Stefanos Miltsakakis (1959 – 2019)
O lutador e ator grego Stefanos Miltsakakis, que foi antagonista de Jean-Claude Van Damme em cinco filmes, morreu enquanto dormia no dia 10 de janeiro em sua casa, em Santa Mônica, na Califórnia (EUA), aos 59 anos. As causas não foram reveladas. Nascido em Provatonas, na Grécia, Miltsakakis se classificou para a equipe olímpica de luta do país em 1984, mas sofreu uma lesão no joelho e foi substituído. Mais tarde, ele treinou com a lenda do jiu-jitsu brasileiro Rickson Gracie e lutou duas vezes no Mundial de Vale Tudo. Com uma carreira focada em cenas de luta ferozes, a estréia de Miltsakakis no cinema surpreendentemente foi numa comédia. Na clássica sessão da tarde “Um Morto Muito Louco” (1989), ele interpretou o fisiculturista blasé Klaus. No mesmo ano, ele encarou pela primeira vez uma luta contra Van Damme em “Cyborg: O Dragão do Futuro” (1989). Vieram outros combates, em “Leão Branco, o Lutador sem Lei” (1990), “Risco Máximo” (1996), “O Desafio Mortal” (1996) e “Agente Biológico” (2002). A sequência de lutas mais impressionante aconteceu em “Risco Máximo”, com direção do mestre do cinema de ação Ringo Lam, também recentemente falecido. Como o bandido russo Red Face, Miltsakakis enfrentou Van Damme em um prédio em chamas, em uma sauna (vestindo só de toalhas, veja abaixo) e finalmente em um elevador. Ele também viveu o monstro de Frankenstein em “Perdidos no Tempo” (1992), lutou contra Jet Li em “O Mestre” (1992) e encarou até um super-herói da Marvel em “Demolidor, o Homem sem Medo” (2003). Sua última participação no cinema foi em “Covil de Ladrões” (2018), estrelado por Gerard Butler.
Edyr de Castro (1946 – 2019)
A cantora e atriz Edyr de Castro, que fez parte do grupo As Frenéticas e atuou em novelas, morreu na manhã desta terça-feira (15/1) no Rio de Janeiro. Ela começou sua carreira no teatro, na montagem do famoso musical “Hair”, em 1969. Mas só ficou conhecida após ser convocada por Nelson Motta para integrar o sexteto vocal As Frenéticas, juntamente com Sandra Pêra, Regina Chaves, Leiloca Neves, Dhu Moraes e Lidoka Martuscelli. Ao emplacar o tema de abertura da novela “Dancin’ Days” (1978), o grupo virou um fenômeno de popularidade – e ainda bisou o feito com o tema de “Feijão Maravilha” (1979). Com o fim das Frenéticas em 1984, Edyr migrou para a televisão, aparecendo na minissérie “Tenda dos Milagres” (1985) e na novela mais vista da rede Globo, “Roque Santeiro” (1985). Em seguida, ela viveu seu papel mais lembrado, como Doroteia na novela “Cambalacho” (1986). Edyr de Castro ficou na Globo até 2006, participando ainda das minisséries “Anos Rebeldes” (1992) e “Chiquinha Gonzaga” (1999), além de algumas novelas, despedindo-se do canal com “Sinhá Moça” (2006). Depois disso, ainda atuou na série “A Turma do Pererê”, na TVE Brasil, e fez duas novelas na Record – “Amor e Intrigas” (2007) e “Poder Paralelo” (2009). Sua carreira ainda inclui diversos filmes, com destaque para “Menino Maluquinho: O Filme” (1995), “Uma Onda No Ar” (2002), “Proibido Proibir” (2006) e “5x Favela, Agora por Nós Mesmos” (2010). Mas a aposentadoria se tornou incontornável quando descobriu que sofria de Alzheimer. Ela viveu seus últimos oito anos no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro, sem deixar ser abater. “Sou feliz aqui, estou em paz comigo mesma”, disse em entrevista ao jornal Extra em 2015. Lembre abaixo o maior sucesso das Frenéticas.
