Atriz Eileen Ryan, mãe de Sean Penn, morre aos 94 anos
A atriz Eileen Ryan, que apareceu em diversos filmes e séries, e é mãe do ator Sean Penn (“Flag Day – Dias Perdidos”), morreu no domingo (9/10) aos 94 anos. Nasceu em 16 de outubro de 1927, em Nova York, ela começou a sua carreira na Broadway em 1953, participando da peça “Sing Till Tomorrow”. Dois anos depois, fez a sua estreia nas telas, aparecendo em um episódio do teleteatro “Goodyear Television Playhouse” e do filme “Three in One”. Ela também estrelou a peça “Comes a Day” em 1958, ao lado de grandes nomes como Judith Anderson (“Rebecca, a Mulher Inesquecível”), George C. Scott (“Patton, Rebelde ou Herói?”) e Larry Hagman (“Dallas”). Mas depois de aparecer de diversos episódios de séries consagradas, como “Além da Imaginação”, “Bonanza” e “Os Pioneiros”, acabou abandonando a carreira para se dedicar à família e ser mãe em tempo integral para os três filhos, os atores Sean e Chris Penn (“Cães de Aluguel”), morto em 2006, e o compositor Michael Penn. Casada com o ator e diretor Leo Penn, ela ainda apareceu em alguns projetos dirigidos pelo marido, como foi o caso de “Julgamento em Berlim” (1988) ou estrelados pelo seu filho Sean Penn, com destaque para “Caminhos Violentos” (1986), “Unidos Pelo Sangue” (1991), “Acerto Final” (1995), “Uma Lição de Amor” (2001), “A Promessa” (2001), “O Assassinato de um Presidente” (2004) e “A Grande Ilusão” (2006). A atriz também participou dos filmes “O Tiro que não Saiu pela Culatra” (1989), dirigido por Ron Howard, e “Magnólia” (1999), de Paul Thomas Anderson, além dos filmes B de terror “Malditas Aranhas!” (2002) e “Banquete no Inferno” (2005). Seus últimos trabalhos foram nas séries “Greys Anatomy” e “Getting On” (ambas em 2014) e no filme “Regras Não Se Aplicam” (2016), dirigido e estrelado pelo veterano Warren Beatty (“Reds”).
Robert Brown, da série clássica “E as Noivas Chegaram”, morre aos 95 anos
O ator Robert Brown, que estrelou a série clássica “E as Noivas Chegaram”, morreu em 19 de setembro em sua casa em Ojai, na Califórnia, aos 95 anos. Robin Adair MacKenzie Brown nasceu em 17 de novembro de 1926, em Elizabeth, Nova Jersey. Ele era filho do mordomo inglês de Teddy Roosevelt e Sara Roosevelt, respectivamente presidente e primeira dama dos EUA. Depois de servir na Marinha dos EUA, Brown estudou com Lee Strasberg, fundador do Actors Studio, e estreou na Broadway em 1948. Mas acabou entrando na lista negra dos comunistas da indústria de entretenimento dos EUA, ao se recusar a assinar um “juramento de lealdade”, que lhe custou o banimento dos teatros de Nova York. A perseguição política o fez trocar Nova York por Los Angeles, onde reiniciou sua carreira como figurante de filmes e séries. Ele chegou a aparecer em “Desafio” (1948) e “Almas Selvagens” (1953) sem créditos, e só após o fim da Caça às Bruxas conseguiu papéis melhores. Seu primeiro, único e último destaque no cinema foi no terror “A Torre de Londres”, dirigido por Roger Corman e estrelado por Vincent Price em 1962. Por outro lado, sua carreira deslanchou na TV, onde fez diversas participações em séries tão diferentes quanto “Caravana”, “Perry Mason” e “Jornada nas Estrelas”, antes de ser escalado em 1968 no papel de Jason Bolt, o mais velho dos três irmãos lenhadores de “E as Noivas Chegaram”. Concebido como um faroeste sem armas, a série dramática acompanhava a vida de pioneiros no interior dos EUA do século 19, quando as cidades começaram a surgir em torno de locais distantes, que atraiam apenas homens. A trama da série criada por N. Richard Nash (roteirista do recente filme “Cry Macho”) foi vagamente baseado na história real das chamadas Mercer Girls, que foram trazidas para a cidade próspera de Seattle na década de 1860 para trabalhar como professoras e inspiraram o musical de Stanley Donen “Sete Noivas para Sete Irmãos” (1954). A série durou duas temporadas até 1970. E depois disso o ator teve poucos destaques na carreira, incluindo o papel de uma estátua que ganhou vida num episódio de “A Feiticeira”. Sua tentativa de estrelar uma nova série no ano seguinte, “Primus”, teve apenas um ano de produção. Ele também apareceu em capítulos de “Mannix”, “Columbo” e “A Ilha da Fantasia”, antes de sumir das telas. Mas poderia ter experimentado uma carreira completamente diferente se tivesse permanecido no outro projeto em que foi relacionado na época de “E as Noivas Chegaram”. Em 1968, Brown foi escalado como o Detetive Steve McGarrett no piloto da série “Havaí Cinco-0” original. Mas algo aconteceu nos bastidores para ele ser substituído por Jack Lord cinco dias antes do início das gravações, por iniciativa do produtor Leonard Freeman. Lord viveu McGarrett até 1980.
