Ator de “O Senhor dos Anéis” agradece fãs brasileiros por apoio contra racismo
O ator Ismael Cruz Córdova, que vive o elfo Arondir em “O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder”, aproveitou sua passagem na CCXP neste sábado (3/12) para agradecer aos brasileiros por defendê-lo contra ataques racistas que sofreu desde que foi anunciado no papel. Córdova virou alvo de uma campanha de ódio por ser um artista afro-latino, nascido em Porto Rico. Na lógica racista, apenas brancos poderiam interpretar elfos de forma realista, apesar de os personagens serem criaturas da fantasia que nunca existiram. “Vocês devem saber que houve ataques horríveis online contra mim e meu personagem, de todas as partes do mundo – mas do Brasil só recebi o mais caloroso amor”, ele disse em português, durante sua participação no painel da Amazon. “Sou o primeiro elfo negro!”, disse. “Sou o primeiro elfo negro!”, comemorou. O painel contou também com os atores Cynthia Addai-Robinson (rainha Miriel), Sara Zwangobani (Marigol) e Trystan Gravelle (Pharazôn). Mas Córdova roubou todas as atenções. Demonstrando seus laços com o país, ainda destacou que o estilo de luta de seu personagem foi inspirado na capoeira brasileira. “Nunca havíamos visto um elfo negro, então nunca tínhamos visto uma arte marcial negra no mundo da fantasia”, destacou. Ele ainda brincou que é brasileiro de coração e que, nos Estados Unidos, sempre se confundem com sua nacionalidade. Acrescentou que costuma responder: “Eu sou baiano, gosto de sol, sombra e água fresca”. O público se rendeu, rindo e aplaudindo. Os fãs brasileiros são os melhores! O ator Ismael Cruz Córdova que interpreta Arondir na série Senhor Dos Anéis: Os Anéis de Poder falando em português que recebeu alguns ataques ao seu personagem ao redor do mundo mas no Brasil só recebeu amor 🥺💙 @PrimeVideoBR pic.twitter.com/qL8H25oZQI — Miro Malacrida (@instacinefilos) December 3, 2022
Rodrigo Faro se retrata após dinâmica racista em “A Fazenda 14”
O apresentador Rodrigo Faro se retratou, neste domingo (20/11), após uma dinâmica com o peão André Marinho ser considerada racista em “A Fazenda 14”. O pedido público de desculpas aconteceu durante o programa “Hora do Faro”. A dinâmica do reality rural colocou o rosto do participante negro na obra “O Lavrador de Café”, do artista Cândido Portinari. No entanto, a atitude foi repudiada pelo público e até a esposa do peão, Drika Marinho, se pronunciou. “Somente depois de alertados a gente observou que, como sinalizado no site do MASP [Museu de Arte de São Paulo], as simbologias e leituras que revestem a representação dessa obra, elas são ambíguas”, começou o pedido de desculpas. O apresentador reconheceu que a atividade foi lida por algumas pessoas como “um ato de conotação racista” e que a equipe compreende as razões ofensivas. Faro ressalta que não era a intenção dos envolvidos com “A Fazenda 14”.”Nós lamentamos e nos desculpamos pela falta de bom senso em escolher justamente o André para representar a obra citada.” “Aqui, todas as raças, todos os credos e gêneros sempre tiveram e terão lugar de fala. Enquanto nós, brancos, não aprendermos sobre as questões raciais do nosso país, enquanto nós não nos letrarmos racialmente, a gente vai continuar sendo fiéis reprodutores do racismo estrutural no nosso país.” Rodrigo Faro, no entanto, afirmou que não pode tocar no assunto com o peão enquanto André Marinho estiver participando do reality show. O apresentador pretende se desculpar pessoalmente. “Em meu nome e em nome da minha equipe, eu quero reiterar as desculpas pelo constrangimento importo ao André Marinho, à sua esposa Drika, aos seus filhos e a toda à comunidade preta brasileira”, completou Faro. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por ANDRÉ MARINHO (DEZINHO)🎥 (@andremarinho_)
Lin-Manuel Miranda será deus na série de “Percy Jackson”
