Ray Fisher volta a acusar produtores e presidente da Warner Bros. de racismo
Ray Fisher, intérprete de Ciborgue em “Liga da Justiça”, voltou a acusar produtores e o presidente da Warner Bros. Pictures de racismo. Ele repetiu denúncias que já tinha feito em outubro sobre mudanças racialmente motivadas nas refilmagens daquele filme, sob comando do diretor Joss Whedon. E acusa especificamente Geoff Johns, roteirista de “Aquaman” e “Mulher-Maravilha 1984”, além de criador das séries “The Flash” e “Stargirl”, por ter ajudado a reescrever o filme com Joss Whedon para diminuir a importância dos personagens negros da trama. Alguns foram até eliminados na versão refeita por Whedon, que foi exibida nos cinemas em 2017. “Quando se trata de questões raciais, sempre tento dar o benefício da dúvida para quem pode não saber de seus privilégios. Mas quando executivos do estúdio (especialmente Geoff Johns) dizem ‘não podemos ter um homem negro raivoso no centro do filme’, e depois usam seu poder para tirar TODAS as pessoas negras do filme, eles não têm mais o benefício da dúvida”, escreveu Fisher. O ator ainda alertou para tentativas de colocar toda a culpa em Joss Whedon e no ex-presidente do estúdio, Kevin Tsujihara, teriam o objetivo de livrar os demais. Ray Fisher afirma que os executivos, incluindo o produtor Jon Berg e o presidente do estúdio, Toby Emmerich, sabiam que os diálogos dessa conversa, testemunhada por terceiros, eram “ofensivos, discriminatórios e inaceitáveis” — e supostamente por isso não havia pessoas negras presentes nas reuniões. “Eles escolhiam o caminho covarde do gaslighting — e com pedidos extremamente problemáticos, pedindo que eu ‘interpretasse o Ciborgue como o Corcunda de Notre Dame’ e exigindo que uma cena fosse regravada para destacar a existência do pênis do Ciborgue”, exemplificou. O ator finaliza recomendando o resgate da visão original do diretor Zack Snyder para o filme. “A ‘Liga da Justiça’ de Zack Snyder prova, e se opõe, a essa discriminação”. Fisher tem atacado continuamente a Warner Bros. desde o verão norte-americano passado, alegando ter sido maltratado por Joss Whedon no set das refilmagens de “Liga da Justiça”, com apoio dos produtores do filme. Ele diz que teria sido ameaçado ao se queixar do diretor e coagido a abandonar algumas das acusações após o caso se tornar público. Whedon entrou na produção após Snyder filmar a maior parte de “Liga da Justiça”. O diretor original precisou se afastar do longa devido a uma tragédia pessoal e a Warner aproveitou para substitui-lo na pós-produção pelo responsável pelo blockbuster “Os Vingadores”. O substituto refez mais de 70% do filme. Mas o resultado híbrido, parte Snyder e parte Whedon, resultou numa catástrofe – fracasso nas bilheterias e críticas muito negativas. Além disso, a intervenção gerou, tardiamente, as acusações de Fisher sobre os bastidores das refilmagens, que, num efeito dominó, fulminaram a reputação de Whedon e fizeram balançar produtores e executivos da Warner. A WarnerMedia, empresa de entretenimento que inclui a Warner Bros. Pictures entre suas marcas, encomendou uma investigação independente para chegar ao fundo da questão. Ao mesmo tempo, Whedon se afastou (ou foi afastado) da produção de “The Nevers”, uma série que desenvolvia para a HBO. Mas Fisher não se deu por contente e também pediu a cabeça dos produtores do filme, do presidente da Warner Bros. Pictures e do presidente da DC Films, Walter Hamada, que só assumiu seu cargo após a estreia de “Liga da Justiça”. Segundo Fisher, Hamada teria tentado convencê-lo a não incluir Geoff Johns nas acusações, devido aos muitos projetos do produtor-roteirista na companhia. Em comunicado, a Warner e a responsável pela investigação, a ex-juíza federal Katherine B. Forrest, pronunciaram-se em defesa de Hamada. “Estou desapontada com as constantes declarações públicas que sugerem que Walter Hamada interferiu de alguma forma na investigação de ‘Liga da Justiça’. Ele não interferiu. Eu o entrevistei extensivamente em mais de uma ocasião e especificamente o entrevistei sobre sua interação muito limitada com o Sr. Fisher. Achei o Sr. Hamada confiável e acessível. Concluí que ele não fez nada que impedisse ou interferisse na investigação. Pelo contrário, as informações que forneceu foram úteis e ajudaram a avançar a investigação”, disse Forrest. Apesar da reprimenda pública, Fisher não pediu desculpas para a Hamada. Ao contrário, no novo “comunicado” sobre o caso, ele exigiu suas desculpas “aos participantes da investigação”. Please Read. A>E pic.twitter.com/C6PjkBLlDE — Ray Fisher (@ray8fisher) March 2, 2021
Câmera dos Deputados quer prender Danilo Gentili
A Câmara dos Deputados entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a prisão do apresentador Danilo Gentili por postagens nas redes sociais. No fim de fevereiro, Gentili sugeriu no Twitter que a população “entrasse” no Congresso “e socasse todo deputado” por causa da PEC de im(p)unidade parlamentar. A ação foi coordenada pelo deputado Luis Tibé, responsável pela procuradoria da Câmara, a partir de um pedido do deputado federal Celso Sabino. A tentativa é de equiparar a postagem de Gentili com a do deputado federal Daniel Silveira, preso após ameaçar ministros do STF. Tibé cita nominalmente Silveira para defender a ação movida em relação a Danilo Gentili. Ele diz que o processo não é contra a pessoa dele, mas a favor dos “mesmíssimos princípios de defesa da Democracia e da Constituição Federal consagrados pela unanimidade do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no caso do deputado Daniel Silveira”. “Não podemos ter uma sociedade e uma Democracia com pesos e duas medidas. Se o Supremo Tribunal Federal, sabiamente, estabeleceu um limite para a livre manifestação do pensamento que é o respeito à integridade das instituições democráticas – princípio que a Câmara dos Deputados acolheu com margem de 364 votos – a Justiça brasileira não pode permitir que ninguém faça a incitação de ‘socar’ deputados”, concluiu o deputado, por meio de sua assessoria de imprensa. Originalmente, Gentili escreveu: “Eu só acreditaria que esse País tem jeito se a população entrasse agora na câmara e socasse todo deputado que está nesse momento discutindo PEC de imunidade parlamentar”. Mas ele se arrependeu, apagou o post e fez outra afirmação em seguida: “Eu fiz um tuíte que foi alvo de justas críticas por alguns deputados. Quem me segue sabe que sempre defendi as instituições. Aliás, minha briga com bolsonaristas foi justamente pelo fato de eu ser contrário aos pedidos criminosos de fechamento do STF e do Congresso”.