Morre Sacheen Littlefeather, atriz indígena que fez História no Oscar
A atriz e ativista Sacheen Littlefeather, que causou furor ao discursar contra a representação indígena de Hollywood no Oscar de 1973, morreu no domingo (2/10) aos 75 anos, na cidade de Novato, no norte da Califórnia, cercada por seus entes queridos. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que se reconciliou com Littlefeather em junho e organizou uma celebração em sua homenagem há apenas duas semanas, revelou a notícia em suas mídias sociais durante a noite. Littlefeather divulgou em 2018 que havia sido diagnosticada com câncer de mama em estágio 4, com metástase. Em seus últimos meses de vida ela recebeu um pedido formal de desculpas da Academia pela maneira como a tratou em 1973, quando ela subiu ao palco como representante enviado por Marlon Branco para receber o Oscar que ele ganhou pelo trabalho em “O Poderoso Chefão” (1972). Na ocasião, Littlefeather leu uma mensagem de Brando na qual criticava, entre outras coisas, os estereótipos nativos americanos perpetuados pela indústria do entretenimento. “Quando vocês nos estereotipam, vocês nos desumanizam”, ela apontou, sob uma mistura sonora de vaias e aplausos. Naquele momento, John Wayne, que estava nos bastidores, precisou ser seguro por seis seguranças para não invadir o palco e comprar briga com a jovem indígena. Ninguém estava preparado para o que aconteceu. Foi o primeiro discurso político num Oscar – e a única vez que o troféu foi recusado por seu vencedor. A surpresa causou indignação e foi considerado uma brincadeira de mau gosto na época. De fato, durante muito tempo, o feito foi reduzido a uma pegadinha de Marlon Brando. O desdém foi potencializado quando veio à tona que Sacheen Littlefeather era uma atriz. De fato, Sacheen Littlefeather era uma atriz. Mas uma atriz apache legítima, que atuou em “O Julgamento de Billy Jack” e “A Volta dos Bravos”, mas após seu discurso histórico perdeu o registro do sindicato e precisou abandonar a profissão. Em 2022, a Academia admitiu que o discurso levou Littlefeather a ser “boicotada profissionalmente, pessoalmente atacada, assediada e discriminada pelos últimos 50 anos”. A própria Littlefeather já havia afirmado isso em um documentário curta-metragem intitulado “Sacheen”, que foi lançado em 2019. No curta, ela disse que até Brando a abandonou após a repercussão negativa. Além disso, a polêmica a colocou na lista negra de Hollywood e, consequentemente, ela não conseguiu mais nenhum trabalho como atriz. Já envolvida com ativismo político, ela passou então a se dedicar de vez às causas indígenas, mas se voltou à questão da saúde. Formada em saúde holística pela Universidade de Antioch com especialização em medicina nativa americana, ela passou a escrever uma coluna de saúde para o jornal da tribo Kiowa em Oklahoma, deu aulas no programa de medicina tradicional indígena no Hospital St. Mary em Tucson, Arizona, e trabalhou com Madre Teresa para ajudar pacientes com AIDS na área da baía de San Francisco, posteriormente tornando-se membro do conselho fundador do Instituto Indígena-Americano de AIDS de San Francisco. Littlefeather também continuou seu envolvimento com as artes, fundando uma organização nacional de atores indígenas no início dos anos 1980 e continuando a ser uma defensora da inclusão dos nativos americanos em Hollywood, para que atores brancos não fossem escalados – e pintados de “redface” – em papéis indígenas. Seu discurso por inclusão e representatividade hoje é considerado um marco histórico, precursor de uma reviravolta completa em Hollywood. Num reconhecimento tardio, a Academia resolveu lhe pedir desculpas por meio de uma carta assinada por seu presidente, David Rubin, e enviada em junho passado, e convidá-la participar de uma atividade do Museu do Cinema, com direito a uma programação totalmente desenvolvida por ela, que aconteceu em 17 de setembro. “Em relação ao pedido de desculpas da Academia para mim, nós indígenas somos pessoas muito pacientes – faz apenas 50 anos! Precisamos manter nosso senso de humor sobre isso o tempo todo. É o nosso método de sobrevivência”, ela disse, por meio de um comunicado à imprensa. Duas semanas antes de sua morte, ela participou de um evento da Academia pela segunda vez em sua vida, na comemoração do museu em sua homenagem. Na ocasião, deixou claro que sabia que seu fim era iminente. “Em breve, estarei cruzando para o mundo espiritual”, ela comentou. “Estou aqui para aceitar esse pedido de desculpas, não por mim mesma, mas por todas as nossas nações que também precisam ouvir e merecem este pedido de desculpas. Olhem para o nosso povo. Olhem uns para os outros e tenham orgulho de sermos sobreviventes, todos nós. Por favor, quando eu me for, lembrem-se que, sempre que defenderem sua verdade, vocês manterão minha voz e as vozes de nossas nações e nosso povo vivas”, completou, sob aplausos. Leia abaixo a íntegra do pedido de desculpas da Academia à atriz. “Cara Sacheen Littlefeather, Escrevo para você hoje uma carta que devo há muito tempo em nome da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, com humilde reconhecimento de sua experiência no 45º Oscar. Quando você subiu no palco em 1973 para não aceitar o Oscar em nome de Marlon Brando, mencionando a deturpação e maus-tratos dos nativos americanos pela indústria cinematográfica, você fez uma declaração poderosa que continua a nos lembrar da necessidade de respeito e a importância da dignidade humana. O abuso que você sofreu por causa dessa declaração foi descabido e injustificado. A carga emocional que você viveu e o custo para sua própria carreira em nossa indústria são irreparáveis. Por muito tempo, a coragem que você demonstrou não foi reconhecida. Por isso, oferecemos nossas mais profundas desculpas e nossa sincera admiração. Não podemos realizar a missão da Academia de ‘inspirar a imaginação e conectar o mundo através do cinema’ sem o compromisso de facilitar a mais ampla representação e inclusão que reflita nossa diversificada população global. Hoje, quase 50 anos depois, e com a orientação da Academy’s Indigenous Alliance, estamos firmes em nosso compromisso de garantir que as vozes indígenas – os contadores de histórias originais – sejam contribuintes visíveis e respeitados para a comunidade cinematográfica global. Dedicamo-nos a promover uma indústria mais inclusiva e respeitosa que alavanque um equilíbrio entre arte e ativismo para ser uma força motriz para o progresso. Esperamos que você receba esta carta com espírito de reconciliação e como reconhecimento de seu papel essencial em nossa jornada como organização. Você está para sempre respeitosamente enraizado em nossa história. Com calorosas saudações, David Rubin Presidente, Academia de Artes e Ciências Cinematográficas”.
Daniel de Oliveira homenageia Éder Jofre, morto aos 86 anos
O ídolo brasileiro do boxe Éder Jofre morreu neste domingo (2/10) após perder sua última luta aos 86 anos. Ele estava internado desde março com pneumonia e sofreu uma sepse urinária e uma insuficiência renal aguda. Tricampeão mundial dos pesos-pena e galo e integrante do Hall da Fama do boxe, o Galo de Ouro teve sua vida retratada no filme “10 Segundos pra Vencer”, de 2018. E seu intérprete, Daniel de Oliveira, celebrou ter conhecido o lutador e ter podido contar sua história no cinema. “Éder Jofre, o nosso Galo de Ouro nos deixou. Ficarei com saudade, mestre”, ele escreveu em uma postagem em que compartilhou fotos com o atleta, na época da produção. “Você foi brilhante. Lutou levando o nome do Brasil no peito. Foi três vezes Campeão Mundial de Boxe. Seu legado será eterno”, declarou. “Tive orgulho em levar sua história pro cinema. ’10 Segundos pra Vencer’ é nosso. Meus sentimentos aos familiares (que tanto amo também)”, completou o artista. O filme protagonizado por Oliveira mostra a infância difícil do lutador no bairro do Peruche, em São Paulo, e conta a trajetória do boxeador até se consagrar como campeão mundial em 1961, nos Estados Unidos. Éder Jofre foi campeão mundial da categoria peso galo entre 1960 e 1965. Em 1973, o atleta conseguiu o título mundial como peso pena. Ele foi o primeiro brasileiro a deter um cinturão de relevância mundial no boxe e entrou para o Hall da Fama do Boxe da Costa Oeste dos Estados Unidos em 2021. Além do drama “10 Segundos pra Vencer”, dirigido por José Alvarenga Jr., ele também teve sua vida retratada no documentário “Quebrando a Cara” (1986), do mestre Ugo Giorgetti. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Daniel de Oliveira (@danieldeoliveiramor)
