Os 10 melhores clipes indies da semana
A nova seleção de clipes musicais independentes da Pipoca Moderna cobre os melhores lançamentos feitos ao longo da semana. A seleção deste sábado (22/1) inicia com rock gótico, passa por shoegazer e chega no pop alternativo, reunido vários artistas em começo de carreira. O Top 10 semanal (sem rankeamento) é disponibilizado em dois formatos: convencional, com breves informações sobre cada artista na descrição dos vídeos, e num playlist, localizado ao final, para uma sessão contínua – método indicado para quem quiser assistir ao conteúdo numa Smart TV (opção Transmitir, na aba de configurações do Chrome). Veja abaixo. DUCTAPE | TURQUIA Uma das melhores bandas da nova geração gótica chega ao segundo álbum. “Never” é o cartão de visitas de “Ruh”, disco recém-lançado da banda formada em 2019 em Istambul pelo guitarrista Furkan Güleray e a cantora-tecladista Çagla Güleray. BLUSHING | EUA Os shoegazers texanos tem padrinhos fortes. “The Fires” é o terceiro single de seu segundo álbum, produzido por Elliott Frazier (da banda Ringo Deathstarr) e masterizado por Mark Gardener (Ride). Com guitarras empilhadas sobre guitarras enterradas sob guitarras, o disco “Possessions” sai em 18 de fevereiro. EMPATH | EUA A banda shoegazer da Filadélfia prepara o lançamento de seu segundo álbum com um clipe gravado no apartamento da cantora-guitarrista Catherine Elicson. “Visitor” será lançado em 11 de fevereiro. HATER | SUÉCIA “Something” é a primeira mostra de “Sincere”, terceiro álbum da banda shoegazer sueca previsto para maio pela Fire Records, quatro anos após “Siesta” e um punhado de singles brilhantes, mas esporádicos. HONEYGLAZE | INGLATERRA Tudo começou há dois anos em Londres. A cantora-guitarrista Anouska Sokolow tinha um show marcado para o fim de semana, mas não queria se apresentar sozinha. Ela conheceu o baterista e o baixista no dia do primeiro ensaio e três dias depois o Honeyglaze foi apresentado ao público. “Shadows” é o single inaugural do primeiro álbum da banda, com lançamento agendado para abril. URIAS | BRASIL A mineira Urias despontou com um empurrão de Pabllo Vittar, mas agora deixa de lado as batidas dançantes de funk para revelar seu melhor trabalho, evocando o romantismo do pop brasileiros dos anos 1970 com um toque místico dos Secos e Molhados. A música do álbum de estreia “Fúria” já estourou nas paradas digitais, mas é uma produção independente. NILÜFER YANYA | INGLATERRA “Midnight Sun” é a segunda faixa revelada do novo disco da cantora londrina. Com uma batida downtempo, violão e vocais de bossa soul, a música fala de uma luz tênue capaz de guiar em meio à escuridão. O álbum “Painless”, sucessor do aclamado “Miss Universe” (2019), será lançado em 4 de março. WALT DISCO | ESCÓCIA A banda glam/new romantic de Glasgow completa dois anos com a gravação de seu álbum de estreia, “Unlearning”, previsto para 1º de abril. Influenciada por David Bowie, Visage, Sparks e The Associates, Walt Disco celebra androginia e estilo de vida queer, e no single que antecede seu primeiro álbum pergunta para os ouvintes: “o quanto vocês são cool?” METHYL ETHEL FT. STELLA DONNELLY | AUSTRÁLIA Os australianos Methyl Ethel se juntam pela primeira vez a uma artista convidada, a compatriota Stella Donnelly no single de “Proof”, que fará parte de “Are You Haunted?” – o quarto álbum da banda de pop alternativo, que será lançado em 18 de fevereiro. A música alude às provas da ciência em tempos de negacionistas. “Eu tenho números para deixar tudo claro para você”, diz o refrão. SAME EYES | EUA A dupla de Ann Harbor, Michigan, grava pop suave de sintetizador desde 2019 e vai lançar seu segundo álbum, “Desperate Ones”, em 4 de março. DUCTAPE | TURQUIA | BLUSHING | EUA | EMPATH | EUA | HATER | SUÉCIA | HONEYGLAZE | INGLATERRA | URIAS | BRASIL | NILÜFER YANYA | INGLATERRA | WALT DISCO | ESCÓCIA | METHYL ETHEL FT. STELLA DONNELLY | AUSTRÁLIA | SAME EYES | EUA
