Ryan Reynolds vai estrelar próximo filme de Michael Bay… na Netflix
Assim como os estúdios de cinema, a Netflix quer criar franquias de filmes em streaming. Por isso, entrou com tudo no leilão pelos direitos de distribuição de “6 Underground”, filme da produtora Skydance escrito por Paul Wernick e Rhett Reese (os roteiristas de “Deadpool”), que juntará o ator Ryan Reynolds (o próprio Deadpool) com o diretor Michael Bay (da franquia “Transformers”). Segundo a Variety, a produção será a mais cara já realizada pela Netflix, orçada em US$ 125 milhões – bem mais que os quase US$ 100 milhões de “Bright”, estrelado por Will Smith, e os US$ 106 milhões de “The Irishman”, longa de Martin Scorsese que estreia em 2019. Ryan Reynolds e Michael Bay já trabalharam juntos em “Horror em Amityville”, de 2005. Mas, na ocasião, o cineasta foi apenas produtor das filmagens. Será a primeira vez que o ator será dirigido pelo rei das explosões de Hollywood. Mas não foi essa a novidade que atraiu Reynolds para o projeto, e sim a participação da Netflix. É que os filmes da Netflix não costumam incluir os mesmos compromissos de divulgação internacional dos blockbusters de Hollywood. Quase toda a divulgação é feita por meio de vídeos. Assim, ele não perderá tempo após as filmagens e poderá voltar imediatamente para trabalhar no desenvolvimento de “Deadpool 3” e “X-Force” para a Fox. O longa deve começar a ser rodado na segunda metade de 2018, com previsão de lançamento para meados de 2019. Mas até agora não há nenhuma informação sobre a trama, que tem o mesmo título de uma música da banda Sneaker Pimps, usada na trilha do filme “O Santo” (1997). Como informação completar, o anúncio de “6 Underground” indica que as recentes negociações de Michael Bay para assumir a adaptação dos quadrinhos de Lobo para a Warner/DC não foram bem-sucedidas.
Gabriel Luna será novo Exterminador do Futuro no cinema
O ator Gabriel Luna, que viveu o “Motoqueiro” Fantasma na série “Agents of SHIELD”, será o novo Exterminador do Futuro, no reboot da franquia produzido por James Cameron. O site Deadline afirma que ele viverá um dos robôs Terminators no sexto filme da franquia, mas não dá maiores detalhes. Curiosamente, o ator texano vai se juntar a outros latinos na produção: o mexicano Diego Boneta (“Rock of Ages”) e a colombiana Natalia Reyes (série “2091”). Além deles, também estão no elenco a atriz Mackenzie Davis (série “Halt and Catch Fire”), anteriormente anunciada, e aos astros dos dois primeiros filmes, Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger, que voltarão a se encontrar após 28 anos. O filme também marca o regresso do cineasta James Cameron à franquia. Ele retorna como roteirista e produtor, após comandar os dois longa-metragens iniciais. A direção está a cargo de Tim Miller (“Deadpool”). E, após um pequeno adiamento, a estreia encontra-se marcada para 22 de novembro de 2019 nos Estados Unidos.
Criadores de Westworld trollam Reddit e vídeo com spoilers se revela pegadinha
Os produtores da série “Westworld” provocaram os adeptos dos spoilers com uma leve pegadinha. Eles prometeram postar um vídeo cheio de spoilers, e muitos imaginavam ver imagens do novo parque samurai, Shogun World, mas o que se viu foram 20 minutos de trollagem. Tudo começou no Reddit, um fórum da era da deep web. O casal Lisa Joy e Jonathan Nolan, criadores da série, disseram que revelariam tudo sobre a 2ª temporada se o post em que comentavam fosse muito bem votado. Mas, na hora de ver o vídeo que eles postaram em agradecimento, o que se viu foi uma vídeo-cassetada. Tudo começa de forma intensa, com uma narração de Jeffrey Wright. “Nossa temporada começa com Bernard acordando em uma praia. Ele não lembra o que aconteceu ou como chegou lá”. Ele levanta e encontra funcionários do parque dando tiros em robôs de cowboys e índios, e é levado para ser questionado pelo novo personagem vivido por Gustaf Skarsgard (série “Vikings”), mas tem um flashback e aparece na cidadezinha de Westworld. A voz de Wright ainda diz: “Ele se lembra de Dolores? Ele se lembra da escolha que fez?”. De repente, a a atriz Evan Rachel Wood começa a cantar uma versão da música “Never Gonna Give You Up”. A referência é divertida. Antigamente, quem procurasse clipes bloqueados no YouTube costumava se deparar com um vídeo de conteúdo falso, em que Rick Astley cantava seu hit “Never Gonna Give You Up”. Pois a música volta a embalar os ansiosos por spoilers de “Westworld”. Depois disso, vem um letreiro de agradecimento ao Reddit, seguido por 20 minutos de imagens em preto e branco de um cachorro sentado em frente a um piano! A 2ª temporada de “Westworld” tem início em 22 de abril no canal pago HBO.
