Tim Donnelly (1944-2021)
O ator Tim Donnelly, que interpretou o bombeiro piadista Chet Kelly nas seis temporadas da série clássica “Emergência!”, morreu na sexta-feira (17/9) em sua casa em Santa Fé, Novo México, de complicações de uma cirurgia. Ele tinha 77 anos. Timothy David Donnelly era filho de Paul Donnelly, vice-presidente de produção da Universal Pictures, neto do ator Pat O’Malley (“Vampiros de Almas”) e irmão mais novo do ator mirim e futuro diretor Dannis Donnelly, e com essas credenciais decidiu tentar a carreira de ator ainda na adolescência. Sua estreia aconteceu como figurante em “Assassino Público Número Um”, filme do gângster Baby Face Nelson lançado em 1957. Mas ele acabou se limitando a uma carreira televisiva. Após uma década de figurações em episódios de “O Homem de Virgínia”, “Havaí Cinco-0”, “Dragnet 1967” e “Adam-12”, foi escalado para seu primeiro e único papel fixo, como o bombeiro Chet de “Emergência!”. Precursora das séries de atendimentos de emergência, que viraram moda na TV americana nos últimos anos, a produção desenvolvida por Robert A. Cinader (criador de “Adam-12”) e Harold Jack Bloom (criador de “Projeto UFO”), acompanhava o trabalho da Estação 51 do Corpo de Bombeiros, além de de paramédicos, policiais e médicos de pronto socorro de Los Angeles. Junto com Donnelly, o elenco destacava ainda Robert Fuller (astro de “Laramie”), Kevin Tighe (visto na série “Lost”), Julie London (“A Casa Vermelha”) e Bobby Troup (“M*A*S*H”), entre outros. Donnelly participou dos 122 episódios da série, que durou de janeiro de 1972 até maio de 1977, geralmente ajudando a aliviar o clima tenso com piadas no corpo de bombeiros. Mas, depois disso, ele apareceu basicamente apenas em projetos dirigidos por seu irmão, Dennis Donnelly, como o terror slasher “Na Senda do Crime” (1978) e episódios das séries “Projeto UFO”, “Enos”, “Vega$” e “O Esquadrão Classe A”.
Roger Michell (1956–2021)
O diretor Roger Michell, que fez o popular blockbuster romântico “Um Lugar Chamado Notting Hill”, morreu na quarta-feira (22/9) aos 65 anos. Ao anunciar o falecimento, a família do cineasta não revelou a causa nem o local do falecimento. Nascido na África do Sul, Michell teve uma carreira teatral de sucesso no Reino Unido, com passagens pelo Royal Court Theatre, pela Royal Shakespeare Company, onde foi diretor residente, e pelo National Theatre, entre outros palcos tradicionais do teatro britânico. Ele fez a transição para as telas no começo dos anos 1990, dirigindo a minissérie “Downtown Lagos” (1992) para a BBC e consagrando-se no ano seguinte com a enormemente aclamada “The Buddha of Suburbia” (1993), adaptação do romance homônimo de Hanif Kureishi estrelada pelo então jovem Naveem Andrews (“Lost”). Michell também dirigiu o clipe da música-tema da atração, composta por ninguém menos que David Bowie. Em seguida, assinou seu primeiro longa televisivo, “Persuasion”, adaptação do romance homônimo de Jane Austen, que venceu o BAFTA, troféu da Academia Britânica de Artes Cinematográficas e Televisivas, como Melhor Telefilme de 1995. A repercussão positiva dos trabalhos na TV o levou ao cinema. A estreia aconteceu em 1997 com “My Night with Reg”, drama centrado numa noite de reminiscências de um grupo de homossexuais ingleses depois que um de seus amigos morre de AIDS. Ele ainda fez outro drama, “Lutando Pela Paz” (1998), sobre a tensa situação política na Irlanda do Norte, antes de filmar a obra que mudou o rumo de sua carreira. Escrita pelo mestre das comédias românticas britânicas Richard Curtis, “Um Lugar Chamado Notting Hill” (1999) trazia Julia Roberts como uma estrela de Hollywood que se apaixonava, contra todas as possibilidades, por um livreiro inglês acanhado, interpretado por Hugh Grant. Cheia de personagens pitorescos, cenários londrinos e situações divertidas, a produção virou um fenômeno, estourou bilheterias em todo o mundo e levou Hollywood a assediar o diretor com vários projetos. Michell tentou mostrar versatilidade ao optar por estrear no cinema americano com o suspense “Fora de Controle” (2002), estrelado por Ben Affleck e Samuel L. Jackson. Mas o filme fracassou nas bilheterias. Frustrado, o diretor decidiu retomar a parceria com Hanif Kureishi, filmando dois roteiros do escritor de “The Buddha of Suburbia”: o drama “Recomeçar” (2003), com Daniel Craig, e a comédia “Venus” (2006), que rendeu ao astro Peter O’Toole sua indicação final ao Oscar de Melhor Ator. Ele chegou a ensaiar uma especialização em comédias, fazendo três em sequência: “Uma Manhã Gloriosa” (2010) com Rachel McAdams, “Um Final de Semana em Hyde Park” (2012) com Bill Murray e “Um Fim de Semana em Paris” (2013) com Lindsay Duncan e Jim Broadbent. Mas interrompeu a tendência com a minissérie “The Lost Honour of Christopher Jefferies”, que lhe rendeu um novo BAFTA em 2014, e preferiu variar os estilos de seus últimos longas. Seus trabalhos finais foram a adaptação gótica de “Minha Prima Raquel” (2017), baseada no romance de mistério de Daphne Du Maurier, em que Rachel Weisz viveu uma Viúva Negra fatal, o melodrama “A Despedida”, com Susan Sarandon no papel de uma mãe com doença terminal, e “The Duke” (2020), comédia com Jim Broadbent e Helen Mirren sobre um roubo de arte histórico.
