Peter Jackson e elenco de O Senhor dos Anéis homenageiam Ian Holm
O diretor Peter Jackson e integrantes do elenco da trilogia “O Senhor dos Anéis” foram às redes sociais nas últimas horas se despedir do ator inglês Ian Holm, que morreu na sexta-feira (19/6) aos 88 anos por complicações do Mal de Parkinson. Elijah Wood, que estrelou a trilogia no papel de Frodo, homenageou o intérprete de seu tio, Bilbo, no Twitter. “Muito triste ouvir que o singular, brilhante e vibrante Sir Ian Holm se foi. Adeus, tio”, ele escreveu. E Orlando Bloom, que viveu o elfo Legolas, acrescentou: “Perdemos uma lenda hoje. Ele interpretou um dos personagens mais baixinhos nos nossos filmes de ‘O Senhor dos Anéis’ — mas, para mim, ele sempre foi um gigante”. Já Peter Jackson escreveu um longo e emocionante texto em seu Facebook, em que contou detalhes sobre a participação do ator nos bastidores da trilogia, e principalmente sobre sua despedida das telas, já com Parkinson, nos filmes de “O Hobbit”. Leia a íntegra abaixo: “Estou muito triste com a morte de Sir Ian Holm. Ian era um homem tão delicioso e generoso. Calmo, mas atrevido, com um brilho encantador nos olhos. No início de 2000, antes de começarmos a filmar nossas cenas de Bilbo para ‘A Sociedade do Anel’, eu estava nervoso por trabalhar com um ator tão estimado, mas ele imediatamente me deixou à vontade. De pé em Bag End [a residência da família Baggins/Bolseiro] no primeiro dia, antes de as câmeras começarem a rodar, ele me levou para um lado e disse que tentaria coisas diferentes em cada tomada, mas não deveria me assustar. Se, depois de cinco ou seis tomadas, ele não tivesse me dado o que eu precisava, então eu deveria dar a ele instruções específicas. E foi exatamente isso que fizemos. Mas, incrivelmente, suas leituras e performances variadas foram maravilhosas. Ele raramente precisava de direção. Ele nos deu uma incrível variedade de opções para escolher na sala de edição. Passamos quatro semanas muito agradáveis, quando filmamos os primeiros 30 minutos da ‘Sociedade’. Um dia, precisávamos registrar Bilbo contando um relato de suas primeiras aventuras a uma platéia de crianças de três a quatro anos encantadas, sentadas no campo. Começamos filmando a performance de Ian contando a história – mas também precisávamos de ângulos com as crianças reagindo a vários momentos dramáticos. Mas as crianças ficam entediadas muito rapidamente, e Ian e eu rapidamente percebemos que eles não podiam ouvir a mesma história repetidamente, à medida que capturávamos os vários ângulos que precisávamos. Sugeri que, para manter a atenção das crianças, ele deveria tornar a história um pouco diferente a cada tomada… adicionando pequenos detalhes, inventando coisas… desde que ele nos desse a essência do que estava no roteiro. Eu disse a ele para não se preocupar e que eu descobriria a melhor narrativa na sala de edição. No entanto, também precisávamos que as crianças permanecessem no lugar enquanto movíamos as câmeras rapidamente, de um ângulo para outro. Em um cenário de filme, “rapidamente” significa de 15 a 20 minutos. Então, enquanto isso estava acontecendo, e nenhuma câmera estava rolando, eu sussurrei para Ian que ele teria que mantê-las entretidas. Sugeri que ele poderia “contar outras histórias entre os takes”. E foi exatamente o que ele fez. Depois de algumas horas, filmamos tudo o que precisávamos. Quando as crianças foram levadas embora do set, e a equipe passou para a próxima sequência, Ian disse que nunca havia trabalhado tanto na vida! Mais de uma década depois, esperávamos que Ian interpretasse Bilbo novamente nas cenas de abertura de ‘O Hobbit’. Fran [Walsh, esposa e sócia de Jackson] e eu jantamos com Ian e sua esposa Sophie em Londres, e ele nos disse que sentia muito, mas não conseguiria. Após o choque, ele confidenciou que havia sido diagnosticado com a doença de Parkinson e não conseguia mais se lembrar de falas. Ele tinha dificuldade para caminhar e certamente não poderia viajar para a Nova Zelândia. Sempre um homem privado, ele nos disse que basicamente se aposentara, mas tinha anunciado. Foi um golpe, porque tínhamos elaborado uma maneira agradável de passar o papel de Ian como velho Bilbo para Martin Freeman como o jovem Bilbo. Eu descrevi isso para ele, e ele gostou. Também contei a ele como minha mãe e meu tio haviam passado pelo Parkinson há anos, e eu estava muito familiarizado com os efeitos da doença. Nesse ponto, nosso jantar – que achamos que seria sobre nós descrevendo as novas cenas que gostaríamos que ele fizesse, e Ian pensava que seria sobre ele explicar porque não podia fazê-las – de repente se transformou em um ‘think tank’, com Ian, Sophie, Fran e eu tentando descobrir um processo que permitisse a Ian interpretar Bilbo uma última vez. Estávamos filmando na Nova Zelândia – mas e se viéssemos a Londres para filmar suas cenas perto de casa? No final do jantar, ele concordou devagar e disse: “Sim, acho que posso fazer isso”. Mas eu sabia que ele estava apenas fazendo isso como um favor para mim, e eu segurei suas mãos e agradeci com lágrimas nos meus olhos. Começamos a filmar na Nova Zelândia com Martin Freeman como nosso jovem Bilbo. Martin admirava imensamente Ian Holm, mas nunca o conhecera. No entanto, Martin concordou muito generosamente em usar maquiagem protética para interpretar Sir Ian Holm como o velho Bilbo, para alguns takes de longe que precisávamos, e ele capturou seus maneirismos muito bem. Alguns meses depois, retornamos a Londres, levando o nosso Bag End com a gente, e filmamos as cenas de Ian com uma pequena equipe, como prometemos. A adorável esposa de Ian, Sophie, estava ao seu lado todos os dias, ajudando ele e nós. Ao longo de quatro dias, filmamos tudo o que precisávamos. Elijah Wood e Ian haviam se tornado amigos durante “O Senhor dos Anéis”, e Elijah estava no set de Londres todos os dias, dando a Ian apoio adicional. No filme acabado, espero que o público veja o que senti com Ian Holm reprisando Bilbo. Mas o que eu experimentei no set foi um ator maravilhoso fazendo sua última performance. Foi incrivelmente corajoso da parte dele fazer isso, e muito emocional para quem testemunhou. Sempre seremos extremamente gratos a Ian por fazer isso. Durante nosso tempo juntos, Fran e eu gostamos muito dele, e gostamos muito da companhia dele. Para comemorar a conclusão das filmagens, Ian e Sophie convidaram Fran e eu para jantar em sua casa. Foi uma noite adorável, cheia de humor e diversão. Ian e eu percebemos que ambos tínhamos um forte interesse mútuo por Napoleão e conversamos sobre ele por horas. Um ano depois, quando o primeiro filme de “O Hobbit” estreou em Londres, Martin Freeman, um pouco surpreso, finalmente conheceu Ian Holm. Ver Ian Holm se apresentando me ensinou muito – como Ian estava em sua habitual quietude, até que de alguma forma tudo aconteceu. Foi um privilégio trabalhar com ele e uma bênção conhecê-lo. Eu sempre amei a performance de Ian nas cenas finais de ‘O Retorno do Rei’. ‘Acho que estou pronto para outra aventura.’ Adeus, querido Bilbo. Viagens seguras, querido Ian.”
Alan Metter (1933 – 2020)
Alan Metter, diretor de comédias que marcaram a cultura pop da década de 1980, morreu em 7 de junho, aos 77 anos. A informação só veio à tona agora, pela New York Film Academy, onde ele lecionou. Detalhes sobre a causa da morte não foram fornecidos. Metter se formou em Filosofia na Universidade do Arizona, em 1965, mas foi logo atraído pela música. Nos seus primeiros dias como diretor, ele assinou vídeos musicais (que na época não eram chamados de videoclipes) para George Harrison e Oliva Newton-John – e até um documentário sobre os bastidores de “Xanadu” (1980), musical estrelado por Newton-John. Sua ligação com a música também se manifestou em sua estreia em longa-metragem, como diretor de “Dançando na TV” (1985). O título original do filme era “Girls Just Want to Have Fun”, nome de um dos maiores hits da época, cantado por Cyndi Lauper. Ela própria aparecia no filme, que girava em torno de um concurso de danças televisivo. O elenco ainda incluía Sarah Jessica Parker (13 anos antes de “Sex and the City”) e Helen Hunt (7 anos antes de “Mad About You”). Em seguida, ele dirigiu seus maiores sucessos, “De Volta às Aulas” (1986), com Rodney Dangerfield, e “Mudança do Barulho” (1988), com Richard Pryor. Os dois longas foram campeões de locação na era dos VHS. Mas a carreira desandou nos anos 1990, com “Enterrando o Cachorro da Sogra!” (1990) e “Loucademia de Polícia 7: Missão Moscou” (1994), fracasso que encerrou a longeva franquia. Daí para frente, foram só produções feitas para a TV ou lançamentos direto em vídeo, entre eles duas comédias com as gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen, “Como Arranjar uma Namorada para o Papai” (1998) e “Passaporte para Paris” (1999). Ele se aposentou no início dos anos 2000 e se mudou para a Flórida.