Diego Boneta entra no reboot de O Exterminador do Futuro
O ator mexicano Diego Boneta, que estrelou a série “Scream Queens” e o musical “Rock of Ages”, entrou no elenco do próximo filme da franquia “O Exterminador do Futuro”. Segundo o site The Hollywood Reporter, ele terá um papel fundamental no reboot do reboot da franquia. Ainda que detalhes estejam sendo mantidos em segredo no cofre da Cyberdyne, fontes ouvidas pela publicação afirmam que ele interpretará um personagem humano. Ele se junta à atriz Mackenzie Davis (série “Halt and Catch Fire”), anteriormente anunciada, e aos astros dos dois primeiros filmes, Linda Hamilton e Arnold Schwarzenegger, que voltarão a se encontrar após 28 anos. O filme também marca o regresso do cineasta James Cameron à franquia. Ele retorna como roteirista e produtor, após comandar os dois longa-metragens iniciais. A direção está a cargo de Tim Miller (“Deadpool”). E, com um pequeno adiamento, a estreia encontra-se marcada para 22 de novembro de 2019 nos Estados Unidos.
Fãs descobrem vídeo secreto de Westworld com publicidade sangrenta da empresa Delos
O trailer de “Westworld”, divulgado na última quinta-feira (29/3), continha uma surpresa: um código secreto, que alguns fãs decifraram, obtendo acesso a um novo vídeo. Trata-se de uma propaganda defeituosa (um suposto arquivo corrompido) sobre a Delos, empresa responsável pela construção do parque temático da série. Os “defeitos” especiais revelam detalhes sangrentos, que não são exatamente boa publicidade. Veja abaixo. Inspirada no longa “Westworld – Onde Ninguém Tem Alma” (1973), escrito e dirigido por Michael Crichton (o autor de “Parque dos Dinossauros”), a série foi criada pelo casal Jonathan Nolan (roteirista de “Interestelar” e criador da série “Person of Interest”) e Lisa Joy (roteirista da série “Pushing Dasies”), e tem produção do cineasta J.J. Abrams (“Star Wars: O Despertar da Força”). A estreia da 2ª temporada está marcada para 22 de abril.
Clima épico e surpresas do trailer da 2ª temporada de Westworld são de cair o queixo
A HBO divulgou o trailer completo da 2ª temporada de “Westworld”. E é de cair o queixo. Épico, explosivo, tenso e surpreendente, altera momentos plácidos com surtos maníacos, como uma música do Nirvana. A comparação vem imediatamente à mente por conta da trilha escolhida, uma versão orquestral de “Heart Shaped Box”. A edição das cenas, entre idas e vindas, torna difícil precisar exatamente o que acontece – o que é uma qualidade dos melhores trailers. Mas algumas cenas são tão inesperadas que chamam mais atenção, como a caminhada de Maeve (Thandie Newton) entre samurais e a descoberta de Dolores (Evan Rachel Wood) de um mundo repleto de prédios modernos. Não faltam cowboys, índios, exército contemporâneo, tiroteios, massacres e cenas de guerra de dar vergonha à temporada de “guerra total” de “The Walking Dead”. Inspirada no longa “Westworld – Onde Ninguém Tem Alma” (1973), escrito e dirigido por Michael Crichton (o autor de “Parque dos Dinossauros”), a série foi criada pelo casal Jonathan Nolan (roteirista de “Interestelar” e criador da série “Person of Interest”) e Lisa Joy (roteirista da série “Pushing Dasies”), e tem produção do cineasta J.J. Abrams (“Star Wars: O Despertar da Força”). A estreia da 2ª temporada está marcada para 22 de abril.
