Francis Lai (1932 – 2018)
Morreu o célebre compositor Francis Lai, autor de várias trilhas de cinema, entre elas a de “Love Story”, que lhe rendeu um Oscar em 1971. Ele tinha 86 anos e faleceu na quarta (7/11) na cidade francesa de Nice, de causa desconhecida. Nascido em Nice, Francis Lai foi para Paris com pouco mais de 20 anos para tocar acordeon e integrar a vibrante cena musical do bairro de Montmartre. Em 1965, conheceu o jovem cineasta Claude Lelouch, que o convidou a desenvolver a trilha do filme “Um Homem, uma Mulher”, lançado no ano seguinte. O resultado da primeira trilha de Lai se tornou um marco do cinema. Com seu corinho “da-ba-da-ba-da”, a música-tema virou fenômeno internacional — e uma das gravações mais parodiadas de sua época. A trilha foi indicada ao Globo de Ouro, assim como a parceria seguinte de Lai e Lelouch, “Viver por Viver” (1967). Foi o começo de uma relação duradoura e bem-sucedida entre o cineasta e o compositor, que resultou numa profusão de trilhas que acompanharam a filmografia quase completa de Lelouch. “Francis Lai era o homem da minha vida, um anjo disfarçado de acordeonista”, disse na quarta Lelouch, em entrevista à rádio RTL. “Fizemos 35 filmes juntos e tivemos uma história de amor que durou 50 anos”. O alcance da trilha de “Um Homem, uma Mulher” também abriu as portas de Hollywood para o compositor francês, que no ano seguinte musicou seu primeiro filme falado em inglês, a comédia “Toureiro sem Sorte” (1967), com Peter Sellers e Britt Ekland. Seguiram-se mais comédias, filmes de guerra, suspenses e em pouco tempo Lai passou a dominar o mercado, assinando trilhas de nada menos que dez filmes apenas no ano de 1970 – entre eles, os clássicos “Passageiro da Chuva”, de René Clement, e “Love Story”, de Arthur Hiller, que o consagrou de vez. Ele seguiu em ritmo alucinado durante a década de 1970, bisando suas parcerias com Lelouch, Clement, mas também expandido sua conta bancária até com filmes eróticos, como “Emmanuelle 2” (1975) e o controvertido “Bilitis” (1977) – que ironicamente lhe rendeu a primeira de suas quatro indicações ao César (o Oscar francês). As parcerias com Lelouch foram pontos altos de sua filmografia nas décadas seguintes, rendendo clássicos como “Retratos da Vida” (1981), a continuação “Um Homem, uma Mulher: 20 Anos Depois” (1986), “Itinerário de um Aventureiro” (1988) e “Os Miseráveis” (1995), entre outros, mas também merece destaque o excelente “Olhos Negros (1987), de Nikita Mikhalkov. Ao morrer, Lai trabalhava na trilha de “Les Plus Belles Années”, a derradeira colaboração com seu primeiro e último parceiro de cinema, que Lelouch pretende lançar em 2019. Relembre abaixo alguns dos primeiros e mais famosos trabalhos do compositor.
Netflix mata e enterra Francis Underwood num cemitério da Carolina do Sul, nos EUA
Francis Underwood está morto e enterrado, literalmente. Em uma ação para promover a última temporada da série “House of Cards”, a Netflix colocou uma lápide com o nome de Underwood num cemitério da cidade de Gaffney, na Carolina do Sul (EUA), terra natal do personagem. A lápide se encontra nos arredores do Oakland Cemetery, e fãs podem visitá-la e tirar fotos. O centro de turismo de Gaffney, animado com a ação, pediu para os fãs enviarem suas fotos para um e-mail (events@getintogaffney.com) a fim de serem compartilhadas com a equipe da Netflix. Não foi esclarecido o que a plataforma vai fazer com as imagens. O local ficará aberto para o público até o sábado (10/11). Quando a morte de Underwood foi anunciada, antes do lançamento da 6ª temporada de “House of Cards”, o principal jornal de Gaffney publicou até um obituário do “presidente”, descrito como “um patriota que não deixou nada impedi-lo de servir seu país”. A morte de Underwood foi revelada em um teaser lançado meses antes dos episódios da temporada. Esta foi a solução encontrada pelos roteiristas para explicar o sumiço do personagem após a demissão do ator Kevin Spacey, que o interpretava. Spacey foi denunciado por diversas pessoas por assédio e abuso sexual, entre elas funcionários da equipe da própria série.