A Disney+ anunciou a escalação do multitalentoso Lin-Manuel Miranda (“Em um Bairro de Nova York”) como o deus Hermes na série “Percy Jackson e os Olimpianos”. Junto do anúncio, a plataforma divulgou as primeiras fotos do astro no set, em suas redes sociais. A série acompanha o adolescente Percy Jackson, vivido por Walker Scobbell (“O Projeto Adam”), que descobre ser filho do deus grego Poseidon e é enviado ao Acampamento Meio-Sangue, retiro exclusivo para semideuses, onde vai aprender sobre sua herança e poderes, e conhecer seus novos companheiros de aventura, Annabeth Chase (Leah Sava Jeffries, de “Empire”) e Grover Underwood (Aryan Simhadri, de “Doze é Demais”). Filha da deusa da sabedoria Atena, Annabeth é uma caçadora e estrategista que acaba se envolvendo com o recém-chegado, enquanto Grover é um jovem meio-sátiro, meio-humano, que se torna o melhor amigo e protetor de Percy dentro e fora do Acampamento. Autor dos livros, o escritor Rick Riordan é um dos produtores da atração, que ainda conta com Megan Mullally (“Will & Grace”), Glynn Turman (“A Voz Suprema do Blues”), Jason Mantzoukas (“The Good Place”), Virginia Kull (“NOS4A2”) e Timm Sharp (“Juntos Mas Separados”). A produção está a cargo de Jon Steinberg (“The Old Man”) e a direção é de James Bobin, que já trabalhou várias vezes com a Disney, nos filmes “Os Muppets” (2011), “Muppets 2: Procurados e Amados” (2014), “Alice Através do Espelho” (2016) e na série “A Misteriosa Sociedade Benedict”. “Percy Jackson e os Olimpianos” ainda não tem previsão de estreia. Uma mensagem do próprio mensageiro dos deuses: @Lin_Manuel Miranda é Hermes em #PercyJackson and the Olympians, uma Série Original que vem aí no #DisneyPlus! pic.twitter.com/WW1wmLNSrG — Disney+ Brasil (@DisneyPlusBR) November 7, 2022
Seu Jorge confirma que foi alvo de “ódio gratuito e grosseria racista” em show no RS
O cantor e ator Seu Jorge (“Marighella”) se manifestou, na noite de segunda (18/10) sobre o “ódio gratuito e grosseria racista” que sofreu durante um show realizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na noite da última sexta-feira (14/10). A Polícia Civil está investigando o caso para identificar os envolvidos nos ataques. Em vídeo de nove minutos divulgado em seu canal no Youtube, o artista aparece ao lado da bandeira do Rio Grande do Sul para afirmar que episódio não abala seu amor ao estado, enquanto relatou as vaias e ofensas racistas que escutou em sua apresentação no Grêmio Náutico União. “Quando chegou no final do show, eu sai do palco. Quando cheguei atrás do palco, eu começo a escutar muitas vaias e xingamentos. Por conta disso, eu percebi não seria possível voltar para fazer o famoso ‘bis’, mas sozinho retornei ao palco e, de maneira respeitosa, agradeci a presença de todos e me retirei do local do show. Na verdade, o que eu quero dizer aqui é que não reconheci a cidade que aprendi amar e respeitar. Na verdade, o que eu presenciei foi muito ódio gratuito e muita grosseria racista”, disse Seu Jorge. O artista declarou que não viu pessoas negras no público, apenas entre funcionários do evento. “Eu tenho enorme respeito ao estado do Rio Grande do Sul e toda a sua gente. Particularmente, não percebi nenhuma pessoa negra no jantar. As pessoas negras que encontrei foram somente os funcionários. Ouvi dizer que eles estavam proibidos de olhar para mim ou falar comigo quando eu chegasse no local, mas o importante é que no final do show eu falei com todo mundo, abracei e tirei foto com todo mundo”, contou. No vídeo, o cantor também aproveitou para agradecer as mensagens de apoio recebidas de fãs e amigos do Rio Grande do Sul e de outros cantos do Brasil. “Quero aqui agradecer imensamente o carinho e suporte que recebi de toda gente de Porto Alegre que se sensibilizou e ao longo do dia inteiro de sábado (15/10) me mandaram mensagens de apoio e repudio de alguns do clube, comportamento que contribuiu para vergonha alheia dos demais presentes. Com isso, quero dizer também que é muito bom saber que ao menos a nossa conexão não se rompeu e não se romperá. Agora, estaremos bem mais fortes e unidos na luta contra o racismo e toda forma de preconceito e discriminação”, disse. Ele encerrou sua manifestação garantindo que não irá deixar de seguir lutando contra o preconceito. “Ao povo negro do Rio Grande do Sul e toda a região do sul, quero dizer que amo e respeito todos vocês. Digo que estamos mais unidos do que nunca e que vamos vencer essa guerra que leva o nosso povo a miséria e a falta de oportunidades no Brasil”, acresentou. Apesar de testemunhos de imitações de macaco vindas do público terem se espalhado no Twitter, muitos que se disseram presentes no evento negaram que isso aconteceu. Teriam sido apenas vaias e gritos de “mito” após Seu Jorge discursar contra a maioridade penal e os assassinatos de jovens negros moradores de comunidades pobres. O cantor agora confirma que o episódio de racismo aconteceu. Por nota, Paulo José Kolberg Bing, presidente do Grêmio Náutico União, informou que a associação repudia “qualquer ato de discriminação” e abriu uma investigação interna para apurar o caso. Mas a polícia é que terá a palavra final neste caso.
