Billy Drago (1945 – 2019)
O ator Billy Drago, especialista em vilões, que é mais lembrado pelo papel do gângster Frank Nitti em “Os Intocáveis”, morreu na segunda-feira (24/6) em Los Angeles, após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral) aos 73 anos. Drago marcou filmes e séries com seu olhar gélido, ao longo de quatro décadas de carreira. Mas o começo de sua trajetória se deveu a outro atributo facilmente reconhecido em seus trabalhos: a voz grave e rouca. Jornalista da Associated Press em seus anos de juventude, Drago tornou-se uma celebridade de rádio no Kansas, tendo seu próprio programa de audiência cativa, antes de decidir fazer teatro e, assim, chegar em Hollywood no final dos anos 1970. Ele teve pequenos papéis em filmes imponentes, como “Obstinação” (1981), de Ivan Passer, e “O Cavaleiro Solitário” (1985), de Clint Eastwood, antes de se destacar como o capanga sangue-frio de Al Capone em “Os Intocáveis” (1987), de Brian De Palma. Ao contrário do clichê, seu Frank Nitti era um malvadão que só vestia terno branco, limpo e impecável até mesmo em sua memorável cena de morte, nas mãos de Eliot Ness, interpretado por Kevin Costner. Seu papel em “Os Intocáveis” chamou bastante atenção da crítica, eclipsando o Al Capone de Robert De Niro como o grande vilão do longa. Entretanto, também restringiu o ator, que foi convidado a viver psicopatas e homens arrepiantes pelo resto de sua filmografia, repleta de filmes de terror e thrillers de baixo orçamento, com destaque para “Viagem Maldita” (2006), de Alexandre Aja, e o cultuadíssimo “Mistérios da Carne” (2004), de Gregg Araki. O ator também teve passagens por séries sobrenaturais famosas, como “Arquivo X” e “Supernatural”, e chegou a viver um personagem recorrente em “Charmed” – que logicamente era um demônio. Um de seus últimos trabalhos, “A Decadência de Joe Albany” (2014), chegou a ser premiado no prestigioso festival europeu de Karlovy Vary. Ele foi casado com a atriz Silvana Gallardo (“Desejo de Matar 2”), com quem trabalhou em vários projetos, até a morte dela em 2012, e um de seus filhos, Darren Burrows (da cultuada série “Northern Exposure”), segue a carreira de ator.
Susan Bernard (1948 – 2019)
A atriz Susan Bernard, estrela do cultuado filme “Faster, Pussycat! Kill! Kill!” (1965), morreu inesperadamente em sua casa em Los Angeles na sexta-feira (21/6) passada, após sofrer um ataque cardíaco aos 71 anos de idade. Ela era filha de Bruno Bernard, um dos mais célebres fotógrafos de Hollywood, que fez algumas das fotos mais conhecidas de Marilyn Monroe. A preservação do legado do pai foi uma das muitas atividades da estrela, que organizou exposições e ainda editou sete livros com o material mais icônico do fotógrafo. Sua carreira como atriz também foi marcada por sua beleza fotográfica. Não por acaso, ela foi eleita uma das 100 mulheres mais bonitas do século 20 pela revista Playboy, após aparecer nas páginas da publicação em 1966 – apresentada como a primeira playmate judia! – , seguindo sua estreia em “Faster, Pussycat! Kill! Kill!”. Escrito e dirigido por Russ Meyer, mestre do cinema “exploitation” dos anos 1960 – que explorava sensualmente os atributos físicos de suas estrelas – , “Faster, Pussycat! Kill! Kill!” foi um grande fracasso comercial. Mas se tornou cultuadíssimo com a passagem dos anos. Uma das influências de “À Prova de Morte” (2007), de Quentin Tarantino, o filme foi inicialmente odiado pela crítica e considerado misógino. Mas acabou revisto e celebrado como marco do feminismo no cinema. A história que inspirou tamanha polarização acompanhava uma gangue de mulheres espalhando morte e destruição pelas estradas empoeiradas da Califórnia. Susan interpretou Linda, uma caroneira que passa o filme quase todo de biquíni, após ser sequestrada e integrada à força no grupo de três dançarinas transformadas em assassinas desvairadas. Mas ela se vinga. O começo controvertido, seguido por fotos na Playboy, não transformou Susan Bernard em estrela. Ela acabou aparecendo apenas em filmes B, eventualmente marcando presença em outros cults da época, como o drama lésbico “That Tender Touch” (1969), o terror bizarro “Necromancy” (1972), estrelado por ninguém menos que Orson Wells, o violento “Raça Maldita” (1973) e o exploitation “Teenager” (1974). A atriz também teve papéis na novela “General Hospital” e na série “Família Buscapé”, antes de se retirar de Hollywood por ocasião de seu casamento com o ator Jason Miller (o padre Karras de “O Exorcista”) em 1974. A aposentadoria do cinema só foi interrompida uma vez, quando participou de um filme dirigido por seu filho em 1999, “The Mao Game”, um relato semibiográfico. Ator, diretor e roteirista, Joshua John Miller, o filho de Susan Bernard e Jason Miller, é um dos criadores da série “A Rainha do Sul” (The Queen of the South). Relembre, abaixo, o trailer de “Faster, Pussycat! Kill! Kill!”.