Raymond Chow (1927 – 2018)
Morreu Raymond Chow, considerado o “padrinho” do cinema de ação de Hong Kong e que lançou as carreiras internacionais de Bruce Lee e Jackie Chan. O produtor, nascido em Hong Kong em 1927, tinha 91 anos e produziu mais de 170 filmes ao longo de sua carreira. Co-fundador dos estúdios Golden Harvest, em 1971, Chow obteve seu primeiro sucesso mundial com o lançamento de “O Dragão Chinês” (1971). O filme impulsionou a carreira do mestre das artes marciais Bruce Lee como ator de cinema e ainda lhe rendeu o apelido do título. O produtor também foi responsável pelos dois filmes seguintes de Bruce Lee, que estão entre seus trabalhos mais conhecidos: “O Voo do Dragão” (1972) e “Operação Dragão” (1973), além do póstumo “Jogo da Morte” (1978). “Obrigado Raymond por ter dado uma oportunidade ao jovem Bruce Lee e por tê-lo ajudado a realizar seu sonho. Descanse em paz, Raymond”, tuitou a filha do ator, Shannon Lee. Raymond Chow também teve papel importante na carreira do diretor John Woo, gênio do cinema de ação, lançando seus primeiros longa-metragens, como “Chacina em Pequim” (1974) e “O Domador de Dragões” (1975), além de ter impulsionado o sucesso de Jackie Chan, com quem trabalhou nos filmes “O Jovem Mestre do Kung Fu” (1980), “O Grande Lutador” (1980), “Projeto China” (1983), “Police Story” (1985), entre outros. O sucesso internacional de seus filmes acabou levando-o a Hollywood, onde firmou parcerias importantes e realizou filmes de sucesso com atores americanos, como o cultuadíssimo filme de guerra “Os Rapazes da Companhia C” (1978), de Sidney J. Furie, a comédia “Quem Não Corre, Voa” (1981), que juntou Burt Reynolds, Roger Moore e Jackie Chan, a franquia dos anos 1990 “As Tartarugas Ninjas” e até “Assassinato Sob Duas Bandeiras” (1990), dirigido pelo brasileiro Bruno Barreto. Ele continuou filmando sucessos de Jackie Chan até “Espião por Acidente” (2001), antes de se aposentar no mesmo ano. Mas seu nome estava relacionado ao remake de “Quem Não Corre, Voa”, atualmente em desenvolvimento, com direção de Doug Liman (“No Limite do Amanhã”). Em 2008, ele recebeu um prêmio pelas realizações da carreira numa homenagem da Academia do Cinema de Hong Kong, e três anos depois ganhou a mesma honra da Academia do Cinema Asiático.
Pedro Carlos Rovai (1938 – 2018)
O cineasta Pedro Carlos Rovai morreu na madrugada de quinta-feira (1/11), no Rio, em consequência de complicações de um câncer. Ele tinha 80 anos e uma longa carreira como produtor e diretor de filmes brasileiros. Seu nome está ligado tanto à explosão da pornochanchada quanto ao surgimento das franquias infantis no cinema nacional, além ter sido pioneiro da atual fase de comédias românticas comerciais e ter produzido grandes sucessos teatrais. Natural de Ourinhos, no interior de São Paulo, Rovai praticamente inventou o gênero conhecido como pornochanchada ao dirigir, escrever e produzir “Adultério à Brasileira” em 1969. O filme era, na verdade, uma antologia à italiana, juntando três histórias cômicas com teor sexual, como vinha sendo feito com sucesso no cinema italiano da época. A produção inspirou novas antologias sensuais, como “Lua-de-Mel e Amendoim” (1971) e “Os Mansos” (1972), que contaram com segmentos realizado por Rovai, e demonstrou a viabilidade das comédias sexuais no país. O próprio Rovai assinou um dos maiores sucessos do gênero, “Ainda Agarro esta Vizinha” (1974), inspirado em texto de Oduvaldo Vianna Filho (criador de “A Grande Família”) e estrelado por Adriana Prieto (dos clássicos “Os Paqueras” e “Lúcia McCartney, Uma Garota de Programa”), que ele também dirigiu em “A Viúva Virgem” (1972). Visto por mais de 4 milhões de pessoas, “Ainda Agarro esta Vizinha” se tornou uma das maiores bilheterias da época, mostrando o microcosmo de um prédio de Copacabana, habitado pela vizinha gostosa, um redator publicitário, um mágico sem talento e um porteiro gay, entre outros. A partir do sucesso desse filme, ele passou a se dedicar à carreira de produtor, tornando-se um dos mais prolíficos da pornochanchada e se destacando pela variedade de temas, da comédia explícita, como “Eu Dou o que Ela Gosta” (1975), do especialista Braz Chediak, ao thriller “Ariella” (1980), adaptação do romance de Cassandra Rios. Suas produções atingiram refinamento que transcenderam o rótulo de pornochanchada, resultado em clássicos como “Bonitinha, mas Ordinária” (1981), adaptação de Nelson Rodrigues com Lucélia Santos e direção de Chediak. Ele tentou acompanhar as mudanças de rumo do mercado, dirigindo o musical “Amante Latino” (1979), estrelado pelo cantor Sidney Magal, mas após a produção de “Beijo na Boca” (1982), com Claudia Ohana e direção de Paulo Sérgio de Almeida, seu ímpeto foi tolhido pela estagnação comercial do cinema brasileiro. Mas isso não o tirou de cena, apenas mudou seu cenário. Ele trocou as câmeras pelos palcos de teatro, ao produzir mais de 12 peças, como “A Gaiola das Loucas”, com Vera Gimenez, e “Piaf”, com Bibi Ferreira, a maior parte delas nos anos 1980. Rovai só foi voltar ao cinema após a chamada Retomada, e visando público completamente diferente daquele que o consagrou. Em 2000, ele produziu “Tainá – Uma Aventura na Amazônia”, sobre as aventuras infantis de uma indiazinha amazônica. E novamente encontrou sucesso, tanto que o título virou uma trilogia, com os lançamentos de “Tainá 2 – A Aventura Continua” (2005) e “Tainá – A Origem” (2013), inaugurando o filão das franquias infantis bem antes dos filmes derivados da novelinha “Carrossel”. O passo seguinte foi voltar à direção, com “As Tranças de Maria” (2003), baseado em conto-poema de Cora Coralina, mas, embora premiado em festivais do Nordeste, a falta de sucesso comercial desestimulou Rovai a continuar filmando. Foi seu último trabalho como diretor. Mas ele ainda seguiu investindo com êxito na produção, realizando os dois filmes da franquia “Qualquer Gato Vira-Lata”, estrelados por Cleo Pires. O primeiro, de 2012, pegou o começo da explosão das comédias românticas, mostrando que Rovai continuava antenado às tendências do mercado. Para completar, também produziu a obra-prima “O Outro Lado do Paraíso” (2015), drama premiado de André Ristum sobre a construção de Brasília, estrelado por Eduardo Moscóvis, que acumulou troféus nos festivais de Gramado, Brasília e no exterior. Pedro Carlos Rovai continuava em plena atividade e absolutamente relevante aos 80 anos.
