Atores e equipe do Zorra assinam abaixo-assinado em defesa de Marcius Melhem, acusado de assédio moral
Um grupo de atores, redatores e técnicos do programa “Zorra” enviou à direção da TV Globo um abaixo-assinado em defesa do coordenador de humor da emissora, Marcius Melhem, que teria sido acusado de assédio moral. Segundo o texto, o chefe do departamento nunca praticou assédio contra qualquer um dos 55 funcionários que assinam o documento. “Temos todos aqui uma relação baseada no diálogo, profissionalismo e respeito. Toda solidariedade a Marcius Melhem diante dessa maldade, que não vai destruir a harmonia entre nós, nem o prazer de trabalhar neste projeto que nos orgulha tanto”, diz o texto. O conteúdo do documento foi revelado pelo colunista Mauricio Stycer, do UOL. Ele ainda acrescentou que os colegas de Melhem estão recolhendo assinaturas de outros programas de humor da Globo para dar apoio ao chefe, que também é comediante e está à frente de uma renovação nos programas de humor da emissora. O caso foi noticiado originalmente pelo jornalista Leo Dias, outro colunista do UOL, em 26 de dezembro de 2019. Na ocasião, Dias sugeriu que as atrizes Dani Calabresa, Renata Castro Barbosa e Maria Clara Gueiros haviam denunciado Melhem. As duas últimas negaram o fato no mesmo dia. Leo Dias também informou que Marcelo Adnet testemunhou a favor das atrizes, o que ele negou um dia depois. Até agora, nem Melhem, nem Calabresa comentaram o caso publicamente. Mas tudo indica que a humorista realmente registrou uma queixa, que estaria sendo investigada pelo comitê de auditoria e compliance do Grupo Globo (a área que avalia se o que ocorreu está em conformidade ou não com regras da empresa). A TV Globo abordou o assunto por meio de uma nota genérica de seu departamento de Comunicação. “Todo relato de assédio, moral ou sexual, na Globo é apurado criteriosamente assim que tomamos conhecimento. A Globo reafirma que não aceita qualquer tipo de assédio e, neste sentido, mantém um canal aberto para denúncias de violação às regras do Código de Ética do Grupo Globo.” Pode ser considerado assédio moral em ambiente de trabalho qualquer situação humilhante, constrangedora, que aconteça de forma repetitiva e prolongada durante o expediente e no exercício de funções profissionais, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias. Pouco antes da denúncia, em novembro, Calabresa deixou o humorístico “Zorra”. Na semana passada, ela estreou um quadro no programa “Se Joga”. Mas Leo Dias, novamente, trouxe informação polêmica sobre a atriz nos últimos dias. Ela poderia deixar a emissora por estar insatisfeita com o ambiente de trabalho.
Guerra Cultural: Globo se manifesta sobre devassa da Receita Federal contra seus artistas
A devassa realizada pela Receita Federal nos contratos do grupo Globo não é teoria de conspiração. A empresa que Jair Bolsonaro transformou em alvo, chamando-a de sua inimiga, manifestou-se oficialmente sobre a perseguição fiscal que vem sofrendo. Ao menos 30 artistas famosos das novelas da emissora foram autuados por fiscais da Receita, que exigiram cópias de seus contratos como Pessoas Jurídicas (PJs). Os artistas receberam prazo de apenas 20 dias para explicar porque são contratados dessa forma, e não pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Em seu comunicado, a emissora diz que a fiscalização pode não ser ilegal, mas que também tem direito de discordar e recorrer. “Todas as contratações estão dentro da lei”, afirmou, em nota enviada à imprensa. Também em nota, a Receita disse que sua fiscalização obedece a critérios impessoais e que está investigando outras “empresas de comunicação”, sem dizer quais. Até o momento, nenhum artista do SBT, Record, Band, RedeTV, Cultura e GNT se manifestou como vítima de devassa similar. Fontes ouvidos pela coluna TV e Famosos, do UOL, afirmaram, sob a condição de anonimato, que nenhuma dessas emissoras tem sido alvo desse tipo de fiscalização da Receita ou mesmo da Justiça do Trabalho nos últimos meses. Entre os atingidos pela devassa, estão Reynaldo Giannechini e Deborah Secco, mas, aparentemente, sua colega Regina Duarte, convidada para integrar o governo Bolsonaro, não entrou na lista dos investigados, apesar de provavelmente ter o mesmo tipo de