Paul Koslo (1944 – 2019)
O ator Paul Koslo, que foi coadjuvante em diversos clássicos da década de 1970, morreu de câncer na quarta-feira passada (9/1) em sua casa, em Lake Hughes, Califórnia. Ele tinha 74 anos. Nascido Manfred Koslowski na Alemanha em 27 de junho de 1944, seu primeiro papel de destaque no cinema foi como Dutch, um ex-estudante de medicina que é um dos poucos a sobreviver à praga biológica que extermina a civilização na sci-fi “A Última Esperança na Terra” (Omega Man, 1971), estrelada por Charlton Heston. Koslo também viveu um patrulheiro rodoviário em “Corrida Contra o Destino” (Vanishing Point, 1971), ex-militar traumatizado pela Guerra do Vietnã em “A Máquina de Matar” (1971), caçador de recompensas em “Joe Kidd” (1972), gângster em “Cleopatra Jones” (1973), psicopata em “Jogo Sujo” (1973), integrante de uma família sanguinária em “Quando o Ódio Explode” (1973), pistoleiro em “Justiceiro Implacável” (1975), novamente gângster em “A Piscina Mortal” (1975), judeu em fuga dos nazistas em “A Viagem dos Condenados” (1976) e o prefeito do western “Portal do Paraíso” (1980), entre muitos outros personagens. Nestes filmes, contracenou com grandes astros como John Wayne, Katharine Hepburn, Paul Newman, Clint Eastwood, Charles Bronson, Faye Dunaway, Robert Duvall, Rod Steiger, Jeff Bridges, Christopher Walken, John Hurt, Isabelle Huppert, Charlotte Rampling, Joanne Woodward e o já mencionado Charlton Heston, para citar alguns. Chegou a se tornar um dos atores favoritos do diretor Stuart Rosenberg, que o escalou em quatro filmes consecutivos – “Matança em São Francisco” (1973), “A Piscina Mortal” (1975), “A Viagem dos Condenados” (1976) e “Amor e Balas” (1979). E também foi um dos principais antagonistas de Charles Bronson, com quem lutou em três filmes – “Jogo Sujo” (1973), “Desafiando o Assassino” (1974) e “Amor e Balas” (1979). Ele ainda viveu o pai de River Phoenix na comédia juvenil “Uma Noite na Vida de Jimmy Reardon” (1988), enfrentou Gene Hackman e Dan Aykroyd na comédia policial “Um Tiro que Não deu Certo” (1990) e voltou a atuar com Charleton Heston em nova sci-fi, “Solar Crisis” (1990). Mas, apesar desses filmes esporádicos, sua carreira cinematográfica estagnou após o início promissor, o que o levou a privilegiar participações em episódios de séries. Foram dezenas, de “Missão: Impossível” e “O Incrível Hulk” até “Stargate: SG1” em 2000. Seu último papel foi como ele mesmo, na comédia indie “Breaking the Fifth” (2004).
Carol Channing (1921 – 2019)
A atriz Carol Channing, ícone do teatro e do cinema norte-americanos, morreu nesta terça-feira (15/1). Conhecida por originar o papel principal de “Hello Dolly!” no teatro e pela performance indicada ao Oscar no filme “Positivamente Millie”, ela tinha 97 anos de idade e morreu de causas naturais em sua casa no interior da Califórnia, nos EUA. Channing nasceu em Seattle em 31 de janeiro de 1921, filha de um editor de jornal, e fez sua estréia na Broadway aos 20 anos, em outubro de 1941, durante uma montagem de “Let’s Face It!” como substituta de Eve Arden. Seu talento logo ficou evidente e ela começou a aparecer também em programas de variedades, sitcoms e especiais televisivos, começando pelo “The Milton Berle Show” em 1948. Em 1949, ela viveu seu primeiro papel principal na Broadway, como Lorelei Lee na estreia teatral de “Os Homens Preferem as Loiras”, onde colocou sua marca na canção “Diamonds Are a Girl’s Best Friend”. Interpretação que depois seria reprisada por Marilyn Monroe no cinema. Assim como ocorreria mais tarde com “Hello Dolly!” (apresentado pela primeira vez em 1964), Channing não foi chamada para estrelar a versão cinematográfica do musical. Se “Os Homens Preferem as Loiras” eternizou Marilyn Monroe, a adaptação para o cinema de “Dolly” impulsionou a carreira cinematográfica de Barbra Streisand. Por causa de seu estilo exagerado, Channing nunca foi uma grande estrela do cinema, mas impressionou nas poucas aparições que fez na tela grande. Conseguiu, por exemplo, roubar a cena de Julie Andrews e Mary Tyler Moore em “Positivamente Millie” (1967), que lhe rendeu sua única indicação ao Oscar. Apesar desse reconhecimento da Academia, foi mesmo no teatro que se consagrou, vencendo três prêmios Tony. Mas seus troféus ainda incluíram um prêmio Emmy pelo especial televisivo “An Evening With Carol Channing”, exibido em 1966. No cinema, Channing participou também de “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” (1978), musical inspirado pelos Beatles e estrelado por Bee Gees e Peter Frampton. Também interpretou a Rainha Branca em uma versão de “Alice no País das Maravilhas” para a TV, lançada em 1985. Sua última aparição para câmeras foi na série “Style & Substance”, em 1998, num episódio em que interpretou a si mesma. Por fim, em 2006, voltou às telinhas apenas com a voz, para uma participação especial em “Uma Família da Pesada” (Family Guy).