Luiz Carlos Araújo teria morrido por asfixia acidental
A morte misteriosa do ator Luiz Carlos Araújo, que atuou na novela “Carinha de Anjo”, do SBT, foi causada por uma asfixia acidental. A informação foi confirmada após análise do laudo do IML (Instituto Médico Legal). Segundo a perícia, o artista tinha drogas no organismo quando morreu. Ele foi encontrado com um saco preto na cabeça, que teria sido responsável pela asfixia, e a morte pode ter sido relacionada à práticas sexuais. Divulgado à imprensa, o laudo do IML diz o seguinte: “Consta da ocorrência que a vítima foi encontrada com um saco preto na cabeça, prática essa conhecia em Literatura Médica como re-respiração, usada com certa frequência para aliviar a respiração rápida e descontrolada em situações de ansiedade e em muitas práticas de asfixiofilia/parafilias, com o intuito de aumentar o teor de dióxido de carbono e diminuir o teor de oxigênio, variações estas que causam vasodilatação ou vasoconstrição de vasos extra e endocranianos. Tal prática pode ter como complicação a asfixia por confinamento (troca do ar respirável por ar irrespirável)”. A conclusão é que “a associação de antidepressivos, cocaína e álcool, com consequente rebaixamento do nível de consciência, associada ao confinamento foram as causas da morte (acidental)”. O atual namorado do ator, identificado como visitante frequente por testemunhas, prestou esclarecimentos sobre o caso nesta quarta (22/9) após ser chamado pela Polícia Civil. A polícia chegou a considerar uma hipótese de homicídio para a morte do ator. Luiz Carlos Araújo foi encontrado morto em casa, deitado na cama de cuecas e com um saco preto na cabeça, durante o fim de semana passado. Sem contato com o amigo, que não atendia o celular há dias, a atriz Marilice Cosenza (“Amor e Revolução”) foi quem mobilizou o porteiro do apartamento do ator no sábado passado para verificar o que havia acontecido. “Ninguém atendeu a porta. O porteiro foi, tocou e sentiu um cheiro muito forte do apartamento. Chamaram a polícia e um chaveiro. Abriram o apartamento e encontraram o Luiz na cama, já falecido. Parece que ele estava ali há uns três, quatro dias”, disse a atriz à imprensa na ocasião. Ela era uma das melhores amigas e parceira de Araújo numa produtora de vídeos.
Melvin Van Peebles (1932–2021)
O cineasta Melvin Van Peebles, diretor pioneiro do cinema afro-americano, responsável pelo surgimento do gênero classificado como “blaxploitation”, morreu na terça (21/9) em sua casa em Manhattan, Nova York, aos 89 anos. Considerado por muitos como o inventor do cinema negro moderno, ele também foi ator, romancista, produtor de teatro, compositor, músico e pintor. Determinado a fazer carreira como cineasta, ele começou a carreira artística rodando curtas que esperava que lhe abrissem as portas de Hollywood. Mas quando não conseguiu trabalho comercial em Los Angeles, mudou-se com a esposa e seus filhos, Megan e Mario, para a Europa, acreditando que lá enfrentaria menos racismo. Foi durante sua passagem pela Holanda, quando estudou no Teatro Nacional Holandês e iniciou sua trajetória como ator, que Melvin Peebles decidiu acrescentar “Van” a seu sobrenome. Confirmando sua previsão, ele conseguiu estrear como diretor na França, quando morava em Paris, escrevendo e dirigindo seu primeiro longa, “La Permission”, em 1967, sobre um soldado negro americano que sofria represálias por namorar uma francesa branca. A repercussão positiva daquele filme chamou a atenção da Columbia Pictures que o contratou para dirigir o clássico “A Noite em que o Sol Brilhou” (Watermelon Man) em 1970. Sátira racial, o longa marcou época por mostrar a transformação mágica de um branco racista num afro-americano. O que poucos sabem é que Van Peebles se recusou a filmar o final original do roteiro de Herman Raucher, que mostrava o racista acordando de um pesadelo e voltando a ser branco. “Ser negro não vai ser um pesadelo”, disse ele numa entrevista de 2014, contando como conseguiu mudar o final. Ele simplesmente prometeu aos produtores que também iria rodar o final original, deixando-os escolher o melhor na edição, mas ao terminar os trabalhos chegou diante dos executivos afirmando que “se esqueceu” de fazer a outra versão. A Columbia não reclamou. “A Noite em que o Sol Brilhou” se tornou um sucesso tão grande que o estúdio ofereceu ao diretor um contrato para três novos filmes. Mas queria comédias. Por isso, recusou-se a financiar o projeto que Van Peebles tinha em mente: “Sweet Sweetback’s Baadasssss Song”. O projeto recusado era um drama criminal barra-pesada, politizado e cheio de gírias, que apresentava o gueto do ponto de vista de negros, como Hollywood nunca tinha feito antes. A história acompanhava um gigolô que salvava um ativista Pantera Negra das mãos de policiais racistas e, por isso, precisava se esconder com a ajuda da comunidade e de alguns Hell’s Angels desiludidos. Diante da resistência do estúdio, Van Peebles foi à luta. Conseguiu um empréstimo de US$ 50 mil com o comediante Bill Cosby, após assinar um episódio da série “The Cosby Show”, para escrever, dirigir, produzir, musicar, editar, distribuir e estrelar seu filme do sedutor renegado que enfrentava o sistema. O dinheiro mal dava para começar, mas ele decidiu realizar o trabalho assim mesmo, da forma mais independente possível, sempre à beira da ruína e contando com a ajuda de vários voluntários. Como a produção não tinha apoio de nenhum estúdio, o diretor não conseguiu permissão municipal para filmar nas ruas de