Audrey Wells (1960 – 2018)
A cineasta Audrey Wells, que escreveu e dirigiu a comédia romântica “Sob o Sol da Toscana” (2003), morreu na quinta-feira (4/10), aos 58 anos, depois de uma batalha de cinco anos contra um câncer. Nascida em San Francisco, ela trabalhou, no início de sua carreira, como DJ numa estação de jazz local antes de migrar para o mundo cinematográfico. Wells estreou como roteirista em 1996, na comédia romântica “Feito Cães e Gatos”, estrelada por Uma Thurman, e fez a adaptação do desenho animado “George, o Rei da Floresta” (1997), com Brendan Fraser, antes de dobrar seu primeiro trabalho como roteirista e diretora em “A Lente do Desejo” (1999), com Sarah Polley. A jornada dupla só foi repetida mais uma vez, com “Sob o Sol da Toscana” (2003), em que Diane Lane foi seu alter-ego, no papel de uma escritora que compra uma propriedade na região italiana do título para tentar mudar de vida. Ela continuou escrevendo filmes leves, divertidos e românticos, como “Duas Vidas” (2000), com Bruce Willis, “Dança Comigo?”, com Jennifer Lopez e Richard Gere, “Treinando o Papai” (2007), com Dwayne Johnson, e o recente sucesso “Quatro Vidas de um Cachorro” (2017). Mas seu trabalho mais recente mudou o tom. Arrancando elogios da crítica, “O Ódio que Você Semeia” foi o primeiro roteiro dramático com tema social da carreira de Wells e tem sido considerado um filme com potencial de Oscar. A produção adapta o livro homônimo de Angie Thomas sobre o assassinato de um negro por um policial, foi destaque no recente Festival de Toronto e tem 96% de críticas positivas no site Rotten Tomatoes, a maior avaliação de uma obra da roteirista. O filme estreia no dia 19 nos Estados Unidos e em dezembro no Brasil. Além deste trabalho, ela deixou pronto o roteiro de uma nova animação da DreamWorks, “Over the Moon”, sobre uma garotinha que constrói um foguete espacial para ir à lua, que marcará a estreia em longas do diretor Glen Keane, vencedor do Oscar 2018 de Melhor Curta Animado por “Dear Basketball”.
Velório de Leonardo Machado projeta cena inédita de seu último filme
O velório do ator Leonardo Machado serviu de palco para a primeira exibição pública de uma cena do filme “Legalidade”, seu último trabalho. A exibição foi um pedido do próprio ator, que também selecionou o playlist do evento, planejado diante da certeza de sua morte, que aconteceu na sexta (28/9), ao final de uma luta contra o câncer. Em “Legalidade”, Machado interpreta o político Leonel Brizola, personagem principal do filme. A foto acima o revela caracterizado para a produção, que narra a defesa da democracia do Brasil, encabeçada pelo então governador gaúcho, contra um golpe parlamentar que tiraria João Goulart do poder já em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros. A cena selecionada é um discurso de Brizola, que Leonardo sabia de cor. Segundo o diretor Zeca Brito, ele chegou no set com o discurso decorado. Não precisou ler no roteiro. E filmou a cena completa num único take, uma única vez, sem precisar refazer. Este foi um exemplo de como Leonardo Machado se dedicou ao filme, sabendo que era o último de sua vida. Brito revelou que, entretanto, não era para ele ter estrelado o longa. A intenção era escalar um ator mais popular da Globo. Mas Leonardo insistiu em fazer teste. E quando veio se encontrar com a produção, apareceu totalmente caracterizado, convencendo a todos. Ele conquistou a equipe pela dedicação demonstrada. “Isso é muito raro. Ele chegou como Brizola não para fazer o teste, mas para pegar o personagem que era dele. Ele veio buscar um personagem. E isso foi uma coisa que impressionou todo mundo, disse o diretor, em entrevista ao portal G1. Brito também contou que Machado foi transparante em relação à doença, descoberta em 2016. E mesmo debilitado esforçou-se o tempo todo para terminar o filme. “A preocupação dele era que o filme estivesse pronto, que não ficasse faltando nada. Isso, de uma certa maneira, acelerou o processo de montagem do filme quando a gente ficou sabendo. Nós corremos com todas as etapas para que ele pudesse assistir ao primeiro corte. Isso me deixa tranquilo. Eu pude mostrar para ele o filme alguns meses atras e tenho certeza que ele ficou muito satisfeito”, contou o diretor, emocionado. “Hoje o filme tem um motivo maior para ser lançado, para existir, que é essa homenagem a esse grande ator do Rio Grande do Sul”, concluiu. “Legalidade” deve ser lançado nos cinemas apenas no ano que vem. Mas Leonardo deixou dois trabalhos inéditos. O longa-metragem “A Cabeça de Gumercindo Saraiva”, com direção de Tabajara Ruas, rodado em 2017, estreia já em 25 de outubro. E a série documental “Sonho Americano”, com direção de Paulo Nascimento, chega no canal Travel Box Brazil nas próximas semanas.
