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O presidente Jair Bolsonaro defendeu o cancelamento de contrato do Ministério da Educação com a TV Escola, que incluiu <a href="https://pipocamoderna.com.br/2019/12/ministerio-da-educacao-encerra-contrato-e-despeja-tv-escola/">o despejo da equipe da produção</a>. Bolsonaro alega que os programas do canal eram todos de esquerda e seguiam os pensamentos do premiado educador Paulo Freire, a quem considera um "energúmeno"."Você conhece a programação da TV escola? Deseduca. Por que a educação do Brasil está lá embaixo? Por causa dessas programações. Agora o pessoal está criticando. Esse tipo de cultura é para acabar mesmo. Queriam renovar o contrato... R$ 350 milhões iam ser jogados no lixo", afirmou o presidente nesta segunda-feira (16/16), em frente ao Palácio da Alvorada."Queriam que eu assinasse o contrato, o Abraham Weintraub, de R$ 350 milhões. Quem assiste a TV Escola? Ninguém assiste, dinheiro jogado fora", continuou Bolsonaro.Embora o morador ilustre do Palácio da Alvorada tenha ressaltado duas vezes o custo de R$ 350 milhões, a renovação do acordo de gestão com a Associação Roquette Pinto, responsável pela programação, estava avaliada em torno de R$ 70 milhões anuais, valor similar ao orçamento deste ano. O montante de R$ 350 milhões equivaleria a um contrato de cinco anos de produção. Não chega a ser nova fake news de Bolsonaro, mas é quase, ao estilo das notícias do site TV Foco."E outra, era uma programação totalmente de esquerda. Ideologia de gênero. Tem que mudar. Daqui 5, 10 anos vai ter reflexo disso aí. 30 anos em cima dessa ideologia ai desse Paulo Freire, desse energúmeno aí que foi ídolo da esquerda", arrematou o presidente brasileiro.A decisão de encerrar o contrato para a produção do TV Escola aconteceu após o governo encontrar dificuldades para indicar pessoas sem competência comprovada e politizar o canal com conteúdo ideológico. De acordo com documentos obtidos pelo site de direita O Antagonista, em julho o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, encaminhou ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, nomes que deveriam ser nomeados para a fundação, apesar de não terem nenhuma ligação com a área da Educação ou mesmo com Jornalismo - um era formado em Odontologia e o outro em curso de escolta armada. Os apadrinhados acabaram rejeitados.Apesar disso, o conteúdo da TV Escola, que existe desde 1995 com teor educacional voltado para professores e estudantes, sofreu sim influência do governo. O diretor-geral, Francisco Câmpera, foi indicado ainda na gestão do ex-ministro Ricardo Vélez, e a associação ainda abrigou integrantes da ala mais ideológica do governo, como Eduardo Melo, que é diretor adjunto.Isto aconteceu após o Ministério da Educação atrasar repasses neste ano para a associação, o que vinha dificultando a continuidade das operações do canal.Para completar, na semana passada a emissora passou a transmitir uma série sobre a história do Brasil com visão fortemente ideológica, cujo tom revisionista enfatizava a religião e minimizava a importância dos não brancos para o país, acompanhada por entrevistas com o escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, e outros porta-vozes da extrema direita.Ou seja, o canal tinha programas que não eram "totalmente de esquerda". Alguns eram até "totalmente de direita", afinados com o "pensamento" ideológico de Bolsonaro. Com a quantidade de trabalho que normalmente envolve presidir uma república de tamanho continental, é até desculpável que o presidente do Brasil não tivesse tempo para assistir a TV Escola. Mas ao opinar sobre o que não viu e decretar descontinuidade do que desconhece, Bolsonaro obriga a imprensa a trabalhar dobrado para restabelecer a verdade para o público.Importante reparar ainda que o presidente disse que o dinheiro do TV Escola poderia ser usado para outros programas e citou um canal chamado Ines, voltado para surdos. Contudo, a produção de conteúdo desse canal, vinculado ao Ines (Instituto Nacional de Educação de Surdos), também é feita pela Associação Roquette Pinto. A citação pode ser outro caso de desinformação ou parte de um plano maior de "despejo" da associação em seu governo.Neste sentido, vale lembrar que, ao confirmar que o contrato com a Roquette Pinto não seria renovado, o Ministério da Educação afirmou, em nota oficial, que "estuda a possibilidade de as atividades do canal serem exercidas por outra instituição da administração pública".A declaração sugere que outra empresa deverá assumir as operações do(s) canal(is), possivelmente com novo aporte financeiro (verbas públicas) e, no caso de emplacar um "caráter emergencial", sem litação, o que possibilitaria a escolha de associação ligada aos interesses do governo - ou de integrantes do governo. A conferir.