Ator de Homem-Formiga é cortado do terceiro filme após denúncias de 11 mulheres
O ator e rapper T.I. foi cortado do elenco do terceiro filme do “Homem-Formiga”. Intérprete do personagem Dave, T.I. deixa a franquia após as denúncias de abuso sexual que vieram à tona nesta semana. T.I. e sua esposa, Tiny, foram acusados por um advogado, que representa 11 mulheres, por abuso sexual, ingestão forçada de narcóticos ilegais, sequestro, cárcere privado, intimidação, agressão e assédio. Os supostos eventos ocorreram entre 2005 e 2018. Em janeiro, Sabrina Peterson alegou que T.I. colocou uma arma em sua cabeça e, em seguida, compartilhou acusações de outras mulheres contra o casal. A iniciativa de Peterson teria “aberto a porta” para as vítimas e “deu-lhes coragem para se apresentar”, disse o advogado das mulheres que se apresentam como vítimas, Tyrone A. Blackburn, numa entrevista coletiva realizada na segunda-feira (1/3). O casal, cujos nomes reais são Clifford Joseph Harris Jr. e Tameka Dianne Harris, nega todas as acusações. Intitulado em inglês “Ant-Man and the Wasp: Quantumania”, o terceiro filme do “Homem-Formiga” está iniciando seu processo de filmagens sob direção de Peyton Reed, que comandou os dois primeiros longas.
Cidade Invisível é renovada para 2ª temporada
A Netflix anunciou a renovação da série brasileira “Cidade Invisível” para a 2ª temporada. O anúncio veio acompanhado por um vídeo com Marco Pigossi, protagonista da atração, revelando pedidos dos assinantes para a trama continuar. Criada pelo diretor Carlos Saldanha, que estreia no comando de uma obra em live-action após dirigir as animações das franquias “A Era do Gelo”, “Rio” e “O Touro Ferdinando”, “Cidade Invisível” traz Pigossi no papel do detetive Eric, da Delegacia de Polícia Ambiental. Após encontrar um estranho animal morto em uma praia carioca, o policial descobre um mundo habitado por entidades míticas normalmente invisíveis aos seres humanos. A trama explora figuras do folclore nacional, como a Cuca, interpretada pela atriz Alessandra Negrini, e ficou na lista de conteúdos mais vistos em cerca de 40 países. Mas foi acusada por ativistas de “apropriação cultural”, por desconstruir figuras da religiosidade indígena, afastando-os de suas raízes para apresentá-las como “criaturas”, sem dar espaço para atores nativos interpretá-las. Ao mesmo tempo em que comemorou o sucesso internacional da atração, Carlos Saldanha disse, em comunicado, que está levando todas as críticas em consideração para a 2ª temporada. “É uma alegria enorme ver um produto nosso, do Brasil, chegar a tantas partes do mundo e agradar a tantas pessoas. Recebi muitos comentários, li bastante sobre o que as pessoas desejam para a continuação, e estou levando tudo em consideração para trazer ao público uma sequência bacana”, ele afirmou. A 2ª temporada vai explorar outra região do Brasil, possivelmente a Amazônia, e contará com novos personagens, após uma temporada no Rio de Janeiro. O elenco ainda não estaria confirmado para os novos episódios. Segundo Haná Vaisman, gerente de conteúdo de Séries Originais Brasileiras da Netflix, a representatividade será uma das preocupações para a próxima etapa da produção. A data de estreia dos novos episódios ainda não foi agendada. Talvez vocês fiquem hipnotizados pelos olhos de @marcopigossi e não consigam entender muito bem o que ele tá falando, então vou reforçar aqui: a segunda temporada de Cidade Invisível está CONFIRMADA ❤️ pic.twitter.com/BID0h2mYSR — netflixbrasil (@NetflixBrasil) March 2, 2021
Globo de Ouro tem pior audiência de todos os tempos
A exibição do Globo de Ouro 2021 nos EUA resultou na pior audiência da premiação em todos os tempos. De acordo com o levantamento preliminar da consultoria Nielsen, a transmissão da rede NBC atraiu uma média de apenas 5,42 milhões de telespectadores, obtendo uma classificação de 1,2 ponto no principal grupo demográfico, de adultos de 18 a 49 anos. O resultado é 60% mais abaixo que os números preliminares do ano passado (14,76 milhões e 3,8 ponto). Uma queda impressionante. Mas vale observar que os números da madrugada de domingo (28/2) não incluem a exibição do programa ao vivo no fuso horário do Pacífico. Esses números serão incluídos na contagem final do dia, divulgada na manhã de terça-feira, e irão aumentar um pouco o total (atualização: o total subiu para 6,9 milhões), embora permaneçam longe de aproximar-se dos últimos anos, garantindo o recorde negativo da premiação. O único parâmetro para a audiência atual do Globo de Ouro foi quando a greve dos roteiristas forçou o cancelamento da cerimônia em 2008. No lugar do evento, uma entrevista coletiva televisionada anunciou os vencedores e atraiu um pouco mais de 6 milhões de telespectadores. A audiência da cerimônia deste ano teria sido afetada pelo desinteresse do público em assistir a uma festa sem as tradicionais bebedeiras e encontros de celebridades, que sempre foram os atrativos do evento. Devido à pandemia, a transmissão aconteceu com participação remota, via videoconferência, das celebridades indicadas a prêmios. Além disso, a realização do Globo de Ouro foi antecedida por forte polêmica sobre os bastidores da premiação, relativa à falta de representatividade dos responsáveis pelo troféu. A Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) foi denunciada numa reportagem do jornal Los Angeles Times, que trouxe à tona seu histórico de subornos e a completa ausência de integrantes negros em seus quadros. Os dois fatores resultaram num programa televisivo mais contido que o habitual, uma transmissão descrita pela maioria da crítica americana como “morna”, em que apresentadores e premiados mediram cada palavra ao se manifestarem ao vivo. Uma campanha de repúdio ao Globo de Ouro também foi encampada nas redes sociasi pela organização Time’s Up, que surgiu após as denúncias de abuso sexual de Hollywood com o objetivo de defender maior representatividade feminina e racial nos EUA.
