Gloria Jean (1926 – 2018)
A atriz Gloria Jean, que estrelou diversos musicais dos anos 1940, morreu na sexta-feira (31/8) por complicações da pneumonia, aos 92 anos de idade. A confirmação aconteceu apenas nesta terça. Ela foi lançada no cinema como atriz mirim aos 13 anos, no papel-título de “Traquina Querida” (1939), primeiro de muitos musicais que estrelou para a Universal. Treinada em canto clássico, logo se destacou no gênero, tornando-a uma das estrelas do estúdio. Os tradutores brasileiros tentaram até forçar uma “continuação” de seu primeiro sucesso, batizando um de seus filmes seguintes de “Traquina Enamorada” (1943), mas a produção não tinha nada a ver com o musical anterior. De todo modo, este longa se destacou por mostrar que a menina tinha crescido e já podia namorar. Antes disso, ainda viveu a filha adotiva de Bing Crosby em “Se Fosse Eu” (1940), a filha de Robert Stack em “Um Pedacinho do Céu” (1940) e foi escolhida pessoalmente pelo comediante W.C. Fields para coestrelar seu último filme como protagonista, “Never Give a Sucker an Even Break” (1941), como sua sobrinha. Ao lado de Donald O’Connor e Peggy Ryan, Jean estrelou uma série de comédias musicais juvenis bastante populares com o público americano, incluindo “Regresso Retumbante” (1942), o mencionado “Traquina Enamorada” (1942) e “Epopeia da Alegria” (1944). “Os Mistérios da Vida”, de 1943, deveria ser a sua estreia dramática, mas sua performance, na pele de uma garota cega, despertou ciúmes das estrelas. Ela estava roubando cenas dos grandes astros do elenco, como Edward G. Robinson e Barbara Stranwyck. Como resultado, sua participação foi cortada e relançada em outro filme, “O Milagre da Fé” (1944), que não fez tanto sucesso. Ela ainda se destacou no musical “Copacabana” (1947), ao lado de ninguém menos que Groucho Marx e Carmen Miranda. Mas após completar 30 anos, como acontecia com muitas estrelas da época, os estúdios passaram a considerá-la muito “velha” para estrelar musicais leves e não conseguiam vê-la em outros papéis, já que sempre lhe escalaram num mesmo tipo de personagem, como a garotinha levada e, mais tarde, romântica. Sua carreira praticamente acabou na década de 1950, embora ela perdurasse alguns anos fazendo pequenos papéis em séries, até se despedir do cinema na comédia “O Terror das Mulheres” (1961). Jerry Lewis tinha descoberto que ela estava trabalhando como hostess do restaurante taitiano de Studio City, em Hollywood, e a contratou para esse último trabalho. Entretanto, o ator, que também dirigiu o longa, acabou removendo todas as cenas da atriz, deixando-a apenas em aparições de fundo, como figurante sem falas. Um final triste para quem tinha uma das vozes mais belas dos musicais americanos. Um ano depois, Jean se casou com Franco Cellini em 1962, mas ele se tornou um marido ausente e um pai distante para Angelo, único filho da atriz. O rapaz morreu no ano passado e ela passou os seus últimos anos no Havaí, na casa que pertencia ao filho.
João Paulo Adour (1944 – 2018)
O ator João Paulo Adour, que foi galã das novelas da Globo nos anos 1970, foi encontrado morto na segunda-feira (3/7) em sua casa, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. Vizinhos chamaram o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar ao sentirem um forte cheiro vindo de um apartamento e a morte foi constatada. Ele tinha 77 anos e morava sozinho. Adour começou sua jornada profissional pelo teatro e chegou a ganhar um prêmio da Associação Brasileira de Críticos como ator revelação de 1962. Depois de viajar pela Europa, voltou para fazer cinema, mas apareceu em apenas dois longa-metragens, como figurante em “Cara a Cara” (1967), de Julio Bressane, e coadjuvante em “As Sete Faces de um Cafajeste” (1968), de Jece Valadão. A estreia na TV aconteceu em seguida, na novela “Um Gosto Amargo de Festa” (1969), na rede Tupi. Mas a carreira só foi deslanchar após surgir na Globo na novela “A Ponte dos Suspiros”, de Dias Gomes, em 1969. De boa aparência, acabou se tornando “o preferido das menininhas”, como chegou a publicar a revista Amiga, após “Assim na Terra Como no Céu” (1970). Mas Adour não era só um bonitão. Sua experiência teatral agradava aos teledramaturgos mais importantes da época, o que lhe rendeu uma parceria importante com Dias Gomes, em novelas históricas como “Verão Vermelho” (1970), “Bandeira 2” (1971) e “O Bem-Amado” (1973), no qual interpretou Cecéu, o filho playboy e irresponsável de Odorico Paraguaçu, personagem icônico de Paulo Gracindo. O sucesso como Cecéu o fez emendar duas tramas mais adultas da emissora, integrando “Gabriela” (1975) e “O Grito” (1976), novelas das 22 horas. Mas logo depois foi deslocado para a faixa mais jovem, aparecendo em “Dona Xepa” (1977), “Olhai os Lírios do Campo” (1980) e “As Três Marias” (1980), na qual interpretou Afonso, noivo de Maria da Glória, uma das protagonistas, vivida por Maitê Proença. O que parecia uma carreira ascendente, porém, não foi muito adiante, rendendo apenas mais duas novelas na Globo, “Brilhante” (1981) e “Corpo a Corpo” (1984), ambas de Gilberto Braga e exibidas no “horário nobre” das 20h. Ele encerrou sua trajetória televisiva com um último trabalho na extinta Rede Manchete. Em “Novo Amor” (1986), de Manoel Carlos, o ator viveu Miguel, coadjuvante de pouca importância na trama.