Los Angeles. Mas não se importou, rodando várias cenas enquanto fugia da polícia que tentava impedir os trabalhos. Após a miraculosa finalização, o filme continuou a enfrentar obstáculos e não conseguiu classificação indicativa para ser exibido nos cinemas. Recebeu um “X”, classificação usada para pornografia. E Van Peebles transformou mais essa dificuldade em propaganda, imprimindo camisetas com o slogan: “Classificação X… por um comitê totalmente branco”. Mas a classificação “X” criou mesmo problemas com a distribuição, a ponto de Van Peebles só conseguir dois cinemas de filmes adultos, em Atlanta e Detroit, para lançá-lo. Assim mesmo, para conseguir a exibição, precisou se comprometer com uma aposta de que se seu longa rendesse menos bilheteria que os títulos que estavam sendo exibidos, ele pagaria a diferença. As sessões lotaram. E o filme retornou 10 vezes o valor de seu orçamento em 19 dias, criando um boca-a-boca fortíssimo entre o público. Isso levou “Sweet Sweetback’s Baadasssss Song” a interessar distribuidores de outras cidades e, em pouco tempo, ser exibido em todas as grandes metrópoles com forte presença afro-americana. Ao final do ano, fechou sua bilheteria com mais de US$ 10 milhões de faturamento, tornando-se o filme independente mais bem-sucedido feito até então. Na época, o jornal The New York Times chamou Van Peebles de “o primeiro homem negro no show business a vencer o homem branco em seu próprio jogo”. “Sweet Sweetback’s Baadasssss Song” abalou Hollywood, mostrando que era possível filmar fora do sistema cinematográfico, e que havia um público sedento por lançamentos como aquele. Foi a deixa para o surgimento de um movimento cultural, batizado de “blaxploitation” por explorar temáticas negras, com histórias passadas no gueto, dirigidas e estreladas por artistas negros, e embaladas por poderosas trilhas de funk. Para dar noção do tamanho do impacto, antes de “Sweet Sweetback’s Baadasssss Song”, “Shaft” seria um filme sobre um detetive branco. A Warner mudou tudo para pegar carona no fenômeno, criando uma verdadeira franquia blaxploitation. Mas a influência de Van Peebles não foi só cinematográfica. A trilha do longa, criada pelo próprio cineasta, também lançou moda sonora, sendo considerada um dos primeiros protótipos do gênero musical que, anos depois, viria a ser chamado de rap. Seu filme seguinte, “Don’t Play Us Cheap”, foi a adaptação de um musical que ele próprio escreveu e musicou para a Broadway. O espetáculo recebeu indicações para o Tony em 1972, mas o longa não teve o mesmo sucesso, com uma trama centrada nas tentativas frustradas de demônios para acabar com uma festa no Harlem. Ele levou 17 anos para voltar a filmar, fazendo a comédia “Identity Crisis” em 1989, estrelada por seu filho, Mario Van Peebles, como um rapper durão possuído pela alma de um estilista gay de moda. O diretor também comandou o filho em “Gangue do Mal” (1996), sobre um policial negro que descobre uma organização racista dentro de sua delegacia. E encerrou a carreira de diretor com “Confessionsofa Ex-Doofus-ItchyFooted Mutha” em 2007, um filme semibiográfico sobre um aventureiro que viaja o mundo apenas para voltar para casa com histórias para contar. Paralelamente à carreira de cineasta, ela também construiu uma vasta filmografia como ator, aparecendo até em sucessos de Eddie Murphy e Arnold Schwarzenegger, como, respectivamente, “O Príncipe das Mulheres” (1992) e “O Último Grande Herói” (1993). Além disso, foi habitué dos filmes do filho, como o western “Posse” (1993) e o drama histórico “Panteras Negras” (1995). Mario Van Peebles seguiu os passos de Melvin para virar um diretor bem-sucedido. E um de seus filmes mais elogiados foi justamente uma reconstituição das filmagens históricas de “Sweet Sweetback’s Baadasssss Song”, intitulada “O Retorno de Sweetback” (2003), em que interpretou o próprio pai. A filmografia de Melvin Van Peebles foi totalmente restaurada e vai ganhar lançamento em Blu-ray dentro da prestigiosa coleção Criterion na próxima semana nos EUA.
Peter Palmer (1931–2021)
O ator Peter Palmer, que viveu o personagem de quadrinhos Ferdinando (Li’l Abner) na Broadway e no cinema nos anos 1950, morreu na terça (21/9), um dia após completar 90 anos. A causa não foi informada. Palmer era uma rara combinação de artista e atleta. Por estudar música e ser destaque do time de futebol americano da Universidade de Illinois, sempre cantando o hino nacional antes dos jogos, ele foi convidado a cantar numa edição do programa de variedades “The Ed Sullivan Show”. A apresentação chamou atenção dos produtores da Broadway que buscavam um novo ator para viver o inocente e musculoso Ferdinando na adaptação musical dos quadrinhos. Selecionado sem passar por testes, ele debutou nos palcos de Nova York em 1956. E três anos depois foi escalado para viver o mesmo personagem em “Aventuras de Ferdinando”, filme de Melvin Frank baseado na obra de Al Capp, que tinha até Jerry Lewis em seu elenco. Depois de encarnar o caipirão de bom coração, ele passou a participar de várias atrações televisivas, conseguindo um papel fixo na série “Custer”, de 1967. Palmer ainda apareceu em “M*A*S*H”, “As Panteras”, “Ilha da Fantasia” e vários outros sucessos ao longo das décadas, mas nunca mais recuperou o protagonismo. Ele também retornou à Broadway outras duas vezes, para participar dos musicais “Brigadoon” em 1963 e “Lorelai” em 1974. No cinema, seu último papel foi uma pequena participação em “Edward Mãos de Tesoura”, de Tim Burton, em 1990.