Joni Mitchell segue Neil Young e tira músicas do Spotify
A cantora Joni Mitchell anunciou que removerá seu catálogo de músicas do Spotify em solidariedade a Neil Young. “Decidi remover todas as minhas músicas do Spotify. Pessoas irresponsáveis estão espalhando mentiras que estão custando a vida das pessoas. Sou solidária com Neil Young e as comunidades científicas e médicas globais nesta questão”, escreveu Mitchell na breve nota em seu site. Um porta-voz da gravadora de Mitchell, Rhino Records, confirmou que a artista estava tirando sua música do Spotify, mas se recusou a fazer maiores comentários. Na quarta-feira (26/1), Young retirou suas músicas do Spotify em protesto contra a desinformação espalhada pelo podcast negacionista de Joe Rogan. Em seus protestos, tanto Young quanto Mitchell se referiram a uma carta aberta enviada ao Spotify por 270 profissionais da comunidade médica e científica, pedindo à empresa de áudio que implemente uma política de denúncia de desinformação na plataforma. A carta foi estimulada por um episódio do podcast “Joe Rogan Experience” em dezembro, onde Rogan entrevistou um conhecido negacionista de vacinas que comparou as atuais políticas pandêmicas à Alemanha nazista e alegou sem fundamento que as pessoas estavam sendo “hipnotizadas” para acreditar em fatos sobre o covid-19. No Brasil, o Spotify virou o paraíso dos negacionistas, com vários podcasts espalhando mentiras sobre a pandemia e a vacinação, justamente pela falta de mecanismos de denúncia ou política transparente de controle de seu conteúdo perigoso. Podcasts que espalham mentiras sobre a covid-19 e sua prevenção são potencialmente responsáveis por mortes na pandemia.
Biografia de Keith Moon será filmada em junho
A cinebiografia de Keith Moon, lendário baterista da banda The Who, definiu sua equipe e se prepara para começar a ser filmada em junho no Reino Unido. Segundo a revista Variety, o projeto tem o título provisório de “The Real Me” (título de uma música do álbum “Quadrophenia”) e conta com os membros sobreviventes da banda, Roger Daltrey e Pete Townshend, como produtores executivos. O filme tem roteiro de Jeff Pope (indicado ao Oscar por “Philomena”) e será dirigido por Paul Whittington, que anteriormente assinou os três episódios da minissérie “Cilla”, sobre a cantora Cilla Black, passada no mesmo período do auge do The Who. A produção está a cargo do estúdio americano White Horse Pictures, com sede em Los Angeles, que realizou o documentário de Martin Scorsese “George Harrison: Living in the Material World”, bem como pelo documentário de Ron Howard sobre os Beatles “Eight Days a Week: The Touring Years”. Embora nenhum nome do elenco tenha sido revelado, o processo de seleção já está acontecendo há alguns meses. Considerado um dos maiores bateristas de todos os tempos, Keith Moon também era notoriamente famoso pelo consumo de drogas, que acabou sendo a causa de sua morte em 1978, com apenas 32 anos de idade – apesar da aparência final de um homem de 50. Em uma entrevista de 2018 para a revista GQ, o cantor Roger Daltrey refletiu sobre o velho amigo: “Keith viveu toda a sua vida como uma fantasia. Ele era o homem mais engraçado que já conheci, mas também era o mais triste. Eu vi Keith em alguns momentos terríveis. Eu o vi a sua altura lendária, mas também em seu ponto mais baixo. Keith é alguém que eu amo profundamente, mas que era uma pessoa profundamente problemática.” Lembre abaixo da música “Real Me”, com um solo marcante de Keith Moon.
