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    Secretário especial de Cultura pede para sair do governo após paralisação do setor audiovisual

    21 de agosto de 2019 /

    Henrique Pires, secretário especial de Cultura, pediu para deixar o governo. A informação foi antecipada pelo site GaúchaZH e confirmada ao jornal O Globo por fontes do Ministério da Cidadania, pasta a que a secretaria é subordinada desde a extinção do Ministério da Cultura, no início de 2019. O motivo do pedido de renúncia é que Pires não concordaria, entre outras medidas, com a suspensão de edital para a TV pública com linha dedicada a produções sobre diversidade de gênero. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (21/8) no Diário Oficial em uma portaria assinada pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, após o presidente Jair Bolsonaro atacar a aprovação de séries de temática LGBTQIA+ e prometer impedir que fossem produzidas. Com a repercussão do caso, o Ministério da Cidadania divulgou nota dizendo que o demissionário Pires foi, na verdade, demitido. Segundo a nota, ele teve o “cargo pedido pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, na noite de terça-feira (20/8), por entender que ele não estava desempenhando as políticas propostas pela pasta”. Para completar, “o ministro se diz surpreso com o fato de que o ex-secretário, até ser comunicado da sua demissão, não manifestou qualquer discordância à frente da secretaria”. Motivo do afastamento, a portaria que cancelou temporariamente o edital para a produção de séries com o tema de “diversidade sexual”, na prática paralisou todo o financiamento do setor audiovisual do Brasil. Oscar Terra deu como justificativa para a suspensão do edital a necessidade de recomposição dos membros do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). A portaria também afirma que, uma vez recomposto, o comitê revisará os critérios e diretrizes para a aplicação dos recursos do fundo, assim como os parâmetros de julgamento dos projetos e seus limites de valor. Isto significa que a aplicação dos recursos do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) está paralisada até a recomposição do comitê. Ou seja, nenhuma verba será destinada à produção de séries e filmes, sejam eles LGBTQIA+ ou evangélicos, em desenvolvimento no país. A decisão sobre a destinação do dinheiro do FSA depende do aval do comitê gestor. E a a formação do comitê depende das indicações de seis integrantes do governo, vindos de diferentes ministérios. Em oito meses de governo, Bolsonaro ainda não indicou nenhum representante. Por conta disso, o comitê ainda não se reuniu neste ano. O comitê é formado por 9 pessoas, sendo três da sociedade civil, além de contar com a diretoria da Ancine. O fundo tem, para este ano, dotação de R$ 724 milhões, vindo da arrecadação do Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional), taxa que continua a ser cobrada para empresas de cinema, TV e telefonia. Esta verba não pode ter destinação diferente da prevista na legislação. O decreto assinado por Osmar Terra prevê a suspensão do edital por 180 dias, podendo prorrogar o prazo caso o comitê gestor continue sem as indicações dos membros do governo. Trata-se de uma paralisia provocada propositalmente pelo governo, com aviso prévio de prorrogação indefinida, gerando caos na economia do setor e, em decorrência, de todo o país.

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    Governo paralisa todo o setor audiovisual do Brasil para impedir produção de séries LGBTQIA+

    21 de agosto de 2019 /

    A justificativa do ministro da Cidadania Osmar Terra para suspender o edital que permitiria a produção de séries LGBTQIA+ atacadas pelo presidente Jair Bolsonaro embute graves consequências para o setor audiovisual. Para impedir a produção de séries LGBTQIA+ para o Canal Brasil, encomendadas pelo governo anterior, o ministro publicou uma portaria no Diário Oficial da União (DOU) nesta quarta (21/8), dando como justificativa para o cancelamento temporário do concurso a necessidade de recomposição dos membros do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). A portaria também afirma que, uma vez recomposto, o comitê revisará os critérios e diretrizes para a aplicação dos recursos do fundo, assim como os parâmetros de julgamento dos projetos e seus limites de valor. Na prática, isto é uma confissão da paralisação completa do setor. Pois se o edital não pode ser cumprido pela necessidade de recompôr o comitê responsável pelas verbas do Fundo Setorial do Audiovisual, isso significa que nenhum financiamento está autorizado até a regularização deste comitê. Assim, a tática escolhida para descumprir um edital visado publicamente pelo presidente impede que qualquer outro edital do setor seja cumprido. Ao perseguir quatro obras, o governo de Bolsonaro revelou ter dificultado a vida de milhões de trabalhadores da indústria audiovisual, afetados pela inacessibilidade das verbas do Fundo Setorial para a realização de série e filmes, que deveriam estar em desenvolvimento. Se a decisão sobre a destinação do dinheiro do FSA depende do aval do comitê gestor, a formação do comitê depende das indicações de seis integrantes do governo, vindos de diferentes ministérios. Em oito meses de governo, Bolsonaro ainda não indicou nenhum representante. Por conta disso, o comitê ainda não se reuniu neste ano. O comitê é formado por 9 pessoas, sendo três da sociedade civil, além de contar com a diretoria da Ancine. O fundo tem, para este ano, dotação de R$ 724 milhões, vindo da arrecadação do Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional), taxa que continua a ser cobrada para empresas de cinema, TV e telefonia. Esta verba não pode ter destinação diferente da prevista na legislação. O decreto assinado por Osmar Terra prevê a suspensão do edital por 180 dias, podendo prorrogar o prazo caso o comitê gestor continue sem as indicações dos membros do governo. Trata-se de uma paralisia provocada propositalmente pelo governo, com aviso prévio de prorrogação indefinida. O cenário de caos tende a acabar no STF e pode originar pedido de Impeachment por crime de responsabilidade. Vale lembrar que Bolsonaro já cometeu diversos atos, de abuso de autoridade a hostilidade contra nação estrangeira, que se enquadram nos quesitos que permitem abertura de Impeachment, mas o processo é político e só tem sido disparado quando há interesse no Congresso. Entretanto, o acúmulo de políticas que miram a destruição da economia nacional, pelo descaso assumido em relação à cultura, meio ambiente e acordos internacionais, tendem a conduzir a uma ação de “salvamento nacional”.