Cássio Pereira dos Santos, diretor de “Valentina”, morre aos 42 anos
O cineasta Cássio Pereira dos Santos, diretor do longa “Valentina”, morreu na sexta-feira (30/9), aos 42 anos. A informação foi confirmada hoje pela atriz Guta Stresser, que trabalhou com o cineasta. “É com muito pesar que nos despedimos desse pequeno gigante, Cássio Pereira dos Santos, diretor de ‘Valentina’ e de outros filmes, todos com a marca desse diretor generoso, talentoso e assertivo”, anunciou a artista em seu Instagram. Na postagem, Guta Stresser se despediu do amigo e confessou que ele fará falta. “Um coração enorme, deixa a nós todos, que trabalhamos com ele, e a sua família tão querida, meio órfãos e atônitos. (…) Força e carinho para sua família e para nós todos do lado de cá”, escreveu. O diretor estava em sua casa em Uberlândia, Minas Gerais, e até o momento não há informações sobre a causa da morte. Nascido em 1980 em Patos de Minas, Cássio estudou cinema na Universidade de Brasília (UnB) e iniciou sua carreira na capital brasileira, primeiro como assistente de produção e assistente de edição em comerciais de TV, curtas e vídeos institucionais para governo. Também atuou como produtor na TV Escola, canal do Ministério da Educação, onde acompanhou licitações e supervisionou a produção de séries documentais para televisão. Sua experiência com direção começou como assistente no documentário de 2003 sobre Dom Helder Camara, de Erika Bauer. E a partir daí passou a dirigir curtas-metragens. Fez oito, entre 2004 e 2018, sendo premiado por “A Menina-Espantalho” (2008) no Festival de Brasília e por “Marina Não Vai à Praia” (2014) no Cine Ceará. Lançado em 2020, “Valentina” foi seu primeiro e único longa-metragem, “um retrato esperançoso e inspirador das dificuldades da vida real enfrentadas por uma jovem que busca abraçar quem ela é”, de acordo com a sinopse oficial. O filme conta a história de uma jovem trans que se muda para o interior de Minas com a mãe, Márcia (Guta Stresser), para um recomeço. Com receio de ser intimidada na nova escola, a garota busca mais privacidade e tenta se matricular com seu nome social. No entanto, a menina e a mãe começam a enfrentar dilemas quando a escola começa a exigir, de forma injusta, a assinatura do pai ausente (Rômulo Braga) para realizar a matrícula. A obra colecionou aclamação mundial. “Valentina” fez sua première no Outfest Los Angeles, onde a atriz Thiessa Woinbackk recebeu o Grande Prêmio de Melhor Interpretação. A primeira exibição nacional aconteceu na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que consagrou o longa como Melhor Filme na escolha do público, além de render uma menção honrosa do júri para a atriz Thiessa Woinbackk. Em seguida, o longa venceu o Festival Mix Brasil, premiado duplamente como Melhor Filme, tanto pelo júri quanto pelo público, além de render prêmios de Melhor Roteiro para Cássio e Interpretação para Thiessa. Foram, ao todo 22 troféus conquistados pela produção, inclusive no exterior, em festivais da América do Norte e Europa, que garantiu a “Valentina” distribuição em cinemas da Espanha, Suécia e Japão, e também pela Netflix. Ele estava trabalhando em seu segundo longa. Em 2021, recebeu o Prêmio Paradiso do TorinoFilmLab, da Italia, e foi selecionado pelo programa Berlinale Talents, do Festival de Berlim, para desenvolver o filme “Temporada de Fogo”. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Maria Augusta L Stresser (@gutastresser)
Coolio, rapper do hit “Gangsta’s Paradise”, morre aos 59 anos
O rapper e ator americano Coolio, conhecido pelo hit “Gangsta’s Paradise”, morreu na quarta-feira (28/9) aos 59 anos. Seu empresário, Jarez Posey, informou que ele estava na casa de um amigo quando faleceu. Coolio teria ido ao banheiro na residência e não retornou. Após chamá-lo sem sucesso, o dono da casa encontrou Coolio caído no chão. Segundo a polícia, que investiga o ocorrido, não havia sinais de violência. Já os paramédicos que atenderam ao chamado de emergência suspeitam que ele tenha sofrido uma parada cardíaca, mas a causa da morte ainda não foi divulgada. Artis Leon Ivey Jr., que ficou mundialmente conhecido como Coolio, é um dos artistas mais famosos da geração de ouro do rap americano dos anos 1990. Ele nasceu no dia 1º de agosto de 1963 e cresceu em Compton, região barra pesada de Los Angeles, de onde também surgiu o grupo N.W.A. Na adolescência, envolveu-se com uma gangue, chegou a se viciar em crack e foi detido pela polícia. Mas deu uma reviravolta completa ao se alistar como bombeiro voluntário e, depois, entrar para o Departamento Florestal e de Incêndios da Califórnia. Ele se tornou religioso enquanto lutava contra a dependência do crack e começou a fazer rap – seu primeiro mix tape surgiu em 1987. Acabou se juntando com outros rappers da cena de Los Angeles no grupo WC and the Maad Circle, que lançou seu primeiro álbum em 1991, mas logo seguiu carreira solo. Chamou atenção de cara com seu disco de estreia, “It Takes a Thief”, que rendeu o hit “Fantastic Voyage” em 1994 – com clipe dirigido por F. Gary Gray, que depois faria os filmes “Straight Outta Compton” e “Velozes e Furiosos 8”. A música chegou ao 3º lugar das paradas de sucesso, mas o sucesso inicial nem se comparou ao que ele veio a experimentar no ano seguinte, com o hit “Gangsta’s Paradise”. Uma das músicas mais tocadas da década, “Gangsta’s Paradise” foi tema do filme “Mentes Perigosas”, que trazia Michelle Pfeiffer como uma ex-fuzileira naval contratada como professora numa escola pública de Ensino Médio. A atriz também participou do clipe da canção, o que ajudou a impulsioná-la na MTV. Após seu lançamento, o hit ficou três semanas no topo das paradas de sucesso. O impacto cultural do “Gangsta’s Paradise” chegou até a inspirar uma paródia, “Amish Paradise”, de “Weird Al” Yankovic. O artista ainda emplacou outros hits na carreira, como “1,2,3,4 (Sumpin’ New)”, “I Remember” e “It’s All the Way Live (Now)”, além de ter composto a música-tema do seriado da Nickelodeon “Kenan & Kel” (1996-2000), estrelado por Kenan Thompson e Kel Mitchell. Sua projeção musical o levou a dublar o personagem Kwanzaa-bot na série animada “Futurama” e, graças a seu visual distinto, com “trancinhas flutuantes” sobre a cabeça, acabou convidado a se tornar ator, conquistando pequenos papéis em filmes como “Deus nos Acuda!” (1996) e até no infame “Batman & Robin” (1997). Suas primeiras aparições na tela foram figurações. Mas isso começou a mudar a partir de “Resgate nas Profundezas”, um filme de ação B lançado diretamente em vídeo no ano 2000, em que interpretou o protagonista – e recebeu críticas extremamente negativas pela iniciativa. Isto não o impediu de tentar novamente no thriller “Stealing Candy” (2003), ao lado de Daniel Baldwin. Mas o resultado se repetiu: bombardeio de críticas negativas. Depois disso, Coolio ainda fez figuração em “Demolidor – O Homem sem Medo” (2003), antes de sumir do cinema, dedicando-se a uma série de lançamentos para o mercado de DVDs. O melhorzinho deles foi “Drácula 3000: Escuridão Infinita” (2004), em que virou um vampiro. Em seus últimos papéis, ele acabou se especializando em viver seu personagem mais popular: ele mesmo. Coolio foi Coolio na animação “Gravity Falls” (em 2012), na série “Black Jesus” (2014), no musical “Nina” (2017) e em seu último filme completado, a comédia “Bobcat Moretti”, ainda sem previsão de estreia. Lembre abaixo três dos maiores sucessos do rapper.