Verna Bloom (1938 – 2019)
Morreu a atriz Verna Bloom, que estrelou os clássicos “Dias de Fogo”, “O Pistoleiro sem Nome”, “O Clube dos Cafajestes”, “Depois das Horas” e “A Última Tentação de Cristo”. Ela tinha 80 anos e faleceu na quarta (9/1) em Bar Harbour, no Maine (EUA), devido a complicações provocadas pela demência. Nascida em 7 de agosto de 1938, em Lynn, Massachusetts, Bloom se formou na Universidade de Boston em 1959. Logo em seguida, mudou-se para Denver e fundou um teatro local, onde ajudou a produzir montagens de provocativas peças contemporâneas. Sua estréia na Broadway aconteceu em 1967, mesmo ano em que começou a fazer participações em séries de TV. Sua chegada no cinema se deu em grande estilo, no clássico “Dias de Fogo” (Medium Cool, 1969), um filme revolucionário de Haskell Wexler, rodado em estilo de guerrilha, no papel de uma mãe solteira que se envolve na violência que toma conta de Chicago durante a caótica Convenção Nacional Democrata de 1968. As cenas de quebra-quebra na cidade foram registros reais, misturando ficção e documentário para narrar a história do envolvimento de Bloom com um cameraman (Robert Forster) que cobre o tumulto. As imagens da atriz em um vestido amarelo em busca de seu filho perdido entre os manifestantes, os disparos de gás lacrimogêneo e o avanço de tanques e soldados armados – pano de fundo 100% real – tornou-se uma das cenas mais impressionantes do cinema americano daquele período – e de todos os tempos. “Ela não era apenas uma atriz maravilhosa, ela era destemida”, disse Wexler, sobre a performance. “Eu estava mais assustado do que ela”, refletiu o diretor, sobre filmar em meio a um dos maiores tumultos civis da história dos EUA. Após essa estreia à fogo, ela virou protagonista em Hollywood, tendo papéis de destaque em westerns como “Pistoleiro sem Destino” (1971), dirigido e estrelado por Peter Fonda, e o clássico “O Estranho sem Nome” (1973), dirigido e estrelado por Clint Eastwood, além do thriller criminal “Ruge o Ódio” (1973), com Robert Duvall. A atriz também se destacou em telefilmes que marcaram a época, como “A Garota Viciada” (1975), em que viveu a mãe da personagem-título (papel da adolescente Linda Blair), “Contract on Cherry Street” (1977), no qual interpretou a mulher de Frank Sinatra, e “Amarga Sinfonia de Auschwitz” (1980), como uma música judia num campo de concentração nazista. Mas foi, ironicamente, por um de seus menores papéis que se tornou mais lembrada: Marion Wormer, a mulher liberada do diretor da universidade de “Clube dos Cafajestes” (1978), que acaba traindo o marido (John Vernon) com um dos estudantes que ele mais odeia (Tim Matheson). Bloom revisitou o papel 25 anos depois num especial criado para acompanhar o lançamento da comédia de John Landis em Blu-ray, que contava, num falso documentário, o que tinha acontecido com os personagens do filme. Ela voltou a trabalhar com Clint Eastwood em “Honkytonk Man – A Última Canção” (1982), antes de aparecer em seus dois últimos filmes, ambos dirigidos por Martin Scorsese, vivendo uma escultora moderna na comédia “Depois das Horas” (1985) e Maria em “A Última Tentação de Cristo” (1988). Verna Bloom acabou se casando em 1972 com uma colaborador frequente de Scorsese, o roteirista Jay Cocks, que foi indicado ao Oscar por seu trabalho em “A Época da Inocência” (1993) e “Gangues de Nova York” (2002), e também escreveu o filme mais recente de Scorsese, “Silêncio” (2016).