Michael Bay vai dirigir filme escrito pelos roteiristas de Deadpool
Michael Bay já definiu qual será o seu próximo projeto, após disputar o Framboesa de Ouro 2018 por “Transformers: O Último Cavaleiro”. A produtora Skydance anunciou que diretor comandará “6 Underground”, filme escrito por Paul Wernick e Rhett Reese, os roteiristas de “Deadpool”. “Ao longo de sua carreira, Michael Bay tem sido incomparável na criação de eventos cinematográficos globais”, disse David Ellison, presidente da Skydance, em comunicado. “Não poderíamos estar mais entusiasmados por juntar esse incrível time, trazendo seus estilos e visões únicas para o filme”. Não há informações sobre a trama, que tem o mesmo título de uma música da banda Sneaker Pimps, usada na trilha do filme “O Santo” (1997). O longa da Skydance deve começar a ser rodado na segunda metade de 2018, com previsão de lançamento para meados de 2019. Mas Bay não deve ficar muito longe dos robôs gigantes. Segundo a revista Variety, ele também está em negociações para dirigir “Robopocalypse”, filme de destruição robótica baseado no livro de Daniel H. Wilson, que Steven Spielberg quase rodou em 2012, com Chris Hemsworth (“Thor”) no papel principal. O anúncio de “6 Underground” e o possível envolvimento de Bay em “Robopocalypse” indicam que as recentes negociações do cineasta para assumir a adaptação dos quadrinhos de Lobo para a Warner/DC não foram bem-sucedidas.
Replicante de Blade Runner 2049 vai estrelar o novo Exterminador do Futuro
A atriz Mackenzie Davis, que viveu uma replicante sexy em “Blade Runner 2049”, vai participar de outra franquia sci-fi clássica. Ela foi confirmada no sexto “Exterminador do Futuro”, ainda sem título oficial. Há conflitos sobre quem ela irá interpretar. Embora alguns sites afirmem que se trata de uma nova Sarah Connor – protagonista dos dois primeiros filmes dirigidos por James Cameron e do recente reboot – as revistas Variety e The Hollywood Reporter apuraram versões contraditórias de seu papel. As fontes da Variety indicam que ela será uma das novas exterminadoras, enquanto a THR sugere uma militar humana. Nenhuma informação oficial foi divulgada. A nova continuação será a primeira produzida por Cameron desde “O Exterminador do Futuro 2” (1991) e chegará após uma tentativa frustrada de reboot da franquia – “O Exterminador do Futuro: Gênesis” (2015) – , que fracassou nas bilheterias. A participação de Cameron, que criou os personagens e a trama em 1984, representa uma reviravolta há muito aguardada pelos fãs e pelo próprio cineasta. Ele foi obrigado a ceder os direitos da franquia no acordo de seu divórcio com a atriz Linda Hamilton, estrela dos dois primeiros filmes, por isso não teve nada a ver com as sequências produzidas desde então. Mas um cláusula previa que os direitos reverteriam para o diretor após 20 anos. A data vai coincidir com o lançamento do próximo “Exterminador do Futuro”, previsto para 2019. O filme terá direção de Tim Miller, que estourou à frente de “Deadpool”, e roteiro final de Billy Ray (“Jogos Vorazes”), baseado em ideias do diretor e do produtor. Segundo a Variety, Mackenzie Davis sempre foi a atriz favorita de Miller para viver a personagem misteriosa, o que facilitou sua aprovação. Mas o THR afirma que ela não terá o papel principal. Isto caberá a outra atriz, ainda não escolhida. A equipe estaria realizando diversos testes em busca de uma latina, sem se contentar com nenhuma escolha até o momento. Esta atriz assinaria para estrelar uma nova trilogia. Também são esperados os retornos de Arnold Schwarzenneger, o Exterminador original, e Linda Hamilton, a Sarah Connor original. James Cameron chegou a afirmar anteriormente que o filme será uma continuação direta de “O Exterminador do Futuro 2” (1990). Além de participar de “Blade Runner 2049”, Davis também estrelou a série “Halt and Catch Fire” e o episódio de “Black Mirror” que venceu o Emmy 2017, além de integrar o elenco do filme “Perdido em Marte” (2015). Ela será vista a seguir na comédia “Tully”, de Jason Reitman (“Jovens Adultos”), que chega aos cinemas brasileiros em 25 de maio. O novo “Exterminador do Futuro” tem estreia marcada para julho de 2019.
