Série The Mist é cancelada após a 1ª temporada
O canal pago Spike anunciou o cancelamento de “The Mist” após a 1ª temporada. Baseada no romance “O Nevoeiro” de Stephen King, que já tinha sido filmado à perfeição por Frank Darabont, o criador de “The Walking Dead”, a série de terror foi uma tentativa de resgatar a produção de obras de ficção original no canal. Mas como o Spike será descontinuado no final do ano, para virar Paramount, a nova ordem é zerar tudo o que vinha sendo desenvolvido sob a antiga administração. A série acabou num cliffhanger, deixando o público sem um desfecho. Mas, assistida por 460 mil telespectadores ao vivo, não será um cancelamento muito sentido. O que mais se pode lamentar é a oportunidade perdida. Afinal, o próprio Darabont chegou a propor uma série sobre o material, mas o Spike optou por uma produção de Christian Torpe, responsável pela série dinamarquesa “Rita”, atualmente em sua 4ª temporada. O resultado foi um amontoado de clichês defendidos por um elenco muito fraco, à exceção de Frances Conroy (série “American Horror Story”). A trama acompanhava um grupo de pessoas que se abriga numa igreja e num shopping center após um nevoeiro sinistro baixar em sua cidade, trazendo mortes terríveis, ocasionadas por insetos e outras criaturas que os sobreviventes mal conseguem ver. Além de Frances Conroy, a versão televisiva incluía em seu elenco Alyssa Sutherland (série “Vikings”), Morgan Spector (série “Pessoa de Interesse”), Gus Birney (“Darcy”), Danica Curcic (“Departamento Q: O Ausente”), Okezie Morro (“Esquadrão Red Tails”), Russell Posner (“Mais Forte que Bombas”), Isiah Whitlock Jr. (série “The Wire”) e Darren Pettie (série “Madam Secretary”). A 1ª temporada teve 10 episódios, estreou em 22 de junho nos EUA e chegou ao Brasil pela Netflix.
Trailer e fotos de suspense premiado em Cannes trazem Nicole Kidman, Colin Farrell e muita aflição
A A24 divulgou 20 fotos e um novo trailer perturbador de “The Killing of a Sacred Deer”, que volta a juntar Nicole Kidman e Colin Farrell após “O Estranho que Nós Amamos”. A prévia é aflitiva, pela facilidade com que um jovem psicopata se aproxima da família do médico vivido por Farrell, e pela “trilha” desafinada da voz de sua filha, tentando acertar a escala musical. Na trama, o personagem de Farrell é um cirurgião carismático que faz amizade com um adolescente (Barry Keoghan, de “Dunkirk”), filho de um paciente que morreu sob os seus cuidados. O rapaz parece idolatrá-lo. Mas o que começa como uma relação amistosa vai, aos poucos, revelando-se uma ameaça. Quando os filhos do médico começam a adoecer e demonstrar problemas físicos, o rapaz avisa que todos irão morrer. Segundo longa falado em inglês do diretor grego Yorgos Lanthimos, após “O Lagosta” (2015), também estrelado por Farrell, “The Killing of a Sacred Deer” foi premiado como Melhor Roteiro do Festival de Cannes deste ano. O elenco inclui ainda Alicia Silverstone (“Diário de um Banana: Caindo na Estrada”), Raffey Cassidy (“Tomorrowland”) e Sunny Suljic (“1915”). A estreia está marcada para 3 de novembro nos Estados Unidos e não há previsão para o lançamento no Brasil.
The Walking Dead poderá ter palavrões a partir da 8ª temporada
O apocalipse aterrador de “The Walking Dead” tem zumbis, fome, violência e muito sangue. Mas até agora não tinha palavrões. Era uma exigência do canal pago AMC, que produz e exibe a série nos Estados Unidos. Mas as normas foram relaxadas para a próxima temporada. Dave Erickson, o showrunner do spin-off “Fear The Walking Dead”, relatou em entrevista ao site ComicBook que a nova temporada de “The Walking Dead” terá mais palavrões do que nunca. Ou seja, pelo menos dois – que é, de fato, um número maior que zero. “Existe um número específico de palavrões que você pode dizer, e há uma lista do que você pode e não pode fazer”, revelou Erickson. “Eu acho que foi nosso coordenador de roteiro que me disse que havia um memorando dizendo que poderíamos dizer ‘f***’ duas vezes ao longo de uma temporada inteira”, ele contou. “Eu não sei em que ponto os executivos da AMC decidiram permitir, mas eles fizeram”. “Fear The Walking Dead” está em sua reta final, com o encerramento da 3ª temporada marcado para 15 de outubro. A 8ª temporada de “The Walking Dead” começa na semana seguinte, em 22 de outubro, com exibição no Brasil pelo canal pago Fox.