Édith Scob (1937 – 2019)
A atriz francesa Édith Scob, que marcou época ao estrelar o clássico do terror “Os Olhos Sem Rosto”, morreu nesta quarta (26/6) aos 81 anos. Nascida em Paris, em 1937, ela começou sua trajetória como atriz de teatro aos 21 anos de idade. Em 1958, fez a estreia nos palcos com a peça “Don Juan”, encenada por Georges Vitaly, e, no ano seguinte, com 22 anos, abriu sua vasta filmografia com “Os Muros do Desespero”, de George Franju, pioneiro do cinema fantástico. O filme que lhe deu fama veio em seguida, o segundo de sua carreira e o segundo da parceria com Georges Franju, lançado em 1960. Em “Os Olhos Sem Rosto”, a atriz interpretou a personagem misteriosa do título, a filha de um médico famoso, que passa por várias cirurgias após o seu rosto ser desfigurado. Ela interpretou boa parte do filme usando bandagens e uma máscara que deixava apenas o seus olhos visíveis. Sua performance misteriosa – alguns diriam “etérea” – conquistou a imaginação do público e dos críticos, ajudando a transformar o filme num dos terrores mais influentes do cinema francês – que inspirou, por exemplo, “A Pele que Habito” (2011), de Pedro Almodóvar. Scob seguiu fazendo filmes cultuados, como “O Pecado de Teresa” (1962), seu terceiro longa dirigido por Franju, o terror “Câmara Ardente” (1962), o pulp “Judex” (1963) e encarnou até o papel da Virgem Maria no surreal “Via Láctea” (1969), do mestre Luís Buñuel. Ao final dos anos 1960, ela fundou uma companhia de teatro vanguardista em Bagnolet, nos arredores de Paris, juntamente com o marido, o compostor Georges Aperghis, e diminuiu sua presença nas telas. Mas isso não impediu que, mais tarde, voltasse a aparecer em muitos outros filmes que se destacaram no cinema europeu, como “Verão Assassino” (1983), de Jean Becker, “Joana, A Virgem II – As Prisões” (1994), de Jacques Rivette, a adaptação de Marcel Prost “O Tempo Redescoberto” (1999), de Raoul Ruiz, “Instituto de Beleza Vênus” (1999), de Tonie Marshall, “A Fidelidade” (2000), de Andrzej Zulawski, “O Pacto dos Lobos” (2001), de Christophe Gans, “Uma Passagem para a Vida” (2002), de Patrice Leconte, e “Horas de Verão” (2008), de Olivier Assayas, que lhe rendeu sua primeira indicação ao César (o Oscar francês). Édith Scob ainda chegou a firmar uma parceria marcante com o diretor Leos Carax, com quem trabalhou em “Os Amantes de Pont-Neuf” (1991) e “Holy Motors” (2012). Neste último filme, pelo papel da motorista de limusine Céline, recebeu sua segunda indicação ao César. O reconhecimento da indústria cinematográfica francesa deu fôlego à parte final de sua carreira, permitiu que ela trabalhasse intensamente nos últimos anos, com papéis que apenas reforçaram a qualidade de sua filmografia – em “Gemma Bovery – A Vida Imita a Arte” (2014), de Anne Fontaine, “O Ignorante” (2016), de Paul Vecchiali, e “Amor à Segunda Vista” (2019), de Hugo Gélin, entre outros.