contrato. Para o advogado dos artistas, Leonardo Antonelli, trata-se de retaliação política. A perseguição à Globo deve ir parar no STF (Supremo Tribunal Federal), já que se trata de atuação inconstitucional, pois é vetado ao governo usar instrumentos do Estado para perseguir “inimigos” do presidente. A prática questionada pela Receita é ampla e disseminada no país, e não apenas na Globo ou exclusiva da TV. Praticamente 100% dos atores brasileiros são contratados como PJ (pessoas jurídicas) há décadas. “Desde os oito anos já fiz filmes, peças de teatro, novelas, publicidade e para fazer tudo isso não há outra maneira que não como pessoa jurídica”, disse Deborah Secco à revista Veja. Em seu comunicado, a Receita Federal diz que “se pauta por critérios técnicos e impessoais”. Assim, pelo princípio da isonomia, também deverá autuar a empresa de comunicação favorita de Bolsonaro. Segundo o TV e Famosos, todo o elenco das novelas da Record é contratado temporariamente sob regime de pessoa jurídica — se não com a emissora, junto à produtora Casablanca. O mesmo vale para todo o elenco de “As Aventuras de Poliana”, do SBT, e artistas como Celso Portiolli e Ratinho (SBT), Xuxa, Ana Hickmann e Geraldo Luís (Record), José Luiz Datena e Ana Paula Padrão (Band), entre outros. Todos são PJs, pois isso permite aos artistas direito assegurado de fazer publicidade ou trabalhos em outras empresas (como teatros e produtoras de cinema), dar palestras ou até mesmo apresentar eventos. Já os contratados por CLT tem vínculo exclusivo com a empresa empregadora e para fazer trabalhos paralelos precisam negociar uma cláusula de liberação, que nem sempre é concedida. Para completar, a atitude dos fiscais da Receita vai na contramão de iniciativas do próprio governo federal que, desde Michel Temer, vem incentivando a “pejotização” como forma de combater o desemprego. “Para destruir a Globo vale tudo. O governo desconsidera sua política pública de ‘pejotização’ e, ao mesmo tempo, atinge a Cultura com uma cobrança tributária superior àquilo que os artistas ganharam”, afirmou o advogado Antonelli, que é irmão da atriz Giovanna Antonelli, em entrevista à Veja. “O governo incentiva a formalidade e a criação de empresas, a gente cria a empresa, e, agora, depois de 20 anos trabalhando e pagando um monte de impostos, vem uma ‘nova’ Receita Federal para dizer que tudo aquilo não valeu”, completou Reynaldo Gianecchini.
Lima Duarte ironiza presença da Viúva Porcina no governo do Sinhozinho Bolsonaro
O ator Lima Duarte ironizou a ida da atriz Regina Duarte à Secretaria da Cultura do governo Bolsonaro. Segundo a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, ele disse que convite feito à atriz é “perfeito para o Brasil de hoje: Sinhozinho Malta na Presidência e Viúva Porcina na Cultura”, comparou, lembrando de seu papel e o de Regina na novela “Roque Santeiro”, clássico televisivo de 1985 e uma das maiores audiências da história da TV brasileira. “Claro que é um Sinhozinho Malta, modéstia à parte, sem o charme do próprio. Bolsonaro e charme são duas coisas incompatíveis”, continuou o intérprete do Sinhozinho Malta real. “Sem o charme, mas com todo o resto [das características do personagem, um coronel da cidade fictícia de Asa Branca].” “Agora, a Porcina, a Regina, não sei no que ela vai se meter. Não quero emitir opinião dela como pessoa, se vai dar certo, se não vai dar certo. Mas parece que é a dela [participar do governo Bolsonaro]. Que seja feliz”, completou Lima, que diz mal conhecer a colega. “Depois da novela nós nos vimos muito pouco. Cada um seguiu sua vida para um lado.” Convidada a assumir a Secretaria Especial de Cultura após a demissão de Roberto Alvim – por basicamente revelar o viés nazista do governo Bolsonaro – , Regina Duarte encontrou Bolsonaro nesta segunda (20/1), no Rio de Janeiro, para conversar sobre o cargo. Em nota, o Palácio do Planalto chamou a conversa de “produtiva” e revelou que a atriz fará uma espécie de teste à frente da pasta. Regina vai a Brasília na quarta (22/1) para conhecer a secretaria. “Nós vamos noivar, vou ficar noiva, vou lá conhecer onde eu vou habitar, com quem que eu vou conviver, quais são os guarda-chuvas que abrigam a pasta, enfim, a família. Noivo, noivinho”, explicou a atriz.
