Eleitores do Oscar se recusam a ver “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre”
Em 2005, o Oscar elegeu o fraquíssimo “Crash” como Melhor Filme, porque muitos eleitores se recusaram a assistir o principal candidato, “O Segredo de Brokeback Mountain”, por ser um romance gay. A história volta se repetir em 2021, com muitos votantes se recusando a assistir “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre”, por retratar o aborto adolescente. A diretora do filme, Eliza Hittman, conseguiu acesso a um email de um dos eleitores da Academia, enviado a uma relações públicas, onde fica claro que “não vi e não gostei” ainda vigora forte entre os autodenominados cristãos que votam no Oscar. Ela postou a carta em seu Instagram, identificando o autor como o cineasta Kieth Merrill, vencedor de um Oscar em 1973 pelo documentário “The Great American Cowboy” e indicado em 1997 pelo curta “Amazon”. “Recebi o filme, mas como cristão, pai de 8 filhos, avô de 39 netos e ativista pró-vida, eu tenho ZERO interesse em assistir a uma mulher cruzando fronteiras para alguém assassinar seu filho”, diz o texto. “75 milhões de nós enxergamos o aborto como a atrocidade que é. Não tem nada heroico sobre uma mãe se esforçando tanto para matar seu filho. Pense nisso!” Apesar desta atitude, Hittman acrescentou: “Recebi este e-mail ontem à noite e foi um lembrete duro de que a Academia ainda é infelizmente monopolizada por uma guarda velha, branca e puritana. Me pergunto quantos outros jurados não vão assistir ao filme”. Depois, a diretora deletou a postagem. Em comunicado enviado à revista Variety, a Academia lembrou que os membros não precisam assistir a todos os pré-selecionados para votarem no Melhor Filme. A carta de Merrill também ajuda a explicar porque o impactante drama romeno “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, de Cristian Mungiu, não foi indicado ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira em 2008, após vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes. “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” ganhou o Grande Prêmio do Festival de Berlim e está indicado em sete categorias do Film Independent Spirit Awards (o Oscar indie). O filme já está disponível para locação digital no Brasil.
Time’s Up reage ao Globo de Ouro 2021: “O Globo não é mais de Ouro”
A organização Time’s Up não ficou satisfeita com as declarações genéricas feitas pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) a respeito da falta de inclusão de membros negros em sua organização. A entidade civil, que surgiu após as denúncias de abuso sexual de Hollywood com o objetivo de advogar por maior representatividade feminina e racial nos locais de trabalho dos EUA, esteve à frente dos protestos nas redes sociais contra a falta de representatividade da HFPA, que resultou na ausência de longas sobre a experiência negra da disputa de Melhor Filme de Drama no Globo de Ouro 2021. Durante a transmissão do prêmio na noite de domingo (28/2), os líderes da HFPA comprometeram-se desajeitadamente a melhorar sua representatividade, sem fornecer muitos detalhes sobre que reformas aconteceriam. “Reconhecemos que temos nosso próprio trabalho a fazer”, disse a vice-presidente da Associação, Helen Hoehne, ao subir no palco. “Assim como no cinema e na televisão, a representação negra é vital. Devemos ter jornalistas negros em nossa organização”. E o presidente do grupo, Ali Sar, acrescentou que “esperamos um futuro mais inclusivo”, fazendo uma declaração genérica sem o menor senso de urgência. Após esse discurso, Tina Tchen, presidente da Time’s Up, enviou duas cartas abertas à imprensa, uma endereçada à NBCUniversal, dona da rede NBC, que transmite o Globo de Ouro, e outra aos representantes da HFPA que apareceram durante a cerimônia do prêmio. “Três anos atrás, a Time’s Up deu início a um movimento no Globo de Ouro. Comprometendo-se a trabalhar com aliados em todo o país – em todo o mundo – exigimos locais de trabalho livres de assédio sexual e exigimos que instituições afetadas pela desigualdade abram suas portas e criem maiores oportunidades para todos. Estamos à sua porta agora para discutir seu local de trabalho”, diz Tchen na carta à HFPA. “Sim, a falta de representação diversa em seus membros é significativa e uma vergonha por si só”, ela continua. “No entanto, é apenas uma das muitas preocupações de inclusão e respeito documentadas pelo Los Angeles Times, New York Times e na maioria dos jornais que cobrem o setor. Vocês estão cientes de todas as alegações”. O texto segue: “As declarações do HFPA hoje à noite e nos últimos dias indicam uma falta fundamental de compreensão da profundidade dos problemas em questão. Sua versão declarada de mudança é cosmética – encontrar pessoas negras. Isso não é uma solução.” “Os problemas com a HFPA não podem ser resolvidos simplesmente pela busca por novos membros que atendam aos seus critérios de adesão autodeclarada. Esse critério reflete uma falta fundamental de compreensão dos problemas em questão. A mudança só ocorre a partir da consciência de problemas culturais maiores, bem como de um compromisso de longo prazo com a mudança sistêmica. A filiação a uma associação privada pequena e exclusiva geralmente não merece uma preocupação tão ampla. No entanto, é inquestionável que a premiação do HFPA tem um impacto descomunal na indústria do entretenimento e, por extensão, em nossa cultura geral”, conclui a primeira carta. Na mensagem enviada à NBCUniversal, Tchen disse: “Grande parte da credibilidade do Globo de Ouro vem de sua afiliação com sua rede. A NBCUniversal tem grande interesse em corrigir esses problemas. Fazer isso é consistente com o compromisso de seu presidente, Brian Roberts, de que ‘a empresa tentará desempenhar um papel integral na condução de reformas duradouras’. A carta prossegue dizendo: “Reconhecemos a importância do Globo de Ouro para a temporada de premiações, mas isso não garante uma isenção da falta de obrigação com os padrões éticos que a indústria está adotando. Ao contrário, torna-se mais que uma obrigação. Instamos a NBCUniversal a liderar esse esforço. Nós da Time’s Up estamos prontos para trabalhar por mudanças reais. O Globo não é mais de Ouro. É hora de agir. ”
Globo de Ouro abafa protestos com risos amarelos e troféus dourados. Veja quem venceu