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    Governo suspende edital de séries LGBTQIA+ atacado por Bolsonaro

    21 de agosto de 2019 /

    Ridicularizado pelo presidente Jair Bolsonaro em uma live da quinta passada (15/8), o edital de chamamento de projetos para TVs públicas que tinha entre as categorias de investimento séries LGBTQIA+ foi suspenso. Uma portaria assinada pelo Ministro da Cidadania Osmar Terra publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quarta (21/8) oficializou a decisão. “Fomos garimpar na Ancine filmes que estavam prontos para captar recurso no mercado”, disse Bolsonaro na live, passando a citar títulos e temas que considerava absurdos. “Um aqui se chama ‘Transversais”, disse, demonstrando horror ao citar que seu tema era transexualidade. “Conseguimos abortar essa missão aqui”, acrescentou. “Outro filme aqui, ‘Sexo Reverso'”, seguiu, dizendo que o “filme” abordava sexo grupal e oral com índios, concluindo é “um dinheiro jogado fora”. “Não tem cabimento fazer um filme com esse enredo, né?” Outro nome que ele achou ofensivo foi o do curta-metragem universitário “Afronte”, de Marcus Azevedo e Bruno Victor, um docudrama sobre a realidade vivida por negros e homossexuais do Distrito Federal. “Mais um filme aí que foi para o saco”, decretou, de mentirinha. O filme não só não foi pro saco como passou no Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade e no Festival de Brasília… em 2017! Seu trailer pode ser visto aqui. O que estava na lista vetada por Bolsonaro era um projeto para transformá-lo em série. Ele também lamentou “Religare Queer”, sobre uma “ex-freira lésbica”, que descreveu como um filme com “dez episódios”, ilustrando de forma didática o que é uma pessoa preconceituosa – aquela que ataca o que não entende. “Confesso que não entendi por que gastar dinheiro público com um filme desses”, insistiu na famigerada live, sobre a série. “O que vai agregar?”, afirmou, considerando produções com temática LGBTQIA+ “impróprias”. “Não estou perseguindo ninguém, cada um faça o que bem entender do seu corpo para ser feliz, agora, gastar dinheiro público para fazer esse tipo de filme [sim, é uma série]…” Na verdade, os títulos citados, de filmes que Bolsonaro afirmou ter impedido de captar verbas pela Ancine, na verdade eram projetos de séries e foram selecionados por um edital do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), com participação da Ancine e da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), que previa uma linha declarada de produções de temática LGBTQIA+. Os projetos estavam entre os finalistas da linha de “diversidade de gênero” da EBC, que visa selecionar séries para a programação da TV pública em canais como a TV Brasil. Os vencedores seriam financiados diretamente por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e não por autorização para captar incentivos. O FSA é formado pela taxa conhecida como Condecine, que incide sobre empresas de cinema, vídeo e telefonia. O edital foi lançado durante o governo passado com regras claras, que foram cumpridas pelas produções inscritas. Além do tema da “diversidade de gênero”, o edital também contemplou séries nas categorias de “sociedade e meio ambiente”, “profissão”, “animação infantil” e “qualidade de vida”, entre outras. Como o presidente diz que os projetos já estavam “prontos para captar”, a lista que ele atacou deve conter os vencedores do edital. Ele provavelmente gostaria de barrar apenas a linha de “diversidade de gênero”. Mas isto seria um ato arbitrário, configuraria prática de censura e criaria insegurança jurídica, levando à contestação na Justiça. A judicialização do caso poderia, inclusive, levar à abertura de um processo de Impeachment contra Bolsonaro por descumprir leis e atentar contra direitos de indivíduos. Assim, ele decidiu suspender o edital inteiro, colocando na prática sua promessa de implantar um “filtro” cultural nos projetos aprovados pelo governo. Com a suspensão do concurso por no mínimo seis meses, os projetos citados pelo presidente na live não serão os únicos prejudicados. Isso porque o edital ainda previa o financiamento de cerca de outras 70 iniciativas divididas em 12 categorias. Com verbas de até R$ 1,5 milhão, cada uma das seções teria cinco vencedores, um para cada região do país. Em entrevista ao jornal Folha de S. Palo, Émerson Maranhão, diretor de “Transversais”, especula que a suspensão temporária tenha sido a maneira que o Ministério da Cidadania encontrou de não pagar os recursos aos vencedores, já que não poderia modificar o edital. “Éramos quatro realizadores [prejudicados], agora seremos 80”, diz o cineasta. Ele e o produtor executivo de “Transversais” afirmam ter encaminhado ofícios questionando os pronunciamentos de Bolsonaro ao Ministério da Cidadania e à Agência Nacional de Cinema, a Ancine, que gere o Fundo Setorial de Audiovisual, no dia seguinte à live. Agora que a situação foi consumada, pretendem tomar ações jurídicas em relação à suspensão do edital. Na portaria publicada no Diário Oficial, o Ministério da Cidadania dá como justificativa para o cancelamento temporário do concurso a necessidade de recomposição dos membros do Comitê Gestor do Fundo Setorial. Uma vez recomposto, ainda de acordo com a portaria, o comitê revisará os critérios e diretrizes para a aplicação dos recursos do fundo, assim como os parâmetros de julgamento dos projetos e seus limites de valor. Podem até escolher filmes diferentes, o que dá margem para uma judicialização do edital, mas nem assim o comitê poderá alterar edital, publicado e cumprido por candidatos registrados, que prevê a produção de séries sobre “diversidade de gênero”. O entendimento do STF é que motivações como mudança de governo, alteração de estratégia governamental, cortes no seguimento de contratação de pessoal, não são justificativas razoáveis para a revogação de um direito adquirido, muito menos quando se dá em detrimento de toda confiança depositada pelos candidatos em um governo que planejou e deu início ao edital. Como Bolsonaro, vulgo Johnny Bravo, comanda um governo beligerante, o impasse pode chegar a dois resultados possíveis e complementares. Em 1º lugar, aconteceria a suspensão do edital de forma indefinida. Em 2º lugar, para justificar o não cumprimento de sua obrigação, o governo jamais recomporia o comitê gestor do Fundo Setorial, citado como desculpa para congelar a aplicação do edital. Nesse cenário, Bolsonaro e seu ministro optariam pela tática da paralisação para não cumprir a lei. E assim não seriam 80 realizadores, como disse Émerson Maranhão, mas milhões de pessoas de toda a indústria audiovisual, pois isso paralisaria o investimento em todo o setor. Não se faria mais séries nem filmes com o dinheiro arrecadado para este fim, abrindo a possibilidade, inclusive, de crime fiscal. Caso o governo de extrema direita siga seu instinto natural para agir de forma extrema e sem respeito pela legislação, a única resolução possível para o caos seria um processo de Impeachment.