Atriz da série Plantão Médico é baleada e morta pela polícia de Los Angeles
A atriz Vanessa Marquez, que foi conhecida por interpretar a enfermeira Wendy Goldman na série “Plantão Médico” (E.R.), morreu na quinta-feira (30/8) baleada pela polícia de Los Angeles em sua própria casa. Há relatos conflitantes sobre o que teria acontecido, mas, segundo apurou o site The Hollywood Reporter junto às autoridades, oficiais do Departamento de Polícia de Pasadena responderam a um chamado do proprietário do apartamento em que Marquez morava, por volta do meio-dia, para realizar uma verificação de bem-estar. Quando os policiais chegaram ao local, Marquez estava tendo convulsões e um pedido por pessoal médico adicional foi enviado. Mas a partir daí ela teria se recusado a cooperar e, segundo a polícia, parecia estar sofrendo de problemas psicológicos. Um médico da Saúde Mental do Condado de Los Angeles também foi despachado para o local. A polícia e o médico conversaram com Marquez por cerca de 90 minutos, quando ela supostamente pegou uma arma e apontou para os policiais. Em resposta à esta ação, foi baleada e morta. As autoridades afirmam que apenas mais tarde descobriram que o revólver era uma arma de brinquedo. Esta narrativa dos fatos é a versão oficial da polícia. Vanessa Marquez tinha 49 anos e participou das três primeiras temporadas de “Plantão Médico”, entre 1994 e 1997. Durante o início do movimento #MeToo, em outubro do ano passado, ela acusou o ator Eriq La Salle de assediá-la no set da série e o astro George Clooney de causar sua demissão após vê-la reclamando de comentários racistas e machistas da equipe. O ator respondeu às acusações dizendo que não se lembrava do ocorrido. Antes de despontar em “Plantão Médico”, Marquez apareceu em episódios de “Seinfeld”, “Melrose” e “O Homem da Máfia”, além de filmes do período, como “O Preço do Desafio” (1988), “Marcados Pelo Sangue” (1993) e “Maniac Cop 3: O Distintivo do Silêncio” (1993). Natural de Los Angeles, a atriz teve dificuldades de seguir a carreira após sair da série médica. Ela alegava que Clooney a tinha colocado na lista negra dos produtores de Hollywood. Desde então, ela só conseguiu seis papéis, dois deles em curtas. Seu último trabalho relevante foi o drama indie “Shift”, lançado em 2013.
Polícia confirma que ator de The Goldbergs morreu de overdose
A causa da morte do ator Jackson Odell finalmente foi confirmada pela polícia, mais de dois meses após seu falecimento. O artista, que tinha apenas 20 anos de idade, sofreu uma overdose fatal. Odell tinha papel recorrente na série “The Goldbergs”, como Ari Caldwell, o irmão mais velho de Dana (Natalie Alyn Lind), e também apareceu em “Modern Family” e “iCarly”. Ele foi encontrado morto em sua casa, em San Fernando Valley, na Califórnia, no dia 10 de junho. O ator começou a carreira aos 12 anos e também era cantor e compositor. Ele tinha se internado recentemente em uma clínica de reabilitação. Em sua casa, os policiais encontraram também vários apetrechos usados para a ingestão de drogas. A causa da morte foi oficialmente “intoxicação aguda por heroína e cocaína”, segundo boletim liberado pelo instituto de medicina legal de Los Angeles.