Diretor de Pixels vai adaptar o game Five Nights at Freddy’s
Depois de dirigir “Pixels”, que envolvia diversos games clássicos, Chris Columbus vai assumir a adaptação do game de smartphones “Five Nights at Freddy’s”. Criado por Scott Cawthon em 2014, o jogo original gira em torno de um guarda de segurança que luta contra robôs animatrônicos que ganham vida em um restaurante estilo buffet infantil. A brincadeira se tornou uma sensação instantânea, gerando bilhões de visualizações no YouTube. Além disso, cada um dos seis aplicativos móveis diferentes do jogo já foi líder de vendas das lojas de aplicativos para Android e iOS. A produção é do estúdio Blumhouse, mais conhecido por filmes de terror (“Corra!”, “Fragmentado”) que por produções infantis. Mas o estúdio venceu a concorrência por estabelecer um relacionamento mais transparente dom Cawthon, que participará da adaptação como produtor. Columbus, por sua vez, é especialista em produções de fantasia infantil – desde o começo da carreira, como roteirista de “Gremlins” (1984) e “Os Goonies” (1985), até seus inúmeros sucessos como diretor, entre eles “Esqueceram de Mim” (1990), “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (2001) e “Percy Jackson e o Ladrão de Raios” (2010). Veja abaixo o anúncio da produção, feito pelo Twitter oficial da Blumhouse. Mr. Columbus, are you ready for Freddy? #FiveNightsatFreddys pic.twitter.com/4F7QEnw16x — Blumhouse (@blumhouse) February 12, 2018
Justin Timberlake revela funk futurista em clipe do diretor da sci-fi Não Me Abandone Jamais
Justin Timberlake divulgou “Filthy”, o primeiro single de seu quinto álbum, “Man of the Woods”. A música ganhou um clipe futurista dirigido pelo cineasta Mark Romanek, que tem autênticas credenciais sci-fi pelo filme “Não Me Abandone Jamais” (2010). O vídeo mostra um show diferente, em que Timberlake apresenta uma novidade tecnológica: um robô sexy, que dança e imita seus gestos. Enquanto ele fica nos bastidores, sua persona robótica sensualiza com dançarinas japonesas, diante de uma plateia asiática impressionada. A combinação de tema e música – a mais eletrônica já gravada pelo cantor – torna inevitável pensar no funk robótico da dupla francesa Daft Punk. Mas a produção é de outro ícone, o gênio do hip-hop eletrônico Timbaland, em parceria com seu protegido Danja e o próprio Timberlake. O álbum “Man of the Woods” tem lançamento previsto para 2 de fevereiro.
HBO divulga vídeo com cenas inéditas de Sharp Objects e da 2ª temporada de Westworld
A HBO divulgou um vídeo promocional das próximas atrações que exibirá em 2018. E o destaque são as primeiras imagens da minissérie “Sharp Objects”, do telefilme “Paterno” e trechos inéditos da 2ª temporada de “Westworld”. Veja abaixo. “Sharp Objects” é a adaptação do romance “Objetos Cortantes”, primeiro livro escrito por Gillian Flynn (que já teve dois best-sellers filmados, “Garota Exemplar” e “Lugares Escuros”) e será estrelada por Amy Adams (a Lois Lane de “Batman vs. Superman”), escrita por Marti Noxon (série “Unreal”) e com todos os seus capítulos dirigidos pelo cineasta Jean-Marc Vallee (que fez o mesmo com “Big Little Lies”). Publicado em 2006, o livro acompanha uma jornalista (papel de Adams) que, depois de passar um tempo numa instituição psiquiátrica, precisa voltar à sua cidade natal para cobrir um caso de assassinato envolvendo duas meninas pré-adolescentes. Lá, a protagonista é forçada a conviver novamente com a sua mãe, uma mulher neurótica e hipocondríaca que ela mal conhece. “Paterno” traz Al Pacino (“O Poderoso Chefão”) como Joe Paterno, ex-treinador de futebol da Universidade Penn State envolvido num escândalo sexual. Depois de se tornar o treinador mais vitorioso da história do futebol universitário, ele foi acusado de ter ignorado as acusações de abuso sexual contra seu assistente Jerry Sandusky. O filme é dirigido pelo veterano Barry Levinson (“Rain Man”). Já os trechos de “Westworld” mostram a cavalgada assassina de Dolores (Evan Rachel Wood) e Teddy (James Marsden), com narração do Homem de Preto (Ed Harris). Nenhuma dessas atrações teve a data de estreia divulgada.