Seu Jorge teria sofrido racismo em show em Porto Alegre
O cantor e ator Seu Jorge (“Marighella”) teria sido alvo de ataques racistas durante show em Porto Alegre na última sexta-feira (15/10), de acordo com diversos relatos nas redes sociais. O suposto estopim para os atos racistas da plateia foi o fato de Seu Jorge, antes de se despedir pela primeira vez, ter levado ao palco um jovem negro para tocar cavaquinho e discursado contra a maioridade penal e os assassinatos de outros jovens negros moradores de comunidades pobres. Segundo testemunhos expostos nas redes sociais, isso fez com que surgissem gritos de “vagabundo”, “safado” e imitações de macacos, acompanhadas de gritos de “mito”, “mito”. Mas também há pessoas que, dizendo-se presente no evento, afirmam que não houve racismo, apenas vaias após Seu Jorge fazer um “L” de Lula com a mão e os gritos de “mito”. A equipe do artista foi procurada pela imprensa e disse que não ia “se manifestar sobre o ocorrido”. O show aconteceu no Grêmio Náutico União, com o ingresso mais barato custando R$ 500 no dia do evento. Ontem à noite, Seu Jorge fez show em jantar de reinauguração de um dos espaços do Grêmio Náutico União, em Porto Alegre. Segue o relato de mais um caso isolado do Mississipi brasileiro: pic.twitter.com/T8ddtMDXQn — Viaro🚩 (@Prof_Viaro) October 15, 2022 Eu estava presente nesse evento, lindo show em que Seu Jorge apresentou o menino tocando cavaquinho, foi super aplaudido, ele e o garoto. No final do show. Ele foi vaiado por fazer o “L”. Estão falando em racismo, mas na realidade foi questão política. Distorceram os fatos.😳 — mara amaral (@marasouzamaral) October 16, 2022 Ao pessoal que está dizendo que Seu Jorge apoiou o golpe e que por isso "levou o troco", e os outros que disseram que os gritos de macaco ocorreram por que ele provocou fazendo o L, aprendam de uma vez por todas: NADA justifica racismo. Nada justifica um crime. Apenas parem. — Viaro🚩 (@Prof_Viaro) October 16, 2022
Ator de “Stranger Things” diz ter sofrido racismo dos fãs da série
O ator Caleb McLaughlin, que interpreta Lucas Sinclair de “Stranger Things”, revelou que já sofreu muito preconceito e racismo dos fãs da série. A revelação foi feita durante sua participação na convenção Heroes Comic Con, na Bélgica, no último domingo (25/9). “Definitivamente, isso me afetou quando criança”, disse ele. “Na minha primeira Comic-Con, algumas pessoas não ficaram na minha fila [de autógrafos] porque eu era negro. Algumas pessoas me disseram: ‘Oh, eu não queria estar na sua fila porque você foi malvado com Eleven [Millie Bobby Brown]’” McLaughlin afirmou que esse tipo de sentimento do público se mantém até hoje. “Mesmo agora, algumas pessoas não me seguem ou não me apoiam porque sou negro. Às vezes, no exterior, você sente o racismo, você sente o fanatismo. Às vezes é difícil falar e as pessoas entenderem, mas quando eu era mais jovem, isso definitivamente me afetou muito.” O ator estreou na série quando tinha apenas 14 anos e revelou que, naquela época, não conseguia entender esse sentimento do público. “Por que sou o menos favorito? Por que tenho a menor quantidade de seguidores?”, ele se questionava. “Estou na mesma série que todos desde a 1ª temporada.” “Meus pais tiveram que me dizer: ‘É uma triste verdade, mas é porque você é a criança negra na série’. Porque eu nasci com essa linda pele de chocolate, não sou amado”, acrescentou. “Mas é por isso que, com minha plataforma, quero espalhar positividade e amor, porque não retribuo o ódio às pessoas que me odeiam.” McLaughlin, infelizmente, não está sozinho. Nos últimos anos, preconceito e ataques racistas se tornaram cada vez mais comuns. Recentemente, a atriz Halle Bailey (“Grown-ish”) foi alvo de uma onda de ódio por causa da divulgação do trailer de “A Pequena Sereia”, em que ela interpreta a protagonista Ariel. Também houveram diversos outros casos de racismo explicitados nas últimas semanas pelos ditos “fãs” das séries “House of the Dragon”, “O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder” e “Obi-Wan Kenobi”.