Regina Duarte fará período de “teste” na Secretaria da Cultura
A atriz Regina Duarte, convidada para assumir a Secretaria Especial de Cultura após a demissão de Roberto Alvim – por basicamente revelar o viés nazista do governo Bolsonaro – , encontrou o presidente da República nesta segunda (20/1), no Rio de Janeiro, para conversar sobre o cargo. Em nota, o Palácio do Planalto chamou a conversa de “produtiva” e revelou que a atriz fará uma espécie de teste à frente da pasta. Regina vai a Brasília para conhecer a secretaria. Falando à colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, a atriz deu mais detalhes. “Nós vamos noivar, vou ficar noiva, vou lá conhecer onde eu vou habitar, com quem que eu vou conviver, quais são os guarda-chuvas que abrigam a pasta, enfim, a família. Noivo, noivinho”, afirmou. É esperado que, caso o casamento se concretize, ela reveja algumas nomeações feitas pelo ex-secretário Roberto Alvim. Em conversas reservadas, segundo Mônica Bergamo, Duarte já estaria considerando algumas pessoas para compor sua eventual equipe — uma delas seria o ator Carlos Vereza, outro apoiador raivoso de Bolsonaro, que tem feito ataques e ameaças constantes contra o Porta dos Fundos desde a polêmica sobre o Especial de Natal. Regina Duarte já havia sido chamada anteriormente para o posto por Bolsonaro, mas recusou. Dessa vez, no entanto, o assédio a ela aumentou, devido às condições da saída de Alvim. Bolsonaro precisava de um nome que pudesse melhorar sua imagem, que ficou mais nazista nos últimos dias. Para conquistar seu “sim” e prestigiá-la no cargo, uma possibilidade que vem sendo avaliada no governo é a de recriar o Ministério da Cultura. Na entrevista com a colunista da Folha, a atriz disse que começa seu teste nesta quarta (22/1), mas não deixou claro se haverá nomeação no Diário Oficial durante esse período e não quis confirmar se colocou condições para aceitar o cargo. “Quero que seja uma gestão para pacificar a relação da classe com o governo. Sou apoiadora deste governo desde sempre e defendo a classe artística desde os 14 anos”, disse Duarte. Além de atacar a classe artística e implementar um projeto de destruição cultural, Bolsonaro também já declarou que o Grupo Globo, que emprega a atriz, é seu inimigo. Nos últimos dias, a Receita Federal teria começado uma devassa nas contas dos principais atores da empresa para denunciá-los por sonegação. O advogado Leonardo Antonelli, irmão da atriz Giovanna Antonelli e defensor de vários atores que caíram na malha de Bolsonaro, acusa o governo de perseguição para “destruir a Globo” por meio de prejuízo aos artistas da casa.
Guerra Cultural: Bolsonaro estaria usando a Receita Federal contra atores da Globo
O presidente Jair Bolsonaro teria mandado a Receita Federal passar um pente fino nos contratos da rede Globo com seus atores mais famosos. A informação é da coluna Radar, da revista Veja. Segundo a publicação, o governo ampliou a fiscalização de contratos da emissora e passou a autuar os artistas de maior salário. A Receita quer saber por que o vínculo é como PJ (Pessoa Jurídica) e não CLT (carteira assinada). Quem é PJ paga alíquota menor de Imposto de Renda. Caso fique comprovado ter havido fraude a fim de burlar a tributação, a multa às celebridades enquadradas pode chegar a 150% da diferença de valor. O advogado Leonardo Antonelli, irmão da atriz Giovanna Antonelli e defensor de vários atores que caíram na malha de Bolsonaro, acusa o governo de perseguição para “destruir a Globo” por meio de prejuízo aos artistas da casa. Caso a perseguição seja comprovada, deve ir parar no STF (Supremo Tribunal Federal) e manchar ainda mais a reputação do presidente, por usar a máquina estatal de forma mesquinha para praticar vingancinha. Bolsonaro já declarou que considera o Grupo Globo seu “inimigo” e chegou a sugerir que pode não renovar a concessão para que a empresa continue a operar seus canais de TV. Após acusar a Globo de praticar “jornalismo sujo”, Bolsonaro registrou sua ameaça num vídeo, divulgado em novembro passado. “Pague tudo o que deve. Certidões negativas, tudo. Para não ter problema. Não vou passar a mão na cabeça de ninguém. Da Globo nem de ninguém. Vocês têm que tá em dia para renovar a concessão. Tô avisando antes para não dizer que estou perseguindo vocês”, declarou o presidente na ocasião, mais transtornado que o costume, mas em seu habitual estilo retórico de dizer que não está fazendo o que está fazendo. Ele também já mandou diminuir a verba de publicidade federal destinada ao grupo de comunicação da Globo e há indícios de que séries e filmes da empresa possam ter dificuldades para conseguir incentivos ou acesso à verba do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual). Ao mesmo tempo, Bolsonaro convidou uma das principais atrizes da emissora, Regina Duarte, para assumir Secretária Especial da Cultura, que ficou vaga após a demissão do antigo secretário, Roberto Alvim, após este praticamente se assumir nazista para todo o Brasil. Resta saber se Regina Duarte também foi alvo da Receita, ou se para os amigos de Bolsonaro a lei é diferente. Segundo a Veja, Regina Duarte tem salário fixo de R$ 60 mil — e passa para R$ 120 mil quando está no ar em alguma novela. Não se sabe se por PJ ou CLT.