Robert Cormier, ator de “Slasher” e “Heartland”, morre aos 33 anos
O ator canadense Robert Cormier, que estrelou a série de terror “Slasher”, morreu na última sexta-feira (23/9), aos 33 anos, em um hospital em Etobicoke, Ontário (Canadá), após sofrer ferimentos numa queda. Nascido em Toronto em 14 de junho de 1989, Cormier estudou economia na Universidade de York, mas voltou a Toronto para estudar atuação em 2014. Dois anos depois, ele conseguiu uma participação especial em “Designated Survivor”, série estrelada por Kiefer Sutherland, que marcou sua primeira aparição nas telas. Seu papel mais proeminente foi o do malfadado Kit Jennings na 3ª temporada de “Slasher”, disponibilizada em 2019 na Netflix. No mesmo ano, ele também trabalhou em “Ransom”, que foi ao ar na rede CBS nos EUA, naquele ano. Suas participações mais recentes foram nas séries “Deuses Americanos” (American Gods), na Amazon Prime Video, e “Heartland”, também disponibilizada na Netflix. O perfil oficial de “Heartland” se manifestou sobre a perda: “Estamos profundamente tristes ao saber da morte de Robert Cormier. Ele era um membro amado do elenco de ‘Heartland’ nas duas últimas temporadas. Em nome do elenco e da equipe de ‘Heartland’, nossos pensamentos estão com ele e sua família durante esse período difícil”. Sua família também emitiu um comunicado: “Robert era um atleta, ator e um grande irmão. Ele tinha uma paixão por ajudar os outros e estava sempre procurando alcançar mais. Ele gostava de noites de cinema com sua família e admirava muito seu pai. Ele impactou muitas pessoas ao longo de sua vida, seja família, companheiros de equipe e amigos. A memória de Rob viverá através de sua paixão pela arte e cinema, bem como por suas três irmãs, que significaram o mundo para ele.” We are deeply saddened to learn of the passing of Robert Cormier. He was a beloved member of the Heartland cast the last two seasons. On behalf of the Heartland cast and crew, our thoughts are with him and his family during this difficult time. — Heartland (@HeartlandOnCBC) September 27, 2022
Henry Silva, famoso por viver vilões, morre aos 95 anos
O ator Henry Silva, que marcou época com uma sucessão de vilões famosos, morreu na quarta (14/9) de causas naturais num hospital para veteranos de Hollywood em Woodland Hills, Califórnia, aos 95 anos. Com mais de 130 papéis em filmes e séries, ele raramente viveu mocinhos, mas sempre roubou a cena dos heróis. O nova-iorquino treinado no Actors Studio fez sua estreia na tela grande em 1952, como um bandoleiro de “Viva Zapata!”, western de Elia Kazan estrelado por seu colega de curso Marlon Brando. E seguiu sendo pistoleiro em vários outros westerns clássicos da década, como “Resgate de Bandoleiros” (1956), “Duelo na Cidade Fantasma” (1958), “Na Rota dos Proscritos” (1958), “Estigma da Crueldade” (1958) e “Na Encruzilhada dos Facínoras” (1959). Sua transição para o papel de gângster aconteceu na versão original de “Onze Homens e um Segredo” (1960), onde interpretou um dos ladrões da turma de Frank Sinatra. Dois anos depois, os dois acabaram em lados opostos na comédia “Os Três Sargentos” e no thriller “Sob o Domínio do Mal”, um dos melhores filmes de espionagem já feitos, sobre um complô para assassinar um político e estabelecer uma ditadura nos EUA – liderada, claro, por Silva. Ele ainda foi um irmão postiço malvado de Jerry Lewis na comédia “Cinderelo sem Sapato” (1960) e fez vários papéis que hoje lhe renderiam cancelamento, incluindo um indígena caricato em “Os Três Sargentos” (1962), um asiático de “yellow face” em “The Return of Mr. Moto” (1964) e um terrorista árabe em “O Homem com a Lente Mortal” (1982). Mas também foi estereotipado como mafioso. O motivo foi o sucesso de seu papel como Johnny Cool no filme homônimo de William Asher, traduzido no Brasil como “O Mensageiro da Vingança” (1963). O personagem era um gângster americano que faz amizade com um mafioso e recebe a missão de eliminar seu inimigos em Nova York. Com muita matança, o filme ficou famoso pela glamourização da violência, sem poupar nem a co-protagonista Elizabeth Montgomery (antes de virar “A Feiticeira”). Depois disso, Silva fez vários filmes de máfia na Itália, transformando-se, inclusive, num poderoso “O Chefão” (1972). O ator ficou quase toda a década de 1970 trabalhando no cinema italiano, voltado aos EUA apenas para viver Kane, o antagonista do herói espacial Buck Rogers no piloto da série de 1979. Mas após algumas séries e longas, como o visionário “O Homem com a Lente Mortal”, que basicamente previu o atentado de 11 de setembro e o falso pretexto para a invasão do Iraque, voltou à Itália. Desta vez, para viver vilões de filmes de ação tão ruins que se tornaram cultuados, com destaque para a sci-fi “Fuga do Bronx” (1983) – “inspirada” em “Fuga de Nova York” (1981). Esta experiência trash lhe rendeu o convite para interpretar a si mesmo na comédia “As Amazonas da Lua” (1986), de John Dante. Ele ainda se divertiu em papéis pequenos nas comédias “Um Rally Muito Louco” (1984), estrelado por Burt Reynolds, e “A Louca Corrida do Ouro” (1984), com a drag queen Divine, antes de retomar os papéis de vilão tradicional, enfrentando Chuck Norris em “Código do Silêncio” (1985), Steven Seagal em “Nico, Acima da Lei” (1986) e o detetive de quadrinhos “Dick Tracy” (1990). Silva também dublou o vilão Bane nos desenhos animados de Batman dos anos 1990, e se despediu com filmes bem famosos na reta final da carreira: “O Fim da Violência” (1997), de Win Wenders, e “Ghost Dog: Matador Implacável” (1999), de Jim Jarmusch. Sua última aparição nas telas foi há 21 anos, numa pequena figuração-homenagem no remake de “Onze Homens e um Segredo” em 2001, dirigido por Steven Soderbergh. No Twitter, a cantora Deana Martin, filha de Dean Martin, com quem Silva também trabalhou no “Onze Homens e um Segredo” original, chamou o ator de “um dos homens mais legais, gentis e talentosos que tive o prazer de chamar de meu amigo”. Silva foi casado de 1966 a 1987 com Ruth Earl – uma atriz-dançarina que apareceu com sua irmã gêmea idêntica, Jane, em shows de Las Vegas e em filmes como “Irma la Douce” e “O Parceiro de Satanás” – e eles tiveram dois filhos, Michael e Scott.