Ian Holm (1931 – 2020)
O ator britânico Ian Holm, conhecido por viver Bilbo em “O Senhor dos Anéis” e Ash em “Alien: O Oitavo Passageiro”, morreu nesta sexta (19/6) aos 88 anos. O agente do ator confirmou a notícia citando complicações do Mal de Parkinson como causa da morte. “Ele morreu pacificamente no hospital, com sua família e seu cuidador. Ian era charmoso, gentil e talentoso, e vamos sentir falta dele enormemente”, escreveu o agente, em comunicado. Um dos atores britânicos mais famosos de sua geração, Ian Holm nasceu em 12 de setembro de 1931, filho de médicos escoceses, na cidade inglesa de Goodmayes, e acumulou diversos prêmios em sua carreira. Ele também deu, literalmente, sangue pela arte. Em 1959, quando fazia parte da Royal Shakespeare Company, a mais prestigiosa trupe do teatro britânico, Holm teve o dedo cortado por Laurence Olivier durante uma luta de espadas na montagem de “Coriolanus”. Acabou com uma cicatriz, que para ele tinha conotação de dedicação e orgulho por seu trabalho. Sua trajetória rumo à fama incluiu várias aparições na televisão britânica no início dos anos 1960, até conquistar destaque como o rei Ricardo III na minissérie da BBC “The Wars of the Roses” (1965). Em seguida, conquistou o papel que lhe deu projeção internacional, ao vencer o Tony (o Oscar do teatro) em sua estreia na Broadway em 1967, como Lenny em “Volta ao Lar”, de Harold Pinter, atuando sob direção de Peter Hall. Holm também estrelou a versão de cinema da peça em 1973, novamente dirigida por Hall, que ainda foi o diretor que o lançou no cinema, apropriadamente numa adaptação de Shakespeare, “Sonho de uma Noite de Verão”, em 1968. Na obra shakespeariana, ele viveu o icônico elfo Puck, que foi o primeiro personagem fantástico de sua filmografia. A consagração no cinema e no teatro seguiram paralelas por quase toda a sua carreira. Ele trabalhou em clássicos como “O Homem de Kiev” (1968), de John Frankenheimer, “Oh! Que Bela Guerra!” (1969), de Richard Attenborough, “Nicholas e Alexandra” (1971), de Franklin J. Schaffner, “Mary Stuart, Rainha da Escócia” (1971), de Charles Jarrot, “As Garras do Leão” (1972), novamente de Attenborough… obras premiadíssimas. Seus personagens marcaram época. Viveu, por exemplo, o vilanesco Príncipe João no cultuadíssimo “Robin e Marian” (1976), sobre a morte de Robin Hood (vivido por Sean Connery), sem esquecer as minisséries que impressionaram gerações, estabelecendo-o no imaginário televisivo como Napoleão em “Os Amores de Napoleão” (1974), o escritor JM Barrie, criador de “Peter Pan”, em “Os Garotos Perdidos” (que lhe rendeu indicação ao BAFTA Awards) e o monstruoso nazista Heinrich Himmler na icônica “Holocausto” (1978). A consagração no cinema veio com a indicação ao Oscar e a vitória no BAFTA por “Carruagens de Fogo”, o filme esportivo mais célebre de todos os tempos, em que viveu um treinador olímpico. Sua versatilidade também lhe garantiu muitos admiradores geeks. Holm impactou a ficção científica por suas atuações como Ash, o androide traidor, que acabava decapitado em “Alien: O Oitavo Passageiro” (1979), de Ridley Scott, o burocrata Sr. Kurtzmann em outro clássico, o fantástico “Brazil, o Filme” (1985), de Terry Gilliam, o padre Cornelius em “O Quinto Elemento” (1997), melhor filme de Luc Besson, e o cientista que prevê o apocalipse de “O Dia Depois de Amanhã” (2004), de Roland Emmerich. Ele ainda trabalhou com Gilliam em “Os Bandidos do Tempo” (1981), numa das três vezes em que viveu Napoleão. Foi nesta época, inclusive, que começou sua conexão com “O Senhor dos Anéis”. Em 1981, quando a BBC produziu uma adaptação para o rádio da obra de J.R.R. Tolkien, ele foi o escolhido para dar voz a Frodo. Vinte anos depois, virou o tio de Frodo, Bilbo Bolseiro, na trilogia cinematográfica de Peter Jackson, lançada entre 2001 e 2003 — o final da saga, “O Retorno do Rei”, rendeu-lhe o SAG Awards (prêmio do Sindicato dos Atores dos EUA) como parte do Melhor Elenco do ano. Sua carreira foi repleta de aventuras fantásticas, incluindo “Juggernaut: Inferno em Alto-Mar” (1974), de Richard Lester, e “Greystoke: A Lenda de Tarzan” (1984), uma das mais fiéis adaptações da obra de Edgar Rice Burroughs, na qual interpretou o francês Phillippe D’Arnot, o melhor amigo de Tarzan. Mas também dramas sutis, como “Dançando com um Estranho” (1985), de Mike Newell, e “A Outra” (1988), de Woody Allen. Holm perpetuou-se nas telas em várias adaptações shakespeareanas, numa lista que conta ainda com “Henrique V” (1989), de Kenneth Branagh, e “Hamlet” (1990), de Franco Zeffirelli. E multiplicou-se em obras cults, como “Kafka” (1991), de Steven Sodebergh, “Mistérios e Paixões” (1991), de David Cronenberg, “As Loucuras do Rei George (1994), de Nicholas Hytner, “Por uma Vida Menos Ordinária” (1997), de Danny Boyle, “O Doce Amanhã” (1997), de Atom Egoyan, etc, etc. Ele até voltou a viver Napoleão uma terceira vez, em “As Novas Roupas do Imperador” (2001), de Alan Taylor, tornando-se o ator mais identificado com o papel. Entre os cerca de 130 desempenhos que legou ao público também destacam-se os primeiros filmes dirigidos pelos atores Stanley Tucci (“A Grande Noite”, em 1996) e Zach Braff (“Hora de Voltar”, em 2004), os dramas premiados “O Aviador” (2004), de Martin Scorsese, e “O Senhor das Armas” (2005), de Andrew Niccol, e a animação “Ratatouille” (2007), da Disney-Pixar. Seus últimos trabalhos foram resgates de seus papéis mais populares. Ele voltou a viver Ash no videogame “Alien: Isolation”, lançado em 2014, e a versão envelhecida de Bilbo na trilogia “O Hobbit”, encerrando sua filmografia em 2014, com “O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos”. Tudo isso, apesar de sofrer de ataques de pânico a cada vez que as luzes acendiam, o diretor dizia “ação” e as cortinas se abriam. Tudo isso, que também lhe rendeu a nomeação de Comandante do Império Britânico em 1989, a distinção de cavaleiro, conferida pela Rainha Elizabeth II em 1998, a admiração de seus pares e o encantamento de fãs, ao redor do mundo.