Regina Duarte confirma convite de Bolsonaro para assumir Cultura
A atriz Regina Duarte confirmou na noite desta sexta (17/1) que recebeu um convite do presidente Jair Bolsonaro para assumir o comando da Secretaria da Cultura, após a demissão de Roberto Alvim, por plagiar discursos nazistas. A revelação foi feita durante entrevista para o programa “Os Pingos nos Is”, da rádio Jovem Pan. “O presidente me ligou. Eu fiquei muito surpresa, porque ainda estava digerindo todas as coisas que causaram o afastamento dele [Alvim]. Eu falei para o presidente ‘Desculpa, presidente, mas não estou preparada para isso’. E ele disse: ‘Então se prepare, porque eu quero você'”, relatou a atriz de inúmeras novelas da Globo no currículo. Ela ressaltou que reluta em aceitar, mas prometeu responder ao convite de Bolsonaro até a próxima segunda-feira. “Eu não me sinto preparada, porque acho que a gestão pública é algo complicado, uma pasta como a da Cultura, muito mais. Este é um país imenso e continental, tem muitos artistas, grupos, criações, vamos querer abraçar tudo. Então, eu fico muito preocupada de não estar preparada”, admitiu ela. “Estou aí pensando, não quero dizer nada, responder nada. Falei com dois filhos meus e eles ficaram surpresos, um tanto assustados, com o convite. Tenho que pensar em coisas que não imaginava estar pensando agora”, completou. O nome da atriz ganhou forças nos bastidores por conta de sua popularidade entre o público noveleiro do país. Assumidamente de direita, a atriz fez campanha por Bolsonaro e chegou a dizer que tem “muita confiança na vontade dele [Bolsonaro] de lutar por um Brasil melhor”. “Fico até contente de vê-lo preocupado com a Cultura”, afirmou em novembro, quando Alvim foi nomeado para a secretaria. Regina é uma das conselheiras do Pátria Voluntária, programa da primeira dama Michelle Bolsonaro para fomentar a prática do voluntariado. Ela já teria sido convidada anteriormente a participar do governo, mas recusou. Dessa vez, no entanto, o assédio aumentou. Vale lembrar que, ao assumir a secretaria, Alvim chegou a antecipar que sabia que sua carreira tinha acabado naquele momento. Foi, de fato, uma premonição certeira. Regina Duarte já tem 72 anos. Também estaria pronta para se aposentar? Afinal, os planos de Bolsonaro para a Cultura parecem mirar inevitavelmente os patrões da atriz, a rede Globo, que o presidente considera sua inimiga pessoal.
Guerra Cultural: Secretário de Cultura é demitido após copiar discurso nazista
A Secretaria Especial da Cultura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o secretário Roberto Alvim foi demitido do cargo. A exoneração acontece um dia depois de Jair Bolsonaro dizer que “depois de décadas, agora temos sim um secretário de Cultura de verdade, que atende o interesse da maioria da população brasileira”, em sua live de quinta-feira (16/1), e após Alvim sugerir que o presidente não fazia censura, mas “curadoria” ao barrar certos conteúdos da produção cultural. O motivo foi um vídeo divulgado no site oficial da Secretaria, em que Alvim adotou discurso nazista, chegando a parafrasear Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda da Alemanha do governo de Adolf Hitler, para falar de como pretende moldar a Cultura no Brasil. O discurso causou grande repercussão nas redes sociais e gerou manifestações entre a classe política. Entre os que pediram a saída de Alvim estão ninguém menos que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. No pronunciamento de seu vídeo, Alvim prometia que “a arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada.” Este trecho remete à definição nazista de arte. E é quase cópia do discurso em que Goebbels diz: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferramenta romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”. Diante da clareza identitária entre os dois projetos culturais, Alvim foi às redes sociais defender sua visão para a arte brasileira. “Foi apenas uma frase do meu discurso na qual havia uma coincidência retórica. Eu não citei ninguém. E o trecho fala de uma arte heroica e profundamente vinculada às aspirações do povo brasileiro. Não há nada de errado com a frase”, ele chegou a escrever. Foi além, acrescentando: “A frase em si é perfeita: heroísmo e aspirações do povo – é o que queremos ver na Arte nacional”, deixando claro o projeto nazista que pretendia implementar no Brasil. Goebbels fez seu discurso triunfalista em 8 de maio de 1933 em um pronunciamento para diretores de teatro, segundo o livro “Joseph