Astro de “Carrossel” sofre ataque racista na internet
O ator Jean Paulo Campos, que ficou conhecido ao interpretar o Cirilo em “Carrossel”, revelou ataques racistas que vem sofrendo na internet. Em seus stories, ele compartilhou um print com um comentário sobre suas fotos com vários emojis de macacos, e lamentou começar o dia assim. O nome e a foto do responsável pelo racismo não foram revelados. “Nem gosto de ficar postando esse tipo de mensagem que recebo aqui na DM, mas acho que às vezes é necessário para abrir o olho da galera aí”, comentou Jean. A atriz Lívia Silva, que estava nas fotos que receberam os emojis racistas, também comentou o ataque. “Jean repostou um momento tão feliz pra gente de fim de um mega trabalho e recebe mensagens como essa. Até quando, hein?”. No domingo passado (26/9), Jean Paulo Campos recordou o sucesso de “Carrossel” ao lado de Larissa Manoela no “Domingão do Huck”. Por coincidência, os intérpretes de Cirilo e Maria Joaquina trocaram o SBT pela Globo recentemente. O próximo trabalho de Jean Paulo Campos é a série teen “Musa Música”, na Globoplay.
Globo de Ouro voltará à TV em janeiro
O canal americano NBC voltará a exibir o Globo de Ouro em janeiro, depois de ter desistido de exibir a cerimônia de premiação em 2022. O anúncio foi feito pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA na sigla em inglês) e pela Dick Clark Productions, empresa que produz o evento. Detalhes sobre as negociações não foram divulgados. Sabe-se apenas que o contrato tem validade de um ano, “o que permite que o HFPA e o DCP explorem novas oportunidades para distribuição doméstica e global em uma variedade de plataformas no futuro”, explica o comunicado oficial. Responsável pela exibição da premiação desde 1996, o canal cancelou a transmissão no ano passado, após a pressão das plataformas Amazon e Netflix, de uma coalizão de 100 agências de talentos, que representam as principais estrelas do cinema e da televisão dos EUA e do Reino Unido, e também de vários estúdios. Todos anunciaram rompimento com a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA na sigla em inglês), entidade que elege os vencedores da premiação, devido à denúncias de racismo e corrupção. As agências chegaram a sugerir especificamente o cancelamento do Globo de Ouro em 2022, diante da falta de pressa da associação para promover as mudanças esperadas pela indústria do entretenimento. Em vez disso, o Globo de Ouro “aconteceu” sem a presença de astros de Hollywood, com o anúncio de vencedores pelas redes sociais. Naquela ocasião, a NBC já havia apontado que poderia transmitir o evento em 2023. Entre as mudanças recentes na organização, a HFPA anunciou recentemente que adicionou 103 novos votantes ao seu quadro de membros, que se somam aos cerca de 80 anteriormente existentes. Um dos fatos que gerou maior repercussão contra a entidade foi uma reportagem-denúncia do jornal Los Angeles Times apontando que nenhum dos 80 integrantes originais da HFPA e eleitores do Globo de Ouro era negro. Para complicar, um ex-presidente da entidade, Philip Berk, escreveu um email para os filiados chamando o movimento “Vidas Negras Importam” (Black Lives Matter) de um “movimento de ódio racista”. Ele foi expulso da associação. Para chegar a seu novo quadro de eleitores, a HFPA explicou que agora contarão como votantes de fora dos EUA e que o grupo de votação é composto de “52% de mulheres, 51,5% racial e etnicamente diverso, com 19,5% latinos, 12% asiáticos, 10% negros e 10% do Oriente Médio”. Trata-se da concretização de mudanças anunciadas há algum tempo. Em agosto, a atual presidente da HFPA, Helen Hoehne, enviou a um grupo de agentes de talentos uma longa lista recapitulando as reformas realizadas pelo HFPA, que incluem um Manual de Ética – após várias denúncias de assédio sofridos por astros de Hollywood – e um Diretor de Diversidade. Mas o mais importante é que o Globo de Ouro deixou de ser iniciativa exclusiva da HFPA. Com a crise, a entidade que organiza o evento foi vendida para a empresa de investimentos Eldridge Industries, que também assumiu a propriedade da Dick Clark Productions, a produtora de longa data da premiação. Por conta disso, o dono da Eldridge