Willie Garson (1964–2021)
O ator Willie Garson, que estrelou as séries “Sex and the City” e “White Collar”, morreu nesta terça (21/9) aos 57 anos, de uma doença não esclarecida. A causa da morte não foi divulgada. Garson formou-se com um mestrado em Belas Artes pela Yale School of Drama no começo dos anos 1980, e logo após a graduação começou a aparecer em pequenos papéis em alguns dos programas de televisão mais populares da época, incluindo “Cheers” (1982), “Family Ties” (1982) e “LA Law” (1986). Sua carreira começou a decolar nos 1990, conquistando papéis maiores em atrações como “Contra Tempos” (Quantum Leap), “Louco por Você” (Mad About You), “Arquivo X” (X-Files), “Friends” e “Twin Peaks”, além de participações em sucessos de bilheteria, incluindo “O Feitiço do Tempo” (1993), onde interpretou o assistente de Bill Murray, “Marte Ataca!” (1996), de Tim Burton, o impagável “Quero Ser John Malkovich” (1999), de Spike Jonze, e vários filmes de Peter e Bobby Farrelly, como “Kingpin: Estes Loucos Reis do Boliche” (1996), “Quem Vai Ficar com Mary?” (1998) e “Amor em Jogo” (2005). As pequenas participações ficaram definitivamente para trás quando ele entrou na popular série da HBO “Sex and the City” em 1998, no papel do agente de talentos Stanford, o espirituoso e estiloso melhor amigo de Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker). Garson reprisou o papel nos dois filmes da franquia, “Sex and the City” (2008) e “Sex and the City 2” (2010), e estava gravando os episódios da nova série derivada, “And Just Like That…” para a HBO Max. Depois de “Sex and the City”, ele conseguiu ainda mais destaque ao viver o astuto vigarista Mozzie em “White Collar”, grande sucesso da USA Network, entre 2009 e 2014. Exibida na TV Globo como “Crimes do Colarinho Branco”, a série girava em torno de um larápio refinado, Neal Caffrey, papel que consagrou o ator Matt Bomer. Na trama, Caffrey fazia um acordo com o FBI para ajudar em investigações de roubos de arte e assim evitar sua prisão. Só que, paralelamente, seguia sua própria agenda golpista com a ajuda de Mozzie. Mais recentemente, ele apareceu como um novo vigarista, Gerald Hirsch, de forma recorrente no reboot de “Hawaii Five-0”, de 2015 a 2020, dublou a série “Big Mouth” da Netflix e foi o criminoso Steve Lomeli, companheiro de cela de Lex Luthor em “Supergirl” (em 2019 e 2020). “Willie Garson foi na vida, assim como na tela, um amigo dedicado e uma luz brilhante para todos em seu universo”, disse a HBO em um comunicado. “Ele criou um dos personagens mais queridos do panteão da HBO e foi membro de nossa família por quase 25 anos. Ficamos profundamente tristes ao saber de seu falecimento e estendemos nossas sinceras condolências à sua família e entes queridos.” Mario Cantone, parceiro de Garson em “Sex and the City”, prestou homenagem a seu amigo no Twitter. “Eu não poderia ter tido um parceiro de TV mais brilhante”, ele tuitou. “Estou arrasado e oprimido pela tristeza. Retirado de todos nós tão cedo. Você foi um presente dos deuses. Descanse, meu doce amigo. Eu amo Você.” “A família ‘Sex and the City’ perdeu um dos seus integrantes. Nosso incrível Willie Garson”, escreveu Michael Patrick King, produtor executivo de “Sex and the City” e “And Just Like That…”. “Seu espírito e dedicação ao seu ofício estavam presentes todos os dias nas gravações de ‘And Just Like That’. Ele estava lá – dando-nos tudo de si – mesmo quando estava doente. Sua infinidade de dons como ator e pessoa fará falta para todos. Neste momento triste e escuro, somos confortados por nossa memória de sua alegria e luz”, completou. Seu colega em “White Collar” também se manifestou. “Willie. Não entendo. E não é justo”, escreveu Matt Bomer. “Você me ensinou muito sobre coragem, resiliência e amor. Ainda não consigo imaginar viver em um mundo sem você – onde não posso ligar para você quando preciso rir ou me inspirar”, acrescentou. “Eu te amo para sempre Willie Garson. Você seguirá vivo em nossos corações e mentes, e sua família ‘White Collar’ estará sempre aqui para Nathen”. Garson adotou um filho, Nathen, em 2009, e se tornou uma defensor ferrenho da adoção de crianças, tendo servido duas vezes como porta-voz do Dia Nacional de Adoção. Nathen também prestou homenagem a Garson no Instagram, escrevendo: “Eu te amo muito papai. Descanse em paz e estou tão feliz que você compartilhou todas as suas aventuras comigo e foi capaz de realizar tanto. Estou tão orgulhoso de você. Sempre amarei você, mas acho que é hora de você embarcar em uma aventura só sua. Você sempre estará comigo. Te amo mais do que você jamais saberá e estou feliz que você possa estar em paz agora. Você foi a pessoa mais durona, engraçada e inteligente que conheci. Estou feliz que tenha compartilhado seu amor comigo. Jamais esquecerei.” Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Mario Cantone (@macantone) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Matt Bomer (@mattbomer) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Nathen Garson (@nathen_garson)
Anthony “AJ” Johnson (1965-2021)
O comediante Anthony “AJ” Johnson, que viveu o hilário Ezal em “Sexta-Feira em Apuros” (1995), morreu no fim de semana aos 55 anos. O falecimento foi anunciado por sua representante LyNea Bell, que não deu nenhuma informação adicional sobre a causa da morte. Nascido em Compton, Califórnia, o comediante de stand-up chamou atenção pela primeira vez em 1990, quando conseguiu o papel de EZE na comédia clássica “Uma Festa de Arromba” (House Party). Ele voltou a aparecer no terceiro filme da franquia, lançado quatro anos depois. Johnson também apareceu em outro clássico, o thriller criminal “Perigo para a Sociedade” (Menace II Society, 1993), que lançou a carreira dos irmãos cineastas Albert e Allen Hughes, além de ter feito várias comédias, incluindo “Ricas e Gloriosas” (1997) com Halle Berry e “Irresistível Atração” (1998) com Jada Pinkett Smith. Mas ele é indiscutivelmente mais conhecido por sua performance como Ezal em “Sexta-Feira em Apuros”. Na comédia estrelada por Ice Cube e Chris Tucker em 1995, o personagem do ator estava geralmente roubando ou planejando ganhar dinheiro rápido, sempre com consequências engraçadas. “É triste acordar com a notícia da morte de AJ Johnson. Cara naturalmente engraçado que também era ‘straight outta Compton'”, escreveu Ice Cube em seu Twitter. O rapper e ator tinha planos de contar com Johnson numa continuação do filme original, “Last Friday”, atualmente em desenvolvimento, e lamentou não ter tido tempo “de trazer seu personagem Ezal de volta às telas”. Além de Ice Cube, Johnson era amigo dos outros rappers do NWA e chegou a participar de clipes históricos, como “Dre Day” (1993), de Dr. Dre. Ele até interpretou uma paródia do rapper Eazy-E, chamada “Sleazy E”, na faixa em que Dr. Dre atacava o ex-membro do NWA. E Eazy-E não só aprovou a imitação como trouxe Johnson de volta ao papel dele mesmo no clipe de “Real Muthaphukkin G’s” (1993), numa resposta a Dre. Ele deixa uma esposa e três filhos.