Henrique Martins (1933 – 2018)
Morreu o ator e diretor Henrique Martins, que estava internado no hospital Samaritano, em São Paulo, após cair em casa e quebrar duas costelas. Ele faleceu neste domingo (26/8), aos 84 anos, por falência múltipla de órgãos. Nascido em Berlim, na Alemanha, com o nome de Heinz Schlesinger, ele tinha três anos de idade quando se mudou com a família para o Brasil. A longa carreira de mais de seis décadas de Martins é um recorte da história da TV brasileira, com passagens pelos canais Excelsior, Tupi, Globo, Band, Manchete, Record e SBT, e participações que se estendem de novelas clássicas a sucessos contemporâneos, como “O Sheik de Agadir” (1966), “A Sombra de Rebeca” (1967), “O Meu Pé de Laranja Lima” (1970), “Pão Pão, Beijo Beijo” (1983), “Ribeirão do Tempo” (2010) e o remake de “Carrossel” (2012). O ator estreou na TV no elenco de “Os Anjos Não Tem Cor”, novela exibida pela Tupi em 1953. Chegou a participar de um seriado de aventura aos moldes do Zorro, chamado “Falcão Negro” (1954), que ganhou até revista em quadrinhos. E, em 1964, foi para trás das câmeras, dirigindo sua primeira novela, “Quem Casa com Maria?” (1964). Martins permaneceu na Tupi até 1966, quando se transferiu para a Globo para exercer função dupla, na frente e atrás das câmeras, em “O Sheik de Agadir”, um dos primeiros fenômenos de audiência do canal. Ele dirigiu outras novelas famosas, como “O Direito de Nascer” (1964), “Anastácia, A Mulher Sem Destino” (1967), “Rosa-dos-Ventos” (1973), “A Barba Azul” (1974), “Um Sol Maior” (1977), “Roda de Fogo” (1978), “Os Imigrantes” (1982), “A História de Ana Raio e Zé Trovão” (1990), “Éramos Seis” (1994), “Fascinação” (1998), “Pequena Travessa” (2002), “Os Ricos Também Choram” (2005) e “Amigas e Rivais” (2007). A dedicação à TV resultou numa filmografia curta, de apenas quatro trabalhos no cinema, todos como ator: “O Sobrado” (1956), de Walter George Durst e Cassiano Gabus Mendes, futuros profissionais da Globo, a comédia “Casei-me com um Xavante”, de Alfredo Palácios (1957), o drama criminal “A Lei do Cão” (1967), de Jece Valadão, e a pornochanchada “Império das Taras” (1980), de José Adalto Cardoso. Seus últimos trabalhos foram como diretor da novela “Revelação”, exibida pelo SBT em 2008, e como ator em “Carrossel”, sucesso do mesmo canal, no papel do Sr. Lourenço em 2012, um viúvo de bom coração.
Neil Simon (1927 – 2018)
Um dos criadores mais importantes da História do teatro americano, Neil Simon morreu neste domingo (26/8), aos 91 anos. Com suas peças, o autor ajudou a redefinir o humor americano, enfatizando os problemas da vida urbana e os conflitos de intimidade familiar, fosse por meio do romance, do musical, da catástrofe ou do mais completo absurdo. Antes de se tornar um dramaturgo famoso, Simon se destacou como roteirista de televisão, escrevendo episódios de séries de comédias estreladas por grandes nomes do humor dos anos 1950, como Sid Caesar, Phil Silvers e Garry Moore. Esta experiência marcou seu estilo de humor, ao criar obras tão populares que eram chamadas de “máquinas de riso”, pois faziam o público gargalhar do começo ao fim da apresentação. Suas peças redefiniram as comédias da Broadway e reinaram absolutas em bilheteria entre os anos 1960 e 1970 — só em 1966, ele teve quatro montagens simultâneas nos principais teatros de Nova York. A maioria das peças foi levada para os cinemas. A primeira adaptação foi “O Bem Amado” (1963), estrelada por Frank Sinatra, seguida por “O Fino da Vigarice” (1966), com Peter Sellers. Mas ninguém imaginaria o sucesso que viria a partir de “Descalços no Parque” (1967), que marcou as carreiras de Robert Redford e Jane Fonda. Muito menos o impacto cultural causado pelo filme seguinte, “Um Estranho Casal” (1968), que transformou o nome de Neil Simon em estrela de Hollywood. A trama dos dois solteiros, vividos por Jack Lemmon e Walter Matthau, que decidem dividir um apartamento e se revelam neuróticos como um casal, virou um fenômeno. Acabou inspirando série de TV em 1970, que durou cinco temporadas bem-sucedidas, e até remake televisivo recente, com Matthew Perry e Thomas Lennon, entre 2015 e 2017. Jack Lemmon estrelou outro clássico absoluto inspirado em obra de Simon, “Forasteiros em Nova Iorque” (1970), sobre a viagem de um casal que se vê perdido em Nova York durante uma viagem repleta de contratempos. A trama inspirou incontáveis variações cinematográficas e ganhou remake em 1999, com Steve Martin e Goldie Hawn. Outras peças famosas de Simon levadas para o cinema incluem “Charity, Meu Amor” (1969), com Shirley MacLaine, “Hotel das