Depois de atacar o filme, Bolsonaro diz que nunca viu Bruna Surfistinha
Um dia depois de atacar o filme “Bruna Surfistinha” para criticar o modelo de financiamento público no cinema brasileiro, e receber respostas do diretor Marcos Baldini e da atriz Deborah Secco, o presidente Jair Bolsonaro disse que nunca viu o longa. A nova afirmação foi feita após evento numa igreja evangélica em Brasília, na sexta (19/7), ao ser questionado se tinha assistido ao filme para criticá-lo. “Eu não, pô! Vou perder tempo com ‘Bruna Surfistinha’? Tenho 64 anos de idade”, respondeu Bolsonaro, de forma ríspida. No mesmo fôlego, Bolsonaro voltou a dizer que vai proibir a Ancine (Agência Nacional do Cinema) de dar “dinheiro público” para “filme pornográfico”. Já estaria decidido, segundo ele. “O que está decidido? Dinheiro público não vai ser usado em filme pornográfico. E ponto final. Acho que ninguém pode concordar com isso. Primeiro, a Ancine, a sede eu acho que é no Leblon. Virão para Brasília. Aquelas noites badaladas, muita festa, vão fazer em Brasília agora essa festa. Estamos estudando a possibilidade, tem que ser lei, voltar a ser agência ou quem sabe extingui-la. Deixa para a iniciativa privada fazer filme. Já viram os títulos dos filmes do nosso Brasil que estão no mercado? Pelo amor de Deus!”, reclamou Bolsonaro. Os títulos dos filmes do nosso Brasil que estão no mercado desde que Bolsonaro virou presidente são, descontando documentários: “Temporada”, “Boi de Lágrimas”, “Eu Sou Mais Eu”, “O Galã”, “Tito e os Pássaros”, “A Pedra da Serpente”, “Minha Fama de Mau”, “Homem Livre”, “Sai de Baixo – O Filme”, “Cinderela Pop”, “Tá Rindo de Quê?”, “Diários de Classe”, “O Último Trago”, “Albatroz”, “Mal Nosso”, “Sobre Rodas”, “Alaska”, “Chorar de Rir”, “Cine Holliúdy 2 – A Chibata Sideral”, “Jorginho Guinle – $ó se Vive uma Vez”, “Bio – Construindo uma Vida”, “De Pernas pro Ar 3”, “Horácio”, “Organismo”, “Borrasca”, “A Sombra do Pai”, “B.O.”, “Mormaço”, “A Quarta Parede”, “45 Dias sem Você”, “Kardec”, “Inferninho”, “Histórias Estranhas”, “Dias Vazios”, “Beatriz”, “Deslembro”, “Blitz”, “Divino Amor”, “O Olho e a Faca” e “Turma da Mônica – Laços”. Considerando que Bolsonaro achou “Bruna Surfistinha” ruim sem ver, seria possível ele ter lamentado os títulos dos filmes sem saber de nenhum deles?
Diretor de Bruna Surfistinha diz que filme gerou emprego e pagou milhões em impostos
O cineasta Marcus Baldini, que dirigiu “Bruna Surfistinha” (2011), resolveu se pronunciar nesta sexta-feira (19/9) a respeito dos comentários pejorativos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro contra seu trabalho. Na quinta, Bolsonaro disse não poder “admitir que com dinheiro público se façam filmes como ‘Bruna Surfistinha'”. Por meio de nota oficial, Baldini ressaltou que o longa é “um projeto importante tanto pela questão artística quanto pela econômica”. “’Bruna Surfistinha’ é um filme com olhar humano sobre um assunto relevante e presente na vida das pessoas. Seu impacto poderia até ser medido por números: mais de 2 milhões de pessoas assistiram ao filme somente nos cinemas. Mais outros milhões, na TV. Um filme que empregou 500 pessoas diretamente, pagou milhões em impostos, gerou receita para o governo e foi premiado na Academia Brasileira de Cinema”, afirmou Baldini. De acordo com ele, “o filme ajudou a fortalecer a indústria audiovisual e foi recompensado com o interesse do público, que assim se aproxima do cinema brasileiro”. “’Bruna Surfistinha’ é um filme do qual me orgulho. A diversidade é uma das belezas da humanidade e a cultura, sua expressão. O cinema não pode se reduzir a uma ou outra visão de mundo, pois isso nos limita como gente, como povo.” Além do diretor, a atriz Deborah Secco, intérprete da Bruna Surfistinha no cinema, também se pronunciou por meio de sua assessoria de imprensa, dizendo-se “triste e chocada” diante da declaração do presidente. “Fiquei muito triste e um pouco chocada de o filme ter sido colocado nesse lugar”, afirmou a atriz, para quem “a arte tem que ser ampla, abrangente”. “A gente precisa poder falar sobre tudo, para que, através da arte, consiga debater sobre tudo”, apontou, refletindo uma visão pluralista e democrática. Depois de atacar “Bruna Surfistinha”, Bolsonaro afirmou que pretende criar “filtros” (eufemismo para censura) para projetos de cinema “em respeito às famílias”. Ou então extinguir simplesmente a Ancine, que, entre outras atividades, encaminha o financiamento da maioria dos projetos cinematográficos do país. Na prática, significa mandar às vazes uma indústria inteira, sem se importar com o impacto econômico da medida.
