Hugh Grant se engaja na campanha eleitoral britânica contra o Brexit e Boris Johnson
O ator Hugh Grant se engajou na campanha eleitoral britânica contra o primeiro ministro Boris Johnson. Às vésperas da eleição marcada para esta quinta (12/12), que é considerada a mais importante do Reino Unido desde a 2ª Guerra Mundial, por mudar as 650 cadeiras da Câmara dos Comuns e definir se o país vai realmente sair da União Europeia, Grant resolveu bater de porta em porta em alguns bairros de Londres para pedir votos para o partido liberal democrata. Curiosamente, Grant interpretou um Primeiro Ministro britânico no filme “Simplesmente Amor” (2003), que teve uma cena recriada na campanha de Boris Johnson. Trata-se da sequência em que Andrew Lincoln imita Bob Dylan e apresenta uma mensagem com a ajuda de cartazes escritos à mão. Na propaganda dos conservadores, o que era uma declaração de amor virou pedido de voto. “Com alguma sorte, no próximo ano, teremos concluído o Brexit (se o Parlamento não bloqueá-lo novamente)”, mostra o cartaz de um Johnson silencioso na propaganda eleitoral – por sinal, bem diferente do líder conservador da vida real. Grant não deixou passar batido e lembrou que o vídeo de Johnson deixou de fora umas frases mais importantes dos cartazes do filme: “Porque no Natal você diz a verdade”. “Eu me pergunto se os conselheiros do Partido Conservador acharam que o cartaz não ficaria muito bem nas mãos de Boris Johnson”, ironizou o ator, em entrevista à BBC. Ele entrou na campanha em busca do voto dos jovens, pois essa faixa etária foi a que menos se engajou no plebiscito de junho de 2016 em que a opção do Brexit (saída da União Europeia) venceu. Na ocasião, centenas de milhares de jovens teriam deixado de votar. Muitos por não acreditar na classe política. Segundo a Sociedade de Reforma Eleitoral, desde que a eleição foi convocada, foram registrados 3,2 milhões de títulos de eleitor, 38% a mais do que os 2,3 milhões identificados pouco antes do pleito de 2017. Cerca de dois terços dos novos eleitores habilitados têm menos de 34 anos. As estatísticas mostram que a população mais jovem tende a votar nos partidos trabalhista, liberal-democrata e verde.
André Sturm é o novo secretário do Audiovisual
André Sturm, ex-secretário de Cultura da prefeitura de São Paulo (na gestão de João Doria) e ex-diretor do Museu da Imagem e do Som, é o novo secretário do Audiovisual do governo Jair Bolsonaro. Segundo o jornal O Globo, o convite foi feito hoje mesmo pelo secretário da Cultura, Roberto Alvim, em um almoço com produtores culturais na Fiesp. Ele ocupará o lugar de Katiane Gouvêa, exonerada ontem após passar apenas duas semanas no cargo. Em nota, a pasta afirmou que o secretário da Cultura decidiu exonerar Katiane “ao tomar conhecimento de que ocorreram fatos em sua campanha eleitoral que, supostamente, podem configurar irregularidade. Até que esses fatos sejam devidamente esclarecidos pela autoridade competente, o secretário decidiu por bem, em nome da lisura da coisa pública, afastá-la de suas funções de imediato”. A ex-secretária não tinha carreira relacionada ao cinema, mas sim a movimentos de extrema direita que travam guerra cultural permanente. Seu nome é associado a um documento que, meses atrás, fez o presidente cogitar extinguir a Ancine (Agência Nacional de Cinema). Bolsonaro recebeu um relatório de projetos aprovados pela agência que considerou absurdos, como “Born to Fashion”, um reality que se propõe a revelar modelos trans, e séries de temática LGBTQIA+. O tema rendeu uma das lives mais polêmicas de Bolsonaro, levando à suspensão de um edital que aprovava o financiamento de vários projetos. Ao contrário de Katiane, André Sturm tem uma carreira fortemente ligada ao cinema, uma das áreas que tem rendido mais polêmicas no governo Bolsonaro. Ele esteve à frente do Programa Cinema do Brasil, que organiza a exportação de filmes brasileiros. E sua gestão à frente do MIS foi reconhecida por transformar o museu no segundo mais visitado de São Paulo. Retrospectivas com memorabilia e itens pessoais de Stanley Kubrick e David Bowie levaram 80 mil visitantes cada ao local. E a reconstituição do cenário e da história do “Castelo Rá-Tim-Bum”, em 2014, estabeleceu um público de blockbuster para o museu: 410 mil pessoas. Diretor-roteirista de dois longas, “Sonhos Tropicais” (2001) e “Bodas de Papel” (2008), Sturm também trabalhou na distribuição de filmes de arte na Pandora Filmes, comandou a programação da Cinemateca Brasileira e até atuou como exibidor, assumindo o célebre Cinema Belas-Artes entre 2004 e 2011. Sua entrada na política, porém, arranhou essa biografia. Ele é investigado por suspeita de fraude e teve um áudio vazado em que ameaçava “quebrar a cara” de um agente cultural. Em um dos inquéritos, os promotores apuram se houve irregularidade em um processo de concorrência de patrocínio para o Carnaval de São Paulo. Em outro, investiga-se a possibilidade de improbidade no rompimento de um contrato com a Odeon, organização social que estava à frente da administração do Theatro Muncipal de São Paulo.