Sean McCann (1935 – 2019)
O ator canadense Sean McCann morreu no dia 13 de junho por problemas cardíacos. A informação foi confirmada nesta sexta (21/6) pela revista The Hollywood Reporter com sua agente. Ele tinha 83 anos. McCann era prolífico e acumulou mais de 150 créditos em filmes e séries de TV, ao longo de quase 60 anos de carreira. Entre eles, estão papéis em filmes tão diferentes quanto o suspense “Mistérios e Paixões” (1991), de David Cronenberg, a comédia “Mong e Lóide” (1995), o musical “Chicago” (2002) e o drama esportivo “Desafio no Gelo” (2004). Ele também estrelou as quatro temporadas série policial canadense “Night Heat” (1985–1989), na pele do Tenente Jim Hogan, e dublou a série animada “O Pequeno Urso” (1995–2003), como o vovô urso. Sean McCann nasceu em 1935, no Canadá, e além de ator também foi scout de atletas para o time de baseball Toronto Blue Jays. Um de seus últimos trabalhos foi “Goalie” (2019), em que interpretou Red Storey, árbitro da NHL (liga de hóquei americana) que entrou para o hall da fama do esporte. Ativo até o fim, ainda terminou o inédito “Defining Moments”, que traz no elenco outro ator recentemente falecido, Burt Reynolds.
Estreia da 4ª temporada de Riverdale será tributo ao ator Luke Perry
O criador e showrunner de “Riverdale”, Roberto Aguirre-Sacasa, revelou nas redes sociais que a estreia da próxima temporada da série será um tributo ao ator Luke Perry, intérprete de Fred Andrews, que morreu em março deste ano. “Provavelmente o episódio mais importante de ‘Riverdale’ que faremos este ano, se não de toda a série. Um tributo ao nosso amigo que se foi. Grato por esta oportunidade de homenagear Luke e Fred”, escreveu Aguirre-Sacasa no Twitter. Veja abaixo. Intitulado de “In Memoriam”, o capítulo abrirá a 4ª temporada, que vai ao ar em 9 de outubro nos EUA. A série é exibida no Brasil pelo canal pago Warner. Probably the most important episode of #Riverdale we’ll do this year, if not ever. A tribute to our fallen friend. Thankful for this opportunity to honor Luke & Fred. ❤️????? pic.twitter.com/MH7xOjNyDu — RobertoAguirreSacasa (@WriterRAS) June 19, 2019
Rubens Ewald Filho (1945 – 2019)
O jornalista e crítico de cinema Rubens Ewald Filho morreu na tarde desta quarta-feira (19/6), Dia do Cinema Brasileiro, aos 74 anos. Ele estava internado em estado grave desde o dia 23 de maio, no Hospital Samaritano, em São Paulo, após sofrer um desmaio seguido de queda em uma escadaria rolante. Marta Giovanelli, assistente do jornalista, afirmou que a queda foi causada por uma arritmia cardíaca. Nascido em Santos, Rubens Ewald Filho era considerado um dos maiores nomes da crítica cinematográfica do país. Ainda criança, criou o hábito de anotar todos os filmes que via em um caderno, incluindo o nome do diretor, elenco, roteirista e outras informações. Este hábito deu origem ao lançamento dos primeiros guias de cinema do país. Estima-se que ele tenha assistido a mais de 37 mil filmes desde que começou a carreira no jornal A Tribuna, de Santos, em 1967. Em mais de 50 anos de atividade jornalística, passou por alguns dos maiores veículos de comunicação e emissoras de TV no país, tornando-se o grande responsável por popularizar o papel de crítico de cinema para os espectadores brasileiros, ao falar de maneira mais técnica – e ainda assim acessível – sobre filmes em vários canais da TV. Trabalhou na Globo, SBT, Record, Cultura e, nos últimos anos, no canal pago TNT. Seus comentários marcaram as transmissões do Oscar no país, especialmente em suas passagens pela rede Globo e TNT. Mas seu estilo ácido também alimentou polêmicas, tanto que, pela primeira vez em décadas, ele não foi o comentarista oficial da cerimônia em 2019. A TNT o deslocou para a internet, um ano após virar alvo de críticas – por comentar que a vencedora do Oscar Frances McDormand “não é bonita e deu um show de bebedeira no Globo de Ouro” e que a atriz trans Daniela Vega, estrela de “Uma Mulher Fantástica”, “na verdade é um rapaz”. Mas Rubens Ewald não foi apenas crítico. Ele se destacou como curador de diversos festivais brasileiros, de Gramado a Paulínia, ajudando a selecionar e lançar filmes com grande repercussão em alguns dos principais palcos do cinema nacional. Ele também foi autor. Escreveu as pornochanchadas “A Árvore dos Sexos” e “Elas São do Baralho”, dirigidas por Silvio de Abreu em 1977. E os dois assinaram juntos a novela “Éramos Seis”, adaptação do romance homônimo de Maria José Dupré, exibida na TV Tupi no mesmo ano. Do mesmo escritor, Rubens ainda adaptou “Gina” em 1978 para a Globo. Outras novelas de seu currículo incluem “Drácula, Uma História de Amor” (1980), uma das últimas produções da Tupi, que acabou concluída como “Um Homem Muito Especial” (1980) na Band, “O Pátio das Donzelas” (1982) e “Iaiá Garcia” (1982), ambas na TV Cultura. Ainda participou como ator de filmes clássicos da era da Embrafilme, como “A Herança” (1970), “Independência ou Morte” (1972), “A Casa das Tentações” (1975) e “Amor Estranho Amor” (1982), entre outros. Mais: foi diretor teatral das peças “O Amante de Lady Chatterley”, “Querido Mundo” e “Doce Veneno”… E, em sua atividade como crítico, lançou diversos livros, como “Dicionário de Cineastas”, “Cinema com Rubens Ewald Filho”, “Os 100 Maiores Cineastas”, “O Oscar e Eu” e “Os 100 Melhores Filmes do Século 20”. “Ele é o maior e mais respeitado crítico de cinema que o Brasil já teve, nos acompanhou nas 15 transmissões do Oscar na TNT. Sentiremos muito a sua falta”, registrou Silvia Fu Elias, Diretora Sênior de Conteúdo da Turner, em comunicado.