Astro de Teen Wolf entra na 3ª temporada de Scream
“Teen Wolf” acabou no domingo (24/9), mas Tyler Posey, que viveu o protagonista Scott McCall na série, continuará na MTV. Ele entrou no elenco de outra série do canal, integrando o reboot de “Scream”. A 3ª temporada da série inspirada pela franquia de terror “Pânico” vai mudar completamente a história e trará novos personagens, assumindo sua vocação para ser uma antologia. O novo elenco inclui Keke Palmer (série “Scream Queens”), R.J. Cyler (“Power Rangers”), Giorgia Whigham (série “13 Reasons Why”), Giullian Yao Gioiello (série “Julie’s Greenroom”) e Jessica Sula (“Fragmentado”), além do rapper Tyga e do filho de Notorious B.I.G., C.J. Wallace, A trama acompanhará Deion Elliot (R.J. Cyler), um astro local que tem a carreira ameaçada após acontecimentos do seu passado retornarem na pior hora possível. Posey viverá Shane, adolescente que abandonou a escola. Seu personagem é descrito como um traficante de drogas e organizador de festes que sempre está envolvido em algum esquema para ganhar dinheiro. O reboot de “Scream” terá só seis episódios, metade da duração das temporadas anteriores, e previsão de estreia para março de 2018 nos EUA.
Continuação de It: A Coisa será lançada apenas daqui a dois anos
A Warner e o estúdio New Line anunciaram que a continuação do fenômeno “It: A Coisa” vai chegar aos cinemas norte-americanos no dia 6 de setembro de 2019. Exatamente daqui a dois anos. O diretor Andy Muschietti deve retomar o comando da produção, mas as negociações ainda estão pendentes. Este é um dos motivos do longo hiato. Além disso, será preciso escalar um novo elenco, com as versões adultas das crianças do primeiro filme. A continuação contará a segunda metade do livro de Stephen King, o mais volumoso da carreira do escritor, que foi dividido em duas partes na adaptação cinematográfica. Mesmo incompleto, “It: A Coisa” é sucesso absoluto nas bilheterias mundiais. Só no Brasil vendeu 3,1 milhões ingressos e arrecadou R$ 44,7 milhões. Nos Estados Unidos e Canadá, já soma US$ 266 milhões, a maior bilheteria de um filme de terror explícito em todos os tempos, embora ainda tenha um suspense sobrenatural à sua frente – “O Sexto Sentido”, que arrecadou U$ 293 milhões em 2001. No mundo todo, o total é de US$ 478 milhões. Nunca é demais lembrar que o filme custou apenas US$ 35 milhões para ser produzido. O desempenho do longa é considerado fora do normal, pois foi lançado em um período considerado fraco para os cinemas, após a temporada de verão nos Estados Unidos.
Clássico sádico e polêmico, A Vingança de Jennifer ganhará continuação
Um dos filmes mais violentos e polêmicos dos Estados Unidos vai ganhar continuação, 40 anos depois de sua estreia. Lançado em 1978, “A Vingança de Jennifer” (I Spit on Your Grave) provocou a ira dos críticos e do público, ao mesmo tempo em que entrou na história do cinema e virou cultuadíssimo pelos fãs de terror slasher, ao mostrar como uma vítima de estupro caçava e matava, com requintes de crueldade, os cinco homens que a atacaram. Segundo o site Bloody Disgusting, a continuação será chamada de “I Spit on Your Grave: Deja Vu” e voltará a trazer a atriz Camille Keaton de volta ao papel de Jennifer. Quatro décadas depois, a personagem se tornou uma autora de best-seller com uma filha adolescente, Christy, em Nova York. A trama trará a dupla de mãe e filha “caçada” pela família dos homens que Jennifer matou no primeiro filme. Até o diretor original, o isralense Meir Zarchi, estará de volta para a sequência, apesar de só ter dirigido mais um filme depois da polêmica de “A Vingança de Jennifer” – “Family and Honor”, em 1985. A continuação irá ignorar o remake feito em 2010, que foi lançado com o título de “Doce Vingança” no Brasil. Esse remake, por sinal, também teve continuações, em 2013, e 2015. Ainda não há previsão de lançamento para “I Spit on Your Grave: Deja Vu”.
