Sugar Rush: Reality culinário da Netflix traz última gravação de Naya Rivera
A Netflix vai lançar a última gravação feita pela atriz Naya Rivera (“Glee”) nesta sexta (31/7). Antes de morrer afogada em julho, Naya participou de um episódio da 3ª temporada do reality “Sugar Rush”, que está chegando ao catálogo da plataforma de streaming. A participação foi gravada em fevereiro, antes da paralisação das produções de entretenimento pela pandemia de coronavírus. Naya aparece como uma jurada convidada da competição culinária. A atriz morreu afogada em 8 de julho, após desaparecer durante um passeio no lado Piru, na Califórnia, com seu filho pequeno. Naya teria usado seu último fôlego para tirar a criança da água, quando uma forte correnteza atingiu a região. Os dois estavam nadando no lago e o menino disse à polícia que viu a mãe desaparecer debaixo d’água, enquanto subia de volta no barco. Sua morte inesperada, aos 33 anos, causou comoção nos EUA e chegou a reunir seus antigos colegas da série “Glee” em orações no local de sua morte, durante a procura por seu corpo – que durou cinco dias. Ela foi enterrada no dia 24 de julho no Forest Lawn Memorial Park, em Los Angeles.
Sonia Darrin (1924 – 2020)
A atriz Sonia Darrin, que marcou época como femme fatale do cinema noir, morreu em 19 de junho, num hospital de Nova York, após sofrer uma queda aos 96 anos. Nascida Sonia Paskowitz em 16 de junho de 1924, em Galveston, Texas, ela se mudou com a família para a Califórnia na adolescência, quando teve aulas de dança com o bailarino e coreógrafo Adolph Bolm. Durante este período, Bolm começou a trabalhar na aventura de capa e espada “Os Irmãos Corsos” (1941), e convidou seus alunos para figurarem nas cenas de multidões. Darrin estreou nas telas como uma das frequentadoras de uma apresentação de ópera. Por ser dançarina, ela seguiu carreira em musicais, aparecendo em “Um Raio de Sol” (1941), “Minha Namorada Favorita” (1942) e “É Difícil Ser Feliz” (1943). Também chegou a atuar no terror “Frankenstein encontra o Lobisomem” (1943), mas seus papéis eram sempre pequenos e não creditados. Mesmo assim, foi selecionada pelo diretor Howard Hawks para viver uma bad girl e contracenar com Humphrey Bogart em “À Beira do Abismo” (1946), um dos mais famosos film noir de todos os tempos. Numa cena memorável do filme, o detetive Philip Marlowe (Bogart) finge ser um colecionador de livros raros para se aproximar da suspeita Agnes (Darrin) e perguntar se ela trabalhava na livraria em que estavam – que funcionava como fachada para negócios escusos. “Você vende livros, hum?”. Então, ela gesticula na direção de uma fileira de livros e responde: “O que você acha que é isso, toranjas?” Ela apareceu em outras cenas marcantes do filme, mas sua presença acabou diminuída porque, segundo afirma, seu agente discutiu com o chefe do estúdio, Jack Warner. Darrin também teve destaque em outro noir, “Bury Me Dead” (1947), com June Lockhart e Hugh Beaumont, e atuou em mais um clássico do gênero, “Coração Prisioneiro” (1949), de Max Ophüls. Também apareceu no drama de guerra “Sedução Trágica” (1948) e encerrou a carreira com um último noir, “Traidor Inesperado” (1950), antes de deixar Hollywood e se tornar modelo da agência de Eileen Ford em Nova York. Darrin manteve um perfil discreto, mas ressurgiu na década de 1970, quando seu filho Mason Reese se tornou uma estrela de comerciais. “Ela foi parte mãe, parte protetora, parte guerreira e parte empresária”, disse Reese à revista The Hollywood Reporter. “Ela sabia tudo sobre as armadilhas de Hollywood e incutiu em mim que isso seria uma montanha-russa e uma aventura – e que quando eu não quisesse mais fazer isso, não precisaria continuar a fazer.” Reese acrescentou que sua mãe não tinha ideia de que era uma atriz popular, porque seus papéis foram muito pequenos, mas os fãs de filmes noir a adoravam. “Ela ficava espantada quando recebia cartas de fãs pelo correio”, disse ele. Mãe e filho não foram os únicos astros da família. O irmão da atriz é considerado uma lenda do surf da Califórnia, Dorian “Doc” Paskowitz. Relembre abaixo, a famosa cena das toranjas literárias.