Ilusões” (1971), estrelado por Matthau, “O Prisioneiro da Segunda Avenida” (1975), novamente com Lemmon, “Uma Dupla Desajustada” (1975), outra vez com Matthau, o cultuadíssimo “Assassinato por Morte” (1976), com Peter Sellers, Peter Falk e David Niven, e “A Garota do Adeus” (1977), que rendeu o Oscar de Melhor Ator para Richard Dreyfuss. Alguns diretores se tornaram especialistas em suas adaptações, como Arthur Hiller, Herbert Ross e Gene Saks. Mas, a partir dos anos 1980, nem eles conseguiam mais repetir o mesmo tipo de sucesso unânime conquistado pelos clássicos com as novas peças de Simon. Mesmo assim, as adaptações não pararam, testemunhando uma troca de guarda nas gerações do humor americano, com a entrada em cena de Steve Martin, Goldie Hawn, Chevy Chase, Matthew Broderick, e depois, nos anos 1990, de Alec Baldwin, Ben Stiller, Sarah Jessica Parker, Kelsey Grammer e Julia Louis-Dreyfus. Até Woody Allen estrelou uma adaptação de Simon, “Feitos Um para o Outro” (1996), e a saudosa dupla Jack Lemmon e Walter Matthau se reuniu pela última vez em “Meu Melhor Inimigo” (1998), continuação, 30 anos depois, do clássico de 1968. Sua última adaptação cinematográfica foi “Antes Só do que Mal Casado” (2007), remake de seu roteiro original para “Corações em Alta” (1972) com direção dos irmãos Farrelly (“Débi & Lóide”), cujo tipo de humor escatológico não poderia passar mais longe do estilo de Simon. Popular no passado, Simon acabou se distanciando dos gostos contemporâneos, o que também joga nova luz sobre suas comédias, altamente refinadas na comparação com os temas líquidos (mijo, sêmen, diarreia) do humor americano no século 21. Na introdução de uma antologia de suas peças, Simon citou uma frase do crítico Clive Barnes para refletir como sua contribuição artística seria avaliada pela posteridade: “Neil Simon está destinado a permanecer rico, bem-sucedido e subestimado”.
Craig Zadan (1949 – 2018)
Morreu Craig Zadan, produtor de “Chicago” (2002), filme vencedor do Oscar, que marcou sua carreira com a produção de musicais para o cinema e a televisão. Ele faleceu na noite de segunda-feira (21/8) em sua casa em Hollywood Hills, aos 69 anos, vítima de complicações decorrentes de uma recente cirurgia de substituição do ombro. “Estamos surpresos que o homem por trás de tantas produções incríveis de cinema, teatro e televisão – muitas delas musicais alegres – tenha sido levado tão de repente”, disse o presidente da NBC Entertainment, Bob Greenblatt. “A distinta carreira de Craig como produtor apaixonado e consumado é eclipsada apenas por seu amor genuíno pelos milhares de atores, diretores, escritores, músicos, designers e técnicos com os quais trabalhou ao longo dos anos. Sua ausência será sentida em nossos corações e em todo o nosso negócio.” Zadan iniciou sua carreira de produtor com o musical “Footloose: Ritmo Louco”, estrelado por Kevin Bacon em 1984, e logo no musical seguinte, “A um Passo da Fama’ (1989), estabeleceu sua longa e frutífera parceria com o futuro sócio Neil Meron. Os dois conquistaram um nicho de mercado no começo dos anos 1990 ao produzir telefilmes e minisséries de prestígio para a TV, desde dramas LGBTQIA+ como “Servindo em Silêncio” (1995), estrelado por Glenn Close, até a adaptação do musical “Gypsy” (1993), com Bette Midler, uma versão de “Cinderela” com Whitney Houston e telebiografias sobre a vida dos Beach Boys, Judy Garland, Lucille Ball e a parceria de Dean Martin e Jerry Lewis, entre outras. Depois do Oscar de “Chicago”, a dupla se estabeleceu como referência dos musicais modernos, produzindo “Hairspray: Em Busca da Fama” (2007), o remake de “Footloose” (2013) e até a primeira série sobre os bastidores da produção de um musical, “Smash” (2012–2013), que durou duas temporadas. Logo, foram convidados a produzir a cerimônia de entrega da Oscar, ficando à frente do evento da Academia por três anos, de 2013 a 2015. A dupla também produziu a bem-sucedida série de comédia “Drop Dead Diva” (2009–2014). Mas seu principal legado foi o revival das exibições de musicais ao vivo na rede NBC, tradição dos primórdios da TV, resgatada com pompa pela exibição de “A Noviça Rebelde Ao Vivo!”, em 2013. Vieram diversos outros especiais, inspirando até competição de canais rivais. O trabalho mais recente de Zadan, ao lado de seu velho parceiro, foi “Jesus Cristo Superstar ao Vivo”, que foi ao ar no Domingo de Páscoa nos EUA – e disputa 13 prêmios Emmy no mês que vem. Ele planejava levar a seguir uma montagem de “Hair” para a TV. Ao todo, as produções de Zadan e Meron venceram 6 Oscars, 5 Globos de Ouro, 17 Emmys, 2 Tonys, 2 Peabodys e 1 Grammy.