Deu “Nomadland” e “Borat: Fita de Cinema Seguinte” na premiação de cinema do Globo de Ouro 2021. “The Crown”, “Schitt’s Creek” e “O Gambito da Rainha” venceram na TV. E nenhuma das produções ruins que disputavam troféus foi premiada. Nenhuma manifestação de protesto ocupou as telas. O Globo de Ouro da polêmica se transformou na premiação dos risos amarelos. Militantes nas redes sociais, astros preferiram prestigiar e agradecer a Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood ao vivo, na noite de domingo (28/2), a cada troféu conquistado. Nem parecia que, horas antes, reclamavam nas redes sociais contra a falta de inclusão do prêmio. De repente, Chlóe Zhao, a diretora de “Nomadland”, o Melhor Filme de Drama, se tornou a segunda mulher a vencer o Globo de Ouro de Melhor Direção em 78 anos da premiação… De repente, todas as categorias com atores negros na disputa consagraram esta opção. John Boyega (“Small Axe”), Daniel Kaluuya (“Judas e o Messias Negra”), Andra Day (“Estados Unidos Vs Billie Holiday”) e o falecido Chadwick Boseman (“A Voz Suprema do Blues”) foram celebrados como se simbolizassem a representatividade do evento. A cantora Andra Day, inclusive, foi a primeira negra ganhadora do Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama em 35 anos! Representatividade? Ou ação rápida para disfarçar o elefante no palco, que foi abordado logo na abertura pelas apresentadoras Tina Fey e Amy Poehler? “A Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood é formada por cerca de 90 jornalistas internacionais – nenhum negro – que comparecem a encontros de cinema todos os anos em busca de uma vida melhor”, afirmou Fey. “Dizemos por volta dos 90, porque alguns deles podem ser fantasmas e há rumores de que o membro alemão é apenas uma salsicha em que alguém desenhou um pequeno rosto”. Poehler disse: “Todo mundo está compreensivelmente chateado com a Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood e suas escolhas. Olha, muito lixo espalhafatoso foi nomeado. Mas isso acontece. Isso é coisa deles. Mas vários atores negros e projetos liderados por negros foram esquecidos”. Fey acrescentou: “Todos nós sabemos que premiações são estúpidas. A questão é que, mesmo com coisas estúpidas, a inclusão é importante e não há membros negros na Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood”. As duas instaram a organização a incluir membros negros em suas fileiras. Quando os líderes da organização subiram ao palco, comprometeram-se envergonhadamente a melhorar sua representatividade, sem fornecer muitos detalhes sobre que reformas aconteceriam. “Reconhecemos que temos nosso próprio trabalho a fazer”, disse a vice-presidente da Associação, Helen Hoehne. “Assim como no cinema e na televisão, a representação negra é vital. Devemos ter jornalistas negros em nossa organização”. E o presidente do grupo, Ali Sar, acrescentou que “esperamos um futuro mais inclusivo”, numa declaração genérica sem o menor senso de urgência. E foi isso. Os discursos protocolares que se seguiram, de cada vencedor, parecia refletir cenas de “The Crown”, produção francamente favorita dos membros da Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood, que faturou quatro Globos de Ouro, inclusive Melhor Série de Drama. Um dos raros contrastes no tom apreciativo veio na segunda aparição de Sasha Baron Cohen, que lembrou de agradecer ironicamente “aos integrantes da Associação Totalmente Branca da Imprensa Estrangeira em Hollywood” por suas vitórias – como Melhor Ator de Comédia e responsável pelo Melhor Filme de Comédia (“Borat: Fita de Cinema seguinte”). Notoriamente engajada, Jane Fonda, que recebeu uma homenagem pela carreira, também fez um aparente aceno à crise de diversidade da premiação, argumentando que Hollywood precisava fazer mais para oferecer oportunidades para mulheres e pessoas de cor. “Vamos todos nos esforçar para expandir essa tenda, para que todos se levantem e a história de todos tenha a chance de ser vista e ouvida”, disse ela, animando a colega Viola Davis, vista comemorando o comentário na edição televisiva. Entre a contenção de danos de imagem, o Globo de Ouro só não conseguiu evitar a atenção criada pela quantidade de agradecimentos feitos à Netflix, que chegou a evocar os velhos tempos da Miramax, quando Harvey Weinstein (ele mesmo) recebia mais citações que Deus no discurso dos vencedores, após investir fortunas nas conquistas de seus filmes. A Netflix levou mais da metade dos prêmios televisivos: 6 dos 11 troféus disponíveis. Amazon e Apple ficaram com um cada um, o que ajudou a tornar o domínio do streaming amplo na premiação. O mesmo domínio se repetiu nas categorias de cinema, onde a Netflix foi a distribuidora que mais conquistou vitórias: quatro. Chadwick Boseman garantiu um prêmio como Melhor Ator de Drama por “A Voz Suprema do Blues”, Rosamund Pike venceu como Melhor Atriz de Comédia por “Eu Me Importo”, Aaron Sorkin foi o Melhor Roteirista por “Os 7 de Chicago” e a dupla Diane Warren e Laura Pausini emplacou o troféu de Melhor Canção por “Rosa e Momo”. O Globo de Ouro não é considerado um indicador de rumos para o Oscar. No ano passado, os vencedores foram “1917” e “Era uma vez em Hollywood”, que perderam para “Parasita” na premiação da Academia. Mas este ano, mais que nos anteriores, a decisão de barrar filmes sobre a experiência negra, como “Destacamento Blood”, “Uma Noite em Miami”, “Judas e o Messias Negro”, “A Voz Suprema do Blues”, “Estados Unidos Vs Billie Holiday” e até mesmo a história asiática de “Minari – Em Busca da Felicidade”, da disputa de Melhor Filme, deixa o termômetro do Globo de Ouro totalmente imprestável. Veja abaixo a lista completa dos premiados. CINEMA Melhor Filme – Drama “Nomadland” Melhor Filme – Comédia ou Musical “Borat: Fita de Cinema Seguinte” Melhor Direção Chloé Zhao (“Nomadland”) Melhor Ator – Drama Chadwick Boseman (“A Voz Suprema do Blues”) Melhor Atriz – Drama Andra Day (“Estados Unidos Vs Billie Holiday”) Melhor Ator – Comédia ou Musical Sacha Baron Cohen (“Borat: Fita de Cinema Seguinte”) Melhor Atriz – Comédia ou Musical Rosamund Pike (“Eu Me Importo”) Melhor Ator Coadjuvante Daniel Kaluuya (“Judas e o Messias Negra”) Melhor Atriz Coadjuvante Jodie Foster (“The Mauritanian”) Melhor Roteiro Aaron Sorkin (“Os 7 de Chicago”) Melhor Trilha Original Trent Reznor, Atticus Ross, Jon Batiste (“Soul”) Melhor Canção Original “Io Si (Seen)” (de “Rosa e Momo”) – Diane Warren, Laura Pausini, Niccolò Agliardi Melhor Animação “Soul” Melhor Filme de Língua Estrangeira “Minari – Em Busca da Felicidade” (EUA) TELEVISÃO Melhor Série – Drama “The Crown” Melhor Série – Comédia ou Musical “Schitt’s Creek” Melhor Minissérie ou Telefilme “O Gambito da Rainha” Melhor Ator – Drama Josh O’Connor (“The Crown”) Melhor Atriz – Drama Emma Corrin (“The Crown”) Melhor Ator – Comédia Jason Sudeikis (“Ted Lasso”) Melhor Atriz – Comédia Catherine O’Hara (“Schitt’s Creek”) Melhor Ator – Minissérie ou Telefilme Mark Ruffalo (“I Know This Much Is True”) Melhor Atriz – Minissérie ou Telefilme Anya Taylor-Joy (“O Gambito da Rainha”) Melhor Ator Coadjuvante – Minissérie ou Telefilme John Boyega (“Small Axe”) Melhor Atriz Coadjuvante – Minissérie ou Telefilme Gillian Anderson (“The Crown”)