Vera Lynn (1917 – 2020)
A cantora Vera Lynn, conhecida como a “namorada das Forças Armadas” por músicas, filmes e shows que ajudaram a elevar o ânimo dos soldados britânicos durante a 2ª Guerra Mundial, morreu nesta quinta (18/6) aos 103 anos. Ela quase morreu aos 2 anos de idade em um caso grave de difteria, mas sobreviveu para se tornar artista logo em seguida, de forma extremamente precoce, aos sete anos. Aos 19, gravou seu primeiro disco solo. E estourou mundialmente aos 22. A música que a tornou conhecida foi gravada em 1939. “We’ll Meet Again” se tornou símbolo de esperança e resistência durante a 2ª Guerra Mundial, ao falar ao coração dos soldados sobre como “nos encontraremos novamente, não sei onde, não sei quando, mas eu sei que nos encontraremos de novo, em um dia ensolarado”. A música era entoada nas despedidas de combatentes que iam para a guerra, e recordada como lembrança de que um dia o conflito acabaria. “We’ll Meet Again” fez tanto sucesso que virou filme, um musical de mesmo nome, estrelado pela própria Vera Lynn em 1943. Durante a guerra, ela estrelou mais dois musicais, o patriótico “Rhythm Serenade” (1943), em que administrava uma creche para trabalhadoras da indústria bélica, e “Bonita e Teimosa” (1944), comédia considerada seu melhor filme. Mas sua carreira cinematográfica não sobreviveu aos dias de paz. Sua importância para o esforço de guerra, porém, foi muito além de músicas e filmes. Ela se envolveu pessoalmente, em excursões militares, para entreter as tropas britânicas em países como Egito e Índia, durante o conflito mundial. Em reconhecimento, Vera ganhou diversas medalhas e foi homenageada pela Rainha Elizabeth II com a Ordem do Império Britânico, que lhe rendeu o título oficial de Dama. A Dama Vera Lynn virou uma personalidade televisiva importante na TV britânica durante o pós-guerra e chegou até a ter um programa com seu nome, entre o final dos anos 1960 e o início dos 1970. Sua última aparição pública foi em 2005, no 60º aniversário da vitória dos aliados na 2ª Guerra Mundial. Mas mesmo com a passagem dos anos, sua presença na cultura pop nunca foi esquecida. A banda Pink Floyd chegou a lhe dedicar uma música, “Vera”, no disco “The Wall” (1979), que também foi incluída no filme de 1982 de Alan Parker sobre o álbum. E, em 2002, o americano Johnny Cash regravou “We’ll Meet Again”, quase como despedida da própria vida – ele morreria em seguida. Com a pandemia do coronavírus, a música, em suas várias versões, vinha sendo resgatada também como tema dos tempos atuais. Novamente, a rainha Elizabeth II citou o título da famosa canção durante um discurso em abril para dar esperança aos britânicos confinados. “Dias melhores virão, reencontraremos nossos amigos, reencontraremos nossas famílias, nós vamos nos encontrar de novo”, disse a monarca. E, em maio passado, a população britânica foi convidada a cantar “We’ll Meet Again” para recordar o 75º aniversário da rendição da Alemanha nazista. Em comunicado, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson saudou Vera Lynn como a voz que elevou o espírito do Reino Unido em um de seus momentos mais difíceis. “Seu charme e sua voz mágica vão continuar aquecendo os corações das próximas gerações”, declarou.
Sushant Singh Rajput (1986 – 2020)
O jovem galã indiano Sushant Singh Rajput foi encontrado morto em sua casa no subúrbio de Mumbai. O caso está sendo investigado como suicídio por enforcamento. Ele tinha 34 anos. Rajput era considerado um dos mais atores promissores de Bollywood, a indústria cinematográfica indiana. Ele estreou no cinema em 2013 com o filme “Kai Po Che!”, e em 2017 foi premiado como Melhor Ator no Festival de Cinema Indiano de Melbourne, na Austrália, pelo filme “M.S. Dhoni: The Untold Story”, no qual interpretou a estrela indiana de críquete Mahendra Singh Dhoni. Seu último trabalho foi no filme “Drive”, lançado mundialmente ela Netflix no ano passado, mas tinha mais quatro projetos encaminhados. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, repercutiu a morte do ator nas redes sociais. “Sushant Singh Rajput … um jovem e brilhante ator que se foi cedo demais. Ele se destacou na TV e nos filmes. Sua ascensão no mundo do entretenimento inspirou muitos e deixa para trás várias performances memoráveis. Chocado com a sua morte. Meus pensamentos estão com a família e fãs”, escreveu o primeiro-ministro.