Série sobre sex tape de Pamela Anderson ganha trailer legendado
A plataforma Star+ divulgou um coleção de pôsteres e um novo trailer legendado da minissérie “Pam and Tommy”, que mostra Lily James (“Rebecca”) e Sebastian Stan (“Falcão e o Soldado Invernal”) como o casal Pamela Anderson e Tommy Lee. Com oito episódios, a minissérie se concentra no vazamento da sex tape de lua de mel do baterista da banda Mötley Crüe e da estrela da série “SOS Malibu” (Baywatch) durante os anos 1990. Para quem é muito jovem para lembrar, Anderson foi indiscutivelmente o maior ícone sexual da década de 1990 – ela detém o recorde de capas da revista Playboy – e Lee integrava a banda mais escandalosa de sua geração. O relacionamento dos dois, que se casaram uma semana após se conhecerem, vendeu mais tabloides que qualquer outro casal no período. E muitos fãs puderam conferir em detalhes como foi sua lua de mel, com a comercialização da sex tape mais famosa de todos os tempos. A minissérie é produzida pela dupla Seth Rogen e Evan Goldberg (produtores de “Preacher” e “The Boys”). E além de trabalhar atrás das câmeras, Rogen também vive o homem que roubou a fita infame. O elenco ainda inclui Nick Offerman (“Parks and Recreation”) como o empresário pornô Tio Miltie, que comercializou a fita, Taylor Schilling (“Orange Is the New Black”) como a esposa de Rand e Andrew Dice Clay (“Nasce Uma Estrela”) como um empresário mafioso. A produção, que pode ser encarada como uma espécie de continuação de “The Dirt – Confissões do Mötley Crüe” (2018), tem direção a cargo do cineasta Craig Gillespie (“Eu, Tonya”) e estreia em 2 de fevereiro, tanto na Hulu americana quanto na brasileira Star+.
Filme sobre a icônica gravadora Creation ganha primeiro trailer
A RLJE Films divulgou o primeiro trailer americano de “Creation Stories”, filme sobre a influente gravadora britânica Creation Records, que realizou uma revolução musical nos anos 1980. A prévia revela um foco narrativo centrado na história pessoal de Alan McGee, o fundador e dono da gravadora, que é vivido pelo escocês Ewen Bremner (o Spud de “Trainspotting” e sua continuação) em sua versão mais velha. O ator não é o único egresso de “Trainspotting” no projeto. O roteiro foi escrito por Irvine Welsh, autor do livro que virou “Trainspotting”, e a produção está a cargo de Danny Boyle, o diretor daquele filme. “Creation Stories” é baseado na autobiografia de McGee, intitulada “The Creation Records Story: Riots, Raves and Running a Label”. O lendário empresário escocês ganhou projeção ao montar um club londrino, The Living Room, que virou palco do movimento que culminou na formação da geração indie original, em meados da década de 1980 – a cena batizada como “C86” (classe de 86). Ele também tinha uma banda, a Biff Bang Pow, e foi o primeiro empresário do Jesus and Mary Chain, além de ter gravado o primeiro single do grupo. The Jesus and Mary Chain não foi a única banda famosa lançada pela Creation, que ainda gravou discos do Primal Scream, My Bloody Valentine, Teenage Fanclub, House of Love, Ride e até Oasis. Depois de vender metade de sua gravadora para a Sony nos anos 1990 e ver o Oasis explodir nas paradas, McGee ainda se envolveu na política, ajudando a passar uma lei de apoio financeiro a músicos insolventes. O último lançamento da Creation foi o disco “XTRMNTR”, da banda Primal Scream, em 2000. McGee fechou a gravadora após ficar insatisfeito com a direção comercial da Sony. O velho produtor ainda se aventurou a criar novas gravadoras e clubs, mas encontrou mais sucesso ao ressuscitar o nome Creation em 2014 para empresariar músicos, como seus velhos amigos do Jesus and Mary Chain e Happy Mondays. Ele também está produzindo um novo festival de rock, Creation Day, que vai acontecer no último fim de semana de maio no Reino Unido. O filme tem direção do ator Nick Moran, que virou diretor com outra cinebiografia de produtor-prodígio, “Telstar: The Joe Meek Story” (2008). O elenco inclui Suki Waterhouse (“Pokémon: Detetive Pikachu”), Rupert Everett (“O Lar das Crianças Peculiares”), Jason Flemyng (“X-Men: Primeira Classe”), Jason Isaacs (“Star Trek: Discovery”), Kirsty Mitchell (“Dupla Explosiva”), Mel Raido (“Lendas do Crime”), Matthew Durkan (“Coronation Street”) e Leo Flanagan (“Hanna”) como a versão adolescente de McGee. A première aconteceu no Festival de Glasgow, na Escócia, em fevereiro do ano passado, um ano antes da estreia nos EUA, que vai acontecer em VOD no dia 25 de fevereiro.