Bolsonaro volta a atacar o “bonito” Leonardo DiCaprio, a “pirralha” Greta Thunberg e ONGs da Amazônia
O presidente polemista Jair Bolsonaro voltou a atacar o ator Leonardo DiCaprio nesta quarta-feira (11/12), além de criticar a ativista Greta Thurnberg, retomar a fake news das ONGs incendiárias e difamar os quatro brigadistas de Alter do Chão, que foram soltos em novembro após terem sido apontados como suspeitos de terem iniciado incêndios em área de proteção ambiental em contestado inquérito da Polícia Civil. Na conversa com um grupo de eleitores na entrada do Palácio do Alvorada, Bolsonaro repetiu a fake news de que DiCaprio doou recursos a uma ONG que comprou a fotografia do incêndio de Alter do Chão. Mesmo já tendo sido desmentido pela ONG em questão e pelo próprio DiCaprio, o homem com a faixa presidencial segue divulgando a sua versão, agora uma mentira assumida – historicamente, Bolsonaro difama até ser condenado pela Justiça. Para completar, afirmou que a imprensa só apoia o ator porque ele é “mais bonito” que o presidente brasileiro. Em tom ofensivo, ele também atacou a jovem ativista sueca Greta Thunberg, que tem ganhado destaque mundial na luta contra os efeitos das mudanças climáticas e foi recentemente escolhida a Pessoa do Ano pela revista americana Time. “Uma pirralha de 16 anos fala qualquer besteira lá fora, qualquer besteira, falou para dar porrada no Brasil, e o pessoal dá destaque. Ela, inclusive, disse agora que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. Ninguém sabe a causa ainda, estão apurando”, disse, repetindo um insulto que tinha feito na terça. Após a primeira declaração, a palavra “pirralha” foi inserida na descrição do perfil oficial de Greta nas redes sociais. Em agosto, a conta da ativista também tinha sido alterada em uma resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentando os “elogios” que ele lhe prestou. Bolsonaro, porém, não fez apenas “discurso de ódio”. Ele também compartilhou elogios, saudando a prisão dos quatro brigadistas de Alter do Chão, voluntários que combatem incêndios na região amazônica e que foram vítimas de uma das ações mais contestadas do ano. Na investigação federal, diferentemente da realizada pela Polícia Civil, nenhum elemento apontou para a participação deles nas queimadas amazônicas, e após o inquérito ter sido questionado, o governador do Pará, Helder Barbalho, até trocou o delegado que comandava as investigações. A apuração do Ministério Público Federal em Santarém apontou como possíveis responsáveis pelo incêndio o assédio de grileiros, a ocupação desordenada da região e a especulação imobiliária. Desde o mês passado, os quatro brigadistas respondem ao processo em liberdade, enquanto a região queimada é loteada por especuladores não importunados pela polícia local. Ao parabenizar a Polícia Civil por apresentar “provas” do envolvimento dos brigadistas no crime ambiental, Bolsonaro lembrou que, no passado, já havia dito que recursos de ONGs (Organizações Não-Governamentais) poderiam ter relação com os incêndios. “Impressionante o trabalho, no meu entender, bastante objetivo. Pegou pessoal que ganhava dinheiro de ONGs para tocar fogo no Brasil e a imprensa em grande parte defendendo agora esses quatro caras que foram presos e foram postos em liberdade”, disse. Os ataques desta quarta aumentam a lista de ofensas e difamações de Bolsonaro, que já foi condenado na Justiça a pagar multas por declarações homofóbicas e racistas, e por um ataque pessoal à deputada federal Maria do Rosário, quando ainda era deputado.
Fernanda Montenegro protesta contra agressão do governo à cultura nacional na abertura do Festival do Rio
Cada vez mais símbolo da resistência cultural do Brasil, a atriz Fernanda Montenegro fez um discurso emocionado na abertura do Festival do Rio antes da exibição de “Piedade” na noite de terça (10/12), filme que ela estrela e que deu início ao evento. Sem mencionar diretamente o nome de nenhum político, a estrela manifestou seu repúdio às iniciativas do governo federal contra a cultura do país e os ataques com xingamentos que ela própria recebeu de quem agora ocupa a secretaria da Cultura. “É difícil. Sem cultura não há educação e sem educação não há cultura. Qual é o mal que estamos fazendo para este país para termos tantas proibições, tantas agressões, tantos xingamentos… Não sei porque essa agressão em torno de nós. Não há explicação. É uma nova moralidade que condena qualquer visão fora de uma estrutura sectária”, lamentou. Além de chamar Fernanda Montenegro de “sórdida” e outros nomes, o Secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim, nomeou o pastor Edilásio Santana Barra Júnior, um dos fundadores da Igreja Continental do Amor de Jesus e apresentador do “Programa VIP” (na RedeTV e na CNT), sem nenhuma relação com o cinema, como superintendente de Desenvolvimento Econômico da Ancine (Agência Nacional do Cinema), gerando revolta na classe artística. A Ancine também cancelou uma exibição programada para seus servidores de “A Vida Invisível”, outra obra estrelada por Fernanda Montenegro, e retirou pôsteres de filmes clássicos do cinema brasileiro de sua sede e site. Antes disso, o presidente Jair Bolsonaro já tinha proibido a Petrobras e o BNDES de continuar patrocinando festivais de cinema, o que quase inviabilizou a realização do Festival do Rio deste ano – os organizadores apelaram até para crowdfunding para realizar o evento. Na verdade, o projeto anti-cultural começou com a extinção do Ministério da Cultura e ainda contempla a exclusão de representantes do mercado e da sociedade civil no CSN (Conselho Superior de Cinema), a mudança do CSC para a pasta da Casa Civil, a mudança da Secretaria da Cultura de um ministério para outro sem critério – agora está no Turismo – , o fim de apoio da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para o programa Cinema do Brasil, voltado à exportação de filmes brasileiros, o corte ao apoio à exibição de filmes brasileiros em festivais internacionais e à campanha do filme indicado para representar o Brasil no Oscar, sem esquecer suspensão de edital para produção de séries de temática LGBTQIA+, paralisação do setor por falta de nomeações de representantes em comissões responsáveis pela aprovação de projetos, cortes no fundo que financia filmes e séries no Brasil, promessa de acabar com reserva de mercado para produções nacionais, etc, etc. A lista é longa é inglória. “Nós somos imorredouros. Ninguém vai acabar conosco. Sobrevivemos sempre a qualquer agressão que possa vir [como quando Collor acabou com a Embrafilme]. E desta vez vem de uma forma assassina. Acho que se houvesse possibilidade estaríamos todos num paredão sendo mortos com metralhadoras. Por quê?”, discursou Fernanda. A única atriz brasileira indicada ao Oscar, além de ter um Emmy Internacional no currículo, também destacou a quantidade de mão de obra gerada para produzir um filme, desde a pré-produção até às exibições nas salas de cinema. “Nada disso nasce da noite para o dia. Isso é o resultado de dois, três anos de trabalho de muita gente. Precisa ser valorizado”, defendeu, lembrando que a indústria cinematográfica é importante para a economia. “A verdade é que nenhum setor do país dá mais emprego do que a cultura”, reforçou, citando desde o marceneiro que constrói cenários e a costureira que trabalha em figurinos até o vendedor de pipocas e o manobrista de carros na porta das casas de espetáculo. Além de Fernanda Montenegro, a apresentadora da abertura do festival, a também atriz Mariana Ximenes, manifestou-se contra o desmonte cultural com um figurino criado com estampas dos pôsteres dos filmes retirados da Ancine. O Festival do Rio vai até o dia 14 de dezembro. Paralelamente, acontece o RioMarket, no Rio Othon Palace Hotel, em Copacabana, onde os produtores, técnicos, profissionais, executivos da indústria criativa e estudantes vão se reunir para discutir as tendências da indústria audiovisual. A programação é garantia de outros discursos emocionados. E de reação pública contra o desmonte cultural promovido pelo governo brasileiro. Veja abaixo o discurso emocionado de Fernanda Montenegro e dos demais integrantes da produção de “Piedade”.