Charles Aznavour (1924–2018)
Morreu Charles Aznavour, o último dos grandes nomes da canção francesa do século 20. O cantor e compositor faleceu na madrugada desta segunda-feira (1/10), aos 94 anos em sua casa em Apilles, no sul da França. Filho de imigrantes armênios, seu verdadeiro nome era Shahnour Varinag Aznavourian. Mas também era chamado de o Frank Sinatra da França. A carreira deslanchou após a 2ª Guerra Mundial, quando Edith Piaf foi conferir seus shows de cabaré. Encantada, ela o consagrou ao convidá-lo para abrir o seu show no famoso Moulin Rouge e o levou em uma turnê pelos Estados Unidos e Canadá. Assim, Aznavour passou a compor alguns dos sucessos mais populares da cantora, tornando-se também conhecido por conta de seu talento. A carreira durou oito décadas, vendeu mais de 100 milhões de discos e rendeu canções mundialmente conhecidas como “La Bohème”, “La Mamma” e “Emmenez-moi”. Além de sucessos próprios, ele também compôs para artistas como Maurice Chevalier e Charles Trenet. Aznavour também teve uma carreira paralela muito bem-sucedida como ator, que a maioria dos talentos de Hollywood não consegue igualar. Foram cerca de 80 filmes, a princípio em pequenas participações vivendo a si mesmo, como em “Até Logo, Querida!” (1946). Mas a atuação se tornou uma atividade séria a partir de “Os Libertinos” (1959), de Jean-Pierre Mocky. O cantor logo virou protagonista de clássicos franceses, como “A Passagem do Reno (1960), do mestre André Cayatte, e o famoso nouvelle-noir “Atirem no Pianista” (1960), dirigido simplesmente por François Truffaut. Estes filmes o lançaram de vez como astro de cinema, levando-o a multiplicar sua presença nas telas, a ponto de fazer três filmes por ano na década de 1960. A safra incluiu “As Virgens” (1963), de Mocky, “Breve Encontro em Paris” (1966), de Pierre Granier-Deferre, e seu primeiro filme falado em inglês, o psicodélico “Candy” (1968), de Christian Marquand. A estreia em Hollywood propriamente dita veio logo em seguida, como par romântico de Candice Bergen em “O Mundo dos Aventureiros” (1970), de Lewis Gilbert. Ele também se aventurou pelo cinema inglês, com “Os Jogos” (1970), de Michael Winner, pelo cinema policial italiano, estrelando “Tempo de Lobos” (1970) e “O Belo Monstro” (1971), ambos dirigidos por Sergio Gobbi, e até pelo suspense alemão em “O Último dos Dez” (1974), uma adaptação de “E Não Sobrou Nenhum” (mais conhecido como “O Caso dos Dez Negrinhos”), de Agatha Chistie. Tornou-se um astro de cinema internacional. E embora fizesse filmes dispensáveis em Hollywood, como o thriller “Fortaleza Proibida” (1976), acabou aparecendo em clássicos que marcaram época, como “O Tambor” (1979), do alemão Volker Schlöndorff, “Os Fantasmas do Chapeleiro” (1982), do conterrâneo Claude Chabrol, e “Viva la Vie (1984), do também francês Claude Lelouch. A partir dos anos 1990, passou a fazer mais séries e telefilmes, diminuindo sua presença no cinema. Mesmo assim, estrelou algumas produções recentes, como “Ararat” (2002), do egípcio Atom Egoyan, sobre um tema que lhe interessava em particular, o genocídio armênio. Também contracenou com Henry Cavill (o Superman) em “Laguna” (2001). E estava finalizando um último longa, “Une Revanche à Prendre”, do francês Kader Ayd, com quem tinha trabalhado em 2005 em “Ennemis Publics”. Mesmo quando não era visto, Aznavour também era lembrado pelo cinema em suas trilhas sonoras. Ele é o compositor, por exemplo, de “She”, a canção tema do filme “Um Lugar Chamado Notting Hill”, estrelado por Julia Roberts. Lançada em 1974, a música liderou as paradas britânicas por 14 semanas e ficou entre as mais tocadas em diversos países. E voltou a demonstrar sua atualidade como parte da trilha do filme de 1999, na voz de Elvis Costello. Nos últimos 40 anos, ele ainda teve suas composições gravadas por cantores tão diferentes quanto Elton John, Sting, Bob Dylan, Placido Domingo, Céline Dion, Julio Iglesias, Liza Minnelli e Ray Charles.
Leonardo Machado (1976 – 2018)
O ator Leonardo Machado, conhecido por participar de novelas da Globo e pela carreira premiada no cinema, morreu na noite de sexta-feira (28/9), aos 42 anos, em Porto Alegre. Ele lutava contra um câncer no fígado desde o ano passado e estava internado no Hospital Moinhos de Vento, na capital gaúcha. Um dos atores de maior projeção no Rio Grande do Sul, ele começou a filmar curtas em 1998, enquanto fazia teatro – estrelou 14 peças – , até se tornar conhecido nacionalmente ao aparecer na novela “O Clone” (2001), na qual figurou como Guilherme. Também teve um pequeno papel em “Senhora do Destino”, em 2005. Mas sua verdadeira projeção se deu no cinema local, a ponto de se tornar o apresentador oficial do Festival de Gramado por dez anos. “Essa função é sempre um prazer. Eu me criei nessa cidade”, ressaltou em entrevista publicada no último ano. Seu primeiro papel em longa-metragem foi uma pequena aparição em “Lara” (2002), cinebiografia de Odete Lara, musa do Cinema Novo, dirigida por Ana Maria Magalhães. Depois, iniciou sua jornada gaúcha, com “Sal de Prata” (2005), de Carlos Gerbase. Dublou a animação “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll” (2006), de Otto Guerra, voltou a trabalhar com Gerbase em “3 Efes” (2007), fez “Dias e Noites” (2008), de Beto Souza. E a carreira começou a engatar com o premiado “Valsa para Bruno Stein” (2007), de Paulo Nascimento, vencedor do Festival de Gramado, já como coadjuvante. No segundo filme com Nascimento, “Em Teu Nome” (2009), foi finalmente escalado como protagonista. E conquistou o Kikito de Melhor Ator em Gramado, interpretando um estudante durante a Ditadura Militar (1964-1985). O prêmio abriu de vez as portas na Globo. Ele apareceu na novela “Viver a Vida” (2009), de Manoel Carlos, e se tornou um dos protagonistas da série “Na Forma da Lei”, no papel do juiz Célio Rocha, que trabalhava com a advogada Ana Beatriz (Ana Paula Arósio) no julgamento de crimes investigados