Taylor Swift se irrita com série “Ginny & Georgia” por piada com sua vida amorosa
A nova série “Ginny & Georgia”, da Netflix, atraiu a ira de Taylor Swift e seus fãs durante o fim de semana. O motivo da repercussão foi uma frase do episódio final da 1ª temporada da série sobre a relação de uma mãe e filha, ao estilo de “Gilmore Girls”. A polêmica aconteceu num momento em que a mãe solteira Georgia (Brianne Howey) pergunta à sua filha Ginny (Antonia Gentry) sobre o status de um relacionamento recente, e a adolescente retruca: “O que te importa? Você passa por homens mais rápido do que a Taylor Swift”. Capturas de tela da cena passaram a alimentar protestos nas redes sociais e a frase “Respeitem Taylor Swift” chegou a aparecer entre os tópicos em alta no Twitter na noite de domingo (28/2). Finalmente, nesta segunda-feira (1/3), primeiro dia do Mês da História das Mulheres, comemoração anual americana que destaca realizações femininas ao longo de março, a própria Taylor Swift resolveu se manifestar, chamado a frase da série uma “piada preguiçosa e profundamente machista”. “Hey ‘Ginny e Georgia’, 2010 ligou e quer sua piada preguiçosa e profundamente machista de volta”, tuitou Swift. “Que tal pararmos de degradar mulheres trabalhadoras definindo esse tipo de besteira como engraçada. Além disso, Netflix depois do [documentário de Taylor Swift] “Miss Americana”, esse figurino não fica bonito em você. Feliz Mês da História das Mulheres, eu acho.” A referência ao documentário se deve à inclusão de críticas à vida amorosa da cantora na produção da Netflix. Entre outros momentos, “Miss Americana” inclui comentaristas falando sobre como ela estava “passando por caras como um trem”. Hey Ginny & Georgia, 2010 called and it wants its lazy, deeply sexist joke back. How about we stop degrading hard working women by defining this horse shit as FuNnY. Also, @netflix after Miss Americana this outfit doesn’t look cute on you 💔 Happy Women’s History Month I guess pic.twitter.com/2X0jEOXIWp — Taylor Swift (@taylorswift13) March 1, 2021
Ator de Homem-Formiga e sua esposa são acusados de abuso por 11 mulheres
Um advogado que registrou acusações criminais contra o rapper e ator T.I. (“Homem-Formiga”) e sua esposa Tiny por suposto abuso sexual e agressão contra várias mulheres, detalhou algumas das alegações em uma videoconferência realizada na manhã desta segunda-feira (1/3). O advogado Tyrone A. Blackburn disse a repórteres que pediu às autoridades da Califórnia e da Geórgia que abrissem investigações em nome de 11 supostas vítimas do casal, cujos nomes reais são Clifford Joseph Harris Jr. e Tameka Dianne Harris. Os alegados incidentes ocorreram de 2005 a 2018. As acusações incluem abuso sexual, ingestão forçada de narcóticos ilegais, sequestro, cárcere privado, intimidação, agressão e assédio. Chamando as ações do casal de “abuso sádico e metódico”, Blackburn compartilhou que a maioria das vítimas (não identificadas) foi drogada e, em seguida, abusada sexualmente. “Todas elas têm vários motivos para demorarem a fazer as acusações”, disse Blackburn sobre a ampla linha de tempo de suas clientes. “Um dos motivos é que elas achavam que ninguém acreditaria nelas.” Em janeiro, Sabrina Peterson alegou que T.I. colocou uma arma em sua cabeça e, em seguida, compartilhou acusações de outras mulheres contra o casal. A ação de Peterson “abriu a porta” para as vítimas e “deu-lhes coragem para se apresentar”, disse Blackburn na segunda-feira. Blackburn afirmou que seu objetivo é que as alegações sejam investigadas como possíveis acusações criminais, dizendo que a ação civil não é seu foco imediato. “Trata-se de justiça, não de dólares”, disse o advogado. O casal de celebridades nega veementemente todas as acusações. Em um comunicado fornecido à imprensa, seu advogado Steve Sadow disse: “Clifford (T.I.) e Tameka Harris negam nos termos mais fortes possíveis essas alegações sem substâncias nem base. Estamos confiantes de que, se essas alegações forem investigadas de forma completa e justa, nenhuma acusação será formulada.” “Essas alegações nada mais são do que a continuação de uma campanha sórdida de extorsão que começou nas redes sociais. Os Harris imploram a todos que não se deixem enganar por essas tentativas óbvias de manipular a imprensa e abusar do sistema legal”, completa a declaração da defesa.
Eleitores do Oscar se recusam a ver “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre”
Em 2005, o Oscar elegeu o fraquíssimo “Crash” como Melhor Filme, porque muitos eleitores se recusaram a assistir o principal candidato, “O Segredo de Brokeback Mountain”, por ser um romance gay. A história volta se repetir em 2021, com muitos votantes se recusando a assistir “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre”, por retratar o aborto adolescente. A diretora do filme, Eliza Hittman, conseguiu acesso a um email de um dos eleitores da Academia, enviado a uma relações públicas, onde fica claro que “não vi e não gostei” ainda vigora forte entre os autodenominados cristãos que votam no Oscar. Ela postou a carta em seu Instagram, identificando o autor como o cineasta Kieth Merrill, vencedor de um Oscar em 1973 pelo documentário “The Great American Cowboy” e indicado em 1997 pelo curta “Amazon”. “Recebi o filme, mas como cristão, pai de 8 filhos, avô de 39 netos e ativista pró-vida, eu tenho ZERO interesse em assistir a uma mulher cruzando fronteiras para alguém assassinar seu filho”, diz o texto. “75 milhões de nós enxergamos o aborto como a atrocidade que é. Não tem nada heroico sobre uma mãe se esforçando tanto para matar seu filho. Pense nisso!” Apesar desta atitude, Hittman acrescentou: “Recebi este e-mail ontem à noite e foi um lembrete duro de que a Academia ainda é infelizmente monopolizada por uma guarda velha, branca e puritana. Me pergunto quantos outros jurados não vão assistir ao filme”. Depois, a diretora deletou a postagem. Em comunicado enviado à revista Variety, a Academia lembrou que os membros não precisam assistir a todos os pré-selecionados para votarem no Melhor Filme. A carta de Merrill também ajuda a explicar porque o impactante drama romeno “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, de Cristian Mungiu, não foi indicado ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira em 2008, após vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes. “Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre” ganhou o Grande Prêmio do Festival de Berlim e está indicado em sete categorias do Film Independent Spirit Awards (o Oscar indie). O filme já está disponível para locação digital no Brasil.