Franco Zeffirelli (1923 – 2019)
O cineasta Franco Zeffirelli, conhecido por filmes como “Romeu e Julieta” (1968) e “Amor sem Fim” (1981), morreu neste sábado (15/6) em sua casa em Roma, aos 96 anos, em decorrência “de uma longa doença que se agravou nos últimos meses”, informou a imprensa italiana. “Nunca quis que esse dia chegasse. Franco partiu nesta manhã. Um dos maiores homens do mundo da cultura. Nós partilhamos da dor de seus amados. Adeus, grande mestre, Florença nunca te esquecerá”, disse o prefeito de Florença, Dario Nardella. Em uma carreira que se estendeu por cerca de 70 anos, ele se tornou um dos diretores mais populares da Itália, tanto por seus filmes, quanto por peças de teatro e óperas. Nascido como filho ilegítimo de uma designer de moda e de um comerciante de tecidos, Zeffirelli ficou órfão de mãe aos seis anos e foi criado por uma tia. Na juventude, afirma que foi abusado por um padre. Mas também estudou arte e arquitetura em Florença e integrou um grupo de teatro. Iniciou a carreira cinematográfica depois da 2ª Guerra Mundial, trabalhando como diretor assistente de Luchino Visconti em clássicos como “A Terra Treme” (1948), “Belíssima” (1951) e “Sedução da Carne” (1954). A partir dos anos 1950 voltou-se para os palcos, como diretor de teatro e ópera, e fez sua estreia como cineasta, com a comédia “Weekend de Amor” (1958). Mas não demorou a juntar cinema e ópera, num documentário sobre a maior diva dos tempos modernos, Maria Callas, em 1964. As paixões divididas explicam porque seu cinema sempre foi um pouco teatral e muito operístico. Tentando conciliar filme e teatro, lançou-se em adaptações de William Shakespeare. Fez “A Megera Domada” (1967) com Richard Burton e Elizabeth Taylor, chamando atenção de Hollywood. Mas foi “Romeu e Julieta” (1968), no ano seguinte, que o colocou na Academia. A obra foi indicada a quatro Oscars, inclusive Melhor Filme e Direção, e se diferenciou das versões anteriores por finalmente filmar dois adolescentes reais (Olivia Hussey e Leonard Whiting) nos papéis dos amantes trágicos. O longa venceu os Oscars de Melhor Fotografia e Melhor Figurino, além do David di Donatello (o “Oscar” italiano) de Melhor Diretor. O sucesso o influenciou a seguir filmando em inglês, mas seus trabalhos seguintes, “Irmão Sol, Irmã Lua” (1972), sobre as juventudes de São Francisco e Santa Clara, e a minissérie “Jesus de Nazaré” (1977), refletiram sua criação católica apostólica romana. Belíssimo, o longa de 1972 lhe rendeu seu segundo David di Donatello de Melhor Diretor, enquanto a obra televisiva trouxe como curiosidade a escalação da sua Julieta (Olivia Hussey) como a Virgem Maria. Depois de rodar o drama esportivo “O Campeão” (1979), com John Voight (o pai de Angelina Jolie), e o romance adolescente “Amor sem Fim” (1981), com Brooke Shields, Zefirelli voltou-se novamente às óperas. Mas desta vez em tela grande. Filmou “La Traviata” (1982), pelo qual foi indicado ao Oscar de Melhor Direção de Arte e Figurino, e “Otello” (1986), duas óperas de Verdi que foram protagonizadas por Plácido Domingo. Entretanto, para encarnar Otello, o cantor foi submetido à maquiagem especial para escurecer sua pele, num processo chamado de “black face”, que atualmente é considerado um ato de racismo. Já na época não caiu muito bem. Entre um e outro longa, Zefirelli