Industries, Todd Boehly, atua como CEO interino do HFPA desde outubro de 2021. Entretanto, essa aquisição foi bastante criticada, porque abre a oportunidade de a HFPA deixar de ser uma organização sem fins lucrativos. De todo modo, mesmo essas mudanças talvez não sejam suficientes para reestabelecer a confiança na HFPA, cuja credibilidade foi colocada em cheque após um escândalo de corrupção e racismo em seus quadros vir à tona. Especialmente porque as mudanças não foram unânimes. Cerca de um quarto dos próprios membros da entidade votou contra as propostas e outros questionaram a sinceridade da organização e se demitiram. Ou seja, embora a cerimônia tenha sido marcada, isso não significa necessariamente um retorno à normalidade. A 80ª edição do Globo de Ouro foi marcada para o dia 10 de janeiro de 2023, uma terça-feira. A escolha da data se deve ao fato de o domingo anterior estar ocupado com um jogo de futebol da NFL e o seguinte com a premiação do Critics Choice Awards. A cerimônia terá exibição simultânea nos EUA na rede de TV NBC e no serviço de streaming Peacock.
Viola Davis reforça no Brasil importância do protagonismo negro
A atriz Viola Davis (“O Esquadrão Suicida”) participou de uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro nesta segunda (19/9) para promover seu novo filme, “A Mulher Rei”, no qual ela vive a líder de um exército real de guerreiras africanas do século 19. Ao longo da coletiva, Davis falou sobre temas como racismo e representatividade no cinema. Ela destacou a importância de uma grande produção como “A Mulher Rei”, elogiadíssima pela crítica, ser estrelada por atrizes negras. “É importante para uma mulher preta saber que ela pode liderar um sucesso de bilheteria, sem precisar de um protagonista branco ou um homem”, disse a estrela, introduzindo o tema. “Vemos alguns dos grandes filmes e dos grandes cineastas, e não temos presença de negros”, apontou ela. “E não falo da nossa presença física. Nosso poder, nossa beleza, nossas diferenças não são representadas. Há um sentimento de que somos invisíveis.” “Infelizmente, o racismo ainda nos atinge”, ponderou. “Isso criou um sistema que te trata baseado em quem você é, no seu sexo e cor, e mulheres negras estão sempre no último lugar dessa lista, principalmente quando temos a pele escura. Você pode até ver médicas, advogadas negras em filmes, mas elas não têm nome. Você vê as pessoas na tela, procura nos créditos e não as as encontra. Estou cheia disso. Eu sei quem são esses seres humanos. São nossas mães, nossas tias.” “Sempre que eu vejo uma mulher negra em um filme, eu me pergunto quem ela é. Quando vejo, ela já sumiu. Eu estou cansada disso. Na minha vida, eu sei quem são essas mulheres. Elas são muitas e complicadas. São lindas, divertidas, às vezes não são mães ou tias. Eu queria que as mulheres negras fossem humanizadas como todos os outros. Se fossem erradicar o racismo, esse seria o primeiro passo. Entender que somos todos seres humanos, nós não somos uma metáfora.” Para a atriz, essa é a importância de filmes como “A Mulher Rei”, que devolve às mulheres negras um protagonista que a história lhe roubou. “Ver personagens como as do nosso filme é muito importante. A arte imita a vida, então precisamos ver isso na arte. Não é mais aceitável ver como brancos nos veem. Eu tenho esse valor, me desculpem. Eu tenho o mesmo valor que Meryl Streep, Helen Mirren e Julianne Moore. Não me importa que eu não seja loira ou não use um número de roupa menor. Eu tenho valor e os filmes precisam refletir isso.” Davis, porém, não deseja reduzir a importância das suas colegas atrizes, mas explicitar o sistema que as permite ser grandiosas. “O motivo de elas serem grandes é porque tiveram a oportunidade de mostrar isso. Se a arte imita a vida, é porque nós sentimos que elas mereceram isso. Eu, como mulher negra, acabo sentindo que não mereço. Isso está enfatizado em todo lugar. Eu me lembro de uma pessoa que me disse do nada: ‘Você sabe que não é bonita, né?’