Gotham Awards: História de um Casamento vence primeira premiação da temporada nos EUA
A primeira grande premiação cinematográfica americana da temporada, o Gotham Awards 2019, consagrou o drama “História de um Casamento”. A produção da Netflix, escrita e dirigida por Noah Baumbach, foi eleita o Melhor Filme Independente do ano, tanto pelo júri do prêmio quanto pelo público. E também rendeu os troféus de Melhor Roteiro para Baumbach e Melhor Ator para Adam Driver. Com 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme acompanha os dois lados de uma separação, que tem uma criança no meio. Além de Adam Driver (Kylo Ren na franquia “Star Wars”), destaca em seu elenco a atriz Scarlett Johansson (a Viúva Negra dos “Vingadores”). O lançamento em streaming vai acontecer na sexta-feira (6/12), em todo o mundo. Entre as atrizes, a vencedora foi Awkwafina, por “The Farewell”, que não tem previsão de estreia no Brasil. O filme possui 99% de aprovação e gira em torno de uma família chinesa, que organiza um casamento para que uma vovó doente possa ver todos os parentes pela última vez. O Brasil concorria na categoria de Melhor Documentário com “Democracia em Vertigem”. Mas a obra de Petra Costa, sobre o processo de impeachment de Dilma Rousseff, perdeu para outro título da Netflix: “Indústria Americana”, produzido pelo casal Barack e Michelle Obama. De forma impressionante, produções da Netflix conquistaram seis dos dez prêmios entregues na cerimônia, realizada na noite de segunda-feira (2/12) em Nova York. Nos últimos anos, os vencedores do Gotham foram “Birdman” (2014), “Spotlight” (2015), “Moonlight” (2016), “Me Chame pelo Seu Nome” (2017) e “Domando o Destino” (2018). Três deles também venceram o Oscar de Melhor Filme, um foi finalista e o mais recente nem sequer figurou na lista da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos – mas rendeu à diretora Chloé Zhao um contrato com a Marvel. Confira abaixo a lista completa dos premiados, que ainda inclui duas séries estreantes – uma da Hulu e outra, claro, da Netflix. Melhor Filme “História de Um Casamento” Prêmio do Público “História de um Casamento” Melhor Documentário “Indústria Americana” Melhor Diretor Estreante Laure de Clermont-Tonnerre (“The Mustang”) Melhor Roteiro Noah Baumbach (“História de um Casamento”) Melhor Ator Adam Driver (“História de Um Casamento”) Melhor Atriz Awkwafina (“The Farewell”) Melhor Ator Estreante Taylor Russell (“Waves”) Melhor Série Estreante de Capítulos Longos “Olhos que Condenam” Melhor Série Estreante de Capítulos Curtos “PEN15”
Mark Ruffalo critica mentiras de Bolsonaro nas redes sociais
O ator Mark Ruffalo, intérprete do super-herói Hulk no MCU (Universo Cinematográfico da Marvel, na sigla em inglês), criticou o presidente Jair Bolsonaro no Twitter por espalhar fake news e acusar sem provas Leonardo DiCaprio de ter apoiado as queimadas na Amazônia. “Bolsonaro e sua turma estão transformando em bode expiatório as pessoas que protegem a Amazônia dos incêndios que ele próprio permitiu que acontecesse”, comentou Ruffalo, sobre uma reportagem da resposta de DiCaprio aos ataques pessoais. “Pergunte a si mesmo: o que mudou recentemente no Brasil para que isso aconteça agora? Bolsonaro e suas políticas (não) ambientais”, acrescentou o ator. Na quinta-feira (28/11), Eduardo Bolsonaro publicou no Twitter que DiCaprio tinha doado US$ 300 mil “para a ONG que tocou fogo na Amazônia”. Disse ainda que a ONG WWF teria pago R$ 70 mil pelas fotos da floresta em chamas. “Macron e Madonna foram mais espertos, só pegaram na internet umas fotos tiradas décadas atrás de alguma floresta pegando fogo e postaram mesmo”, ironizou o filho de Jair Bolsonaro. Foi imediatamente desmentido pela ONG WWF, que apoia o trabalho dos brigadistas presos no Pará, de forma suspeita, após Bolsonaro acusar, também sem provas, ONGs de colocarem fogo na floresta. Os brigadistas já foram soltos. Sem considerar o desmentido, horas depois Jair Bolsonaro entrou no ar, numa live do Facebook, voltando a culpar as ONGs por queimadas na Amazônia e acusando DiCaprio de doar dinheiro a essas instituições. Segundo Bolsonaro, as ONGs estariam comprando e divulgando fotos forjadas dos incêndios para receber doações e fazer campanhas “contra o Brasil”. “Uma ONG ali pagou R$ 70 mil por uma foto fabricada de queimada”, disse o presidente sem citar nomes. “O que é mais fácil? ‘Toca’ fogo no mato. Tira foto, filma, manda para a ONG, a ONG divulga, entra em contato com o Leonardo DiCaprio e o Leonardo DiCaprio doa US$ 500 mil para essa ONG. Leonardo DiCaprio, você está colaborando com as queimadas na Amazônia”, disse inacreditavelmente o presidente do Brasil. A mentira ganhou repercussão mundial, rendendo críticas da imprensa em todo o mundo. No sábado, Leonardo DiCaprio manifestou-se para desmentir as fake news outra vez. O vencedor do Oscar negou ter financiado as ONGs investigadas por suposto envolvimento em queimadas na Amazônia, mas afirmou que elas merecem apoio. “Apesar de merecerem apoio, nós não financiamos as organizações”, publicou o ator em seu Instagram. DiCaprio, que já tinha se comprometido a doar US$ 5 milhões para a proteção da Amazônia, também elogiou “o povo brasileiro que trabalha para salvar sua herança cultural e natural” e afirmou que “o futuro destes ecossistemas insubstituíveis está em jogo”. Ele completou dizendo ter “orgulho de estar ao lado dos grupos que os protegem.” Muitas pessoas comentaram o post do astro na ocasião. Outros tantos mais ecoaram Ruffalo. E não apenas brasileiros. Por iniciativa própria, Bolsonaro acabou se escalando para virar um vilão caricato de Hollywood. O mundo inteiro está vendo Bolsonero queimar seu filme sozinho. Bolsonaro and his ilk are scapegoating the very people protecting the Amazon from the fires he himself has allowed to happen. Ask yourself: what has recently changed in Brazil to have this happen now? Bolsonaro and his (non)environmental policies. https://t.co/pbiQZkch58 — Mark Ruffalo (@MarkRuffalo) December 2, 2019