Deborah Secco se diz “triste e chocada” com ataque de Bolsonaro a Bruna Surfistinha
A atriz Deborah Secco se disse “triste e chocada” diante da declaração de quinta-feira (18/7) do presidente Jair Bolsonaro, que disse não poder “admitir que com dinheiro público se façam filmes como ‘Bruna Surfistinha'”. Ela viveu o papel-título do filme de 2001 e defendeu a produção, por meio de sua assessoria de imprensa. “Fiquei muito triste e um pouco chocada de o filme ter sido colocado nesse lugar”, afirmou a atriz. “Temos de falar sobre tudo para que, através da arte, possamos debater sobre a realidade. Não podemos nos calar vendo tudo isso.” “A história [de ‘Bruna Surfistinha’] retrata uma história real, não só da Bruna, mas de outras mulheres que se encontram nessa situação. Queria muito que nenhuma mulher tivesse de se vender para sobreviver, mas essa não é a realidade do nosso país”, acrescentou a atriz. “Não adianta esconder o que existe. Tenho muito orgulho desse filme, que me trouxe uma nova visão sobre esse assunto [prostituição]. Espero que o mesmo tenha acontecido com outras pessoas que o viram.” Os argumentos da atriz contrastam com o discurso de Bolsonaro, que pretende criar “filtros” (eufemismo para censura) para projetos de cinema “em respeito às famílias”. Para Deborah, cancelar os repasses públicos para produções como “Bruna Surfistinha” seria uma afronta ao papel da arte, que deve tratar dos mais variados temas de uma sociedade. “A arte tem que ser ampla, abrangente, a gente precisa poder falar sobre tudo, para que, através da arte, consiga debater sobre tudo”, afirmou a estrela. “Bruna Surfistinha” foi um dos filmes mais premiados do Brasil em 2012, incluindo troféus do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro para seu roteiro e para as atrizes Deborah Secco e Drica Moraes, o troféu do SESC como melhor filme do ano em votação do público e o prêmio Contigo de Cinema. Também foi um sucesso de grande aprovação popular. O lançamento arrecadou mais de R$ 4 milhões em seu fim de semana de estreia, ficando atrás somente do desenho “Enrolados”, da Disney. Ao todo, o longa gerou renda de R$ 20 milhões e ainda deu origem à série “Me Chama de Bruna”, do canal pago Fox, que se encaminha para a 4ª temporada.
