Wasp Network, 7500, Aberrações e Aniara são destaques digitais do fim de semana
“Wasp Network: Rede de Espiões”, lançamento da Netflix, não é exatamente a melhor estreia digital da semana, mas com certeza é a que chama mais atenção na programação, pela equipe envolvida e por ser uma coprodução brasileira, baseada em livro de autor nacional – “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”, de Fernando Morais, lançado em 2011. O elenco é uma verdadeira seleção ibero-americana, com destaque para o brasileiro Wagner Moura (“Narcos”), a espanhola Penélope Cruz (“Dor e Glória”), o mexicano Gael García Bernal (“Museu”), a cubana Ana de Armas (“Entre Facas e Segredos”), o venezuelano Édgar Ramírez (“A Garota no Trem”) e o argentino Leonardo Sbaraglia (também de “Dor e Glória”). Com direção do premiado cineasta francês Olivier Assayas (Melhor Diretor no Festival de Cannes de 2016 por “Personal Shopper”), o filme é repleto de reviravoltas, que ilustram os esforços da espionagem cubana durante a Guerra Fria. Entretanto, há filmes melhores disponíveis em outras plataformas, como “7500”, “Aberrações” e “Aniara”. Confira abaixo mais detalhes destes e de outros lançamentos digitais inéditos nos cinemas brasileiros, que valem a conferida nos serviços de VOD (locadoras online) e streaming neste fim de semana. A curadoria não inclui títulos clássicos e produções que, em outros tempos, sairiam diretamente em vídeo. Wasp Network: Rede de Espiões | França, Brasil | 2020 O thriller de espionagem conta a história da Rede Vespa, um grupo de agentes duplos cubanos que se passaram por desertores para se infiltrar em organizações anticastristas de extrema-direita em Miami, entre as décadas de 1980 e 1990. Uma das curiosidades de seu elenco estrelado (veja a lista completa acima) é que volta a juntar Warner Moura e Ana de Armas, que viveram par romântico em “Sergio”, outro lançamento da Netflix, disponibilizado no mês passado. A produção é da RT Features, do brasileiro Rodrigo Teixeira, em parceria com a francesa CG Cinemas e sua première aconteceu no último Festival de Veneza. Na época, a crítica achou chato (41% no Rotten Tomatoes), mas o filme acabou recebendo um prêmio especial do Festival de Deauville, realizado uma semana depois na França. Netflix 7500 | EUA | 2020 O título 7500 refere-se ao código para sequestro aéreo, alerta transmitido pelo co-piloto de um voo de rotina de Berlim para Paris após ver terroristas tentando tomar o controle do avião e se trancar na cabine. Como os sequestradores não conseguem invadir a cabine, passam a ameaçar de morte todos os passageiros para forçar o co-piloto a abrir a porta. Com Joseph Gordon-Levitt (“Snowden”) no papel principal, o filme explora a tensão psicológica que resulta desse impasse – e tem 65% de aprovação no Rotten Tomatoes Amazon Aberrações (Freaks) | EUA | 2019 Mistura de suspense e sci-fi ao estilo de “Rua Cloverfield, 10”, traz uma menina de sete anos trancada em casa pelo pai perturbado (Emile Hirsch), que a alerta para nunca sair, devido aos graves perigos do lado de fora. Até que um homem misterioso (o veterano Bruce Dern) surge e tenta convencer a garota a se juntar a ele em uma jornada ao mundo exterior. Longe de ser frenético, o filme é para fãs de atmosferas psicológicas e foi premiado nos festivais de cinema fantástico de Paris, Bruxelas e Trieste. Com direção da dupla Zach Lipovsky e Adam B. Stein, que assinou o bem-sucedido telefilme live-action de “Kim Possible”, tem a melhor avaliação crítica desta lista: 87% no Rotten Tomatoes! iTunes, Now, Oi Play e Vivo Play Aniara | Suécia, Dinamarca | 2018 Sci-fi espacial escandinava sobre uma nave repleta de passageiros que, após um acidente num voo para Marte, fica à deriva no espaço. Com clima mais melancólico que catastrófico, explora as diferentes reações à situação de mergulho sem volta na imensidão, que vão