Retrospectiva: 50 talentos que perdemos em 2018
2018 acabou. Mas antes de deixar o ano para trás, a Pipoca Moderna vai celebrar suas lembranças. Antes de mais nada, saudar os que farão falta em 2019. Verdadeiros gênios se foram em 2018, e não apenas do cinema e da TV, mas também dos quadrinhos, como Stan Lee, da música, como Aretha Franklyn, da literatura, como Harlan Ellison, e do teatro, como Neil Simon. Estes quatro tiveram intersecção importante com as telas, mas outros não entraram na lista abaixo por conta dessa diferença – gente como o desenhista Steve Dikto, o escritor Tom Wolfe e o radialista Gil Gomes, que deixaram suas passagens marcadas no site. Dubladores famosos, ilustradores de pôsteres clássicos e até atores e cineastas menos conhecidos também foram celebrados com suas respectivas despedidas ao longo do ano. Entretanto, na hora de listar 50 nomes, diversos cortes tiveram que ser feitos. Até não ser possível cortar mais ninguém. O que fez que o número não ficasse exatamente redondo. São 50 e poucos nomes reverenciados abaixo, entre eles alguns dos maiores diretores do cinema mundial, do italiano Bernardo Bertolucci ao tcheco Milos Forman, sem esquecer o brasileiro Nelson Pereira dos Santos. São, ainda, criadores e atores de séries clássicas, heróis e vilões do cinema, cowboys inesquecíveis, mulheres de outro mundo e até a melhor malvada que a TV brasileira já produziu. Relembre com saudades e clique em seus nomes para ler sobre as carreiras de cada um deles. Agildo Ribeiro Aretha Franklin Audrey Wells Barbara Harris Beatriz Segall Bernardo Bertolucci Bill Daily Bradford Dillman Burt Reynolds Charles Aznavour Clint Walker Deanna Lund Donald Moffat Dorothy Malone Eloísa Mafalda Ermanno Olmi Etty Fraser Francis Lai Harlan Ellison Isao Takahata Joel Barcellos John Gavin John Mahoney Joseph Campanella Laurie Mitchell Leonardo Machado Lewis Gilbert Margot Kidder Mark Salling Michael Anderson Milos Forman Oswaldo Loureiro Neil Simon Nelson Pereira dos Santos Nicolas Roeg Pedro Carlos Rovai Penny Marshall R. Lee Ermey Reg E. Cathey Ringo Lam Robby Müller Robert Dowdell Roberto Farias Scott Wilson Sondra Locke Stan Lee Stéphane Audran Stephen Hillenburg Steven Bochco Susan Anspach Tab Hunter Tônia Carrero Verne Troyer Vittorio Taviani
Etty Fraser (1931 – 2018)
A atriz Etty Fraser morreu na segunda-feira (31/1), aos 87 anos, em São Paulo. Internada desde sábado no hospital Hospital São Luiz, ela sofreu uma insuficiência cardíaca. Uma das fundadoras do Teatro Oficina, ao lado de Zé Celso, Etty era reconhecida por grandes atuações no palco, mas também marcou época na TV e no cinema. Nascida no Rio de Janeiro em 1931, Etty Fraser estudou teatro na Inglaterra e chegou a ser professora antes de se dedicar ao teatro. A atriz foi casada com o ator Chico Martins, morto em 2003. Na televisão, ela se destacou com papéis em diversas novelas, entre elas a pioneira “Beto Rockfeller” (1968) na Tupi, que foi responsável pela substituição dos folhetins de época pelas tramas contemporâneas e bem-humoradas, além de “Sassaricando” (1987) e “Torre de Babel” (1998) na Globo. No cinema, participou de filmes clássicos, como “São Paulo S.A.” (1965) e “O Homem do Pau-Brasil” (1982), e venceu o prêmio de Melhor Atriz do Cine PE por “Durval Discos”, longa-metragem de Anna Muylaert de 2002.