Demi Lovato faz funeral para seu passado pop
Demi Lovato resolveu estender à musica as mudanças radicais que tem manifestado em sua vida nos últimos meses. Depois de se assumir não binária e aparecer com os cabelos raspados e uma tatuagem na cabeça, Demi diz que agora faz rock. Para anunciar a notícia, compartilhou uma foto no Instagram em que aparece ao lado de seu empresário, Scooter Braun, produtores e equipe, fazendo um “funeral” para sua fase pop, gênero responsável pelo sucesso de sua carreira. “Um funeral para a minha música pop”, escreveu para acompanhar a imagem em que todos estavam vestindo roupas pretas. Para completar, apagou ou arquivou todas as fotos antigas de seu Instagram, deixando apenas as imagens que marcam sua nova fase. A partir de agora, veremos Demi Lovato cantando rock. Culpa do sucesso de Olivia Rodrigo? O fato é que cada vez mais artistas pop tem virado roqueiros nos últimos tempos. Até Avril Lavigne se lembrou que costumava fazer rock. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Demi Lovato (@ddlovato)
Meat Loaf (1947–2022)
O roqueiro Michael Lee Aday, conhecido como Meat Loaf, morreu na quinta-feira (20/1), aos 74 anos, cercado pela família. A causa da morte não foi revelada. Ele lançou um dos discos mais famosos do rock, “Bat Out of Hell”, de 1977, que se tornou um dos 10 álbuns mais vendidos de todos os tempos, com mais de 43 milhões de cópias comercializadas. As músicas foram concebidas em parceria com o compositor Jim Steinman como trilha de uma musical, uma versão futurística de “Peter Pan”. E o sucesso contínuo de “Bat Out of Hell” inspirou o cantor a estender o conceito numa trilogia, com os discos seguintes também vendendo milhões de cópias em todo o mundo. A conexão com o mundo dos espetáculos musicais não foi casual. A carreira no rock foi consequência de seu começo em produções do gênero. Sua performance na montagem de “Hair” em Los Angeles lhe rendeu seu primeiro contrato fonográfico com a Motown em 1971. Mas foi só seis anos depois, quando focou seu lado teatral no rock, que Meat Loaf estourou. Além da transição para roqueiro de sucesso, ele também trocou os palcos pelas telas. Foram mais de 60 papéis em filmes e séries, começando por sua participação no clássico musical “The Rocky Horror Picture Show”, em 1975 – repetindo papel que já tinha vivido no teatro. Meat Loaf chegou a protagonizar “Roadie” (1980), uma comédia musical de Alan Rudolph, e fazer par romântico com Cher em “Dead Ringer” (1982), batizado com o título de seu segundo álbum em parceria com Jim Steinman, mas a maioria de seus trabalhos no cinema foi como coadjuvante. A lista inclui alguns filmes cultuados, como “Quanto Mais Idiota Melhor” (1992), o improvável “O Mundo das Spice Girls” (1997), “Clube da Luta” (1999) e “Tenacious D – Uma Dupla Infernal” (2006). Nos anos 1990, ele voltou a liderar as paradas de sucesso com o hit “I’d Do Anything for Love (But I Won’t Do That)”, que ganhou um clipe dirigido por Michael Bay (“Transformers”). A música integrou o segundo volume da trilogia, “Bat Out of Hell II: Back Into Hell”, lançado em 1993. O capítulo final, por sua vez, só saiu em 2006. Depois disso, foi preciso mais um década para “Bat Out of Hell” completar seu círculo e ser finalmente transformado num musical de teatro, lançado no West End londrino em 2017. O cantor também vinha aparecendo como convidado de diversas séries nos últimos anos, incluindo “Glee”, “House” e “Elementary”, mas só foi ter um papel fixo numa atração televisiva em 2017, no terror “Ghost Wars”, que foi seu último trabalho nas telas. Sua postura conservadora e favorável ao Partido Republicano o afastou, pouco a pouco, de Hollywood. Ao se tornar um dos poucos roqueiros apoiadores de Donald Trump, praticamente caiu no ostracismo. Para complicar, passou por alguns problemas de saúde, principalmente nas cordas vocais. Ele sofreu vários desmaios durante apresentações nos últimos anos.