por outros personagens. Ainda apareceu na novela “Salve Jorge” (2013) antes de voltar ao Rio Grande do Sul, onde emendou diversas produções regionais de TV – na RBS, do grupo Globo, e na TVE. E deu sequência à sua carreira cinematográfica. A dedicação ao cinema na última década viu sua filmografia se multiplicar e ganhar novos parceiros, como Tabajara Ruas, com quem filmou “Os Senhores da Guerra” (2012), a continuação “Os Senhores da Guerra 2 – Passo da Cruz” (2014) e o ainda inédito “A Cabeça de Gumercindo Saraiva” (2018). Ele esteve ainda entre os protagonistas do épico “O Tempo e o Vento” (2013), adaptação do clássico literário de Érico Veríssimo rodado por Jayme Monjardim com grande elenco (Fernanda Montenegro, Thiago Lacerda, Marjorie Estiano, etc). Fez “A Casa Elétrica” (2012), de Gustavo Fogaça, “Insônia” (2013), de Beto Souza, e o recente “Yonlu” (2018), de Hique Montanari, lançado no final de agosto. Mas não há dúvidas de que seu grande parceiro foi Paulo Nascimento, com quem continuou colaborando em mais quatro filmes: “A Casa Verde” (2010), “A Oeste do Fim do Mundo” (2013), “A Superfície da Sombra” (2017) e “Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos” (2018). Os dois ficaram amigos durante a gravação da série “Segredo”, uma coprodução da portuguesa RTP e da Globo, realizada em 2005, o que fez com que Leonardo participasse de todos os projetos do diretor desde então – e ainda fosse estimulado a passar para trás das câmeras, enquanto o diretor se viu convencido a ir para a frente, durante a produção da série gaúcha documental “Fim do Mundo” (2011). Esta experiência de explorar as fronteiras da América do Sul inspirou o filme “A Oeste do Fim do Mundo”, que inaugurou outra função na carreira de Leonardo, como produtor de cinema. Por conta disso, venceu o Kikito de Melhor Filme Latino (em coprodução com a Argentina) no Festival de Gramado, além do prêmio do público do evento. Ativo até o fim, Leonardo se jogou no trabalho no fim da vida, estrelando em 2018 nada menos que quatro longas, um curta e uma minissérie da Globo – “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, divulgada apenas em streaming, por enquanto. Além de “Yonlu” e “Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos”, já exibidos, ele ainda poderá ser visto neste ano no mencionado “A Cabeça de Gumercindo Saraiva”, previsto para 25 de outubro, e “Legalidade”, do cineasta Zeca Britto, em que encarna o governador gaúcho Leonel Brizola durante os tumultuados anos 1960 – ainda sem previsão de estreia. Seu colega em “Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos”, Edson Celulari, que também enfrentou um câncer recentemente, lamentou a morte do amigo. “Hoje descansou um amigo que fará muita falta, o querido e talentoso ator Leonardo Machado. Um homem leal, dono de um coração enorme. Companheiro no cinema e parceiro de todas as horas. Que privilégio conhecê-lo!”, escreveu no Instagram.
Al Matthews (1942 – 2018)
O ator Al Matthews, que os fãs de sci-fi lembram como o Sargento Apone em “Aliens, o Resgate” (1986), foi encontrado morto neste domingo (23) em sua casa na Espanha. Ele tinha 75 anos. Matthews curtia os últimos anos na paradisíaca Orihuela Costa desde 2005, após viver por décadas no Reino Unido. Mas não tinha se aposentado completamente da atuação. Ainda tem filme inédito para ser lançado. Sua carreira artística começou pela música, com o sucesso do single “Fool”, que estourou nas paradas britânicas em 1975. Mas após estrear no cinema em 1979, acabou tomando outro rumo, requisitado para papéis que refletiam sua experiência militar. Ele lutou na Guerra do Vietnã e se tornou o primeiro soldado negro na 1ª divisão da Marinha a ser promovido a sargento. Em seu primeiro filme, “Os Yankees Estão Voltando”, interpretou um soldado após a 2ª Guerra Mundial. Em “Alucinações do Mal” (1981), foi um veterano do Vietnã, assim como em “Os Piratas do Ar” (1986). E ainda viveu o chefe dos bombeiros em “Superman III” (1983). As pequenas participações abriram caminho para o papel em “Aliens”, que o projetou. O ator incorporou muito de sua própria experiência em Apone, um sargento durão e corajoso, que não abandona seus homens mesmo quando cercado por alienígenas mortais. Sua presença ajudou a dar maior realismo na fantasia do diretor James Cameron, dando casca grossa aos marines do filme. Apone marcou tanto que acabou resgatado, recentemente, no game “Aliens: Colonial Marines” (2013), em que Matthews voltou a dublar o personagem. Outros papéis de militar em sua carreira incluem o general de “O Quinto Elemento” (1997) e o sargento de “007: O Amanhã Nunca Morre” (1997). Seu último filme é um western independente chamado “The Price of Death”, filmado na Espanha e com lançamento direto em DVD previsto para o mês que vem.
Burt Reynolds deixa filho único fora do testamento, mas não se trata de “vingança”
O ator Burt Reynolds deixou de fora de seu testamento o filho único Quinton Reynolds, de 30 anos. Em vez do filho, o astro de Hollywood deixou a sobrinha Nancy Lee Brown Hess como responsável pela herança, avaliada, segundo o site britânico Express, em US$ 5 milhões – aproximadamente R$ 20 milhões. Mas a situação não é realmente o que parece. O site TMZ aponta que Reynolds pode não ter nomeado o filho justamente por Quinton ser o beneficiário de um fundo de investimento, criado pelo ator de “Boogie Nights” há muitos anos para benefício único e exclusivo do primogênito. Isso é muito comum nos Estados Unidos para evitar impostos governamentais. Aparentemente, todos os bens de Reynolds estão no fundo controlado por Quinton. Então, a omissão não foi um ato de rancor ou “vingança” contra o próprio filho. O documento do testamento seria apenas uma formalidade. Um dos atores mais carismáticos de Hollywood e maior campeão de bilheterias dos anos 1970, Burt Reynolds morreu em 6 de setembro aos 82 anos de ataque cardíaco. Saiba mais sobre sua carreira aqui.