. A razão de eles [pessoas brancas] poderem dizer isso e saírem impunes é o motivo de eu e Julius [Tennon, marido de Viola e produtor de ‘A Mulher Rei’] estarmos colocando mulheres negras nas narrativas”, afirmou ela. No filme, Davis interpreta Nanisca, general de uma unidade militar feminina cujas guerreiras eram conhecidas como Agojie, mas também foram chamadas de Amazonas. Durante dois séculos, elas defenderam o Reino de Daomé, uma das nações africanas mais poderosas da era moderna, contra os colonizadores franceses e as tribos vizinhas que tentavam invadir o país, escravizar seu povo e destruir tudo o que representavam. As Amazonas de Daomé são a inspiração das guerreiras Dora Milaje, vistas nos quadrinhos e filmes do “Pantera Negra”. “Eu sempre conheci as amazonas, mas só fui conhecer as Agojie pelo filme”, disse a atriz. “‘Amazonas’ é uma expressão de colonizador. Eu só as conheci em 2018, quando comecei a preparação para o filme. Dê o nome de verdade das amazonas, que são as Agojie. Elas eram mulheres descartadas e que ninguém queria. Recrutadas entre oito e 14 anos. Muitas delas eram decapitadas caso não quisessem se tornar Agojie.” Como curiosidade, Daomé foi o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil, em 1822, enviando representantes diplomáticos à corte imperial de Dom Pedro I. Infelizmente, o reino africano acabou conquistado pelos franceses no começo dos anos 1900, passando meio século como colônia, antes de retomar sua independência e virar a atual República de Benim. Antes da colonização, porém, as Agojie eram a principal frente de defesa do país. “Como atriz, eu sempre me pergunto como buscar um jeito de viver essa a personagem, de sobreviver a isso. Como achar algo bonito nisso”, explicou Davis. “No roteiro escrito por Dana Stevens, elas tinham orgulho de defender o reino, isso lhes dava um propósito. Para mim, foi um meio de contar essa história enquanto artista. Há poucas informações sobre as Agojie, então busquei um jeito de valorizá-las.” Tal valorização faz parte de um esforço da atriz em busca de maior representação da cultura negra no cinema. “Ao assistir ‘A Mulher Rei’, você tem que se sentar para ver mulheres negras, fortes, de cabelo crespo como heroínas durante duas horas e meia. É a chance de nós sermos vistas”, disse ela. O filme tem direção de Gina Prince-Bythewood (“The Old Guard”) e se concentra na relação de Nanisca e uma guerreira ambiciosa, Nawi (Thuso Mbedu, de “The Underground Railroad”), enquanto lutam lado a lado contra as forças coloniais. O elenco ainda destaca Lashana Lynch (“007 – Sem Tempo Para Morrer”), a cantora Angélique Kidjo (“Arranjo de Natal”), Hero Fiennes Tiffin (“After”) e John Boyega (“Star Wars: A Ascensão Skywalker”) como o rei de Daomé. O filme estreou em 1º lugar nos cinemas dos EUA durante o fim de semana e também recebeu avaliações impressionantes – 95% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e a rara nota máxima, A+, do público no CinemaScore. A estreia no Brasil acontece na quinta-feira (22/9). Assista ao trailer abaixo.
Twitter bane usuário que postou vídeo racista de “A Pequena Sereia”
O Twitter baniu permanentemente um usuário que compartilhou um vídeo racista que teria “consertado” a “Pequena Sereia”. O vídeo transformava a atriz Halle Bailey, que interpreta Ariel, numa mulher branca. A alteração foi além da cor de pele, mudando também as feições da atriz, afinando nariz e outros detalhes. Compartilhado no início desta semana pelo usuário Vandalibm, identificado como Jesse Moriarty Erhard, o vídeo causou indignação generalizada no Twitter. Durante a postagem, o usuário banido não assumiu os créditos pela transformação, mas elogiou o trabalho, dizendo que o autor “consertou ‘A Pequena Sereia’ e transformou a atriz lacradora em uma garota ruiva e branca. Ele pode consertar o filme inteiro… em menos de 24 horas”. Vale apontar que a conta do autor do vídeo não foi afetada pelo banimento. O responsável, TenGazillionIQ, que se auto-identifica como Dr. Walid PhD, fez inclusive posts debochando da repercussão, entre seus ataques corriqueiros à comunidade LGBTQIAP+ e posts sobre islamismo. Em sua defesa, Vandalibm disse que repostou o vídeo com propósito educativo, para demonstrar a capacidade de Dr. Walid PhD para trabalhar com computação gráfica e inteligência artificial. Um usuário rebateu: “Extremamente educativo para demonstrar o racismo de vocês”.