Elza Soares (1930-2022)
A cantora Elza Soares morreu na tarde desta quinta (20/1) de causas naturais em sua casa, no Rio de Janeiro, aos 91 anos de idade. “Ícone da música brasileira, considerada uma das maiores artistas do mundo, a cantora eleita como a Voz do Milênio teve uma vida apoteótica, intensa, que emocionou o mundo com sua voz, sua força e sua determinação”, definiu perfeitamente a assessoria de imprensa da artista, no comunicado sobre seu falecimento. Elza Gomes da Conceição Soares foi realmente uma das maiores cantoras da música brasileira, iniciando a carreira no samba no final dos anos 1950, e praticamente lançando a cena do sambalanço com “Se Acaso Você Chegasse”, em 1959. A fase áurea da cantora inclui discos obrigatórios da música brasileira, como “O Samba é Elza Soares” (1961), “Sambossa” (1963) e “Na Roda do Samba” (1964). Mas ela sofreu muito quando seu relacionamento com Mané Garrincha se tornou público. Foi vítima de um dos primeiros cancelamentos da música brasileira, oprimida por uma sociedade conservadora que a acusou de ter acabado com o casamento do jogador, mesmo os dois tendo oficializado a união. Para piorar, Elza era desquitada, situação malvista numa época em que nem divórcio era permitido no país. Ela chegou a ser impedida de realizar um show na Mangueira, tendo que fugir disfarçada para evitar agressões, reação alimentada por radialistas que incentivavam a quebra do disco da música em que ela cantava “Eu Sou a Outra”… Até o DOPS, a polícia da repressão, invadiu sua casa à noite, rendeu todos os moradores, revirou o interior do imóvel e executou o mainá de estimação de Garrincha, sem dar explicações. A casa também foi alvo de tiros. A situação abateu sua ascendente carreira cinematográfica. Muitos não lembram, mas Elza participou de muitas filmes brasileiros no começo dos anos 1960, como o musical “Briga, Mulher e Samba” (1960), o drama criminal “A Morte em Três Tempos” (1964) e as comédias “O Vendedor de Linguiça” (1962) e “O Puritano da Rua Augusta” (1964), ambas estreladas por Mazzaropi. A cantora seguiu gravando discos, como o sensacional “Elza Pede Passagem” (1972), sem que repercutissem como antigamente. Mas após o popular Mazzaropi a levar de volta ao cinema em “Um Caipira em Bariloche” (1973), ela mudou o repertório e voltou a fazer sucesso com gravações que exaltavam escolas de samba do Rio, como “Salve a Mocidade” e “Bom dia, Portela” (ambas de 1974). Seguiu lançando sambas tradicionais e emplacou dois novos hits: “Pranto Livre” (1974) e “Malandro” (1976). Mas a situação doméstica voltou a chamar mais atenção que a arte. Muitos se ressentiram, ironicamente, por Elza virar alvo de violência doméstica. O fato de o ídolo Garrincha, herói da Copa do Mundo de 1962, provar-se um marido violento, que sofria de alcoolismo e agredia a esposa, teria pesado contra a vítima. Já era a segunda experiência negativa de Elza com casamento, após ser forçada a se casar com o homem que tentou abusá-la na adolescência – seu pai acreditava que só assim sua honra estaria salva. Ela se divorciou de Garrincha em 1982, um ano antes do ex-jogador morrer de cirrose hepática, mas nem isso a tirou do ostracismo. Elza teria até pensado em desistir de cantar, diante das inúmeras portas fechadas para seu talento, quando literalmente bateu na porta de Caetano Veloso, num hotel de São Paulo, para pedir ajuda. Caetano prontamente convidou para Elza participar da gravação do samba-rap “Língua” no álbum “Velô” (1984) e do filme que ele dirigiu, “Cinema Falado”, lançado em 1986. “Língua” apresentou uma Elza Soares moderna e conquistou uma nova geração que não tinha compromisso com o conservadorismo. Ela abraçou