Atores da Globo não vão a enterro de adolescente morto durante produção de série na Amazônia
Um adolescente de 15 anos morreu na manhã de quinta-feira (13/9), após uma colisão entre uma canoa pequena e o barco que transportava equipamento de gravação da nova série da TV Globo, “Aruanas”, para o set na Amazônia. Lucas Henrique Xavier Cardoso estava com seu pai na embarcação no momento do acidente. Ambos foram socorridos, mas o menino não resistiu ao choque. Em nota, a emissora lamentou o ocorrido. O barco não transportava atores no momento do acidente, mesmo assim o colunista Daniel Castro, do site Notícias da TV, afirmou que o elenco da série planejava comparecer ao velório e enterro de Lucas. A notícia foi reproduzida por vários veículos. Entretanto, nenhuma estrela apareceu no velório ou no funeral, que aconteceram na sexta no Cemitério Parque Tarumã, na Zona Oeste de Manaus. O pai do garoto afirmou que a lancha que os atingiu estava em alta velocidade. “Estava voltando do caminho que faço todos os dias. Tinha acabado de deixar minha mãe, de 72 anos, na Prainha. Meu filho estava com uma lanterna iluminando o caminho e eu, de costas, comandando a canoa. Senti a batida da embarcação e ouvi a lanterna caindo. Olhei para trás e vi meu filho já caído. A lancha de grande porte estava em alta velocidade. Eles passaram por cima de nós. Estava em uma canoa de nove metros de comprimento. Não tinha como eles não nos verem. Foi uma falta de responsabilidade. O condutor da embarcação estava totalmente distraído. Agora estou sem meu filho. Destruíram um sonho”, lamentou o pai ao site Amazonas. Ele confirmou, no entanto, que a produção vem prestando auxílio à família nesta hora difícil. Segundo fontes do Notícias da TV, o elenco e a equipe da minissérie tinham ficado arrasados com a tragédia. A produção marcava o retorno da atriz Camila Pitanga a uma produção da Globo, dois anos após a morte do amigo e ator Domingos Montagner, também num rio, durante intervalo de gravação da novela “Velho Chico”. Ela interpreta a vilã da história. Coprodução da Maria Farinha Filmes, a série acompanha três ativistas de uma organização não-governamental em defesa do meio ambiente, que são vividas por Débora Falabella, Leandra Leal e Tais Araújo. Ainda não há previsão de estreia.
Peter Donat (1928 – 2018)
Peter Donat, o ator canadense que apareceu em dois filmes de Francis Ford Coppola e interpretou o pai do agente Fox Mulder em “Arquivo X”, morreu na segunda (10/9) aos 90 anos, de complicações do diabetes em sua casa em Point Reyes Station, Califórnia. Ele se tornou ator inspirado por seu tio, o astro britânico Robert Donat, conhecido por suas atuações em filmes como “Os 39 Degraus” (1935), de Alfred Hitchcock, e no longa vencedor do Oscar “Adeus, Mr. Chips” (1939). Donat inciou a carreira no teatro e integrou a companhia do Festival de Shakespeare de Connecticut, da qual também faziam parte Christopher Plummer, Raymond Massey, Roddy McDowall e Michael Learned, a matriarca da série “Os Waltons”, com quem o ator se casaria, num relacionamento que durou de 1956 até o divórcio em 1972. Após aparecer em inúmeras séries desde os anos 1950, ele fez sua estreia no cinema como o advogado de “O Poderoso Chefão II” (1974), de Francis Ford Coppola. O diretor ainda voltou a escalá-lo como advogado em “Tucker: O Homem e Seu Sonho” (1988). Entre um e outro, ele ainda apareceu nos famosos filmes de desastre “O Dirigível Hindenburg” (1975) e “Síndrome da China” (1979), além de ter sido marido de Liv Ullman e pai de Kiefer Sutherland em “Virando Adulto” (1984). Também emplacou seu primeiro papel fixo numa série, “Flamingo Road” (1980-82), e viveu o médico que tratou J.R. Ewing (Larry Hagman) após o personagem levar um tiro em 1980 e entrar para a história dos mistérios televisivos (“Quem atirou em JR?”). Entre os anos 1980 e 1990, trabalhou com diretores importantes, como os veteranos Blake Edwards (em “As Confusões de um Sedutor”, 1989) e Arthur Hiller (“Ânsia de Viver, 1992). Participou também dos ótimos “A Guerra dos Roses” (1989), segundo longa dirigido pelo ator Danny DeVito, e “Vidas em Jogo” (1997), o terceiro de David Fincher. Mas o papel pelo qual é mais lembrado é o de William Mulder, o pai do personagem de David Duchovny, em seis episódios de “Arquivo X”, exibidos entre 1995 e 1999. Seu último trabalho foi num telefilme da franquia “Assassinato por Escrito”, que continuava a série homônima (1984-1996) estrelada por Angela Lansbury, que foi ao ar em 2003.