Barbara Harris (1935 – 2018)
A atriz Barbara Harris, pioneira do teatro do improviso e indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pela comédia “O Inimigo Oculto” (1971), morreu nesta terça-feira (21/8), aos 83 anos, após uma batalha contra o câncer de pulmão. Harris morava na cidade de Scotsdale, Arizona, e não aparecia nas telas desde 1997, quando atuou em “Matador em Conflito”, com John Cusack e Minnie Driver. Estrela da Broadway, ela venceu o Tony, o prêmio máximo do teatro americano, em 1967, pela peça “The Apple Tree”, após se destacar em esquetes de improviso, como integrante dos grupos pioneiros do gênero The Compass Players, co-fundado e dirigido por seu marido Paul Sills, e seu sucessor, The Second City, de onde saiu da geração original do programa “Saturday Night Live”. Não por acaso, ela começou sua carreira cinematográfica como protagonista de adaptações de comédias teatrais, casos dos três primeiros trabalhos de sua filmografia, “Mil Palhaços” (1965), “Coitadinho do Papai, Mamãe Pendurou Você no Armário e Eu Estou Muito Triste” (1967) e “Hotel das Ilusões” (1971). E logo em seguida desempenhou o papel que lhe rendeu reconhecimento em Hollywood, como uma mulher que pode ser responsável pelo surto de um cantor pop suicida, interpretado por Dustin Hoffmann na comédia dramática “O Inimigo Oculto”. Apesar de ser reconhecida por seu talento de comediante, Harris era uma artista completa e não cansava de surpreender com sua versalidade. Um desses momentos de aparente escalação inusitada acabou resultando numa obra-prima: o clássico “Nashville” (1975), de Robert Altman. No papel da cantora aspirante Albuquerque, a atriz tinha uma cena memorável na produção, na qual acalmava a plateia de um show após um tiroteio, tocando uma música – “It Don’t Worry Me”. Harris também estrelou o último filme da carreira do cineasta Alfred Hitchcock, “Trama Macabra” (1976), na pele de Blanche Tyler, uma vidente psíquica e namorada de Bruce Dern. Mas seu filme mais famoso foi uma produção da Disney, em que encarnou uma trama que é reciclada até hoje, em remakes oficiais e “inspirações” nacionais. Em “Um Dia Muito Louco” (1976), ela contracenou com a então adolescente Jodie Foster, encarnando a mãe que trocar de lugar – e corpo – com a filha, por um dia inteiro de magia cinematográfica. Ela continuou a fazer filmes memoráveis nos anos 1980, como “Peggy Sue, Seu Passado a Espera” (1986), de Francis Ford Coppola, e “Os Safados” (1988), ao lado de Steve Martin e Michael Caine. Mas logo após este filme, saiu de cena, voltando apenas para se despedir, nove anos depois, com uma pequena participação em “Matador em Conflito”. Há poucos anos, Harris esclareceu os motivos de seu sumiço. “Eu costumava tentar fazer pelo menos um filme por ano, mas sempre escolhia aqueles que achava que iam fracassar, porque não queria lidar com a fama”, comentou, em entrevista ao jornal Phoenix New Times. Mesmo avessa à fama, ela acabou encontrando muito sucesso. A atriz passou os seus últimos anos ensinando atuação em Scotsdale. “Eu não sinto falta de atuar”, disse. “Eu acho que a única coisa que me fazia querer atuar era o grupo de pessoas com quem trabalhei no começo da minha carreira”, contou, referindo-se ao teatro de improviso. “Eu gostava mais do ensaio do que das filmagens. Eu amava o processo, e ressentia ter que apresentar uma performance para o público. Não era interessante”.
