça “Bent”, na qual recebeu prêmios da APCA, Moliére e Mambembe por sua atuação e produção. O ator também teve atuação política, sendo eleito deputado estadual em São Paulo pelo PV em 1994. Ele acabou mudando de partido, filiando-se ao PP, pelo qual concorreu ao cargo de deputado federal pelo Paraná nas Eleições de 2018, mas desta vez sem conseguir ser eleito.
Deputados da Igreja Universal querem transformar novelas da Record em patrimônio cultural do Rio de Janeiro
Um projeto de lei carioca, publicado na sexta (9/8) no site da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), quer tornar as novelas bíblicas da Record “Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro”. O projeto traz a assinatura dos deputados estaduais Carlos Macedo (PRB), bispo da Universal, Daniel Librelon (PRB), pastor da Universal, Tia Ju (PRB), também ligada à igreja, e Rosenverg Reis (MDB). O projeto fala em “telenovelas bíblicas produzidas pelas emissoras de televisão brasileiras”. O detalhe é que apenas a emissora de Edir Macedo, dono da Igreja Universal, produz novelas do gênero. A principal justificativa para o projeto é que as novelas bíblicas “manifestam saberes e formas de expressão cênicas, plásticas, musicais e lúdicas de uma imensa parcela da nossa população, recriando a interação com a sua história de vida”. “Nossa intenção é reconhecer como patrimônio imaterial do Rio de Janeiro aquilo que já é um patrimônio da humanidade: os exemplos das histórias bíblicas”, diz ao blog a deputada Tia Ju. “Ainda mais naquilo que o Brasil tem de melhor até como produto de exportação que é a teledramaturgia”, acrescenta. “É um escárnio”, protestou o deputado Carlos Minc (PSB), em declaração registrada pelo blog de Mauricio Stycer. “Ao invés de propor políticas para educação, saúde, segurança, pegam temas de besteirol ideológico. Do ponto de vista de política pública, é zero. Não tem nenhum significado prático. Perde-se tempo e dinheiro com uma coisa dessas, sendo aprovado ou não”, critica. O detalhe nada pequeno é que, ao contrário das produções da Globo, as novelas bíblicas da Record não são feitas no Rio de Janeiro.
Ruth de Souza (1921 – 2019)
A atriz Ruth de Souza morreu na manhã deste domingo (28/7), aos 98 anos. Diagnosticada com pneumonia, ela estava internada, desde o início da semana passada, na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro. Primeira atriz brasileira indicada a um prêmio internacional de cinema, o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1954, Ruth de Souza também foi a primeira atriz negra a construir uma carreira no teatro, no cinema e na televisão do Brasil. E continuava ativa. Seu último trabalho foi na minissérie “Se Eu Fechar os Olhos Agora” , exibida no início de 2019 na Globo. Ruth Pinto de Souza nasceu no dia 12 de maio de 1921 e se interessou pelo teatro ao completar a maioridade, quando descobriu a existência de um grupo de atores liderados por Abdias do Nascimento, que formaram o Teatro Experimental do Negro. Ela fez História ao participar da encenação de “O Imperador Jones”, de Eugene O’Neill, em 1945, como a primeira atriz negra a se apresentar no palco do Teatro Municipal do Rio, abrindo caminho para outros artistas. “Foi lindo aquele dia. A gente celebrando nossa estreia, e o mundo festejando o fim da 2ª Guerra Mundial. O centro da cidade estava lotado de gente”, recordou ela, em entrevista ao jornal O Globo. A repercussão de sua performance lhe rendeu indicações a prêmios e uma bolsa de estudo da Fundação Rockefeller, que a levou a viver um ano nos Estados Unidos. “Aprendi