Mr. Catra (1968 – 2018)
Morreu na tarde deste domingo (9/9), aos 49 anos, o cantor e ator Mr. Catra, após luta contra o câncer de estômago. Ele estava internado no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, e faleceu por falência múltipla de órgãos por volta das 15h. Catra deixou três esposas e nada menos que 32 filhos. Mr. Catra nasceu como Wagner Domingues Costa no Rio de Janeiro em 5 de novembro de 1968. Formado em Direito, ele nunca exerceu a profissão, porque começou a fazer música desde cedo, ainda nos anos 1980, com a banda de rock O Beco. Entretanto, foi só na década seguinte, com o funk proibidão, que ele passou a fazer sucesso. O seu primeiro disco como artista individual foi “O Bonde dos Justos”, de 1994, que emplacou o hit “Vida na Cadeia”. Também chamou atenção, nos anos 2000, ao ser indiciado por apologia ao crime por causa da letra de “Cachorro”, um dos seus maiores sucessos. Depois partiu para a paródia, com músicas como “Adultério”, que zoava o sucesso “Tédio” de Biquíni Cavadão. Ele ainda exaltou a religiosidade e a pornografia, muitas vezes em faixas coladas no mesmo disco. Poliglota, falava francês, inglês, hebraico e alemão. E em 2003 revelou outro talento, ao estrear como ator no filmaço “O Homem do Ano”, de José Henrique Fonseca. Ele apareceu em mais quatro filmes: viveu rapper em “Quase Dois Irmãos” (2004), figurou em “Maré, Nossa História de Amor” (2007), foi o receptador de “O Roubo da Taça” (2016) e virou Deus em “Internet: O Filme” (2017). Uma filmografia curta, mas, com exceção do último, repleta de filmes bons. No final de 2017, revelou que tinha câncer no estômago. “Na hora é impactante. O primeiro baque, se você não estiver preparado psicologicamente, é fogo. Reuni todo mundo [da família] e falei: ‘não se preocupem’. Não pensei em morrer em nenhum momento”, disse, alguns meses depois, em entrevista ao “Programa do Porchat”. O cantor acreditava que tinha ficado doente por causa do que chamava de “maus hábitos da vida”: falta de descanso, noites sem dormir e péssima alimentação. Mas, apesar da gravidade da situação, nunca deixou de confiar na cura.
Bill Daily (1927 – 2018)
O ator Bill Daily, que ficou conhecido por interpretar o Major Healy na série “Jeannie É um Gênio” nos anos 1960, morreu de causas naturais aos 91 anos na última terça-feira (4/9). A informação foi confirmada pelo filho do ator. “Ele amou cada pôr do Sol, amou cada refeição. Ele só se decidiu ser feliz com tudo”, disse J. Patrick Daily, filho do ator, à Variety. Daily apareceu em todas as cinco temporadas de “Jeannie É um Gênio”, de 1965 a 1970, como colega de trabalho e melhor amigo do astronauta Major Nelson (Larry Hagman), um dos poucos mortais a saber do segredo da gênio Jeannie (Barbara Eden). Logo em seguida, ele também interpretou o vizinho de Bob Newhart no “The Bob Newhart Show”, entre 1972 e 1978, e viveu o psiquiatra Dr. Larry Dykstra em “ALF – O ETeimoso”, de 1987 a 1989. Fora estes personagens, ainda fez aparições nas séries clássicas “A Feiticeira”, “Mary Tyler Moore”, “O Jogo Perigoso do Amor”, “CHiPs”, “O Barco do Amor”, “Aloha Paradise” e muitas outras. Em 1991, voltou a viver o Major Healy num telefilme que marcou o reencontro do elenco original da série clássica, intitulado “Jeannie Ainda É um Gênio”, que revelou que Jeannie teve um filho com o Major Nelson. O seu último trabalho foi em “Horrorween”, de 2011.
Burt Reynolds (1936 – 2018)
O lendário Burt Reynolds, astro de clássicos como “Amargo Pesadelo”, “Jogo Sujo”, “Agarra-me se Puderes” e “Boogie Nights”, morreu nesta quinta-feira (6/9) aos 82 anos, no hospital Jupiter Medical, na Flórida. Nascido Burton Milo Reynolds Jr. em 11 de fevereiro de 1936, ele cresceu na Flórida, filho do chefe de polícia de Riviera Beach, não muito longe dos Everglades. “Meu pai era meu herói, mas ele nunca reconheceu minhas conquistas. Eu sempre senti que nenhuma quantidade de sucesso me faria ser visto por ele como um homem”, escreveu em suas memórias, referindo-se ao fato de ter se tornado ator, em vez de seguir uma profissão mais viril. O pai gostava mais quando ele era halfback do time de futebol americano da Palm Beach High School, mas uma lesão no joelho no segundo ano o afastou da equipe e de uma bolsa de estudos esportiva, que poderia tê-lo levado em outra direção. Em vez disso, Reynolds ganhou uma bolsa para estudar artes dramáticas em Nova York, onde fez amizade com o então também estudante Rip Torn e conseguiram ambos entrar no Actors Studio, a escola de interpretação que deu ao mundo James Dean e Marlon Brando, entre outros. Depois de algumas aparições na Broadway e episódios televisivos, Reynolds ganhou seu primeiro grande papel como protagonista da série western “Riverboat”, ao lado de Darren McGavin. A atração se diferenciava dos demais bangue-bangues populares da época por seus mocinhos não andarem a cavalo, mas a bordo de um barco no rio Mississippi. Durou duas temporadas, entre 1959 e 1961, e serviu principalmente para o astro conhecer o maior parceiro de sua carreira, o dublê Hal Needham. Após o fim de “Riverboat”, Reynolds se juntou ao elenco de “Gunsmoke”, aparecendo da 8ª à 10ª temporada do western mais longo da história da TV como Quint Asper, um meio-comanche que se torna o ferreiro de Dodge City. O sucesso em westerns televisivos o levou aos filmes de cowboys, rendendo seu primeiro protagonismo cinematográfico em “Joe, o Pistoleiro Implacável” (1966), um spaghetti western do italiano Sergio Corbucci, mestre do gênero, que no mesmo ano criou “Django”. O longa se tornou bem conhecido pela trilha pegajosa que repetia o nome original do protagonista, Navajo Joe, até ele se tornar inesquecível, cortesia de outro mestre, Ennio Morricone. Reynolds continuou vivendo mestiços indígenas ao voltar para