Astro mirim de Young Sheldon se junta a Jane Fonda em protesto ambiental nos EUA
O protesto semanal da veterana atriz Jane Fonda (“Grace & Frankie”) em Washington, nos Estados Unidos, por mudanças nas políticas climáticas do governo americano, contou com a participação de seu ativista mais novo, o ator Iain Armitage, estrela da série “Young Sheldon”, de apenas 11 anos de idade. Os dois trabalharam juntos no filme “Nossas Noites” (Our Souls at Night), de 2017, em que viveram vovó e netinho. Além do pequeno Sheldon televisivo, também participaram do novo protesto os netos verdadeiros da atriz de 81 anos e o ator Paul Scheer (de “Veep”), que acabou se tornando o preso da semana – junto com outras 37 pessoas. Armitage também falou no evento e mais tarde usou sua conta pessoal no Twitter para compartilhar uma foto da manifestação em frente ao prédio do Capitólio. Veja abaixo. Jane Fonda vem inspirando uma série de atores a se juntarem à causa ambiental. Nas manifestações das últimas semanas, os atores Ted Danson (“The Good Place”) e Sam Waterston (seu colega na série “Grace & Frankie”) e as atrizes Diane Lane (a mãe da Superman nos filmes da DC), Piper Perabo (“Covert Affairs”) e Amber Valletta (“Revenge”) também foram presos enquanto a acompanhavam. Here we are! @Janefonda @FireDrillFriday pic.twitter.com/tvdatGBjYS — Iain Armitage (@IainLoveTheatre) November 29, 2019
Leonardo DiCaprio expõe mentiras de Bolsonaro no mundo inteiro
Alvo de fake news do presidente Jair Bolsonaro e seu filho deputado, Eduardo, o ator americano Leonardo DiCaprio negou ter financiado ONGs investigadas por suposto envolvimento em queimadas na Amazônia, mas afirmou que elas merecem apoio. “Apesar de merecerem apoio, nós não financiamos as organizações”, disse DiCaprio, em comunicado enviado à imprensa internacional e publicado no Instagram. O ator também elogiou “o povo brasileiro que trabalha para salvar sua herança cultural e natural” e afirmou que “o futuro destes ecossistemas insubstituíveis está em jogo”. Ele completou dizendo ter “orgulho de estar ao lado dos grupos que os protegem.” Depois das queimadas na Amazônia em meados deste ano, a ONG Earth Alliance, da qual DiCaprio é fundador, prometeu doar US$ 5 milhões para a proteção da Amazônia. Na ocasião, DiCaprio também enalteceu o trabalho dos brigadistas voluntários nas redes sociais, revelando algo que até então não era de conhecimento amplo. Ele trabalhou em combate a incêndios na Amazônia em 2017. “Na Amazônia, eles freqüentemente trabalham com nada além de facões, sopradores de folhas e pequenos tanques de supressores de fogo. Eu trabalhei com uma tropa deles no leste do Brasil em 2017. Foi um trabalho duro e às vezes sem esperança. Alguns deles eram homens de tribos Guajajara que dedicaram suas vidas a proteger o que restou de suas florestas ancestrais – a maioria já havia sido explorada e queimada. Alguns deles foram assassinados por tentarem proteger a região. Tem sido brutal e trágico e todos nós devemos nos curvar a eles pelo que eles fazem”. O tratamento dado aos voluntários que combatem incêndios na floresta, porém, tem sido o pior possível por parte das autoridades brasileiras. A começar por quem deveria dar exemplos de solidariedade e apoio às iniciativas de proteção da Amazônia, no momento em que recordes de destruição são registrados. Na quinta (28/11), o Bolsonaro filho publicou no Twitter que DiCaprio tinha doado US$ 300 mil “para a ONG que tocou fogo na Amazônia”. Disse ainda que a ONG WWF teria pago R$ 70 mil pelas fotos da floresta em chamas. “Macron e Madonna foram mais espertos, só pegaram na internet umas fotos tiradas décadas atrás de alguma floresta pegando fogo e postaram mesmo”, ironizou o filho de Jair Bolsonaro. Entretanto, como tem virado costume no Twitter da família, era fake news, mentira mesmo. A WWF rebateu as afirmações por meio de nota, afirmando que “não adquiriu nenhuma foto ou imagem da Brigada, nem recebeu doação do ator Leonardo DiCaprio”. “Tais informações que estão circulando são inverídicas”, acrescentou. Sem considerar o filho desmentido, horas depois o Bolsonaro pai também culpou (de novo) as ONGs por queimadas na Amazônia e acusou DiCaprio de doar dinheiro a essas instituições. Segundo Bolsonaro, as ONGs estariam comprando e divulgando fotos forjadas dos incêndios para receber doações e fazer campanhas “contra o Brasil”. “Uma ONG ali pagou R$ 70 mil por uma foto fabricada de queimada”, disse o presidente sem citar nomes. “O que é mais fácil? ‘Toca’ fogo no mato. Tira foto, filma, manda para a ONG, a ONG divulga, entra em contato com o Leonardo DiCaprio e o Leonardo DiCaprio doa US$ 500 mil para essa ONG. Leonardo DiCaprio, você está colaborando com as queimadas na Amazônia”, completou. As declarações dos Bolsonaros foram dadas no momento em que quatro brigadistas de uma ONG que atua na região de Alter do Chão, no Pará, estavam presos sob uma contestada acusação de provocar incêndios em setembro. Entretanto, a ação resultou polêmica e teve efeito oposto ao desejado pelo presidente, virando um (novo) escândalo de arbitrariedade e (nova) vergonha mundial para o Brasil. Cerca de 180 entidades ambientalistas e de direitos humanos se manifestaram contra a prisão dos jovens voluntários, que tiveram a prisão revogada no final da tarde de quinta-feira. O caso ganhou repercussão internacional e a linha investigatória que culpava ONGs foi questionada até pelo MPF (Ministério Público Federal). “Ao contrário, a linha das investigações federais, que vem sendo seguida desde 2015, aponta para o assédio de grileiros, ocupação desordenada e para a especulação imobiliária como causas da