Hollywood protesta em peso contra falta de diversidade do Globo de Ouro
A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) chega ao dia de sua premiação anual sob críticas e manifestações de repúdio das estrelas de Hollywood. Embora as acusações de suborno não sejam novidade, a revelação de que a associação não tem integrantes negros – o que explicaria a falta de indicações a filmes sobre temas raciais no Globo de Ouro 2021 – , mobilizou famosos a pressionarem a HFPA por mudanças em seus quadros e políticas, sob o risco de um boicote que a entidade não pode se dar ao luxo de enfrentar. Na quinta-feira passada (25/2), após uma reportagem do jornal Los Angeles Times trazer à luz os bastidores obscuros da premiação, a HFPA emitiu um comunicado jurando que mudaria para preservar seu contrato de US$ 60 milhões com a rede NBC. “Estamos totalmente comprometidos em garantir que nossa associação reflita as comunidades em todo o mundo que amam o cinema, a TV e os artistas que os inspiram e educam. Entendemos que nós precisamos trazer membros negros, bem como membros de outras origens sub-representadas, e vamos trabalhar imediatamente para implementar um plano de ação para atingir esses objetivos o mais rápido possível”, disse o texto oficial. Mas apesar da declaração de intenções, a promessa genérica pareceu insuficiente para muitos. A organização Time’s Up, que surgiu após as denúncias de abuso sexual de Hollywood, visando incentivar maior representatividade feminina e racial nos locais de trabalho dos EUA, tomou a frente dos protestos na sexta-feira, usando as redes sociais para apontar a falta de membros negros na HFPA e acrescentar: “Uma correção cosmética não é suficiente. #TIMESUPGlobes”. A mensagem foi publicada em anúncio de página inteira na imprensa americana, ampliando o alcance do protesto. Além disso, vários astros proeminentes de Hollywood compartilharam a mensagem, incluindo seus próprios comentários sobre a polêmica. A cineasta Gina Prince-Bythewood (“The Old Guard”) escreveu no Instagram: “Sem desculpas (não há nenhuma). Sem desculpas (não acreditamos em você). Sem gestos vazios (correções cosméticas não são suficientes). Mude o jogo. #Timesupglobes #timesupnow” A também diretora Ava DuVernay (“Selma”) tuitou: “Notícia velha. Nova energia. #TimesUpGlobes”. O texto foi repostado pela atriz Jurnee Smollett (“Lovecraft Contry”), que acrescentou a frase do Time’s Up: “Uma correção cosmética não é suficiente. #TimesUpGlobes #TimesUp”. Os comediantes Patton Oswalt (“Jovens Adultos”) e Amy Schumer (“Descompensada”) tuitaram as mesmas palavras, assim como as atrizes America Ferrera (“Superstore”), Lupita Nyong’o (“Pantera Negra”), Alyssa Milano (“Charmed”), Lena Dunham (“Girls”), Jennifer Aniston (“Friends”), os atores Mark Ruffalo (“Vingadores: Ultimato”) e Simon Pegg (“Missão: Impossível – Efeito Fallout”), entre muitos outros. O diretor Judd Apatow (“Bem-vindo aos 40”) expandiu a queixa no Twitter: “Tantas coisas malucas sobre o Globo de Ouro e a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, mas isso é horrível. #Timesupglobes”. Kerry Washington, estrela de “Scandal” e “A Festa de Formatura”, citou uma frase do ativista James Baldwin em seu protesto: “Nem tudo que enfrentamos pode ser mudado, mas nada pode ser mudado até que o enfrentemos”. A premiada Viola Davis (“A Voz Suprema do Blues”) apontou que dizer que vai mudar não é o mesmo que mudar: “A jornada de um artista negro está repleta de obstáculos para que possa criar, desenvolver e ser reconhecido por seu trabalho. Se continuarmos em silêncio, a geração mais jovem de artistas terá exatamente a mesma carga para carregar. Sem mais desculpas. #TIMESUPGlobes”. Ao lado de um vídeo antigo do evento, Eva Langoria (“Desperate Housewives”) lembrou que o problema existe há tempos: “Há cinco anos atrás, com America Ferrera, nos posicionamos sobre a falta de diversidade. É uma vergonha que ainda estejamos batendo na mesma tecla hoje”. A atriz Constance Zimmer (“UnReal”) concluiu que “O Globo de Ouro não é tão dourado”, da mesma forma que Cynthia Nixon (“Sex and the City”), ao afirmar que se “sentiria mais honrada em concorrer se houvesse representativade real entre os demais indicados”. Já a produtora Shonda Rhimes (de “Grey’s Anatomy” e “Bridgerton”) escreveu apenas “Basta”. “Totalmente absurdo”, ecoou a atriz e diretora Olivia Wilde (“Fora de Série”). Um dos textos mais longos foi publicado por Sterling K. Brown, primeiro negro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator de Série Dramática em 2018. Ele escreveu, sob aplausos de seus colegas da série “This Is Us” e outros: “Ser nomeado para um Globo de Ouro é uma tremenda honra, ganhar é um sonho tornado realidade. Pode afetar a trajetória de uma carreira… e certamente afetou a minha. Eu vou apresentar o prêmio na televisão neste fim de semana para homenagear todos os contadores de histórias, principalmente os negros, que alcançaram esse momento extraordinário em seus carreiras… E tenho minhas críticas sobre as 87 pessoas da HFPA que têm esse poder tremendo. O fato de qualquer órgão responsável por uma premiação atual de Hollywood ter essa falta de representatividade ilustra um nível de irresponsabilidade que não deve ser ignorado. Com o poder que você tem, HFPA, você tem a responsabilidade de garantir que sua constituição reflita totalmente o mundo em que vivemos. Quando você tem essa consciência, você deve fazer melhor. E ter uma multidão de apresentadores negros não te absolve de sua falta de diversidade. Este é o seu momento de fazer a coisa certa. É minha esperança que você faça. #timesupglobes”. Outra apresentadora confirmada no evento