da resignação ao desespero, trazendo à tona um retrato cru da humanidade. A obra adapta um poema do vencedor do Noel Harry Martinsson e conquistou prêmios em festivais do gênero, atingindo 70% de aprovação no Rotten Tomatoes – e quase 100% nos gatilhos de depressão. Now, Vivo Play e Sky Play Olhos de Gato (A Whisker Away) | Japão | 2020 Anime sobre uma garota que se transforma em gato para ficar perto do garoto que ama. Escrita por Mari Okada (de “Maquia: Quando a Flor Prometida Floresce”), a história, digamos, peculiar mescla aspectos culturais japoneses com uma trama romântica adolescente. Vale observar que um dos diretores, Jun’ichi Satô, é veterano da animação japonesa, tendo trabalhado em clássicos como “Sailor Moon” e “Neon Genesis Evangelion”. Netflix Feel The Beat | EUA | 2020 Sofia Carson (a Evie de “Descendentes”) é uma dançarina malvada que vira professara de dança infantil numa comédia de desenvolvimento previsível, mas divertido. Após seu fracasso em um teste para Broadway tornar-se um vídeo viral, ela volta para a cidade onde nasceu e lá é convidada a treinar um grupo de crianças para uma competição. A malvadinha só aceita ao descobrir que a final teria jurados da Broadway, e então decide transformar as meninas inexperientes em bailarinas vencedoras… em duas semanas! Netflix Anton: Laços de Amizade | Ucrânia | 2019 Dois meninos, um católico e um judeu, crescem juntos em 1919, aprendendo sobre amizade e preconceito em meio às tragédias e à revolução bolchevique na Ucrânia. O drama marcou a despedida do diretor georgiano Zaza Urushadze, que disputou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015 por “Tangerinas”. Ele morreu em dezembro passado, de ataque cardíaco aos 57 anos. Cinema Virtual iTunes Wendy | EUA | 2019 Incluído mais por curiosidade que recomendação, trata-se de um desastre retumbante. O filme tem roteiro e direção de Benh Zeitlin, que em 2012 encantou os cinéfilos de todo o mundo com seu primeiro longa, “Indomável Sonhadora”, vencedor do Festival de Sundance, premiado em Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Filme. Ele demorou sete anos para voltar a filmar e “Wendy” têm vários pontos em comum com o trabalho anterior, a começar pelo fato de contar uma história fantástica filtrada pelo olhar de uma menina. Trata-se, na verdade, de uma versão de “Peter Pan”, em que crianças abandonadas embarcam para uma ilha distante, trocando suas vidas duras por um cotidiano de aventuras, com o bônus de o tempo não parecer passar. Até que “piratas” descobrem o local, colocando em risco sua liberdade e os obrigando a crescer. O problema é que qualquer vestígio dessa narrativa é enterrado pela fotografia da paisagem, ainda mais exasperante que nos filmes de Terrence Malick. Seu belo visual não esconde a bela decepção, com pífios 38% no Rotten Tomatoes. iTunes, Now, Google Play e YouTube Filmes Revelação (Disclosure) | EUA | 2020 O documentário sobre a representação de pessoas trans no cinema e na TV mostra como Hollywood ao mesmo tempo reflete e cria ansiedades relacionadas à questão de gênero. No longa, ativistas e artistas trans famosos nos EUA, como Laverne Cox (“Orange Is the New Black”), Lilly Wachowski (“Matrix”), Yance Ford (“Strong Island”), MJ Rodriguez (“Pose”), Jamie Clayton (“Sense8”) e Chaz Bono (“American Horror Story”), explicam suas reações e resistências à forma como a transexualidade é apresentada nas telas, discutindo o contraste entre a ficção, o que pensa a sociedade e a realidade das pessoas trans. Netflix
Filha de Milla Jovovich vai estrelar remake live action de Peter Pan