Irene Papas, maior atriz da Grécia, morre aos 93 anos
A atriz grega Irene Papas, conhecida por clássicos como “Os Canhões de Navarone” (1961), “Zorba, o Grego” (1964) e “Z” (1969), morreu nesta quarta (14/9) aos 93 anos. O anúncio foi feito pelo Ministério da Cultura da Grécia sem divulgar a causa da morte, mas o estado de saúde da estrela estava frágil há anos. Em 2013, ela foi diagnosticada com Alzheimer. Atriz grega de maior renome internacional, Irene Papas estreou mais de 60 filmes ao longo da carreira e foi homenageada com um Leão de Ouro honorário do Festival de Veneza em 2009 por suas realizações. Filha de um professor de teatro, ela nasceu Eirini Lelekou em uma aldeia perto de Corinto, e frequentou a escola real de teatro em Atenas. Ela virou Papas em 1948, após se casar com o diretor de teatro Alkis Papas, que levou a então cantora ao cinema. Depois de dois filmes menores na Grécia, Erini Papas teve o nome latinizado para estrelar produções na Itália, tornando-se Irene em papéis coadjuvantes em várias produções do país, como as “As Infiéis” (1953), de Mario Monicelli, e “Uma Daquelas Mulheres” (1953), com Totó, além do épico de “espadas e sandálias” “A Invasão dos Bárbaros” (1954), no qual coadjuvou para Sophia Loren e Anthony Quinn. Papas logo viraria coestrela de Quinn em vários filmes, formando uma dupla lendária. Sua estreia em Hollywood aconteceu em 1956, no western “Honra a um Homem Mau”, de Robert Wise. Mas foi só quando viveu uma líder da resistência grega em “Os Canhões de Navarone”, que Hollywood reparou estar diante de uma estrela. Na aventura passada na 2ª Guerra Mundial, ela conduzia soldados britânicos interpretados por David Niven, Gregory Peck e Anthony Quinn numa incursão secreta para destruir uma fortificação nazista na costa da Grécia. Mas mesmo formando seu primeiro par romântico com Quinn no filme, revelava-se mais fria e heroica que os militares durante toda a missão. Ela ainda apareceu na aventura da Disney “O Segredo das Esmeraldas Negras” (1964), estrelada pela adolescente Hayley Mills, antes de ter uma participação marcante em “Zorba, o Grego” (1964), novamente ao lado de Quinn. Papas interpretou uma viúva solitária que, depois de fazer amor com um escritor inglês (Alan Bates), era apedrejado pelos aldeões cretenses. Apesar das produções internacionais, a estrela nunca largou o cinema de seu país. Ao contrário, virou o rosto oficial das grandes adaptações das tragédias gregas, protagonizando “Antigona” (1961) e “Electra, a Vingadora” (1962) nos papéis-títulos. Com “Electra”, a atriz iniciou uma duradoura parceria com o cineasta Michael Cacoyannis, com quem completou uma trilogia baseada nas peças de Eurípedes, formada ainda por “As Troianas” (1971), na qual viveu Helena de Tróia, e “Ifigênia” (1976). Tão famosa como sua trajetória como artista foi sua vida pessoal. Ela tinha apenas 21 anos quando se casou pela primeira vez com o diretor de cinema Alkis Papas, e o relacionamento durou apenas quatro anos, encerrado em 1951. Mas três anos depois, Irene encontrou o amor de sua vida, ninguém menos que Marlon Brando. “Desde então, nunca amei um homem como amei Marlon. Ele foi a grande paixão da minha vida, absolutamente o homem com quem eu mais me importava e também o que eu mais estimava, duas coisas que geralmente são difíceis de conciliar”, ela chegou a admitir numa entrevista. Irene também não tinha papas na língua. Liberal assumida – no Brasil de Bolsonaro, seria chamada de comunista – ela liderou a conclamação de um “boicote cultural” contra o “Quarto Reich”, como chamava a ditadura grega. Acabou exilada em 1967. No exterior, sua carreira continuou a florescer. Ela atuou no drama “Sangue de Irmãos” (1968) do americano Martin Ritt, no épico histórico “Ana dos Mil Dias” (1969) do britânico Charles Jarrott, em giallos dos italianos Umberto Lenzi (“Um Lugar Ideal para Matar”, 1971) e Lucio Fulci (“O Segredo do Bosque dos Sonhos”, 1972), e no grande clássico político “Z” (1969), de seu compatriota em exílio Costa-Gavras, proibidíssimo na Grécia – e até pela ditadura militar brasileira, por sinal. Mesmo com a queda da junta militar em 1974, quando pôde regressar ao seu país, Papas manteve os contatos internacionais, trabalhando em Hollywood com Terence Young (o primeiro diretor de “007”) em “A Herdeira” (1979) e com John Landis em “Um Romance Muito Perigoso” (1985), em dois dramas do italiano Francesco Rosi, “Cristo Parou em Éboli” (1979) e “Crônica de uma Morte Anunciada” (1987), e em dois épicos árabes do sírio Moustapha Akkad, “Maomé – O Mensageiro de Alá” (1976) e “O Leão do Deserto” (1980), ambos novamente ao lado de Anthony Quinn. Irene Papas também atuou em filmes falados em português, incluindo a produção brasileira “Erêndira” (1981), de Ruy Guerra, onde contracenou com Claudia Ohana, e em três longas do português Manoel de Oliveira, que a chamava de “a mãe da civilização ocidental” – “Party” (1996), “Inquietude” (1998) e “Um Filme Falado” (2003), o penúltimo lançamento da sua carreira no cinema. A atriz ainda estrelou “O Capitão Corelli”, do inglês John Madden, ao lado de Nicolas Cage e Penélope Cruz, e se despediu das telas com um filme que ela própria dirigiu, “Hécuba”, uma nova adaptação de Eurípedes, lançada em 2004. Além da carreira teatral, ela brilhou em superproduções épicas da televisão, incluindo duas minisséries baseadas na “Odisseia”, de Homero, vivendo Penélope em 1968 e Anticleia em 1997, e numa outra sobre o êxodo judeu, “A Terra Prometida – A Verdadeira História de Moisés”, como Zipporah em 1974. Também seguiu carreira nos palcos por várias décadas, adaptando seu favorito Eurípedes, mas também Shakespeare, Ibsen e vários outros clássicos teatrais. A sua carreira estendeu-se ainda à música. Em 1969, gravou um álbum de canções de outro artista grego exilado, o compositor Mikis Theodorakis (autor da trilha de “Zorba, o Grego”). E causou escândalo com a sua participação no álbum conceptual “666”, do grupo de rock progressivo Aphrodite’s Child, interpretando “orgasmos vocais”. Desse álbum nasceu sua parceria com o tecladista Vangelis, um dos integrantes da banda, com quem trabalhou em mais dois discos: “Odes” (1979), com canções populares gregas, e “Rapsodies” (1986), com hinos litúrgicos bizantinos. Uma artista completa, que, em 1995, foi condecorada com a insígnia da Ordem da Fénix, uma das maiores condecorações da Grécia, lhe conferida pelo então Presidente Konstantinos Stephanopoulos.