Time’s Up reage ao Globo de Ouro 2021: “O Globo não é mais de Ouro”
A organização Time’s Up não ficou satisfeita com as declarações genéricas feitas pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) a respeito da falta de inclusão de membros negros em sua organização. A entidade civil, que surgiu após as denúncias de abuso sexual de Hollywood com o objetivo de advogar por maior representatividade feminina e racial nos locais de trabalho dos EUA, esteve à frente dos protestos nas redes sociais contra a falta de representatividade da HFPA, que resultou na ausência de longas sobre a experiência negra da disputa de Melhor Filme de Drama no Globo de Ouro 2021. Durante a transmissão do prêmio na noite de domingo (28/2), os líderes da HFPA comprometeram-se desajeitadamente a melhorar sua representatividade, sem fornecer muitos detalhes sobre que reformas aconteceriam. “Reconhecemos que temos nosso próprio trabalho a fazer”, disse a vice-presidente da Associação, Helen Hoehne, ao subir no palco. “Assim como no cinema e na televisão, a representação negra é vital. Devemos ter jornalistas negros em nossa organização”. E o presidente do grupo, Ali Sar, acrescentou que “esperamos um futuro mais inclusivo”, fazendo uma declaração genérica sem o menor senso de urgência. Após esse discurso, Tina Tchen, presidente da Time’s Up, enviou duas cartas abertas à imprensa, uma endereçada à NBCUniversal, dona da rede NBC, que transmite o Globo de Ouro, e outra aos representantes da HFPA que apareceram durante a cerimônia do prêmio. “Três anos atrás, a Time’s Up deu início a um movimento no Globo de Ouro. Comprometendo-se a trabalhar com aliados em todo o país – em todo o mundo – exigimos locais de trabalho livres de assédio sexual e exigimos que instituições afetadas pela desigualdade abram suas portas e criem maiores oportunidades para todos. Estamos à sua porta agora para discutir seu local de trabalho”, diz Tchen na carta à HFPA. “Sim, a falta de representação diversa em seus membros é significativa e uma vergonha por si só”, ela continua. “No entanto, é apenas uma das muitas preocupações de inclusão e respeito documentadas pelo Los Angeles Times, New York Times e na maioria dos jornais que cobrem o setor. Vocês estão cientes de todas as alegações”. O texto segue: “As declarações do HFPA hoje à noite e nos últimos dias indicam uma falta fundamental de compreensão da profundidade dos problemas em questão. Sua versão declarada de mudança é cosmética – encontrar pessoas negras. Isso não é uma solução.” “Os problemas com a HFPA não podem ser resolvidos simplesmente pela busca por novos membros que atendam aos seus critérios de adesão autodeclarada. Esse critério reflete uma falta fundamental de compreensão dos problemas em questão. A mudança só ocorre a partir da consciência de problemas culturais maiores, bem como de um compromisso de longo prazo com a mudança sistêmica. A filiação a uma associação privada pequena e exclusiva geralmente não merece uma preocupação tão ampla. No entanto, é inquestionável que a premiação do HFPA tem um impacto descomunal na indústria do entretenimento e, por extensão, em nossa cultura geral”, conclui a primeira carta. Na mensagem enviada à NBCUniversal, Tchen disse: “Grande parte da credibilidade do Globo de Ouro vem de sua afiliação com sua rede. A NBCUniversal tem grande interesse em corrigir esses problemas. Fazer isso é consistente com o compromisso de seu presidente, Brian Roberts, de que ‘a empresa tentará desempenhar um papel integral na condução de reformas duradouras’. A carta prossegue dizendo: “Reconhecemos a importância do Globo de Ouro para a temporada de premiações, mas isso não garante uma isenção da falta de obrigação com os padrões éticos que a indústria está adotando. Ao contrário, torna-se mais que uma obrigação. Instamos a NBCUniversal a liderar esse esforço. Nós da Time’s Up estamos prontos para trabalhar por mudanças reais. O Globo não é mais de Ouro. É hora de agir. ”
Globo de Ouro abafa protestos com risos amarelos e troféus dourados. Veja quem venceu
Deu “Nomadland” e “Borat: Fita de Cinema Seguinte” na premiação de cinema do Globo de Ouro 2021. “The Crown”, “Schitt’s Creek” e “O Gambito da Rainha” venceram na TV. E nenhuma das produções ruins que disputavam troféus foi premiada. Nenhuma manifestação de protesto ocupou as telas. O Globo de Ouro da polêmica se transformou na premiação dos risos amarelos. Militantes nas redes sociais, astros preferiram prestigiar e agradecer a Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood ao vivo, na noite de domingo (28/2), a cada troféu conquistado. Nem parecia que, horas antes, reclamavam nas redes sociais contra a falta de inclusão do prêmio. De repente, Chlóe Zhao, a diretora de “Nomadland”, o Melhor Filme de Drama, se tornou a segunda mulher a vencer o Globo de Ouro de Melhor Direção em 78 anos da premiação… De repente, todas as categorias com atores negros na disputa consagraram esta opção. John Boyega (“Small Axe”), Daniel Kaluuya (“Judas e o Messias Negra”), Andra Day (“Estados Unidos Vs Billie Holiday”) e o falecido Chadwick Boseman (“A Voz Suprema do Blues”) foram celebrados como se simbolizassem a representatividade do evento. A cantora Andra Day, inclusive, foi a primeira negra ganhadora do Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama em 35 anos! Representatividade? Ou ação rápida para disfarçar o elefante no palco, que foi abordado logo na abertura pelas apresentadoras Tina Fey e Amy Poehler? “A Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood é formada por cerca de 90 jornalistas internacionais – nenhum negro – que comparecem a encontros de cinema todos os anos em busca de uma vida melhor”, afirmou Fey. “Dizemos por volta dos 90, porque alguns deles podem ser fantasmas e há rumores de que o membro alemão é apenas uma salsicha em que alguém desenhou um pequeno rosto”. Poehler disse: “Todo mundo está compreensivelmente chateado com a Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood e suas escolhas. Olha, muito lixo espalhafatoso foi nomeado. Mas isso acontece. Isso é coisa deles. Mas vários atores negros e projetos liderados por negros foram esquecidos”. Fey acrescentou: “Todos nós sabemos que premiações são estúpidas. A questão é que, mesmo com coisas estúpidas, a inclusão é importante e não há