Luis Gustavo (1934-2021)
O ator Luis Gustavo, que eternizou personagens memoráveis na TV brasileira, morreu neste domingo (19/9) em sua casa em Itatiba, no interior de São Paulo, aos 87 anos. Ele lutava contra um câncer desde 2018 e chegou a contrariar ordens médicas para fazer seu último trabalho, retomando um de seus papéis mais famosos, o Vavá no filme da série “Sai de Baixo”. Filho de um diplomata espanhol, Luis Gustavo Sánchez Blanco nasceu em Gotemburgo, na Suécia, e veio para o Brasil ainda criança. Sua entrada na indústria televisiva foi pelos bastidores. Quando a TV Tupi estreou em 1950, seu cunhado Cassiano Gabus Mendes, diretor artístico da emissora, convidou o então adolescente para ocupar uma vaga de caboman. Rapidamente, o jovem tornou-se assistente de direção e, aproveitando a doença de um ator nos tempos dos teleteatros feitos ao vivo, estreou diante das câmeras num episódio do programa “TV de Vanguarda”, em 1953. Três anos depois, foi a vez do cinema, com uma participação em “O Sobrado”, escrito pelo mesmo cunhado bacana. Passando a se dedicar exclusivamente à atuação, ele começou a acumular papéis em filmes, como o sucesso de Mazzaropi “Casinha Pequenina” (1963), em novelas da Tupi, como a popular “O Direito de Nascer” (1964), e até no teatro, vencendo um prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) por sua atuação em “Quando as Máquinas Param”, de Plínio Marcos, em 1967. A grande virada de sua carreira aconteceu em 1968, quando virou protagonista da novela mais importante da história da TV brasileira. Luis Gustavo revolucionou a linguagem televisiva ao estrelar “Beto Rockfeller”, na TV Tupi, vivendo um sedutor sem-vergonha que tirava vantagem em tudo. “Beto Rockfeller” foi a primeira novela passada no Brasil contemporâneo, urbano, com locações externas e temática de humor. E isso a tornou diferente de todas as outras produções do gênero feitas até então. O texto de Bráulio Pedroso, um roteirista vindo do cinema, com colaboração do dramaturgo Plínio Marcos, tirou do ar as donzelas românticas e os mocinhos sem defeitos dos folhetins que dominavam a TV – o termo literário francês já indicada que eram todas adaptações de aventuras e melodramas de época europeus – para dar lugar a um cafajeste engraçado e 100% nacional. Isso inaugurou a era moderna das novelas brasileiras. Foram muitas inovações, desde o uso de trilha sonora internacional e as primeiras ações de merchandising numa novela, mas principalmente um protagonista que passava longe da imagem do galã dos folhetins. Luis Gustavo fez tanto sucesso no papel que o reprisou o cinema, num filme de Olivier Perroy lançado em 1970, e ainda estrelou uma continuação televisiva, “A Volta de Beto Rockfeller”, lançada na Tupi em 1973. Seu personagem acabou virando referência pop, sendo até parodiado por Mazzaropi no filme “Betão Roncaferro” (1970). Ele tentou repetir o fenômeno em “O Sheik de Ipanema” (1974), mas a esta altura a Tupi tinha mergulhado numa crise que culminaria em seu fechamento. No ano seguinte, foi convencido por Cassiano Gabus Mendes a mudar para a Globo, vivendo um dos papéis principais de “Anjo Mau” (1976), escrita pelo cunhado. A pareceria continuou com outras produções populares, como “Te Contei?” (1978), antes de estourar em “Elas por Elas” (1982), em que Luis Gustavo deu vida a outro papel antológico, o detetive atrapalhado Mario Fofoca. A princípio um simples coadjuvante, Mario Fofoca acabou se tornando o principal destaque da produção graças à performance engraçadíssima do ator Assim como aconteceu com Beto Rockefeller, o personagem também virou filme, “As Aventuras de Mário Fofoca”, com direção de Adriano Stuart em 1982, ganhou até uma série na Globo em 1983 e ressurgiu anos depois em outra novela. Desta vez, porém, o ator não demorou a encontrar outro papel hilário sob medida, novamente criado por Cassiano Gabus Mendes: Ariclenes, ou melhor o falso estilista espanhol Victor Valentín, em “Tititi” (1985). Sua identificação com o papel foi tão forte que a Globo resolveu lhe prestar homenagem no remake da trama produzido no ano 2010, convidando-o a aparecer, mas como outro personagem clássico: ninguém menos que o velho Mario Fofoca. Ao final dos anos 1980, sua popularidade era tanta que ele era capaz de criar bordões inesquecíveis até quando entrava numa novela para morrer nos primeiros episódios, como aconteceu em “O Salvador da Pátria” (1989), como o radialista sensacionalista Juca Pirama, que marcava sua locução com a frase “Meninos, eu vi!”. Depois de fazer muitas novelas, ele passou às séries. Entre 1994-1996, deu vida a Paulo, o pai de quatro meninas no popular seriado “Confissões de Adolescente”, exibido na TV Cultura e, posteriormente, na Rede Bandeirantes, que lançou a carreira da moleca Deborah Secco. Também protagonizou o primeiro sitcom bem-sucedido da Globo, “Sai de Baixo”, vivendo Vavá, patriarca de uma família tradicional paulistana, às voltas com falcatruas e dificuldades financeiras. Exibida entre 1996 e 2002, a atração fez tanto sucesso que ganhou revival em 2013 no canal pago Viva. O detalhe é que, além de estrelar, Luis Gustavo foi um dos criadores da série, ao lado do diretor Daniel Filho (“Se Eu Fosse Você”). Nos últimos anos, ele vinha alimentando a carreira cinematográfica com “O Casamento de Romeu e Julieta” (2005), de Bruno Barreto, em que interpretou um palmeirense, apesar de ser são-paulino doente, do tipo que chegava para gravar “Sai de Baixo” ao som do hino do time. Fez ainda “Os Penetras” (2013), em que retomou o universo de “Beto Rockfeller”, antes de se despedir dos fãs com “Sai de Baixo – O Filme”, em 2019. Ele era casado com Cris Botelho e tinha dois filhos: Luis Gustavo, de seu relacionamento com Heloísa Vidal, e Jéssica, fruto do casamento com a atriz Desireé Vignolli. E também tinha um bom relacionamento com os dois sobrinhos, os atores Tato Gabus Mendes e Cássio Gabus Mendes. Foi Cássio quem deu a notícia da morte de Tatá, apelido que acompanhou Luis Gustavo por toda a vida. “Obrigado por tudo, meu amado tio”, ele escreveu nas redes sociais, precipitando diversas homenagens de vários atores famosos.
