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  • Etc

    Investigação teria encontrado cartas que culpam Jim Carrey pelo suicídio da ex-namorada

    18 de outubro de 2016 /

    As investigações sobre o suicídio de Cathriona White, ex-namorada de Jim Carrey, teriam encontrado novas evidências que comprovariam acusações feitas pela mãe e o ex-marido da jovem, segundo o site TMZ. Novas cartas da maquiadora teriam sido encontradas e, nelas, ela supostamente acusa o ator de ser o responsável pela decisão extrema de se matar. O site descreve o conteúdo das cartas. Numa delas, escrita em 2013, ela acusava Jim Carrey de tê-la contaminado com doenças sexualmente transmissíveis, culpando-o também por seus pensamentos suicidas. Cathriona ainda diz “meu sangue está em suas mãos” e “você puxou o gatilho contra mim”, referindo-se ao astro de Hollywood. O bilhete suicida de Cathriona, encontrado junto de seu corpo, menciona coração partido, mas não fala nada sobre as doenças sexualmente transmissíveis. Ela escreveu que Jim era sua família e o deixou encarregado de seu funeral e testamento. Cathriona morreu em setembro do ano passado, aos 28 anos, por conta de uma overdose de remédios. Seu ex-marido e sua mãe estão movendo um processo contra Jim Carrey, onde alegam que o ator lhe transmitiu doenças sexuais e foi o responsável por comprar as drogas utilizadas pela jovem para se matar.

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    Orival Pessini (1944 – 2016)

    14 de outubro de 2016 /

    Morreu o ator e humorista Orival Pessini, criador de personagens inesquecíveis, como Fofão, Patropi e Sócrates. Ele morreu na madrugada desta sexta (14/10), aos 72 anos, após passar duas semanas internado no Hospital São Luiz, em São Paulo, lutando contra um câncer. Orival Pessini iniciou sua carreira no teatro, mas foi na televisão que encontrou o sucesso. Sua estreia aconteceu no programa infantil “Quem Conta Um Conto”, na TV Tupi, em 1963. E boa parte de sua carreira seria marcada pelo relacionamento com as crianças. Na década de 1970, passou a usar maquiagem prostética, inspirada na franquia sci-fi “Planeta dos Macacos”, para viver os macacos Sócrates e Charles do programa humorístico “Planeta dos Homens”, na TV Globo. Sócrates, em especial, fez muito sucesso com o bordão “Não precisa explicar, eu só queria entender”. Mas isso não foi nada perto do fenômeno criado por seu próximo personagem, o desengonçado Fofão, lançado no programa infantil “Balão Mágico” em 1983. O boneco fez tanto sucesso que, com o fim do “Balão Mágico”, ganhou seu próprio programa: “TV Fofão”, mas em outro canal, na Bandeirantes, em que o personagem apresentava quadros humorísticos e desenhos animados. Pessini tirou sua inspiração para criar Fofão do filme “E.T. – O Extraterrestre” (1982), e o descrevia como “feio”, “uma mistura de cachorro, urso, porco e palhaço”. “Não é à toa que me baseei no ‘E.T.’ do Spielberg. Quando assisti ao filme na época fiquei com lágrimas nos olhos. Eu não pensei em fazer uma coisa bonita, mas sim uma coisa simpática, que demonstrasse ‘calor humano’, ‘sentimento'”, afirmou Pessini em maio deste ano no programa “The Noite”. Mesmo com o sucesso, Pessini continuou criando novos personagens, sempre escondendo o rosto atrás de maquiagem, inclusive quando parecia não usar nenhuma, como no caso de Patropi, que ele estreou no humorístico “Praça Brasil” (Band), em 1988. Seu tipo hippie também durou mais que o programa original, aparecendo em diversas outras atrações, como “Escolinha do Professor Raimundo” (Globo), “Escolinha do Barulho” (Record), “Escolinha do Gugu” (Record) e “A Praça é Nossa” (SBT). Ele ainda criou outros tipos, como Juvenal, Ranulpho Pereira e Clô, e ainda continuava surpreendendo na carreira, ao demonstrar talento dramático na minissérie “Amores Roubados” (2014), da Globo, como o padre José. Em 2015, ele também estrelou o sucesso “Carrossel – O Filme”, como o avô de Alicia (Fernanda Concon) e dono do acampamento Panapaná, em que as crianças da franquia vão passar férias, tornando-se conhecido por uma nova geração que talvez não soubesse que o simpático velhinho era o rosto verdadeiro de Fofão. Fofão foi considerado oficialmente “inesquecível” quando desfilou no carnaval paulista de 2014, homenageado por um samba enredo da Rosas de Ouro, que saudava, justamente, os personagens inesquecíveis que marcaram gerações Nos últimos anos, ele vinha brigando com a Carreta Furacão, por causa do Fofão genérico criado para acompanhar a atração musical. Pessini não gostava especialmente do uso político do personagem, que se destacou em protestos pelo Impeachment de Dilma Rousseff. Mas seu desejo d epreservar Fofão também se devia aos planos para sua criação. A produtora Farofa Studios está atualmente produzindo uma série animada com a personagem.

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  • Etc

    Jim Carrey é acusado de ter passado doenças sexuais e remédios ilegais à ex-namorada que se matou