Coleção de pôsteres estilizados resgata tradição de apoio de Jogos Mortais à doação de sangue
A Lionsgate retomou uma tradição da franquia “Jogos Mortais” com a divulgação de uma coleção de cartazes estilizados para incentivar a doação de sangue no Halloween. As artes trazem enfermeiros fashionistas, vestindo versões deturpadas e macabras de uniformes de hospital, carregados de simbolismo em seus requintes de sadismo. A campanha também divulga “Jogos Mortais: Jigsaw”, que marca a ressurreição da franquia de torturas. A estreia do filme no Brasil está marcada para o dia 2 de novembro, uma semana após o lançamento nos Estados Unidos (em 27 de outubro).
Kingsman: O Círculo Dourado derrota It: A Coisa e estreia em 1º lugar na América do Norte
Kingsman: O Circulo Dourado estreou em 1º lugar no fim de semana, tirando a liderança de It: A Coisa, após duas semanas de domínio nas bilheterias na América do Norte. A continuação de “Kingsman: Serviço Secreto” (2014) fez US$ 39M (milhões) contra US$ 30M da adaptação do livro clássico de Stephen King. O desempenho do thriller de espionagem e ação, baseado nos quadrinhos de Mark Millar, superou o primeiro filme, que abriu com US$ 36M há três anos. E foi ainda melhor no mercado internacional, onde rendeu praticamente o dobro, fazendo com que o total mundial tenha chegado a US$ 100M em seu primeiro fim de semana em cartaz. Já a crítica não se entusiasmou tanto, com 50% de aprovação no site Rotten Tomatoes, bem menos que os 74% obtidos pelo primeiro filme. De todo modo, o resultado deve animar a Fox a investir no projeto do diretor Matthew Vaughn de produzir uma trilogia. Mesmo em 2º lugar, “It: A Coisa” continua assustador. O longa de Andy Muschetti segue aumentando seu recorde como terror de maior bilheteria dos Estados Unidos em todos os tempos, já somando US$ 266,3M no mercado doméstico. O mais impressionante é que, nos próximos dias, deve superar a marca de US$ 500M no mundo todo. A grande decepção ficou por conta da animação Lego Ninjago: O Filme, que estreou em 3º lugar com US$ 21,2M. O resultado é muito inferior ao registrado por “Uma Aventura Lego” (US$ 69M) e “Lego Batman: O Filme” (US$ 53M). Embora seja cedo para falar em saturação, fica claro que o público não acompanha o entusiasmo da Warner em lançar dois “Lego: O Filme” por ano – “Lego Batman” estreou em fevereiro. Para completar, a crítica também considerou o novo lançamento o mais fraco da brincadeira, com 51% de aprovação no Rotten Tomatoes – medíocre, na comparação com os 96% da primeira “Aventura Lego” e os 91% do “Lego Batman”. Tanto “Kingsman: O Círculo Dourado” quanto “Lego Ninjago: O Filme” estreiam na quinta-feira (28/9) no Brasil. A semana teve mais dois lançamentos no Top 10. O terror do Facebook, Friend Request, foi na contra-mão do sucesso de “It: A Coisa” e implodiu com US$ 2,4M. Produção alemã falada em inglês e estrelada pela australiana Alycia Debnam-Carey (série “Fear the Walking Dead”), foi considerada um clichezão e apanhou da crítica (20%). Não tem nem previsão de lançamento no Brasil, que ultimamente tem exibido até terror de streaming nos cinemas. Por fim, o drama O que Te Faz Mais Forte (Stronger), que conta história real, edificante, de superação e patriótica, tremulou suas bandeiras em circuito “limitado” (574 salas), abrindo em 9º lugar com US$ 1,7M. Síntese de tópicos que a Academia adora, o filme também caiu nas graças da crítica norte-americana, com 97% de aprovação, e coloca Jake Gyllenhal, intérprete de uma vítima do atentado terrorista de 2013 na Maratona de Boston que perde as pernas, como candidato ao Oscar de Melhor Ator. A estreia no Brasil ainda vai demorar dois meses. A Paris Filmes programou o lançamento nacional apenas para 9 de novembro. Confira abaixo o desempenho dos 10 filmes de maior bilheteria do fim de semana nos Estados Unidos e no Canadá. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Kingsman: O Circulo Dourado Fim de semana: US$ 39M Total EUA: US$ 39M Total Mundo: US$ 100,2M 2. It: A Coisa Fim de semana: US$ 30M Total EUA: US$ 266,3M Total Mundo: US$ 478M 3. Lego Ninjago: O Filme Fim de semana: US$ 21,2M Total EUA: US$ 21,2M Total Mundo: US$ 31,7M 4. O Assassino: O Primeiro Alvo Fim de semana: US$ 6,2M Total EUA: US$ 26,1M Total Mundo: US$ 32,2M 5. De Volta para Casa Fim de semana: US$ 3,3M Total EUA: US$ 22,3M Total Mundo: US$ 22,3M 6. Mãe! Fim de semana: US$ 3,2M Total EUA: US$ 13,4M Total Mundo: US$ 25,9M 7. Friend Request Fim de semana: US$ 2,4M Total EUA: US$ 2,4M Total Mundo: US$ 2,4M 8. Dupla Explosiva Fim de semana: US$ 1,8M Total EUA: US$ 73,5M Total Mundo: US$ 145M 9. O que Te Faz Mais Forte Fim de semana: US$ 1,7M Total EUA: US$ 1,7M Total Mundo: US$ 1,7M 10. Terra Selvagem Fim de semana: US$ 1,2M Total EUA: US$ 31,6M Total Mundo: US$ 31,6M