James Karen (1923 – 2018)
Morreu o ator americano James Karen, lembrado por papéis marcantes em dois clássicos dos anos 1980, “Poltergeist: O Fenômeno” (1982) e “A Volta dos Mortos-Vivos” (1985). Ele faleceu na terça-feira (24/10) em sua casa, em Los Angeles, aos 94 anos de idade. Com uma carreira que se estendeu por sete décadas, Karen iniciou sua trajetória numa adaptação televisiva de “Um Conto de Natal”, em 1948. Trabalhou em inúmeras séries e alguns filmes trash, como “Frankenstein Contra o Monstro Espacial” (1965) e “Hércules em Nova York” (1970), estreia de Arnold Schwarzenegger no cinema americano, antes de começar a figurar em filmes mais famosos, que mudaram a direção de sua filmografia. Ele viveu um advogado suspeito no clássico político “Todos os Homens do Presidente” (1976), de Alan J. Pakula, o vive-presidente dos Estados Unidos na sci-fi “Capricórnio Um” (1977), de Peter Hyams, e um funcionário de hotel em “Noite de Estréia (1977), marco do cinema indie dirigido por John Cassavetes. A partir daí, passou a aparecer em filmes cada vez mais prestigiosos, como “Sindrome da China” (1979), “Nasce um Cantor” (1980) e “Frances” (1982). Até o papel de “Poltergeist” lhe dar mais falas e introduzi-lo ao público do cinema de terror, que o abraçou com garras e dentes. No clássico oficialmente dirigido por Tobe Hooper (e extraoficialmente pelo produtor e roteirista do filme, Steven Spielberg), ele viveu Lewis Teague, patrão do personagem de Craig T. Nelson e responsável pelo empreendimento imobiliário que usou o terreno de um antigo cemitério indígena para criar um novo bairro suburbano. Karen ficou ainda mais conhecido ao interpretar um dos papéis principais de “A Volta dos Mortos-Vivos”. No cultuadíssimo terrir de Dan O’Bannon, ele viveu Frank, gerente de uma funerária que inadvertidamente solta zumbis de contêineres esquecidos pelo exército, após o surto “verídico” documentado no filme “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968). A morte do personagem na trama não impediu que o ator acabasse voltando em novo papel na continuação, “A Volta dos Mortos-Vivos 2” (1988). Outros destaque do seu currículo incluem uma parceria de três filmes com o diretor Oliver Stone, como o chefe de Charlie Sheen em “Wall Street – Poder e Cobiça” (1987), o Secretário de Estado William Rogers em “Nixon” (1995) e um executivo do time de futebol americano Miami Sharks em “Um Domingo Qualquer” (1999). Ele também bisou a parceria com Tobe Hooper na sci-fi “Invasores de Marte” (1986), além de ter participado de “Íntimo & Pessoal” (1996), de Jon Avnet, “O Aprendiz” (1998), de Bryan Singer, “Cidade dos Sonhos” (2001), de David Lynch, “À Procura da Felicidade” (2006), de Gabriele Muccino, e ter sido dirigido por Mark Ruffalo em “O Enviado” (2009). Ainda na ativa, Karen filmou neste ano o terror “Cynthia”, lançado em agosto nos Estados Unidos, e estava escalado como dublador da vindoura série animada “Sticky Fingers”.