desta noite, Bryce Dallas Howard (estrela da franquia “Jurassic World”), fez outra crítica contundente, ao afirmar que “um corpo eleitoral composto por 87 pessoas sem nenhum membro negro é outro exemplo do abuso de poder e do racismo sistêmico que permeia Hollywood e nosso país. O consenso sobre a necessidade da expansão da representatividade eleitoral na HFPA já deveria ter ocorrido há muito tempo. Todos nós devemos fazer melhor”. Por fim, a estrela da série “Grey’s Anatomy”, Ellen Pompeo, preferiu dirigir-se a seus colegas brancos com um apelo. “Eu peço carinhosamente a todos os meus colegas brancas nesta indústria, uma indústria que amamos e que nos concede um enorme privilégio…. para se posicionar, vir e resolver esse problema”, escreveu ela. “Vamos mostrar aos nossos colegas negros que nos importamos e estamos dispostos a trabalhar para corrigir os erros que criamos. Agora não é hora de ficar em silêncio. Temos uma questão de ação real aqui, vamos fazer isso.” Em resposta à comoção, o HFPA repostou em sua conta do Instagram a declaração que havia emitido na quinta-feira, acompanhada por um texto adicional, em que afirma: “Nós divulgamos esta declaração do HFPA mais cedo e estamos comprometidos com mudanças. Vamos abordar isso em nosso programa no domingo. ” O Globo de Ouro 2021 será transmitido ao vivo no Brasil, a partir das 22h, pelo canal pago TNT. Veja abaixo um pouco da repercussão da polêmica nas redes sociais de Hollywood. 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New energy. #TimesUpGlobes pic.twitter.com/AzJhTA42W8 — Ava DuVernay (@ava) February 26, 2021 So many crazy things about the @goldenglobes and the Hollywood Foreign press but this is awful. #timesupglobes pic.twitter.com/C5PYs5zFRr — Judd Apatow (@JuddApatow) February 26, 2021 A cosmetic fix isn’t enough #TimesUpGlobes #TimesUp https://t.co/9S45FNQVzz — jurnee smollett (@jurneesmollett) February 26, 2021 Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Golden Globes (@goldenglobes)
No Globo de Ouro das polêmicas o que menos importa é o prêmio
O Globo de Ouro 2021, que acontece às 22h deste domingo (28/2) com transmissão ao vivo no Brasil pelo canal pago TNT, é diferente de todas as cerimônias que o precederam. Para começar, não tem tapete vermelho, já que os indicados a prêmios participarão à distância, virtualmente de suas casas. Além disso, pela primeira vez será apresentado em dois palcos distintos, com Tina Fey comandando a cerimônia no The Rainbow Room em Manhattan, enquanto Amy Poehler assume a transmissão na casa habitual da premiação, o Beverly Hilton, em Los Angeles. Mas estas não são as principais mudanças. A expectativa gerada pelo evento é completamente diversa dos outros anos, refletida na falta de artigos sobre quais filmes, séries e artistas merecem vencer o troféu. Em vez disso, o foco da imprensa mais séria, nesta reta final, tem sido os bastidores da organização responsável pelo prêmio. Não que o prêmio tenha sido, algum dia, levado à sério pela imprensa que cobre Hollywood. Só que sua falta de seriedade nunca foi tão discutida quanto neste ano, após a divulgação de seus indicados. A falta de sensibilidade da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) na escolha dos candidatos ao prêmio reverberou com um peso inesperado. A lista apontou duas supremacias: a supremacia da Netflix entre o total de indicados e uma supremacia branca. A HFPA optou por barrar completamente os filmes sobre a experiência negra (e asiática) em sua relação de Melhores do Ano, justamente no ano em que filmes do gênero, como “Destacamento Blood”, “Uma Noite em Miami”, “Judas e o Messias Negro”, “A Voz Suprema do Blues”, “Estados Unidos Vs Billie Holiday” e “Minari – Em Busca da Felicidade” foram considerados as principais novidades. Também ignorou aquela que é considerada a melhor série do ano pela imprensa, “I May Destroy You”, criada e estrelada pela artista negra Michael Coel, enquanto produções destruídas pela crítica, como o filme “Music” e a série “Emily em Paris”, se destacaram entre as indicações. Assim que a relação foi divulgada, a imprensa reagiu. “Um constrangimento completo e absoluto”, escreveu Scott Feinberg, o respeitado crítico de cinema da revista The Hollywood Reporter, sobre a seleção apresentada pela HFPA. Ninguém falou abertamente em racismo. Mas a acusação ficou implícita – e cada vez mais evidente – a cada novo comentário. Na semana passada, o jornal Los Angeles Times publicou uma reportagem que jogou definitivamente por terra a credibilidade do prêmio. O artigo confirmou aquilo que o próprio apresentador do Globo de Ouro Ricky Gervais acusava em suas piadas. “O Globo de Ouro é para o Oscar o que Kim Kardashian é para Kate Middleton – mais histérico, inútil e bêbado. E mais facilmente comprável, dizem. Nada foi provado”, chegou a brincar Gervais ao apresentar o prêmio em 2012. A reportagem afirmou que os boatos não são brincadeira. A HFPA não teria integridade por aceitar e incentivar que estúdios e produtores ofereçam “presentes” e privilégios (subornos) para seus 87 membros, como forma de influenciar as votações para o Globo de Ouro. O jornal citou um exemplo recente deste tipo de ação, ao revelar que a Paramount Television hospedou 30 membros da HFPA em um hotel cinco estrelas de Paris, com diárias de até US$ 1,4 mil (R$ 7,6 mil) em 2019, para divulgar “Emily em Paris”. Considerada medíocre pelos outros críticos, a atração da Netflix foi indicada como Melhor Série de Comédia ou Musical no prêmio desta noite. Mas o que repercutiu com maior gravidade, aos olhos da comunidade cinematográfica, foi a constatação definitiva do problema racial da HFPA. Ao contrário da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, que inclui milhares de trabalhadores de todas as áreas da indústria, a HFPA é formada por 87 supostos jornalistas de vários países que vivem em Los Angeles e escrevem sobre cinema. Muitos publicam críticas para blogs sem representatividade alguma. E nenhum deles é negro. O quadro de votantes inclui Margaret Gardiner, celebridade sul-africana que ganhou o Miss Universo, Yola Czaderska-Hayek, uma socialite autointitulada “a primeira-dama polonesa de Hollywood”, Alexander Nevsky, um fisicultor russo que virou ator e produtor, e Noel de Souza, que fez uma aparição como Gandhi num episódio de “Star Trek: Voyager”. Mais: um de seus integrantes aparentemente é cego. Estas pessoas