degradação ambiental em Alter”, disse o Ministério Público em nota, exigindo acesso ao inquérito. Como resultado, o governador do Pará decidiu intervir, mudando o delegado à frente da caso. No mesmo dia, o presidente do Brasil foi denunciado por crimes contra a humanidade no Tribunal de Haia, na Suíça, por incentivar a devastação da Amazônia. Dando mais motivo para a acusação, Bolsonaro ainda pediu que não fossem feitas doações às organizações que lutam para preservar a floresta. “Não doe dinheiro para ONG, acabe com essa história. Não estão lá para preservar o meio ambiente, estão lá em causa própria. Estava circulando uma foto dos quatro ongueiros parece que é verdadeiro, não tenho certeza. Os caras vivendo em luxúria de fazer inveja para qualquer trilionário e ganhando a vida como? Tacando fogo na Amazônia! Grande jogada. Taca fogo na Amazônia, divulga as imagens e ganha um dinheirinho do Leonardo DiCaprio. Ô DiCaprio pisou na bola, hein? Pelo amor de Deus”, reiterou o presidente, contando mais mentiras. A foto citada também é fake news. Na melhor das hipóteses, o presidente do Brasil não checa fatos antes de divulgar mentiras para o povo brasileiro. Infelizmente, não é a primeira vez que isso acontece. Desta vez, porém, dezenas de publicações internacionais publicaram a fala de Bolsonaro com destaque. A notícia se tornou a mais lida do site da revista Time na manhã de sábado (29/11), transformando a pessoa que ocupa o importante cargo de Presidente da República do Brasil numa piada mundial. A imprensa internacional, porém, preferiu levar a sério, considerando que Bolsonaro apela a fake news como forma de governar e fugir de qualquer responsabilidade. “Líder brasileiro acusa falsamente Leonardo DiCaprio de por fogo na Amazônia”, diz o título de reportagem do New York Times. Segundo o jornal americano, a declaração é a mais recente de uma série de tentativas de passar para outros a responsabilidade pela destruição da floresta. “Bolsonaro acusa falsamente ator de financiar destruição deliberada da Amazônia”, ecoou o jornal inglês The Guardian, que chama a acusação de “espúria”, e ressalta que Bolsonaro não ofereceu nenhuma prova do que disse. Por sua vez, o jornal francês Le Figaro mencionou até as imagens de DiCaprio com um lança-chamas no filme “Era Uma Vez Em… Hollywood”, que foram usadas nas redes sociais em montagens que ridicularizam a fala do presidente brasileiro. Nos comentários das reportagens da imprensa estrangeira, leitores criticaram o presidente brasileiro. Em inglês, um deles sugeriu que DiCaprio processasse Bolsonaro por calúnia e difamação. “Eu acho que Leonardo DiCaprio deve processar pesadamente Bolsonaro e doar tudo o que ganhar para as ONGs que ele odeia”, escreveu. Outra leitora acrescentou: “Os líderes mundiais perceberam que podem mentir descaradamente e ainda ser reeleitos. De fato, eles adoram a publicidade que a mentira lhes traz.” A imprensa internacional também ressaltou que as declarações do presidente estão relacionadas à prisão de brigadistas de Alter do Chão – caso que é tratado como parte de uma tentativa de ataque do governo a organizações não governamentais. A ONG WWF divulgou comunicado apontando as arbitrariedades e injustiças praticadas para sustentar as fake news da família no poder, que criaram o ambiente para a prisão de jovens dedicados à proteção da floresta amazônica. “A falta de clareza sobre as investigações, a falta de fundamento das alegações usadas e, por consequência, as dúvidas sobre o real embasamento jurídico dos procedimentos adotados pelas autoridades contra os acusados, incluindo a entrada e coleta de documentação nas sedes das organizações Projeto Saúde e Alegria e Instituto Aquífero Alter do Chão – onde funcionava a Brigada de Alter do Chão -, são extremamente preocupantes do ponto de vista da democracia e configuram claramente medidas abusivas”, disse a entidade. Por sorte ainda independente, o MPF se manifestou com surpresa sobre a prisão e pediu para assumir o inquérito porque, desde 2015, investiga um esquema de grilagem, ocupação ilegal e especulação imobiliária em Alter. O procurador da República Luís de Camões Lima Boaventura é autor de uma ação civil pública que tenta obrigar um dos grileiros, Silas da Silva Soares, a recuperar áreas degradadas em uma gleba de 410 hectares que ele loteou na localidade de Capadócia, à margem do Lago Verde, no interior da Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão. Soares teria vendido ao menos 40 lotes para forasteiros e pessoas da região, entre elas agentes públicos. Conforme o procurador, existe a suspeita de que os incêndios que destruíram ao menos 1.175 hectares, em setembro, tenham se iniciado no loteamento. Soares foi condenado a 6 anos e 10 meses de prisão pelos crimes ambientais, mas está foragido. Em sua defesa, alegou que recebeu as terras como herança de seus pais e, além de construir uma moradia para sua habitação, cedeu parte da posse a parentes. Seu advogado, Raimundo Nonato Castro, disse que ele estava fora da cidade, em tratamento médico, quando aconteceram as queimadas. Para completar, o juiz que decretou a prisão dos jovens é de uma família de madeireiros da região e já se manifestou, na imprensa, contra ONGs. O presidente do Brasil deu o mau exemplo e suas fake news viraram mais que piada mundial, um verdadeiro perigo para a democracia brasileira. Ver essa foto no Instagram At this time of crisis for the Amazon, I support the people of Brazil working to save their natural and cultural heritage. They are an amazing, moving and humbling example of the commitment and passion needed to save the environment. The future of these irreplaceable ecosystems is at stake and I am proud to stand with the groups protecting them. While worthy of support, we did not fund the organizations targeted. I remain committed to supporting the Brazilian indigenous communities, local governments, scientists, educators and general public who are working tirelessly to secure the Amazon for the future of all Brazilians. Uma publicação compartilhada por Leonardo DiCaprio (@leonardodicaprio) em 30 de Nov, 2019 às 7:48 PST