Danny Leiner (1961 – 2018)
O cineasta Danny Leiner, diretor de comédias cultuadas como “Cara, Cadê Meu Carro” (2000) e “Madrugada Muito Louca” (2004), morreu na quinta (18/10) aos 57 anos, após lutar contra uma longa doença não revelada. Leiner dirigiu seu primeiro filme em 1996, a comédia “Layin ‘Low”, estrelada por Jeremy Piven e Edie Falco. Demorou para fazer seu segundo longa, mas o besteirol “Cara, Cadê Meu Carro?” atingiu sucesso inesperado, reunindo Ashton Kutcher, Seann William Scott e Jennifer Garner no começo de suas carreiras. Isso não foi nada perto de “Madrugada Muito Louca”, que ganhou duas sequências e projetou a carreira de seus astros, John Cho e Karl Penn. Suas duas comédias seguintes não tiveram a mesma repercussão, “People – Histórias de Nova York” (2005) e “Gary, Um Treinador Muito Louco” (2009), o que encurtou uma carreira promissora no gênero. Ele compensou a falta de projetos cinematográficas dirigindo inúmeros episódios de programas de TV, incluindo “The Sopranos”, “The Office”, “Gilmore Girls”, “Felicity”, “How to Make It in America” e “Arrested Development”, entre outros. Também fez vários vídeos publicitários. E tocava guitarra numa banda, The Flying Guacamoles. John Cho e Kal Penn lamentaram a morte do diretor no Twitter. “Estou tão triste em saber sobre a morte de Danny Leiner, que se tornou meu amigo quando dirigiu ‘Madrugada Muito Louca’. Danny era tão afiado, tão divertido e uma grande companhia para jantar”, lembrou Cho. “Ele era uma pessoa divertida, pensativa e encorajadora”, acrescentou Penn.
Engenheiro de som premiado morre em acidente no set do novo filme de Tom Hanks
O engenheiro de som Jim Emswiller que trabalhava nas filmagens do novo longa de Tom Hanks, sobre o apresentador infantil Mr. Rogers, morreu depois de cair de um terraço no set. O acidente aconteceu na noite de quinta-feira (11/10), nos arredores de Pittsburgh, nos EUA. Segundo testemunhas afirmaram à polícia, Emswiller tinha aproveitado uma pausa nas filmagens para fumar um cigarro no local da queda. As autoridades acreditam que a vítima tenha tido algum mal-estar antes de cair. Cigarro realmente mata. O engenheiro de som chegou a ser socorrido pelos colegas de equipe, mas morreu cerca de uma hora depois do acidente, já no hospital, afirma a polícia local. Tom Hanks, que interpretará o ícone da TV americana Fred Rodgers no filme ainda sem título, deixou o set depois do acidente e as filmagens foram temporariamente suspensas. A Sony Pictures, cuja divisão TriStar está produzindo o longa, pronunciou-se em um comunicado: “Esta é uma tragédia devastadora e o estúdio está investigando o assunto. Nossos pensamentos e orações estão com os entes queridos, amigos e colegas de Jim”. Vencedor do Emmy em 2015 pelo filme “Bessie”, da HBO, James Emswiller tinha 61 anos e também atuou no departamento de som de filmes como “Vingadores”, “Jack Reacher” e “A Culpa é das Estrelas”.
Laudo confirma suicídio como causa da morte do intérprete de Mini-Me de Austin Powers
Quase seis meses após a morte do ator Verne Troyer, conhecido pelo papel de Mini-Me nos filmes de “Austin Powers”, o laudo emitido pelas autoridades médicas de Los Angeles nesta quarta-feira (10/9) confirmou a causa da morte como suicídio. Segundo o documento, o falecimento teve relações com sequelas causadas por intoxicação alcoólica. Troyer já havia passado por vários tratamentos e internações para a dependência de álcool e, na época da morte, a família chegou a divulgar um comunicado alertando sobre os perigos da depressão. “É com grande tristeza e muito peso no coração que escrevemos que Verne morreu hoje, […] Depressão e suicídio são problemas muito sérios. Você nunca sabe que tipo de batalha alguém está passando por dentro. Seja gentil um com o o outro. E sempre saiba, nunca é tarde demais para procurar ajuda de alguém”, dizia o comunicado da família. Sua estreia no cinema foi como o personagem-título do terror trash “Pinóquio – O Perverso” (1996). Depois disso, fez pequenas figurações em vários blockbusters, como “MIB: Homens de Preto” (1997) e “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (2001), mas sempre fantasiado de criatura. Por isso, nenhum papel lhe trouxe reconhecimento similar ao do Mini-Me introduzido em “Austin Powers: O Agente ‘Bond’ Cama” (1999). Depois de reprisar o papel em “Austin Powers em o Homem do Membro de Ouro” (2002), ele voltou a viver Mini-Me em clipes de cantores famosos como Ludacris (“Number One Spot/The Potion”) e Madonna (“Beautiful Stranger”), transformando o personagem num ícone pop. Troyer chegou a voltar a trabalhar com Mike Myers, o intérprete de Austin Powers, em “O Guru do Amor”. Mas a comédia foi um fracasso tão grande que implodiu a carreira dos dois. Depois disso, sua participação mais relevante aconteceu no reality britânico “Celebriry Big Brother”, em 2009. A dificuldade de encontrar novos papéis, que não incluíssem uma fantasia de criatura, acabou arrastando-o para a bebida. Verne Troyer lutou contra o alcoolismo durante anos e foi diversas vezes internado em clínicas de reabilitação. Uma semana antes de morrer, ele havia sido internado após chamado da emergência médica até sua casa, em Los Angeles. Segundo o site norte-americano TMZ, o boletim de ocorrência policial descreve que ele estava “bêbado e com comportamento suicida”, e que foi tratado por intoxicação alcoólica.