Ringo Lam (1955 – 2018)
O influente diretor de cinema, produtor e roteirista Ringo Lam morreu de causas naturais em sua casa, em Hong Kong, neste sábado (29/12), aos 63 anos. Ringo Lam Ling-Tung nasceu em Hong Kong em 1955, mas estudou cinema no Canadá. Seus primeiros filmes, lançados no começo dos anos 1980, foram comédias. Até que em 1987 ele realizou seu primeiro thriller de ação, “Perigo Extremo” (City of Fire), estrelado pelo ainda pouco conhecido Chow Yun-Fat (“O Tigre e o Dragão”). “Perigo Extremo” foi um das primeiras produções asiáticas a fazer sucesso internacional fora do nicho das artes marciais. Passou a ser cultuado como exemplo do revigorante cinema de ação que surgia na época em Hong Kong, e até hoje é considerado uma das principais influências na carreira de Quentin Tarantino. A repercussão do longa fez Lam se especializar em thrillers que mostravam o lado mais sombrio de Hong Kong. No mesmo ano, retomou a parceria com Chow Yun-Fat em “Prisioneiro do Inferno” (1987), que teve continuação em 1991. Ainda assinou outro clássico com o ator, “À Flor da Pele” (1992), em que atingiu o ápice. Paralelamente, também dirigiu Jackie Chan na comédia de ação “Dragões em Dose Dupla” (1992). E acabou seduzido por Hollywood, onde estreou em 1996, comandando Jean-Claude Van Damme em “Risco Máximo”. Os dois ficaram amigos e a parceria ainda rendeu mais um par de longa-metragens, “Replicante” (2001) e “Hell” (2003), rodados com baixo orçamento e lançados no mercado de home video. Sua carreira continuou prestigiada em Hong Kong, onde ainda fimou “Triangle” (2007) em parceria com Johnnie To (do clássico “Eleição”) e “Sky on Fire” (2016), estrelado por Daniel Wu (da série “Into the Badlands”), entre outros. Ele trabalhava atualmente numa antologia de histórias de ação com os principais diretores do gênero de Hong Kong – entre eles, o citado Johnnie To, Hark Tsui e John Woo.
June Whitfield (1925 – 2018)
A atriz inglesa June Whitfield, que teve longa carreira na TV britânica, morreu em sua casa na noite de sexta-feira (28/12), aos 93 anos. Sua trajetória de mais de cinco décadas de produções televisivas inclui diversos sucessos, entre eles as sitcoms “Happy Ever After” (1974–1979) e “Terry and June” (1979–1987), nas quais viveu as principais personagens femininas. Mas ela é mais lembrada por uma produção recente, “Absolutely Fabulous” (1992–2012), em que interpretou a mãe da protagonista e criadora da atração, Jennifer Saunders. Whitfield também fez incontáveis participações especiais, aparecendo até num episódio duplo de “Doctor Who”, em 2009, num capítulo do popular sitcom americano “Friends”, em 1998, e como Deus em “You, Me and the Apocalypse”, em 2015. Seu último trabalho foi no filme baseado em “Absolutely Fabulous”, lançado nos cinemas em 2016.