Jean-Luc Godard, ícone da nouvelle vague, morre aos 91 anos
O cineasta Jean-Luc Godard, maior nome da nouvelle vague e lenda do cinema francês, morreu nessa terça (13/9) aos 91 anos por suicídio assistido. Dono de uma carreira longeva e repleta de experimentações, Godard dirigiu mais de 130 obras, incluindo longas-metragens, curtas, séries de TV e documentários. Seus títulos mais conhecidos são também aqueles que ajudaram a revolucionar o cinema francês, como “Acossado” (1960), “Viver a Vida” (1962) e “O Demônio das Onze Horas” (1965). Nascido em Paris em 1930, Godard era filho de pais protestantes que viviam entre a França e a Suíça. Após terminar o ensino médio, ele se matriculou na universidade Sorbonne, em Paris, mas logo abandonou as aulas para frequentar os cinemas e cineclubes – onde encontrou outros colegas cinéfilos, como François Truffaut e Jacques Rivette. Os três, junto com Claude Chabrol e Maurice Scherer (mais conhecido como Eric Rohmer) começaram a escrever críticas e, em 1952, Godard publicou os seus primeiros artigos na revista Cahiers du Cinéma, fundada no ano anterior. Godard acabou expulso da revista depois de roubar o dinheiro do caixa e fugir para a Suíça, onde com a verba dirigiu o curta-documentário “Operação Beton” (1955). O roubo, de todo modo, não foi um caso isolado. Godard era conhecido por ser cleptomaníaco. Ele voltou para Paris em 1956, depois de trabalhar na TV suíça e passar um tempo em um hospital psiquiátrico. Ele começou a trabalhar como publicitário, escrevendo materiais promocionais para o estúdio 20th Century Fox, e conseguiu até voltar a escrever para a Cahiers du Cinéma. Neste período, dirigiu três curtas: “Charlotte e Seu Namorado” (1958), “Todos os rapazes se chamam Patrick” (1959) e “Uma História d’Água” (1961), co-dirigido com Truffaut. Com esta experiência, ele decidiu dirigir seu primeiro longa-metragem, que se tornou responsável por catapultar a sua carreira e por chamar atenção para um novo estilo de filmar, que foi batizado como “nouvelle vague” – ou, a nova onda do cinema francês. “Acossado” (1960) contava a história de um ladrão de carros (Jean-Paul Belmondo, que havia trabalhado com Godard no curta “Charlotte e Seu Namorado”) que usa seu charme para seduzir Jean Seberg embora fosse procurado por ter matado um policial. O filme é uma homenagem ao cinema clássico hollywoodiano, ao mesmo tempo que traz personagens sexualmente liberados e propõe a desconstrução da narrativa convencional, colocando câmeras onde escolas de cinema diziam para nunca colocar e fazendo uma edição de cenas que os mestres considerariam errada. Só que essa era a ideia da nova onda. Godard também empregou um estilo de montagem muito mais ágil, fazendo diferentes experimentos com imagens e sons dessincronizados, e chamando a atenção para a artificialidade do cinema – o oposto do que o naturalismo da montagem clássica pretendia. A novidade jogou os manuais de cinema no lixo. Mas foi um sucesso. “Acossado” venceu o Urso de Prata no Festival de Berlim e deu origem aos filmes totalmente autorais. Depois disso, Godard começou a fazer um filme atrás do outro, sempre empregando doses de experimentalismo visual. Seus melhores trabalhos na década de 1960 foram: “Uma Mulher É Uma Mulher” (1961), “Viver a Vida” (1962), “Alphaville” (1965) e “O Demônio das Onze Horas” (1965), clássicos existencialistas. Mas paralelamente também desenvolveu uma fase maoísta, mais evidente em “A Chinesa” (1967), que se acirrou após os protestos estudantis de maio de 1968 e o viu perder adeptos. Ironicamente, também foi a fase em que filmou o documentário “Sympathy for the Devil” (One + One, 1968) com os Rolling Stones. Muitos destes primeiros filmes foram estrelados pela atriz e modelo dinamarquesa Anna Karina, que se casou com o diretor em 1961. Os dois tiveram um relacionamento tumultuado, que acabou em 1965. Godard chegou a adaptar esse relacionamento para o cinema no filme “O Desprezo” (1963), em que escalou ninguém menos que Brigitte Bardot como a versão ficcional de Karina. Em 1967, Godard se casou com a atriz Anne Wiazemsky, que também começou a atuar nos seus filmes. Este casamento durou até 1979. Na década de 1970, ele se juntou a um grupo de ativistas e cineastas de esquerda para formar o “Grupo Dziga Vertov”, nomeado em homenagem ao famoso cineasta russo. O grupo comandou diversos filmes, como “Tudo Vai Bem” (1972) e “Letter to Jane: An Investigation About a Still” (1972), ambos estrelado por Jane Fonda. Em 1977, Godard voltou para a Suíça e passou a morar com a cineasta Anne-Marie Miéville. Foi o relacionamento mais duradouro da vida do diretor, que persistiu até o final da sua vida. Abrindo uma nova fase, ele dirigiu em 1980 “Salve-se Quem Puder (A Vida)”, uma obra que se propôs a examinar os relacionamentos sexuais acompanhando três protagonistas que interagem entre si. O filme foi exibido no Festival de Cannes e saudado como o grande retorno do cineasta. Foi também um enorme sucesso de bilheteria no país. “Salve-se Quem Puder (A Vida)” deu um novo fôlego para a carreira de Godard, que passou a realizar vários filmes consagrados, como “Paixão” (1982), “Detetive” (1985) e principalmente “Eu Vos Saúdo Maria” (1985), que teve grande repercussão pelo tema: uma estudante universitária, que fica grávida sem ter relações sexuais. Considerado uma blasfêmia, foi proibido em vários países, inclusive no Brasil. A polêmica voltou a sacudir a carreira do infant terrible, que a partir daí radicalizou de vez. Seu filme “Rei Lear” (1987), estrelado por nomes como Woody Allen, Leos Carax, Julie Delpy e Burgess Meredith, dividiu a crítica. O Washington Post afirmou que se tratava de um “total desrespeito de Godard a uma apresentação sustentada e coerente das suas ideias”, enquanto o Los Angeles Times afirmou que se tratava de “obra de um gênio certificado.” Na década de 1990, Godard comandou filmes como “Nouvelle Vague” (1990), estrelado por Alain Delon, “Infelizmente Para Mim” (1993), com Gerard Depardieu, e “Para Sempre Mozart” (1996). Porém, o grande destaque desse período foi a série documental “Histoire(s) du cinéma”, iniciada em 1989 e finalizada em 1999. Com um total de 266 minutos e exibida pela emissora francesa Canal Plus, a série consistiu de entrevistas, cenas de filmes clássicos e imagens de arquivo para narrar um século da História do Cinema. Numa entrevista ao jornal francês Libération, publicada anos após o lançamento, Godard descreveu o projeto como “um pouco como meu álbum de fotos de família – mas também o de muitos outros, de todas as gerações que acreditaram no amanhecer. Só o cinema poderia reunir o ‘eu’ e o ‘nós’”. Com a chegada do novo século, Godard voltou a inovar em obras como “Filme Socialismo” (2010), “3x3D” (2013) e “Adeus à Linguagem” (2014), filmes que, como o último título sugere, rompiam de vez com a linguagem tradicional cinematográfica – algo que Godard já vinha fazendo, pouco a pouco, desde o início da sua carreira. Radicais, mantiveram a divisão crítica entre os que consideraram as obras geniais e os que não viram mais cinema nas realizações do cineasta, apenas instalações de arte. Seus últimos créditos como diretor foram o documentário “Imagem e Palavra”, basicamente uma colagem de imagens de arquivo e gravações aleatórias, e o curta “Spot of the 22nd Ji.hlava IDFF”, ambos de 2018. Nos seus últimos anos, Godard se tornou completamente recluso. Ele se recusava a dar entrevistas, não aceitava prêmios