a TV, na pele de um detetive policial de Nova York com nome de ave de rapina, “O Falcão” (1966). Mas a produção durou só uma temporada e ele não demorou a pegar de volta seu chapéu de cowboy de cinema, contracenando com Rachel Welch em “100 Rifles” (1969) e Angie Dickinson em “Sam Whiskey, o Proscrito” (1969). O fracasso de “Dan August” (1970), sua segunda tentativa de emplacar como detetive de série policial, o afastou da TV. E abriu caminho para sua carreira começar a ser levada a sério. Em 1972, Reynolds estrelou o melhor filme de sua filmografia, “Amargo Pesadelo” (Deliverance). O longa de John Boorman acompanhava quatro amigos da cidade grande (entre eles Jon Voight, o pai de Angelina Jolie) num fim de semana de acampamento no interior profundo dos Estados Unidos, onde pretendiam praticar canoagem nas águas perigosas de um rio. Entretanto, a “diversão” que lhes aguarda é virar vítimas de horrores inimagináveis cometidos por caipiras sociopatas. O filme é de um realismo feroz e chegou a deixar o astro no hospital. O ator reclamou que as sequências de canoagem que usavam bonecos pareciam falsas e quis filmá-las ele mesmo, apesar do perigo representado pelas águas corredeiras. A canoa bateu nas pedras pela força da correnteza e quase o afogou, deixando-o com costelas quebradas. Em sua autobiografia, ele conta ter superado as dores para perguntar ao diretor como a cena tinha ficado. E Boorman lhe respondeu: “Como um boneco enfrentando a correnteza”. Com uma cena fortíssima de estupro masculino, que dura 10 minutos sem cortes, “Amargo Pesadelo” também deixou o público de estômago embrulhado. A obra inspirou todo um subgênero de terror com caipiras psicopatas e foi indicada a três prêmios da Academia – acabou perdendo para “O Poderoso Chefão”. “Se eu tivesse que colocar apenas um dos meus filmes em uma cápsula do tempo, seria ‘Amargo Pesadelo'”, escreveu Reynolds. “Eu não sei se é a melhor atuação que eu fiz, mas é o melhor filme em que eu já estive. Isso provou que eu poderia atuar, não apenas para o público, mas para mim.” A repercussão do filme só não foi maior porque o próprio Reynolds a eclipsou. Três meses antes da estreia, ele posou sem roupas para a revista Cosmopolitan, “trajando” apenas seu famoso bigode e sua vasta cobertura de pelos naturais, deitado sobre um tapete de pele de urso. Apresentado como o símbolo sexual masculino que melhor representava os anos 1970, ajudou a revista a vender 1,5 milhão de exemplares, recorde da publicação. E o mais impressionante é que a imagem do peladão-peludão persiste no imaginário popular até hoje, a ponto de ter sido satirizada na divulgação de “Deadpool”. “Chamaram de uma das maiores ações publicitárias de todos os tempos, mas foi um dos maiores erros que eu já cometi”, escreveu ele, “pois estou convencido de que custou a ‘Amargo Pesadelo’ o reconhecimento que merecia”. Mas o erro não deve ter sido tão grande assim, já que sete anos mais tarde ele se tornou um dos poucos homens a posar para uma capa da Playboy. Entre a nudez e o impacto do filme, Reynolds se tornou o ator mais comentado de 1972. E isto ainda lhe fez virar o primeiro convidado não-comediante do programa de entrevistas “The Tonight Show”, onde aumentou ainda mais sua popularidade ao demonstrar que também podia improvisar e ser engraçado, diante do afiado Johnny Carson. “Antes de conhecer Johnny, eu interpretava um monte de caras raivosos em séries ou filmes de ação esquecíveis, e as pessoas não sabiam que eu tinha senso de humor”, escreveu ele. “Minhas aparições no ‘The Tonight Show’ mudaram isso. Minha imagem pública era de um ator durão que nunca tinha a chance de viver um personagem brincalhão.” De repente, as comédias descobriram Reynolds, que apareceu, de forma surpreendente, como um esperma em “Tudo que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo” (1972), de Woody Allen. Ele também satirizou seu luxuoso estilo de vida hollywoodiano, parodiando a si mesmo em “A Última Loucura de Mel Brooks” (1976), de Mel Brooks. Mas foi com “Golpe Baixo” (1974), de Robert Aldrich, que encontrou sua vocação, entronizando um personagem capaz de conjugar comédia, crime e ação. Na trama, Reynolds pôde resgatar suas antigas habilidades de jogador de futebol americano, ao interpretar o líder de um time de prisioneiros num jogo contra os guardas. Marcou época, influenciou tramas similares – “Fuga Para a Vitória” (1981), com Pelé, foi um deles – e acabou refilmado em 2005, com Reynolds fazendo participação especial. A partir deste filme, ele se estabeleceu como astro das maiores bilheterias da década, acumulando sucesso atrás de sucesso, ao mesmo tempo em que sua filmografia foi se tornando cada vez mais inconsequente. Como Dwayne “The Rock” Johnson hoje em dia, Reynolds passou a estrelar de três a quatro longas por ano, e pouco importava se tinham baixa qualidade e eram machistas de doer, pois praticamente todos lotavam os cinemas. O detalhe é que, quando acertava, Reynolds era capaz de lançar um novo subgênero sem querer. Foi o que aconteceu com “Agarre-Me Se Puderes” (1977). Ele encarou o filme despretensioso como um modo de dar uma força para o velho amigo dublê, que o acompanhava há tantos anos. Hal Needham escreveu e queria fazer sua estreia como diretor no longa, que só saiu do papel porque Reynolds topou estrelar. E a produção se tornou o maior sucesso da carreira do ator. A trama acompanhava Bo “Bandit” Darville, que topava uma aposta para transportar caixas de cerveja do Texas para Atlanta em 28 horas. Ele achava que cumprir a missão seria fácil, até dar carona para Carrie, uma noiva em fuga, literalmente, que deixou o filho do xerife Bufford no altar. Este contratempo faz com que seu carrão conversível seja perseguido em alta velocidade pela polícia do Texas