Donald Moffat (1930 – 2018)
Morreu o veterano ator Donald Moffat, que fez sucesso na Broadway, no cinema e na televisão. Ele morreu na quinta-feira (20/12) em Sleepy Hollow, Nova York, aos 87 anos, após complicações de um derrame recente. Durante a longa carreira, que durou quase 50 anos, ele apareceu em 80 peças teatrais, dirigiu outras 10, fez 70 filmes e telefilmes e pelo menos 60 episódios de séries televisivas. Moffat nasceu em Plymouth, na Inglaterra, e se mudou para os EUA aos 26 anos. Ele começou sua trajetória no teatro e chegou a ser indicado ao prêmio Tony de Melhor Ator em 1967. A essa altura, já tinha uma década de experiência, tanto nos palcos quanto na televisão. Sua primeira participação televisiva foi num episódio da série noir “Cidade Nua”, em 1958. A estreia no cinema, porém, só foi acontecer depois da consagração teatral. Seu primeiro papel veio em “Rachel, Rachel” (1968), que também marcou o debut do astro Paul Newman como diretor. Durante os anos 1970, alternou aparições em episódios de séries clássicas, como “Missão Impossível”, “Lancer”, “Chaparral”, “Bonanza”, “Galeria do Terror”, “Gunsmoke”, “Tempera de Aço”, “O Homem de Seis Milhões de Dólares”, “Os Waltons” e “Os Pioneiros”, antes de ser escalado em seu primeiro papel fixo numa série, como o androide Rem na cultuada sci-fi “Fuga das Estrelas” (Logan’s Run), versão televisiva do filme “Fuga no Século 23” (1976). Paralelamente, caprichou em sua seleção de personagens em filmes icônicos, incluindo “R.P.M.: Revoluções por Minuto” (1970), de Stanley Kramer, o western “Sem Lei e Sem Esperança” (1972), de Philip Kaufman, a sci-fi “O Homem Terminal” (1974), de Mike Hodges, e o desastre clássico “Terremoto” (1974), de Mark Robson. O auge da carreira cinematográfica aconteceu na década de 1980, inaugurada por “Política do Corpo e Saúde” (1980), de Robert Altman. Em seguida, ele participou de dois dos filmes mais comentados do período. Viveu o comandante de uma estação de pesquisa antártica na cultuada sci-fi de terror “O Enigma de Outro Mundo” (The Thing, 1982), de John Carpenter, e roubou a cena como o vice-presidente Lyndon B. Johnson em “Os Eleitos” (The Right Stuff, 1983), seu segundo filme dirigido por Philip Kaufman, sobre o início do programa espacial americano. Os dois papéis foram sucedidos por uma enxurrada de trabalho. Moffat participou de um arco em “Dallas”, mas quase não teve tempo de fazer TV, brilhando em filmes diversos, do drama “A Baía do Ódio” (1985), de Louis Malle, ao trash “O Monstro do Armário” (1986). Ele retomou sua parceria bem sucedida com Kaufman em outro longa cultuado, “A Insustentável Leveza do Ser” (1988), e continuou acumulando obras de mestres do cinema. Vieram “Muito Mais que um Crime” (1989), de Costa-Gavras, “A Fogueira das Vaidades” (1990), de Brian De Palma, “Uma Segunda Chance” (1991), de Mike Nichols, “A Fortuna de Cookie” (1999), de Robert Altman, sem esquecer o papel de presidente corrupto dos Estados Unidos em “Perigo Real e Imediato” (1994), de Phillip Noyce, entre uma variedade de títulos. Em 2000, ele entrou em “Bull”, primeira série do canal pago TNT, focada no mercado financeiro. Mas a experiência se provou amarga. A série foi cancelada na metade da 1ª temporada e ele só fez mais três trabalhos depois disso – o telefilme esportivo “A História de um Recorde” (2001) e episódios individuais de “West Wing” (em 2003) e “Law & Order: Trial by Jury” (em 2005).
Peter Masterson (1934 – 2018)