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  • Filme

    Festival de Gramado vira palco de protestos contra Bolsonaro

    19 de agosto de 2019 /

    O Festival de Gramado, que iniciou na sexta (17/8), virou palco para protestos da classe cinematográfica brasileira contra os ataques feitos pelo presidente Bolsonaro aos filmes realizados no país. Uma das manifestações mais emocionadas do evento foi proferida pelo cineasta Emiliano Cunha, diretor de “Raia 4”, exibido no sábado no evento. Ele afirmou que seu filme só foi feito graças às políticas de fomento da Ancine, alvo constante de críticas de Bolsonaro, destacando que o longa gerou 400 empregos, diretos ou indiretos, além de impostos e receitas. Seu discurso arrancou gritos de “viva o cinema brasileiro!” e “fora, Bolsonaro!” da plateia. A quantidade de postos de trabalho gerados pelos filmes vem sendo reforçada pelos cineastas em Gramado para mostrar que o audiovisual é um setor importante para a economia. Além disso, a questão da volta da censura federal tem sido constantemente evocada. “Alguns desses projetos que Bolsonaro quer censurar são de amigos meus. Nosso filme existe hoje, mas talvez não pudesse existir em 2020”, disse um integrante da produção do curta-metragem “Marie”, de Leo Tabosa, sobre uma mulher transexual que retorna ao sertão para enterrar seu pai, em entrevista ao jornal O Globo. Um grupo de profissionais ligados ao cinema gaúcho também usou o tapete vermelho do evento para empunhar cartazes de filmes brasileiro e entoar um coro “pelo cinema, pela cultura, por uma arte livre e sem censura”. E a atriz e cineasta Carla Camurati, homenageada do festival e símbolo da retomada do cinema brasileiro – seu filme “Carlota Joaquina, a Princesa do Brasil” (1995) foi o primeiro sucesso após o estrago causado por Fernando Collor no setor – , lembrou que sem liberdade não se faz cinema. “Não tem um filme que fiz que não tivesse política, religião e sexo”, afirmou Camurati, referindo-se a temas que Bolsonaro quer vetar em filmes incentivados. O evento vai continuar até sábado que vem (24/8).