Bolsonaros acusam Leonardo DiCaprio de colaborar com incêndios na Amazônia
O clã Bolsonaro resolveu comprar briga com um dos astros mais populares do mundo. Em ação coordenada, Eduardo e Jair Bolsonaro atacaram o ator Leonardo DiCaprio, que é o principal porta-voz da defesa do meio-ambiente em Hollywood, com fake news nas redes sociais na quinta-feira (28/11). À tarde, o deputado Eduardo Bolsonaro publicou no Twitter que o vencedor do Oscar doou US$ 300 mil “para a ONG que tocou fogo na Amazônia”. Disse ainda que a ONG WWF teria pago R$ 70 mil pelas fotos da floresta em chamas. “Macron e Madonna foram mais espertos, só pegaram na internet umas fotos tiradas décadas atrás de alguma floresta pegando fogo e postaram mesmo”, ironizou o filho de Jair Bolsonaro. Entretanto, trata-se, como sempre, de fake news. A WWF rebateu as afirmações por meio de nota, afirmando que “não adquiriu nenhuma foto ou imagem da Brigada, nem recebeu doação do ator Leonardo DiCaprio”. “Tais informações que estão circulando são inverídicas”, acrescentou. Ignorando o desmentido, o presidente Jair Bolsonaro repetiu a fake news do filho e ainda ironizou as doações do ator americano durante a noite, em sua live semanal no Facebook. DiCaprio teria financiado a organização, segundo Bolsonaro, responsável por incêndios criminosos na Amazônia. Ele aproveitou para voltar a criticar ONGs ambientalistas, reforçando uma possível autoria por parte delas nas queimadas. Para basear os comentários, citou a prisão preventiva dos quatro brigadistas da organização Brigadas de Alter do Chão do Pará, acusados de serem os responsáveis por queimadas no mês de setembro. “Primeiro me atacaram na questão de derrubada na Amazônia. Depois vieram as queimadas, me acusaram de ser conivente. Falei que suspeitava de ONGs, pronto. A imprensa comendo meu fígado pelo Brasil, disseram que era irresponsabilidade… Bem, a casa caiu”, disparou. E emendou a fake news: “Uma ONG contratou 70 mil por uma foto de queimadas. Então o que o pessoal da ONG fez? O que é mais fácil? Tocar fogo, tira foto, filma, a ONG divulga, faz campanha contra o Brasil, entra em contato com Leonardo DiCaprio e ele doa US$ 500 mil para essa ONG. Uma parte foi para o pessoal que estava tacando fogo. Ô Leonardo, pô, você está colaborando com a queimada na amazônia, pô, assim não dá”, ironizou Bolsonaro. No mesmo dia em que foi denunciado por crimes contra a humanidade no Tribunal de Haia, na Suíça, por incentivar a devastação da Amazônia, Bolsonaro ainda pediu que não fossem feitas doações às organizações que lutam para preservar a floresta. “Não doe dinheiro para ONG, acabe com essa história. Não estão lá para preservar o meio ambiente, estão lá em causa própria. Estava circulando uma foto dos quatro ongueiros parece que é verdadeiro, não tenho certeza. Os caras vivendo em luxúria de fazer inveja para qualquer trilionário e ganhando a vida como? Tacando fogo na Amazônia! Grande jogada. Taca fogo na Amazônia, divulga as imagens e ganha um dinheirinho do Leonardo DiCaprio. Ô DiCaprio pisou na bola, hein? Pelo amor de Deus”, reiterou o presidente. A foto citada também é fake news. Na melhor das hipóteses, o presidente do Brasil não checou os fatos antes de divulgar mentiras para o povo brasileiro. Infelizmente, não foi a primeira vez. Os Bolsonaros tentaram surfar na operação da Polícia do Pará contra ONGs em que quatro brigadistas foram presos e acusados de provocarem grandes queimadas no paraíso ecológico de Alter do Chão. Entretanto, a ação resultou polêmica e pode ter efeito oposto ao desejado pelo presidente, como um (novo) escândalo de arbitrariedade e (nova) vergonha mundial para o Brasil. Cerca de 180 entidades ambientalistas e de direitos humanos se manifestaram contra a prisão dos jovens voluntários, que tiveram a prisão revogada no final da tarde desta quinta-feira. O caso ganhou repercussão internacional e a linha investigatória que culpava ONGs foi questionada até pelo MPF (Ministério Público Federal). “Ao contrário, a linha das investigações federais, que vem sendo seguida desde 2015, aponta para o assédio de grileiros, ocupação desordenada e para a especulação imobiliária como causas da degradação ambiental em Alter”, disse o Ministério Público em nota, exigindo acesso ao inquérito. Como resultado, o governador do Pará decidiu intervir, mudando o delegado à frente da caso. Já Leonardo DiCaprio foi atacado porque sua fundação, a Earth Alliance, comprometeu-se a doar US$ 5 milhões para a preservação da floresta amazônica e comunidade indígenas, “unindo-se com parceiros locais para proteger a biodiversidade da Amazônia contra o recente crescimento de incêndios por toda a região”. DiCaprio também enalteceu o trabalho dos brigadistas, como os jovens de Alter, nas redes sociais, revelando algo que até então não era de conhecimento amplo. Ele trabalhou em combate a incêndios na Amazônia em 2017. “Na Amazônia, eles freqüentemente trabalham com nada além de facões, sopradores de folhas e pequenos tanques de supressores de fogo. Eu trabalhei com uma tropa deles no leste do Brasil em 2017. Foi um trabalho duro e às vezes sem esperança. Alguns deles eram homens de tribos Guajajara que dedicaram suas vidas a proteger o que restou de suas florestas ancestrais – a maioria já havia sido explorada e queimada. Alguns deles foram assassinados por tentarem proteger a região. Tem sido brutal e trágico e todos nós devemos nos curvar a eles pelo que eles fazem”. Esta experiência também permitiu DiCaprio selecionar pessoalmente as entidades