Vídeos mostram infância e adolescência do psicopata da motoserra Leatherface
A Millennium Films divulgou um pôster, novo trailer e uma cena do terror “Leatherface”, que conta a origem do psicopata mascarado de “O Massacre da Serra Elétrica” (1974). As prévias mostram a infância e a adolescência do demente e o papel do serife Hal Hartman (vivido por Stephen Dorff, de “Um Lugar Qualquer”) em sua formação, ao afastá-lo de Mama Sawyer (Lili Taylor, da série “Hemlock Grove”). A partir daí, a história tem um salto temporal para acompanhar quatro foragidos de um hospital psiquiátrico, entre eles o jovem que se tornará Leatherface. Durante a fuga, eles raptam uma jovem enfermeira e a arrastam em uma viagem de pesadelo, enquanto são perseguidos por Hartman, um homem da lei igualmente perturbado. O elenco também inclui Jessica Madsen (série “Tina and Bobby”), Sam Strike (novela “EastEnders”), James Bloor (“Lembranças de um Amor Eterno”), Sam Coleman (o jovem Hodor em “Game of Thrones”), Vanessa Grasse (“Roboshark”) e até Finn Jones (o “Punho de Ferro”). O personagem Leatherface foi apresentado em “O Massacre da Serra Elétrica” como membro de uma família de canibais. Apesar de ser um coadjuvante no filme, foi ele quem mais chamou a atenção, ganhando mais importância nas continuações da franquia para se tornar um ícone do cinema de terror. Seu intérprete original, o islandês Gunnar Hansen, morreu em 2015. A direção de “Leatherface” é da dupla Alexandre Bustillo e Julien Maury (“A Invasora”) e a estreia está marcada para 20 de outubro nos Estados Unidos. Não há previsão para o lançamento no Brasil.
Imagens e vídeo do set de Hellboy revelam filmagens em catedral gótica inglesa
Surgiram as primeiras imagens das filmagens de “Hellboy”. O ator David Harbour (série “Stranger Things”) foi flagrado por paparazzi com a maquiagem do personagem-título na catedral Wells, cartão postal gótico da cidade de Somerset, na Inglaterra. Também vazou um vídeo dos preparativos das filmagens no interior da catedral. Veja abaixo. O novo longa vai adaptar a trama de quadrinhos conhecida como “The Wild Hunt”, sobre Nimue, a maior de todas as bruxas britânicas, que viveu na era arthuriana e era amante de Merlin. Ela usou essa afeição para aprender os truques do mago e depois aprisioná-lo. Mas, sem Merlin, Nimue enlouqueceu, assustando as outras bruxas, que decidem matá-la, esquartejá-la e espalhar seus restos pela Terra. Séculos se passam e, após Hellboy vencer seu líder, as feiticeiras decidem trazer Nimue de volta à vida. Dirigido por Neil Marshall (“Legionário”, série “Game of Thrones”), o reboot de “Hellboy” ainda não tem data de estreia prevista. Hellboy 3 filming at Wells Cathedral, getting ready for tonight's shooting pic.twitter.com/rDObsuNpFS — Rafal Soltysik (@rafal_soltysik) September 16, 2017
Mãe! é a obra mais original, ousada e demente da carreira de Darren Aronofsky
David Lynch já disse que filmes não devem ser explicados, mas sentidos. Poucas vezes neste século isto foi tão pertinente em relação a um filme bancado por um grande estúdio. “Mãe!” é capaz de abalar plateias acostumadas a respostas fáceis, roteiros redondos e diversão com começo, meio e fim previsíveis em 90% dos casos. Com a assinatura de um dos diretores mais elogiados da atualidade, Darren Aronofsky (“Cisne Negro”) em um de seus trabalhos mais pessoais, a estrela do momento Jennifer Lawrence (“Passageiros”) como protagonista e o selo de um dos maiores estúdios de cinema de todos os tempos, Paramount, distribuindo o filme não somente em circuitos alternativos, mas tomando de assalto o conforto dos multiplexes. Esqueça os trailers e o receio de ver um novo “O Bebê de Rosemary” (1968), embora a influência do clássico de Roman Polanksi esteja ali de alguma forma. Você pode amar ou odiar, mas tenha certeza de uma coisa: “Mãe!” vai incomodar. No meio de tantos blockbusters, Aronofsky surge com