ainda filmou duas óperas televisivas, “Cavalleria Rusticana” (1982) e “Pagliacci” (1982), novamente com Plácido Domingo. E venceu um Emmy pela segunda. Ele seguiu alternando seus temas favoritos com “O Jovem Toscanini” (1988), cinebiografia do grande maestro Toscanini, fez sua versão de “Hamlet” (1990), com Mel Gibson e Glenn Close, e realizou a tele-ópera “Don Carlo” (1992), com Luciano Pavarotti. Dirigiu ainda adaptações de romances clássicos como “Sonho Proibido” (1993), baseado na obra de Giovanni Verga, e “Jane Eyre – Encontro com o Amor”, inspirado no romance gótico de Charlotte Brontë, com William Hurt e as então jovens Charlotte Gainsbourg e Anna Paquin, antes de adaptar sua própria autobiografia, “Chá com Mussolini” (1999). Ainda voltou uma última vez ao passado em seu longa final, o documentário “Callas Forever” (2002), sobre a diva da ópera que tinha filmado pela primeira vez nos anos 1960. Nos últimos anos, Zefirelli se tornou mais conhecido por seu envolvimento com a política. Conservador a ponto de ter lançado uma campanha contra “A Última Tentação de Cristo”, de Martin Scorsese, quando o filme fez sua première no Festival de Veneza em 1988, ele era contra projetos de reconhecimento dos casais homossexuais e foi um dos poucos artistas italianos a apoiar Silvio Berlusconi quando o bilionário entrou para a política no início dos anos 1990. Acabou eleito senador no partido do magnata, de 1994 a 2001.
Sylvia Miles (1924 – 2019)
A atriz Sylvia Miles, duas vezes indicada ao Oscar de Melhor Coadjuvante – por “Perdidos na Noite” (1969) e “O Último dos Valentões” (1975) – , morreu nesta quarta-feira (12/6) em sua casa em Nova York, aos 94 anos. Miles era nova-iorquina, filha de um fabricante de móveis, e estudou no célebre Actors Studio antes de fazer sua estréia como atriz numa peça off-Broadway em 1956. Ela chegou a gravar o piloto da série de comédia “The Dick Van Dyke Show”, mas perdeu o papel para Rose Marie quando a produção foi aprovada. Assim, foi aparecer primeiro no cinema, em pequenos papéis em “Assassinato S.A.” (1960) e “No Vale das Grandes Batalhas” (1961), antes de virar coadjuvante do episódio da semana de inúmeras séries televisivas. Já tinha 45 anos quando ganhou o papel que mudou sua carreira, embora ele parecesse igual a muitos outros. Na pele de uma prostituta chamada Cass, Miles apareceu apenas em seis minutos de “Perdidos na Noite”, drama pesado de John Schlesinger em que Jon Voight (o pai de Angelina Jolie) interpretava um garoto de programa em Nova York. A cena que chamou atenção envolvia sexo com Voight, e em uma entrevista de 2006 para o jornal The Scotsman, ela contou que os dois ensaiaram muito para o resultado ser convincente – como de fato foi – e contribuíram com ideias próprias. “Jon vinha para o meu apartamento no Central Park South vestido com chapéu de cowboy, jeans e botas [como seu personagem]. Meus vizinhos achavam que eu tinha esse cowboy toyboy. Ah, se fosse verdade!” Sua segunda indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante foi por um papel com mais tempo em cena. Em vez de seis, ela apareceu em oito minutos de “O Último dos Valentões”, novamente como uma mulher durona, que esconde um grande segredo do célebre detetive noir Philip Marlowe (em interpretação de Robert Mitchum). Entre uma indicação e outra, ela ficou