    11 de outubro de 2016 /

    O ator Jim Carrey terá que se defender de um segundo processo relacionado à morte da ex-namorada, a maquiadora Cathriona White, por ter fornecido a ela os remédios que a mataram. Após a queixa registrada no mês passado pelo ex-marido de Cathriona, Mark Burton, agora é a mãe da jovem falecida que quer uma reparação. Cathriona morreu em setembro do ano passado, aos 28 anos, por conta de uma overdose de remédios. Brigid Sweetman agora alega que Carrey passou doenças sexualmente transmissíveis para sua filha, pressionou para que ela se tratasse em segredo e lhe deu os remédios que ela usou para se matar. Burton já tinha feito denúncia similar, alegando que as substâncias estavam em um frasco com rótulo identificado com o nome Arthur King, que seria um pseudônimo do ator. É ilegal nos EUA comprar remédios com o nome de outra pessoa. Em um comunicado divulgado nesta terça-feira (11/10), Sweetman disse: “Como uma família, nós queremos que o mundo saiba a verdade sobre quem Jim Carrey realmente é – um homem que infectará a sua filha com três doenças sexualmente transmissíveis, mentirá sobre isso, a chamará de nomes terríveis e a desvalorizará, usando seus advogados caros para tentar calá-la e a sua família, e, em seguida, lhe dando drogas ilegais”. Sweetman alega ainda Carrey terminou seu relacionamento com sua filha depois que ela o confrontou sobre as doenças, e depois contratou “fixers” para mantê-la quieta sobre o assunto. Em sua ação, que foi apresentado em um tribunal de Los Angeles, Sweetman descreve Carrey como “puro mal”, “insensível”, “explorador”, “desprezível”, e “oportunista”, entre outros adjetivos. Gossip Cop tem estendeu a mão para Carrey reps para comentar o assunto, mas ainda tenho que ouvir de volta. Carrey ainda não se pronunciou sobre as acusações. Ele e Cathriona se conheceram em 2012, namoraram por alguns meses e depois e separaram. Em maio do ano passado, o casal voltou a namorar e terminou uma semana antes dela ser encontrada morta. Na época, fontes do TMZ diziam que a jovem deixou uma carta de suicídio dirigida a Carrey. Declarando-se “chocado” e “profundamente entristecido”, Carrey disse, na ocasião: “Ela era uma flor irlandesa verdadeiramente gentil e delicada, muito sensível para este solo, para quem amar e ser amado era tudo o que importava. Meu coração vai para sua família e amigos e para todos aqueles que amavam e se preocupavam com ela.”

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  • Filme

    Andrzej Wajda (1926 – 2016)