membros negros na Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood”. As duas instaram a organização a incluir membros negros em suas fileiras. Quando os líderes da organização subiram ao palco, comprometeram-se envergonhadamente a melhorar sua representatividade, sem fornecer muitos detalhes sobre que reformas aconteceriam. “Reconhecemos que temos nosso próprio trabalho a fazer”, disse a vice-presidente da Associação, Helen Hoehne. “Assim como no cinema e na televisão, a representação negra é vital. Devemos ter jornalistas negros em nossa organização”. E o presidente do grupo, Ali Sar, acrescentou que “esperamos um futuro mais inclusivo”, numa declaração genérica sem o menor senso de urgência. E foi isso. Os discursos protocolares que se seguiram, de cada vencedor, parecia refletir cenas de “The Crown”, produção francamente favorita dos membros da Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood, que faturou quatro Globos de Ouro, inclusive Melhor Série de Drama. Um dos raros contrastes no tom apreciativo veio na segunda aparição de Sasha Baron Cohen, que lembrou de agradecer ironicamente “aos integrantes da Associação Totalmente Branca da Imprensa Estrangeira em Hollywood” por suas vitórias – como Melhor Ator de Comédia e responsável pelo Melhor Filme de Comédia (“Borat: Fita de Cinema seguinte”). Notoriamente engajada, Jane Fonda, que recebeu uma homenagem pela carreira, também fez um aparente aceno à crise de diversidade da premiação, argumentando que Hollywood precisava fazer mais para oferecer oportunidades para mulheres e pessoas de cor. “Vamos todos nos esforçar para expandir essa tenda, para que todos se levantem e a história de todos tenha a chance de ser vista e ouvida”, disse ela, animando a colega Viola Davis, vista comemorando o comentário na edição televisiva. Entre a contenção de danos de imagem, o Globo de Ouro só não conseguiu evitar a atenção criada pela quantidade de agradecimentos feitos à Netflix, que chegou a evocar os velhos tempos da Miramax, quando Harvey Weinstein (ele mesmo) recebia mais citações que Deus no discurso dos vencedores, após investir fortunas nas conquistas de seus filmes. A Netflix levou mais da metade dos prêmios televisivos: 6 dos 11 troféus disponíveis. Amazon e Apple ficaram com um cada um, o que ajudou a tornar o domínio do streaming amplo na premiação. O mesmo domínio se repetiu nas categorias de cinema, onde a Netflix foi a distribuidora que mais conquistou vitórias: quatro. Chadwick Boseman garantiu um prêmio como Melhor Ator de Drama por “A Voz Suprema do Blues”, Rosamund Pike venceu como Melhor Atriz de Comédia por “Eu Me Importo”, Aaron Sorkin foi o Melhor Roteirista por “Os 7 de Chicago” e a dupla Diane Warren e Laura Pausini emplacou o troféu de Melhor Canção por “Rosa e Momo”. O Globo de Ouro não é considerado um indicador de rumos para o Oscar. No ano passado, os vencedores foram “1917” e “Era uma vez em Hollywood”, que perderam para “Parasita” na premiação da Academia. Mas este ano, mais que nos anteriores, a decisão de barrar filmes sobre a experiência negra, como “Destacamento Blood”, “Uma Noite em Miami”, “Judas e o Messias Negro”, “A Voz Suprema do Blues”, “Estados Unidos Vs Billie Holiday” e até mesmo a história asiática de “Minari – Em Busca da Felicidade”, da disputa de Melhor Filme, deixa o termômetro do Globo de Ouro totalmente imprestável. Veja abaixo a lista completa dos premiados. CINEMA Melhor Filme – Drama “Nomadland” Melhor Filme – Comédia ou Musical “Borat: Fita de Cinema Seguinte” Melhor Direção Chloé Zhao (“Nomadland”) Melhor Ator – Drama Chadwick Boseman (“A Voz Suprema do Blues”) Melhor Atriz – Drama Andra Day (“Estados Unidos Vs Billie Holiday”) Melhor Ator – Comédia ou Musical Sacha Baron Cohen (“Borat: Fita de Cinema Seguinte”) Melhor Atriz – Comédia ou Musical Rosamund Pike (“Eu Me Importo”) Melhor Ator Coadjuvante Daniel Kaluuya (“Judas e o Messias Negra”) Melhor Atriz Coadjuvante Jodie Foster (“The Mauritanian”) Melhor Roteiro Aaron Sorkin (“Os 7 de Chicago”) Melhor Trilha Original Trent Reznor, Atticus Ross, Jon Batiste (“Soul”) Melhor Canção Original “Io Si (Seen)” (de “Rosa e Momo”) – Diane Warren, Laura Pausini, Niccolò Agliardi Melhor Animação “Soul” Melhor Filme de Língua Estrangeira “Minari – Em Busca da Felicidade” (EUA) TELEVISÃO Melhor Série – Drama “The Crown” Melhor Série – Comédia ou Musical “Schitt’s Creek” Melhor Minissérie ou Telefilme “O Gambito da Rainha” Melhor Ator – Drama Josh O’Connor (“The Crown”) Melhor Atriz – Drama Emma Corrin (“The Crown”) Melhor Ator – Comédia Jason Sudeikis (“Ted Lasso”) Melhor Atriz – Comédia Catherine O’Hara (“Schitt’s Creek”) Melhor Ator – Minissérie ou Telefilme Mark Ruffalo (“I Know This Much Is True”) Melhor Atriz – Minissérie ou Telefilme Anya Taylor-Joy (“O Gambito da Rainha”) Melhor Ator Coadjuvante – Minissérie ou Telefilme John Boyega (“Small Axe”) Melhor Atriz Coadjuvante – Minissérie ou Telefilme Gillian Anderson (“The Crown”)
Hollywood protesta em peso contra falta de diversidade do Globo de Ouro
A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) chega ao dia de sua premiação anual sob críticas e manifestações de repúdio das estrelas de Hollywood. Embora as acusações de suborno não sejam novidade, a revelação de que a associação não tem integrantes negros – o que explicaria a falta de indicações a filmes sobre temas raciais no Globo de Ouro 2021 – , mobilizou famosos a pressionarem a HFPA por mudanças em seus quadros e políticas, sob o risco de um boicote que a entidade não pode se dar ao luxo de enfrentar. Na quinta-feira passada (25/2), após uma reportagem do jornal Los Angeles Times trazer à luz os bastidores obscuros da premiação, a HFPA emitiu um comunicado jurando que mudaria para preservar seu contrato de US$ 60 milhões com a rede NBC. “Estamos totalmente comprometidos em garantir que nossa associação reflita as comunidades em todo o mundo que amam o cinema, a TV e os artistas que os inspiram e educam. Entendemos que nós precisamos trazer membros negros, bem como membros de outras origens sub-representadas, e vamos trabalhar imediatamente para implementar um plano de ação para atingir esses objetivos o mais rápido possível”, disse o texto oficial. Mas apesar da declaração de intenções, a promessa genérica pareceu insuficiente para muitos. A