Jacqueline Scott (1931 – 2020)
A atriz Jacqueline Scott, que integrou o elenco da série clássica “O Fugitivo”, morreu na quinta passada (23/7) de causas naturais, em sua casa em Los Angeles, aos 89 anos. Nascida em 25 de junho de 1931, em Sikeston, Missouri, Scott começou a carreira artística em competições de sapateado aos 3 anos de idade. Ela passou a fazer teatro duas décadas mais tarde, apos se mudar para Nova York, chegando a participar de produções da Broadway. Sua estreia no cinema aconteceu no terror “Macabre” (1958), de William Castle, que foi seguida por várias aparições em séries, entre elas “Mike Hammer”, “Perry Mason”, “77 Sunset Strip”, “Bat Masterson”, “Paladino do Oeste”, “Laramie”, “Gunsmoke”, “Os Intocáveis”, “Rota 66”, “Missão: Impossível”, “Além da Imaginação” e “5ª Dimensão” (The Outer Limits). Em 1964, ela foi escalada para um pequeno papel na 1ª temporada de “O Fugitivo”, como Donna, a irmã casada de Richard Kimble (David Janssen), o fugitivo do título. A princípio prevista para um episódio, a personagem acabou voltando nas duas temporadas derradeiras do fenômeno de audiência da rede ABC, incluindo o capítulo final, assistido por 78 milhões de espectadores em 1967. Outro registro marcante de seu currículo televisivo foi o episódio “The Parallel”, exibido em 1963 em “Além de Imaginação” (Twilight Zone), em que viveu a esposa de um astronauta (Steve Forrest), que voltava do espaço achando o mundo bem diferente de quando o deixou. Scott também participou do cultuado filme B “Prisão de Mulheres” (1962), do western “O Último Tiro” (1968), em que foi casada com o xerife vivido por James Stewart, do suspense “Encurralado” (1971), de Steven Spielberg, e de três filmes de Don Siegel: o neo-noir “O Homem que Burlou a Máfia” (1973), como esposa de Walter Matthau, o thriller “O Telefone” (1977), com Charles Bronson, e a comédia “Jogando com a Vida” (1982). Seus últimos papéis incluem uma participação na série “Arquivo Morto” (Cold Case) em 2004 e no filme “Sugar Boxx” (2009), homenagem trash aos dramas de “Prisão de Mulheres”, como o cult que ela estrelou nos anos 1960. “Eu queria interpretar sempre personagens diferentes. E consegui fazer isso”, disse ela em uma entrevista de 2016.
Olivia de Havilland (1916 – 2020)
A atriz Olivia de Havilland, vencedora de dois Oscars e uma das últimas estrelas da era de ouro de Hollywood, morreu na noite de sábado (25/7), de causas naturais enquanto dormia em sua casa, em Paris, aos 104 anos. Sua beleza angelical lhe rendeu vários papéis de protagonista romântica. Mas ela também foi heroína de ação. E a primeira pessoa – homem ou mulher – a enfrentar a indústria de Hollywood, implodindo o sistema abusivo de semi-escravidão contratual, usado pelos estúdios para humilhar atores e forçá-los a fazer filmes contra suas vontades, que vigorou até meados dos anos 1940. Sua vitória na Justiça mudou as relações entre astros e estúdios para sempre, inaugurando a era “moderna” em que atores de sucesso se tornaram capazes de escolher o que filmar e com qual estúdio quiserem. Não foi seu único processo. Mais recentemente, ela entrou com uma ação contra o produtor Ryan Murphy por retratá-la na série “Feud” (de 2017), em que foi vivida por Catherine Zeta-Jones “sem autorização e sem aprovação”. O caso estava sendo encaminhado à Suprema Corte dos EUA. Olivia De Havilland nunca foi uma atriz comum. Sua beleza lendária a aproximou de astros famosos. Havia rumores de seu relacionamento com Errol Flynn e registros de envolvimentos com James Stewart, o magnata Howard Hughes, o diretor John Huston e até com o jovem John F. Kennedy, futuro presidente dos EUA, ainda nos anos 1940. Mas, apesar das fofocas, ela recusou vários cortejos, escolhendo intelectuais como maridos. Seu primeiro casamento, em 1946, foi com o escritor e roteirista Marcus Aurelius Goodrich (“Ases da Armada”), com quem teve um filho, Benjamin. O segundo aconteceu em 1955 com