conhecida por sua personalidade extravagante. Em um incidente famoso, jogou um prato cheio de comida no crítico de teatro John Simon, que havia detonado uma de suas performances, após encontrá-lo em uma festa. Festeira, ela era figura frequente nas baladas da era das discotecas, descrita em diversas reportagens da época como a juba loira que adornava os principais eventos de Nova York. Nesse contexto, acabou se aproximando da entourage de Andy Warhol na lendária Factory, e topou estrelar “Heat” (1972), filme cultuadíssimo em que aparecia nua e tinha uma cena de sexo com o jovem Joe Dallesandro sob direção de Paul Morrissey. Incentivada por Warhol, o produtor, ela atuou sem roteiro, inventando cada linha de seu diálogo filmado. Sua filmografia pouco convencional também inclui participação no drama contracultural “O Último Filme” (1971), de Dennis Hopper, um papel de zumbi lésbica alemã enlouquecida no terror “A Sentinela dos Malditos” (1977), de Michael Winner, a interpretação de uma cartomante assassinada no terror “Pague para Entrar, Reze para Sair” (1981), de Tobe Hooper, uma performance inesquecível como a agente imobiliária agressiva de Charlie Sheen em “Wall Street: Poder e Cobiça” (1982), de Oliver Stone e a senhoria vulgar de uma casa de striptease em “Go Go Tales” (2007), de Abel Ferrara. Ela também apareceu na série “Sex and the City”, como uma velhinha excêntrica que enfeita seu sorvete de chocolate com comprimidos anti-depressivos. Seu último papel foi sua única continuação, em “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme”, que encerrou sua carreira em 2010. Sofrendo com a idade, ela vivia num asilo de artistas, mas pediu para sair nos últimos meses. Não queria morrer num lugar de velhos.
Love, Antosha: Documentário sobre a vida de Anton Yelchin ganha trailer emocionante
O documentário “Love, Antosha”, sobre a vida “inacabada” e a carreira de Anton Yelchin, teve o seu primeiro pôster e um trailer emocionante revelado. É de partir o coração, como sugere o cartaz. O ator conhecido por interpretar Chekov nos novos filmes da franquia “Star Trek” faleceu em 2016, vítima de um acidente automobilístico bizarro dentro de sua própria casa. Ele foi encontrado por amigos esmagado por seu carro no muro de sua residência, em San Fernando Valley, na grande Los Angeles. Tinha apenas 27 anos. Nascido na Rússia em 1989, Yelchin se mudou para os Estados Unidos com a família aos seis meses de idade. E deu início à uma carreira intensa aos 10 anos, em um papel na série “E.R. — Plantão Médico”. Um ano depois, atuou ao lado de Anthony Hopkins no filme “Lembranças de um Verão” (2001). E nunca mais parou – até a morte precoce. O longa é dirigido por Garret Price, mas traz muitas cenas filmadas pelo próprio ator. Além de materiais do arquivo de Yeltchin, o filme traz depoimentos da família, de diversos atores com quem trabalhou, como Chris Pine, Simon Pegg, Kristen Stewart, Willem Dafoe, Jodie Foster, John Cho, Ben Foster, Jennifer Lawrence, Zoe Saldana e Nicolas Cage, e de diretores, como J.J. Abrams, Joe Dante, Drake Doremus – e muitos outros. Durante a première no Festival de Sundance, “Love, Antosha” atingiu 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes. A estreia comercial está marcada para 2 de agosto nos Estados Unidos. Não há previsão de lançamento no Brasil.