Aretha Franklin (1942 – 2018)
A cantora Aretha Franklin, considerada a Rainha do Soul, morreu nesta quinta (16/8) aos 76 anos, após uma longa luta contra um câncer de pâncreas. Ela tinha sido diagnosticada em 2010, mas só anunciou a aposentadoria em 2017, após lançar um último disco. Eleita a “maior cantora de todos os tempos” pela revista Rolling Stone e capa da revista Time em 1968, ela foi a primeira mulher a entrar para o Rock & Roll Hall of Fame e suas inúmeras conquistas incluem 18 Grammys, mais de 75 milhões de discos vendidos e convites para cantar na posse de três presidentes americanos — incluindo Barack Obama, em 2009 – e no funeral de Martin Luther King Jr. – aos 18 anos de idade. Algumas de suas músicas se tornaram hinos, como “Respect”, uma canção machista de Otis Redding que ela virou do avesso e transformou em marco da luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Sua longa carreira foi praticamente toda dedicada à música, mas ela também brincou de atuar em quatro ocasiões, embora tenha sido convidada para os papéis principalmente para cantar. Aretha fez duas aparições em séries televisivas. A primeira foi num episódio de “Room 222” em 1972. A série criada por James L. Brooks (um dos criadores de “Os Simpsons”) durou cinco temporadas e acompanhava os esforços de um professor negro para ensinar tolerância a estudantes do colegial. A cantora apareceu cantando gospel num episódio sobre valores cristãos, evocando o começo de sua trajetória, quando fazia parte do coral da igreja batista onde seu pai era pastor. Seu primeiro disco, gravado quando em 1956 quando ela tinha 14 anos, era todo de músicas gospel. Ela também fez uma aparição como si mesma num episódio de 1991 de “Murphy Brown”, contracenando com a personagem-título, interpretada por Candice Bergen. Apropriadamente intitulado “The Queen of Soul”, o capítulo trazia a cantora cantando seu hit “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman”, ao piano – uma performance que a entusiasmada Murphy Brown quase estraga, ao querer cantar junto, apenas para ser trazida para a realidade pela díva. Mas seus desempenhos mais famosos como atriz aconteceram no cinema, onde atuou em “Os Irmãos Cara-de-Pau” (1980) e sua continuação, “Os Irmãos Cara-de-Pau 2000” (1998), como a Sra. Murphy, esposa de Matt “Guitar” Murphy, lendário guitarrista de blues. Em ambas as participações, ela dá uma dura no marido, quando ele é convocado para voltar a tocar em sua antiga banda e abandona mulher, emprego e toda a vida que construiu pelo prazer de pegar a estrada em turnê com os Blue Brothers. A briga servia de mera desculpa para Aretha cantar dois de seus melhores clássicos, “Think” e “Respect”. Claro que essas não foram suas únicas contribuições ao cinema e a TV. O site IMDb lista nada menos que 223 usos de suas músicas nas trilhas de produções de Hollywood. Ela também apareceu em mais de 250 documentários e programas televisivos. Além disso, compôs a trilha do filme “Sparkle” (1976) com Curtis Mayfield. E agora vai virar filme, interpretada por Jennifer Hudson (vencedora do Oscar por “Dreamgirls”), atriz e cantora escolhida por ela própria para lhe dar vida no cinema. Relembre abaixo as três vezes em que Aretha apareceu nas telas.
Ronnie Taylor (1924 – 2018)
Morreu Ronnie Taylor, veterano diretor de fotografia britânico que venceu o Oscar por “Gandhi” (1982). Ele tinha 93 anos e faleceu em sua casa na ilha de Ibiza, na Espanha, na sexta passada (3/8), após sofrer um AVC. O anúncio do falecimento só foi feito hoje pela Sociedade Britânica de Diretores de Fotografia. Taylor começou sua carreira como operador de câmera, trabalhando em clássicos como “Os Inocentes” (1961), “Barry Lyndon” (1975) e até no primeiro “Guerra nas Estrelas” (1977). E foi assim também que iniciou seu relacionamento profissional com o cineasta Richard Attenborough. Ator famoso do cinema britânico (até hoje lembrado como o Professor Hammond de “Jurassic Park”), Attenborough virou diretor com “Oh! Que Bela Guerra!” (1969) e “As Garras do Leão” (1972), e quando se viu em apuros devido a uma emergência na produção de “Gandhi”, lembrou-se do cameraman desses filmes e chamou Ronnie Taylor para fazer História. Ainda novato na função, o currículo de Ronnie Taylor como diretor de fotografia tinha apenas quatro filmes – entre eles o musical “Tommy” (1977) – , quando se viu convocado por Attenborough para salvar as filmagens de “Gandhi”. É que o cinematógrafo original, Billy Williams (de “Num Lago Dourado”), tinha sofrido uma fratura na coluna e precisou se afastar das filmagens. A superprodução caríssima correu risco de interrupção. Mas Attenborough encontrou um aliado precioso em Taylor, que aceitou o desafio e já na sua primeira cena imprimiu o tom grandioso que transformou a cinebiografia num épico. Seu primeiro dia de trabalho foi justamente a recriação do funeral de Gandhi, que usou mais de 300 mil figurantes, um recorde de atores até hoje inigualado, de acordo com o Livro Guinness dos Recordes. Billy Williams acabou voltando posteriormente para a produção, mas Attenborough considerou que ambos tiveram contribuições importantes para as filmagens e decidiu que eles compartilhariam os créditos da direção fotográfica. Acabaram compartilhando também o Oscar de Melhor Fotografia. “Gandhi” também venceu os Oscars de Melhor Filme, Diretor, Ator (Ben Kingsley), Roteiro, Direção de Arte, Figurino e Edição. Depois de vencer o Oscar, Taylor voltou a trabalhar com Attenborough em “Chorus Line: Em Busca da Fama” (1985) e “Um Grito de Liberdade” (1987). Também firmou nova parceria, ao filmar “Terror na Ópera” (1987), “Um Vulto na Escuridão” (1998) e “Insônia” (2001) para o mestre do terror italiano Dario Argento. Outros trabalhos notáveis de sua filmografia ainda incluem “O Cão dos Baskervilles” (1983), aventura de Sherlock Holmes, “Vítimas de uma Paixão” (1989), com Al Pacino, e o drama “O Ladrão do Arco-Íris” (1990), de Alejandro Jodorowsky.