Scott Wilson (1942 – 2018)
Morreu o ator Scott Wilson, que interpretou o personagem Hershel Greene na série “The Walking Dead”. Ele tinha leucemia e faleceu em sua residência no sábado (6/10), em Los Angeles, aos 76 anos. Embora seja mais lembrado pela série de zumbis, Wilson teve uma longa carreira cinematográfica, iniciada em 1967 como coadjuvante no clássico “No Calor da Noite” (1967), que venceu o Oscar de Melhor Filme. E já em segundo trabalho se tornou protagonista, interpretando o assassino Dick Hickock em “A Sangue Frio” (1967), adaptação da famosa obra de Truman Capote, baseada em fatos reais. O diretor Richard Brooks apostou no desconhecido jovem ator de 24 anos porque ele era fisicamente semelhante com Hickock. “Todos os atores de Hollywood queriam esses papéis, incluindo [Paul] Newman e [Steve] McQueen”, Wilson recordou em uma entrevista em 1996 ao Los Angeles Times. “Brooks contratou dois ‘desconhecidos’ [o outro foi Robert Blake, o futuro ‘Baretta’], e ele queria que fossem ‘assassinos’ que ele, de alguma forma, encontrou.” Brooks montou uma exibição privada para Wilson e Blake depois que as filmagens foram concluídas, e “depois de ver o filme, eu fui ao banheiro e vomitei”, ele disse em uma entrevista de 2017. “Percebi o que acabara de ver. Fiz parte de algo que resistiria por um período de tempo, um clássico.” Este começo empolgante de carreira o levou a trabalhar com vários cineastas importantes, como Sydney Pollack (“A Defesa do Castelo”, 1969), John Frankenheimer (“Os Paraquedistas Estão Chegando”, 1969), Robert Aldrich (“Resgate de uma Vida”, 1971), Richard Fleischer (“Os Novos Centuriões”, 1972), Richard C. Sarafian (“Quando o Ódio Explode”, 1973), etc., além de levá-lo à primeira versão de “O Grande Gatsby” (1974), estrelada por Robert Redford. Entretanto, seu talento demorou a ser reconhecido, o que só aconteceu no terror “A Nona Configuração” (1980), de William Peter Blatty (o autor de “O Exorcista”), pelo qual foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante. Wilson ainda apareceu em “Os Eleitos: Onde o Futuro Começa” (1983), de Philip Kauffman, no thriller “Um Rosto sem Passado” (1989), de Walter Hill, e no western “Jovem Demais para Morrer” (1990), de Geoff Murphy, antes de voltar a se reunir com Blatty em “O Exorcista III” (1990). A variedade de sua filmografia também incluiu os dramas “Os Últimos Passos de um Homem” (1995), de Tim Robbins, “Até o Limite da Honra” (1997), de Ridley Scott, e as estreias de três cineastas importantes: Christopher McQuarrie (“A Sangue Frio”, 2000), Patty Jenkins (“Monster: Desejo Assassino”, 2003) e o sul-coreano Bong Joon Ho (“O Hospedeiro”, 2006). Seu envolvimento com a televisão começou com um papel recorrente em “CSI”, que o fez aparecer em nove episódios da série, entre 2001 e 2006, mas foi seu desempenho como o fazendeiro Hershel Greene, ao longo de três temporadas de “The Walking Dead”, que conquistou a maior quantidade de fãs de sua carreira. O mais curioso é que o ator nunca fez teste para o papel. “Meu empresário ligou e disse que queriam que eu fizesse dois ou três episódios”, ele contou à revista The Hollywood Reporter. “Eu perguntei do que se tratava e ele disse zumbis. Eu respondi: ‘Me dê uma boa notícia’.” Depois de assistir a 1ª temporada, Wilson acabou topando. “Eu ainda não tinha feito muita TV na época, só ‘CSI’, como o pai de Marg Helgenberger, e achei muito interessante trabalhar em ‘The Walking Dead’, porque nunca tinha interpretado o mesmo personagem por tanto tempo, o que é muito diferente de fazer uma peça ou filme”. Um dos principais aliados do protagonista Rick Grimes (Andrew Lincoln) na série de zumbis, Hershel foi apresentado aos telespectadores na 2ª temporada, como o fazendeiro que salva a vida do jovem Carl (Chandler Riggs) e acolhe os sobreviventes originais em sua propriedade. Pai das personagens Maggie (Lauren Cohan) e Beth (Emily Kinney), Hershel seria eliminado logo em seguida, mas o personagem agradou e logo se estabeleceu como a voz da sabedoria que guiava a série. Ele acabou sobrevivendo por três temporadas, mas sua despedida chocou o público no quarto ano da produção, quando foi brutalmente assassinado pelo Governador (David Morrissey), um dos grandes vilões de “The Walking Dead”. Após o sucesso de sua passagem pelo apocalipse zumbi, Wilson integrou novas séries: “Bosch”, “Damien” e “The OA”. E ainda voltou ao cinema, integrando o western “Hostis” (2017), de Scott Cooper, ao lado de Christian Bale. Durante a New York Comic Con neste fim de semana, a showrunner de “The Walking Dead” Angela Kang revelou que o ator ainda poderá ser visto pelos fãs na série. Ele deixou gravadas suas últimas cenas na 9ª temporada, em que personagens do passado retornam para a despedida de Rick. A participação também foi a despedida de sua carreira.