esse público com seu disco menos voltado ao samba, “Somos Todos Iguais” (1985), que tinha até composição de Cazuza. Ela também gravou um rock com Lobão, “A Voz da Razão”, no disco “O Rock Errou” (1986), do cantor. Reconstruindo a carreira, passou o final dos anos 1980 nos EUA, se apresentando em vários shows no país. Mas na década seguinte só lançou um disco de estúdio, voltando a sofrer boicote da indústria fonográfica nacional, que passou a valorizar outras tendências. Precisou recomeçar tudo de novo, numa terceira fase no século 20, quando apresentou seu disco mais moderno e radical, “Do Cóccix Até o Pescoço” (2002), indicado ao Grammy Latino. O álbum espetacular, criado sob a sombra de uma queda e cirurgias que afetaram sua capacidade de locomoção, marcou com letras impactantes como “A carne mais barata do mercado é a carne preta” (“Carne Preta”). Foi seguido por um disco influenciado pela música eletrônica, “Vivo Feliz” (2003), e uma participação no filme “Chega de Saudade” (2008), no qual ela também cantou a trilha sonora. Mas logo veio outro hiato comercial. O lançamento de “A Mulher do Fim do Mundo” (2015) só foi viabilizado com recursos financeiros do Natura Musica, mas mostrou como Elza continuava a representar a vanguarda musical brasileira, misturando todos os ritmos. Graças à aclamação crítica do álbum, que venceu o Grammy Latino e colocou a faixa-título na série “3%”, ela encontrou uma rara estabilidade no final da carreira, fechando contrato com a Deckdisc para lançar dois discos consecutivos, “Deus É Mulher” (2018) e “Planeta Fome” (2019). Em 2018, Elza virou tema de documentário, “My Name is Now, Elza Soares”, cuja trilha foi vencedora do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. A consagração continuou em 2020, quando virou samba enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel, “Elza Deusa Soares”, e participou como homenageada do desfile da escola de seu coração no Carnaval do Rio. Mostrando a continuidade de seu diálogo com as diferentes tribos da música brasileira, ela ainda lançou no mesmo ano uma nova versão do hit “Comida” com os Titãs. Sua última mensagem nas redes sociais, publicada nesta quinta, foi de apoio e torcida para a cantora Linn da Quebrada no “BBB 22”. A morte da cantora aconteceu exatos 39 anos depois de Garrincha, que também morreu no dia 20 de janeiro, em 1983.
Mick Fleetwood fará série dramática sobre roqueiro terminal
O lendário roqueiro Mick Fleetwood, baterista da banda Fleetwood Mac, vai produzir uma série dramática passada no mundo do rock para a rede americana Fox. Fleetwood compartilhará sua experiência como músico veterano, além de servir como voz criativa e musical da produção. Intitulada “13 Songs”, a série vai girar em torno de… um roqueiro lendário, Jasper Jones, que com sua banda The Grift eletrizou uma geração de americanos, mas agora está quase esquecido. Décadas depois de seu auge, ele é diagnosticado com câncer terminal. Com apenas alguns meses de vida, Jasper decide se reconectar com sua velha banda para compor e gravar as 13 músicas finais de sua vida. O roteiro está a cargo de Will Reiser (“50%”) e Jonathan Prince (“American Soul”), e o cineasta Jonathan Levine (“Meu Namorado É um Zumbi”) vai dirigir os episódios – recentemente, ele assinou todos os capítulos da minissérie “Nove Desconhecidos” (Nine Perfect Strangers) da Amazon. Levine e Reiser trabalharam juntos anteriormente na comédia “50%” (2011). A encomenda da série reforça a tendência da Fox de exibir séries com temática musical. A rede exibiu “Glee” e o drama da indústria do hip-hop “Empire”, e atualmente está preparando uma série passada no universo country, “Monarch”.