A jovem atriz Ever Anderson, filha de 12 anos da estrela Milla Jovovich e do diretor Paul W. Anderson, foi escolhida como protagonista do próximo remake de fábulas da Disney. Ela vai viver a menina Wendy em “Peter Pan & Wendy”. A produção marcará o terceiro papel de Ever no cinema. Aos 8 anos, ela viveu uma versão infantil de sua própria mãe em “Resident Evil 6: O Capítulo Final”, dirigida pelo pai. E no final de abril aparecerá como a versão criança de Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) em “Viúva Negra”. A Disney também anunciou seu Peter Pan. Ele será vivido por Alexander Molony, ator britânico de 12 anos que dublou alguns desenhos e estrela a série de comédia “The Reluctant Landlord”. O famoso personagem infantil de J. M. Barrie já ganhou inúmeras versões para o cinema desde sua criação em 1911, entre elas a animação clássica da Disney, lançada em 1953. A adaptação mais recente foi produzida pela Warner em 2015, com direção de Joe Wright (“Anna Karenina”), mas não conseguiu muito sucesso. O novo filme está a cargo de David Lowery, que assina a direção e escreveu o roteiro com Toby Halbrooks. Os dois repetem, assim, a parceria de outro remake da Disney, “Meu Amigo, O Dragão” (2016). A nova versão faz parte da estratégia da Disney de explorar suas propriedades mais famosas em filmes com atores reais, que começou com “Alice no País das Maravilhas” (2010) e segue firme com os sucessos recentes de “Aladdin” e “O Rei Leão”.
Wendy: Versão “realista” de Peter Pan ganha primeiro trailer
A Fox Seachlight divulgou o pôster, duas fotos e o primeiro trailer de “Wendy”, uma versão “realista” da fábula de “Peter Pan”. O filme tem roteiro e direção de Benh Zeitlin, que em 2012 encantou os cinéfilos de todo o mundo com seu primeiro longa, “Indomável Sonhadora”, vencedor do Festival de Sundance, premiado em Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Filme. Ele demorou sete anos para voltar a filmar e “Wendy” têm vários pontos em comum com o trabalho anterior, a começar pelo fato de contar uma história fantástica filtrada pelo olhar de uma menina pequena. Nesta versão de “Peter Pan”, Wendy embarca com outros garotos para uma ilha distante, onde abandonam suas vidas duras em troca de um cotidiano de aventuras, com o bônus de o tempo não parecer passar. Até que “piratas” descobrem o local, colocando em risco sua liberdade e o espírito alegre de sua juventude, com a ameaça do perigo mortal de ter que crescer. A novata Devin France interpreta Wendy, à frente de um elenco mirim repleto de estreantes. A estreia está marcada para fevereiro.
Novo comercial de WiFi Ralph tem personagens de Zootopia, Moana, Toy Story, Ursinho Pooh e Branca de Neve
A Disney divulgou novo comercial de “WiFi Ralph: Quebrando a Internet”. Ainda sem legendas ou dublagem nacional, a prévia destaca inúmeros personagens das animações da Disney. Além das princesas que tem sido destaque na divulgação, o novo vídeo inclui a raposa Nick Wilde, de “Zootopia”, o galo de “Moana”, Baymax, de “Operação Big Hero”, Buzz Lightyear, de “Toy Story”, e até personagens clássicos, como o anão Zangado, de “Branca de Neve”, o burro Bisonho do “Ursinho Pooh, Peter Pan e Sininho, etc. “WiFi Ralph: Quebrando a Internet” será o primeiro filme da Disney a juntar personagens do estúdio com criações da Marvel, Lucasfilm e Pixar. Todos eles habitam a internet, onde os personagens vão parar, numa jogada de sinergia criativa. Novamente dirigido por Rich Moore, agora em parceria com o roteirista Phil Johnston, a sequência de “Detona Ralph” também tem um monte de dubladores famosos, desde as intérpretes originais das princesas da Disney até Gal Gadot (a “Mulher-Maravilha”) como uma piloto de corridas radical, sem esquecer John C. Reilly (“Kong: A Ilha da Caveira”) e Sarah Silverman (“A Guerra dos Sexos”), respectivamente como Ralph e Vanellope. Tudo isso sai caro para o estúdio, apenas para ser desperdiçado nas versões disponibilizadas no exterior, que refazem as vozes dos personagens com dubladores locais. A estreia de “WiFi Ralph: Quebrando a Internet” acontece em 21 de novembro nos Estados Unidos e apenas em 3 de janeiro no Brasil.