Blade Runner 2049 tem tantas ideias promissoras que poderia ser uma minissérie
Na tela em 1982, “Blade Runner” causou certo estranhamento. Era enigmático, escuro e fora do padrão. Se a estética não parece tão estranha agora, foi porque a publicidade, o cinema, os clipes, todo mundo assimilou o visual e tentou capturar a atmosfera. Em casos assim é muito comum a indústria destruir o que antes parecia fresco e autêntico. Não aconteceu com esse clássico. Revendo o filme, o senso de mistério persiste, a trama ilumina algumas questões, mas deixa várias implicações a margem para o espectador deduzir. O prazer de rever “Blade Runner” continua justamente pelas entrelinhas. Parece que há sempre algo novo a ser descoberto. O novo “Blade Runner 2049” tem bem pouco disso. Existe uma trama de mistério, mas ela é confortavelmente solucionada pra ninguém sair da sala com uma preocupação nova. É um espetáculo bem produzido e bonito, com duas reviravoltas surpreendentes, mas com um acumulo de detalhes pensados para tornar o todo mais complexo, que precisava ser melhor depurado. São 2 horas e quarenta de filme contra os 119 minutos do Blade Runner original. Deve-se desanimar com isso? Não. O filme tem força. A maior delas é o carinho, o amor com que o diretor Dennis Villeneuve se debruça sobre o baú de relíquias do clássico de Ridley Scott sem se intimidar em tatear esse mundo. O roteiro co-escrito por Michael Green (de “Logan”) e Hampton Fancher (que escreveu o original) alinha ideias para uns quatro filmes. Todas muito boas, mas desperdiçadas. A começar pelo paralelo entre os protagonistas. Aparentemente no primeiro filme, Harrison Ford era o humano que rastreava e matava os sintéticos humanoides reconstruídos com DNA humano, os chamados replicantes. O olhar para esses seres vinha de fora. Em “Blade Runner 2049”, a perspectiva desde o princípio vem de dentro. Ryan Gosling (“La La Land”) é KD6-3.7, um replicante que caça replicantes. E ele é a escolha perfeita para o Departamento de Polícia de Los Angeles. Uma máquina que sabe exatamente o que fazer e pouco se lixa para o que cada morte significa. Essa pelo menos é a impressão que “K” passa a chefe do departamento, a tenente Joshi (Robin Wright, da série “House of Cards”). No íntimo, porém, o replicante revela-se um sujeito cheio de duvidas. Um caixão enterrado sob uma árvore seca aumenta ainda mais as incertezas de K. Dentro, encontra-se a ossada de uma mulher desconhecida. O legista diz que a vítima morreu de complicações de parto. Quando examinam os pormenores, descobrem uma costela marcada com número de série: a mulher era uma replicante. Deveria ser impossível um ser sintético engravidar, mas aconteceu. Esta descoberta é o incidente propulsor do filme. Para a tenente Joshi, a reprodução de replicantes representa uma ameaça para os principados da criação e para o equilíbrio social. Mas para o empresário Niander Wallace (Jared Leto, de “Esquadrão Suicida”), o diabólico sucessor da Tyrell Corporation, a fábrica de replicantes, representa uma oportunidade. Se os replicantes são capazes de se reproduzir por conta própria, eles podem ser peões de uma nova ordem. Desta forma, K encontra-se no centro de um conflito político. Ele é designado para encontrar e matar a criança que cresceu, tornou-se adulta e que ninguém sabe o paradeiro. Nessa missão, K esbarra em dois grupos inimigos, um que pretende interferir, e outro que tem a intenção de ajudá-lo. A quantidade de história aqui é suficiente para construir uma minissérie, mas em sua ambição, Villeneuve mira o além. Ele insere as ruminações sombrias do caçador de replicantes sobre a natureza da espécie humana, da espécie sintética e sobre o futuro da vida na Terra. Curioso que o aspecto mais promissor do filme envolva uma meditação periférica. Sim, tem mais uma! Trata-se de uma reflexão sobre as fronteiras do palpável e o virtual numa sociedade altamente tecnológica. Primeiro vemos como K lida com