    10 de outubro de 2016 /

    Morreu Andrzej Wajda, um dos maiores cineastas da Polônia, vencedor da Palma de Ouro de Cannes e de um Oscar honorário pela carreira de fôlego, repleta de clássicos humanistas. Ele faleceu no domingo (9/10), aos 90 anos, em Varsóvia, após uma vida dedicada ao cinema, em que influenciou não apenas a arte, mas a própria História, ao ajudar a derrubar a cortina de ferro com filmes que desafiaram a censura e a repressão do regime comunista. Nascido em 6 de março de 1926 em Suwalki, no nordeste polonês, Wajda começou a estudar cinema após a 2ª Guerra Mundial, ingressando na recém-aberta escola de cinema de Lodz, onde também estudaram os diretores Roman Polanski e Krzysztof Kieslowski, e já chamou atenção em seu primeiro longa-metragem, “Geração” (1955), ao falar de amor e repressão na Polônia sob o regime nazista. Seu segundo longa, “Kanal” (1957), também usou a luta contra o nazismo como símbolo da defesa da liberdade, e abriu o caminho para sua consagração internacional, conquistando o prêmio do juri no Festival de Cannes. Com “Cinzas e Diamantes” (1958), que venceu o prêmio da crítica no Festival de Veneza, ponderou como pessoas de diferentes classes sociais e inclinações políticas tinham se aliado contra o nazismo, mas tornaram-se inimigas após o fim da guerra. Os três primeiros filmes eram praticamente uma trilogia temática, refletindo as ansiedades de sua geração, que tinha sobrevivido aos nazistas apenas para sofrerem com os soviéticos. Ele também filmou várias vezes o Holocausto, do ponto de vista da Polônia. Seu primeiro longa sobre o tema foi também o mais macabro, contando a história de um coveiro judeu empregado pelos nazistas para enterrar as vítimas do gueto de Varsóvia, em “Samson, a Força Contra o Ódio” (1961). Aos poucos, suas críticas foram deixando de ser veladas. Num novo filme batizado no Brasil com o mesmo título de seu terceiro longa, “Cinzas e Diamantes” (1965), lembrou como os poloneses se aliaram a Napoleão para enfrentar o império russo e recuperar sua soberania. A constância temática o colocou no radar do governo soviético. Mesmo com fundo histórico conhecido, “Cinzas e Diamantes” disparou alarmes. Aproveitando uma tragédia com um ator local famoso, Wajda lidou com a perigosa atenção de forma metalinguista em “Tudo à Venda” (1969), sobre um diretor chamado Andrzej, que tem uma filmagem interrompida pelo súbito desaparecimento de seu ator principal. Considerado muito intelectual e intrincado, o filme afastou o temor de que o realizador estivesse tentando passar mensagens para a população. Mas ele estava. Em “Paisagem Após a Batalha” (1970), o diretor voltou suas câmeras contra o regime, ao registrar o sentimento de júbilo dos judeus ao serem libertados dos campos de concentração no fim da guerra, apenas para sepultar suas esperanças ao conduzi-los a outros campos cercados por soldados diferentes – russos – , inspirando a revolta de um poeta que busca a verdadeira liberdade longe disso. Seus três longas seguintes evitaram maiores controvérsias, concentrando-se em dramas de família e romances de outras épocas, até que “Terra Prometida” (1975) rendeu efeito oposto, celebrado pelo regime a ponto de ser escolhido para representar o país no Oscar. E conquistou a indicação. Ironicamente, a obra que o tornou conhecido nos EUA foi a mais comunista de sua carreira. Apesar de sua obsessão temática pela liberdade, “Terra Prometida” deixava claro que Wajda não era defensor do capitalismo. O longa era uma denúncia visceral de como a revolução industrial tardia criara péssimas condições de trabalho para os operários poloneses, enquanto empresários enriqueciam às custas da desumanização na virada do século 20. Brutal, é considerado um dos maiores filmes do cinema polonês. Satisfeito com a consagração, Wajda manteve o tema em seus filmes seguintes, acompanhando a evolução da situação dos operários poloneses ao longo do século. Mas os resultados foram o avesso do que a União Soviética gostaria de ver nas telas. A partir daí, sua carreira nunca mais foi a mesma. Seus filmes deixaram de ser cinema para virarem registros históricos, penetrando nas camadas mais profundas da cultura como agentes e símbolos de uma época de transformação social. “O Homem de Mármore” (1977) encontrou as raízes do descontentamento dos trabalhadores da Polônia no auge do stalinismo dos anos 1950. O filme era uma metáfora da situação política do país e também usava de metalinguagem para tratar da censura que o próprio Wajda sofria. A trama acompanhava uma estudante de cinema que busca filmar um documentário sobre um antigo herói do proletariado, que acreditava na revolução comunista e na igualdade social, mas, ao ter acesso a antigas filmagens censuradas para sua pesquisa, ela descobre que foi exatamente isto que causou sua queda e súbito desaparecimento da história. Diante da descoberta polêmica, a jovem vê seu projeto de documentário proibido. A censura política voltou a ser enfocada em “Sem Anestesia” (1978), história de um jornalista polonês que demonstra profundo conhecimento político e social numa convenção internacional, o que o faz ser perseguido pelo regime, que cancela suas palestras, aulas e privilégios, culminando até no fim de seu casamento, para reduzir o homem inteligente num homem incapaz de se pronunciar. Após ser novamente indicado ao Oscar por um longa romântico, “As Senhoritas de Wilko” (1979), Wajda foi à luta com o filme mais importante de sua carreira. “O Homem de Ferro” (1981) era uma obra de ficção, mas podia muito bem ser um documentário sobre a ascensão do movimento sindicalista Solidariedade, que, anos depois, levaria à queda do comunismo na Polônia e, num efeito dominó, ao fim da União Soviética. A narrativa era amarrada por meio da reportagem de um jornalista enviado para levantar sujeiras dos sindicalistas do porto de Gdansk, que estavam causando problemas, como uma inusitada greve em pleno regime comunista. Ao fingir-se simpatizante da causa dos estivadores, ele ouve histórias que traçam a longa trajetória de repressão aos movimentos sindicais no país, acompanhadas pelo uso de imagens documentais. O filme chega a incluir em sua história o líder real do Solidariedade, Lech Walesa, que depois se tornou presidente da Polônia. Apesar da trajetória evidente do cineasta, o regime foi pego de surpresa por “O Homem de Ferro”, percebendo apenas o que ele representava após sua première mundial no Festival de Cannes, onde venceu a Palma de Ouro e causou repercussão internacional. Sem saber como lidar com a polêmica, o governo polonês sofreu pressão mundial para o longa ir ao Oscar, rendendo mais uma indicação a Wajda e um confronto político com a União Soviética, que exigiu que o filme fosse banido dos cinemas. Assim, “O Homem de Ferro” só foi exibido em sessões privadas em igrejas em seu país. Considerado “persona non grata” e sem condições de filmar na Polônia, que virara campo de batalha, com o envio de tropas e tanques russos para sufocar o movimento pela democracia despertado pelo Solidariedade, Wajda assumiu seu primeiro longa internacional estrelado por um grande astro europeu, Gerard Depardieu. O tema não podia ser mais provocativo: a revolução burguesa da França. Em “Danton – O Processo da Revolução” (1983), o diretor mostrou como uma revolução bem intencionada podia ser facilmente subvertida, engolindo seus próprios mentores numa onda de terrorismo de estado. A história lhe dava razão, afinal Robespierre mandou Danton para a guilhotina, antes dele próprio ser guilhotinado. E mesmo assim o filme causou comoção, acusado de “contrarrevolucionário” por socialistas e comunistas franceses, que enxergaram seus claros paralelos com a União Soviética. Ficaram falando sozinhos, pois Wajda ganhou o César (o Oscar francês) de Melhor Diretor do ano. Sua militância política acabou arrefecendo no cinema, trocada por romances e dramas de época, como “Um Amor na Alemanha” (1983), “Crônica de Acontecimentos Amorosos” (1986) e “Os Possessos” (1988), adaptação de Dostoevsky que escreveu com a cineasta Agnieszka Holland. Em compensação, acirrou fora das telas. Ele assinou petições em prol de eleições diretas e participou de manifestações políticas, que levaram ao fim do comunismo na Polônia. As primeiras eleições diretas da história do país aconteceram em 1989, e Wajda se candidatou e foi eleito ao Senado. A atuação política fez mal à sua filmografia. Filmando menos e buscando um novo foco, seus longas dos anos 1990 não tiveram a mesma repercussão. Mas não deixavam de ser provocantes, como atesta “Senhorita Ninguém” (1996), sobre uma jovem católica devota, que acaba corrompida quando sua família se muda para a cidade grande, numa situação que evocava a decadência de valores do próprio país após o fim do comunismo. Por outro lado, seus filmes retratando o Holocausto – “As Duzentas Crianças do Dr. Korczak” (1990), sobre um professor que tenta proteger órfãos judeus no gueto de Varsóvia e morre nos campos de concentração, e “Semana Santa” (1995), evocando como a Polônia lidou com a revolta do gueto de Varsóvia em 1943 – receberam pouca atenção. O que o fez se retrair para o mercado doméstico, onde “Pan Tadeusz” (1999), baseado num poema épico polonês do século 19 sobre amor e intriga na nobreza, virou um sucesso. Durante duas décadas, Wajda sumiu dos festivais, onde sempre foi presença constante, conquistando prêmios, críticos e fãs. Mas estava apenas recarregando baterias, para retornar com tudo. Seu filme de 2007, “Katyn” se tornou uma verdadeira catarse nacional, quebrando o silêncio sobre uma tragédia que afetou milhares de famílias na Polônia: o massacre de 1940 na floresta de Katyn, em que cerca de 22 mil oficiais poloneses foram executados pela polícia secreta soviética. Quarta indicação ao Oscar de sua carreira, “Katyn” foi seu filme mais pessoal. Seu pai, um capitão da infantaria, estava entre as vítimas. Durante a divulgação do filme, o cineasta fez vários desabafos, ao constatar que jamais poderia ter feito “Katyn” sem que o comunismo tivesse acabado, uma vez que Moscou se recusava a admitir responsabilidade e o assunto era proibido sob o regime soviético. “Nunca achei que eu viveria para ver a Polônia como um país livre”, Wajda disse em 2007. “Achei que morreria naquele sistema.” Após acertar as contas com a história de seu pai, focou em outro momento importante de sua vida, ao retomar a trama de “Homem de Ferro” numa cinebiografia. Em “Walesa” (2013), mostrou como um operário simples se tornou o líder capaz de derrotar o comunismo na Polônia. Na ocasião, resumiu sua trajetória, dizendo: “Meus filmes poloneses sempre foram a imagem de um destino do qual eu mesmo havia participado”. Ao exibir “Walesa” no Festival de Veneza, Wajda já demonstrava a saúde fragilizada. Mas cinema era sua vida e ele encontrou forças para finalizar uma última obra, que ainda pode lhe render sua quinta indicação ao Oscar, já que foi selecionada para representar a Polônia na premiação da Academia. Seu último filme, “Afterimage” (2016), é a biografia de um artista de vanguarda, Wladyslaw Strzeminski, perseguido pelo regime de Stalin por se recusar a seguir a doutrina comunista. Um tema – a destruição de um indivíduo por um sistema totalitário – que sintetiza o cinema de Wajda, inclusive nos paralelos que permitem refletir o mundo atual, em que a liberdade artística sofre com o crescimento do conservadorismo. Com tantos filmes importantes, Andrzej Wajda ganhou vários prêmios por sua contribuição ao cinema mundial. Seu Oscar honorário, por exemplo, é de 2000, antes de “Katyn”, e o Festival de Veneza foi tão precipitado que precisou lhe homenagear duas vezes, em 1998 com um Leão de Ouro pela carreira e em 2013 com um “prêmio pessoal”. Há poucos dias, em setembro, ele ainda recebeu um prêmio especial do Festival de Cinema da Polônia. O diretor também é um dos homenageados da 40ª edição da Mostra de Cinema de São Paulo, que começa no dia 20 de outubro. A programação inclui uma retrospectiva com 17 longas do grande mestre polonês.