Angelina Jolie viverá mãe de Peter Pan e Alice no País das Maravilhas em nova fantasia
Angelina Jolie protagonizará mais um filme baseado em fábulas encantadas. A estrela de “Malévola” e do vindouro “Malévola 2” será a mãe de Peter Pan e Alice na fantasia “Come Away”. Na trama, os dois personagens são irmãos e vivem uma drama familiar antes de acabarem, respectivamente, na Terra do Nunca e no País das Maravilhas. Quando seu irmão mais velho morre em um acidente, Peter e Alice tentavam evitar que seus pais se afundem por esta tragédia, até que finalmente se veem obrigados a decidir entre o lar entristecido e a imaginação, no ponto de partida em que cada um começaria suas famosas aventuras. O pai das crianças também foi escalado. Ele será interpretado por David Oyelowo (“Selma”). “Come Away” foi escrito pela estreante em longas Marissa Kate Goodhill e será o primeiro filme live action dirigido por Brenda Chapman, que escreveu e dirigiu “Valente” (2012) para a Disney-Pixar, vencedor do Oscar de Melhor Animação. “Angelina e David vão trazer uma bela química e profundidade a esta história mágica”, afirmou a cineasta. As filmagens vão acontecer no Reino Unido e em Los Angeles durante o outono norte-americano (entre setembro e novembro). Ainda não há previsão para a estreia.
Malévola vai ganhar sequência com Angelina Jolie
O sucesso de “Mogli: O Menino Lobo” animou a Disney a dar sequência às adaptações de suas fábulas encantadas. O estúdio divulgou seu cronograma de lançamentos futuros do gênero, que incluem, claro, uma continuação de “Mogli” e vários projetos anteriormente anunciados. A grande novidade é a confirmação da sequência de “Malévola” (2014), que trará Angelina Jolie de volta ao papel-título. Ainda não há maiores detalhes da produção, mas a roteirista Linda Woolverton, que escreveu o primeiro filme, também vai assinar a história da continuação. Além das duas sequências, o estúdio está atualmente desenvolvendo produções de “Cruella”, sobre a vilã da animação “A Guerra dos Dálmatas” (com Emma Stone no papel principal), “Dumbo”, com direção de Tim Burton, “Tinker Bell”, com Reese Whitherspoon no papel da fada antigamente conhecida como Sininho, e “Mary Poppins”, com Emily Blunt. Há ainda outros projetos em estágio inicial, como um filme sobre a Rosa Vermelha, irmã de Branca de Neve, e uma nova versão de Peter Pan. Já filmadas, as próximas fábulas da Disney a chegar aos cinemas serão “Alice Através do Espelho”, prevista para 26 de maio, e “A Bela e a Fera”, em 30 de março de 2017.