“Bebê do Nirvana” entra com outro processo contra a banda
Spencer Elden, conhecido como “bebê do Nirvana”, ainda não se deu por vencido. Ele apresentou um novo processo por pornografia infantil em Los Angeles, por aparecer pelado ainda bebê na capa do disco “Nevermind”, após um juiz rejeitar sua primeira ação por falhas processuais. Elden, que hoje tem 30 anos, apresentou uma denúncia no segundo semestre de 2021 argumentando que nem ele e nem seus pais autorizaram o uso de sua imagem, “e menos ainda para a exploração comercial de sua pessoa com imagens de pornografia infantil”. Um juiz de Los Angeles desconsiderou o caso em 3 de janeiro, sem avaliar o mérito, pois Elden não respondeu a tempo os argumentos apresentados pelos advogados do Nirvana. Contudo, o juiz permitiu que ele apresentasse uma nova denúncia no prazo de dez dias, o que ele fez na quarta-feira (12/1). Em sua defesa, os músicos alegam falta de mérito. Os advogados demonstraram que, se a teoria de Elden fosse legítima, qualquer um que possuísse uma cópia do disco seria culpado por posse de pornografia infantil, por exemplo. Além disso, destacaram que, até recentemente, o jovem usufruía com prazer da notoriedade adquirida como o “bebê do Nirvana”. “Ele reencenou a fotografia muitas vezes; tatuou o título do álbum no peito; apareceu em um talk show vestindo um macacão cor nude e fez uma paródia de si mesmo; autografou cópias da capa do álbum para vender no eBay; e usou a fama para tentar se aproximar de mulheres”, diz o texto da resposta jurídica ao processo original.
Foo Fighters enfrentam demônios em trailer de terror
A banda Foo Fighters divulgou em seu canal do YouTube o novo trailer de seu primeiro filme, o terror “Studio 666”. Na trama que mistura terror e comédia, os músicos são assombrados após se mudarem para uma mansão antiga e cheia de história para gravar seu 10º álbum, “Medicine at Midnight”, sem saber que as forças ocultas do local ameaçariam os trabalhos — e suas vidas. A história foi concebida pelo roqueiro Dave Grohl e virou um roteiro escrito por Jeff Buhler, o autor do remake de “Cemitério Maldito”, em parceria com Rebecca Hughes (da série “Cracking Up”). Já a direção é assinada por BJ McDonnell, diretor de clipes de heavy metal (Slayer e Exodus) que tem trabalhado como operador de câmera nos filmes do universo “Invocação do Mal”. O elenco inclui Grohl e seus companheiros de banda, Taylor Hawkins, Nate Mendel, Pat Smear, Chris Shiflett e Rami Jaffee, além de Whitney Cummings (“Whitney”), Leslie Grossman (“American Horror Story”), Will Forte (“Last Man on Earth”), Jenna Ortega (“Pânico”) e Jeff Garlin (“Curb Your Enthusiasm”). A estreia está marcada para 25 de fevereiro nos EUA, exatamente um ano após o lançamento do álbum “Medicine at Midnight”, com distribuição nos cinemas a cargo da Open Road Films. Ainda não há previsão para a estreia no Brasil.