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  • Etc,  Filme

    Herschell Gordon Lewis (1926 – 2016)

    2 de outubro de 2016 /

    Pioneiro do terror visceral, o cineasta Herschell Gordon Lewis faleceu na semana passada, noite de 26 de setembro, aos 90 anos em sua casa na Flórida, aparentemente de causas naturais. Formado em Jornalismo, o cineasta pautou sua carreira inteira por projetos sensacionalistas, desde a estreia em 1961 com “Living Venus”, sobre o relacionamento do dono de uma revista masculina e uma de suas modelos, que ele escreveu e dirigiu. Suas primeiras obras exploravam descaradamente a nudez, entre elas “Daughter of the Sun” (1962), em que uma professora se revelava adapta do nudismo (termo da época), “Boin-n-g” (1963), sobre os testes de escalação de um filme adulto, “Scum of the Earth” (1963), a respeito de uma rede de pedofilia, e até uma versão erótica da fábula de Cachinhos Dourados, “Goldilocks and the Three Bares” (1963). Mas ao trocar o softcore erótico pelo terror, com seu primeiro filme sanguinário, acabou influenciando todo o gênero. Colorido, com ênfase no vermelho, “Banquete de Sangue” (Blood Feast, 1963) marcou época nos circuitos de cinema drive-in nos Estados Unidos. A história seguia um serial killer que queria juntar diversas partes de corpos femininos para conjurar uma antiga deusa egípcia. Mas o que chamava atenção era a forma como a violência era retratada por Lewis, de forma bastante explícita para a época, o que rendeu críticas repletas de adjetivos impressionistas. Alguns desses adjetivos acabaram virando rótulos para descrever os subgêneros que se originaram a partir do longa: splatter (“respingado” de sangue) e gore (“sanguinolento”). Ele completou uma trilogia sangrenta com o lançamento de “Maníacos” (Two Thousand Maniacs!, 1964), predecessor dos terrores rurais, e “Color Me Blood Red” (1965), em que um maníaco usa o sangue de suas vítimas para criar pinturas de sucesso. Depois do jorro inicial de criatividade e vísceras, Herschell explorou outros tipos de terror. Fez “Something Weird” (1967), em que a vítima de um acidente adquire poderes extra-sensoriais e passa a ajudar a polícia a resolver crimes – como no livro posterior de Stephen King, “A Hora da Zona Morta” – , “A Taste of Blood” (1967), sobre um vampiro determinado a matar os descendentes dos assassinos de Drácula, e “The Gruesome Twosome” (1967), em que mãe e filho escalpelam universitárias. Acabou embarcando no sexo, drogas e rock’n’roll do período, com lançamentos que refletiam o final dos anos 1960, como “The Girl, the Body, and the Pill” (1967), centrado numa professora de educação sexual, “Blast-Off Girls” (1967), sobre uma garage band vítima de um empresário ganancioso, “She-Devils on Wheels” (1968), acompanhando uma gangue de motoqueiras selvagens, “Suburban Roulette” (1968), sobre a prática do swing (que no Brasil era sexistamente chamado de “troca de esposas”), etc. Feitos com pouco dinheiro, equipe técnica reduzida e atores amadores, os filmes do cineasta destinavam-se exclusivamente ao circuito dos drive-ins, e só foram se tornar cultuados muitos anos depois. Por isso, quando o cinema erótico começou a ganhar prestígio, ele adotou pseudônimos para filmar pornografia a partir de 1969, inclusive o infame “Black Love” (1971), que prometia um olhar “educacional” explícito sobre “os hábitos sexuais dos casais negros americanos”. Com o dinheiro arrecadado com os filmes hardcore, bancou quatro projetos, dois deles de temática caipira – e “This Stuff’ll Kill Ya!” (1971) pode ser considerado precursor direto da série “Os Gatões” – e dois com a palavra “gore” no título, fazendo com que ganhasse a alcunha de “Padrinho do Gore”. Mais sanguinário que seus predecessores, “The Wizard of Gore” (1970) era uma coleção de desmembramentos, providenciada por uma mágico, que hipnotizava vítimas para matá-las diante de uma audiência encantada pelo realismo dos “truques”. E “The Gore Gore Girls” (1972) girava em torno do assassinato de strippers. A brutalidade do cinema de Herschell logo encontrou seguidores numa geração formada por Wes Craven, John Carpenter e Tobe Hopper, que elevaram ainda mais a violência do terror – o “splatter” (respingado) virou “slasher” (retalhado). Mas seu estilo amador não sobreviveu para ver o terror visceral lotar cinemas. Por toda a carreira, ele financiou e produziu seus próprios filmes, mas o fim dos drive-ins e o declínio das sessões duplas, que coincidiu com o início da era do multiplex, acabou com o espaço para a projeção de seus filmes. Sem circuito exibidor, Herschell decidiu se aposentar do cinema, passando a escrever livros de – acredite – publicidade. Os anos se passaram, até que fãs de terror se deram conta de seu legado, traçando as origens do cinema visceral a seus primeiros longas. Assim, sua filmografia acabou redescoberta, com lançamentos em home video e sessões em festivais do gênero. Convocado a sair das trevas em que tinha sumido, ele acabou retornando em 2002 com seu primeiro longa em três décadas, “Blood Feast 2: All U Can Eat”, continuação do seu primeiro sucesso de terror. O longa contou com a participação de outro nome do cinema underground americano, o cineasta John Waters, fã assumido do cinema do “Padrinho do Gore”. Herschell Gordon Lewis ainda lançou mais um filme em 2009, intitulado “The Uh-Oh! Show”, sobre um programa televisivo de prêmios, valendo dinheiro ou, no caso de respostas erradas às perguntas do apresentador sorridente, membros decepados. Era o que ele chamava de comédia.