coisas que nunca teria a oportunidade de aprender ficando no Brasil. Ganhei respeito”, disse, sobre a experiência internacional. Ela fez sua estreia no cinema em 1948, no elenco de “Terra Violenta”, por indicação de Jorge Amado. O longa era a adaptação de “Terras do Sem Fim”, do autor baiano, e tinha direção do americano Edmond Bernoudy. E a partir daí se tornou presença constante nas telas, participando de diversas produções das maiores empresas da época: Atlântida, Maristela Filmes e Vera Cruz. Por seu desempenho em “Sinhá Moça” (1953), de Tom Payne e Oswaldo Sampaio, Ruth disputou o Leão de Ouro, no Festival de Veneza de 1954, com estrelas como Katherine Hepburn, Michele Morgan e Lili Palmer, para quem perdeu o troféu por dois pontos. Entre outros filmes do período, incluem-se ainda “Candinho” (1954), uma das comédias mais bem-sucedidas da carreira de Mazzaropi, “Ravina” (1958), de Rubem Biafora, “Fronteiras do Inferno” (1959), de Walter Hugo Khouri, e o clássico “O Assalto ao Trem Pagador” (1962), de Roberto Farias, marco do cinema policial brasileiro. O sucesso alcançado no cinema a levou à televisão, primeiro nos teleteatros da Tupi e da Record, até que, em 1968, foi contratada para integrar sua primeira novela da Globo, “Passo dos Ventos”, de Janete Clair, e nunca mais precisou se preocupar com o desemprego – mesmo aposentada, ela continuava a ter contrato vigente com a emissora carioca, mais de 50 anos depois. Na Globo, tornou-se a primeira atriz negra a protagonizar uma novela, “A Cabana do Pai Tomás” (1969). E participou de cerca de 20 novelas, numa sequência de clássicos do gênero que inclui “O Homem que Deve Morrer” (1971), “Bicho do Mato” (1972), “O Bem Amado” (1973), “Os Ossos do Barão” (1973), “O Rebu” (1974), etc. Também integrou o elenco da novela que adaptou a obra que a consagrou em Veneza, “Sinhá Moça”, em 1986, e do remake da mesma, em 2006, ao mesmo tempo em que se manteve ativa no cinema – em filmes como “Um Homem Célebre” (1974), de Miguel Faria Jr., “Ladrões de Cinema” (1977), de Fernando Campos, “Jubiabá” (1986), de Nelson Pereira dos Santos, e “Um Copo de Cólera” (1999), de Aluizio Abranches, entre outros. Ruth de Souza ainda conquistou o prêmio de Melhor Atriz do Festival de Gramado em 2004, por sua atuação no filme “Filhas do Vento”, de Joel Zito de Araújo. Na ocasião, ela disse: “É uma alegria imensa ter o trabalho reconhecido. As pessoas dizem que abri portas, mas nunca parei para pensar sobre o assunto. Trabalhei muito nesses 70 anos de carreira. Nunca parei, o que é algo difícil para qualquer ator no mundo, ainda mais para um ator negro”. Incansável, a atriz seguiu acrescentando muitas obras à sua imensa filmografia. Entre seus últimos papéis, estão contribuições em filmes como “O Vendedor de Passados” (2015), de Lula Buarque de Hollanda, e “Primavera” (2018), de Carlos Porto de Andrade Junior, inédito em circuito comercial. Na TV, despediu-se vivendo a si mesma na série “Mister Braun” e com a minissérie “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, seu último papel. Ao longo de oito décadas dedicada à dramaturgia, Ruth de Souza se tornou um ícone para várias gerações. Virou parte integral da cultura brasileira. E foi até tema de homenagem de escola de samba, a carioca Santa Cruz, no carnaval deste ano. Lembrada com carinho pelos colegas de profissão, sua morte inundou as redes sociais de lamentações. “Aos 98 anos nossa amada partiu, deixando um legado, uma história incrível e portas abertas para muitos jovens artistas negros”, escreveu a atriz Zezé Motta.