são consideradas “imprensa estrangeira em Hollywood” por assinar seis artigos por ano no site da própria HFPA. É isto que os credenciaria a eleger os vencedores do troféu. E eles relutam em deixar novos integrantes (como jornalistas de verdade) entrarem em seu clubinho, porque o dinheiro que circula nos bastidores lhes garante vida de milionários. A NBC paga US$ 60 milhões pelos direitos de transmitir a premiação. Durante décadas, a HFPA justificou sua relevância com o apoio dos estúdios e estrelas de Hollywood. A participação de grandes astros, como Leonardo DiCaprio, Catherine Blanchett e Brad Pitt, sempre deram aval à sua festa de premiação. E ninguém jamais questionou porque Sterling K. Brown se tornou o primeiro negro a vencer O Globo de Ouro de Melhor Ator de Série Dramática apenas em 2018, na 75ª edição da celebração. De fato, o Globo de Ouro só existe porque sua transmissão televisiva garante boa audiência para a rede NBC. O dia em que deixar de atrair as estrelas de Hollywood, vai perder público e desaparecer. Por isso, os organizadores sempre se esforçaram para indicar celebridades, em vez de artistas mais merecedores, de forma a garantir o interesse dos espectadores. O mesmo motivo alimentava o costume de liberar bebidas durante o evento, para deliciar o público com a expectativa de vexames de famosos. Isto não vai acontecer este ano, com os famosos em suas casas, participando por videoconferência. A expectativa pelo Globo de Ouro 2021 é completamente diferente. Desta vez, pouco importa quem vai levar prêmio. O que muitos esperam ver é como o presidente da HFPA vai abordar a polêmica em seu discurso anual. Mais que isso: como o Globo de Ouro vai evitar ser atacado ao vivo pelos próprios astros com quem conta para permanecer no ar nos próximos anos. O principal motivo para sintonizar na TNT nesta noite não é o prêmio, mas os discursos, que pela primeira vez não devem ser de agradecimento.
Ray Fisher é confrontado pela Warner após voltar a sugerir racismo do estúdio
O ator Ray Fisher voltou a acusar a Warner Bros. de racismo, via Twitter, ao insinuar que a contratação do roteirista negro Ta-Nehisi Coates para escrever uma nova versão da franquia Superman com JJ Abrams seria uma forma de causar distração e sepultar suas acusações contra Walter Hamada, presidente da DC Films. “Vocês se lembram daquela vez que Walter Hamada e a Warner Bros. Pictures tentaram destruir a credibilidade de um negro e deslegitimar publicamente uma investigação muito séria, com mentiras na imprensa?”, Fisher tuitou. “Mas ei, Superman Negro…” As novas declarações de Fisher, que já chegou a sugerir que até o presidente da WB, Toby Emmerich, era racista, fizeram o estúdio responder prontamente. Fisher tem atacado continuamente a Warner Bros. desde o verão norte-americano passado, alegando ter sido maltratado por Joss Whedon no set das refilmagens de “Liga da Justiça”, com apoio dos produtores do filme. Ele teria sido ameaçado ao se queixar do diretor e coagido a abandonar algumas das acusações após o caso se tornar público. Quem ele diz que o ameaçou foi Geoff Johns, produtor de “Liga da Justiça” – além de criador das séries “The Flash”, “Titãs” e “Stargirl”, e roteirista de “Aquaman” e “Mulher-Maravilha 1984”. Pela importância de Johns para a DC, Walter Hamada teria tentado tentado convencer o ator a não envolver o produtor em suas acusações. Pelo menos, é isto que Fisher afirma, acusando pessoas acima desses executivos por protegê-los em meio ao escândalo. Fisher alega que a investigação interna, que teria resultado no afastamento de Whedon do estúdio, sofreu tentativa de influência por integrantes da chefia da Warner, inclusive de seu alvo declarado, Walter Hamada. Aparentemente, a Warner cansou de deixar essas acusações sem resposta. Após o novo tuíte, o conglomerado de mídia que contém a Warner Bros. Pictures emitiu um comunicado oficial e ainda promoveu uma manifestação do responsável pela investigação dos bastidores de “Liga da Justiça”, que contestam frontalmente as afirmações do ator. “Mais uma vez, há falsas declarações sendo feitas sobre nossos executivos e nossa empresa em torno da recente investigação de ‘Liga da Justiça’. Como afirmamos antes, uma investigação ampla e completa de terceiros foi conduzida. Nossos executivos, incluindo Walter Hamada, cooperaram plenamente, não foram encontradas evidências de qualquer interferência, e a Warner Bros. não mentiu na imprensa. É hora de parar de dizer o contrário e avançar de forma produtiva”, diz o texto da WarnerMedia. A declaração foi amparada por uma manifestação individual de Katherine B. Forrest, a investigadora e ex-juíza federal que chefiou a investigação feita após as acusações de Fisher. “Estou desapontada com as constantes declarações públicas que sugerem que Walter Hamada interferiu de alguma forma na investigação de ‘Liga da Justiça’. Ele não interferiu. Eu o entrevistei extensivamente em mais de uma ocasião e especificamente o entrevistei sobre sua interação muito limitada com o Sr. Fisher. Achei o Sr. Hamada confiável e acessível. Concluí que ele não fez nada que impedisse ou interferisse na investigação. Pelo contrário, as informações que forneceu foram úteis e ajudaram a avançar a investigação”. Ray Fisher reagiu aos comunicados retomando seus ataques nominais a Walter Hamada. “Como eu disse desde o início: Walter Hamada TENTOU interferir na investigação de ‘Liga da Justiça’. Ele não teve sucesso porque eu não o permiti. O fato de o investigador fazer uma declaração afirmando que não houve interferência é propositalmente enganoso e desesperador”, ele acusou. Para completar, ainda retuitou sua denúncia original contra Hamada, datada de 4 de setembro. “Para que vocês entenderem melhor o quão fundo isso vai: Depois de falar sobre ‘Liga da Justiça’, recebi um telefonema do presidente da DC Films em que ele tentou jogar Joss Whedon e Jon Berg embaixo do ônibus na esperança de que eu cedesse e não denunciasse Geoff Johns. Eu não vou ceder”. Ironicamente, enquanto fazia esses ataques, o ator também promovia em suas redes sociais a nova versão de “Liga da Justiça”, dirigida por Zack Snyder. Veja abaixo. Do ya’ll remember that time Walter Hamada and @wbpictures tried to destroy a Black man’s credibility, and publicly delegitimize a very serious investigation, with lies in the press? But hey, Black Superman… A>E — Ray Fisher (@ray8fisher) February 27, 2021 #ZackSnydersJusticeLeague #SnyderCut pic.twitter.com/Kgysywx08U — Zack Snyder (@ZackSnyder) February 27, 2021 As I’ve said from the start: Walter Hamada ATTEMPTED to interfere with the JL investigation. He was unsuccessful in doing so because I did not allow him to. Having the investigator make a statement claiming there was no interference is purposely misleading and desperate. A>E — Ray Fisher (@ray8fisher) February 27, 2021 For those in the back: https://t.co/bV3wL1HfMZ — Ray Fisher (@ray8fisher) February 28, 2021 My mom is funny. ☺️#ZackSnydersJusticeLeague #Snydercut pic.twitter.com/fFCaN0zfVh — Ray Fisher (@ray8fisher) February 28, 2021