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    Apenas 12 filmes são inscritos para representar o Brasil no Oscar 2020

    17 de agosto de 2019 /

    A Secretaria do Audiovisual divulgou os 12 títulos inscritos para representar o Brasil na disputa de uma vaga no Oscar 2020. O longa escolhido vai concorrer a uma indicação à categoria de Melhor Filme Internacional (novo nome da categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira) na premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. No ano passado, quando “O Grande Circo Místico” foi escolhido, 22 produções participaram da disputa. A grande diferença causa estranheza. Ainda mais que um dos favoritos, “Amor Divino”, de Gabriel Mascaro, não foi listado. Premiado em festivais internacionais e com 100% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes, “Amor Divino” mostra o Brasil do futuro como uma nação subjugada pela extrema direita evangélica, que proibiu até o carnaval. Era provavelmente o representante que mais desagradaria Johnny Bravo (“quem manda aqui sou eu”), que seria capaz de mandar a indicação “pro saco” e dizer que “não é censura”. Entre os filmes habilitados, dez são ficção e dois (“Humberto Mauro” e “Espero tua (re)volta”) são documentários. Apenas três são dirigidos por mulheres. Já os destaques são as duas produções premiadas no Festival de Cannes: “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (Prêmio do Júri), e “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz (Melhor Filme da mostra Um Certo Olhar). A escolha do representante brasileiro será feita pela Academia Brasileira de Cinema – a mesma que escolheu “O Grande Circo Místico” no ano passado, mas na hora de fazer sua própria premiação de Melhor Filme preferiu “Benzinho”. A Comissão Especial de Seleção será formada pelos cineastas Anna Muylaert (“Que Horas Ela Volta?”), David Shürmann (“Pequeno Segredo”) e Zelito Viana (“Avaeté – Semente da Vingança”), pelas produtoras Sara Silveira (“As Boas Maneiras”) e Vania Catani (“O Palhaço”), o diretor de fotografia Walter Carvalho (“Central do Brasil”), o roteirista Mikael de Albuquerque (“Real: O Plano por Trás da História”), pelo crítico e curador Amir Labaki, fundador do Festival É Tudo Verdade, e por Ilda Santiago, diretora do Festival do Rio. Será também uma boa oportunidade para Muylaert pedir desculpas para Shürmann por ter ridicularizado seu filme “Pequeno Segredo”, escolhido para representar o Brasil em 2017, chamando-o de “O Pequeno Golpe”, “dirigido por Michel Temer e cia.” O representante do país será anunciado no dia 27 de agosto. Ele vai disputar uma vaga entre os indicados ao Oscar 2020, que serão conhecidos em 13 de janeiro. A cerimônia de premiação está marcada para o dia 19 de fevereiro, em Los Angeles. Confira abaixo a lista dos filmes inscritos. “Bacurau”. de Kleber Mendonça Filho “Los Silencios”, de Beatriz Seigner “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz “Sócrates”, de Alex Moratto “A Última Abolição”, de Alice Gomes “A Voz do Silêncio”, de André Ristum “Bio”, de Carlos Gerbase “Legalidade”, de Zeca Brito “Humberto Mauro”, de André Di Mauro “Espero tua (re)volta”. de Eliza Capai “Chorar de Rir”, de Toniko Melo “Simonal”, de Leonardo Domingues

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    Bolsonaro errou tudo em seu ataque a “filmes” LGBTQIA+

    16 de agosto de 2019 /

    O ataque de Jair Bolsonaro a filmes de temática LGBTQIA+, realizado em sua live de quinta-feira (15/8), consagrou a desinformação do presidente sobre o assunto. Na verdade, os títulos citados, de filmes que ele afirmou ter impedido de captar verbas pela Ancine (Agência Nacional de Cinema), na verdade eram projetos de séries, e foram selecionados por um edital do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), com participação da Ancine e da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), que previa uma linha declarada de produções de temática LGBTQIA+. Ou seja, Bolsonaro disse ter impedido filmes, que eram séries, de receber autorização para captar verbas por meio da Ancine, quando o edital era do BRDE. Ele ainda se orgulhou de ter impedido produções LGBTQIA+ de receber incentivo num projeto voltado a produções desta temática. Desinformado, Bolsonaro disse ainda ter impedido a produção de um curta que já tinha sido exibido em 2017. O curta “Afronte”, que dramatiza relações entre negros homossexuais em Brasília, entrou no projeto da EBC para ter sua história transformada em série, junto com os outros títulos citados pelo presidente, como “Transversal” e “Religare Queer”. Os projetos estão entre os finalistas da linha de “diversidade de gênero” da EBC, que visa selecionar séries para a programação da TV pública em canais como a TV Brasil. Os vencedores seriam financiados diretamente por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e não por autorização para captar incentivos. O FSA é formado pela taxa conhecida como Condecine, que incide sobre empresas de cinema, vídeo e telefonia. O edital foi lançado durante o governo passado com regras claras, que foram cumpridas pelas produções inscritas. Além do tema da “diversidade de gênero”, o edital também contemplou séries nas categorias de “sociedade e meio ambiente”, “profissão”, “animação infantil” e “qualidade de vida”, entre outras. Como o presidente diz que os projetos já estavam “prontos para captar”, a lista que ele atacou deve conter os vencedores do edital. Ele teria barrado apenas a linha de “diversidade de gênero”. Isto seria um ato arbitrário, configuraria prática de censura e criaria insegurança jurídica, levando à contestação na Justiça. A judicialização do caso poderia, inclusive, levar à abertura de um processo de Impeachment contra Bolsonaro por descumprir leis e atentar contra direitos de indivíduos. Regras de concurso público não podem ser alteradas no curso do processo, sob pena de ofensa ao princípio da vinculação ao instrumento convocatório. São aceitas exceções quando há mudanças em leis que afetam o concurso, o que não aconteceu. Com base nesse entendimento, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, já concedeu uma liminar em mandado de segurança contra mudanças após o início do concurso para serventias extrajudiciais no estado do Rio de Janeiro. Procurada pela imprensa, a assessoria do Planalto não se manifestou até o momento.