organização Time’s Up, que surgiu após as denúncias de abuso sexual de Hollywood, visando incentivar maior representatividade feminina e racial nos locais de trabalho dos EUA, tomou a frente dos protestos na sexta-feira, usando as redes sociais para apontar a falta de membros negros na HFPA e acrescentar: “Uma correção cosmética não é suficiente. #TIMESUPGlobes”. A mensagem foi publicada em anúncio de página inteira na imprensa americana, ampliando o alcance do protesto. Além disso, vários astros proeminentes de Hollywood compartilharam a mensagem, incluindo seus próprios comentários sobre a polêmica. A cineasta Gina Prince-Bythewood (“The Old Guard”) escreveu no Instagram: “Sem desculpas (não há nenhuma). Sem desculpas (não acreditamos em você). Sem gestos vazios (correções cosméticas não são suficientes). Mude o jogo. #Timesupglobes #timesupnow” A também diretora Ava DuVernay (“Selma”) tuitou: “Notícia velha. Nova energia. #TimesUpGlobes”. O texto foi repostado pela atriz Jurnee Smollett (“Lovecraft Contry”), que acrescentou a frase do Time’s Up: “Uma correção cosmética não é suficiente. #TimesUpGlobes #TimesUp”. Os comediantes Patton Oswalt (“Jovens Adultos”) e Amy Schumer (“Descompensada”) tuitaram as mesmas palavras, assim como as atrizes America Ferrera (“Superstore”), Lupita Nyong’o (“Pantera Negra”), Alyssa Milano (“Charmed”), Lena Dunham (“Girls”), Jennifer Aniston (“Friends”), os atores Mark Ruffalo (“Vingadores: Ultimato”) e Simon Pegg (“Missão: Impossível – Efeito Fallout”), entre muitos outros. O diretor Judd Apatow (“Bem-vindo aos 40”) expandiu a queixa no Twitter: “Tantas coisas malucas sobre o Globo de Ouro e a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, mas isso é horrível. #Timesupglobes”. Kerry Washington, estrela de “Scandal” e “A Festa de Formatura”, citou uma frase do ativista James Baldwin em seu protesto: “Nem tudo que enfrentamos pode ser mudado, mas nada pode ser mudado até que o enfrentemos”. A premiada Viola Davis (“A Voz Suprema do Blues”) apontou que dizer que vai mudar não é o mesmo que mudar: “A jornada de um artista negro está repleta de obstáculos para que possa criar, desenvolver e ser reconhecido por seu trabalho. Se continuarmos em silêncio, a geração mais jovem de artistas terá exatamente a mesma carga para carregar. Sem mais desculpas. #TIMESUPGlobes”. Ao lado de um vídeo antigo do evento, Eva Langoria (“Desperate Housewives”) lembrou que o problema existe há tempos: “Há cinco anos atrás, com America Ferrera, nos posicionamos sobre a falta de diversidade. É uma vergonha que ainda estejamos batendo na mesma tecla hoje”. A atriz Constance Zimmer (“UnReal”) concluiu que “O Globo de Ouro não é tão dourado”, da mesma forma que Cynthia Nixon (“Sex and the City”), ao afirmar que se “sentiria mais honrada em concorrer se houvesse representativade real entre os demais indicados”. Já a produtora Shonda Rhimes (de “Grey’s Anatomy” e “Bridgerton”) escreveu apenas “Basta”. “Totalmente absurdo”, ecoou a atriz e diretora Olivia Wilde (“Fora de Série”). Um dos textos mais longos foi publicado por Sterling K. Brown, primeiro negro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator de Série Dramática em 2018. Ele escreveu, sob aplausos de seus colegas da série “This Is Us” e outros: “Ser nomeado para um Globo de Ouro é uma tremenda honra, ganhar é um sonho tornado realidade. Pode afetar a trajetória de uma carreira… e certamente afetou a minha. Eu vou apresentar o prêmio na televisão neste fim de semana para homenagear todos os contadores de histórias, principalmente os negros, que alcançaram esse momento extraordinário em seus carreiras… E tenho minhas críticas sobre as 87 pessoas da HFPA que têm esse poder tremendo. O fato de qualquer órgão responsável por uma premiação atual de Hollywood ter essa falta de representatividade ilustra um nível de irresponsabilidade que não deve ser ignorado. Com o poder que você tem, HFPA, você tem a responsabilidade de garantir que sua constituição reflita totalmente o mundo em que vivemos. Quando você tem essa consciência, você deve fazer melhor. E ter uma multidão de apresentadores negros não te absolve de sua falta de diversidade. Este é o seu momento de fazer a coisa certa. É minha esperança que você faça. #timesupglobes”. Outra apresentadora confirmada no evento desta noite, Bryce Dallas Howard (estrela da franquia “Jurassic World”), fez outra crítica contundente, ao afirmar que “um corpo eleitoral composto por 87 pessoas sem nenhum membro negro é outro exemplo do abuso de poder e do racismo sistêmico que permeia Hollywood e nosso país. O consenso sobre a necessidade da expansão da representatividade eleitoral na HFPA já deveria ter ocorrido há muito tempo. Todos nós devemos fazer melhor”. Por fim, a estrela da série “Grey’s Anatomy”, Ellen Pompeo, preferiu dirigir-se a seus colegas brancos com um apelo. “Eu peço carinhosamente a todos os meus colegas brancas nesta indústria, uma indústria que amamos e que nos concede um enorme privilégio…. para se posicionar, vir e resolver esse problema”, escreveu ela. “Vamos mostrar aos nossos colegas negros que nos importamos e estamos dispostos a trabalhar para corrigir os erros que criamos. Agora não é hora de ficar em silêncio. Temos uma questão de ação real aqui, vamos fazer isso.” Em resposta à comoção, o HFPA repostou em sua conta do Instagram a declaração que havia emitido na quinta-feira, acompanhada por um texto adicional, em que afirma: “Nós divulgamos esta declaração do HFPA mais cedo e estamos comprometidos com mudanças. Vamos abordar isso em nosso programa no domingo. ” O Globo de Ouro 2021 será transmitido ao vivo no Brasil, a partir das 22h, pelo canal pago TNT. Veja abaixo um pouco da repercussão da polêmica nas redes sociais de Hollywood. 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New energy. #TimesUpGlobes pic.twitter.com/AzJhTA42W8 — Ava DuVernay (@ava) February 26, 2021 So many crazy things about the @goldenglobes and the Hollywood Foreign press but this is awful. #timesupglobes pic.twitter.com/C5PYs5zFRr — Judd Apatow (@JuddApatow) February 26, 2021 A cosmetic fix isn’t enough #TimesUpGlobes #TimesUp https://t.co/9S45FNQVzz — jurnee smollett (@jurneesmollett) February 26, 2021 Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Golden Globes (@goldenglobes)