Mike Tyson xinga Hulu após anúncio de série sobre sua vida
Mike Tyson está louco da vida com a Hulu, após o anúncio da produção de uma série sobre sua vida. A plataforma americana anunciou nesta quinta (25/2) que fará uma minissérie biográfica de oito episódios chamada de “Iron Mike”. Mas o ex-campeão mundial de boxe disse que não autorizou e partiu pra briga. “O anúncio da Hulu de fazer uma minissérie não autorizada e sem compensação sobre a minha vida, embora infeliz, não é surpreendente”, começou Tyson em um comunicado publicado em suas redes sociais. “Este anúncio na esteira das disparidades sociais em nosso país é um excelente exemplo de como a ganância corporativa da Hulu levou a essa apropriação indevida da minha história de vida. Fazer este anúncio durante o Mês da História Negra apenas confirma a preocupação da Hulu com dólares em detrimento do respeito pelos direitos das histórias negras. Hollywood precisa ser mais sensível às experiências negras, especialmente depois de tudo o que aconteceu em 2020”, continuou o lutador. Mas é a frase que encerra o texto que esclarece o motivo de tanta raiva. “Minha verdadeira história autorizada está em desenvolvimento e será anunciada nos próximos dias”, ele avisa. O anúncio de “Iron Mike” aparentemente atropelou um projeto similar de Mike Tyson. Por isso, ele definiu a minissérie como “roubo” e lançou a hashtag #boycotthulu, tentando sensibilizar seus seguidores a boicotarem a plataforma da Disney. Por enquanto, não há nenhuma informação sobre a produção de Tyson, mas a minissérie da Hulu está sendo desenvolvida pela equipe responsável por outra produção focada num mau elemento do mundo dos esportes, o filme “Eu, Tonya” (2017), sobre a “vilã” olímpica Tonya Harding. A série foi escrita por Steven Rogers, será dirigida por Craig Gillespie e produzida por Margot Robbie, respectivamente roteirista, diretor e estrela-produtora de “Eu, Tonya”. Rogers também trabalhou nos roteiros com Karin Gist (produtora-roteirista de “Star” e “Mixed-ish”), que servirá como showrunner da atração. Segundo a apresentação oficial, “Iron Mike” explorará a carreira e a vida selvagem, trágica e controversa de “uma das figuras mais polarizadoras da cultura esportiva”. Tyson não está envolvido com a série de forma alguma, mas seu estouro foi tardio, segundo fontes da imprensa americana que apuraram que os executivos do Hulu o informaram sobre a produção há alguns meses. Embora seja louvado como um dos maiores boxeadores de todos os tempos, Tyson tem uma ficha corrida violenta. Ele foi condenado por estupro e cumpriu três anos de prisão. Ao encenar sua volta por cima no boxe, após sua libertação, ele encerrou seus dias de glória numa revanche contra Evander Holyfield em 1997, em que foi desqualificado por arrancar à mordidas um pedaço de uma das orelhas do oponente. Apesar do vexame, transmitido ao vivo pela TV para todo o mundo, Tyson continuou a lutar – e perder – várias lutas, até se aposentar em 2006. Mesmo assim, ainda voltou aos ringues contra Roy Jones Jr. no ano passado. Nos últimos tempos, o lutador tem conseguido mais sucesso interpretando a si mesmo no cinema e na TV. Um dos pontos altos desta carreira aconteceu na trilogia “Se Beber, Não Case” e, mesmo com seu passado violento, numa série de animação, “Mike Tyson Mysteries”, do Adult Swim. Além disso, ele nocauteou Eminem num clipe recente e publicou sua autobiografia, que se tornou um best-seller nos EUA. “Iron Mike” faz parte de uma lista crescente de projetos da LuckyChap, produtora da atriz Margot Robbie, que também assina “Dollface”, uma comédia estrelada por Kat Dennings (de “WandaVision”) na Hulu, a vindoura série “Maid” de John Wells (“Álbum de Família”) na Netflix, e ainda está por trás do thriller premiado “Bela Vingança”, com Carey Mulligan, entre outros. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Mike Tyson (@miketyson)
Daisy Ridley rebate senador americano que a criticou em Star Wars
A atriz Daisy Ridley rebateu o senador texano Ted Cruz, após ele sugerir que Rey era uma personagem choramingona, que não estaria à altura da empoderada Cara Dune, papel de Gina Carano na franquia “Star Wars”. O político conservador criticou a interpretação de Ridley num post de 11 de fevereiro, em que lamentou a demissão de Carano da série “The Mandalorian”, após ela publicar diversos tuítes controversos. “A texana Gina Carano quebrou barreiras no universo de ‘Star Wars’: nem princesa, nem vítima, nem alguma Jedi emocionalmente torturada. Ela interpretou uma mulher que arrasou e que as garotas admiravam. Ela foi fundamental para tornar ‘Star Wars’ divertido novamente. Claro que a Disney a cancelou”, ele escreveu. Carano agradeceu a Cruz no dia seguinte: “Obrigada, Ted”. Já Ridley só foi saber da referência maldosa de Ted Cruz durante uma entrevista para o site Yahoo!, na quarta-feira (24/2). Embora tenha dito que não sabia nada sobre o tuíte do senador, ela prontamente rebateu o político, fazendo menção à sua recente viagem para um resort em Cancún, no México, enquanto o estado do Texas enfrentava a pior crise climática de sua História – a onda de frio que atingiu a região e causou a morte de moradores, deixando o estado sem luz e água. “Estou muito feliz por ser uma Jedi emocionalmente torturada que não sai de seu estado quando ele está passando por um momento terrível”, disparou Ridley na entrevista, cortando o político ao meio com seu sabre de luz metafórico. Ted Cruz recebeu uma enxurrada de críticas ao viajar para a ensolarada Cancún com a família, enquanto seus eleitores passavam frio e corriam risco de morte no Texas. Após perceber que não pegou bem, o senador acabou retornando à cidade de Houston, declarando à imprensa americana: “Obviamente foi um erro”.