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  • Bill Nunn
    Etc,  Filme

    Bill Nunn (1953 – 2016)

    25 de setembro de 2016 /

    Morreu o ator Bill Nunn, que ficou conhecido pelo clássico “Faça a Coisa Certa”, de Spike Lee, e por interpretar o editor do Clarim Diário na trilogia original do “Homem-Aranha”. Ele faleceu aos 62 anos no sábado (24/9) em sua casa, em Pittsburgh, na Pensilvânia, ao lado de sua família, após lutar contra um câncer. O próprio Spike Lee deu a notícia em uma publicação em seu Facebook. “Radio Raheem está descansando agora. Deus o está protegendo”, escreveu o diretor, referindo-se ao personagem de Nunn em “Faça a Coisa Certa”, assim batizado por carregar um boom box (rádio-gravador) gigante, de onde saía a excelente trilha hip-hop do filme. Nunn tinha estreado no cinema no longa anterior de Spike Lee, “Lute pela Coisa Certa” (1988), um ano antes de virar o estopim musical e dramático do melhor trabalho da carreira do diretor. Além de providenciar a trilha ambulante de “Faça a Coisa Certa”, Radio Raheem foi o estopim da revolta da trama, atual até hoje, ao morrer em um conflito com a polícia durante uma briga de rua no Brooklyn. O atro voltou a trabalhar com Lee em mais dois filmes, inclusive no segundo melhor longa do cineasta, “Mais e Melhores Blues” (1990), e em outro clássico do período, “New Jack City – A Gangue Brutal” (1991), um dos dois filmes relevantes de Mario Van Peebles. Sua participação em produções importantes do renascimento do cinema negro, que então começava a ser referido como afro-americano, chamou a atenção de Hollywood. E logo Nunn passou a parecer em dezenas de sucessos comerciais, contracenando com Robin Williams em “Um Conquistador em Apuros” (1990) e Harrison Ford em “Uma Segunda Chance” (1991), antes de vir a integrar franquias de sucesso, como a comédia “Mudança de Hábito” (1992), com Whoopie Goldberg, “Beijos que Matam” (1997), que lançou o personagem Dr. Alex Cross, vivido por Morgan Freeman, e, claro, “Homem-Aranha” (2002), do diretor Sam Raimi, em que viveu Robbie Robertson, o chefe amigo de Peter Parker (Tobey Maguire) na redação do Clarim, num franco contraste ao intempestivo publisher J. Jonah Jameson (J.K. Simmons). Nunn repetiu este papel nos três filmes da trilogia original. Seu último longa foi “A Luta Por Um Ideal” (2012), em que retomou as produções de temática social, como o diretor de uma escola de pública enfrentando dificuldades. Depois, ainda integrou o elenco das duas temporadas da comédia “Sirens”, cancelada no ano passado.

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  • Etc

    Filho mais novo de Mia Farrow se mata com um tiro

    22 de setembro de 2016 /

    O filho mais novo da atriz Mia Farrow (“Hanna e Suas Irmãs”), Thaddeus Wilk Farrow, se matou com um tiro no peito enquanto dirigia na noite de quarta-feira (21/9), afirmou a polícia do estado americano de Connecticut. Adotado por Mia em 1995, ele tinha poliomielite, que contraiu antes da adoção num orfanato em Calcutá, na Índia, e era paralisado da cintura para baixo. Um primeiro comunicado havia informado que a causa da morte era um acidente de carro. Segundo a polícia, Thaddeus bateu o carro após cometer suicídio, o que teria levado à conclusão de acidente. Ele foi encontrado em seu carro ainda com vida, mas morreu no hospital, aos 27 anos de idade. Devido à causa da morte, a investigação continuará aberta até esclarecer todos os fatos. Thaddeus Farrow é o terceiro dos filhos adotivos de Mia a falecer. Tam Farrow morreu de ataque cardíaco em 2000, aos 19 anos, e Lark Previn devido ao vírus HIV em 2008, aos 35 anos. A história dos filhos adotados de Mia Farrow tem ainda mais elementos trágicos. Em 1992, quando tinha 7 anos de idade, Dylan Farrow se envolveu numa grande polêmica, de fundo traumático, ao acusar Woddy Allen, então seu pai adotivo, de tê-la molestado. Sua mãe levou o caso a justiça após Woody, seu marido, deixá-la por Soon-Yi Previn, que ela também tinha adotado quando era casada com André Previn. O julgamento terminou inocentando Allen, após especialistas desacreditarem a criança, que estaria inventando ou reproduzindo informações alimentadas por sua mãe, devido às incongruências de suas lembranças. Recentemente, outro filho adotivo, Moses Farrow, veio a público dizer que se alguém era abusivo era sua mãe, que tinha coagido os filhos a mentirem e acusarem Woody Allen. Até hoje Dylan acusa Woody Allen de abuso sexual. Allen, por sua vez, continua casado com a outra filha de Farrow. Ele e Soon-Yi estão juntos há 24 anos. A atriz comentou a morte de Thaddeus, em uma mensagem publicada em sua conta no Twitter: “Estamos devastados pela perda de Thaddeus, nosso querido filho e irmão. Ele foi uma pessoa maravilhosa e corajosa que enfrentou bravamente as dificuldades em sua curta vida. Sentimos falta dele. Obrigado pelas palavras bondosas.”