Causa da morte de Margot Kidder foi suicídio por overdose
A morte da atriz Margot Kidder, intérprete de Lois Lane em quatro filmes de Superman (entre 1978 e 1987), foi confirmada oficialmente como suicídio. A filha da atriz, Maggie McGuane, revelou à agência Associated Press que já sabia a causa da morte no dia do falecimento e se sente aliviada por a informação vir a público, considerando que é importante discutir o assunto. “É um grande alívio que a verdade seja conhecida”, disse McGuane. “É importante ser aberto e honesto, e não ter vergonha ao lidar com isso.” Kidder foi encontrada morta em sua casa em Montana em 13 de maio. Na época, a causa da morte não foi revelada, mas a empresária da atriz, Camilla Fluxman Pines, disse que ela morreu pacificamente durante o sono. Na verdade, ela sofreu um overdose de drogas e álcool, segundo o relatório do médico legista Richard Wood. O boletim médico afirma que nenhum outro detalhe seria divulgado. A atriz de 69 anos tinha sido diagnosticada com distúrbio bipolar em 1996, e chegou a sofrer um acidente de carro que a deixou paralisada por dois anos. Sua longa carreira começou no final dos anos 1960, em diversas aparições em séries. Mas seu talento só ficou claro após o papel duplo de “Irmãs Diabólicas” (1972), primeiro suspense da carreira do diretor Brian De Palma, em que Kidder se alternou entre duas personagens, a gêmea boazinha e a gêmea psicopata. A repercussão do filme a transformou numa espécie de “scream queen” e a levou a outros lançamentos cultuados do terror, como o slasher “Noite do Terror” (1974), de Bob Clark, e o primeiro “Horror em Amityville” (1979), de Stuart Rosenberg. E esta poderia ter sido a tendência de sua filmografia, caso não tivesse sido “salva” por um super-herói voador. Ao ser escalada para formar par com Christopher Reeve em “Superman: O filme” (1978), Margot Kidder reivindicou um lugar de destaque na cultura pop. Ela não foi apenas a protagonista feminina de um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos. Ela foi destaque num elenco que tinha Marlon Brando e Gene Hackman roubando cenas. Sua atuação introduziu elementos cômicos ao papel da repórter determinada, além de dar a Lois um viés feminista, conforme ela tenta superar Clark Kent para virar a primeira jornalista a entrevistar Superman. Ao mesmo tempo, a química entre os dois personagens também aproximou a adaptação dos quadrinhos das tramas clássicas das comédias românticas, em que rivais se atraem. E, para completar, também comoveu com um arco dramático, a ponto de inspirar até música de Gilberto Gil: “Super-Homem – A Canção”, centrada no amor do herói por sua musa, tão forte que era capaz de “mudar o curso da História por causa da mulher”, numa alusão à trama. O papel de Lois Lane atingiu ainda maior desenvolvimento em “Superman II – A Aventura Continua” (1980), que foi além do que os quadrinhos ousavam mostrar na época, sugerindo sexo entre a repórter do Planeta Diário e Clark Kent/Superman. A atriz viveu Lois em mais dois filmes, até “Superman IV: Em Busca da Paz” (1987), mas eles não repetiram nem a qualidade nem o sucesso dos primeiros lançamentos. Ao mesmo tempo, sua opção por investir em comédias acabou estagnando sua carreira por falta de sucessos – mesmo contracenando com ases do humor, como Richard Pryor (“Apuros e Trapalhadas de um Herói”) e Ted Danson (“Pequeno Tesouro”). De forma inesperada para todos que a assistiram levantar voo no cinema, Kidder desapareceu no final dos anos 1980. Havia boatos de que ela se tornara uma atriz difícil de lidar. Mas a verdade é que seu comportamento resultava de uma luta, até então perdida, contra um transtorno bipolar. A situação se tornou pública de forma sensacionalista, quando ela foi descoberta morando nas ruas, como uma sem-teto, em 1996. O incidente teve uma repercussão enorme e ajudou Kidder a recuperar algo parecido com uma carreira, com participações em séries em filmes. Ela apareceu até em “Smallville”, série sobre a juventude do Superman, como homenagem dos produtores em 2004, e tornou-se porta-voz da causa das pessoas que sofrem de transtornos mentais. Seu último trabalho foi o filme B “The Neighborhood”, lançado em 2017.