Gwyneth Paltrow revolta médico do SUS britânico com dicas para “curar” covid-19
Gwyneth Paltrow causou controvérsia na internet ao anunciar um “tratamento alternativo” para a covid-19. Há alguns dias, ela contou que tem sofrido com os efeitos da chamada “covid longa”, em que os sintomas da infecção persistem mesmo depois de o paciente ter se livrado do vírus. A atriz de “Homem de Ferro” desabafou no blog de seu portal de vida saudável, Goop, não ter se livrado da “fadiga e a confusão mental”, contando que teve que repensar seu estilo de vida para tentar recuperar sua saúde. Mas acabou se “curando” após seguir orientações de um “profissional de medicina funcional”. No texto postado em seu site, Gwyneth contou que tem feito jejum até as 11 horas e se adaptado a uma dieta cetogênica baseada em plantas, sem açúcar ou álcool. Mas o tratamento divulgado por ela causou revolta em um médico britânico. O professor Stephen Powis, do NHS (o SUS britânico), declarou ao jornal The New York Daily News que o “jejum intuitivo” e outros métodos alternativos recomendados pela atriz “não são as soluções recomendadas” para tratar covid-19. “Assim como o vírus, a desinformação atravessa fronteiras, sofre mutações e evolui. Então, acho que o YouTube e outras plataformas de mídia social têm uma responsabilidade e uma oportunidade reais aqui. Nos últimos dias, vi que Gwyneth Paltrow infelizmente está sofrendo os efeitos da covid. Desejamos-lhe tudo de bom, mas algumas das soluções que ela está recomendando realmente não são as soluções que recomendaríamos no NHS”. Ele alertou que as recomendações da atriz podem, inclusive, aumentar o problema e que falta de proteína tende a aumentar a fadiga e a confusão mental. “Precisamos levar a covid muito a sério e aplicar ciência séria. Todos os influenciadores que usam as redes sociais têm o dever de responsabilidade e o dever de cuidar disso”. É a segunda vez que a atriz-empresária enfrenta críticas do NHS. A série “The Goop Lab”, divulgada na Netflix, em que Paltrow divulga sua grife de produtos femininos e dá dicas de cuidados para mulheres, foi considerada um “risco considerável à saúde” por Simon Stevens, diretor-executivo do NHS. Em janeiro do ano passado, Stevens condenou os “produtos duvidosos de bem-estar e tratamentos suspeitos” oferecidos pela Goop, dizendo que a atriz apenas espalha “mitos” e “desinformação”. “A marca dela vende repelente para vampiros, diz que filtro solar químico é uma péssima ideia, promove a lavagem intestinal e máquinas para enema de café, apesar de apresentarem riscos consideráveis à saúde”, acusou o diretor do NHS. “Embora o termo ‘fake news’ leve a maioria das pessoas a pensar em política, a preocupação natural com a própria saúde e, especialmente, com a de seus entes queridos, torna esse terreno particularmente fértil para charlatães, impostores e excêntricos”, acrescentou.
Allen v. Farrow: Série documental é processada por editora de Woody Allen
O conteúdo polêmico da série documental “Allen v. Farrow” está motivando um processo na Justiça. E não é de Woody Allen, alvo de denúncias demolidoras da produção, que o acusa de ter abusado sexualmente de sua filha adotiva de 7 anos, Dylan Farrow, nos anos 1990. A Skyhorse Publishing, editora responsável pelo lançamento do audiobook do recente livro de memórias de Woody Allen, “A Propósito de Nada”, revelou que planeja processar a HBO e os cineastas responsáveis pela atração por violação de direitos autorais. A série utiliza trechos do audiobook sem permissão. “Nem os produtores nem a HBO abordaram a Skyhorse para solicitar permissão para usar trechos do audiobook”, disse a editora em nota oficial. “A Skyhorse recebeu informações de segunda mão apenas no final da semana passada de que cada um dos quatro episódios do documentário faz uso extensivo de trechos do audiobook”, acrescenta o texto. “Prontamente na sexta-feira (19/2), nosso advogado notificou o advogado da HBO por carta que se o uso do audiobook fosse próximo ao que estávamos ouvindo, isso constituiria violação de direitos autorais. A HBO não respondeu à nossa carta”. “Tendo visto agora o primeiro episódio, acreditamos que o uso não autorizado do audiobook é uma violação clara e intencional de precedente legal existente, e que os outros episódios também infringirão, ao se apropriarem do audiobook de maneira semelhante”, continuou a Skyhorse. “Tomaremos as medidas legais que considerarmos necessárias para reparar nossos direitos e os de Woody Allen sobre sua propriedade intelectual.” A Skyhorse não entrou em detalhes sobre seus planos futuros além desta declaração. Uma nota da defesa dos diretores do documentário, Amy Ziering e Kirby Dick, alega que “os criadores de ‘Allen v. Farrow’ usaram legalmente trechos limitados de áudio das memórias de Woody Allen, sob a doutrina do uso justo”. A “Fair Use Doctrine”, referida acima, permite que material protegido por direitos autorais seja usado sem permissão em certas reportagens, críticas e outros formatos específicos. Mas essa permissão geralmente é restrita a menos de 10 segundos do referido material. Trechos do livro de memórias narrado por Allen estão previstos para todas as quatro partes da série. Apenas o primeiro episódio apresentou mais de três minutos extraídos diretamente da publicação. A HBO não se manifestou sobre a violação dos direitos autorais. Vale destacar uma ironia no uso do livro no documentário que tem apoio da família Farrow. Ronan Farrow, irmão de Dylan, chegou a lançar campanha nas redes sociais para impedir a publicação do livro, chegando a chantagear a editora original, a Hachette, por quem também publica sua obras. Ele chamou a iniciativa de lançar o livro de “falta de ética” e teve uma vitória parcial após funcionários da Hachette ameaçarem greve contra a publicação – a primeira vez que funcionários de uma editora fizeram campanha a favor da censura de um livro. Aceitando a pressão, a Hachette desistiu da publicação, que foi simplesmente lançada por outra editora. Agora, esta editora, a Skyhorse, alega crime de violação de direitos – além de “falta de ética” – no uso do livro pela equipe do documentário, em que Ronan aparece com proeminência.