Etc|16 de dezembro de 2019

Bolsonaro defende fim de contrato do governo com a TV Escola

O presidente Jair Bolsonaro defendeu o cancelamento de contrato do Ministério da Educação com a TV Escola, que incluiu o despejo da equipe da produção. Bolsonaro alega que os programas do canal eram todos de esquerda e seguiam os pensamentos do premiado educador Paulo Freire, a quem considera um “energúmeno”.

“Você conhece a programação da TV escola? Deseduca. Por que a educação do Brasil está lá embaixo? Por causa dessas programações. Agora o pessoal está criticando. Esse tipo de cultura é para acabar mesmo. Queriam renovar o contrato… R$ 350 milhões iam ser jogados no lixo”, afirmou o presidente nesta segunda-feira (16/16), em frente ao Palácio da Alvorada.

“Queriam que eu assinasse o contrato, o Abraham Weintraub, de R$ 350 milhões. Quem assiste a TV Escola? Ninguém assiste, dinheiro jogado fora”, continuou Bolsonaro.

Embora o morador ilustre do Palácio da Alvorada tenha ressaltado duas vezes o custo de R$ 350 milhões, a renovação do acordo de gestão com a Associação Roquette Pinto, responsável pela programação, estava avaliada em torno de R$ 70 milhões anuais, valor similar ao orçamento deste ano. O montante de R$ 350 milhões equivaleria a um contrato de cinco anos de produção. Não chega a ser nova fake news de Bolsonaro, mas é quase, ao estilo das notícias do site TV Foco.

“E outra, era uma programação totalmente de esquerda. Ideologia de gênero. Tem que mudar. Daqui 5, 10 anos vai ter reflexo disso aí. 30 anos em cima dessa ideologia ai desse Paulo Freire, desse energúmeno aí que foi ídolo da esquerda”, arrematou o presidente brasileiro.

A decisão de encerrar o contrato para a produção do TV Escola aconteceu após o governo encontrar dificuldades para indicar pessoas sem competência comprovada e politizar o canal com conteúdo ideológico. De acordo com documentos obtidos pelo site de direita O Antagonista, em julho o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, encaminhou ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, nomes que deveriam ser nomeados para a fundação, apesar de não terem nenhuma ligação com a área da Educação ou mesmo com Jornalismo – um era formado em Odontologia e o outro em curso de escolta armada. Os apadrinhados acabaram rejeitados.

Apesar disso, o conteúdo da TV Escola, que existe desde 1995 com teor educacional voltado para professores e estudantes, sofreu sim influência do governo. O diretor-geral, Francisco Câmpera, foi indicado ainda na gestão do ex-ministro Ricardo Vélez, e a associação ainda abrigou integrantes da ala mais ideológica do governo, como Eduardo Melo, que é diretor adjunto.

Isto aconteceu após o Ministério da Educação atrasar repasses neste ano para a associação, o que vinha dificultando a continuidade das operações do canal.

Para completar, na semana passada a emissora passou a transmitir uma série sobre a história do Brasil com visão fortemente ideológica, cujo tom revisionista enfatizava a religião e minimizava a importância dos não brancos para o país, acompanhada por entrevistas com o escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, e outros porta-vozes da extrema direita.

Ou seja, o canal tinha programas que não eram “totalmente de esquerda”. Alguns eram até “totalmente de direita”, afinados com o “pensamento” ideológico de Bolsonaro. Com a quantidade de trabalho que normalmente envolve presidir uma república de tamanho continental, é até desculpável que o presidente do Brasil não tivesse tempo para assistir a TV Escola. Mas ao opinar sobre o que não viu e decretar descontinuidade do que desconhece, Bolsonaro obriga a imprensa a trabalhar dobrado para restabelecer a verdade para o público.

Importante reparar ainda que o presidente disse que o dinheiro do TV Escola poderia ser usado para outros programas e citou um canal chamado Ines, voltado para surdos. Contudo, a produção de conteúdo desse canal, vinculado ao Ines (Instituto Nacional de Educação de Surdos), também é feita pela Associação Roquette Pinto. A citação pode ser outro caso de desinformação ou parte de um plano maior de “despejo” da associação em seu governo.

Neste sentido, vale lembrar que, ao confirmar que o contrato com a Roquette Pinto não seria renovado, o Ministério da Educação afirmou, em nota oficial, que “estuda a possibilidade de as atividades do canal serem exercidas por outra instituição da administração pública”.

A declaração sugere que outra empresa deverá assumir as operações do(s) canal(is), possivelmente com novo aporte financeiro (verbas públicas) e, no caso de emplacar um “caráter emergencial”, sem litação, o que possibilitaria a escolha de associação ligada aos interesses do governo – ou de integrantes do governo. A conferir.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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