Colo Tavernier O’Hagan (1945 – 2020)
A roteirista inglesa Colo Tavernier O’Hagan, que assinou vários clássicos do cinema francês, morreu de câncer na sexta (13/6), aos 75 anos, segundo comunicado do Instituto Lumière, presidido por seu ex-marido. Ao longo de sua carreira prolífica, abrangendo cinema e TV, Tavernier O’Hagan foi a grande parceira do ex-marido, o cineasta Bertrand Tavernier, em muitos de seus filmes de maior sucesso. Nascida Claudine O’Hagan na Inglaterra, com pai irlandês e mãe franco-espanhola, ela se mudou para Paris ainda jovem e rapidamente se apaixonou e casou com Tavernier. O relacionamento durou de 1965 a 1980. E a separação, ironicamente, marcou o começo da parceria profissional do casal. O primeiro roteiro de Colo dirigido por Bertrand Tavernier foi o filme “Um Olhar para a Vida” (1980), sétimo longa da carreira do diretor, que competiu no Festival de Cannes. Mas foi o filme seguinte, “Um Sonho de Domingo” (1984), que estabeleceu sua reputação, rendendo-lhe o prêmio César de Melhor Roteiro Adaptado. Baseado no romance homônimo de Pierre Bost, o filme girava em torno de um pintor idoso, sempre visitado aos fins de semana pelo filho, que se surpreende com a visita inesperada da filha solteira (Sabine Azéma, vencedora do César pelo papel), raramente interessada na família. A obra virou um marco do novo cinema francês após a nouvelle vague e também rendeu o prêmio de Melhor Direção a Bertrand Tavernier no Festival de Cannes. Ela também colaborou com o roteiro do jazzístico “Por Volta da Meia-Noite” (1986), estrelado pelo saxofonista Dexter Gordon, e assinou o épico medieval “Béatrice” (1987) e o drama “O Regresso” (1990), que estão entre os grandes sucesso do ex-marido, além de “A Isca” (1995), que rendeu a Bertrand Tavernier o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Sua carreira ainda inclui uma grande parceria com Claude Chabrol: “Um Assunto de Mulheres” (1988), estrelado por Isabelle Huppert, que foi premiado pela crítica no Festival de Veneza e indicado ao Globo de Ouro. Entre seus roteiros mais recentes destacam-se “Geliebte Clara” (2008), da alemã Helma Sanders-Brahms, sobre o romance dos compositores Clara e Robert Schumann no século 19, e o drama “Paris a Branca” (2017), da argelina Lidia Terki. “A vida nos separou, mas sinto um vácuo e uma sensação de vazio”, disse Bertrand Tavernier em comunicado sobre a morte da ex-esposa. “Colo me formou, me sacudiu e me fez crescer”. “Colo sabia como desenterrar os sentimentos mais agudos e as emoções mais profundas, como pequenas coisas (‘aquelas coisas’ como aquela famosa canção de jazz) que faz a vida valer uma pena”, acrescentou. O casal teve dois filhos, que cresceram para se tornar, curiosamente, uma roteirista (Tiffany Tavernier) e um diretor de cinema (Nils Tavernier).
Dennis O’Neil (1939 – 2020)
O escritor e editor Dennis “Denny” O’Neil, um dos melhores roteiristas dos quadrinhos da DC Comics em todos os tempos, morreu na quinta (11/6) em sua casa de causas naturais, aos 81 anos. Ele nasceu no mês e no ano em que Batman estreou nos quadrinhos e foi responsável pelas mudanças mais importantes da trajetória do personagem. Mas, curiosamente, sua carreira começou na editora rival, contratado pelo próprio Stan Lee para escrever para a Marvel nos anos 1960. Seu começo foi com histórias do Doutor Estranho e dos X-Men. Mas, para completar sua renda, ainda desenvolvia tramas para a editora Charlton, sob pseudônimo. Só que esse “segredo” foi por terra quando o editor da Charlton, Dick Giordano, foi contratado para comandar a DC em 1968 e decidiu levar consigo seus roteiristas favoritos. Dennis, que na época assinava Denny O’Neil, foi responsável por uma revolução nos quadrinhos da DC. Em suas histórias, tornou-se pioneiro na abordagem de temas sociais em quadrinhos de super-heróis, especialmente na publicação que juntou Lanterna Verde e Arqueiro Verde numa jornada pelos rincões dos EUA. Em vez de supervilões, os personagens se depararam com racismo, miséria e vício em drogas. A história em que o antigo parceiro mirim do Arqueiro, Ricardito (Speedy), revelou-se viciado é considerada até hoje uma das mais impactantes e relevantes do gênero. Estes quadrinhos foram os primeiros a chamar atenção da grande imprensa para o fato de que super-heróis podiam ser mais que diversão infantil. “Eu saí da obscuridade total para ver meu nome em destaque no The New York Times