Charlotte Rae (1926 – 2018)
A atriz Charlotte Rae, conhecida por seu papel como a Sra. Garrett nas séries “Arnold” (Diff’rent Strokes) e seu spin-off “Vivendo e Aprendendo” (The Facts of Life), morreu aos 92 anos de idade. Rae foi diagnosticada com câncer de pâncreas há sete anos e, em abril de 2017, ela revelou que também tinha câncer nos ossos. A longa carreira televisiva de Charlotte Rae deslanchou quando ela foi escalada para um papel recorrente na série “Car 54, Where Are You?” em 1962. Mas ela acabaria se especializando em produções infanto-juvenis ao participar de “Vila Sésamo” por dois anos como a carteira Molly. Também apareceu em “A Família Dó-Ré-Mi” e “Tudo em Família”, antes de ser escalada em seu primeiro papel de protagonista, na comédia de curta duração “Hot L Baltimore”. Em 1978, Rae foi escalada como governanta Edna Garrett na série “Arnold”, série sobre uma família branca que adotava um menino negro (vivido por Gary Coleman), e o papel acabou definindo sua carreira. Fez tanto sucesso que ganhou seu próprio spin-off, “Vivendo e Aprendendo” em 1979, no qual a Sra. Garrett virava a “mãe da casa” em um internato de meninas – era responsável por fazer meninas da casa cumprirem as regras da escola, mas também por aconselhar e cuidar das jovens. Pelo papel, ela ganhou uma indicação ao Emmy de Melhor Atriz em Série de Comédia em 1982. Rae saiu de “Vivendo e Aprendendo” após a 7ª temporada, quando sua personagem arranjou um novo emprego e Cloris Leachman entrou em seu lugar, como a irmã de Sra. Garrett, Beverly Ann, nos dois últimos anos da produção. Mas Rae reprisou seu papel como a Sra. Garrett no telefilme de reunião da série, exibido em 2001. Uma década depois, o elenco voltaria a se juntar na premiação do TV Land Awards de 2011. A atriz continuou a trabalhar na TV até 2014, aparecendo em diversas séries famosas, de “Plantão Médico” (E.R.) a “Maldosas” (Pretty Little Liars). Seu último trabalho foi num episódio de de “Garota Conhece o Mundo” (Girl Meets World).
Elmarie Wendel (1939 – 2018)
Morreu a atriz Elmarie Wendel, que ficou conhecida pelo papel da Sra. Mamie Dubcek na sitcom “3rd Rock from the Sun”. Ela morreu aos 89 anos de idade, de causa não conhecida. A atriz focou sua carreira principalmente no teatro, mas uma turnê com o elenco do musical “Annie” a levou até Los Angeles no começo da década de 1980, onde começou a fazer televisão. Suas primeiras participações foram em séries que marcaram aquela década, como “A Supermáquina”, “Os Jeffersons” e “Vivendo e Aprendendo” (The Facts of Life). Mas foi nos anos 1990 que suas participações esticaram, aparecendo em dois episódios de “Seinfeld” e emplacando o papel da excêntrica Sra. Dubcek em “3rd Rock from the Sun”, série também conhecida no Brasil como “Uma Família de Outro Mundo”. Ela participou das seis temporadas da série, exibida entre 1996 e 2001, como a proprietária do imóvel alugado pela família Soloman, alienígenas disfarçados que vieram à Terra aprender seus hábitos. O elenco histórico da divertida atração também incluía John Lithgow, Jane Curtin e o então adolescente Joseph Gordon-Levitt. Após o fim da série, Elmarie ainda teve destaque nas séries “Nova Iorque Contra o Crime” (NYPD Blue), onde apareceu por quatro capítulos, e “George Lopez”, na qual teve papel recorrente, de 2003 a 2007. Seus últimos trabalhos foram como dubladora, no longo animado “O Lorax, em Busca da Trúfula Perdida”, de 2013, e no game “Fallout 4”, de 2015.