Audrey Wells (1960 – 2018)
A cineasta Audrey Wells, que escreveu e dirigiu a comédia romântica “Sob o Sol da Toscana” (2003), morreu na quinta-feira (4/10), aos 58 anos, depois de uma batalha de cinco anos contra um câncer. Nascida em San Francisco, ela trabalhou, no início de sua carreira, como DJ numa estação de jazz local antes de migrar para o mundo cinematográfico. Wells estreou como roteirista em 1996, na comédia romântica “Feito Cães e Gatos”, estrelada por Uma Thurman, e fez a adaptação do desenho animado “George, o Rei da Floresta” (1997), com Brendan Fraser, antes de dobrar seu primeiro trabalho como roteirista e diretora em “A Lente do Desejo” (1999), com Sarah Polley. A jornada dupla só foi repetida mais uma vez, com “Sob o Sol da Toscana” (2003), em que Diane Lane foi seu alter-ego, no papel de uma escritora que compra uma propriedade na região italiana do título para tentar mudar de vida. Ela continuou escrevendo filmes leves, divertidos e românticos, como “Duas Vidas” (2000), com Bruce Willis, “Dança Comigo?”, com Jennifer Lopez e Richard Gere, “Treinando o Papai” (2007), com Dwayne Johnson, e o recente sucesso “Quatro Vidas de um Cachorro” (2017). Mas seu trabalho mais recente mudou o tom. Arrancando elogios da crítica, “O Ódio que Você Semeia” foi o primeiro roteiro dramático com tema social da carreira de Wells e tem sido considerado um filme com potencial de Oscar. A produção adapta o livro homônimo de Angie Thomas sobre o assassinato de um negro por um policial, foi destaque no recente Festival de Toronto e tem 96% de críticas positivas no site Rotten Tomatoes, a maior avaliação de uma obra da roteirista. O filme estreia no dia 19 nos Estados Unidos e em dezembro no Brasil. Além deste trabalho, ela deixou pronto o roteiro de uma nova animação da DreamWorks, “Over the Moon”, sobre uma garotinha que constrói um foguete espacial para ir à lua, que marcará a estreia em longas do diretor Glen Keane, vencedor do Oscar 2018 de Melhor Curta Animado por “Dear Basketball”.
Velório de Leonardo Machado projeta cena inédita de seu último filme
O velório do ator Leonardo Machado serviu de palco para a primeira exibição pública de uma cena do filme “Legalidade”, seu último trabalho. A exibição foi um pedido do próprio ator, que também selecionou o playlist do evento, planejado diante da certeza de sua morte, que aconteceu na sexta (28/9), ao final de uma luta contra o câncer. Em “Legalidade”, Machado interpreta o político Leonel Brizola, personagem principal do filme. A foto acima o revela caracterizado para a produção, que narra a defesa da democracia do Brasil, encabeçada pelo então governador gaúcho, contra um golpe parlamentar que tiraria João Goulart do poder já em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros. A cena selecionada é um discurso de Brizola, que Leonardo sabia de cor. Segundo o diretor Zeca Brito, ele chegou no set com o discurso decorado. Não precisou ler no roteiro. E filmou a cena completa num único take, uma única vez, sem precisar refazer. Este foi um exemplo de como Leonardo Machado se dedicou ao filme, sabendo que era o último de sua vida. Brito revelou que, entretanto, não era para ele ter estrelado o longa. A intenção era escalar um ator mais popular da Globo. Mas Leonardo insistiu em fazer teste. E quando veio se encontrar com a produção, apareceu totalmente caracterizado, convencendo a todos. Ele conquistou a equipe pela dedicação demonstrada. “Isso é muito raro. Ele chegou como Brizola não para fazer o teste, mas para pegar o personagem que era dele. Ele veio buscar um personagem. E isso foi uma coisa que impressionou todo mundo, disse o diretor, em entrevista ao portal G1. Brito também contou que Machado foi transparante em relação à doença, descoberta em 2016. E mesmo debilitado esforçou-se o tempo todo para terminar o filme. “A preocupação dele era que o filme estivesse pronto, que não ficasse faltando nada. Isso, de uma certa maneira, acelerou o processo de montagem do filme quando a gente ficou sabendo. Nós corremos com todas as etapas para que ele pudesse assistir ao primeiro corte. Isso me deixa tranquilo. Eu pude mostrar para ele o filme alguns meses atras e tenho certeza que ele ficou muito satisfeito”, contou o diretor, emocionado. “Hoje o filme tem um motivo maior para ser lançado, para existir, que é essa homenagem a esse grande ator do Rio Grande do Sul”, concluiu. “Legalidade” deve ser lançado nos cinemas apenas no ano que vem. Mas Leonardo deixou dois trabalhos inéditos. O longa-metragem “A Cabeça de Gumercindo Saraiva”, com direção de Tabajara Ruas, rodado em 2017, estreia já em 25 de outubro. E a série documental “Sonho Americano”, com direção de Paulo Nascimento, chega no canal Travel Box Brazil nas próximas semanas.