Trailer de Vai que Cole 2 – O Começo mostra prólogo da série do Multishow
A Conspiração Filmes divulgou o pôster e o trailer do segundo filme derivado da série “Vai que Cole”. Desta vez, é um prólogo. “Vai que Cole 2 – O Começo” conta como a turma do Méier se conheceu e se passa antes da trama da série do canal pago Multishow, lançada em 2013 – embora os atores sejam os mesmos e estejam seis anos mais velhos. A trama apresenta a casa de Dona Jô (Catarina Abdalla), quando ela ainda não era uma pensão e a personagem vivia sozinha com Jéssica (Samantha Schmütz). Ferdinando (Marcus Majella) e Máicol (Emiliano d’Avila), neste ponto, apenas sonhavam em morar no Rio, enquanto Terezinha (Cacau Protásio) morava no Morro do Cerol com Tiziu. O grupo se encontra em uma feijoada que Terezinha organiza para o bicheiro. O humor segue o padrão caricatural de série, repleto de gente burra, sem educação, que não sabe falar direito a própria língua e age como criança. O que, por sinal, justifica o título gramaticalmente errado da franquia. Mas também pinta um quadro pouco lisonjeiro da vida nos subúrbios cariocas – ao contrário, por exemplo, do retrato digno de “A Grande Família”. O elenco ainda conta com Fiorella Mattheis, Silvio Guindane, Érico Brás, Alice Morena, Paulinho Serra, Mary Sheyla, Sergio Mallandro e Marcelo Medici. Dirigido por César Rodrigues, que também faz parte da equipe da série, o longa chega aos cinemas no dia 12 de setembro.
Andrea Beltrão vira Hebe Camargo no pôster da cinebiografia da “Estrela do Brasil”
A Warner divulgou o pôster oficial da cinebiografia “Hebe – A Estrela do Brasil”, que traz a atriz Andrea Beltrão (“Sob Pressão”) como a apresentadora Hebe Camargo. A trama se passa na década de 1980, no final da ditadura militar, quando Hebe completa 40 anos de profissão, está madura e já não aceita ser apenas um produto televisivo para o que “a família brasileira”. Mais do que isso, já não suporta ser uma mulher submissa ao marido, ao salário baixo, ao governo de direita e aos costumes vigentes. A trama pretende mostrar a apresentadora lidando com o marido ciumento e preconceituoso, e abraçando comportamentos avançados para se transformar em uma das personalidades mais poderosas, populares e amadas do Brasil. O elenco ainda conta com Marco Ricca (“Chatô – O Rei do Brasil”), Caio Horowicz (“Califórnia”), Danton Mello (“Vai que Dá Certo”), Gabriel Braga Nunes (“Se Eu Fechar Os Olhos Agora”), Danilo Grangheia (“O Roubo da Taça”), Otávio Augusto (“Sorria, Você Está Sendo Filmado”), Claudia Missura (“Mister Brau”), Karine Teles (“Benzinho”) e Daniel Boaventura (“Mulheres Alteradas”) – os dois vão viver outras personalidades famosa da TV brasileira, ninguém menos que Lolita Rodrigues e Silvio Santos. Com roteiro de Carolina Kotscho (“2 Filhos de Francisco”) e direção de Maurício Farias (“Vai que Dá certo”), o filme tem estreia prevista para 26 de setembro.
Lúcio Mauro (1927 – 2019)
O ator e comediante Lúcio Mauro, que estrelou diversos programas humorísticos da rede Globo, morreu na madrugada deste domingo (12/5) aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado há cerca de dois meses na Clínica São Vicente, com problemas respiratórios. Lúcio Mauro era seu nome artístico. O artista nasceu em Belém do Pará, no dia 14 de março de 1927, batizado como Lúcio de Barros Barbalho. Ele começou a carreira no teatro e só foi estrear na televisão aos 33 anos, em 1960, com a inauguração da TV Rádio Clube de Pernambuco, onde fez seu primeiro programa de humor, “Beco sem Saída”, contracenando com José Santa Cruz no quadro “Jojoca e Zé das Mulheres”. Em 1963, Lúcio e sua esposa, a atriz Arlete Salles, mudaram-se para o Rio de Janeiro, indo trabalhar na TV Rio. De lá, ele foi para a TV Tupi, onde participou do “Grande Teatro Tupi”, foi jurado de calouros de Flávio Cavalcanti, dirigiu e atuou no programa “A, E, I, O… Urca!” e o infantil “Essa Gente Inocente”, além de estrelar, junto de Arlete Salles, o humorístico “I Love Lúcio”, uma paródia da sitcom americana “I Love Lucy”. Neste mesmo ano, Lúcio Mauro estreou no cinema ao lado de Arlete em “Terra sem Deus”, de José Carlos Burle. A experiência foi seguida pelas comédias “007 1/2 no Carnaval” (1966), uma paródia de James Bond com Costinha e Chacrinha, e “O Rei da Pilantragem” (1968), escrito por Carlos Imperial. Mas a carreira cinematográfica ficou de lado quanto a televisiva estourou, após estrear na Globo em 1966. Ele começou na emissora no