O ator, roteirista e diretor Peter Masterson, que foi bastante ativo nas décadas de 1970 e 1980 à frente e atrás das câmeras, morreu na quarta-feira (19/12), após sofrer uma queda em sua casa, no interior de Nova York. Ele tinha 84 anos e sofria de doença de Parkinson. Nascido Carlos Bee Masterson Jr. em 1 de junho de 1934, ele fez sua estreia no cinema com papéis no filme de guerra “A Baia da Emboscada” (1966) e no thriller clássico “No Calor da Noite” (1967), que venceu o Oscar. Após aparecer em outros longa e séries, foi escalado como o diretor da clínica que sugere uma maneira de salvar uma jovem (Linda Blair) aparentemente possuída pelo demônio. “Você já ouviu falar em exorcismo?”, ele pergunta para a mãe (Ellen Burstyn) da garota, introduzindo a trama de “O Exorcista” (1973), um dos filmes mais famosos dos anos 1970. Ele também apareceu em outro clássico do período, “As Esposas de Stepford” (1975), como o marido da protagonista Katharine Ross. A produção também marcou a estreia de sua filha no cinema, a atriz Mary Stuart Masterson, que viveu a filha de sua personagem aos oito anos de idade. Depois disso, Peter Masterson só apareceu em mais dois filmes, encerrando a carreira de ator cinematográfico com “Jardins de Pedra” (1987), de Francis Ford Coppola. Mas não aposentou das câmeras. Apenas passou para trás delas. Em 1978, ele escreveu a peça “A Melhor Casa Suspeita do Texas”, que virou um enorme sucesso na Broadway e acabou se tornando também um blockbuster de cinema em 1982, com Burt Reynolds e Dolly Parton nos papéis principais. A partir daí, passou a se interessar por outras funções que não fossem atuação. Fez sua estreia como diretor em “O Regresso para Bountiful” (1985), drama de época que rendeu muitos elogios da crítica e o Oscar de Melhor Atriz para Geraldine Page. Mas, infelizmente, não voltou a conseguir a mesma repercussão com suas obras seguintes. Dirigiu, ao todo, nove longa-metragens e dois telefilmes até 2005, entre eles “Lua Cheia em Blue Water” (1988), com Gene Hackman, “Amores e Desencontros” (1997), estrelado por Diane Keaton e Sam Shepard, e “Lily Dale” (1996), protagonizado por sua filha Mary Stuart Masterson. Em depoimento emocionado para a imprensa, a atriz descreveu Peter Masterson como “o melhor pai imaginável e uma verdadeira inspiração para mim, de forma criativa e em todos os sentidos”.
Madonna e Tom Hanks homenageiam a diretora Penny Marshall nas redes sociais
A cantora Madonna e o ator Tom Hanks usaram as redes sociais ara homenagear a cineasta Penny Marshall, que dirigiu os dois no filme “Uma Equipe Muito Especial” (1992). Marshall, que teve sua morte confirmada na terça (18/12) aos 75 anos de idade, também comandou Hanks no blockbuster “Quero Ser Grande” (1988). Madonna postou uma foto de bastidores do longa de 1992, em que aparece rindo junto da diretora, durante as filmagens. “Tive muita sorte por ter lhe conhecido e trabalhado com você, Penny Marshall”, ela escreveu ao lado da imagem. “Seu talento era tão grande quanto o seu coração. Você abriu caminho para as mulheres em Hollywood. Deus a abençoe e a sua família”, completou. Tom Hanks também lembrou da alegria que foi trabalhar com a cineasta duas vezes em sua carreira. “Adeus, Penny”, escreveu Hanks no Twitter. “Cara, nós rimos bastante! Gostaria que ainda pudéssemos rir mais. Amo você”. Visualizar esta foto no Instagram. So Lucky to have known you and worked with you Penny Marshall!! ♥️ Your Talent was as BIG as your Heart! ♥️ and you were aTrailblazer For Women In Hollywood! ?? GOD BLESS you and your family! #pennymarshall #leagueofthierown Uma publicação compartilhada por Madonna (@madonna) em 18 de Dez, 2018 às 10:05 PST Goodbye, Penny. Man, did we laugh a lot! Wish we still could. Love you. Hanx. — Tom Hanks (@tomhanks) 18 de dezembro de 2018
Penny Marshall (1943 – 2018)
A atriz e cineasta Penny Marshall, que ficou conhecida pela série clássica “Laverne & Shirley” e por ter dirigido comédias de sucesso como “Quero Ser Grande” e “Uma Equipe Muito Especial”, morreu aos 75 anos de idade por complicações de diabetes, após ter sobrevivido ao câncer de cérebro e pulmão em 2009. Seu nome completo era Carole Penny Marshall, em homenagem à atriz Carole Lombard. Ela nasceu em 15 de outubro de 1943 no Bronx, em Nova York, e era a irmã mais nova do cineasta Garry Marshall (1934–2016). Penny já era divorciada quando resolveu viajar para Los Angeles em busca de ajuda do irmão, na época roteirista de séries, para tentar a carreira de atriz. Quando sua mãe descobriu, pediu que ela mudasse de nome para não envergonhar a família. Garry não deixou. No final dos anos 1960, Penny começou a aparecer em comerciais, um