Pierre Galante, editor da revista Paris Match, com quem teve uma filha, Gisele. Os dois casamentos acabaram em divórcio. Ela certamente enfrentou alguns rivais poderosos na carreira, mas considerava a própria irmã mais nova como sua maior inimiga, a atriz vencedora do Oscar Joan Fontaine (que morreu em dezembro de 2013 aos 96 anos). Seu pai, Walter, era um advogado britânico de patentes que fazia negócios no Japão, por isso ela nasceu em Tóquio, em 1º de julho de 1916. Já sua mãe, Lilian, era uma atriz de teatro que queria que suas filhas seguissem seus passos. Assim, aos 3 anos, a pequena Olivia foi com a mãe e a irmã morar na Califórnia. Sua educação começou em um convento, mas, ao terminar o colegial, ela se matriculou no Mills College, em Oakland, onde se interessou por atuar. Sua estrela brilhou durante uma apresentação teatral de “Sonho de uma Noite de Verão”, de Shakespeare. No palco como substituta de emergência de Gloria Stuart – a diva temperamental desistira na véspera – , chamou atenção do empresário Max Reinhardt, que tinha ido à estreia atrás de talentos para atuar na versão cinematográfica da peça. Ela assinou um longo contrato com a Warner e debutou em Hollywood naquela adaptação, em 1935, aos 19 anos de idade. Sua atuação encantou os executivos do estúdio que, no mesmo ano de “Sonho de uma Noite de Verão”, a lançaram em mais três produções. E já como protagonista. Um destes trabalhos de seu ano inaugural rapidamente estabeleceu sua reputação como estrela e firmou sua primeira e mais famosa parceria nas telas: nada menos que “Capitão Blood”, um dos melhores filmes de piratas da velha Hollywood, dirigido por Michael Curtiz, em que contracenou com Errol Flynn. Ao todo, Olivia viveu o par romântico de Errol Flynn em nove filmes da Warner, incluindo o famoso “As Aventuras de Robin Hood” (1938), no qual interpretou a icônica Lady Marian, e o épico “A Carga de Cavalaria Ligeira” (1936), ambos dirigidos por Curtiz – ela foi igualmente dirigida nove vezes pelo diretor. Já consagrada como uma das principais atrizes da Warner, Olivia foi atraída por uma oferta para atuar numa superprodução de um estúdio rival no final dos anos 1930. Era “…E o Vento Levou” (1939). Lisonjeada e encantada pelo projeto, uma das superproduções mais caras da época, ela pressionou pela chance de demonstrar que era mais que uma atriz comercial. Após uma dura negociação, que incluiu direitos de distribuição para a Warner, Olivia conseguiu ser liberada para viver Melanie Hamilton, a noiva e depois esposa de Ashley Wilkes, personagem de Leslie Howard, criando um retrato de mulher tímida, gentil e benevolente, que contrastava de forma frontal com o ciúme venenoso de seu marido e com o gênio de sua prima espirituosa, Scarlett O’Hara (Vivien Leigh). A performance lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar, como Melhor Atriz Coadjuvante – ela acabou sofrendo uma derrota histórica para sua colega de elenco Hattie McDaniel, primeira atriz negra premiada pela Academia, que foi mantida separada e segregada do elenco durante as filmagens e até na própria premiação. “…E o Vento Levou” (1939) venceu oito Oscars, tornando-se o filme mais premiado de sua época, uma distinção que durou por duas décadas – até “Gigi” (1958). Empolgada com o impacto do filme e pela nomeação, Olivia voltou à Warner com a expectativa de mais papéis de prestígio. Mas eles não se materializaram. O estúdio queria mais filmes de ação com Errol Flynn, no máximo algumas comédias românticas. Ela chegou a ouvir que tinha sido contratada porque era bonita e fotografava bem, não porque soubesse atuar. Conforme seu contrato inicial se aproximava do fim, Olivia deixou claro que não tinha intenção de renová-lo. Com receio de perder sua estrela, a Warner aceitou incluir alguns dramas entre seus filmes habituais. Um deles foi “A Porta de Ouro” (1941), em que ela interpretou uma professora seduzida por um astuto exilado