Bolsonaro afirma que irá censurar ou extinguir a Ancine
O presidente Jair Bolsonaro confirmou que pode fechar a Ancine (Agência Nacional do Cinema), após transferir o Conselho Superior de Cinema da Secretaria da Cultura para o Ministério Civil. Bolsonaro assumiu-se insatisfeito com a atual política de fomento ao cinema e pretende fazer alterações profundas. Além da transferência do órgão colegiado para Brasília, para ter mais influência sobre ele, o presidente mencionou a criação de “filtros” para aprovação de projetos, durante uma solenidade sobre o Dia Nacional do Futebol, no Ministério da Cidadania, em Brasília. “Pretendemos, sim, mexer, [para a Ancine] deixar de ser uma agência e passar a ser uma secretaria subordinada a nós”, disse o presidente, adiantando que sujeitará a pasta a filtro ideológico (eufemismo para censura). “Vai ter filtro, sim, já que é um órgão federal. Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos. Não pode é dinheiro público ficar usado para filme pornográfico”, afirmou. No dia anterior, ele tinha feito uma referência ao filme “Bruna Surfistinha” em termos parecidos. “Eu não posso admitir que com o dinheiro público se faça um filme como ‘Bruna Surfistinha’. Não temos problema com essa opção ou aquela. O ativismo que não podemos permitir, em respeito com as famílias”, disse. Apesar da citação a “Bruna Surfistinha”, filme premiado e de grande popularidade no país, o problema de Bolsonaro seria com outra produção, segundo apurou a colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo. A encrenca é a mesma que levou à demissão de um diretor de marketing do Banco do Brasil após publicidade com transexual. A insatisfação de Bolsonaro viria de projetos aprovados pela Ancine que ele entende como absurdos, como o reality “Born to Fashion”, cuja premissa é revelar modelos trans. O presidente confunde projetos LGBTQIA+ com pornografia. É o que se pode perceber pelo discurso público que proferiu na quinta-feira, ao dizer que não sabia o que era “não-binário”, foi pesquisar, mas não ia comentar “em respeito aos presentes”. Nesta sexta, Bolsonaro destacou, novamente, que não vai permitir financiamento estatal de “pornografia”. “Não pode dinheiro público ser usado para filmes pornográficos, só isso. Culturais, pô. Temos tantos heróis no Brasil. E a gente não fala dos heróis no Brasil, não toca no assunto. Temos que perpetuar, fazer valer, dar valor a essas pessoas que no passado deram sua vida, se empenharam para que o Brasil fosse independente lá atrás, fosse democrático e sonhasse com um futuro que pertence a todos nós”. A discussão é igual à travada há 30 anos nos Estados Unidos, quando uma mostra do fotógrafo Robert Mappelthorpe foi cancelada ao ser considerada pornográfica e acontecer numa instituição que recebia financiamento público. Na ocasião, discutiu-se até que ponto a liberdade de expressão, garantida pela constituição americana, poderia ser censurada pelo governo com a desculpa de impedir verbas federais de financiar “pornografia”. Exatamente a mesma polêmica levantada por Bolsonaro. A maior diferença entre os dois momentos é que o presidente dos Estados Unidos se manteve neutro nesta discussão, levada adiante pelo Congresso, com direito a argumentações dos dois lados. Um projeto com “filtros” para incentivos federais chegou a ser criado, mas artistas entraram com processos milionários e venceram, derrubando as restrições. Outro detalhe é que, em comemoração aos 30 anos da censura, a mesma exposição considerada “pornográfica” foi finalmente realizada no local que aceitou a pressão pelo cancelamento original, desta vez sem nenhum protesto. Isto é, sem protesto contra, já que o evento foi um ato político contra a censura, inaugurado poucos dias antes do presidente do Brasil optar por “filtrar” os projetos culturais que podem ser feitos neste país. O contraste entre as posições diz muito sobre a diferença (atraso de 30 anos) entre o que Brasil e Estados Unidos entendem como produção cultural de uma sociedade democrática. Por impulso (isto é, sem estudar o impacto das medidas), Bolsonaro já extinguiu o Ministério da Cultura, proibiu que as estatais patrocinem eventos culturais, colocando em risco os festivais de cinema e outros eventos do país, e impôs limites mais restritos aos tetos de projetos que podem ser aprovados via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet). Se extinguir a Ancine, será o apocalipse do cinema brasileiro. Ato que tende a agravar (mais) a crise econômica do país. Mas se Bolsonaro se importasse com isso, teria usado sua caneta Bic para tirar o setor da paralisação imposta por seu governo. Desde janeiro, aguarda-se a publicação do decreto da Cota de Tela, que estipula um determinado número de dias obrigatórios para que os cinemas exibam filmes brasileiros. O ministro Osmar Terra assinou o decreto há dois meses, mas sua publicação no Diário Oficial da União depende da assinatura presidencial. Da mesma forma, o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), que decide como alocar os recursos arrecadados, aguarda a escolha de novos nomes. E até uma das quatro cadeiras da diretoria da Ancine está vaga. Bolsonaro resolveu não resolver nada disso. Ao contrário, ameaça paralisar de vez o setor, ponderando extinguir a agência criada para ampliar a produção do cinema nacional ou jogar “filtros” nas regras criadas para não favorecer ninguém – como, por exemplo, um filho de presidente – , em franca atitude de intervenção no mercado. É bom lembrar que as regras de fomento garantem a competitividade natural do mercado ao incluírem a proibição de barreiras temáticas ou julgamento de conteúdos. Em 201 dias de governo, Bolsonaro ainda não propôs nenhuma medida de incentivo à economia e combate ao desemprego, mas tirou “dinheiro público” de verdade da Educação e outras pastas, paralisou várias atividades do governo e colocou em risco o financiamento bilionário de parceiros estrangeiros contra o desmatamento da Amazônia. Só não é o pior começo de governo desde a redemocratização por causa do Plano Collor.