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  • Chica Lopez
    Etc,  Filme,  Série,  TV

    Chica Lopes (1929 – 2016)

    22 de setembro de 2016 /

    Morreu a atriz Chica Lopes, que trabalhou em diversas novelas da extinta rede Tupi e do SBT. Ela faleceu no dia 10 de setembro, aos 86 anos, mas a notícia só veio à tona na quarta-feira (21/9), após sua colega, a atriz Jussara Freire, anunciar nas redes sociais. “Chica Lopes, nossa querida e amiga de tantas novelas… A amada Durvalina das duas versões de ‘Éramos Seis’ foi chamada para habitar outra constelação no dia 10 de setembro. Fica a homenagem e muito carinho. Muito, muito obrigada, querida Chica”, escreveu Jussara, sem especificar as causas da morte. Nascida em São Carlos, no interior de São Paulo, a atriz começou a carreira no teatro, na década de 1950, e estreou na TV em 1976, na novela “O Julgamento”, da TV Tupi. No mesmo canal, fez “Éramos Seis” (1977), “Roda de Fogo” (1978), e “O Direito de Nascer” (1978). Ela também atuou na novela “Os Imigrantes” (1981) na Bandeirantes e concentrou a maior parte de sua filmografia neste período de muita atividade. Filmografia, por sinal, bastante eclética, que inclui a produção histórica “Tiradentes, O Mártir da Independência” (1977), clássicos eróticos da Boca do Lixo, como “Força Estranha” (1980) e “A Noite das Depravadas” (1981), e até um drama espírita, “O Médium” (1983), dirigido por Paulo Figueiredo, ator-galã da Globo. Mas após essa largada de fôlego, ela sumiu das telas, só voltando em 1994, lembrada pelo SBT durante a escalação do elenco do remake da novela “Éramos Seis”, na qual interpretou o mesmo papel vivido na gravação original dos anos 1970. Foi um sucesso e desde então ela se estabeleceu como presença constante nas novelas do canal, como “Sangue do meu Sangue” (1995), “Os Ossos do Barão” (1997), “Pícara Sonhadora” (2001), “Marisol” (2002) e “Jamais te Esquecerei” (2003). Um detalhe curioso sobre esse retorno é que todas as produções em que atuou a partir de “Éramos Seis” foram remakes. Até seu único trabalho na Record foi outro remake. Na novela “Escrava Isaura” (2004), ela interpretou a escrava Joaquina, amiga e defensora da protagonista. Seu último papel foi ao ar no remake da novela venezuelana “Cristal” há dez anos, novamente no SBT.

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  • Curtis Hanson
    Etc,  Filme

    Curtis Hanson (1945 – 2016)

    21 de setembro de 2016 /

    Morreu o diretor Curtis Hanson, um dos diretores mais interessantes do cinema americano dos últimos anos, embora só tenha sido reconhecido pela Academia com um Oscar, pelo roteiro do brilhante “Los Angeles: Cidade Proibida” (1997). Ele faleceu na noite de terça-feira (20/9) em sua casa, em Hollywood, aos 71 anos. Autoridades policiais informaram que paramédicos foram chamados até sua residência e ele já estava morto quando chegaram. Aparentemente, a causa da morte do diretor, que há anos sofria com Alzheimer, foi um ataque do coração. Hanson nasceu em Reno, Nevada, mas cresceu em Los Angeles. Apaixonado pela sétima arte desde muito jovem, abandonou o colegial para trabalhar como fotógrafo freelance e, posteriormente, editor de uma revista de cinema. A experiência lhe permitiu estrear como roteirista aos 25 anos, assinando a adaptação de um conto clássico de H.P. Lovecraft no terror barato “O Altar do Diabo” (1970), produzido pelo rei dos filmes B Roger Corman, que acabou cultuado por reunir a ex-surfista e boa moça Sandra Dee com o hippie Dean Stockwell. Corman estimulou Hanson a passar para trás das câmeras, e ele estreou como diretor dois anos depois com outro terror, desta vez uma obra original que ele próprio imaginou. “Sweet Kill” (1972) era a história de um desajustado que descobre ser, na verdade, um psicopata, ao matar acidentalmente uma jovem e gostar. O ex-ídolo juvenil Tab Hunter tinha o papel principal. Ele ainda rodou o trash assumido “Os Pequenos Dragões” (1979), sobre karatê kids que tentam salvar uma jovem sequestrada por uma mãe e seus dois filhos maníacos, antes de subir de degrau e trabalhar com um dos pioneiros do cinema indie americano, o cineasta Samuel Fuller. Hanson escreveu o clássico thriller “Cão Branco” (1982), dirigido por Fuller, sobre uma atriz que resgata um cachorro sem saber que ele foi treinado para ser violento e atacar negros. Comentadíssima, a obra lhe rendeu os primeiros elogios de sua carreira. A boa receptividade a “Cão Branco” abriu-lhe as portas dos grandes estúdios. A Disney lhe encomendou o roteiro de um filme na mesma linha, “Os Lobos Nunca Choram” (1983), em que um pesquisador, enviado pelo governo para verificar a ameaça dos lobos no norte do país, descobre que eles são benéficos para a região. E a MGM lhe entregou a direção de “Porky 3” (1983), que, apesar do título nacional, não tinha relação alguma com a famosa franquia canadense de comédias sexuais passadas nos anos 1950 – “Porky’s 3” (com o detalhe da grafia correta) foi lançado dois anos depois! Mas é fácil entender porque a distribuidora quis passar essa falsa impressão. A trama acontecia no começo dos anos 1960 em torno de quatro adolescentes americanos, entre eles um certo Tom Cruise, que viajam até Tijuana, no México, querendo cair na farra, num pacto para perder a virgindade. Hanson não escreveu “Porky 3”, mas histórias de apelo adolescente se tornaram frequentes em sua filmografia. Tanto que seu trabalho seguinte foi um telefilme teen, “The Children of Times Square” (1986), uma espécie de “Oliver Twist” contemporâneo, sobre jovens sem-teto nas ruas de Nova York. Ele completou sua transição para o cinema comercial especializando-se em suspenses, numa sequência de lançamentos do gênero que fez a crítica compará-lo a Alfred Hitchcock. “Uma Janela Suspeita” (1987), inclusive, devia sua premissa a “Janela Indiscreta” (1954), mostrando um crime testemunhado a distância, por um casal que não deveria estar junto naquele momento. A testemunha era interpretada por ninguém menos que a fabulosa atriz francesa Isabelle Huppert. “Sob a Sombra do Mal” (1990) também tinha premissa hitchockiana, evocando “Pacto Sinistro” (1951), mas ganhou notoriedade pelo timing, lançado logo após o vazamento de sex tapes de seu protagonista, o ator Rob Lowe. Ele aparecia no filme num raro papel de vilão, ironicamente chantageando o futuro astro de “The Blacklist”, James Spader, por conta de gravações sexuais. Foi o melhor papel da carreira de Lowe e o empurrão definitivo para Hanson se tornar conhecido. Seu filme seguinte estabeleceu sua fama como mestre do suspense, num crescendo assustador. “A Mão Que Balança o Berço” (1992) fez bastante sucesso ao explorar um tema que marcaria a década: a mulher simpática, que abusa da confiança de suas vítimas. Poucas psicopatas foram tão temidos quanto a babá vivida por Rebecca De Mornay, que em pouco tempo se viu acompanhada por Jennifer Jason Lee em “Mulher Solteira Procura…” (1992) e Glenn Close em “Atração Fatal” (1987), na lista das mulheres que transformaram intimidade em ameaça. O quarto thriller consecutivo, “O Rio Selvagem” (1994), trouxe Meryl Streep como uma mãe que leva sua família para navegar nas corredeiras de um rio, apenas para ver todos sequestrados por Kevin Bacon, armado. Mas foi o quinto suspense que o transformou definitivamente num cineasta classe A. Obra-prima, “Los Angeles: Cidade Proibida” (1997) inspirava-se na estética do cinema noir para contar uma história de corrupção policial e brutalidade, repleta de reviravoltas, tensão e estilo, passada entre a prostituição de luxo, disputas mafiosas e os bastidores de Hollywood nos anos 1950. O filme resgatou a carreira de Kim Basinger, sex symbol da década anterior, como uma garota de programa que passou por plástica para ficar parecida com uma estrela de cinema, e ajudou a popularizar seu par de protagonistas, recém-chegados do cinema australiano, Russell Crowe e Guy Pearce, como policiais que precisam superar seu ódio mútuo para não acabar como Kevin Spacey, que mesmo saindo cedo da trama, também já demonstrava o talento que outros cineastas viriam a explorar. Hanson venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado pelo filme, baseado no livro homônimo de James Ellroy, e Basinger o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Mas “Los Angeles: Cidade Proibida” foi indicado a mais sete prêmios da Academia, inclusive Direção e Melhor Filme do ano, e só não venceu tudo porque havia um “Titanic” em seu caminho. A boa fase seguiu com o drama “Garotos Incríveis” (2000), reconhecido pela ótima atuação de Michael Douglas e por render um Oscar ao cantor Bob Dylan, de Melhor Música Original. E rendeu outro espetáculo cinematográfico contra todas as apostas, quando Hanson decidiu dirigir Eminem no filme “8 Mile – Rua das Ilusões” (2002). Baseada na vida real do rapper, a produção conquistou elogios rasgados e um Oscar (de Melhor Canção) para Eminem, que teve sua carreira impulsionada. Seus filmes finais não foram tão brilhantes. Ele tropeçou ao tentar fazer sua primeira comédia romântica, ainda por cima de temática feminina, “Em Seu Lugar” (2005), que mesmo assim teve bons momentos com Cameron Diaz e Toni Colette. Mas a insistência em emplacar um romance fez de “Bem-Vindo ao Jogo” (2007), em que Eric Bana se dividia entre o poker e Drew Barrymore, o pior desempenho de sua carreira. O telefilme “Grande Demais Para Quebrar” (2011), sobre a depressão financeira de 2008, rebateu a maré baixa com nada menos que 11 indicações ao Emmy. Infelizmente, as ondas foram altas demais em “Tudo por um Sonho” (2012), sua volta ao cinema. Ele não conseguiu completar o filme, que tinha Gerard Butler como surfista, após sofrer um colapso no set. Michael Apted foi chamado às pressas para finalizar o longa e Hanson nunca mais voltou a filmar. O Alzheimer tomou conta e, embora o estúdio não comentasse qual doença tinha levado o diretor ao hospital, aquele foi o fim da sua carreira.