Disney vai fazer novo filme sobre Peter Pan
A Disney anunciou a produção de um novo filme com atores sobre “Peter Pan”. O estúdio contratou David Lowery (“Amor Fora da Lei”) para dirigir e escrever o roteiro em parceria com Toby Halbrooks (que produziu os filmes indies de Lowery). A dupla, por sinal, já está desenvolvendo um projeto para a Disney: o remake de “Meu Amigo, o Dragão” (1977), que estreia em outubro e, pelo visto, agradou aos executivos do estúdio. O famoso personagem infantil de J. M. Barrie já ganhou inúmeras versões para o cinema desde sua criação em 1911, entre elas uma animação clássica da Disney, que chegou aos cinemas em 1953. A adaptação mais recente foi lançada pela Warner no ano passado, com atores reais e direção de Joe Wright (“Anna Karenina”), mas não conseguiu muito sucesso. A nova versão faz parte da estratégia da Disney de explorar suas propriedades mais famosas em filmes com atores reais, que começou com “Alice no País das Maravilhas” (2010) e manteve seu sucesso nas versões recentes de “Malévola” (2014) e “Cinderela” (2015). Entre as adaptações em desenvolvimento, incluem-se ainda filmes de Dumbo, Pinóquio, A Bela e a Fera, Gênio da Lâmpada, o Príncipe Encantado, a irmão de Branca de Neve, o jovem Rei Arthur de “A Espada Era a Lei” e “Cruella”, sobre a vilão de “101 Dálmatas”.
Once Upon a Time: Vídeo comemora a marca de 100 episódios da série
A rede americana ABC divulgou um vídeo especial, de quase sete minutos, para celebrar o 100º episódio da série “Once Upon a Time”. O vídeo relembra os heróis, os vilões, as terras mágicas e as aventuras das cinco temporadas da atração. Criada pela dupla Adam Horowitz e Adam Kitsis (roteiristas de “Tron: O Legado”), a série junta personagens do universo dos desenhos animados da Disney e de outras fábulas famosas, interpretados por atores reais. Para a comemoração dos 100 episódios, a série vai trazer de volta alguns personagens que marcaram sua trajetória, como o Peter Pan malvado (Robbie Kay), a bruxa Cora (Barbara Hershey), a Bruxa Cega (Emma Caulfield), Cruella De Vil (Victoria Smurfit) e o Espelho Mágico (Giancarlo Esposito). Intitulado “Souls of the Departed”, o 100º episódio será também o que marca o retorno de “Once Upon a Time” de seu hiato de fim de ano, previsto para ir ao ar em 3 de março nos EUA. Na trama, os personagens irão ao Submundo, entre a Terra e o Inferno, onde encontrarão diversas almas conhecidas, na tentativa de salvar Hook (o Capitão Gancho) de seu terrível destino.
Once Upon a Time: Peter Pan, Mulan, Cora e Frankenstein voltarão no episódio 100
Para celebrar a importante marca, o 100º episódio da série “Once Upon a Time” contará com o retorno de alguns personagens que se destacaram durante as cinco temporadas da atração. Os primeiros nomes já estão confirmados: Robbie Kay retornará ao papel de Peter Pan, Barbara Hershey será novamente a bruxa Cora, Jamie Chung voltará como Mulan, Meghan Ory vestirá o capuz da Chapeuzinho Vermelho, David Anders participará como o Dr. Victor Frankenstein) e Giancarlo Esposito reprisará o papel de Sidney Glass/Espelho Mágico no episódio especial. A informação é do site da revista Entertainment Weekly, que não divulgou detalhes sobre as participação dos personagens. O 100º episódio de Once Upon a Time está previsto para ir ao ar em março nos EUA.