Ted Danson vai estrelar nova série de comédia de Tina Fey
O ator Ted Danson já definiu seu próximo projeto após o final de The Good Place, previsto para a próxima temporada. A NBC encomendou uma nova comédia escrita e produzida por Tina Fey, que contará com o ator como protagonista. Assim, Danson se mantém na NBC. E Tina Fey volta. Ela criou (com Robert Carlock) e estrelou “30 Rock”, que foi sucesso premiado da rede americana entre 2006 e 2013. Exibida no canal pago Sony no Brasil, acabou virando “Um Maluco na TV” quando chegou na TV aberta. A nova série de 13 episódios acompanhará um homem de negócios rico com ambições de se tornar prefeito de Los Angeles, mas pelos motivos errados. Quando finalmente consegue o cargo, ele precisa ganhar o respeito da sua equipe, entender quais são seus objetivos e ainda se aproximar da sua filha adolescente. “Estamos felizes em voltar para casa na NBC, escrevendo para uma das grandes estrelas de todos os tempos, o marido da Mary Steenburgen, Ted”, disseram em nota Fey e Robert Carlock, que também é produtor da série. E isto é tudo, já que ainda não foi revelado o título da produção, nem sua previsão de estreia.
Bolsonaro: “Não posso admitir que se faça um filme como Bruna Surfistinha”
No discurso do evento que marcou os 200 dias de seu governo, Jair Bolsonaro disse que o dinheiro público não será mais usado para bancar filmes que, segundo ele, contrariam o “respeito com as famílias”. “Com o Osmar Terra [ministro da Cidadania] fomos a um canto e nos acertamos. Eu não posso admitir que com o dinheiro público se faça um filme como ‘Bruna Surfistinha’. Não temos problema com essa opção ou aquela. O ativismo que não podemos permitir, em respeito com as famílias”, disse. “Bruna Surfistinha” foi um dos filmes mais premiados do Brasil em 2012, incluindo troféus do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro para seu roteiro e para as atrizes Deborah Secco e Drica Moraes, o troféu do SESC como melhor filme do ano em votação do público e o prêmio Contigo de Cinema. Também foi um sucesso de grande aprovação popular. O lançamento arrecadou mais de R$ 4 milhões em seu fim de semana de estreia, ficando atrás somente do desenho “Enrolados”, da Disney. O longa também não promove qualquer ativismo. E teve sua exibição classificada pelo Ministério da Justiça para 16 anos. Além de discursar, Bolsonaro assinou um decreto transferindo o Conselho Superior de Cinema da Secretaria da Cultura, que estava na pasta de Osmar Terra, para a Casa Civil no Palácio do Planalto. Insatisfeito com a atual política de fomento ao cinema, o presidente pretende fazer alterações na estrutura. Além da transferência do órgão colegiado para o Palácio do Planalto, em uma tentativa de ter mais influência sobre ele, Bolsonaro ainda avalia extinguir a Ancine (Agência Nacional do Cinema), atualmente em crise. Segundo informações da colunista da Folha de S. Paulo Mônica Bergamo, o motivo não é exatamente “Bruna Surfistinha”, mas o mesmo que levou à demissão de um diretor de marketing do Banco do Brasil após publicidade com transexual. A insatisfação do Bolsonaro viria de relatos de projetos aprovados pela Ancine que o presidente entende como absurdos, como o reality “Born to Fashion”, cuja premissa é revelar modelos trans. No evento, o presidente mirou explicitamente os transgêneros, ao falar de sua ordem de suspender vestibular que reservava 120 vagas para transexuais e pessoas não-binárias, o que, para ele, é algo que não pode acontecer. Bolsonaro disse que por ser um vestibular “exclusivo” significa que “não tem espaço para quem for heterossexual”. Bolsonaro também disse que não sabia o que era “não-binário”, foi pesquisar, mas não ia comentar em respeito aos presentes. A categoria de pessoas que não se definem exclusivamente como homem ou mulher é contemplada em glossário da Organização das Nações Unidas (ONU). A Ancine, por sua vez, é uma agência reguladora com a função de fomentar e fiscalizar as produções cinematográfica e videofonográfica no Brasil. A maioria dos filmes feitos no Brasil recebe verbas do órgão, via Fundo Setorial do Audiovisual, que destina para os produtores verbas de taxas federais pagas por empresas do setor, como o Condecine e o Fistel. Este dinheiro não é pago pelo cidadão brasileiro, mas por empresas que lucram com cinema e TV no Brasil. Bolsonaro já proibiu que as estatais patrocinem eventos culturais, colocando em risco os festivais de cinema do país, e impôs limites impraticáveis para produções cinematográficas nos projetos que podem ser aprovados via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet). Tudo isso contribui para a crise econômica do país. Nenhuma medida de incentivo à economia e combate ao desemprego foi anunciada no evento dos 200 dias do governo.