e ser convidado para fazer talk shows”, lembrou O’Neil numa entrevista de 1986. O’Neil também tirou os super-poderes da Mulher-Maravilha, explorando sua identidade de Diana Prince em histórias de espionagem, mudou pela primeira vez a formação da Liga da Justiça, mas nenhuma dos personagens da editora foi tão afetado por seus textos quanto Batman. Na época, ninguém queria escrever Batman. O personagem estava desacreditado na editora, após ser ridicularizado na série de TV, exibida entre 1966 e 1968. Ele recebeu a missão de salvar o herói. E sua ideia foi mergulhar fundo nas trevas. Batman sofreu um reboot completo, sem que O’Neil anunciasse que era isso que estava fazendo. Para começar, tirou Robin de cena – faculdade, briga, rompimento, Titãs, etc – deixando Batman sozinho pela primeira vez em 30 anos. Um por um, ele também foi reintroduzindo os vilões clássicos. O’Neil foi quem explorou a loucura do Coringa, transformando o palhaço do crime num psicopata assassino. Fez o mesmo com o Duas Caras, etc. E ainda criou um dos maiores inimigos do herói, Ra’s Al Ghul, assim como o maior amor – Tália, a filha do vilão. O escritor também criou a personagem coadjuvante Leslie Thompkins. E suas histórias desenhadas por Neal Adams, Jim Aparo e Dick Giordano figuram entre as mais influentes já feitas sobre Batman. Ele também ajudou a ressuscitar O Sombra, personagem da era do rádio e dos pulps, que sob sua direção se transformou em personagem da DC, e ainda assinou a famosa graphic novel da luta entre Superman e Muhammad Ali. Seu sucesso o levou de volta à Marvel, onde assumiu o carro-chefe da editora, o Homem-Aranha, além de Homem de Ferro e Demolidor durante os anos 1980. Neste período, criou a Madame Teia e os vilões Homem Hídrico, Monge de Ferro (Obadiah Stane) e Lady Letal (Yuriko Oyama). Ainda editou a fase de Frank Miller à frente do Demolidor. E, ao supervisionar o lançamento dos quadrinhos dos Transformers, concebeu e nomeou ninguém menos que Optimus Prime. A DC o trouxe de volta em 1986 com uma promoção, tornando-o editor de Batman, papel que ele cumpriu durante toda a era das graphic novels sombrias do personagem, até os anos 2000. Ele lançou a revista “Batman: Lendas do Cavaleiro das Trevas” dedicada a coleções de minisséries adultas de Batman, também se dedicou ao herói Questão, criou Richard Dragon, o personagem Azrael e ainda adaptou os roteiros dos filmes “Batman Begins” (2005) e “O Cavaleiro das Trevas” (2008) em quadrinhos. Sua carreira não se resumiu aos quadrinhos. Ele escreveu livros sobre a arte sequencial e também roteiros de séries, tanto para a versão animada de Batman quanto para a primeira série live-action do Superboy. Mas também trabalhou fora do gênero, roteirizando episódios de “Fuga das Estrelas” (Logan’s Run), a série derivada do filme “Fuga do Século 23” (1976), e da animação “Comandos em Ação” (G.I. Joe). Para completar, foi professor da Escola de Artes Visuais de Manhattan. Jim Lee, atual editor-chefe da DC, chamou Denny O’Neal de “um dos arquitetos visionários da DC Comics”, citando como ele “ajudou a reviver o Batman nos anos 1970” e como continua a ser o seu “escritor favorito do Lanterna Verde até hoje”. Lee resumiu a impacto de suas obras ao lembrar que, “por meio de sua edição e redação, Denny foi um dos primeiros escritores cujo trabalho e foco em questões sociais impulsionaram os quadrinhos” para fora de seu universo infantil.
Jas Waters: Morte da roteirista de This Is Us foi suicídio
Poucas horas depois da comoção entre as equipes das séries “This Is Us” e “Kidding”, a morte da roteirista Jas Waters teve sua causa revelada pela polícia. O consultório médico legista do condado de Los Angeles afirmou na tarde desta quinta-feira (11/6) que Waters morreu em 9 de junho por enforcamento. Sua morte foi considerada suicídio. A notícia da morte de Waters tinha sido comunicada pela sala de roteirista de “This Is Us” e, posteriormente, de “Kidding”, duas séries em que ela trabalhou. foram confirmadas quarta-feira por “Toda a família #ThisIsUs ficou arrasada ao saber da passagem de Jas Waters”, dizia o comunicado original. “No nosso tempo juntos, Jas deixou sua marca em nós e em todo o show. Ela era uma contadora de histórias brilhante e uma força da natureza. Enviamos nossas mais profundas simpatias a seus entes queridos. Ela era uma de nós”. Leia mais sobre a carreira e a repercussão da morte da roteirista aqui.