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  • Filme

    Atriz de Mulan ataca manifestações pela democracia em Hong Kong e inspira pedidos de boicote ao filme

    16 de agosto de 2019 /

    A pressão do governo chinês sobre artistas do país, que estão sendo convocados a dar depoimentos favoráveis à repressão do movimento pró-democracia em Hong Kong, não deve prejudicar a carreira de astros veteranos como Jackie Chan e Tony Leung Ka-fai, pois seus filmes mobilizam milhões de espectadores em seu país natal. Mas a Disney pode sofrer danos colaterais após sua nova estrela aderir à onda. Liu Yifei, protagonista de “Mulan”, usou a plataforma Weibo para dizer que “apoia os policiais” que estão reprimindo brutalmente as manifestações e que as críticas à repressão são “uma vergonha para Hong Kong”. A cidade chinesa, que tem autonomia em relação ao governo central do país, enfrenta uma série de manifestações pró-democracia e contra um projeto de lei de extradição que, se aprovado, pode favorecer a parcialidade em seus tribunais. A declaração da estrela de “Mulan” foi provocada pelos manifestantes, que estavam usando o Twitter para pedir um posicionamento da atriz sobre o movimento. Após a resposta, agora querem saber a opinião da Disney e já sugerem um boicote ao filme. “A atriz de ‘Mulan’, Liu Yifei, apoia a brutalidade policial e a opressão em Hong Kong, mas é uma cidadã americana naturalizada. Deve ser legal. Ela irrita as pessoas que lutam pela democracia”, escreveu uma pessoa. Entretanto, a questão não é assim tão simples. A China é um país totalitário. Muitos confundem a liberdade econômica que tornou o gigante asiático numa potência comercial com a chegada de uma suposta democracia à região, mas a ditadura comunista continua no poder. E sua capacidade de retaliação lembra pesadelos stalinistas, com artistas sendo presos na calada da noite apenas por criticarem o governo ou por agirem de forma a contrariar os princípios do partido. Vale lembrar do sumiço forçado da atriz Fan Bingbing, que foi levada a lugar desconhecido e “pressionada” por cerca de um mês para confessar supostos crimes de sonegação de impostos, sendo liberada apenas após “pedir perdão” ao povo chinês pela mesma Weibo e assumir a culpa pelo que o governo a acusava. Na semana passada, veio à tona a notícia de que a China estava obrigando todos seus estúdios e artistas a boicotar a mais tradicional premiação do cinema da região, porque ela é realizada em Taiwan, que, como Hong Kong, rebela-se contra o poder central. Se algum artista chinês participar ou for premiado na próxima edição do Golden Horse Awards, ficará proibido de trabalhar no país.

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    Bolsonaro diz que já teria “degolado todo mundo” da Ancine se as cabeças não tivessem mandato

    15 de agosto de 2019 /

    O presidente Jair Bolsonaro, vulgo Johnny Bravo, voltou a ameaçar a existência da Ancine, entidade que regula e incentiva o cinema brasileiro. Desta vez, usou de violência verbal, com uma expressão que remete à assassinatos brutais, ao se dirigir aos integrantes da agência, num vídeo transmitido ao vivo nas redes sociais. Bolsonaro afirmou que já teria “degolado todo mundo” caso as cabeças da Ancine “não tivessem mandato”. Hoje, a diretoria colegiada da agência tem três pessoas com mandatos de quatro anos. Apesar do nível dos ataques baixar cada vez mais, o diretor-presidente do órgão, Christian de Castro, mantém o silêncio desde que Bolsonaro começou a cuspir contra o cinema brasileiro e especialmente a Ancine, em julho. Em sua nova manifestação de agressividade, o presidente voltou a dizer que não vai impor censura no cinema brasileiro, mas vai, em outras palavras, censurar as verbas públicas destinadas ao cinema brasileiro. “Fomos garimpar na Ancine filmes que estavam prontos para captar recurso no mercado”, disse Bolsonaro, passando a citar títulos e temas que considerava absurdos. “Um aqui se chama ‘Transversais”, disse, demonstrando horror ao citar que seu tema era transexualidade. “Conseguimos abortar essa missão aqui”, acrescentou. “Outro filme aqui, ‘Sexo Reverso'”, seguiu, dizendo que o filme abordava sexo grupal e oral com índios, concluindo é “um dinheiro jogado fora”. “Não tem cabimento fazer um filme com esse enredo, né?” Outro nome que ele achou ofensivo foi o do curta-metragem universitário “Afronte”, de Marcus Azevedo e Bruno Victor, um docudrama sobre a realidade vivida por negros e homossexuais do Distrito Federal. “Mais um filme aí que foi para o saco”, decretou. Curiosamente, o filme não só não foi pro saco como passou no Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade e no Festival de Brasília… em 2017! Seu trailer pode ser visto aqui. Bolsonaro se equivocou. Ele também atacou séries, como “Religare Queer”, sobre uma “ex-freira lésbica”, que descreveu como um filme com “dez episódios”, pois realmente não entende do que fala. “Confesso que não entendi por que gastar dinheiro público com um filme desses”, insistiu, sobre a série. “O que vai agregar?”, afirmou, considerando produções com temática LGBTQIA+ “impróprias”. “Não estou perseguindo ninguém, cada um faça o que bem entender do seu corpo para ser feliz, agora, gastar dinheiro público para fazer esse tipo de filme [sim, é uma série]…” E arrematou: “Se a Ancine não tivesse, na sua cabeça toda, mandato, já tinha degolado todo mundo”. A ameaça foi completada por um gesto que representa o assassinato por meio de degola. A lista apresentada foi fornecida pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, com quem Bolsonaro teve uma reunião na quarta sobre o tema. Na ocasião, ele ainda não sabia dizer nenhum título visado e usou novamente o subterfúgio de não citar os nomes porque eles lhe davam vergonha. “Não vou falar aqui porque estou com vergonha, talvez eu fale na live de quinta-feira a proposta de uns filmes para fazer via Ancine, que, pelo amor de Deus…”, ele observou. Como o presidente usa de subterfúgio, é necessário estabelecer a verdade e frisar que nenhum filme brasileiro feito nos últimos anos tem título impróprio, nem mesmo os citados por Johnny Bravo em sua live. Impróprias e de baixíssimo calão são as palavras que Bolsonaro tem proferido para os brasileiros via imprensa, que não vamos repetir porque temos vergonha.