No Globo de Ouro das polêmicas o que menos importa é o prêmio
O Globo de Ouro 2021, que acontece às 22h deste domingo (28/2) com transmissão ao vivo no Brasil pelo canal pago TNT, é diferente de todas as cerimônias que o precederam. Para começar, não tem tapete vermelho, já que os indicados a prêmios participarão à distância, virtualmente de suas casas. Além disso, pela primeira vez será apresentado em dois palcos distintos, com Tina Fey comandando a cerimônia no The Rainbow Room em Manhattan, enquanto Amy Poehler assume a transmissão na casa habitual da premiação, o Beverly Hilton, em Los Angeles. Mas estas não são as principais mudanças. A expectativa gerada pelo evento é completamente diversa dos outros anos, refletida na falta de artigos sobre quais filmes, séries e artistas merecem vencer o troféu. Em vez disso, o foco da imprensa mais séria, nesta reta final, tem sido os bastidores da organização responsável pelo prêmio. Não que o prêmio tenha sido, algum dia, levado à sério pela imprensa que cobre Hollywood. Só que sua falta de seriedade nunca foi tão discutida quanto neste ano, após a divulgação de seus indicados. A falta de sensibilidade da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) na escolha dos candidatos ao prêmio reverberou com um peso inesperado. A lista apontou duas supremacias: a supremacia da Netflix entre o total de indicados e uma supremacia branca. A HFPA optou por barrar completamente os filmes sobre a experiência negra (e asiática) em sua relação de Melhores do Ano, justamente no ano em que filmes do gênero, como “Destacamento Blood”, “Uma Noite em Miami”, “Judas e o Messias Negro”, “A Voz Suprema do Blues”, “Estados Unidos Vs Billie Holiday” e “Minari – Em Busca da Felicidade” foram considerados as principais novidades. Também ignorou aquela que é considerada a melhor série do ano pela imprensa, “I May Destroy You”, criada e estrelada pela artista negra Michael Coel, enquanto produções destruídas pela crítica, como o filme “Music” e a série “Emily em Paris”, se destacaram entre as indicações. Assim que a relação foi divulgada, a imprensa reagiu. “Um constrangimento completo e absoluto”, escreveu Scott Feinberg, o respeitado crítico de cinema da revista The Hollywood Reporter, sobre a seleção apresentada pela HFPA. Ninguém falou abertamente em racismo. Mas a acusação ficou implícita – e cada vez mais evidente – a cada novo comentário. Na semana passada, o jornal Los Angeles Times publicou uma reportagem que jogou definitivamente por terra a credibilidade do prêmio. O artigo confirmou aquilo que o próprio apresentador do Globo de Ouro Ricky Gervais acusava em suas piadas. “O Globo de Ouro é para o Oscar o que Kim Kardashian é para Kate Middleton – mais histérico, inútil e bêbado. E mais facilmente comprável, dizem. Nada foi provado”, chegou a brincar Gervais ao apresentar o prêmio em 2012. A reportagem afirmou que os boatos não são brincadeira. A HFPA não teria integridade por aceitar e incentivar que estúdios e produtores ofereçam “presentes” e privilégios (subornos) para seus 87 membros, como forma de influenciar as votações para o Globo de Ouro. O jornal citou um exemplo recente deste tipo de ação, ao revelar que a Paramount Television hospedou 30 membros da HFPA em um hotel cinco estrelas de Paris, com diárias de até US$ 1,4 mil (R$ 7,6 mil) em 2019, para divulgar “Emily em Paris”. Considerada medíocre pelos outros críticos, a atração da Netflix foi indicada como Melhor Série de Comédia ou Musical no prêmio desta noite. Mas o que repercutiu com maior gravidade, aos olhos da comunidade cinematográfica, foi a constatação definitiva do problema racial da HFPA. Ao contrário da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, que inclui milhares de trabalhadores de todas as áreas da indústria, a HFPA é formada por 87 supostos jornalistas de vários países que vivem em Los Angeles e escrevem sobre cinema. Muitos publicam críticas para blogs sem representatividade alguma. E nenhum deles é negro. O quadro de votantes inclui Margaret Gardiner, celebridade sul-africana que ganhou o Miss Universo, Yola Czaderska-Hayek, uma socialite autointitulada “a primeira-dama polonesa de Hollywood”, Alexander Nevsky, um fisicultor russo que virou ator e produtor, e Noel de Souza, que fez uma aparição como Gandhi num episódio de “Star Trek: Voyager”. Mais: um de seus integrantes aparentemente é cego. Estas pessoas são consideradas “imprensa estrangeira em Hollywood” por assinar seis artigos por ano no site da própria HFPA. É isto que os credenciaria a eleger os vencedores do troféu. E eles relutam em deixar novos integrantes (como jornalistas de verdade) entrarem em seu clubinho, porque o dinheiro que circula nos bastidores lhes garante vida de milionários. A NBC paga US$ 60 milhões pelos direitos de transmitir a premiação. Durante décadas, a HFPA justificou sua relevância com o apoio dos estúdios e estrelas de Hollywood. A participação de grandes astros, como Leonardo DiCaprio, Catherine Blanchett e Brad Pitt, sempre deram aval à sua festa de premiação. E ninguém jamais questionou porque Sterling K. Brown se tornou o primeiro negro a vencer O Globo de Ouro de Melhor Ator de Série Dramática apenas em 2018, na 75ª edição da celebração. De fato, o Globo de Ouro só existe porque sua transmissão televisiva garante boa audiência para a rede NBC. O dia em que deixar de atrair as estrelas de Hollywood, vai perder público e desaparecer. Por isso, os organizadores sempre se esforçaram para indicar celebridades, em vez de artistas mais merecedores, de forma a garantir o interesse dos espectadores. O mesmo motivo alimentava o costume de liberar bebidas durante o evento, para deliciar o público com a expectativa de vexames de famosos. Isto não vai acontecer este ano, com os famosos em suas casas, participando por videoconferência. A expectativa pelo Globo de Ouro 2021 é completamente diferente. Desta vez, pouco importa quem vai levar prêmio. O que muitos esperam ver é como o presidente da HFPA vai abordar a polêmica em seu discurso anual. Mais que isso: como o Globo de Ouro vai evitar ser atacado ao vivo pelos próprios astros com quem conta para permanecer no ar nos próximos anos. O principal motivo para sintonizar na TNT nesta noite não é o prêmio, mas os discursos, que pela primeira vez não devem ser de agradecimento.