Gérard Depardieu volta a ser investigado por estupro
O veterano astro francês Gérard Depardieu, de 72 anos, voltou a ser investigado por “estupro” e “agressões sexuais” supostamente cometidos em 2018 contra uma jovem atriz, informou nesta quarta-feira (23/2) o jornal Le Parisien. O indiciamento ocorreu em dezembro, mas só veio à tona agora. A acusação partiu de uma atriz na casa dos 20 anos, estuprada em duas ocasiões por Depardieu. Os crimes teriam ocorrido nos dias 7 e 13 de agosto em uma das residências parisienses do ator, durante um momento que, na queixa original de agosto de 2018, foi descrito como uma “colaboração profissional”. A jovem teria sido abusada dentro do contexto de um ensaio informal de uma peça. Segundo a imprensa francesa, o ator e a jovem já se conheciam. Uma fonte próxima ao caso diz que Depardieu é amigo do pai da garota e teria tornado a atriz sua “protegida” na estreia de sua carreira. A princípio, a Justiça francesa encerrou a investigação preliminar por falta de provas. Em comunicado oficial, a promotoria disse que “diversas investigações foram feitas dentro do procedimento recomendado para este tipo de caso”, mas que não foi encontrada evidência significativa para sustentar um processo oficial. A jovem, porém, pediu que o caso fosse reconsiderado, o que acabou acontecendo em dezembro, com a reabertura das investigações. Depardieu nega a acusação. Contatado pela Agência France Presse (AFP), o advogado de Depardieu, Hervé Témime, “lamentou que esta informação tenha sido tornada pública”. O famoso e polêmico ator, que está em liberdade sem qualquer tipo de fiança, “rejeita totalmente os atos de que é acusado”, disse seu advogado.
Melissa Benoist dá boas vindas à nova Supergirl
A intérprete da Supergirl televisiva, Melissa Benoist, deu as boas-vindas à nova Supergirl cinematográfica, Sasha Calle, nas redes sociais. Após a notícia de que a jovem estrela da novela “The Young and the Restless” tinha sido escolhida para interpretar a Garota de Aço no filme “The Flash”, Benoist escreveu no Instagram: “Isso é incrível! Sim, garota, você pode voar! Bem-vinda ao universo DC, Sasha Calle. Mal posso esperar para vê-la como Supergirl. O mundo precisa de todas as Supergirls possíveis”. E a nova Supergirl ficou emocionada com a atenção. “Melissa! Isso significa muito. Meu irmão mais novo e eu vimos todos os episódios. Este foi um momento tão doce para nós. Obrigada”, ela respondeu, assumindo-se fã da série da rede The CW. A escolha da Callie, americana de descendência colombiana, foi feita pelo diretor argentino Andy Muschietti (de “It: A Coisa”), que comandará a atriz em seu primeiro filme. Segundo apurou o site Deadline, 425 atrizes diferentes foram testadas! E a performance de Calle impressionou tanto o diretor quanto o chefe da DC Films, Walter Hamada. A nova Supergirl será introduzida em “The Flash”, que será uma continuação de “Liga da Justiça” (2017), incluindo participações de alguns personagens daquele filme, como o Batman vivido por Ben Affleck, além, claro, do Flash interpretado por Ezra Miller. O herói Ciborgue também deveria aparecer, mas após denúncias de seu intérprete, Ray Fisher, sobre os bastidores das refilmagens de “Liga da Justiça” por Joss Whedon, ele não fará parte da produção. A trama lidará com o multiverso e diferentes versões dos super-heróis da DC. Michael Keaton, por sinal, também está confirmado como Batman, retomando o personagem que interpretou em “Batman” (1989) e “Batman – O Retorno” (1992). Por conta dessa narrativa, não está claro se Calle será uma Supergirl alternativa, de alguma Terra paralela do multiverso, ou se assumirá o papel definitivamente, aparecendo em outros filmes – mas esta última opção é fortalecida pela participação de Walter Hamada no processo decisório. Um filme solo de Supergirl está em desenvolvimento há anos. Mas a última notícia deste projeto é de 2018, quando a Warner contratou Oren Uziel (“O Paradoxo Cloverfield”) para escrever o roteiro. Sempre retratada como uma americana loira, Supergirl já foi vivida por Helen Slater em seu único filme de cinema, lançado em 1984. Na TV, a heroína ficou mais conhecida durante a passagem de Laura Vandervoort na série “Smallville” (entre 2007 e 2011) e ganhou status de protagonista com Melissa Benoist, absolutamente perfeita como a personagem título da série “Supergirl”, que, por coincidência ou não, vai chegar ao fim neste ano. Vale reparar ainda que Sasha Calle tem praticamente a mesma idade que Melissa Benoist tinha quando virou Supergirl.
Chris D’Elia se defende de acusações de assédio dizendo-se viciado em sexo
O comediante Chris D’Elia (“Os Impegáveis”) voltou a aparecer no YouTube, depois de oito meses afastado, para falar sobre as acusações de que teria assediado duas adolescentes de 17 anos, além de outras três mulheres adultas. Ele publicou um vídeo em que repete sua defesa, afirmando que as relações sexuais que teve foram consensuais e dentro da lei, mas pela primeira vez assumiu que é viciado em sexo. “Eu sei que faz um tempo que vocês não têm notícias minhas. Eu fiz uma declaração quando a notícia apareceu dizendo que tudo o que eu tinha feito foi legal e consensual e que era verdade, e eu queria que essa declaração falasse por si mesma”, afirmou ele. “Durante esse tempo fora, eu procurei muitos conselhos médicos e terapia. Percebi que o sexo controlava minha vida. Foi meu foco o tempo todo. Tive um problema”, explicou. Cinco mulheres se apresentaram em junho de 2020 para acusar D’Elia de assédio sexual. Duas das denunciantes tinham 17 anos e estavam no ensino médio quando D’Elia começou a iniciar contato com elas. Após a acusação, o humorista foi dispensado por sua agência de talentos, a CAA, e teve todos os seus especiais retirados do canal Comedy Central. A Netflix também cancelou o programa que teria com o comediante, mas manteve no ar os episódios da 2ª temporada de “Você” (You), em que ele vive uma celebridade que assediava adolescentes. A plataforma apoiou a decisão do diretor Zack Snyder de apagar o ator de seu filme de zumbis, “Army of the Dead”, que já se encontrava totalmente filmado quando o escândalo veio à tona. D’Elia foi substituído pela comediante lésbica Tig Notaro (“Star Trek: Discovery”) em refilmagens.