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  • Os Dez Mandamentos
    Filme

    Deputados da Igreja Universal querem transformar novelas da Record em patrimônio cultural do Rio de Janeiro

    10 de agosto de 2019 /

    Um projeto de lei carioca, publicado na sexta (9/8) no site da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), quer tornar as novelas bíblicas da Record “Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro”. O projeto traz a assinatura dos deputados estaduais Carlos Macedo (PRB), bispo da Universal, Daniel Librelon (PRB), pastor da Universal, Tia Ju (PRB), também ligada à igreja, e Rosenverg Reis (MDB). O projeto fala em “telenovelas bíblicas produzidas pelas emissoras de televisão brasileiras”. O detalhe é que apenas a emissora de Edir Macedo, dono da Igreja Universal, produz novelas do gênero. A principal justificativa para o projeto é que as novelas bíblicas “manifestam saberes e formas de expressão cênicas, plásticas, musicais e lúdicas de uma imensa parcela da nossa população, recriando a interação com a sua história de vida”. “Nossa intenção é reconhecer como patrimônio imaterial do Rio de Janeiro aquilo que já é um patrimônio da humanidade: os exemplos das histórias bíblicas”, diz ao blog a deputada Tia Ju. “Ainda mais naquilo que o Brasil tem de melhor até como produto de exportação que é a teledramaturgia”, acrescenta. “É um escárnio”, protestou o deputado Carlos Minc (PSB), em declaração registrada pelo blog de Mauricio Stycer. “Ao invés de propor políticas para educação, saúde, segurança, pegam temas de besteirol ideológico. Do ponto de vista de política pública, é zero. Não tem nenhum significado prático. Perde-se tempo e dinheiro com uma coisa dessas, sendo aprovado ou não”, critica. O detalhe nada pequeno é que, ao contrário das produções da Globo, as novelas bíblicas da Record não são feitas no Rio de Janeiro.

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  • Série

    American Crime Story vai abordar escândalo sexual que ameaçou Bill Clinton com Impeachment

    7 de agosto de 2019 /

    A premiada série “American Crime Story” definiu o tema de sua 3ª temporada. O canal pago americano FX confirmou que o tema da atração em 2020 será o escândalo Monica Lewinsky. Para quem não lembra (já se passou tanto tempo assim?), Lewinsky era a estagiária cuja intimidade com Bill Clinton quase acabou em Impeachment – um escândalo que abalou o casamento da ex-rival de Trump nas últimas eleições, Hillary Clinton. O tema foi anunciado em 2017, mas ninguém mais tinha falado no assunto até esta terça (6/8), quando o presidente do FX, John Landgraf, oficializou o projeto e divulgou os primeiros nomes do elenco, durante sua participação no evento semestral da TCA (Associação dos Críticos de TV dos EUA). Intitulada “Impeachment: American Crime Story”, a temporada “vai explorar as mulheres que se viram apanhados no escândalo e guerra política que lançou uma longa sombra sobre a presidência de Clinton”, descreveu Landgraf. A trama é baseada em “A Vast Conspiracy: The Real Sex Scandal That Nearly Brought Down a President”, best-seller de 2000 escrito por Jeffrey Toobin, mesmo autor do livro “The Run of His Life: The People v. O.J. Simpson”, que inspirou a bem-sucedida 1ª temporada da série. A adaptação foi feita por Sarah Burgess (“Compliance”) e será estrelada por Beanie Feldstein (“Fora de Série”) no papel de Monia Lewinsky, Annaleigh Ashford (“The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story”) como Paula Jones, que processou Clinton por assédio, e Sarah Paulson (“The People v. O.J. Simpson: American Crime Story”) como Linda Tripp, responsável por gravar secretamente as conversas de Lewinsky com Bill Clinton. O timing do lançamento dessa produção, porém, é complexo. “Impeachment: American Crime Story” irá ao ar em setembro, semanas antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos, em que Trump vai enfrentar um candidato do partido de Clinton. No evento da TCA, Landgraf afirmou não considerar que a série possa prejudicar os Democratas na eleição. Vale lembrar que a Fox, proprietária da FX quando o projeto começou a ser fomentado, era assumidamente Republicana, mas a Disney, atual dona da emissora, pende para o Partido Democrata.