Bolsonaro muda Conselho Superior de Cinema e pode extinguir a Ancine
O presidente Jair Bolsonaro transferiu o Conselho Superior do Cinema, responsável pela formulação da política nacional de audiovisual, do Ministério da Cidadania para a Casa Civil. A mudança faz parte de decreto assinado nesta quinta-feira (18/7), em cerimônia comemorativa dos 200 dias do atual governo. Segundo informações da colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo, o presidente estaria insatisfeito com a atual política de fomento ao cinema e pretende fazer alterações na estrutura. Além da transferência do órgão colegiado para o Palácio do Planalto, em uma tentativa de ter mais influência sobre ele, Bolsonaro avalia extinguir a Ancine (Agência Nacional do Cinema), atualmente em crise. Ainda de acordo com a colunista, o motivo é o mesmo que levou à demissão de um diretor de marketing do Banco do Brasil após publicidade com transexual. A insatisfação do Bolsonaro viria de relatos de projetos aprovados pela Ancine que o presidente entende como absurdos, como o reality “Born to Fashion”, cuja premissa é revelar modelos trans. Ele também estaria preocupado com a disputa de cargos dentro da área da cultura. Criada em 2001, a Ancine é uma agência reguladora com a função de fomentar e fiscalizar as produções cinematográfica e videofonográfica no Brasil. A maioria dos filmes feitos no Brasil recebe verbas do órgão, via Fundo Setorial do Audiovisual, que destina para os produtores verbas de taxas federais pagas por empresas do setor, como o Condecine e o Fistel. Este dinheiro não é pago pelo cidadão brasileiro, mas por empresas que lucram com cinema e TV no Brasil. Bolsonaro já proibiu que as estatais patrocinem eventos culturais, colocando em risco os festivais de cinema do país, e impôs limites impraticáveis para produções cinematográficas nos projetos que podem ser aprovados via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet). Caso a Ancine seja extinta, pode ser o apocalipse do cinema nacional.
O Doutrinador: Série do super-herói nacional estreia em setembro no canal Space
O canal pago Space divulgou a data de estreia da série do super-herói nacional “O Doutrinador”, estrelada por Kiko Pissolato (“Os Dez Mandamentos”). Adaptação de quadrinhos já levada ao cinema, a série mostra um vigilante que combate a corrupção no Brasil. Em comunicado, a Turner, dona do Space, define a produção como uma “série de ficção/ação com três eixos principais de dramaturgia: o thriller político, a ação investigativa e o drama pessoal das personagens”. A atração vai estrear no dia 1º de setembro, um domingo, às 21h, quase um ano após a exibição do filme homônimo. Enquanto o longa foi lançado no clima das eleições do ano passado, a série chegará à TV após as reportagens da chamada “Vaja Jato”, que consiste na publicação de mensagens privadas dos promotores da Lava Jato com o objetivo de questionar o combate à corrupção e a figura do juiz Sergio Moro. Assim, mantém-se extremamente atual, como reflexo do zeitgeist (o espírito desses tempos que vivemos). A ligação do personagem com a repercussão de fatos reais tem sido uma constante em sua trajetória. Originalmente, o Doutrinador foi concebido em 2008 pelo artista Luciano Costa, que deixou os quadrinhos na gaveta até 2013, quando resolveu publicar as primeiras páginas em seu Facebook. Três meses depois, explodiram as manifestações de protesto no país e o Doutrinador virou cult, ao encarnar, ainda que de forma extrema, a indignação com o panorama político e a revolta contra “tudo o que está aí”. Luciano Costa assumiu ter se inspirado nos quadrinhos do Batman de Frank Miller. Mas o personagem está mais para o Zorro, o mascarado perseguido pela justiça por enfrentar os governantes corruptos do pueblo de Los Angeles. No Brasil polarizado do século 21, acabou dividindo opiniões. Há quem o considere fascista e outros que o enxerguem como manifestação da anarquia. Agente da polícia federal, o protagonista virou justiceiro por não aguentar mais tanta impunidade. Revoltado com o sistema e com sede de vingança por uma tragédia pessoal, ele não mede esforços para eliminar políticos, donos de empreiteiras, dirigentes do futebol e até líderes religiosos, matando corruptos de todos os matizes. Apesar disso, o filme dirigido por Gustavo Bonafé (de “Legalize Já!”, cinebiografia da banda Planet Hemp) foi lançado sem causar a repercussão esperada em novembro passado. A versão televisiva terá 7 episódios de 45 minutos cada.