que considera mais comprometidas com a floresta. Assim, o dinheiro da sua organização será enviado diretamente para ONGs, sem passar por intermediação do governo Bolsonaro – cuja ingerência fez com que Alemanha e Noruega paralisassem o Fundo da Amazônia. As entidades favorecidas são Instituto Associação Floresta Protegida (Kayapo), Coordination of the Indigenous Organizations of the Brazilian Amazon (COIAB), Instituto Kabu (Kayapo), Instituto Raoni (Kayapo) e Instituto Socioambiental (ISA). Em 17 de novembro, a revista científica Global Change Biology publicou um estudo que atestou que as queimadas deste ano na Amazônia foram as piores registradas em quase uma década. Cientistas e servidores de instituições federais de ensino brasileiras ligadas ao meio ambiente decidiram não assinar o trabalho sobre a devastação da Amazônia por medo de retaliações do atual governo. No início de agosto, Ricardo Galvão, ex-presidente do Inpe, foi exonerado do cargo por Bolsonaro ao apresentar os números oficiais do desmatamento. Ele demonstrou que o número de queimadas na região Amazônica brasileira triplicou em relação a agosto do ano passado, passando de 10.421 em 2018 para 30.901 em 2019, conforme o relatório do Inpe. Diante do avanço desmedido da devastação, o Tribunal Penal Internacional recebeu uma denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro por sua omissão em relação às queimadas na Amazônia e por incitar a violência contra populações indígenas. É neste contexto que ele lança campanha de fake news contra DiCaprio e as ONGs que atuam onde seu governo é acusado (real news) de não atuar. Importante lembrar, ainda, que Bolsonaro foi pela primeira vez à Amazônia na quarta-feira (27/11), ignorando a região durante toda a crise incendiária. Os brigadistas foram presos horas antes da viagem, permitindo a retomada do discurso anti-ONG do presidente, que já tinha culpado “ongistas” pelas queimadas, sem evidências, assim que a situação chamou atenção internacional. O presidente ainda não viajou ao litoral nordestino, que enfrenta outra crise ambiental, onde a ação de voluntários e ONGs também se prova crucial para impedir o pior. Leonardo DiCaprio doou USD 300.000 para a ONG que tocou fogo na Amazônia, a ONG @WWF pagou R$ 70.000 pelas fotos da floresta em chamas. Macron e Madonna foram mais espertos, só pegaram na internet umas fotos tiradas décadas atrás de alguma floresta pegando fogo e postaram mesmo. pic.twitter.com/8bPF6jrjPV — Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) November 28, 2019
Cineasta que passou cinco anos preso na Rússia ganha prêmio do Parlamento Europeu
Libertado de uma prisão russa após cinco anos, o cineasta ucraniano Oleg Sentsov recebeu nesta terça (26/11) o Prêmio Sakharov para Liberdade de Pensamento, oferecido pelo Parlamento Europeu. O troféu foi criado em 1985 pela União Europeia para homenagear pessoas ou organizações que dedicaram as suas vidas ou ações à defesa dos direitos humanos e à liberdade. Oleg Sentsov venceu o prêmio do ano passado, mas só agora pôde receber pessoalmente a honraria. Ele estava preso desde 2014, após a Rússia anexar o território ucraniano da Crimeia. Diretor do filme “Gámer”, exibido na Mostra de São Paulo em 2012, Sentsov foi aprisionado após denunciar a Rússia por ataques terroristas na Crimeia, onde morava. Detido em sua casa, em maio de 2014, foi condenado a 20 anos de prisão por um tribunal militar sob a acusação de ter coordenado um grupo de ativistas filiados ao movimento paramilitar ucraniano Pravy Sektor (Setor de Direita), que planejaria atentados contra as organizações pró-russas e as infraestruturas da península. O movimento teria colocado fogo em dois prédios, um deles pertencente ao atual partido do governo da Rússia. Ele se declarou inocente à época, afirmando que seu julgamento era uma farsa com motivações políticas. Sentsov chegou a entrar em greve de fome – interrompida à força – para alertar que havia mais 64 presos políticos na sua prisão, que foram detidos sem nada terem feito além de protestar contra a invasão da Rússia na Ucrânia. Sentsov foi identificado como inimigo da Rússia por ter trabalhado como voluntário para levar comida e mantimentos aos soldados ucranianos que enfrentaram o avanço russo. Ele também ajudou a organizar protestos pacíficos. O Departamento de Defesa dos EUA e o Parlamento Europeu condenaram sua prisão, assim como artistas e cineastas europeus, inclusive russos, e principalmente a Academia Europeia de Cinema, que realizou vigílias para sua libertação. Mas o presidente Vladimir Putin afirmou repetidas vezes que não interviria em um problema da Justiça russa, reforçando que ele estava preso por acusações de terrorismo. A liberdade de Sentsov aconteceu apenas no dia 7 de setembro passado, quando os governos da Ucrânia e da Rússia concordaram em fazer uma troca de prisioneiros. 35 russos presos na Ucrânia foram libertados para que o país recebesse 35 ucranianos aprisionados na Rússia. Na ocasião, Mike Downey, vice-presidente da Academia Europeia, disse: “Finais felizes raramente acontecem, exceto nos filmes. Mas no caso de Oleg Sentsov, embora seja uma vitória amarga depois de mais de cinco anos de luta no gulag e meses em greve de fome, ele nunca desistiu de sua posição ou de seus princípios.” Nesta terça, em seu discurso de agradecimento ao prêmio do Parlamento Europeu, Sentsov voltou a se manifestar sobre a ameaça representada por Vladimir Putin à democracia da Ucrânia. “É uma honra imensa e também uma responsabilidade imensa. Eu aceito esse prêmio em nome de todos os presos políticos da Ucrânia que estiveram em prisões russas”, disse Sentsov, antes de acrescentar: “Eu não confio em Putin e eu peço que vocês também não confiem nele. A Rússia e o Sr. Putin irão traí-los. Eles querem ver a Ucrânia de joelhos”, completou.