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  • Série

    O Doutrinador: Série do super-herói nacional ganha primeiro trailer

    7 de agosto de 2019 /

    O canal pago Space divulgou o trailer da série do super-herói nacional “O Doutrinador”, estrelada por Kiko Pissolato (“Os Dez Mandamentos”). A prévia sugere uma versão estendida do filme homônimo, baseado em quadrinhos sobre um vigilante que combate a corrupção no Brasil. A atração vai estrear no dia 1º de setembro, um domingo, às 21h, quase um ano após a exibição do filme. Enquanto o longa foi lançado no clima das eleições do ano passado, a série chegará à TV após as reportagens da chamada “Vaja Jato”, que consiste na publicação de mensagens privadas dos promotores da Lava Jato, obtidos por hacker confesso com o objetivo de atingir o juiz Sergio Moro e o promotor Deltan Dallagnol. Por coincidência, a trama fictícia também tem um hacker. A ligação de “O Doutrinador” com fatos reais tem sido uma constante em sua trajetória. O personagem foi concebido em 2008 pelo artista Luciano Costa, que deixou os quadrinhos na gaveta até 2013, quando resolveu publicar as primeiras páginas em seu Facebook. Três meses depois, explodiram as manifestações de protesto no país e o Doutrinador virou cult, ao encarnar, ainda que de forma extrema, a indignação com o panorama político e a revolta contra “tudo o que está aí”. Luciano Costa assumiu ter se inspirado nos quadrinhos do Batman de Frank Miller. Mas o personagem está mais para o Zorro, o mascarado perseguido pela justiça por enfrentar os governantes corruptos do pueblo de Los Angeles. No Brasil polarizado do século 21, acabou dividindo opiniões. Há quem o considere fascista e outros que o enxerguem como manifestação da anarquia. Agente da polícia federal, o protagonista virou justiceiro por não aguentar mais tanta impunidade. Revoltado com o sistema e com sede de vingança por uma tragédia pessoal, ele não mede esforços para eliminar políticos, donos de empreiteiras, dirigentes do futebol e até líderes religiosos, matando corruptos de todos os matizes. Apesar disso, o filme dirigido por Gustavo Bonafé (de “Legalize Já!”, cinebiografia da banda Planet Hemp) foi lançado sem causar a repercussão esperada em novembro passado. A versão televisiva terá 7 episódios de 45 minutos cada.

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    Bolsonaro se compara a Johnny Bravo como presidente do Brasil

    6 de agosto de 2019 /

    O presidente Jair Bolsonaro criticou a imprensa e se comparou ao desenho animado Johnny Bravo durante um discurso cheio de palavrões realizado na segunda-feira (5/8) em Sobradinho, na Bahia. “A campanha acabou para a imprensa. Eu ganhei! A imprensa tem que entender que eu, Johnny Bravo, Jair Bolsonaro, ganhou, p*rra! Ganhou, p*rra! Vamos entender isso. Vamos trabalhar junto pelo Brasil”, disse o homem com o cargo mais importante do país. O personagem a quem Bolsonaro se comparou, com expressões de baixo calão de filmes como “Bruna Surfistinha”, é o mais narcisista e fútil da animação infantil. Johnny Bravo, que anda sempre de peito estufado, é aquele fanfarrão que tem a cara-de-pau de ligar para a polícia porque um homem bonito invadiu sua casa. Spoiler: é ele mesmo. Tem mais. Ele mora com a mãe, que o trata como um garotinho, evita a vizinha, a pequena Suzy, faz aulas com o mestre Ranma, um professor de caratê que o considera seu pior aluno, e é o maior mulherengo, que ataca todas as mulheres e nunca se dá bem. A imagem passada pelo desenho é bem clara. Johnny é um cara que se acha irresistível, mas não passa de um idiota completo. Concebido no meio da década de 1990 por Van Partible, um americano de origem filipina, o desenho do personagem foi exibido no Cartoon Network até 2004. Mas muitos dos artistas envolvidos na série original fizeram projetos mais importantes depois, como Seth MacFarlane, que criou “Uma Família da Pesada” (Family Guy), Craig Bartlett, que criou “Hey Arnold!”, e Amy Keating Rogers, que se tornou a principal roteirista de “As Meninas Superpoderosas”. Além da citação no discurso, Bolsonaro ainda postou uma imagem do personagem para dar boa noite aos bolsominions de seu Twitter. Seus seguidores adoraram. Veja para crer abaixo. Mas atenção: o vídeo com palavrões é impróprio para fãs de “Johnny Bravo”. – BOA NOITE A TODOS! ?? pic.twitter.com/ceG4EheLro — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 6 de agosto de 2019

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    Editorial: Bolsonaro volta a ameaçar Ancine sem checar informações