Vazamento de diálogos privados de Sergio Moro vai virar filme
O depoimento de Glenn Greenwald no Senado Federal, que aconteceu na quinta-feira (11/7), foi acompanhado por cinegrafistas estrangeiros com equipamentos cinematográficos, que registraram imagens da audiência pública. Uma produtora confirmou à imprensa brasileira que estava trabalhando em uma produção independente iniciada havia pouco tempo. Ao fim da reunião, o próprio Glenn confirmou a informação ao blog Entre Quatro Poderes. “Sim. Estamos trabalhando nisso. Por enquanto, estamos só registrando algumas imagens e depois veremos como aproveitá-las.” O longa seguiria o modelo de “Democracia em Vertigem”, documentário impressionista de Petra Costa, que reflete a narrativa petista da história recente do Brasil. Por sinal, Greenwald foi um dos nomes que a diretora agradeceu nos créditos de seu documentário. A nova obra seria focada na divulgação dos diálogos privados entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol, capturados do aplicativo Telegram, e faria uma crítica à Operação Lava Jato. Será a segunda vez que uma reportagem de Greenwald vira filme. Seu trabalho na divulgação do programa secreto americano de vigilância da internet virou “Cidadãoquatro” (2014), vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2015. Na ocasião, o vazamento de informações tinha nome e sobrenome: Edward Snowden, ex-agente da NSA que denunciou e entregou material sigiloso para as reportagens. Desta vez, porém, a fonte de Greenwald é misteriosa e apenas se especula sua verdadeira motivação. Neste sentido, o filme poderia revelar muito, caso não se configure em material partidário. O tema parece sob medida para a cineasta americana Laura Poitras, diretora de “Cidadãoquatro” e também de “Risk” (2016), que igualmente aborda vazamentos de informações sigilosas, via WikiLeaks.
Acusador de Kevin Spacey se recusa a testemunhar em audiência criminal
Depois de abandonar o processo civil, o rapaz que acusou o ator Kevin Spacey (“House of Cards”) de assédio em 2016, num restaurante de Nantucket (EUA), se recusou a prestar testemunho durante audiência criminal do caso na tarde desta segunda-feira (8/7). As informações são do site do Daily Beast. William Little, que na ocasião do suposto assédio tinha 18 anos e trabalhava como garçom em um restaurante da ilha popular entre a alta sociedade durante o verão, invocou o seu direito a não testemunhar baseado na quinta emenda da constituição norte-americana. A lei diz que nenhum indivíduo pode ser obrigado a responder perguntas, em um processo judicial, que incriminem a ele mesmo. A audiência de hoje servia para determinar se o acusador havia omitido evidências de seu celular que contribuiriam para a defesa de Spacey, como mensagens de texto e vídeos enviados durante o encontro com o ator em 2016. O jovem se recusou a responder às perguntas sobre o tema. Para completar, em seu depoimento, a mãe do acusador confirmou ter apagado mensagens do telefone do jovem, afirmando que elas “não eram relevantes ao caso”. E o pai disse que o telefone tinha imagens de natureza sexual do filho com Spacey. O celular, que teria um vídeo do momento do assédio, sumiu misteriosamente nos últimos meses. Little afirmou que não viu o celular novamente após entregá-lo à polícia para revisão, em dezembro de 2017. O advogado de Spacey, Alan Jackson, reagiu à decisão do acusador de não responder