Diane Lane, Piper Perabo e Amber Valletta são presas em protesto nos Estados Unidos
As atrizes Diane Lane (a mãe da Superman nos filmes da DC), Piper Perabo (“Covert Affairs”) e Amber Valletta (“Revenge”) fora presas nesta sexta (22/11) durante protesto da campanha Fire Drill Fridays, que organiza demonstrações semanais em Washington, exigindo que o governo americano adote medidas de combate ao aquecimento global. A organização ganhou notoriedade graças à participação de Jane Fonda nos protestos. A atriz de 81 anos foi presa por três semanas seguidas, e continua comparecendo às demonstrações, agora evitando os policiais. As três atrizes presas no protesto desta semana não tiveram a mesma sorte que Fonda e o ator Manny Jacinto, conhecido pelo papel de Jason na série “The Good Place”, que também compareceu à manifestação e — assim como Fonda — conseguiu evitar a prisão.
Clive Owen viverá Bill Clinton na 3ª temporada de American Crime Story
O ator inglês Clive Owen (“Projeto Gemini”) vai interpretar Bill Clinton na próxima temporada de “American Crime Story”, que abordará o processo de impeachment contra o então presidente dos Estados Unidos, que aconteceu entre 1998 e 1999. Indicado ao Oscar em 2005 por sua performance em “Closer”, Owen vai contracenar com a atriz Beanie Feldstein (“Fora de Série”) no papel de Monica Lewinsky, a estagiária que teve um affair com o presidente e foi estopim do processo. O elenco ainda inclui Sarah Paulson (“American Horror Story”) como Linda Tripp, a mulher que gravou telefonemas em que Lewinsky admitia o caso com Clinton, e Annaleigh Ashford (“Masters of Sex”) como Paula Jones, que processou o ex-presidente por assédio sexual. O papel de Hillary Clinton, mulher do presidente, que continuou ao seu lado durante todo o escândalo sexual e o processo de impeachment, ainda não foi preenchido. A própria Monica Lewinsky é uma das produtoras da 3ª temporada da antologia premiada, que recebeu o título oficial de “Impeachment: American Crime Story”. A trama é baseada em “A Vast Conspiracy: The Real Sex Scandal That Nearly Brought Down a President”, best-seller de 2000 escrito por Jeffrey Toobin, mesmo autor do livro “The Run of His Life: The People v. O.J. Simpson”, que inspirou a bem-sucedida 1ª temporada da série. A adaptação foi feita por Sarah Burgess (“Compliance”) e dá sequência a duas temporadas muito premiadas, que abordaram o julgamento de O.J. Simpson e o assassinato de Gianni Versace. A produção é de Ryan Murphy, que também produz “American Horror Story” e “Pose” no mesmo canal pago americano, FX, além de “The Politician” e vários projetos novos na Netflix.
Segredos Oficiais pertence à melhor tradição dos thrillers políticos
“Segredos Oficiais” é um thriller político na tradição dos melhores produzidos pela Nova Hollywood nos anos 1970, mas com aquele toque de maior realismo das produções britânicas. O filme conta a história real de Katharine Gun, vivida com brilhantismo por Keira Knightley (“Colette”). Funcionária de uma agência de inteligência da Inglaterra, ela obteve um memorando bombástico que revelava uma tentativa dos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido de pressionar os demais países para obter apoio da ONU à guerra contra o Iraque em 2003, tendo como principal desculpa a existência das notórias – e inventadas – “armas de destruição em massa”. O filme é narrado com uma maestria impressionante, ainda que de maneira bem clássica. Talvez o maior mérito seja do roteiro, que foi coescrito pelo diretor Gavin Hood e consegue amarrar bem todos os personagens, apresentados nos momentos certos, e costurar a trama complexa de uma forma envolvente. É interessante como certos filmes, mesmo tratando de eventos ocorridos com uma distanciamento temporal relativamente grande, ainda falam sobre o momento atual. Afinal, vazamentos de informações privilegiadas estampam cada vez mais manchetes de jornais. Mas Gun não é retratada como uma heroína. O filme a mostra como uma pessoa comum que sente a necessidade de agir para impedir uma guerra (infelizmente, os Estados Unidos iniciam o ataque, mesmo sem o apoio da ONU) e que tem sua vida virada do avesso ao tomar essa decisão. O risco não é só dela, que pode ser presa, mas para seu marido, por ser imigrante, que enfrenta ameaças de deportação. O enredo vai sendo tecido com cuidado e esmero. Após a apresentação da personagem de Keira Knightley e as ações fundamentais para que o memorando ganhe o mundo, somos apresentados aos jornalistas do The Observer, principalmente àquele que escreveria a história, Martin Bright (em interpretação de Matt Smith, de “The Crown”). Depois, entra em cena o advogado Ben Emmerson (Ralph Fiennes, de “O Grande Hotel Budapeste”), que será responsável pela defesa da jovem. O excelente trabalho dos atores e o modo como o filme lida de forma realista com o mundo dos jornais, o circo da mídia e todo o drama kafkiano enfrentado por Gun, contribui para que “Segredos Oficiais” não deva nada a outras obras recentes de denúncias jornalísticas, como “Spotlight – Segredos Revelados”, de Tom McCarthy, “Conspiração e Poder”, de James Vanderbilt, ou “The Post – A Guerra Secreta”, de Steven Spielberg. E para quem não conhece a história real de Katharine Gun, o melhor é não pesquisar nada, pois o final é surpreendente.