até o fim da projeção. “Agarre-Me Se Puderes” gerou duas continuações, rendeu um namoro entre Reynolds e sua coestrela Sally Field e inspirou inúmeras produções similares, entre elas a bem-sucedida série “Os Gatões” (The Dukes of Hazzard). Além disso, criou uma parceria fortíssima entre Reynolds e Needham, que trabalharam juntos nos maiores sucessos seguintes do ator, entre eles outra comédia de ação que virou franquia, “Quem Não Corre, Voa” (1981). A fase dos blockbusters, porém, terminaria logo em seguida, com a comédia “A Melhor Casa Suspeita do Texas” (1982), com Doly Parton. Os lançamentos seguintes, que tentavam evocar sua fama de sex symbol, começaram a tropeçar, inevitavelmente, na idade do ator, que era quase cinquentão quando estrelou “Meus Problemas com as Mulheres” (1983). Apesar da popularidade, os filmes de Reynolds nunca foram unanimidade entre a crítica, e quando pararam de fazer sucesso passaram a ser ridicularizados na imprensa. A ironia é que sua carreira poderia ter continuado resplandecente por muitos anos, não fossem suas péssimas escolhas. Com status de estrela, ele recebia inúmeras ofertas e quase sempre optava pela pior comédia sobre papéis que se tornariam icônicos em outros gêneros. George Lucas, por exemplo, concebeu Han Solo com o ator em mente. Mas Reynolds não gostava de ficção científica. Ele também recusou o papel que rendeu o Oscar a Jack Nicholson em “Laços de Ternura” (1983), não quis pagar pelo sexo de Julia Roberts em “Uma Linda Mulher” (1990) e achou que os filmes de heróis de ação estavam em decadência quando devolveu o roteiro de “Duro de Matar” (1989). Mas no momento em que já previam sua aposentadoria, o astro resolveu se reinventar. Foi estrelar uma nova série, “Evening Shade”, em que vivia o técnico de futebol americano de uma escola interiorana. Exibida entre 1990 e 1994, a atração foi aclamada e rendeu seu primeiro prêmio importante, o Emmy de Melhor Ator de Comédia em 1992. Isto o levou de volta aos filmes bons. A começar pelo antológico “O Jogador” (1992), de Robert Altman, em que parodiou a si mesmo. Até finalmente aceitar, ainda que de forma relutante, estrelar um longa diferente de tudo o que estava acostumado a fazer. Mas pelo menos era uma comédia. Reynolds topou interpretar o diretor pornô Jack Horner em “Boogie Nights” (1997), o segundo longa do diretor indie Paul Thomas Anderson, que se passava na indústria pornográfica dos anos 1970. Mas assim que se viu na tela, na première do longa, demitiu seu empresário de longa data por envolvê-lo em algo que considerou de baixo nível. Seu desgosto com o filme, contudo, levou-o posteriormente a fazer uma grande reflexão sobre sua carreira, após o papel lhe trazer o reconhecimento da crítica e da Academia que ele nunca tivera. Ele recebeu sua primeira e única indicação ao Oscar (Melhor Ator Coadjuvante) por “Boogie Nights” e conquistou o Globo de Ouro em 1998. “Eu não me abri para novos roteiristas e papéis complicados porque não estava interessado em me desafiar como ator, estava interessado em me divertir”, lamentou Reynolds em sua autobiografia. “Como resultado, perdi muitas oportunidades de mostrar que sabia interpretar personagens sérios. Quando finalmente acordei e tentei acertar, ninguém queria me dar uma chance”. A carreira revitalizada por “Boogie Nights” não o levou aonde gostaria, marcando seus filmes finais com “homenagens”, como a participação no remake de “Jogo Sujo” (2005), em que viu Adam Sandler assumir seu papel original, e na versão de cinema de “Os Gatões” (2005). Ele continuou atuando em filmes cada vez mais fracos e fazendo eventuais aparições em séries. Mas planejava sair de cena por cima, após ser convidado por Quentin Tarantino a aparecer em “Once Upon a Time in Hollywood”. Enquanto negociava o papel, acabou falecendo. Endividado após o divórcio e por maus investimentos em restaurantes, o antigo astro vinha vendendo toda as suas propriedades nos últimos anos, incluindo sua fabulosa fazenda de...
Christopher Lawford (1955 – 2018)
Morreu o ator Christopher Lawford, que apareceu em filmes como “O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas” (2003) e “13 Dias que Abalaram o Mundo” (2000). Ele tinha 63 anos e faleceu após passar mal em uma aula de ioga na noite da terça-feira (4/9). A causa da morte só será determinada após uma autópsia. Christopher era filho do famoso ator Peter Lawford (do “Onze Homens e um Segredo” original), um dos integrantes da “rap pack” de Frank Sinatra, e de Patricia Kennedy, irmã do ex-presidente John F. Kennedy. E só começou a carreira artística após superar a fama negativa de ser o herdeiro drogado dos Kennedy. Em sua autobiografia, ele descreveu sua luta contra o vício em remédios e álcool. Sóbrio desde 1984, Lawford se tornou ativista por melhores centros públicos de tratamento para usuários de drogas e, durante o governo de Arnold Schwarzenegger na Califórnia, foi um dos diretores do Conselho de Saúde Pública do estado. Lawford só estreou no cinema em 1988, no elenco “Clube do Suicídio”. Dois anos depois, atuou ao lado de Sean Connery e Michelle Pfeiffer em “A Casa da Rússia”, e entre 1992 e 1995 apareceu na novela americana “All My Children”. Ele também trabalhou em dois filmes com Arnold Schwarznegger. Além do citado “Exterminador do Futuro”, contracenou com seu futuro chefe no governo da Califórnia em “O 6º Dia” (2000). E participou de um longa sobre seu tio mais famoso, “13 Dias que Abalaram o Mundo”, centrado na crise de mísseis de Cuba de 1962, que quase deu início à 3ª Guerra Mundial. Outros filmes no currículo de Lawford incluem “The Doors” (1991), “Rede de Corrupção” (2001), “Desafiando os Limites” (2005) e “Um Sonho Dentro de um Sonho” (2007). Seu último trabalho no cinema foi o drama “Eavesdrop” (2008).