perguntas sobre as evidências do telefone pedindo que o caso fosse descartado. “O acusador é a única testemunha que pode falar sobre os detalhes e circunstâncias da noite em questão”, argumentou. O juiz Thomas Barrett negou o pedido do advogado, mas frisou: “Eu não sei o que vai acontecer. Não sei se este caso vai continuar ou entrar em colapso”. Por enquanto, Spacey segue com julgamento previsto para os meses finais do ano. O caso que está sendo processado em Nantucket é o único contra Spacey a chegar aos tribunais, mas era o que conquistou maior evidência, já que a mãe do acusador é uma famosa âncora de telejornal de Boston. Spacey, que completa 60 anos neste mês, foi acusado formalmente em janeiro de abuso sexual do então adolescente. Ele se declarou inocente. O caso foi a pá de cal na carreira de ator, vencedor de dois Oscars, culminando diversas acusações de assédio sexual no Reino Unido e nos EUA, inclusive no set da série “House of Cards”, que surgiram após a denúncia inicial do ator Anthony Rapp (“Star Trek: Discovery”) em 2017, no embalo do movimento #MeToo. Com a repercussão negativa, a Netflix demitiu o ator da 6ª temporada de “House of Cards” e divulgou que não trabalharia mais com ele. Spacey também teve sua atuação apagada de “Todo o Dinheiro do Mundo” com o filme já finalizado, sendo substituído em refilmagens por outro ator – Christopher Plummer, que acabou indicado ao Oscar. Além do caso do jovem de Nantucket, o ator ainda sendo sendo processado por um massagista em Los Angeles e investigado pela Scotland Yard no Reino Unido. Várias outras denúncias apuradas pela promotoria de Los Angeles teriam prescrito e foram arquivadas.
José de Abreu é condenado por difamação em ação do hospital Albert Einstein
O ator José de Abreu foi condenado a pagar R$ 20 mil por danos morais ao hospital Albert Einstein. Em janeiro, ele fez uma postagem no Twitter acusando a instituição de ter apoiado o atentado contra o então candidato e hoje presidente Jair Bolsonaro. “Teremos um governo repressor, cuja eleição foi decidida numa facada elaborada pelo Mossad, com apoio do hospital Albert Einstein, comprovada pela vinda do PM israelense, o fascista matador e corruptor Bibi [Netanyahu, primeiro-ministro de Israel]”, escreveu o ator. “A união entre a igreja evangélica e o governo israelense vai dar m*”, finalizou. O tuíte foi postado no dia da posse de Bolsonaro como presidente e apagado minutos depois. Na ocasião, o hospital soltou uma nota afirmando que a acusação era “grave, insultuosa e infundada”. E dizia ainda que ia tomar medidas judiciais contra o ator para “zelar por seu compromisso com a sociedade brasileira”. No processo, o ator foi acusado de difamação, ofensa e antissemitismo e, segundo informações do UOL, chamado de “alguém carente de discernimento, um deficiente mental, para usar a terminologia da lei civil”. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, Abreu prometeu recorrer da sentença “até o Supremo Tribunal Federal”, em nome da liberdade de expressão. “A ideia da sentença é provocar uma auto-censura? Onde fica e quem decide o limite da minha liberdade?”, disse. Ele afirma que é judeu e não pode ser acusado de antissemitismo. Diz também que sua mensagem ficou no ar por um curto espaço de tempo. “Provamos que o escândalo que os advogados do hospital fizeram deram muito mais audiência que o meu post, que logo apaguei”, afirma.