um conto original que se passa 100% dentro de uma casa isolada no meio de um campo verde e florido, onde vive um casal sem nome, interpretados por Jennifer Lawrence e Javier Bardem (“007 – Operação Skyfall”). Ele é um escritor tentando criar seu novo poema, enquanto ela é uma… dona de casa, que faz todo o resto. De uma hora para outra, a rotina vira do avesso com a chegada de dois estranhos interpretados por Ed Harris (série “Westworld”) e Michelle Pfeiffer (“A Família”). Pronto. A fagulha está acesa e dá início a desentendimentos e novas ideias que podem mudar o casamento dos anfitriões para sempre. Apesar do cenário teatral, não espere tampouco um “Quem tem Medo de Virginia Woolf?” (1966) nem uma DR de duas horas. E não há como explicar o que acontece além disso sem entregar spoilers. Bom, isso é apenas a superfície do filme, porque as intenções de Aronofsky são mais profundas do que deveriam. Podemos enxergar “Mãe!” como uma grande metáfora. Primeiramente, em relação ao papel da mulher, sua situação em um mundo dominado por homens, o machismo imposto a elas, uma realidade em que tudo que o personagem de Javier Bardem faz é mais importante que as conquistas e atitudes da moça interpretada por Jennifer Lawrence – e como a soma de tudo isso destrói seu casamento aos poucos. Mas o “filme metáfora” segue em frente. A crise conjugal é apenas um pretexto para Aronofsky orquestrar um caos cada vez mais crescente e insuportavelmente tenso até a meia hora final mais louca que você verá este ano em um filme. E durante essa viagem, jorram referências ao Gênesis e o Apocalipse, Caim e Abel, Adão e Eva, Deus e o Diabo, a Mãe Natureza (como a mulher, ela é maltratada pelo Homem), as grandes guerras que destruíram e recriaram o mundo, o caos no princípio de tudo com personagens sem nome por não serem batizados. Enfim, digamos que casamento é algo muito complicado. Mas Aronofsky quer abraçar tudo e nada ao mesmo tempo. Tem o objetivo máximo de agarrar o espectador pela jugular e explodir sua cabeça numa sucessão de eventos insanos, como em um pesadelo que faz você acordar gritando e não permite tempo suficiente para reflexões. Apesar dos temas, o diretor é ateu e, talvez, use “Mãe!” como uma espécie de terapia para entender um mundo do qual ele não faz parte. E, da mesma forma que Aronofsky, a personagem de Jennifer Lawrence observa e interage com esse ambiente como se estivesse em um filme de terror, deslocada, assustada, tentando assimilar tanta informação enquanto a vida acelera diante de seus olhos. Com a câmera ora na altura do ombro, ora agindo como sua própria visão, afinal quase tudo que vemos em “Mãe!” é o ponto de vista da protagonista, o diretor espreme a mente, a alma e o corpo de Jennifer Lawrence (e da plateia que se revira na cadeira) até ela explodir de tensão no clímax, assim como faz com a bailarina de Natalie Portman, em “Cisne Negro” (2010), e Mickey Rourke, em “O Lutador” (2008). Desta vez, pelo menos, digamos que podemos vislumbrar uma espécie de redenção brilhando escondida no meio da escuridão. Mas nem mesmo os trabalhos anteriores de Darren Aronofsky prepararam você para essa descida ao inferno. Não há necessariamente um final surpresa estilo M. Night Shyamalan, tampouco lampejos de Stanley Kubrick ou David Lynch, o que atesta a originalidade de Aronofsky. Goste-se ou não, “Mãe!” é uma aposta ousada, especialmente por se tratar de um filme de grande estúdio. Se fosse da Netflix, seria mais um exemplo para lamentar que o cinema não assume riscos como as produções do serviço de streaming. Mas não é. É, mais que qualquer coisa, uma obra para cutucar e extremamente relevante para a nossa época. Pode-se até criticar as escolhas de Aronofsky, seu festival de alegorias (que compõe uma experiência sensorial) e o mix entre estéticas caprichadas e desleixadas em seu filme mais demente, mas não se pode dizer que o cineasta não tem coragem. Se “Mãe!” é um filme genial ou uma completa bobagem, só a revisão temporal dirá. O importante agora é reconhecer o esforço do cineasta em testar seu público com um filme perturbador que justifica a exclamação no título. Se todos os diretores consagrados se dedicassem a oferecer algo digno de seus talentos, fora do comum, teríamos mais esperança em relação ao futuro do cinema. E, por que não, também quanto ao futuro da humanidade.