Série de Percy Jackson ganha primeiro teaser
A Disney+ divulgou o primeiro teaser legendado da série “Percy Jackson e os Olimpianos”, que destaca o personagem-título vivido por Walker Scobbell (“O Projeto Adam”) chegando ao Acampamento Meio-Sangue. A série acompanha o adolescente Percy Jackson, que descobre ser filho do deus grego Poseidon e é enviado ao Acampamento Meio-Sangue, retiro exclusivo para semideuses, onde vai aprender sobre sua herança e poderes, e conhecer seus novos companheiros de aventura, Annabeth Chase (Leah Sava Jeffries, de “Empire”) e Grover Underwood (Aryan Simhadri, de “Doze é Demais”). Filha da deusa da sabedoria Atena, Annabeth se revela uma caçadora e estrategista que acaba se envolvendo com o recém-chegado, enquanto Grover é um jovem meio-sátiro, meio-humano, que se torna o melhor amigo e protetor de Percy dentro e fora do Acampamento. Autor dos livros, o escritor Rick Riordan é um dos produtores da atração e defendeu a mudança racial da personagem Annabeth, retratada como loira nos livros e interpretada por uma atriz negra na série. O elenco ainda conta com Megan Mullally (“Will & Grace”), Glynn Turman (“A Voz Suprema do Blues”), Jason Mantzoukas (“The Good Place”), Virginia Kull (“NOS4A2”) e Timm Sharp (“Juntos Mas Separados”). A produção está a cargo de Jon Steinberg (“The Old Man”) e a direção é de James Bobin, que já trabalhou várias vezes com a Disney, nos filmes “Os Muppets” (2011), “Muppets 2: Procurados e Amados” (2014), “Alice Através do Espelho” (2016) e na série “A Misteriosa Sociedade Benedict”. A série ainda não tem previsão de estreia.
Elenco de “O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder” se une contra racismo dos “fãs”
O elenco de “O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder” divulgou um comunicado para condenar o racismo que seus colegas não brancos estão sofrendo nas redes sociais. “Nós, o elenco de ‘Os Anéis do Poder’, estamos juntos em absoluta solidariedade e contra o racismo implacável, ameaças, assédio e abuso que alguns de nossos colegas negros estão sendo submetidos diariamente. Recusamo-nos a ignorá-lo ou tolerá-lo”, diz um comunicado em conjunto compartilhado nas redes sociais. A declaração do elenco da série Amazon Prime Video continua: “JRR Tolkien criou um mundo que, por definição, é multicultural. Um mundo em que povos livres de diferentes raças e culturas se unem, em comunhão, para derrotar as forças do mal. ‘Anéis de Poder’ reflete isso. Nosso mundo nunca foi todo branco, a fantasia nunca foi toda branca, a Terra-média não é toda branca. O BIPOC [abreviatura em inglês de negros, indígenas e pessoas de cor] pertence à Terra-Média e está aqui para ficar.” “Finalmente, todo o nosso amor e companheirismo vão para os fãs que nos apoiam, especialmente os fãs de cor que estão sendo atacados simplesmente por existirem neste fandom. Vemos vocês, suas bravuras e criatividades sem fim. Seus cosplays, fancams, fanarts e insights tornam esta comunidade um lugar mais rico e nos lembram do nosso propósito. Vocês são válidos, vocês são amados e vocês pertencem aqui. Vocês são parte integrante da família LOTR [abreviatura em inglês de O Senhor dos Anéis] – obrigado por nos apoiar.” A declaração chega logo depois que os intérpretes dos hobbits originais dos filmes de “O Senhor dos Anéis” se uniram em torno de uma mensagem semelhante. Elijah Wood, Billy Boyd, Dominic Monaghan e Sean Astin mostraram seu apoio com fotos em que aparecem com camisetas e boné ilustrados por orelhas de personagens mágicos de JRR Tolkien de todas as cores. As imagens foram postadas nas redes sociais junto de uma legenda curta e significativa: “Vocês são todos bem vindos”. O mais interessante no novo texto é a forma como explica a história para quem não entendeu o que leu ou viu nas telas: “Um mundo em que povos livres de diferentes raças e