Mel Winkler (1941 – 2020)
O ator Mel Winkler, que apareceu em diversos filmes entre os anos 1970 e 1990 e se destacou como dublador, morreu nesta quinta-feira (11/6), pacificamente em seu sono de causas desconhecidas aos 78 anos. Nascido em St. Louis, Winkler chamou atenção de Hollywood após estrear na Broadway, na montagem de “A Grande Esperança Branca”, em 1968. No ano seguinte, ele virou o Dr. Simon Harris na novela diurna “The Doctors”, da NBC, fazendo sua transição para o cinema em 1972, no clássico “A Máfia Nunca Perdoa”. Ao longo da carreira, ele ainda apareceu nos filmes “A Chance” (1983), com Tom Cruise, “Policial por Acaso” (1986), com Judge Reinhold, “Dominick e Eugene” (1988), com Tom Hulce, Ray Liotta e Jamie Lee Curtis, “Dr. Hollywood: Uma Receita de Amor” (1991), com Michael J. Fox, “O Diabo Veste Azul (1995), com Denzel Washington, “City Hall: Conspiração no Alto Escalão” (1996), com Al Pacino, e “Por uma Vida Menos Ordinária” (1997), com Cameron Diaz e Ewan McGregor. Também apareceu em episódios de várias séries, incluindo o piloto de “Lois & Clark – As Novas Aventuras do Superman”, em 1993, como o inspetor William Henderson, de Metropolis. O papel acabou sendo repetido em “Superman: A Série Animada”, lançando sua carreira como dublador em 1996. Em seguida, ele foi contratado para dar voz a Lucious Fox, famoso personagem dos quadrinhos de Batman, na animação “As Novas Aventuras do Batman”, e Johnny Snowman em “Oswalt”, do Cartoon Network. Seus últimos filmes foram “Coach Carter: Treino para a Vida” (2005), com Samuel L. Jackson, e o drama indie “The Disciple” (2008).
Jas Waters (1981 – 2020)
A roteirista Jas Waters faleceu na terça (9/6) aos 39 anos. A informação foi revelada por seus colegas da série “This Is Us”, na qual ela trabalhou entre 2017 e 2018. A equipe da produção expressou seu pesar pela morte de Waters em um post no Twitter, chamando-a de uma “brilhante contadora de histórias e uma força da natureza”. O criador da série, Dan Fogelman, acrescentou: “Jas era absolutamente brilhante e ainda tinha muitas histórias para contar. Ela deixou uma marca indelével em nosso programa e meu coração se parte por seus entes queridos”. Entre 2018 e 2020, ela também escreveu para “Kidding”, estrelada por Jim Carrey, e o criador desta série, Dave Holstein, também se pronunciou comovido. “Jas era uma voz única e… essa é uma perda devastadora para quem a conhecia e vivia sob sua luz. Uma das minhas frases favoritas dos roteiros dela está ressonando especialmente alto comigo: ‘Nossas cicatrizes não significam que estamos quebrados. Elas são a prova de que estamos curados'”. Waters nasceu em Evanston, Illinois, e cresceu em um lar de idosos, onde morava com os avós. Aos 20 e poucos, lançou seu próprio site e virou colunista da revista Vibe, o que a fez ser convidada para participar do programa de variedades “The Gossip Game”, da VH1, em 2013. Depois disso, virou roteirista, trabalhando nas séries “Hood Adjacent with James Davis”, do Comedy Central, e “The Breaks”, da VH1. Ela ganhou mais destaque como escritora da 2ª temporada de “This Is Us” e foi contratada como editora das histórias de “Kidding”, deixando sua marca em cada um dos episódios das duas temporadas da série. Atualização: Em pronunciamento na tarde desta quinta (11/6), a equipe médica legista de Los Angeles revelou que a causa da morte foi enforcamento e considerou o falecimento como suicídio. Leia mais aqui.
Rosita Fornés (1923 – 2020)
Rosita Fornés , considerada a grande vedete de Cuba, morreu nesta quarta-feira (10/6) em Miami aos 97 anos, após uma carreira artística de oito décadas em que brilhou dentro e fora da ilha. “Nesta madrugada tivemos a triste notícia de que morreu em Miami, Estados Unidos, a grande artista Rosita Fornés, glória da cultura cubana”, lamentou no Twitter o ministro cubano da Cultura, Alpidio Alonso. Ela morreu devido a uma condição pulmonar “com a qual lutou por vários anos”, explicou Rey González, amigo de Fornés e administrador de sua página oficial, ao anunciar sua morte no Facebook. A artista estava há vários dias internada em Miami, cidade onde decidiu morar em 2019. Na verdade, Fornés era americana. Ela nasceu em 11 de fevereiro de 1923 em Nova York, mas mudou-se para Cuba ainda pequena. Seus pais eram espanhóis e se divorciaram quando Fornés tinha aproximadamente cinco anos. Ela então assumiu o sobrenome de seu padrasto. Foi em Cuba que virou artista. Com apenas 15 anos, chamou atenção ao ganhar um concurso de cantores no rádio e foi convidada a estrear nos palcos em uma comédia musical. Aos 17 virou atriz de cinema, apareceu em dois filmes cubanos, “Una Aventura Peligrosa (1940) e “Romance Musical” (1941), antes de se mudar para o México, onde se tornou uma grande estrela, protagonizando vários filmes durante a idade de ouro do cinema mexicano. Rosita Fornés virou uma das maiores sex symbols latinas em produções como “El Deseo” (1948) e “La Carne Manda” (1948), e se manteve em alta até a metade dos anos 1950. Em 1956, fez seu último longa mexicano, “No Me Olvides Nunca” (1956). Ao se divorciar do ator Manuel Medel, mudou-se com sua filha novamente para Cuba, onde se estabeleceu na nascente indústria televisiva do país. Também retomou a carreira teatral, excursionando pela América Latina e pela Espanha, ao mesmo tempo em que virou representante da música cubana em vários festivais internacionais. Nos anos 1980, experimentou um renascimento da carreira cinematográfica, atuando em três longas cubanos, “Permutam-se Casas” (1985), “Plácido” (1986) e “Papéis Secundários” (1989). Mas, desde então, as turnês teatrais e musicais, que a levaram também a Nova York em várias apresentações, acabaram tomando a maior parte de seu tempo. A atriz e cantora ganhou um documentário sobre sua vida e obra em 1996, “Rosita Fornés, Mis Tres Vidas”, e se despediu dos cinemas em 2001, com “Las Noches de Constantinopla”. Ao longo da carreira, ela ganhou muitos prêmios e homenagens. Entre outras honrarias, foi consagrada Artista do Povo pelo governo do México em 1985 e recebeu a Ordem do Mérito Civil da Espanha em 2011, concedida pelo rei Juan Carlos I.