Charles Aznavour (1924–2018)
Morreu Charles Aznavour, o último dos grandes nomes da canção francesa do século 20. O cantor e compositor faleceu na madrugada desta segunda-feira (1/10), aos 94 anos em sua casa em Apilles, no sul da França. Filho de imigrantes armênios, seu verdadeiro nome era Shahnour Varinag Aznavourian. Mas também era chamado de o Frank Sinatra da França. A carreira deslanchou após a 2ª Guerra Mundial, quando Edith Piaf foi conferir seus shows de cabaré. Encantada, ela o consagrou ao convidá-lo para abrir o seu show no famoso Moulin Rouge e o levou em uma turnê pelos Estados Unidos e Canadá. Assim, Aznavour passou a compor alguns dos sucessos mais populares da cantora, tornando-se também conhecido por conta de seu talento. A carreira durou oito décadas, vendeu mais de 100 milhões de discos e rendeu canções mundialmente conhecidas como “La Bohème”, “La Mamma” e “Emmenez-moi”. Além de sucessos próprios, ele também compôs para artistas como Maurice Chevalier e Charles Trenet. Aznavour também teve uma carreira paralela muito bem-sucedida como ator, que a maioria dos talentos de Hollywood não consegue igualar. Foram cerca de 80 filmes, a princípio em pequenas participações vivendo a si mesmo, como em “Até Logo, Querida!” (1946). Mas a atuação se tornou uma atividade séria a partir de “Os Libertinos” (1959), de Jean-Pierre Mocky. O cantor logo virou protagonista de clássicos franceses, como “A Passagem do Reno (1960), do mestre André Cayatte, e o famoso nouvelle-noir “Atirem no Pianista” (1960), dirigido simplesmente por François Truffaut. Estes filmes o lançaram de vez como astro de cinema, levando-o a multiplicar sua presença nas telas, a ponto de fazer três filmes por ano na década de 1960. A safra incluiu “As Virgens” (1963), de Mocky, “Breve Encontro em Paris” (1966), de Pierre Granier-Deferre, e seu primeiro filme falado em inglês, o psicodélico “Candy” (1968), de Christian Marquand. A estreia em Hollywood propriamente dita veio logo em seguida, como par romântico de Candice Bergen em “O Mundo dos Aventureiros” (1970), de Lewis Gilbert. Ele também se aventurou pelo cinema inglês, com “Os Jogos” (1970), de Michael Winner, pelo cinema policial italiano, estrelando “Tempo de Lobos” (1970) e “O Belo Monstro” (1971), ambos dirigidos por Sergio Gobbi, e até pelo suspense alemão em “O Último dos Dez” (1974), uma adaptação de “E Não Sobrou Nenhum” (mais conhecido como “O Caso dos Dez Negrinhos”), de Agatha Chistie. Tornou-se um astro de cinema internacional. E embora fizesse filmes dispensáveis em Hollywood, como o thriller “Fortaleza Proibida” (1976), acabou aparecendo em clássicos que marcaram época, como “O Tambor” (1979), do alemão Volker Schlöndorff, “Os Fantasmas do Chapeleiro” (1982), do conterrâneo Claude Chabrol, e “Viva la Vie (1984), do também francês Claude Lelouch. A partir dos anos 1990, passou a fazer mais séries e telefilmes, diminuindo sua presença no cinema. Mesmo assim, estrelou algumas produções recentes, como “Ararat” (2002), do egípcio Atom Egoyan, sobre um tema que lhe interessava em particular, o genocídio armênio. Também contracenou com Henry Cavill (o Superman) em “Laguna” (2001). E estava finalizando um último longa, “Une Revanche à Prendre”, do francês Kader Ayd, com quem tinha trabalhado em 2005 em “Ennemis Publics”. Mesmo quando não era visto, Aznavour também era lembrado pelo cinema em suas trilhas sonoras. Ele é o compositor, por exemplo, de “She”, a canção tema do filme “Um Lugar Chamado Notting Hill”, estrelado por Julia Roberts. Lançada em 1974, a música liderou as paradas britânicas por 14 semanas e ficou entre as mais tocadas em diversos países. E voltou a demonstrar sua atualidade como parte da trilha do filme de 1999, na voz de Elvis Costello. Nos últimos 40 anos, ele ainda teve suas composições gravadas por cantores tão diferentes quanto Elton John, Sting, Bob Dylan, Placido Domingo, Céline Dion, Julio Iglesias, Liza Minnelli e Ray Charles.