Morte do ator de “Carinha de Anjo” pode ter sido homicídio
A morte do ator Luiz Carlos Araújo, que interpretou o personagem Válter na novela “Carinha de Anjo” (2016) do SBT, ganhou contornos de mistério cinematográfico com a descoberta de uma passagem secreta em seu apartamento. O boletim de ocorrência, registrado no sábado passado (11/9), quando o ator foi encontrado, vazou na imprensa, trazendo à tona vários detalhes da investigação da causa da morte. A polícia trabalha com três hipóteses: suicídio, morte acidental ou homicídio. Nenhuma foi descartada até este momento. O detalhe mais chocante é que o ator foi encontrado com um saco preto na cabeça já em estado de decomposição. Ele estava na cama, deitado de cueca e com barriga para cima, quando os policiais chegaram a seu apartamento. No relato das descobertas, a polícia registrou ter identificado uma passagem secreta que dava acesso ao apartamento sem que houvesse necessidade de passar pela portaria, além de encontrará câmeras internas de segurança desligadas e outros detalhes intrigantes. Os policiais relataram que encontraram três câmeras no apartamento: acima da porta de entrada, no corredor e dentro do quarto. Além disso, o ator tinha uma grande TV e um estabilizador, em cima de um rack, que se encontravam desligados da tomada e desconectados dos cabos HDMI que davam acesso à internet. Atrás da TV, foi encontrado um aparelho de DVR que a polícia acredita ser o local de armazenamento das imagens das três câmeras encontradas no local. O aparelho não foi acessado e nem extraído no momento em que o corpo foi encontrado para não estragar possíveis evidências com relação à morte do ator. Também foi encontrado no quarto de Luiz uma grande área aberta que dispunha de uma rede que fazia parede contígua com uma caixa d’água. De acordo com os policiais, a passagem possibilitava acesso ao apartamento sem que fosse necessário passar pela portaria do prédio. A sacada do quarto também chamou a atenção da Polícia por estar completamente aberta. O caso segue sendo investigado pela polícia, que pediu a perícia de alguns itens da casa, inclusive do saco preto, para identificar alguma possível impressão digital. Também foram solicitadas investigações de digitais deixadas em itens encontrados no banheiro do apartamento, além da apreensão dos equipamentos de segurança e de dois celulares encontrados ao lado do corpo. Uma análise técnica para identificar uma possível fuga do ambiente por meio de escalada também foi pedida, além de um relatório detalhado do Instituto Médico Legal (IML), com exame necroscópico, sexológico e toxicológico. Segundo relato do boletim, o porteiro do prédio informou que o ator recebia constantemente visitas de um rapaz que também se chamava Luiz, apresentado como amigo de academia. O porteiro também informou ter visto o ator pela última vez na segunda retrasada (6/9). Sem contato com o amigo, que não atendia o celular há dias, a atriz Marilice Cosenza (“Amor e Revolução”) foi quem mobilizou o porteiro do apartamento de Araújo no sábado passado para verificar o que havia acontecido. “Ninguém atendeu a porta. O porteiro foi, tocou e sentiu um cheiro muito forte do apartamento. Chamaram a polícia e um chaveiro. Abriram o apartamento e encontraram o Luiz na cama, já falecido. Parece que ele estava ali há uns três, quatro dias”, disse a atriz à imprensa há uma semana. Ela era uma das melhores amigas e parceira de Araújo numa produtora de vídeos.