Goebbels: uma Biografia”, de Peter Longerich, publicado no Brasil pela editora Objetiva. Além da cultura, ele também controlou a educação da Alemanha, revisando todo o conteúdo didático para eliminar influências esquerdistas, como acontece sob o governo Bolsonaro. Além disso, censurou a imprensa, o cinema, a música e o teatro, para permitir que apenas a ideologia nazista fosse transmitida, de modo a realizar lavagem cerebral na população. Foi extremamente bem-sucedido e as consequências foram o Holocausto e a 2ª Guerra Mundial. Após dizer que o ideário nazista “é o que queremos ver na Arte nacional”, a situação de Alvim se tornou insustentável. Ele voltou à sua página do Facebook em tom mais resignado, afirmando que não tinha noção da origem nazista da ideologia expressa na frase-chave de seu discurso. “No meu pronunciamento, havia uma frase parecida com uma frase de um nazista. Não havia nenhuma menção ao nazismo na frase, e eu não sabia a origem dela. O discurso foi escrito a partir de várias ideias ligadas à arte nacionalista, que me foram trazidas por assessores”, Alvim tentou se defender. “Se eu soubesse, jamais a teria dito. Tenho profundo repúdio a qualquer regime totalitário, e declaro minha absoluta repugnância ao regime nazista. Meu posicionamento cristão jamais teria qualquer relação com assassinos…” Entretanto, há realmente vários pontos em comum entre o ideal de arte pura defendido por Alvim e a visão do ministro da propaganda nazista. Tanto nazistas quanto bolsonaristas elegeram “comunistas” e “degenerados” como culpados pela decadência das artes – no caso alemão, os comunistas também eram degenerados (judeus), como os membros da Escola de Frankfurt. Vale lembrar que o ideólogo dos bolsonaristas, Olavo de Carvalho, chegou a acusar o filósofo alemão Theodor Adorno, um dos mais conhecidos frankfurtes, de ser o real compositor das músicas dos Beatles, e que por isso o rock seria música comunista e degenerada. Também teria sido coincidência, por certo, que o vídeo de Alvim escolheu como trilha sonora a ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner, compositor alemão que era ícone do regime nazista. Alvim afirmou ter colocado seu cargo à disposição do presidente Jair Bolsonaro “com o objetivo de protegê-lo”. O vídeo também foi tirado do site do governo brasileiro, mas se multiplicou pela internet. É possível vê-lo abaixo, em toda a sua repugnância. “O secretário da Cultura passou de todos os limites. É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo”, afirmou Maia nas redes sociais. Já Alcolumbre, que é judeu, qualificou em nota o discurso de Alvim de “acintoso, descabido e infeliz”. E Toffoli disse que a fala foi “uma ofensa ao povo brasileiro”. Outros que repudiaram o discurso foram o presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, e o apresentador Luciano Huck, cotado para disputar as próximas eleições à Presidência. Já Bolsonaro, que havia rasgado elogios à Alvim poucas horas antes, decidiu não se pronunciar sobre o episódio. “O próprio (Alvim) já se manifestou oficialmente. O Planalto não comentará”, disse sua assessoria de imprensa, por escrito, em resposta a um questionamento da Folha de S. Paulo. Na verdade, Alvim deveria ter sido demitido em setembro, na época em que dirigia o Centro de Artes Cênicas da Funarte, quando ofendeu publicamente a atriz Fernanda Montenegro, faltando com qualquer decoro que se espera do cargo, num ataque de truculência fascista contra um dos maiores ícones vivos do país. Acabou promovido por Bolsonaro e levou sua ideologia nefasta para a Secretaria da Cultura, como projeto de governo.
Leo Dias diz que atrizes da Globo denunciaram Marcius Melhem por assédio moral
Marcius Melhem, Coordenador do Departamento de Humor da TV Globo, teria sido acusado de assédio moral por atrizes da emissora. Segundo a Coluna do Leo Dias, Dani Calabresa, Renata Castro Barbosa e Maria Clara Gueiros foram algumas das atrizes do núcleo de humor da Globo responsáveis pela denúncia, que teria sido encaminhada para a empresa. Assim que a notícia foi publicada, Maria Clara Gueiros postou nas redes sociais uma mensagem sucinta, desmentindo a – vamos chamar de – fofoca. Renata Castro Barbosa também disse que não tinha nada a ver com isso. Nenhuma outra atriz da Globo se manifestou publicamente sobre o assunto até o momento. O máximo que Dani Calabresa fez foi sugerir um ambiente de trabalho complicado nas redes sociais. “2019 foi uma eterna prova do líder. To até agora esperando o Bial ou Tiago