Ray Fisher é confrontado pela Warner após voltar a sugerir racismo do estúdio
O ator Ray Fisher voltou a acusar a Warner Bros. de racismo, via Twitter, ao insinuar que a contratação do roteirista negro Ta-Nehisi Coates para escrever uma nova versão da franquia Superman com JJ Abrams seria uma forma de causar distração e sepultar suas acusações contra Walter Hamada, presidente da DC Films. “Vocês se lembram daquela vez que Walter Hamada e a Warner Bros. Pictures tentaram destruir a credibilidade de um negro e deslegitimar publicamente uma investigação muito séria, com mentiras na imprensa?”, Fisher tuitou. “Mas ei, Superman Negro…” As novas declarações de Fisher, que já chegou a sugerir que até o presidente da WB, Toby Emmerich, era racista, fizeram o estúdio responder prontamente. Fisher tem atacado continuamente a Warner Bros. desde o verão norte-americano passado, alegando ter sido maltratado por Joss Whedon no set das refilmagens de “Liga da Justiça”, com apoio dos produtores do filme. Ele teria sido ameaçado ao se queixar do diretor e coagido a abandonar algumas das acusações após o caso se tornar público. Quem ele diz que o ameaçou foi Geoff Johns, produtor de “Liga da Justiça” – além de criador das séries “The Flash”, “Titãs” e “Stargirl”, e roteirista de “Aquaman” e “Mulher-Maravilha 1984”. Pela importância de Johns para a DC, Walter Hamada teria tentado tentado convencer o ator a não envolver o produtor em suas acusações. Pelo menos, é isto que Fisher afirma, acusando pessoas acima desses executivos por protegê-los em meio ao escândalo. Fisher alega que a investigação interna, que teria resultado no afastamento de Whedon do estúdio, sofreu tentativa de influência por integrantes da chefia da Warner, inclusive de seu alvo declarado, Walter Hamada. Aparentemente, a Warner cansou de deixar essas acusações sem resposta. Após o novo tuíte, o conglomerado de mídia que contém a Warner Bros. Pictures emitiu um comunicado oficial e ainda promoveu uma manifestação do responsável pela investigação dos bastidores de “Liga da Justiça”, que contestam frontalmente as afirmações do ator. “Mais uma vez, há falsas declarações sendo feitas sobre nossos executivos e nossa empresa em torno da recente investigação de ‘Liga da Justiça’. Como afirmamos antes, uma investigação ampla e completa de terceiros foi conduzida. Nossos executivos, incluindo Walter Hamada, cooperaram plenamente, não foram encontradas evidências de qualquer interferência, e a Warner Bros. não mentiu na imprensa. É hora de parar de dizer o contrário e avançar de forma produtiva”, diz o texto da WarnerMedia. A declaração foi amparada por uma manifestação individual de Katherine B. Forrest, a investigadora e ex-juíza federal que chefiou a investigação feita após as acusações de Fisher. “Estou desapontada com as constantes declarações públicas que sugerem que Walter Hamada interferiu de alguma forma na investigação de ‘Liga da Justiça’. Ele não interferiu. Eu o entrevistei extensivamente em mais de uma ocasião e especificamente o entrevistei sobre sua interação muito limitada com o Sr. Fisher. Achei o Sr. Hamada confiável e acessível. Concluí que ele não fez nada que impedisse ou interferisse na investigação. Pelo contrário, as informações que forneceu foram úteis e ajudaram a avançar a investigação”. Ray Fisher reagiu aos comunicados retomando seus ataques nominais a Walter Hamada. “Como eu disse desde o início: Walter Hamada TENTOU interferir na investigação de ‘Liga da Justiça’. Ele não teve sucesso porque eu não o permiti. O fato de o investigador fazer uma declaração afirmando que não houve interferência é propositalmente enganoso e desesperador”, ele acusou. Para completar, ainda retuitou sua denúncia original contra Hamada, datada de 4 de setembro. “Para que vocês entenderem melhor o quão fundo isso vai: Depois de falar sobre ‘Liga da Justiça’, recebi um telefonema do presidente da DC Films em que ele tentou jogar Joss Whedon e Jon Berg embaixo do ônibus na esperança de que eu cedesse e não denunciasse Geoff Johns. Eu não vou ceder”. Ironicamente, enquanto fazia esses ataques, o ator também promovia em suas redes sociais a nova versão de “Liga da Justiça”, dirigida por Zack Snyder. Veja abaixo. Do ya’ll remember that time Walter Hamada and @wbpictures tried to destroy a Black man’s credibility, and publicly delegitimize a very serious investigation, with lies in the press? But hey, Black Superman… A>E — Ray Fisher (@ray8fisher) February 27, 2021 #ZackSnydersJusticeLeague #SnyderCut pic.twitter.com/Kgysywx08U — Zack Snyder (@ZackSnyder) February 27, 2021 As I’ve said from the start: Walter Hamada ATTEMPTED to interfere with the JL investigation. He was unsuccessful in doing so because I did not allow him to. Having the investigator make a statement claiming there was no interference is purposely misleading and desperate. A>E — Ray Fisher (@ray8fisher) February 27, 2021 For those in the back: https://t.co/bV3wL1HfMZ — Ray Fisher (@ray8fisher) February 28, 2021 My mom is funny. ☺️#ZackSnydersJusticeLeague #Snydercut pic.twitter.com/fFCaN0zfVh — Ray Fisher (@ray8fisher) February 28, 2021