Peggy Stewart (1923 – 2019)
A atriz Peggy Stewart, que atuou em mais de 30 westerns do antigo estúdio Republic Pictures, nos anos 1940 e 1950, e foi presença constante na TV até recentemente, morreu em 29 de maio aos 95 anos. A notícia foi divulgada somente agora por sua família. Nascida Peggy O’Rourke em 5 de junho de 1923, em Palm Beach, Flórida, Stewart estava de férias com a família na Califórnia quando conheceu o ator Henry O’Neill, que convenceu a Paramount a escalá-la no papel da filha adolescente de Joel McCrea e Frances Dee em “Uma Nação em Marcha” (Wells Fargo, 1937). Ela seguiu carreira em pequenos papéis em filmes como “Idade Perigosa” (1938), com Deanna Durbin, e o clássico “Tudo Isto e o Céu Também” (1940), com Bette Davis, e após 15 figurações assinou contrato com a Republic para virar estrela. O contrato impulsionou sua carreira, mas também teve impacto em sua vida pessoal. Ela se casou em 1940 com Don “Red” Barry, o primeiro intérprete do cowboy dos quadrinhos Red Rider no cinema. E a crise se instalou quando ela virou coadjuvante feminina nos novos filmes do personagem em 1944. O problema era que seu marido, estrela do seriado original do personagem de 1940, foi substituído por “Wild” Bill Elliott como protagonista de uma nova leva de longa-metragens. O casamento acabou na mesma data. Mas Peggy Stewart tornou-se conhecida em uma dezena de filmes do herói ruivo. Além dos muitos filmes de Red Rider, a Republic a escalou em parcerias com alguns de seus cowboys famosos, como Allan Lane, Sunset Carson e até os cantores Gene Autry e Roy Rogers, sem esquecer de sete seriados de aventura do Velho Oeste que ela estrelou para o estúdio. Um detalhe muito interessante é que ela não era uma mocinha típica, ao estilo das donzelas em perigo da época. Suas personagens geralmente mostravam fibra e eram capazes de vencer tiroteios. Várias fotos de publicidade de sua juventude a retrataram de arma em punho. Quando seu contrato se encerrou nos anos 1950, Peggy migrou para a televisão, aparecendo, claro, em séries de faroeste, a começar por participações nos programas de seu ex-colegas da Republic, “The Gene Autry Show”, em 1950, e “The Roy Rogers Show”, em 1952. A lista se tornou enorme, com as séries de “Cisco Kid”, “Wyatt Earp”, “Gunsmoke”, “Daniel Boone”, “Paladino do Oeste”, etc. Até que o Velho Oeste, como gênero, tornou-se realmente velho e antiquado, substituído por novos ciclos. Longe disso significar uma estagnação em sua carreira, apenas mostrou sua versatilidade, tornando-a uma presença ubíqua nas produções televisivas por décadas a fio. A amplitude de sua carreira na telinha inclui um episódio clássico de “Além da Imaginação”, de 1961, inúmeras séries policiais dos anos 1970, e até um dos capítulos mais icônicos de “Seinfeld”, como a tia de uma namorada de George Costanza (Jason Alexander), em 1993. Também apareceu em “Barrados no Baile”, “Weeds”, “Justified” e retratou a avó de Pam Beesly (Jenna Fischer) em dois capítulos de “The Office”. Incansável, Peggy ainda continuou fazendo cinema. Entre seus papéis de “vovó” mais recentes, incluem-se a biografia roqueira “Runaways: Garotas do Rock” (2010) e a comédia “Este É o Meu Garoto” (2012), estrelada por Adam Sandler e Andy Samberg. Seu último trabalho foi uma participação na série “Getting On”, em 2014, quando completou 90 anos.
Sônia Guedes (1932 – 2019)
A atriz Sônia Guedes, que trabalhou na série clássica “Malu Mulher”, morreu na segunda (3/6) aos 86 anos, em São Paulo, em decorrência de um câncer. A informação foi confirmada pela assessoria do SBT, emissora onde a atriz realizou o último trabalho na televisão. Com mais de 40 anos de carreira, Sonia teve importantes passagens pelo teatro, cinema e TV no Brasil, recebendo prêmios como o APCA e o Mambembe. Seu papel mais famoso foi Elza, a mãe de Malu (Regina Duarte), protagonista do icônico seriado “Malu Mulher” (1979), a primeira atração feminista da TV brasileira. Sônia teve passagens por diversas emissoras, tendo trabalhado em novelas como “Mulheres Apaixonadas” (2003), “Esmeralda” (2004), “Amor e Intrigas” (2008) e “Poder Paralelo” (2009). Seu último trabalho na televisão aberta foi na novela “Chiquititas”, exibida em 2013 pelo SBT, onde interpretou a personagem Nina Correia. Já a carreira cinematográfica foi iniciada com o drama “Noite em Chamas” (1977), de Jean Garret, e inclui alguns clássicos do cinema brasileiro, como “A Hora da Estrela” (1985), de Suzana Amaral, e o mais recente (e belo) “Histórias que Só Existem Quando Lembradas” (2011), primeiro longa de Júlia Murat. Ela também participou do drama “O Circo da Noite” (2013) e da comédia “O Amor no Divã” (2016). Personalidades do meio artístico lamentaram a morte da atriz pelas redes sociais. “Querida Sonia, boa viagem. Um beijo, estrela”, afirmou o ator Tuca Andrada. A atriz Tania Bondezan também lamentou: “Sonia Guedes nos deixou, grande atriz, amiga querida”.