Marion Hänsel (1949 – 2020)
A cineasta, produtora e atriz Marion Hänsel, que venceu o Leão de Prata no Festival de Veneza de 1985, morreu na segunda (8/6) aos 71 anos, após um ataque cardíaco. Nascida em Marselha, na França, Hansel cresceu na cidade belga de Antuérpia e os seus estudos levaram-na ao Reino Unido, a Paris, e Nova York, onde estudou na famosa Actors Studio, a escola de atores de Lee Strasberg. Depois de se apresentar no palco em Bruxelas e ganhar pequenos papéis na televisão, começou a carreira como atriz de cinema na fantasia belga “Palaver” (1969), de Emile Degelin. E seguiu atuando em filmes belgas até ser contratada por Agnès Varda para participar do clássico francês “Uma Canta, a Outra Não” (1977). Foi nesse mesmo ano que criou a produtora Man’s Films e assinou a sua primeira curta-metragem: “Equilibres” . A sua estreia na direção de longas se deu em 1982 com “Le Lit”, nomeado ao César de Melhor Filme Francófono (estrangeiro falado em frncês), e a partir aí ela assinou duas dezenas de trabalhos como realizadora e cerca de 35 obras como produtora, como “Terra de Ninguém”, de Danis Tanovic, que venceu o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira em 2002. O filme que lhe rendeu o Leão de Prata foi também sua primeira obra falada em inglês: “Dust” (1985), produção polêmica que deu o falar pela cena de estupro de uma mulher negra por um patrão branco (Trevor Howard) na África do Sul, em pleno apartheid, e o assassinato deste pela própria filha (Jane Birkin). Ela também foi premiada nos festivais de Cannes e Bruxelas por “Entre o Inferno e o Profundo Mar Azul” (1995), um filme cultuado sobre a amizade entre um marinheiro estrangeiro (Stephen Rhea) e uma garotinha chinesa. Seu filme mais recente, “There Was A Little Ship”, teve a sua estreia internacional no Festival de Rotterdam deste ano, que lhe dedicou uma retrospectiva especial de sua carreira.
Claude Heater (1927 – 2020)
O ator e cantor de ópera Claude Heater, que ficou conhecido por interpretar Jesus Cristo no filme “Ben-Hur” (1959), morreu na semana passada aos 92 anos. A notícia foi confirmada só neste sábado (6/6) no site oficial do cantor. O rosto de Heater nunca aparece em “Ben-Hur”, e seu nome também não é visto nos créditos. Nas cenas do filme, ele é retratado sempre de costas ou com a face escondida — não por vontade do diretor William Wyler, mas por uma determinação legal. Na época em que o longa foi feito, a lei britânica proibia mostrar o rosto ou a voz de Jesus em um filme no qual ele fosse “um personagem secundário”. O protagonista de “Ben-Hur”, no caso, é o personagem-título, um príncipe judeu interpretado por Charlton Heston. O longa de William Wyler acabou vencendo 11 Oscar, incluindo melhor filme, o maior número de estatuetas já vencido por um filme – anos depois, a marca também foi igualada por “Titanic” (1997) e “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” (2003). O “Ben-Hur” dos anos 1950 era remake de uma das maiores produções do cinema mudo, lançada em 1925, e ganhou uma nova versão em 2016, com o brasileiro Rodrigo Santoro no papel de Jesus, desta vez aparecendo em todas as cenas. Heater aceitou o papel porque foi missionário mórmon antes de começar a carreira de cantor, iniciada na Broadway em 1950, no musical cômico “Top Banana”, no qual vivia um malabarista. Poucos anos depois, se deslocou para o ramo da ópera, ganhando elogios por performances em “La Traviata” e “Faust” em Nova York (EUA). Heater viajou para Milão (Itália) para estudar canto e depois se apresentou por toda a Europa. Pouco antes de se aposentar, retornou às telas, desta vez numa produção operística, uma montagem belga de “Tristão e Isolda”, baseada na ópera de Wagner, em que viveu o papel de Tristão e cantou em alemão. Em 2007, ele escreveu um livro, “Fatal Flaws in the Most Correct Book on Earth”, onde denunciou inconsistências em sua experiência religiosa na igreja mórmon.