Leifert me avisarem que posso me mexer e ir mijar em paz”, escreveu ela na madrugada desta quinta (26/12), em tom de humor, no Twitter e no Instagram. O colunista Leo Dias afirmou que a denúncia ganhou até reforço de alguns representantes masculinos do humor na emissora. Marcelo Adnet teria testemunhado a favor das atrizes, ainda segundo Dias. Mas ele também negou a fofoca. Marcius Melhem não se pronunciou e a TV Globo abordou o assunto por meio de uma nota genérica de seu departamento de Comunicação. “Todo relato de assédio, moral ou sexual, na Globo é apurado criteriosamente assim que tomamos conhecimento. A Globo reafirma que não aceita qualquer tipo de assédio e, neste sentido, mantém um canal aberto para denúncias de violação às regras do Código de Ética do Grupo Globo.” Pode ser considerado assédio moral em ambiente de trabalho qualquer situação humilhante, constrangedora, que aconteça de forma repetitiva e prolongada durante o expediente e no exercício de funções profissionais, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Maria Clara Gueiros (@mcgueiros) em 26 de Dez, 2019 às 12:17 PST Ver essa foto no Instagram “Neiiiiva.. cê me reza pra 2020 não sê parecido quessa bosta desse ano Neiiiiva” rs 🍀🙏#vemcomsaude+amor2020 Uma publicação compartilhada por Daniella Giusti🍕atriz/comédia (@calabresadani) em 26 de Dez, 2019 às 6:35 PST
Juntos a Magia Acontece: Especial de Natal da Globo é o mais diferente já feito
A Globo exibe nesta noite de Natal (25/12) um especial patrocinado, “Juntos a Magia Acontece”, que faz parte de uma campanha da Coca-Cola, lançada em outubro com o mesmo nome. A ação comercial inclui cobertura no site da Globo, quadro no “Mais Você” e reportagem no “Encontro com Fátima Bernardes”. Conteúdo artístico e publicitário andam cada vez mais indistinguíveis nas novas iniciativas de marketing do mercado. E o especial desta quarta ainda acrescenta nesse enredo um verniz de marketing social. A emissora carioca, que há décadas insere campanhas de interesse público em suas novelas, também desenvolve ações afirmativas fora das telas. Uma delas é o Laboratório de Narrativas Negras para o Audiovisual – uma parceria da Globo com a FLUP (Festa Literária das Periferias) – , onde uma escritora novata e muito jovem, chamada Cleissa Regina Martins, criou em 2017 o argumento que acabou virando o roteiro do especial. “Juntos a Magia Acontece” é, assim, duplamente resultado de marketing. E não deixa de ser muito interessante como o encontro entre interesses de mercado e relações públicas convergem para subverter o gênero do especial natalino. Sem esquecer que também ilustra, contra expectativas de governos conservadores, uma transformação irreversível no extrato cultural – à base de pesquisas comerciais, o que é mais incrível ainda. A história de Cleissa, de apenas 24 anos, revoluciona a trajetória dos especiais natalinos da TV brasileira por um motivo singelo: a representatividade de uma trama centrada numa família negra. O programa acompanha o primeiro Natal de uma família de moradores de Madureira, no Rio, após a morte de sua matriarca, Neuza (Zezé Motta). Na história, o viúvo Orlando (Milton Gonçalves) vai morar na casa da filha Vera (Camila Pitanga), cujo marido Jorge (Luciano Quirino) está desempregado há sete meses. Eles têm uma filhinha, Letícia (Gabriely Mota). E aos moradores da casa ainda se junta André (Fabrício Boliveira), irmão mais velho de Vera. Vendo as dificuldades da família, o aposentado Orlando decide voltar ao mercado de trabalho. Ele busca emprego provisório como Papai Noel, mas se defronta com racismo de forma explícita. O papai negro “não se encaixa no perfil” e é dispensado por uma loira (Alice Wegmann) que contrata papais noéis para shoppings. Até um comerciante negro (Tony Tornado) questiona: “Papai Noel negro?”. Nem com ajuda do padre (Francisco Cuoco) da paróquia, que recorre à maior benemérita da comunidade (Aracy Balabanian), Orlando deixa de ouvir “não”. “Não vou dizer por mim, mas pensando nas crianças, elas estranhariam. Ele é mais moreno, né?” O drama emociona e corta o coração, mas tem final “natalino”, num clima muito similar ao sentimento evocado pelo célebre “A Felicidade Não se Compra” (1946), um dos maiores clássicos natalinos de todos os tempos, do mestre hollywoodiano Frank Capra. “Juntos a Magia Acontece” tem supervisão de texto de George Moura (roteirista de “O Grande Circo Místico”) e direção artística de Maria de Médicis, responsável por uma dúzia de novelas. Veja o trailer abaixo.