humorístico “TV0–TV1”, ao lado de uma constelação de humoristas que marcaram época na televisão: Jô Soares, Agildo Ribeiro, Paulo Silvino e outros. Dois anos depois, Lúcio criou e dirigiu na Globo o humorístico “Balança Mas Não Cai” (1968), com releituras de quadros de sucesso da Rádio Nacional nos anos 1950. O formato da programa de esquetes com um grande elenco, que se alternava num mesmo cenário sem mudar o contexto das piadas, fez enorme sucesso e inspirou o humor brasileiro durante décadas. Foi nesse período, inclusive, que Lúcio emplacou sua criação mais famosa, o quadro “Fernandinho e Ofélia”, em que vivia um homem rico e sofisticado, constantemente constrangido pela burrice da esposa (Sônia Mamede), que cometia grandes gafes diante de convidados ilustres, apesar de repetir o bordão “Só abro a boca quando tenho certeza!”. Quando “Balança Mas Não Cai” foi para a TV Tupi, nos anos 1970, ele acompanhou os colegas do programa e deixou a Globo por um tempo. A época também marcou o fim de seu casamento com Arlete. Mas ele ficou pouco tempo solteiro, casando-se com Ray Luiza Araujo Barbalho em 1974. Menos tempo ainda passou longe da Globo, para onde voltou pelas mãos de Chico Anysio, um de seus maiores parceiros, vindo a integrar o elenco de todos os programas humorísticos do famoso criador – de “Chico City” (1973) a “Escolinha do Professor Raimundo” (1990). Ele criou personagens marcantes ao lado de Chico Anysio, como o diretor Da Julia, que trabalhava com o ator canastrão Alberto Roberto, e o aluno Aldemar Vigário, da “Escolinha do Professor Raimundo”. Puxador de saco do professor, Vigário contava contos épicos de supostos grandes feitos do mestre com o bordão “Quem? Quem? Raimundo Nonato!”. Nos anos 1980, Lúcio Mauro emplacou uma nova versão de “Balança Mas Não Cai” (1982) na Globo, e ajudou a conceber e dirigir “A Festa é Nossa” (1983), humorístico que tinha como cenário fixo a cobertura de Fernandinho e Ofélia. O ator também participou de “Chico Anysio Show” (1982) e “Os Trapalhões” (1989), revivendo a dupla Fernandinho e Ofélia com Nádia Maria, após a intérprete original ser diagnosticada com leucemia e se afastar da TV – Sônia Mamede veio a falecer em 1990. Mas Lúcio não fez apenas comédias. Em 1983, interpretou o médium Chico Xavier no “Caso Verdade Chico Xavier, um Infinito Amor”. E, em 1988, fez uma participação na minissérie “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, como Dr. Quindim. A diversificação aumentou nos anos 1990, com um episódio de “Você Decide” (1992), a novelinha teen “Malhação” (1995), atuando como Dr. Palhares, pai do Mocotó (André Marques), e a novelinha infantil “Caça-Talentos” (1996), com Angélica. Em 1998, encarnou o bicheiro mafioso Neca do Abaeté na minissérie “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, e o advogado Nonato na segunda versão da novela “Pecado Capital”, atuou em um episódio de “Sai de Baixo” e participou da novela “Meu Bem Querer”. A partir de 1999, Lúcio Mauro retomou personagens em “Zorra Total”. Refez o quadro Fernandinho e Ofélia, desta vez com Claudia Rodrigues. E começou a contracenar com seu filho, o ator Lúcio Mauro Filho. Além disso, criou um novo personagem, Ataliba, um vovô surfista, revivendo com José Santa Cruz a parceria de sua estreia na TV em 1960. Nos últimos anos, dedicou-se a fazer mais participações em novelas – como “Paraíso Tropical” (2006), “A Favorita” (2008) e “Gabriela” (2012). E filmes. Embora sua filmografia comece nos anos 1960, foi só nos últimos anos que Lúcio realmente se dedicou ao cinema, atuando em “Redentor” (2004), de Claudio Torres, “Cleópatra” (2008), de Júlio Bressane, “Muita Calma Nessa Hora” (2010), de Felipe Joffily, e “Vai que Dá Certo” (2013), de Maurício Farias. Neste último, também contracenou com o filho. O humorista gostava de trabalhar com os filhos, tanto que estrelou a peça “Lúcio 80-30” (2008) com três deles, Lúcio Mauro Filho, Alexandre Barbalho e Luly Barbalho. E voltou a contracenar com dois deles em 2014, no penúltimo episódio de “A Grande Família”, como o pai de Luly, a irmã de Tuco, personagem de Lúcio Mauro Filho. Sua despedida das telas aconteceu em 2015, numa participação especial da releitura da “Escolinha do Professor Raimundo”, que foi exibida na TV Globo e no canal pago Viva. Desde 2016, quando sofreu um derrame, Lúcio Mauro enfrentou diversos problemas de saúde, sendo forçado a se aposentar. Relembre abaixo três dos personagens mais famosos do humorista.