Michael Lang (1944–2022)
Michael Lang, criador do lendário festival de Woodstock, morreu no sábado (8/1) de complicações de linfoma não Hodgkin num hospital em Nova York, com 77 anos. Nascido e criado no Brooklyn, Lang iniciou sua carreira como produtor musical em Miami, na Flórida, onde desenvolveu o Miami Pop Festival de 1968, que destacou uma performance incendiária de Jimi Hendrix. No ano seguinte, mudou-se para Woodstock, no interior de Nova York, onde trabalhou com os parceiros Artie Kornfeld, Joel Rosenman e John Roberts para criar um festival local. O evento, que aconteceu de 15 a 18 de agosto de 1969, numa fazenda da região, tornou-se um marco da contracultura, reunindo 500 mil pessoas para assistir shows de artistas como Hendrix, Janis Joplin, Jefferson Airplane, The Who, Carlos Santana, Sly and the Family Stone, Joe Cocker e Crosby, Stills, Nash & Young. “Woodstock ofereceu um ambiente para as pessoas expressarem seu melhor”, disse Lang no aniversário de 50 anos do festival, em 2019. “Foi provavelmente o evento mais pacífico do gênero na história. Isso foi devido às expectativas e ao que as pessoas queriam criar lá.” Apesar do sucesso, o festival deu um enorme prejuízo, já que quase ninguém pagou ingressos, invadindo a fazenda para assistir aos shows de graça. Após perder dinheiro, Lang tentou capitalizar um pouco da fama do evento com a realização de mais dois shows na região, em 1994 e 1999. O último ficou marcado por preços inflacionados, quebra-quebra, estupros e um incêndio grandioso, representando o oposto do evento original. Lang também ajudou a planejar o Woodstock 50, que aconteceria em agosto de 2019, mas acabou cancelado por receio de repetir o desastre do festival anterior. O promotor de eventos também foi produtor de cinema. Após produzir o documentário “Woodstock: The Lost Performances” (1990), com cenas de shows não vistos no filme “Woodstock – 3 Dias de Paz, Amor e Música” (1970), de Michael Wadleigh, ajudou a lançar a carreira do diretor Wes Anderson, produzindo o primeiro longa do cineasta: a comédia “Pura Adrenalina” em 1996, que também revelou os irmãos Luke e Owen Wilson como atores. Presente com grande destaque no filme de Wadleigh, onde apareceu desde o planejamento do festival, acompanhando a construção dos palcos e circulando pela região lamacenta de moto, Michael Lang também virou personagem de cinema, interpretado por Jonathan Groff no filme “Aconteceu em Woodstock” (2009), de Ange Lee. Ele era casado e teve cinco filhos.
Minissérie sobre sex tape de Pamela Anderson ganha dois trailers
As plataformas Star+ e Hulu divulgaram dois trailers diferentes da minissérie “Pam and Tommy”, que mostra Lily James (“Rebecca”) e Sebastian Stan (“Falcão e o Soldado Invernal”) como o casal Pamela Anderson e Tommy Lee. Com oito episódios, a minissérie se concentra no vazamento da sex tape de lua de mel do baterista da banda Mötley Crüe e da estrela da série “SOS Malibu” (Baywatch) durante os anos 1990. Para quem é muito jovem para lembrar, Anderson foi indiscutivelmente o maior ícone sexual da década de 1990 – ela detém o recorde de capas da revista Playboy – e Lee integrava a banda mais escandalosa de sua geração. O relacionamento dos dois, que se casaram uma semana após se conhecerem, vendeu mais tabloides que qualquer outro casal no período. E muitos fãs puderam conferir em detalhes como foi sua lua de mel, com a comercialização da sex tape mais famosa de todos os tempos. A minissérie é produzida pela dupla Seth Rogen e Evan Goldberg (produtores de “Preacher” e “The Boys”). E além de trabalhar atrás das câmeras, Rogen também vive o homem que roubou a fita infame. O elenco ainda inclui Nick Offerman (“Parks and Recreation”) como o empresário pornô Tio Miltie, que comercializou a fita, Taylor Schilling (“Orange Is the New Black”) como a esposa de Rand e Andrew Dice Clay (“Nasce Uma Estrela”) como um empresário mafioso. A produção, que pode ser encarada como uma espécie de continuação de “The Dirt – Confissões do Mötley Crüe” (2018), tem direção a cargo do cineasta Craig Gillespie (“Eu, Tonya”) e estreia em 2 de fevereiro, tanto na Hulu americana quanto na brasileira Star+.