essa virtualidade em casa. Ele tem uma namorada chamada Joi (a cubana Ana de Armas), que simplesmente é um holograma. É comovente como são apaixonados e como sustentam a relação mesmo sem um beijo real. Na esperança de consolar o parceiro, a mulher holográfica contrata uma prostituta para fazer sexo com K. E numa jogada de mestre, sincroniza sua imagem sobre o corpo da outra para que a ilusão do sexo palpável seja plena. O trecho, sem sombra de dúvida, é o maior momento do filme. Uma inquietante sequência de amor em que o protagonista se vê enlaçado por um corpo real e outro virtual de duas cabeças, quatro mãos e quatro pernas que iludem e ao mesmo tempo fornecem o sentido do quanto o amor é um sentimento rico, vasto e complexo. Há outra cena preciosa, dentro de um casino antigo, onde os hologramas de artistas mortos podem ser vistos com o simples acionamento de um botão. Assim Elvis reaparece cantando em seu macacão branco. Marilyn comparece sedutora com a saia branca esvoaçante, seguido por Liberace ao piano e Sinatra entoando uma canção romântica. Uma sublime melancolia se instala nessa ocasião. Elvis, Marilyn, Sinatra são emblemas de um outro tempo, um passado simples, quando todos entendiam o que significava ser humano. Não há tal compreensão no mundo de 2049. No filme é impossível dizer a um ser sintético o que o torna mais humano, assim como parece igualmente complicado reforçar nos humanos seus traços civilizados. Isso implica em todo tipo de questões existenciais. Talvez os replicantes sejam como seres humanos e tenham uma alma. Ou talvez os humanos sejam como replicantes, tudo seja mecanicista, e toda a noção da alma não passe apenas de fantasia. “Blade Runner 2049” roça nessas ideias densas e promissoras. Pena que o roteiro esteja tão inflado delas. Em vez do desenvolvimento, temos apenas a amostragem. Nesse sentido, Villeneuve foi mais feliz em seu filme anterior, “A Chegada”. Esse novo bem que tenta alcançar o brilho neon-noir esfumaçado do Los Angeles de Ridley Scott, mas não é fácil redefinir o mapa de nossos sonhos coletivos. Isso é ruim? Certamente, não. Seria um descaso não mergulhar na experiência proposta. A satisfação é imediata, mas há o que pensar, uma quantidade razoável para sentir e até para ver. E não é todo dia que temos uma oportunidade dessas.
Último trailer de Blade Runner 2049 traz diversas cenas inéditas
A Warner divulgou um trailer final “Blade Runner 2049”, repleto de cenas inéditas. Há até uma aparição de Edward James Olmos, que retoma seu papel do primeiro filme, Gaff. Mas o que mais chama atenção é a grandiosidade das cenas, que revelam um futuro muito mais sombrio que o longa original, submerso na poluição do ar, no lixo e na miséria. Escrita por Hampton Fancher (também do primeiro “Blade Runner”) e Michael Green (“Logan”), a continuação gira em torno da investigação de um novo caçador de androides (blade runner), o oficial K (Ryan Gosling, de “La La Land”), que descobre um segredo há muito tempo enterrado com o potencial de mergulhar o que resta da sociedade no caos. A descoberta o leva a uma busca por Rick Deckard (Harrison Ford), o ex-blade runner que está desaparecido há 30 anos. O elenco ainda inclui Jared Leto (“Esquadrão Suicida”), Robin Wright (série “House of Cards”), Ana de Armas (“Bata Antes de Entrar”), Sylvia Hoeks (“O Melhor Lance”), Dave Bautista (“Guardiões da Galáxia”), Mackenzie Davis (série “Halt and Catch Fire”), Lennie James (série “The Walking Dead”), Hiam Abbass (“Êxodo: Deuses e Reis”), Barkhad Abdi (“Capitão Phillips”), Carla Juri (“Zonas Úmidas”), David Dastmalchian (“Homem-Formiga”), Wood Harris (“Creed”) e Tómas Lemarquis (“X-Men: Apocalypse”). O filme tem direção de Villeneuve (“A Chegada”) e produção de Ridley Scott, que dirigiu o “Blade Runner” original de 1982, e as primeiras críticas falam em “obra-prima”. A estreia acontece na quinta (5/10) no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.