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  • Domingos Montagner
    Etc

    Ministério Público quer monumento e escola de circo na praia em que Domingos Montagner morreu

    21 de setembro de 2016 /

    O MPF (Ministério Público Federal) em Sergipe abriu processo contra a Prefeitura de Canindé de São Francisco pela morte do ator Domingos Montagner, que se afogou no rio São Francisco, na prainha da cidade, na última quinta-feira (15/9). Buscando uma indenização por dano moral coletivo, a procuradoria quer que seja criado no município um monumento “que reverencie a alegria das atividades circenses em homenagem à memória do ator”, diz o MPF. Outra medida seria a implantação de uma escola municipal de circo e teatro. Para o MPF, a tragédia “contou com a omissão do poder público tanto pela falta de equipamentos de segurança no local quanto pela ausência de autorização de uso da área pela União”. “A inauguração das obras da Prainha do Rio São Francisco convida as pessoas a usarem o local para banho. Desde aquela época, a área deveria estar devidamente sinalizada e com salva-vidas trabalhando no local”, diz o ofício, assinado pela procuradora Lívia Tinoco. A prefeitura e o governo do Estado inauguraram obras de urbanização na prainha de Canindé de São Francisco em 30 de julho. No entanto, de acordo com o MPF, as obras estão irregulares, pois não há qualquer solicitação de cessão do terreno nem por parte do Estado nem por parte do município. “As intervenções em área da União foram feitas sem autorização da Superintendência de Patrimônio da União”, explicou a procuradora. Após a inauguração das obras, o MPF enviou ofício à prefeitura de Canindé para que não realizasse a entrega dos quiosques a particulares até a regularização do terreno. A medida, segundo a entidade, seria para evitar uma possível entrega de estabelecimentos em área federal sem a realização de processo licitatório e sem autorização da União para uso da área. Por conta disso, as obras não foram terminadas e não há sinalização nem salva-vidas no local. Nesta terça, a prefeitura de Canindé publicou em seu site uma nota esclarecendo que o MPF não teve qualquer responsabilidade pela ausência de placas, sinalizações e salva-vidas na prainha do rio São Francisco.

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  • Etc

    Jim Carrey é acusado de ter comprado os remédios que mataram sua ex-namorada

    19 de setembro de 2016 /

    O ator Jim Carrey está sendo acusado de ter facilitado a morte da ex-namorada, a maquiadora Cathriona White, por ter fornecido a ela os remédios que a mataram. De acordo com o site TMZ, a queixa foi registrada nesta segunda-feira (19/9) pelo ex-marido de Cathriona, Mark Burton. Cathriona morreu em setembro do ano passado, aos 28 anos, por conta de uma overdose de remédios. Segundo a denúncia, as substâncias estavam em um frasco com rótulo identificado com o nome Arthur King, que seria um pseudônimo do ator. É ilegal nos EUA comprar remédios com o nome de outra pessoa. Na acusação, Mark também alega que Carrey tentou esconder as evidências após a morte, enviando uma mensagem para ela, perguntando se tinha pego os seus remédios sem permissão. O texto também revela que o ator estava ciente das tendências depressivas e suicidas da Cathriona. Carrey ainda não se pronunciou sobre as acusações. Ele e Cathriona se conheceram em 2012, namoraram por alguns meses e depois e separaram. Em maio do ano passado, o casal voltou a namorar e terminou uma semana antes dela ser encontrada morta. Na época, fontes do TMZ diziam que ela deixou uma carta de suicídio dirigida a Carrey. Declarando-se “chocado” e “profundamente entristecido”, Carrey disse, na ocasião: “Ela era uma flor irlandesa verdadeiramente gentil e delicada, muito sensível para este solo, para quem amar e ser amado era tudo o que importava. Meu coração vai para sua família e amigos e para todos aqueles que amavam e se preocupavam com ela.”