deles ao lado da deslumbrante Farrah Fawcett (“As Panteras”), interpretando sua colega de quarto normal. Seu irmão conseguiu incluí-la como figurante na comédia “Lua de Mel com Papai” (1968) e no romance “Sede de Pecar” (1970), primeiros longas que ele escreveu. E, a partir daí, a jovem emendou participações em séries. Ela chegou a fazer teste para viver a esposa de Rob Reiner na série “Tudo em Família”, mas não conseguiu o papel. Ironicamente, acabou aprovada na vida real, casando-se com o ator logo depois. Os dois ficaram casados até 1979 – por coincidência, mesmo ano em que “Tudo em Família” acabou. Novamente com ajuda do irmão, Penny conseguiu seu primeiro papel fixo na série “The Odd Couple”, adaptação do filme “Um Estranho Casal” (1968) desenvolvida por Garry. Ela viveu a secretária volúvel de Oscar (Jack Klugman), Myrna Turner, entre a 2ª e a 5ª temporadas da atração. Quando a série acabou em 1975, Penny foi convidada pelo irmão a participar de um episódio da 3ª temporada de “Happy Days”, fenômeno de audiência que o roteirista tinha criado no ano anterior. Era para ser uma simples aparição. Virou uma carreira. A atriz foi escalada como Laverne DeFazio, que vai a um encontro duplo com Fonzie (Henry Winkley) e Richie (Ron Howard), acompanhada por sua amiga Shirley Feeney (Cindy Williams). Intitulado “A Date with Fonzie”, o episódio acabou registrando uma das maiores audiências da série e rendeu elogios rasgados para a dupla feminina, que roubou a cena dos atores principais. A repercussão positiva rendeu mais participações. E o inesperado: um spin-off focado em Laverne e Shirley. A série “Laverne & Shirley” foi a primeira sobre mulheres trabalhadoras normais. Elas não eram mães de família nem tinham carreiras glamourosas. Eram operárias, que engarrafavam cervejas e dividiam um apartamento de subsolo para pagar as contas. A atração superou a sintonia de “Happy Days”, tornando-se a série de maior audiência da TV americana entre 1977 e 1979. Ao todo, durou oito temporadas até 1983, além de ter rendido seus próprios derivados – os desenhos animados “Laverne & Shirley in the Army” e “Mork & Mindy/Laverne & Shirley/Fonz Hour”. O sucesso também permitiu a Penny negociar nova função na atração, fazendo sua estreia como diretora. Ela comandou quatro episódios, e quando a série acabou resolveu testar essa nova habilidade nos cinemas. Sua estreia como cineasta aconteceu com a comédia “Salve-me Quem Puder” (1986), estrelada por Whoopy Goldberg. Mas foi o filme seguinte, “Quero Ser Grande” (1988), em que uma criança virava Tom Hanks, que a fez ser levada a sério como diretora. “Quero Ser Grande” virou um das comédias mais bem-sucedidas dos anos 1980 e o primeiro filme dirigido por uma mulher a arrecadar mais de US$ 100 milhões nos Estados Unidos. Seu terceiro trabalho como cineasta, o drama “Tempo de Despertar” (1990), estrelado por Robin Williams e Robert DeNiro, foi o segundo longa dirigido por uma mulher a receber indicação ao Oscar de Melhor Filme. Ela voltou a trabalhar com Tom Hanks em “Uma Equipe Muito Especial” (1992), uma das primeiras comédias feministas de sucesso, sobre a formação da liga feminina de beisebol nos EUA. No elenco, estavam Geena Davis, Madonna e Rosie O’Donnell. A grande bilheteria inspirou a criação de uma série, que entretanto durou só uma temporada no ano seguinte. Apesar desse começo avassalador, ela só dirigiu mais três longas na carreira, “Um Novo Homem” (1994), com Danny DeVito, “Um Anjo em Minha Vida” (1996), com Whitney Houston, e “Os Garotos da Minha Vida” (2001), com Drew Barrymore. Depois disso, dirigiu produções televisivas, dublou animações e fez participações em séries. Seu papel favorito acabou sendo o dela mesma, uma diretora de cinema chamada Penny Marshall, que encarnou em episódios de “Bones” e “Entourage” e nos filmes “O Nome do Jogo” (1995) e “Noite de Ano Novo” (2011), este último dirigido por seu irmão. Seu último trabalho foi uma participação especial no remake de “The Odd Couple” em 2016, numa homenagem à primeira personagem marcante de sua carreira.