Leonardo Machado (1976 – 2018)
O ator Leonardo Machado, conhecido por participar de novelas da Globo e pela carreira premiada no cinema, morreu na noite de sexta-feira (28/9), aos 42 anos, em Porto Alegre. Ele lutava contra um câncer no fígado desde o ano passado e estava internado no Hospital Moinhos de Vento, na capital gaúcha. Um dos atores de maior projeção no Rio Grande do Sul, ele começou a filmar curtas em 1998, enquanto fazia teatro – estrelou 14 peças – , até se tornar conhecido nacionalmente ao aparecer na novela “O Clone” (2001), na qual figurou como Guilherme. Também teve um pequeno papel em “Senhora do Destino”, em 2005. Mas sua verdadeira projeção se deu no cinema local, a ponto de se tornar o apresentador oficial do Festival de Gramado por dez anos. “Essa função é sempre um prazer. Eu me criei nessa cidade”, ressaltou em entrevista publicada no último ano. Seu primeiro papel em longa-metragem foi uma pequena aparição em “Lara” (2002), cinebiografia de Odete Lara, musa do Cinema Novo, dirigida por Ana Maria Magalhães. Depois, iniciou sua jornada gaúcha, com “Sal de Prata” (2005), de Carlos Gerbase. Dublou a animação “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll” (2006), de Otto Guerra, voltou a trabalhar com Gerbase em “3 Efes” (2007), fez “Dias e Noites” (2008), de Beto Souza. E a carreira começou a engatar com o premiado “Valsa para Bruno Stein” (2007), de Paulo Nascimento, vencedor do Festival de Gramado, já como coadjuvante. No segundo filme com Nascimento, “Em Teu Nome” (2009), foi finalmente escalado como protagonista. E conquistou o Kikito de Melhor Ator em Gramado, interpretando um estudante durante a Ditadura Militar (1964-1985). O prêmio abriu de vez as portas na Globo. Ele apareceu na novela “Viver a Vida” (2009), de Manoel Carlos, e se tornou um dos protagonistas da série “Na Forma da Lei”, no papel do juiz Célio Rocha, que trabalhava com a advogada Ana Beatriz (Ana Paula Arósio) no julgamento de crimes investigados por outros personagens. Ainda apareceu na novela “Salve Jorge” (2013) antes de voltar ao Rio Grande do Sul, onde emendou diversas produções regionais de TV – na RBS, do grupo Globo, e na TVE. E deu sequência à sua carreira cinematográfica. A dedicação ao cinema na última década viu sua filmografia se multiplicar e ganhar novos parceiros, como Tabajara Ruas, com quem filmou “Os Senhores da Guerra” (2012), a continuação “Os Senhores da Guerra 2 – Passo da Cruz” (2014) e o ainda inédito “A Cabeça de Gumercindo Saraiva” (2018). Ele esteve ainda entre os protagonistas do épico “O Tempo e o Vento” (2013), adaptação do clássico literário de Érico Veríssimo rodado por Jayme Monjardim com grande elenco (Fernanda Montenegro, Thiago Lacerda, Marjorie Estiano, etc). Fez “A Casa Elétrica” (2012), de Gustavo Fogaça, “Insônia” (2013), de Beto Souza, e o recente “Yonlu” (2018), de Hique Montanari, lançado no final de agosto. Mas não há dúvidas de que seu grande parceiro foi Paulo Nascimento, com quem continuou colaborando em mais quatro filmes: “A Casa Verde” (2010), “A Oeste do Fim do Mundo” (2013), “A Superfície da Sombra” (2017) e “Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos” (2018). Os dois ficaram amigos durante a gravação da série “Segredo”, uma coprodução da portuguesa RTP e da Globo, realizada em 2005, o que fez com que Leonardo participasse de todos os projetos do diretor desde então – e ainda fosse estimulado a passar para trás das câmeras, enquanto o diretor se viu convencido a ir para a frente, durante a produção da série gaúcha documental “Fim do Mundo” (2011). Esta experiência de explorar as fronteiras da América do Sul inspirou o filme “A Oeste do Fim do Mundo”, que inaugurou outra função na carreira de Leonardo, como produtor de cinema. Por conta disso, venceu o Kikito de Melhor Filme Latino (em coprodução com a Argentina) no Festival de Gramado, além do prêmio do público do evento. Ativo até o fim, Leonardo se jogou no trabalho no fim da vida, estrelando em 2018 nada menos que quatro longas, um curta e uma minissérie da Globo – “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, divulgada apenas em streaming, por enquanto. Além de “Yonlu” e “Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos”, já exibidos, ele ainda poderá ser visto neste ano no mencionado “A Cabeça de Gumercindo Saraiva”, previsto para 25 de outubro, e “Legalidade”, do cineasta Zeca Britto, em que encarna o governador gaúcho Leonel Brizola durante os tumultuados anos 1960 – ainda sem previsão de estreia. Seu colega em “Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos”, Edson Celulari, que também enfrentou um câncer recentemente, lamentou a morte do amigo. “Hoje descansou um amigo que fará muita falta, o querido e talentoso ator Leonardo Machado. Um homem leal, dono de um coração enorme. Companheiro no cinema e parceiro de todas as horas. Que privilégio conhecê-lo!”, escreveu no Instagram.