Zilda Cardoso (1936 – 2019)
A atriz Zilda Cardoso, a eterna Catifunda de inúmeros programas humorísticos, morreu aos 83 anos. Ela morava sozinha e foi encontrada morta em sua cama, na manhã desta sexta-feira (20/12), pela diarista que cuidava de sua casa no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Zilda se tornou indissociável da Catifunda, após interpretar a personagem por meio século em vários programas humorísticos como “Praça da Alegria”, “Escolinha do Professor Raimundo” e “A Praça É Nossa”. Com forte sotaque da zona leste paulistana, Catifunda trazia sempre um charuto na mão e saudava os colegas com a expressão “Saravá!”. Mas a personagem não foi a primeira incursão de Zilda no humor. Ela estreou na TV em 1962, substituindo a atriz Eloísa Mafalda em um programa humorístico. No ano seguinte, conquistou o famoso (na época) Troféu Roquete Pinto na categoria Melhor Teleatriz Humorística. E logo ganhou seu próprio programa, “Zilda 23 Polegadas”, exibido entre 1962 e 1964 na TV Paulista. Após essa rápida ascensão, chamou atenção do produtor Manoel da Nóbrega, que a convidou a participar de seu programa “A Praça da Alegria”, na antiga TV Record (antes da Igreja Universal). Foi então que estourou com a Catifunda, a partir de 1964. Paralelamente, Zilda virou atriz de novelas, atuando em “Quatro Homens Juntos” (1965), “Mãos ao Ar” (1966) e “Meu Adorável Mendigo” (1973) na Record. Também estrelou dois filmes de Mazzaropi, “O Lamparina” (1964) e “Meu Japão Brasileiro” (1965), além de duas chanchadas tardias, “Golias Contra o Homem das Bolinhas” (1969), com Ronald Golias e Carlos Alberto da Nóbrega, e “Se Meu Dólar Falasse” (1970), com Dercy Gonçalves e Grande Otelo. Ela passou os anos 1980 no “A Praça É Nossa”, do SBT, indo para a Globo em 1990, como aluna da “Escolinha do Professor Raimundo”. A mudança foi bastante produtiva, pois a levou ainda a aparcer na série “Delegacia de Mulheres” e roubara cena na novela “Meu Bem, Meu Mal” como Elza, enfermeira de Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte). Mas, apesar do sucesso da personagem, não foi convidada para novos papéis, despedindo-se uma década depois com uma pequena aparição num episódio de “Você Decide”. Recentemente, a Globo resgatou a “Escolinha”, substituindo todos os atores clássicos. Na nova versão, quem vive a personagem Catifunda é a humorista Dani Calabresa, que lamentou a morte de Zilda no Instagram. “Eu sinto que tenho uma ligação muito especial com ela”, declarou emocionada em um vídeo. “Eu fico muito honrada, muito feliz, de poder fazer a personagem que eu amava na TV, de ter essa personagem emprestada.”
Globo anuncia pela primeira vez no SBT para promover a minissérie Hebe
A rede Globo vai anunciar pela primeira vez na rede SBT. A situação, inimaginável até alguns anos atrás, tem explicação. A Globo produziu comerciais feitos especialmente para o SBT para promover a minissérie “Hebe”, sobre a vida da “rainha da TV”, cuja carreira teve grande impulso na rede de Silvio Santos. Os comerciais de 30 segundos serão exibidos entre esta sexta (20/12) e o domingo (22/12) na programação noturna do canal e ainda terão uma versão especial, com um minuto de duração, durante o “Programa Silvio Santos”. O anúncio faz referência à própria Globo, reproduzindo seu característico top de cinco segundos. Mas o locutor logo avisa: “Calma! Você não está no canal errado, graciiinha. Depois de anos brilhando aqui no SBT, a Hebe chegou ao Globoplay” (veja o vídeo abaixo). A minissérie é, na verdade, o filme “Hebe – A Estrela do Brasil”, lançado em setembro nos cinemas, em versão bastante estendida. E põe estendida. São 10 episódios! Isto significa que há muitas cenas “extras”. Curiosamente, a versão cinematográfica venceu o prêmio de Melhor Edição do Festival de Gramado, e será exatamente isso que sofrerá a maior alteração na transposição para o streaming. A trama destaca Hebe Camargo em sua fase mais empoderada, enfrentando machismo, ditadura e patrões intransigentes para revolucionar a TV e os costumes brasileiros nos anos 1980. Acaba se tornando muito atual, já que o país enfrenta novamente as mesmas lutas sob o governo de Bolsonaro, retrocedendo 30 anos em questões de comportamento e civilidade. Cheio de momentos históricos, a trama relembra até a tentativa de censura que ela sofreu ao reclamar da Assembleia Nacional Constituinte, em 1987. Revoltados, deputados ameaçaram tirar o SBT do ar durante um mês inteiro. Hoje, são menos ambiciosos, “apenas” convocando a Netlix para comparecer ao Congresso e explicar porque fizeram o Especial de Natal do Porta dos Fundos. No cinema, “Hebe” também foi um projeto bastante estilizado, com marca autoral de Maurício Farias (“Vai que Dá certo”), que filmou muitas cenas às costas de sua esposa Andrea Beltrão – por sinal, perfeita no papel de Hebe – para enfatizar o papel da câmera na história da apresentadora. A ideia original era exibir “Hebe” na própria Globo, mas o longa decepcionou nos cinemas, com apenas 112.677 espectadores, e a empresa resolveu deslocar o projeto para seu serviço de streaming. Também pode ter pesado na decisão, críticas da Hebe personagem à Globo real. “Eu nunca ia poder ser eu mesma na Globo”, diz Andrea Beltrão, entronizando Hebe Camargo. “Hebe” vem sendo promovida maciçamente nos intervalos comerciais da Globo – sem as referências diretas ao SBT, como nos anúncios feitos na concorrente – na maior campanha publicitária já feita para conteúdo nacional da Globoplay. Confira abaixo o anúncio de 1 minuto que será apresentado no domingo, exclusivamente nos intervalos do “Programa Sílvio Santos”.