Mario Camus (1935–2021)
O diretor espanhol Mario Camus, premiado nos festivais de Cannes e Berlim, morreu neste sábado (18/9) em Santander, na Espanha, aos 86 anos. Com uma carreira de quase seis décadas, Camus era autor de diversos clássicos do cinema espanhol. Seu primeiro longa, “Los Farsantes”, foi lançado em 1963. Três anos depois já estava disputando a Palma de Ouro do Festival de Cannes com “Con El Viento Solano”. Ele também dirigiu sucessos comerciais, como “Essa Mulher” (1969), estrelado pela diva Sara Montiel, e até o western spaghetti “A Cólera de Trinity” (1970), com o astro italiano Terence Hill. O reconhecimento internacional veio apenas nos anos 1980, após Camus passar pela TV e se reinventar com “A Colmeia” (1982), em que explorou os contrastes sociais entre os artistas marginalizados pela ditadura e a burguesia que prosperou em meio às barbaridades do governo de Francisco Franco. Aclamado pela crítica, o filme venceu diversos prêmios importantes, inclusive o Leão de Ouro do Festival de Berlim. “A Colmeia” era adaptação de um romance de Camilo José Cela e sua consagração inspirou o diretor a se especializar em filmagens de obras importantes. Um ano após vencer Berlim, ele recebeu uma menção especial do júri do Festival de Cannes por outra adaptação, “Os Santos Inocentes” (1984), baseado no livro de Miguel Delibes. Além disso, o festival francês também premiou sua dupla de intérpretes, Paco Rabal e Alfredo Landa. Uma de suas adaptações mais populares foi “A Casa de Bernarda Alba” (1987), baseada na célebre peça de Federico García Lorca, premiada no Goya, o Oscar espanhol. A partir dos anos 1990, porém, decidiu mudar de estratégia e passou a filmar suas próprias histórias, o que acabou sendo ótimo para sua carreira. Ele recebeu quatro indicações ao Goya de Melhor Roteirista, obtendo uma vitória por “Sombras en una Batalla” (1993). O sucesso como roteirista deu impulso a uma atividade paralela, levando-o a escrever para outros cineastas. Um de seus últimos trabalhos foi o roteiro de “Roma, Um Nome de Mulher” (2004), dirigido pelo argentino Adolfo Aristarain, que lhe renderam os prêmios finais de sua carreira, como Melhor Roteirista nos festivais de Havana (Cuba) e Toulouse (França), além de sua derradeira indicação ao Goya. Camus encerrou a filmografia com “El Prado de las Estrellas”, que escreveu e dirigiu em 2007. Quatro anos depois, foi convidado de volta ao Goya para receber uma grande homenagem, com um prêmio especial pelas realizações de sua vida artística.
Jane Powell (1929–2021)
A atriz Jane Powell, estrela de vários musicais clássicos de Hollywood, morreu nesta quinta-feira (16/9) de causas naturais em sua casa em Wilton, Connecticut, aos 92 anos. Ela começou a carreira ainda adolescente e sempre projetou uma imagem de garota inocente, desde a primeira aparição nas telas, com 15 anos de idade em “Viva a Juventude”, de 1944. Seu nome verdadeiro não era nada parecido com aquele que a tornaria famosa. Jane Powell na verdade era Suzanne Lorraine Burce. Sua trajetória foi preparada desde cedo pelos pais, que investiram para transformá-la numa nova Shirley Temple, com aulas de canto, dança e atuação desde a infância. A aposta em seu talento fez sua família se mudar de Portland, Oregon, para Los Angeles, onde ela entrou em diversos concursos de talentos, até vencer competições de canto e assinar contratos de rádio. Em entrevista para o jornal Chicago Tribune, em 2011, ela confessou que, por mais que tenha adorado sua infância artística, acabou se tornando uma jovem solitária. “Era emocionante. Conheci pessoas que nunca conheceria. Mas senti falta de amizades da minha idade e daquilo que todos os jovens sentem falta se não têm a progressão normal do ensino fundamental para o médio. Não tive festas do pijama, nem noites de garotas. Eu não conhecia ninguém. Foi uma vida solitária, realmente.” O nome artístico foi consequência de seu primeiro filme. Em “Viva a Juventude”, ela deu vida a uma estrela mirim de cinema muito famosa, que só queria ter uma vida normal e conviver com outras crianças normais. Um de seus números musicais na trama, “Too Much in Love”, recebeu uma indicação ao Oscar de melhor Canção Original. Em suma, ela fez tanto sucesso na estreia que foi instruída pelo estúdio a adotar o nome da personagem como se fosse dela mesmo. Seu papel se chamava Jane Powell. A adolescente cresceu diante das câmeras de cinema, filmada geralmente em cores vibrantes de Technicolor em produções do megaprodutor Joe Pasternak. Em uma década, ela se transformou de “Deliciosamente Perigosa” (1945) em uma das “Sete Noivas para Sete Irmãos” (1954). Entre um e outro, ainda estrelou musicais com Carmen Miranda, como “O Príncipe Encantado” (1948), que também incluía a jovem Elizabeth Taylor – futura dama de honra de seu primeiro casamento – , e “Romance Carioca” (1950), sem esquecer do clássico absoluto “Núpcias Reais” (1951), em que dançou e cantou com Fred Astaire. “Núpcias Reais” marcou a primeira vez que Powell viveu uma personagem adulta. Ironicamente, ela era apenas a terceira opção para o papel da irmã esperta de Astaire, substituindo June Allyson (que engravidou) e Judy Garland (que foi demitida após perder um ensaio). Mas o filme foi muito importante para sua carreira, pois a aproximou do diretor Stanley Donen, que logo depois a escalou em seu papel mais famoso. O auge da carreira da atriz aconteceu em “Sete Noivas para Sete Irmãos” (1954), um dos mais populares filmes da MGM de todos os tempos, em que viveu a cozinheira de pensão Milly, que se apaixona pelo fazendeiro caipira Adam (Howard Keel) e começa a ensinar a seus seis irmãos rudes uma ou duas coisas sobre boas maneiras. O detalhe é que a MGM estava apostando em outro musical naquele ano, “A Lenda dos Beijos Perdidos”, com Gene Kelly e Cyd Charisse. Só que o público e a crítica foram unânimes em preferir o romance de Powell e Kell. Além de lotar cinemas, o longa de Stanley Donen teve cinco indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme (perdeu para o clássico “Sindicato de Ladrões”). Com sua voz de soprano, Powell também teve uma carreira repleta de discos, shows e espetáculos da Broadway. Mas sua estreia nos grandes palcos de Nova York só aconteceu nos anos 1970, como substituta de sua velha amiga Debbie Reynolds em uma remontagem de “Irene”. Ela e Reynolds já tinham trabalho juntas no cinema em “Quando Canta o Coração” (1950), “Tentações de Adão” (1954) e “Marujos e Sereias” (1955). Depois de fazer “Marujos e Sereias”, Powell pediu para ser dispensada de seu contrato com a MGM e deixou o estúdio aos 26 anos, em novembro de 1955. Sua saída de cena também marcou o fim da era dos grandes musicais da MGM. Numa mudança radical, ela virou loira sexy na comédia “Uma Aventura em Balboa” (1957), estrelou um filme noir, “Naufrágio de uma Ilusão” (1958), e sua primeira aventura de ação, “O Maior Ódio de um Homem” (1958), antes de trocar o cinema pela televisão nos anos 1960. Ela chegou a fazer o piloto de uma série, “The Jane Powell Show”, que foi exibido como telefilme em 1961, e seguiu o resto da carreira fazendo participações em séries, como “O Barco do Amor”, “Ilha da Fantasia”, “Assassinato por Escrito” e “Tudo em Família”. Nesta última, teve um papel recorrente, de 1988 a 1990, como a mãe viúva do personagem de Alan Thicke. Seu último papel dramático foi na série “Law & Order: SVU”, interpretando uma mulher com demência num episódio exibido em 2002. Jane Powell teve cinco maridos. O primeiro casamento foi com Geary Steffen, o parceiro de patinação da campeã olímpica norueguesa Sonja Henie, que aconteceu em 1949 numa festa para 500 pessoas e com Elizabeth Taylor como dama de honra. Já o último casamento foi com o ex-astro infantil Dickie Moore (“Oliver Twist”). Eles ficaram juntos de 1988 até a morte de Moore, em 2015. Lembre abaixo uma famosa interpretação musical de Powell em “Sete Noivas para Sete Irmãos”.