Carnaval do novo Peter Pan tem reciclagem de fantasias
A ideia de encarar mais uma entre as mil releituras de “Peter Pan” para o cinema soa como tortura. Mas a versão de Joe Wright (“Anna Karenina”) opta por um olhar inédito dentro da saga; não do cinema, porque segue a tendência de Hollywood neste século em explorar as origens de histórias clássicas. Embora poucos tenham curiosidade em saber o que aconteceu antes (e a indústria não aprende), o prelúdio respeita e jamais distorce a criação de J.M. Barrie; apenas imagina como Pan chegou à Terra do Nunca e se envolveu em aventuras fantásticas com personagens famosos como Capitão Gancho e Sininho. Talvez, por isso, o filme não tenha muito que criar ou explorar, a não ser a inesperada amizade entre Pan e Gancho, que é o coração da versão de Joe Wright. Mas, até chegar lá, o público tem que se contentar com uma colagem de vários outros filmes recentes. Deixado pela mãe em um orfanato, Peter (Levi Miller) vive a desilusão de uma Londres escura e cinzenta na época da 2ª Guerra Mundial. Para piorar, ele e seus amigos órfãos precisam lidar diariamente com uma freira que comanda o local com rigorosa e exagerada disciplina. Mas, no fundo, ela é má como uma bruxa, uma vilã do tradicional universo infantil. Esconde a comida gostosa da garotada e faz uso da palmatória para punir quem sai da linha. É um belo início para o filme, recheado de amargura, mas fica a impressão de que estamos vendo “Oliver Twist”, não “Peter Pan”. Ainda bem que os piratas não demoram muito para levar as crianças para a Terra do Nunca. E quando J.M. Barrie começa a tomar forma, Joe Wright inventa uma cena de ação desnecessária, com aviões de guerra perseguindo o navio pirata. Temos ecos de “As Crônicas de Nárnia” e até do pouco visto “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã”, menos “Peter Pan”. A entrada pelos portões da colorida Terra do Nunca, que contrasta com a escuridão de Londres, lembra a Oz de Sam Raimi e o País das Maravilhas de Tim Burton, e não “Peter Pan”. Quando conhecemos o pirata Barba Negra (Hugh Hackman), todos cantam “Smells Like Teen Spirit” (!), do Nirvana, e “Blitzkrieg Bop” (!!), do Ramones. Parece “Moulin Rouge”, nunca “Peter Pan”. Depois disso, a fuga de Peter – e seu mais novo amigo Gancho – pelas florestas remete diretamente a “Avatar”. Até mesmo o resgate dos dois pela Princesa Tigrinha (Rooney Mara) lembra como Neytiri (Zoe Saldana) salva Jake Sully (Sam Worthington) na cena que marca o primeiro encontro dos personagens principais do filme de James Cameron. Na verdade, assim como os recentes “Oz: Mágico e Poderoso” (2013) e “Alice no País das Maravilhas” (2010), o visual desse “Peter Pan” sofre com a falta de identidade própria, seguindo o caminho fácil de requentar uma mistura entre Terra-Média e Pandora. Onde o filme cresce: os atores são bons e Joe Wright deixa que eles brilhem apesar do uso exagerado de CGI. Rooney Mara e seu olhar chamam a atenção da câmera sempre que entram em cena. Garrett Hedlund, como Gancho, está perfeito ao imprimir ambiguidade, carisma e simpatia a um personagem que pode ou não ser confiável, e que todos sabemos onde vai parar. Sem falar que o menino Levi Miller é um achado. Mas ninguém se destaca tanto quanto Hugh Jackman, que se diverte como Barba Negra sem medo de passar vergonha. O ator se entrega de corpo e alma ao vilão carnavalesco como se estivesse em “X-Men” ou “Os Miseráveis”. Sem essa de filme sério ou fantasia, para ele todos os papéis devem ser levados a sério. E Jackman vale o show. Sem personalidade, esse “Peter Pan” é inofensivo e divertido enquanto dura. Como “Hook” (1991), de Steven Spielberg, e até mesmo “Em Busca da Terra do Nunca” (2004), de Marc Forster, jamais ousa avacalhar com a obra de J.M. Barrie, que sempre estará lá. Mas também terá dificuldade para ser lembrado, até porque arma o tabuleiro, mas não termina onde começa o verdadeiro “Peter Pan”. Nem explica como o protagonista carrega o estigma de ser o menino que não queria crescer. Será que estavam pensando numa continuação? Uma trilogia? Difícil dizer agora, já que o filme foi massacrado pela crítica e, ignorado pelo público americano, fracassou nas bilheterias.