Marco Luque desenvolve filme sobre seu personagem Jackson Faive
O humorista Marco Luque revelou planos de lançar um filme sobre seu personagem Jackson Faive. “Estou escrevendo um filme que a gente deve rodar no final do ano”, ele disse em entrevista ao canal Desimpedidos. “É difícil e complexa essa história de cinema, mas é muito legal. Vai ser a história do Jackson Faive, a origem dele, quando ele começou a ser motoboy”, completou. O Jackson Faive é um motoboy que conta os causos do trânsito e da sua vida humilde. O personagem faz parte do programa “Altas Horas”, de Serginho Groisman, desde 2016, mas foi criado por Luque quando ele ainda trabalhava na Rádio Mix FM. Na televisão, o humorista caracteriza o personagem com uma dentadura especial, além de touca e roupas pretas. O filme ainda não tem previsão de lançamento.
Hebe Camargo ressurge empoderada no trailer de sua cinebiografia
A Warner divulgou o trailer de “Hebe – A Estrela do Brasil”, cinebiografia da apresentadora Hebe Camargo. Bastante politizada, a prévia mostra a estrela da TV brasileira enfrentando preconceitos e fazendo revoluções comportamentais, da introdução de Roberta Close como “a mulher mais bonita do Brasil” à famosa “bicota” em Roberto Carlos. O detalhe é que isso acontece não numa suposta juventude rebelde, mas no apogeu de sua carreira, em plena meia-idade, sob o olhar fulminante de produtores, marido e representantes da censura federal. Além disso, chama muito atenção a interpretação de Andrea Beltrão, convincente no papel. A trama se passa na década de 1980, no final da ditadura militar, quando Hebe completa 40 anos de profissão, está madura e já não aceita ser apenas um produto televisivo para o que se acredita ser a família brasileira. Mais do que isso, já não suporta ser uma mulher submissa ao marido, ao salário baixo, ao governo de direita e aos costumes vigentes. A trama pretende mostrar a apresentadora lidando com o marido ciumento e preconceituoso, e abraçando comportamentos avançados para se transformar em uma das personalidades mais amadas do Brasil. O elenco ainda conta com Marco Ricca, Caio Horowicz, Danton Mello, Gabriel Braga Nunes, Danilo Grangheia, Otávio Augusto, Claudia Missura, Karine Teles e Daniel Boaventura – que vai viver outra personalidade famosa da TV brasileira, ninguém menos que Silvio Santos. Com roteiro de Carolina Kotscho (“2 Filhos de Francisco”) e direção de Maurício Farias (“Vai que Dá certo”), o filme tem estreia prevista para 26 de setembro.