Jurnee Smollett homenageia Michael K. Williams: “Meu coração dói tanto”
A atriz Jurnee Smollett prestou uma homenagem tocante a Michael K. Williams, seu colega na série “Lovecraft Country”, que foi encontrado morto em seu apartamento na semana passada e enterrado nesta quarta (15/9). No texto, ela contou que ainda está relutando em aceitar sua morte. “Meu irmão, meu coração dói tanto. Uma parte do meu cérebro se recusa a aceitar isso… a parte ruim sobre o luto é que ocorre em etapas”, escreveu Smollett. Ela compartilhou que depois de saber sobre a morte, ela negou imediatamente. Ela se lembra de ter pensado: “’inferno, não, isso não é verdade, deixe-me ligar para o Michael’”. “E eu liguei para ele. Liguei para ele várias vezes até que meu cérebro dissesse ‘pare, ele se foi’. Eu não conseguia respirar. Demorou um pouco para meu cérebro metabolizar como o mundo pode continuar a girar sem ele aqui na forma física”, descreveu. Refletindo sobre a a cerimônia de premiação do Emmy no próximo domingo (19/9), Smollett continuou: “Ele deveria estar aqui conosco em Los Angeles nesta semana para o Emmy. Ele deveria ver o quão grande Hunter é, nós íamos dançar, comemorar, chorar. Em vez disso, nosso irmão foi sepultado hoje. Ainda não consigo entender. Talvez seja egoísmo da minha parte querer segurar este belo homem que entrou na minha vida e a mudou para sempre. ” Ela ainda citou as gravações da morte do tio George, interpretado por Courtney B. Vance, durante o segundo episódio de “Lovecraft Country”: “Estávamos correndo contra o relógio, perdendo sol, era uma longa tomada de câmera constante, que começou quando eu bati nos braços de Jonathan/Atticus. Na tentativa de acalmar o caos, olhei para Michael/Montrose, no banco de trás do Woody, segurando o tio George em seus braços, eu podia sentir a dor atrás de seus olhos, minha alma entendeu. E essa era a beleza do instrumento do MKW – ele jogou todo o seu ser em cada momento com tanta bravura e sacrifício. Isso é tudo que eu precisava para atuar… simplesmente olhar nos olhos de Michael.” A atriz também descreveu o relacionamento formado entre ela, Williams e Jonathan Majors na série, como sendo “como filhos e filhas de uma dor paterna tão familiar e profunda. Depois nos tornamos os três mosqueteiros. Nossas almas ficaram amarradas.” O post foi encerrado com um recado a Williams. “Eu me consolo em saber que você finalmente está livre, em algum lugar dançando, sendo poderoso, mostrando aos anjos como realmente conseguir isso. A propósito, você ainda me deve aquela dança… e nossas camisetas dos Bulls. Eu te amo”. Junto com a mensagem sincera, Smollett postou uma série de fotos de Williams no set da série. Michael K. Williams é favorito ao Emmy de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel em “Lovecraft Country”. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Jurnee Smollett (@jurneesmollett)
Norm MacDonald (1959–2021)
O comediante Norm MacDonald, ex-integrante do humorístico “Saturday Night Live”, astro de stand-up e participante da trupe de Adam Sandler, morreu nesta terça (14/9) aos 61 anos, após lutar por quase uma década contra um câncer. MacDonald ficou conhecido em sua passagem pelo “Saturday Night Live” por apresentar o segmento de notícias satíricas “Weekend Update”. Seus comentários ácidos marcaram uma virada de tom no programa durante os anos 1990, levando o humorístico criado em 1975 a abraçar a sátira política. Após sua saída da produção, ele estrelou sua própria sitcom, “The Norm Show” (1999-2001), e seu primeiro e único filme como protagonista, “Trabalho Sujo” (1998). Ele também engatou uma série de papéis em filmes produzidos por seu colega do “SNL” Adam Sandler, como “Billy Madison, um Herdeiro Bobalhão” (1995), “Gigolô por Acidente” (1999), “Animal” (2001), “Tá Rindo do Quê?” (2009), “Gente Grande” (2010), “Cada Um Tem a Gêmea que Merece” (2011) e “Os 6 Ridículos” (2015). Outro destaque veio com a voz do cachorro Lucky nos filmes live-action de “Dr. Dolittle”. McDonald permaneceu na franquia iniciada em 1998 mesmo após a saída de Eddie Murphy. Depois de Lucky, a dublagem se tornou outra parte bem-sucedida de sua carreira. Seus últimos trabalhos foram de voz, nas séries live-action “The Orville” e nas animações “Skylanders Academy” e “Mike Tyson Mysteries”.