Charles Gutemberg (1962 – 2019)
O humorista Charles Gutemberg, mais conhecido como Rapadura, morreu na tarde desta terça-feira (26/11) em Jundiaí, aos 57 anos de idade. Ex-artista de circo, ele se tornou famoso ao participar dos programas “A Praça é Nossa” e “Dedé e o Comando Maluco”, do SBT. De acordo com as informações, ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em um hospital no interior de São Paulo. O humorista passou por uma cirurgia de intestino, mas devido a complicações do processo, precisou permanecer internado e veio a falecer nesta tarde. O sobrinho do humorista, Alisson Bruno, publicou uma mensagem em seu Instagram lamentando a morte do tio. “Acabei de perder meu tio. Para sempre vou ter amar”, escreveu. Uma mensagem publicada no perfil do humorista já havia adiantado que o estado de saúde era delicado: “Infelizmente o estado da saúde do Rapadura é grave. Ele continua na UTI, continuem orando por ele”, disse o texto. O portal da RedeTV! conversou por telefone com Marcelo Beny, o Bananinha, que era parceiro de trabalho de Rapadura e explicou como o estado de saúde do colega se agravou após ele passar pela operação. “Ele fez um cirurgia no intestino, na semana passada. Ai ele começou a se recuperar, mas estava sentindo dores. O médico disse que ele precisaria passar por uma nova operação pois tinha vazado alguma coisa”, explicou Benny. “Depois da segunda cirurgia, ele não conseguiu se recuperar do quadro de infecção e precisou fazer hemodiálise, mas eles tiveram que parar no meio porque ele não estava aguentando. Depois disso a família foi comunicada que não tinha muito mais o que fazer”, finalizou. O hospital informou em nota que o paciente teve falência de múltiplos órgãos em decorrência de cirurgia no aparelho digestivo. Charles Guttenberg estreou em “A Praça é Nossa” em 2004, junto de Dedé Santana. No ano seguinte, foi trabalhar com o colega em “Dedé e o Comando Maluco”, que fez grande sucesso ao ser transmitido aos domingos no SBT. No programa, ele vivia o Cabo Rapadura, irmão de Bananinha, interpretado por Marcelo Beny.
Maria Perego (1923 – 2019)
A artista Maria Perego, criadora do personagem infantil Topo Gigio, morreu na quinta-feira passada (7/11), aos 95 anos. Apesar da idade avançada, ela estava trabalhando no retorno do personagem para a RAI, no ano que vem. A cauda da morte não foi revelada. Nascida em Veneza, em 1923, Perego começou a carreira no teatro de marionetes, e levou a experiência para a televisão. Alcançou o sucesso em 1959, quando criou, junto com o marido Federico Caldura, o ratinho Topo Gigio, inspirado no Mickey Mouse americano. Ela já trabalhava em programas infantis na RAI desde 1954, mas considerava a grande virada de sua carreira a decisão de abandonar os personagens de papel machê e investir em bonecos com mecanismos internos, manipulados por marionetistas vestidos de preto, incluindo capuz, que desapareciam sob o fundo, também preto, na TV. Topo Gigio nasceu desse processo. O personagem estreou na TV com a voz do ator Peppino Mazzullo e participou de diversos programas famosos da TV italiana, antes de iniciar sua bem-sucedida trajetória internacional. Fez sucesso no Japão, Espanha, em vários países da América Latina e até chegou até a ter carreira musical nos Estados Unidos, onde fez duetos com Louis Armstrong e Frank Sinatra. O ratinho estreou no Brasil em 1969, no programa “Mister Show”, na TV Globo, formando dupla com o comediante Agildo Ribeiro. Marcou época, vendeu muitos brinquedos. Mas o fenômeno foi incrivelmente curto. Foram apenas 32 apresentações até o final de 1970. O episódio final deixou milhões de crianças chorando por todo o país, ao apresentar o boneco indo embora, de volta para a Itália, com uma trouxinha no ombro, virando-se no último momento para acenar para o público. Os brasileiros voltaram a encontrar Topo Gigio 13 anos depois, num programa na Bandeirantes de 1983, ao lado do ator Ricardo Petraglia. Mas não foi a mesma coisa e a segunda vinda do ratinho durou menos ainda. Em 1987, os mesmos empresários insistiram mais uma vez e o personagem teve sua terceira passagem curta pelo Brasil.