culturas se unem, em comunhão, para derrotar as forças do mal”. Ou seja, quem é contra a união das diferentes raças e culturas – a base da história original de “O Senhor dos Anéis” – faz parte das forças do mal. E serão derrotados como na trama clássica. Afinal, a série já bateu recorde de audiência em sua estreia na Prime Video, plataforma da Amazon, mesmo contra a vontade dos racistas, que tentam sabotá-la com bombas de críticas negativas nas plataformas abertas à votação do público. We stand in solidarity with our cast. #YouAreAllWelcomeHere pic.twitter.com/HLIQdyqLmr — The Lord of the Rings on Prime (@LOTRonPrime) September 7, 2022
Hobbits de “O Senhor dos Anéis” apoiam elfos, anões e pés-peludos de todas as cores
Os intérpretes originais dos hobbits da trilogia “O Senhor dos Anéis” uniram-se numa manifestação de apoio à série “O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder” baseada na franquia. Elijah Wood, Dominic Monaghan e Billy Boyd posaram juntos com camisetas iguais, ilustradas com estampas de orelhas de várias criaturas mágicas da obra de JRR Tolkien, todas apresentando cores diferentes, enquanto Sean Astin apareceu numa foto individual com um boné com o mesmo desenho. Publicadas nas redes sociais dos atores, as fotos foram acompanhadas por uma legenda curta e significativa: “Vocês são todos bem vindos”. A mensagem é uma reação contra o racismo de um grupo de geeks estridentes, que chegou a lançar uma campanha para sabotar a nota da série nos sites de avaliação aberta ao público. No Metacritic, a nota do público chegou a 1,9 (de 10) contra 71% de aprovação da crítica, enquanto no Rotten Tomatoes a diferença bateu em 37% de aprovação do público contra 84% da crítica. Sem a preocupação de esconder sua motivação, os inconformados com a série deixam claro como suas peles os comentários carregados de menções pesadas à raça de alguns personagens (negros e latinos) e à decisão de dar protagonismo para uma mulher (Galadriel, interpretada por Morfydd Clark). Os comentários chamam Galadriel de “Karen”, apelido criado por homens de perfil “incel” para mulheres “reclamonas”, e reclamam da inclusão de “todas as minorias” na trama, afirmando que não existiam elfos negros e latinos na obra de Tolkien nem nos filmes que adaptaram “O Senhor dos Anéis”. Para estes, a Terra Média da fantasia é baseada na Europa medieval, onde a população era majoritariamente branca, e a série peca por incluir outras raças na história. A Europa também não tinha dragões, elfos ou orcs, mas isso é detalhe no argumento racista. Além de um elfo negro e latino (Ismael Cruz Cordova), há um hobbit/”pé-peludo” negro (Lenny Henry), uma princesa negra (Sophia Nomvete) e uma rainha negra (Cynthia Addai-Robinson), entre outros personagens não brancos na produção bilionária da Amazon. Além da foto, os hobbits originais estão apoiando uma loja online onde os fãs podem comprar suas próprias camisetas com o design de suas camisetas., além de moletons e mais peças de vestuário com o mesmo grafismo, com 50% de todos os rendimentos revertidos para uma instituição de caridade que apoia “pessoas de cor”. “Os Anéis do Poder” estreou logo após “A Casa do Dragão” também sofrer críticas por destacar atores negros, e a atriz Moses Ingram ser alvo de ódio por sua participação na série “Obi-Wan Kenobi”. O que esses ataques demonstram é que o racismo virou um problema grave na comunidade geek, que não pode mais ser ignorado nem tolerado. You Are All Welcome Here @LOTRonPrime @DonMarshall72 #RingsOfPower https://t.co/8txOhlHa2f pic.twitter.com/nWytILT0zG — Elijah Wood (@elijahwood) September 7, 2022 You are all welcome here.#RingsOfPower @LOTRonPrime #MiddleEarth #Samwise @ElijahWood @BillyBoydActor @DomsWildThings @DonMarshall72 https://t.co/w2tdZ4nFwN pic.twitter.com/f4RsBKE9an — Sean Astin (@SeanAstin) September 7, 2022