Bibi Ferreira (1922 – 2019)
A atriz, cantora e diretora Bibi Ferreira, conhecida como primeira-dama do teatro brasileiro, morreu nesta quarta (13/2) aos 96 anos, após sofrer uma parada cardíaca. Com uma vasta e imensurável carreira nos palcos, Bibi se destacou em montagens históricas do teatro nacional. Mas essa dedicação fez com tivesse poucas participações no cinema e na TV, o que lhe deu menos popularidade que merecia. Abigail Izquierdo Ferreira nasceu em 1º de junho de 1922 no Rio de Janeiro, e com 20 dias de idade fez sua estreia no teatro. Filha do também famoso ator Procópio Ferreira e da bailarina espanhola Aída Izquierdo, ela subiu aos palcos pela primeira vez em 21 de junho de 1922, ainda bebê, substituindo uma boneca que havia desaparecido horas antes da sessão da peça “Manhãs de Sol”. Enquanto crescia, Bibi sentou no colo de Carmem Miranda, aprendeu a cantar com Noel Rosa e estudou teatro em Londres em 1942. Sua carreira premiadíssima destaca grandes sucessos musicais, como “Gota d’Água”, de Chico Buarque e Paulo Pontes, “Minha Querida Dama” (versão brasileira do clássico “My Fair Lady”, que fez com Paulo Autran), “O Homem da La Mancha”, “Alô Dolly” e “Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção”. Este último foi o que mais marcou sua carreira. Iniciado em 1983, o espetáculo levou Bibi a percorrer vários países e chegou a virar vídeo em 2004, “Bibi Canta Piaf”. Após mais de duas décadas na pele da diva francesa, a diva brasileira foi reconhecida com a Comenda do Ordem e das Letras da República Francesa, o prêmio máximo da cultura na França. Bibi também foi diretora de shows, óperas e peças de teatro, tendo dirigido cantoras tão diferentes quanto Maria Bethânia, Elizeth Cardoso, Clara Nunes e Roberta Miranda, entre outras. O cinema foi um entusiasmo da juventude, estreando nas telas aos 14 anos, em “Cidade-Mulher” (1936), do grande mestre Humberto Mauro. Depois, foi dirigida pelo inglês Derek N. Twist em “O Fim do Rio” (1947), contracenando com atores britânicos, pelo tcheco Leo Marten em “Almas Adversas” (1952) e pelo argentino Carlos Hugo Christensen em “Leonora dos Sete Mares” (1955). E nunca mais fez outro filme. Em vez disso, preferiu participar dos primeiros teleteatros brasileiros, que eram basicamente teatro filmado: encenações feitas ao vivo, numa época em que ainda não existia o videotape. Foram várias aparições no programa “Grande Teatro Tupi”, entre 1952 e 1956. Em 1960, ela participou da inauguração da TV Excelsior como apresentadora do jornalístico “Brasil 60”, um dos primeiros a combinar reportagens gravadas com apresentação ao vivo, além do programa de variedades “Bibi Sempre aos Domingos”. Também comandou o programa musical “Bibi ao Vivo” na Tupi, em 1968. E foi a comentarista oficial da transmissão do Oscar 1972 no mesmo canal. Mas, curiosamente, jamais fez em novelas. E só apareceu em duas produções da Globo: “O Homem Que Veio do Céu” (1978), episódio da série de antologia “Caso Especial”, em 1978, e a minissérie “Marquesa de Santos”, no papel de Dona Carlota Joaquina, em 1984. Ao completar 50 anos de carreira na década de 1990, ela celebrou sua trajetória artística com o espetáculo “Bibi in Concert”. E, em 2013, levou este espetáculo para Nova York, apresentando-se na Broadway, com direito a dueto com Liza Minelli e críticas rasgadas do jornal New York Post, que a comparou com Ella Fitzgerald. Bibi anunciou sua aposentadoria dos palcos em setembro passado, após 77 anos de carreira, interrompendo planos que desenvolvia para um musical dedicado ao cancioneiro de Dorival Caymmi. Na época, já enfrentava uma série de problemas de saúde e chegou a ser internada com quadro de desidratação. “Nunca pensei em parar, essa palavra nunca fez parte do meu vocabulário, mas entender a vida é ser inteligente. Fui muito feliz com minha carreira. Me orgulho muito de tudo que fiz. Obrigada a todos que de alguma forma estiveram comigo, a todos que me assistiram, a todos que me acompanharam por anos e anos. Muito obrigada”, disse ela em comunicado.