e não viajava para os festivais. Quando lhe foi oferecida a Ordem Nacional do Mérito da França, ele recusou, dizendo: “Não gosto de receber ordens e não tenho méritos”. E quando foi premiado com um Oscar honorário em 2010, ele se recusou a viajar para Los Angeles para aceitá-lo pessoalmente. Anne-Marie Miéville disse na época que Godard “não irá para a América, ele está ficando velho demais para esse tipo de coisa. Você faria todo esse caminho apenas por um pedaço de metal?” Ao longo da carreira, Godard colecionou mais de 50 “pedaços de metal”, incluindo prêmios nos principais festivais de cinema do mundo, como o Urso de Ouro no Festival de Berlim (que ele venceu por “Eu Vos Saúdo Maria”), no Festival de Cannes (por “Imagem e Palavra” e “Adeus à Linguagem”), entre muitos outros. Ao saber da morte do cineasta, o ex-ministro da Cultura da França, Jack Lang, disse à rádio France Info que Godard era “único, absolutamente único… Ele não era apenas cinema, era filosofia, poesia”. O presidente francês Emmanuel Macron também prestou a sua homenagem, chamando-o de “iconoclasta”. “Inventou uma arte decididamente moderna, intensamente livre. Nós perdemos um tesouro nacional, um olhar de gênio”, definiu o governante. Ce fut comme une apparition dans le cinéma français. Puis il en devint un maître. Jean-Luc Godard, le plus iconoclaste des cinéastes de la Nouvelle Vague, avait inventé un art résolument moderne, intensément libre. Nous perdons un trésor national, un regard de génie. pic.twitter.com/bQneeqp8on — Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) September 13, 2022
Jack Ging, ator de “Esquadrão Classe A”, morre aos 90 anos
O ator Jack Ging, conhecido pelo seu papel como Harlan “Bull” Fulbright na série “Esquadrão Classe A”, morreu na última sexta-feira (9/9), aos 90 anos. Ging morreu de causas naturais na sua casa, na Califórnia, conforme confirmou a sua esposa, Apache Ging, ao site The Hollywood Reporter. Além da participação em oito episódios de “Esquadrão Classe A”, Ging também é conhecido pela sua parceria com Clint Eastwood (“Cry Macho”), tendo atuado ao lado do astro nos filmes “A Marca da Forca” (1968), dirigido por Ted Post, “Perversa Paixão” (1971) e “O Estranho Sem Nome” (1973), ambos dirigidos pelo próprio Eastwood. Jack Lee Ging nasceu em 30 de novembro de 1931, em Alva, Oklahoma. Ele frequentou o internato em Santa Fé, Novo México, e serviu quatro anos no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. Depois disso, jogou futebol americano por três temporadas na Universidade de Oklahoma e mais uma temporada na Liga Canadense de Futebol Americano. Inspirado por Tyrone Power (“Testemunha de Acusação”), que também foi membro dos Fuzileiros Navais, Ging resolver tentar a sorte como ator. Ele estudou atuação em Nova York e em 1958 conseguiu seus primeiros papeis, nas séries “The Rough Riders” e “Highway Patrol”, além de ter feito uma participação não-creditada no filme “A Delícia de um Dilema”. Em pouco tempo, Ging começou a se tornar um rosto conhecido na TV, aparecendo em oito episódios de “Mackenzie’s Raiders” (entre 1958 e 1959) e em 14 episódios de “Tales of Wells Fargo” (1961), além de ter feito diversas outras participações esporádicas em outras séries. Ainda que “Tales of Wells Fargo” fosse uma série de sucesso e representasse uma boa exposição para Ging, ele ficou insatisfeito com a sua participação. “Do jeito que acabou, eu estava apenas segurando o cavalo de Dale Robertson [protagonista da série]”, lembrou ele. Ging acabou abandonando a série, o que constituía uma quebra de contrato. Foram necessários algumas negociações para que ele pudesse continuar trabalhando na indústria. Enquanto isso, ele foi para o cinema. Ging estrelou o filme “Surpresas do Destino” (1960), sobre um herói relutante nos últimos dias da Guerra da Coréia, e fez uma participação em “Ecos do Passado” (1960), sobre um sujeito que retorna para sua cidade natal depois de passar seis anos preso. Ainda participou de “Intimidade Perigosa” (1966), “O Homem-Cobra” (1973), “Bolt – O Homem Relâmpago” (1973) e “Die Sister, Die!” (1978), entre outros. De volta à TV, também se destacou na série policial “Mannix” (entre 1968 e 1974) e teve um papel recorrente em “Tempo Quente” (aparecendo em mais de 30 episódios entre 1984 e 1985). Sua participação em “Esquadrão Classe A” foi igualmente recorrente, em episódios exibidos entre 1983 e 1986, e acabou quando seu personagem foi morto. O ator chegou a brincar com isso. “Era uma série para crianças. Eles davam 10 mil tiros de metralhadoras de todos os telhados e jogaram bombas e granadas, mas ninguém nunca foi morto – exceto eu”, contou ele certa vez, rindo. Seu último trabalho como ator foi uma participação na série “De Pernas Pro Ar”, em 1994. Além de atuar, Jack Ging também gostava muito de jogar golfe com outros atores, como Dean Martin (“Um Rally Muito Louco”) e James Garner (“Diário de uma Paixão”).
Alain Tanner, pioneiro do cinema engajado, morre aos 92 anos
O cineasta Alain Tanner, pioneiro do cinema engajado e cineasta suíço mais premiado e reconhecido no exterior, morreu neste domingo (11/9) aos 92 anos. Contemporâneo da nouvelle vague francesa, Tanner é creditado como um dos principais responsáveis por lançar a new wave cinematográfica da Suíça. Ele começou a chamar atenção com seus curtas nos anos 1960 – um deles premiado no Festival de Veneza – antes de abalar estruturas com a estreia em longa-metragem, “O Último a Rir”, em 1969. História de um empresário que decide abandonar o capitalismo para viver à margem da sociedade, o filme venceu o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno. Logo em seguida, foi premiado no Festival de Berlim com o triângulo de “A Salamandra” (1971), o mais próximo que chegou da nouvelle vague. Mas a partir daí sua obra se tornou cada vez mais politizada, numa ruptura que o alinhou a Costa-Gavras (“Z”) e ao Cinema Novo brasileiro. Em “Amantes no Meio do Mundo” (1974), questionou a xenofobia dos políticos suíços. E em “Jonas Que Terá Vinte e Cinco Anos no Ano 2000” (1976), possivelmente seu filme mais conhecido entre os cinéfilos nacionais, apresentou uma utopia imaginada por jovens contestadores. Ele conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes com “A Anos-Luz”, história metafórica sobre um homem que afirmava ter aprendido a voar com dicas dos pássaros. Então, em 1983 descobriu a “luz branca” que passou a definir a relação de Lisboa com o cinema, no clássico “A Cidade Branca”. Os portugueses adoram este filme, que venceu o César (o Oscar francês) de Melhor Filme Estrangeiro em Francês. Quinze anos depois, Tanner voltou a filmar Lisboa em “Réquiem – Um Encontro com Fernando Pessoa” (1998), baseado na obra do escritor italiano Antonio Tabucchi, em que busca entender o que constitui a identidade do povo português. Também retomou os personagens de “Jonas que Terá Vinte e Cinco Anos no Ano 2000” na sequência “Jonas e Lila, até Amanhã” (1999), em que o protagonista chega aos 25 na véspera do novo milênio, desiludido e sem os ideais de outrora. Depois de diversos filmes, encerrou a carreira em 2012 num pequeno filme para televisão, integrado numa série de obras comemorativas do aniversário de 300 anos de nascimento do filósofo Jean-Jacques Rousseau. Em 2010, recebeu um prêmio pelas realizações da carreira no Festival de Locarno, ocasião em que refletiu sobre sua trajetória, dizendo que chegara a hora de descansar, depois de tanto lutar.