Gabi Costa (1985 – 2019)
A atriz Gabi Costa, que participava da novela “Órfãos da Terra”, da Globo, morreu no domingo (2/6) em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. A informação foi confirmada pela assessoria da artista, que tinha 33 anos. Ela foi encontrada desacordada em casa e levada para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, no Rio, onde teve o óbito confirmado. Não foi informado o que teria acontecido com a atriz. Sua carreira se restringiu à Globo. Entre 2010 e 2012, ela atuou nos humorísticos “Aventuras do Didi”, “Zorra Total” e “A Grande Família”. Em 2013, interpretou Jessica na novela “Tapas e Beijos”. Participou do remake de “O Rebu” em 2014 e, no ano seguinte, repetiu a parceria com o diretor da novela, José Villamarim, na série “Nada Será Como Antes”, vivendo Gabriela, uma figurinista de TV nos anos 1960. Em “Sol Nascente”, de 2016, foi a repórter Vanessa. Em 2017, entrou para “Malhação” como Antônia, mãe de uma das protagonistas. Na atual novela das 18h, “Órfãos da Terra”, Gabi Costa interpretava a síria Nazira, mulher do médico Faruq (Eduardo Mossri). Paralelamente, ela ainda fazia dublagens de games (era a Ciri de “The Witcher”) e iniciou uma carreira como roteirista, lançando seu primeiro curta-metragem, “Amor Suspenso”, em 2015. O filme fala sobre um casal formado por duas mulheres (Gabi e Lorena Comparato), que sofre por não ser aceito pela família. Filmado em um único plano sequência de 11 minutos, está disponível em seu canal no Youtube. A jovem atriz se preparava ainda para lançar dois novos projetos escritos por ela: seu curta “Enquanto Chovia” e o monólogo “Formigas”, que fala sobre a violência contra a mulher. Gabi também realizava trabalhos voluntários em ONGs após ter sido vítima de uma relação abusiva. A equipe de “Órfãos da Terra” se manifestou sob o impacto da perda nas redes sociais. “Meu Deus, estou chocado e sem palavras. Ainda não estou acreditando (…) Sem palavras, amiga”, escreveu Kaysar Dadour. “Eu também, querido”, respondeu Thelma Guedes, autora da novela. Intérprete do personagem Ali Al Aud, o ator Mouhamed Harfouch também assumiu seu choque com a notícia. “Fui pego de assalto por esta notícia tão triste, de uma mulher talentosa, cheia de vida e possibilidades, com tanto a caminhar e construir. Conheci Gabi neste trabalho, e o que vi foi uma mulher comprometida, sensível, parceira e consciente. Mas quem somos nós para entendermos os mistérios da vida?! Desejo toda luz pra você, Gabi, e todo conforto para os familiares e amigos nesta hora. Descanse em paz.” “Não consigo acreditar. Gabi fez algumas participações na nossa novela e estava em ‘Órfãos da Terra’ também. Tão nova. Nossa segunda perda de hoje. Gabi e Flora. Meus sentimentos”, escreveu Camila Queiroz, lembrando ainda a morte da atriz Flora Diegues, que também aconteceu neste domingo. Igualmente, a atriz Bia Arantes ficou impressionada pela perda dupla. “E agora a notícia de Gabi Costa. Difícil entender e lidar com essas perdas. Que Deus as acolha e permita que elas façam uma passagem cheia de amor e paz. Conforte também as famílias.”
Flora Diegues (1986 – 2019)
A atriz Flora Diegues, filha do cineasta Cacá Diegues, morreu neste domingo (2/6), aos 34 anos. Ela lutava há três anos contra um câncer no cérebro. Em 2016, chegou a ser operada às pressas por conta de um aneurisma e teve de ser afastada da novela “Além do Tempo”, exibida pela Globo. Flora começou sua carreira em 1996, como a versão mirim de Tieta no filme “Tieta do Agreste”, dirigido por seu pai. Mas só se dedicar à atuação após duas décadas, quando, em 2014, protagonizou a série “Só Garotas”, do Multishow. Depois disso, ela também apareceu em episódis das séries “Trair e Coçar É Só Começar” e “Sob Pressão”. Os últimos papéis foram na novela “Deus Salve o Rei” e no filme “O Grande Circo Místico”, também de seu pai. No ano passado, ela esteve no Festival de Cannes para divulgar a produção. Além de atuar, com passagens inclusive pelo teatro, Flora ensaiou seguir os passos do pai e comandou, como diretora e roteirista, dois curtas (“Sobe, Sofia” e “Assim Como Ela”) e um documentário (“No Meio do Caminho Tinha um Obstáculo”). “Flora viveu intensamente, sempre se divertiu, lutou com muita coragem e alegria. Fez de tudo, escreveu, atuou, dirigiu. Gostava muito de viver”, disse Cacá Diegues ao jornal O Globo.