1922: Nova adaptação de Stephen King ganha trailer tenebroso
A Netflix divulgou duas fotos e o trailer do terror “1922”, nova adaptação de Stephen King estrelada por Thomas Jane. O ator foi o herói de “O Nevoeiro” (2007), mas tem papel bem diferente no novo filme. Passado na data de seu título, a prévia revela o isolamento e desolação da fazenda da família do protagonista, e a infelicidade de sua mulher (Molly Parker, de “House of Cards”), que quer vender as terras e partir. Incomodado, ele resolve matá-la, com a cumplicidade do filho adolescente (Dylan Schmid, da série “Shut Eye”). Mas o xerife (Brian d’Arcy James, da série “13 Reasons Why”) desconfia. Para piorar, a mulher resolve não ficar enterrada no fundo do poço, assim como os ratos que lhe fazem companhia. O filme tem roteiro e direção de Zak Hilditch (“As Horas Finais”), e conta ainda em seu elenco com Neal McDonough (série “Legends of Tomorrow”) e Kaitlyn Bernard (“Uma Folga para Mamãe”). A estreia está marcada para 20 de outubro.
Darren Aronofsky diz ter ficado entusiasmado com a rejeição de público sofrida por Mãe!
O diretor Darren Aronofsky resolveu abordar a rejeição do público e a notória nota “F” dada a seu novo filme, “Mãe!”. A nota ruim foi registrada pela CinemaScore, uma empresa de pesquisa que analisa as reações do público aos filmes. “O que é interessante sobre isso é, como é que você sair deste filme sem dar um ‘F’? Ele é um soco. É um soco total”, disse Aronofsky, num evento de exibição do filme na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, acompanhado pelo site The Hollywood Reporter. “Eu percebi que ficamos entusiasmados com isso”, continuou Aronofsky. “Nós queríamos fazer um filme punk e vir para cima do público. E a razão pela qual eu queria vir é porque eu estava muito triste e tinha muita angústia e queria expressá-la. O cinema é uma jornada tão difícil. As pessoas estão constantemente dizendo não a você. E para acordar todas as manhãs e sair da cama e enfrentar todos esses ‘não’, você precisa estar disposto a realmente acreditar em algo”. Até hoje, apenas 19 filmes receberam o temido “F” da CinemaScore. Entre eles, estão “O Sacrifício” (2006), “A Caixa” (2009) e “O Homem da Máfia” (2012). Repercutindo a rejeição, “Mãe!” abriu abaixo das expectativas, rendendo apenas US$ 7,5 milhões na bilheteria doméstica, durante o fim de semana passada. A quantia é recorde negativo na carreira da atriz Jennifer Lawrence. Aronofsky explicou que, em seu discurso inicial para a equipe e estrelas da “Mãe!”, inclusive Jennifer Lawrence e Javier Bardem, disse que “este filme não vai vencer um concurso de popularidade”. “Estamos basicamente segurando um espelho para o que está acontecendo”, defendeu o diretor. “Todos nós estamos fazendo isso. Mas o capítulo final não foi escrito e espero que as coisas possam mudar. E, para voltar, o fato de que está indo agora mesmo e as coisas realmente estão desmoronando de uma maneira que é realmente assustadora “. O diretor acrescentou ainda que “Mãe!” foi sua chance de “uivar”. “Algumas pessoas não vão querer ouvir isso. Tudo bem”, concluiu.