Acusador desiste de processar Kevin Spacey por abuso sexual
O jovem que acusou o ator Kevin Spacey (“Em Ritmo de Fuga”) de abuso sexual abandonou o processo civil contra o ator. Este “abandono voluntário” foi registrado no tribunal da ilha de Nantucket, Massachusetts, onde o suposto abuso teria ocorrido em 2016. A decisão de abandonar processo não foi explicada. O advogado Mitchell Garabedian disse apenas, nesta sexta-feira (5/7), que seu cliente apresentou documentos para retirar voluntariamente a ação em que acusava Spacey de “comportamento sexual explícito e conduta impudica e lasciva”. A ação civil foi descartada de forma tal que não poderá ser retomada mais tarde. O caso continua sendo julgado criminalmente, mas o fato deve ter impacto na sentença. Por sinal, uma nova audiência penal com Spacey está marcada para segunda-feira (8/7). Parte da acusação se baseia em imagens gravadas com o celular da suposta vítima, William Little, que na ocasião do suposto assédio tinha 18 anos e trabalhava como garçom em um restaurante da ilha, muito popular entre a alta sociedade durante o verão. As imagens mostrariam Spacey colocando a mão dentro da calça. O aparelho de celular com a gravação, ao qual a defesa pede para ter acesso, está desaparecido. Little afirma que não viu o celular novamente após entregá-lo à polícia para revisão, em dezembro de 2017. A polícia garante, por sua vez, ter devolvido ao pai de Little, que diz não se lembrar disso. Se o dispositivo não for entregue antes da audiência de segunda-feira, o juiz alertou que convocará Little para depor sobre o sumiço. Spacey, que completa 60 anos neste mês, foi acusado formalmente em janeiro de abuso sexual do então adolescente. Ele se declarou inocente. Se for considerado culpado, pode ser condenado a até cinco anos de prisão. O caso enterrou a carreira do ator vencedor de dois Oscars, culminando diversas acusações de assédio sexual no Reino Unido e nos EUA, inclusive no set da série “House of Cards”, que surgiram após a denúncia inicial do ator Anthony Rapp (“Star Trek: Discovery”) em 2017, no embalo do movimento #MeToo. Com a repercussão negativa, a Netflix demitiu o ator da 6ª temporada de “House of Cards” e divulgou que não trabalharia mais com ele. Spacey também teve sua atuação apagada de “Todo o Dinheiro do Mundo” com o filme já finalizado, sendo substituído em refilmagens por outro ator – Christopher Plummer, que acabou indicado ao Oscar. Além do caso do jovem de Nantucket, que é filho de uma âncora de telejornal de Boston, o ator ainda sendo sendo processado por um massagista em Los Angeles e investigado pela Scotland Yard no Reino Unido. Várias outras denúncias apuradas pela promotoria de Los Angeles teriam prescrito e foram arquivadas.
Anima Mundi atinge meta de financiamento coletivo e terá 27ª edição
O Festival Anima Mundi conseguiu viabilizar sua 27ª edição com financiamento coletivo. O evento atingiu a meta de sua campanha no site Benfeitoria, superando os R$ 400 mil que necessitava para continuar, informaram os organizadores pelas redes sociais. Um dos eventos de animação mais prestigiados do planeta, o Anima Mundi qualifica seus vencedores a disputar o Oscar da categoria. Mas, como vários outros eventos culturais importantes, perdeu o apoio da Petrobras após a eleição de Bolsonaro. O presidente acredita que “o Estado tem maiores prioridades”. O patrocínio da Petrobras, retirado de todos os eventos culturais por decisão presidencial, respondia por 30% do orçamento total do Anima Mundi. Para tentar salvar o festival, os organizadores apelaram para o financiamento coletivo. E o público correspondeu. Ainda assim, a 27ª edição será uma das mais enxutas do evento. Antes de Bolsonaro, o orçamento médio do Anima Mundi era de R$ 3 milhões – por sinal, acima do teto de US$ 1 milhão estabelecido pelo governo para a nova Lei de Incentivo Cultural. Mas os organizadores redimensionaram o projeto para transformá-lo numa mostra de filmes, acompanhada por debates e encontros entre profissionais e público, orçada em R$ 800 mil. Mesmo assim, a expectativa real era de captar metade desse valor com o financiamento coletivo, para viabilizar ao menos as mostras. Foi o que aconteceu. Com todos os perrengues, o festival pretende exibir 303 filmes, com produções de mais de 40 países, entre os dias 17 e 21 de julho no Rio de Janeiro, e de 24 a 28 de julho em São Paulo. Ver essa foto no Instagram #VaiTerAnimaMundi #AnimaMundi2019 Uma publicação compartilhada por Anima Mundi (@animamundioficial) em 28 de Jun, 2019 às 8:31 PDT Ver essa foto no Instagram #VaiTerAnimaMundi Uma publicação compartilhada por Anima Mundi (@animamundioficial) em 28 de Jun, 2019 às 10:49 PDT