Marsha Hunt, lenda de Hollywood, morre aos 104 anos
A atriz Marsha Hunt, estrela da era de ouro de Hollywood e primeira grande ativista do cinema, que teve a carreira prejudicada pela paranoia comunista e caça às bruxas do Congresso dos EUA, morreu na quarta-feira (7/9) de causas naturais em sua casa em Sherman Oaks, onde morava desde 1946. Ela tinha 104 anos. O anúncio foi feito no sábado (10/9) pelo diretor Roger C. Memos, que filmou um documentário sobre sua vida, “Marsha Hunt’s Sweet Adversity” (2015). Ex-modelo que assinou com a Paramount Pictures aos 17 anos, a atriz de Chicago estreou em 1935 nos cinemas, com um papel no drama jurídico “Cumpra-se a Lei”. Ela apareceu como uma ingênua e interesse amoroso em vários filmes – John Wayne a namorou em “Trunfos na Mesa” (1937) – , e ao fim de seu contrato em 1938 passou a atuar para a MGM, onde fez seu primeiro grande sucesso, como uma estudante suicida ao lado de Lana Turner em “Estas Grã-Finas de Hoje” (1939). No mesmo ano, chamou atenção em “Heroica Mentira”, em que interpretou a mesma personagem dos 16 aos 65 anos de idade. E em seguida viveu a irmã deselegante Mary Bennet numa versão de “Orgulho e Preconceito” (1940) em que Laurence Olivier viveu o arrogante Mr. Darcy. Hunt também trabalhou no noir “Um Assassino de Luvas” (1942), que foi o primeiro longa do diretor Fred Zinnemann nos Estados Unidos, e apareceu ao lado de Mickey Rooney em “A Comédia Humana” (1943), indicado ao Oscar de Melhor Filme. Entre seus últimos papéis dessa fase, ainda se destacam os clássicos noir “Desespero” (1947), em que saiu no tapa com Susan Heyward, e “Entre Dois Fogos” (1948), no qual interpretou a advogada mocinha que ajuda Dennis O’Keefe a sair da prisão e se livrar de uma cilada de Raymond Burr. Embora nunca tenha atingido o status de seus colegas de elenco, ela já tinha mais de 50 filmes na carreira quando se juntou com seu segundo marido, o roteirista Robert Presnell Jr., num movimento pró-liberdade de expressão que em 1947 questionou a legalidade do Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara, criado com a intenção de identificar e expulsar os comunistas da indústria do entretenimento. O grupo do protesto, que também incluía Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Danny Kaye, John Huston e outros liberais de Hollywood, fretou um avião para Washington para participar das audiências para apoiar 19 roteiristas que estavam sob escrutínio sob a suspeita de serem comunistas. Quando os conservadores reagiram ao movimento com a imposição da infame Lista Negra, que proibiu Hollywood de contratar supostos subversivos, todos os corajosos do movimento deram para trás, incluindo Bogart, que viveu inúmeros valentões na tela. Vieram à público dizer que foram enganados pelos comunistas e que sua viagem a Washington foi imprudente. Isso talvez tenha salvo suas carreiras, pois Marsha Hunt não se arrependeu nem se retratou, e teve o nome incluído na Lista Negra em junho de 1950, passando a ser proibida pelo panfleto de direita de trabalhar em Hollywood. “Sabe, eu nunca me interessei pelo comunismo”, disse ela em uma entrevista de 2004. “Eu estava muito interessada em minha indústria, meu país e meu governo. Mas fiquei chocada com o comportamento do meu governo e seus maus tratos à minha indústria. E então eu reclamei e protestei como todo mundo naquele voo. Mas então me disseram que eu não era uma ativista liberal, mas uma comunista e estava na Lista Negra. Era tudo sobre controle e poder”. “A maneira como se obtém o controle é fazer com que todos concordem com o que for apropriado no momento, o que for aceito. Não questione nada, não fale, não tenha suas próprias ideias, não questione, nunca seja eloquente, e se você for uma dessas coisas, você é controverso. E para eles isso era ruim, talvez pior do que ser comunista. Por isso me acusavam disso, pois você perdia sua carreira, seu bom nome, suas economias, provavelmente seu casamento e seus amigos se fosse considerada comunista. Foi terrível, simplesmente terrível.” Chamá-la de comunista era uma aberração enorme e típica da época da caça às bruxas, pois, quando não estava atuando, Hunt servia como anfitriã no famoso Hollywood Canteen para militares americanos. Prejudicada pelo governo dos EUA, sua carreira nunca mais foi a mesma. Sem trabalho, decidiu se dedicar a causas. Passou a viajar o mundo como ativista de esforços humanitários, fazendo aparições em nome das Nações Unidas e se tornando o que ela chamava de “patriota do planeta”. Aos poucos, a Lista Negra foi perdendo a eficácia, o que permitiu à atriz começar a aparecer, pouco a pouco, como estrela convidada em programas de TV, atuando em episódios da semana de séries como “Alfred Hitchcock Apresenta”, “Além da Imaginação” (The Twilight Zone), “Quinta Dimensão” (The Outer Limits), “Gunsmoke”, “Ben Casey” e “Têmpera de Aço” (Ironside). Retomou também o trabalho cinematográfico, mas em papéis bem menores do que estava acostumada – como a mãe do jovem Brandon De Wilde em “Blue Jeans – O Que os Pais Desconhecem” (1959) e a dona de um hotel no western “Os Destruidores” (1960). Anos depois, estrelou o marcante “Johnny Vai à Guerra” (1971), escrito e dirigido pelo famoso roteirista da Lista Negra Dalton Trumbo. Hunt interpretou a mãe do soldado amputado, vivido por Timothy Bottoms, num drama tão forte que transformava o protesto contra a Guerra do Vietnã numa obra de terror. Ela permaneceu ativa nas telas até os anos 1980, quando ainda pôde ser vista em algumas séries populares, como “Assassinato por Escrito”, “Matlock” e “Jornada nas Estrelas: A Nova Geração”. Mas logo a atuação se tornou secundária a seu trabalho no conselho do SAG (Sindicato dos Atores dos EUA), onde encabeçou vários comitês progressistas. Um deles passou a cobrar os estúdios para contratar atores minoritários em papéis que não fossem estereotipados. Não satisfeita, ela ainda se dedicava a ajudar os sem-teto de sua cidade, virando a prefeita honorária de Sherman Oaks. Mesmo com tantas funções, voltou às telas, de forma surpreendente, com 91 anos no elogiado filme indie “Chloe’s Prayer” (2006), de Maura Mackey, e ainda fez, dois anos mais tarde, participação no telefilme “Meurtres à l’Empire State Building”, que reuniu várias estrelas da velha Hollywood – inclusive seu antigo parceiro Mickey Rooney e Kirk Douglas, em seu último papel. Em abril de 2015, ela virou nome de prêmio, o Marsha Hunt for Humanity, criado por Kat Kramer, filha do célebre diretor e produtor Stanley Kramer, para reconhecer o esforço de artistas em prol da humanidade. Hunt foi “uma das primeiras grandes atrizes de Hollywood a dedicar sua vida a causas”, observou Kramer sobre a escolha de seu nome para representar o prêmio, “e abriu o caminho para Angelina Jolie, Sean Penn, Jane Fonda, Lily Tomlin, Patricia Arquette, Sharon Stone, George Clooney, Matt Damon, Don Cheadle, Tippi Hedren, Ed Begley Jr., Ed Asner e Martin Sheen – e todas as celebridades que usam sua fama para realizarem mudanças.”