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  • Vidas Partidas
    Filme

    Vidas Partidas destaca versatilidade de Domingos Montagner

    17 de setembro de 2016 /

    Domingos Montagner foi certamente um talento que se revelou tardio para a televisão e para o cinema. Mas que bom que em 2016 tivemos a sorte de tê-lo em três produções para o cinema: “De Onde Eu Te Vejo”, de Luiz Villaça, “Vidas Partidas”, de Marcos Schechtman, e “Um Namorado para Minha Mulher”, de Julia Rezende. O que se percebe nos personagens dos três filmes é uma versatilidade rara em atores em geral, que costumam se apegar a tipos e personas que lhe caem bem. “Vidas Partidas”, ainda que não seja tão bom e delicado quanto o filme de Villaça (leia a crítica aqui), é um trabalho que explora bastante a potência do ator, morto na quinta-feira (15/9), nas águas do Rio São Francisco, durante um intervalo das gravações da novela “Velho Chico”. Logo que o filme começa, há uma cena de intimidade dos protagonistas: Raul (Montagner) e sua esposa Graça (Laura Schneider). Na cena, o casal vive um momento de sexo tórrido, enquanto os filhos estão fora de casa. Mas há algo no modo como Raul trata Graça que incomoda um pouco: sua selvageria passa quase a impressão de que estamos presenciando uma espécie de estupro consentido. A impressão se justifica à medida que vamos conhecendo o caráter do personagem, e o quanto ele evolui ao ponto de parecer um psicopata. Ou de ser um psicopata, já que o que ele faz com a mulher ao longo da narrativa é inacreditável, de tão terrível. “Vidas Partidas” é um filme que tem a intenção de retratar a violência doméstica. Não é baseado em uma história real específica, mas, como informa no final, é baseado em diversas histórias reais de abusos domésticos que as mulheres sofrem diariamente. O que pode contar pontos, tanto negativos quanto positivos, para o filme de Schechtman, um diretor vindo da televisão, são justamente as inacreditáveis ações de Raul, que transformam o filme num suspense com tintas bem carregadas. Laura Schneider também está muito bem como a mulher que sofre com a violência do marido e se vê forçada a buscar forças de onde parecia não ter para enfrentá-lo. Em alguns momentos, “Vidas Partidas” até parece um suspense vulgar hollywoodiano, mas em outros parece uma obra cheia de vigor e brilho próprio, muito por causa do desempenho do casal de atores e pelo incômodo que provoca, à medida que as ações vão se intensificando. Dá para sair do cinema tenso.

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  • Kim McGuire - Cry-Baby
    Etc,  Filme

    Kim McGuire (1955 – 2016)

    15 de setembro de 2016 /

    Morreu a atriz Kim McGuire, que interpretou a personagem Mona “Cara de Machado” Malnorowski no filme “Cry-Baby” (1990), de John Waters. Ela faleceu aos 60 anos, após dar entrada num hospital por conta de um caso sério de pneumonia. Ela sofreu duas paradas cardíacas e faleceu na noite de quarta (14/9). A comédia musical de 1990 foi sua estreia no cinema. No filme, ela interpretava uma feiosa, de cara deformada, que namorava ninguém menos que Iggy Pop, além de integrar a gangue do rebelde de brilhantina Wade “Cry-Baby” Walker, um bad boy roqueiro vivido por Johnny Depp no começo de sua carreira. Passado nos anos 1950, o filme também incluía Amy Locane e a estrela pornô Traci Lords em seu elenco eclético. O papel de “Cara de Machado”, porém, foi criado para Divine, o ator transformista que tinha estrelado todos os filmes de John Waters até então. Mas Divine faleceu na véspera das filmagens, levando o diretor a descobrir McGuire. Ela foi contratada no ato, durante seu primeiro teste para o papel. Para Waters, a cena em que “Cara de Machado” irrompe pela tela de um filme 3D, aterrorizando o público, é a mais engraçada de todo filme. De fato, ele gostou tanto da performance que resolveu acrescentar mais cenas da personagem, ampliando a participação de McGuire. O diretor voltou a trabalhar com ela em sua comédia seguinte, “Mamãe É de Morte” (1994), no qual a atriz faz uma pequena aparição, como stage diver. Sua carreira, na verdade, foi bastante curta. Após a aparição em “Cry-Baby”, ela apareceu no terror “Louco, Eu?” (1990) e no telefilme de suspense “Rosas Não Falam”, no sugestivo papel de Bambi. Mas seu maior destaque acabou acontecendo como integrante fixa da série “On the Air” (1992), tentativa dos criadores de “Twin Peaks” de fazer comédia, cancelada após o terceiro episódio, com roteiro e direção de David Lynch. Após mergulhar no palco em “Mamãe É de Morte”, McGuire só voltou a ser vista num episódio de 1995 da série “New York Undercover” e no videogame “Zork: Nemesis” (1996). Sem ofertas de trabalho como atriz, ela se tornou advogada e mudou para o interior do Mississippi com o companheiro, o produtor Gene Piotrowsky (vencedor do Emmy por “The CBS Festival of Lively Arts for Young People”). Infelizmente, os dois perderam tudo o que tinham, menos o troféu Emmy de Piotrowsky, durante a enchente do Furacão Katrina em 2005. No mesmo ano, ela reapareceu numa reunião com o elenco original de “Cry-Baby”, incluindo Johnny Depp, realizada para um documentário produzido especialmente para os extras do lançamento do filme em DVD. McGuire acabou voltando a morar em Los Angeles, agora como advogada, e ainda se reencontrou com toda a turma em 2014, numa sessão especial de 20 anos de “Cry-Baby”, marcando a última vez em que todos estiveram juntos.

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