    5 de agosto de 2019 /

    O presidente Jair Bolsonaro (PSL) mostrou novamente seu despreparo para discutir a questão do cinema brasileiro durante entrevista simpática da jornalista Leda Nagle, disponibilizada nesta segunda (5/8) em seu canal no YouTube. A conversa durou cerca de 1h30 e foi marcada pela postura autoritária e desinformada que faz parte do “mito” político, construído em cima do lema “não conheço, não gosto e vou acabar com isso”. Na pauta, claro, entrou a extinção da Ancine (Agência Nacional de Cinema). Sem ter refletido nenhum segundo desde que iniciou a polêmica em torno do tema, Bolsonaro voltou a dizer as mesmas coisas, repetindo até seu ataque ao filme “Bruna Surfistinha”. “Mudou o governo, chama-se Jair Bolsonaro. De direita, família, respeito às religiões. E quando você fala em Ancine, de uma forma ou de outra, tem dinheiro público lá. E aí você vai fazer um filme da ‘Bruna Surfistinha’? Eu não estou censurando. Mas esse tipo de filme eu não quero. Quer insistir? A gente extingue a Ancine. A primeira medida, tem o decreto, vem para Brasília a Ancine. Tirar do Rio? Qual o problema? Vai ficar na nossa asa aqui”, disse o presidente. “A Ancine foi criada por medida provisória. Se não quiser entender que mudou o presidente, e o presidente tem autoridade e respeita a família, eu mando uma medida provisória para o Congresso. Se eles vão aprovar a MP, eu não sei. Mas vou fazer a minha parte. Nada contra a cultura, mas mudou”, ameaçou. Durante a conversa, Bolsonaro também lembrou do filme “Lula, o Filho do Brasil” e do documentário que está sendo desenvolvido sobre sua eleição presidencial, misturando as duas coisas. “Não quero filme nem de Bolsonaro, nem ‘Bruna Surfistinha’. Se quiser fazer do Bolsonaro…Até estão estudando. Mostra a verdade, mas não com dinheiro público, como foi o vexame do ‘Lula, O Filho do Brasil’. Pelo amor de Deus! Eu não sei quantos milhões custou aquele filme, mas dinheiro para contar uma mentira sobre quem foi o Lula”. Como o presidente é muito desinformado e desinteressado em se informar, vale a pena expor os fatos para os leitores não seguirem o mau exemplo e “mitar” – sinônimo de mentir ou demonstrar ignorância nas redes sociais. Para começar, a Ancine não é uma produtora estatal de cinema e sim uma agência reguladora com atribuições que incluem o investimento direto e indireto em produções. Ao contrário do que Bolsonaro diz, o fundo da Ancine não é composto por “verba pública”, ou não em sua maioria, que vem do Condecine, uma contribuição exigida das empresas de telecomunicações. É uma taxa cobrada apenas do setor audiovisual – porcentagens de ingressos de salas de exibição, das publicidades audiovisuais, das emissoras de televisão e, maior volume, das operadoras de telefonia – e reaplicada de volta no mesmo setor, a indústria de TV e cinema. Esta verba não faz parte do orçamento da União e tem função de regulação do mercado. É a chamada Lei do Audiovisual, por sua vez, que permite abatimentos no imposto para empresas que investirem na produção de filmes – o famoso incentivo cultural. Mas é limitado a 4% do IR devido para pessoas jurídicas. Ou seja, montantes geralmente inferiores à locação de um avião da FAB para transporte de parentes para casamentos da família. Por fim, “Lula, o Filho do Brasil” não recebeu nenhum dinheiro público. Ao menos, às claras. Foi totalmente bancado pelas empreiteiras comprometidas com o esquema de corrupção denunciado pela operação Lava Jato, que dispensaram incentivos e fomentos para realizar o agrado ao presidente – o mesmo que se encontra condenado, justamente, por receber agrados dessas empreiteiras. Para deixar claro o que Bolsonaro turva: “Lula, o Filho do Brasil” não foi feito com apoio da Ancine. O dinheiro da Ancine não é “verba pública”. A Ancine não é uma “produtora estatal”. O que a Ancine faz, além de “bancar” “Bruna Surfistinha”, é regular o mercado – “cota de tela” (quantidade de produções brasileiras reservadas para exibição na TV e no cinema), controle de distribuição de filmes (por exemplo, impedir que cinco salas de um mesmo cinema de shopping passem o mesmo filme), apoiar participação de filmes em festivais internacionais, além, claro, de incentivar o aumento da produção de cinema e séries nacionais. Quando o presidente anterior de direita, família e religião, Fernando Collor de Mello, teve a mesma ideia de Bolsonaro, extinguindo a Embrafilme, apenas três longas brasileiros foram lançados no ano seguinte, 1992, e o Brasil amargou uma das suas piores recessões econômicas, alimentada também pela falência do setor audiovisual. Em 2018, o número de filmes nacionais em cartaz somou 171 títulos. Nunca é demais lembrar que, se a Ancine não usa “verba pública” para produzir filmes, o presidente faz, sim, uso do dinheiro do imposto de pessoas físicas para bancar viagens de familiares e salários de parentes que nomeia para cargos públicos. E justifica dizendo que é isso mesmo, “e daí?”.

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