Beatriz Segall (1926 – 2018)
A atriz Beatriz Segall morreu nesta quarta-feira (5/9), aos 92 anos, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em consequência de problemas respiratórios. Ela marcou a história da TV brasileira com uma das maiores vilãs já vistas numa novela, Odete Roitman, a personagem mesquinha, vaidosa e arrogante de “Vale Tudo” (1988), principal sucesso de sua carreira – e de todos os envolvidos na produção, inclusive o autor Gilberto Braga. Mas para chegar lá, teve que lutar contra a própria família, que não queria vê-la seguir carreira de atriz. Fazer teatro nos anos 1950 era algo mal visto para mocinhas da classe média como Beatriz de Toledo, seu nome de batismo. Ela só virou Beatriz Segall após se destacar na companhia teatral Os Artistas Unidos, da atriz francesa Henriette Morineau, receber uma bolsa do governo francês para cursar língua e teatro na Sorbonne, em Paris, e lá conhecer, se apaixonar e se casar com Mauricio Segall, filho do famoso pintor Lasar Segall. O casamento aconteceu em 1954 e também a transformou em mãe de três filhos, entre eles o diretor de cinema Sérgio Toledo (que fez “Vera”, longa de 1986 que valeu a uma estreante Ana Beatriz Nogueira o Urso de Ouro de melhor atriz em Berlim). A maternidade afastou-a da carreira artística até 1964, quando substituiu Henriette Morineau em “Andorra”, do Teatro Oficina, dirigida por José Celso Martinez Corrêa. O acirramento trazido pelo golpe militar no período fez com que o teatro se tornasse uma opção de vida, inspirando o projeto de reerguer, ao lado do marido, o Theatro São Pedro, em São Paulo. Mas a preferência por peças de teor político acabou colocando os Segall na lista daqueles considerados subversivos, o que culminou na prisão e tortura de Mauricio em 1970, supostamente por sua ligação com a ANL, grupo que aderiu à luta armada contra o regime militar. Com a carreira voltada ao teatro e pouca experiência em cinema (onde estreou em 1951, em “A Beleza do Diabo”, do francês Romain Lesage), Beatriz teve sua trajetória completamente alterada ao ser escalada para a primeira novela das 20h de Gilberto Braga. Ao viver a Celina de “Dancin Days” (1978), ela conheceu o sucesso de massa e reinventou sua trajetória como estrela da Globo. “Até fazer ‘Dancin Days’, eu execrava televisão. Achava tudo muito pobre, sem recursos. A partir de ‘Dancin Days’ me dei conta de que não podia mais ignorar o veículo, a TV tinha melhorado muito”, comentou dez anos depois, em entrevista ao jornal O Globo. A partir do verdadeiro fenômeno cultural que foi “Dancin Days”, influenciando música, moda e comportamento, Beatriz passou a emendar uma novela atrás da outra. Seguiram-se papéis em “Pai Herói” (1979), “Água Viva” (1980), “Sol de Verão” (1982), “Champagne” (1983), “Carmen” (1987), “Barriga de Aluguel” (1990), “De Corpo e Alma” (1992), “Sonho Meu” (1993) e “Anjo Mau” (1997), além de, claro, a famosa Odete Roitman de “Vale Tudo” (1988). A vilã virou ícone por representar o desprezo da elite contra os mais pobres. Mas apesar das maldades, Beatriz adorava as frases escritas por Gilberto Braga, em que destilava também algumas verdades sobre o país. “A Odete diz coisas que são consideradas impatrióticas, mas que são verdades”, disse na época, na entrevista já citada. “Isso provoca alguns tipos de ações ou reações”, acrescentou, explicando que, por causa disso, “todo mundo se envolveu muito com a Odete Roitman”. Mas a maldita era tão odiada que acabou assassinada na trama. No entanto, isto só ajudou a entronizá-la no inconsciente coletivo nacional. O mistério noveleiro em torno de quem matou Odete Roitman chegou a parar o Brasil. O sucesso na TV lhe deu grande visibilidade. Até a filmografia curta deu uma espichada, e com papéis em filmes históricos como “Os Amantes da Chuva” (1979), de Roberto Santos, “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1981), de Hector Babenco, e “Romance” (1988), de Sergio Bianchi. O ritmo de trabalho só foi diminuir nos anos 2000, quando o hiato entre as novelas aumentou e ela se dedicou cada vez mais ao teatro. Mesmo assim, fez “O Clone” (2001), “Esperança” (2002), “Bicho do Mato (2006) e “Lado a Lado” (2012), além dos filmes “Desmundo” (2002) e “Família Vende Tudo” (2011), ambos de Alain Fresnot. Em 2013, a atriz caiu em um buraco em uma calçada do bairro da Gávea, no Rio, machucando-se seriamente. Na ocasião, ela chegou a receber uma ligação e um pedido de desculpas do prefeito Eduardo Paes. Mas isso impactou sua carreira e ela só foi voltar a interpretar um último papel dramático na TV em 2015, no primeiro episódio da série “Os Experientes”, da Globo. Apesar da saída de cena definitiva, Beatriz continua no ar até hoje, eternizada como Odete Roitman pelo canal pago Viva, que está reprisando “Vale Tudo”. E não só a personagem, como a própria trama da novela permanece assustadoramente atual. Passados 30 anos, o Brasil ainda mostra a mesma cara de 1988. Aguinaldo Silva, que ajudou a escrever “Vale Tudo”, despediu-se da amiga com uma reflexão, em depoimento para O Globo. “Beatriz foi uma grande atriz de teatro também, mas ficou conhecida pelas figuras mágicas que interpretou na TV. Ela era completamente diferente dos personagens que fazia, mas sabia fazer uma vilã muito bem. Odete Roitman, criação genial do Gilberto, está marcada entre as cinco maiores vilãs da TV brasileira. O trabalho dela foi meticuloso ao longo da vida, e talvez não tenha sido reconhecida como merecia, embora respeitada. A vida segue e as vilãs renascem, mas Odete será sempre inesquecível.