europeu (Charles Boyer) em busca de uma esposa para obter visto americano. Seu desempenho rendeu-lhe outra indicação ao Oscar, desta vez como Melhor Atriz. Mas ela voltou a perder para uma rival: a própria irmã, Joan Fontaine, que venceu por “Suspeita”, de Alfred Hitchcock. As duas deixaram de se falar depois disso. De fato, Olivia e Joan foram as únicas irmãs a vencer o Oscar na categoria de Melhor Atriz, mas em vez de comemorarem a façanha, sua rivalidade “fraterna” foi considerada a mais feroz da história de Hollywood. Após a segunda indicação, ela começou a recusar papéis que considerava inferiores. A Warner retaliou suspendendo-a por seis meses e, quando seu contrato venceu, o estúdio insistiu que, devido às suspensões, ela ainda lhes devia mais filmes. Mas a Warner jamais suspeitou que a atriz “bonitinha” e que “fotografava bem” tivesse mais obstinação que a fictícia Scarlett O’Hara. Amanhã foi outro dia para Olivia de Havilland, que processou e venceu. O caso se arrastou por um ano e meio, período em que ficou afastada das telas, mas a Suprema Corte da Califórnia aprovou uma decisão de primeira instância em seu favor em 1945. Conhecida como “a decisão de Havilland”, a orientação jurídica determinou que nenhum estúdio poderia prolongar arbitrariamente a duração do contrato de um ator. Foi o fim da semi-escravidão de Hollywood. A atriz se declarou independente, colocando-se no mercado para todos os estúdios. E choveram ofertas, inclusive da própria Warner. Para compensar o tempo em que passou brigando na Justiça, ela apareceu logo em quatro filmes de 1946. Apenas um deles era uma comédia romântica, demonstrando o novo rumo de sua carreira, focado na busca do Oscar. A seleção incluía “Devoção”, um daqueles dramas de prestígio que a Warner não queria lhe dar, mas que enfim deu após o fim do contrato, no papel da escritora Emily Brontë (de “O Morro dos Ventos Uivantes”). Viveu também uma mãe solteira que abandona o filho em “Só Resta uma Lágrima”, de Mitchell Leisen, produzido pela Paramount. E interpretou gêmeas, uma boazinha e outra malvada, em “Espelho d’Alma”, clássico noir de Robert Siodmak, distribuído pela Universal. A estratégia deu certo. Olivia de Havilland venceu seu primeiro Oscar por “Só Resta uma Lágrima”. Ela enfrentou Hollywood, assumiu o controle da carreira e escolheu os filmes que queria fazer. E conquistou o reconhecimento da Academia. Mas a atriz não queria apenas empatar com a irmã. Queria superá-la. Isto ficou claro quando Olivia se recusou a receber os parabéns de Joan ao vencer sua estatueta. Esse esforço rendeu mais dois clássicos: “Na Cova da Serpente” (1948), de Anatole Litvak, em que deu vida à uma mulher internada num hospício, e “Tarde Demais” (1949), de William Wyler, como uma herdeira solteirona seduzida por um golpista mais jovem (Montgomery Clift). O primeiro lhe rendeu nova indicação ao Oscar, perdendo (injustamente) para Jane Wyman por “Belinda”. O outro lhe valeu seu segundo Oscar de Melhor Atriz. Aqueles foram os últimos dois filmes que ela realmente gostou de fazer. Após aparecer como a “mulher mais velha”, as ofertas de bons papéis diminuíram. Mesmo assim, Olivia enfrentou o “ageismo” implacável da velha Hollywood com menos lançamentos, mas sem abrir mão da qualidade. Fez “Eu Te Matarei, Querida! (1952), de Henry Koster, “Não Serás um Estranho” (1955), de Stanley Kramer, “A Noite É Minha Inimiga” (1959), de Anthony Asquith, e até “O Rebelde Orgulhoso” (1958), em que voltou a trabalhar com Michael Curtiz, culminando esta fase numa parceria histórica com a igualmente lendária Bette Davis no suspense “Com a Maldade na Alma” (1964). Foram os derradeiros filmes dignos de seu nome. Ao passar dos 50 anos, Olivia trocou as grandes produções por aparições num punhado de séries – como “Big Valley” (em 1965), a minissérie “Roots: The Next Generations” (em 1979) e “O Barco do Amor” (em 1981) – , e pela função de cota de prestígio em filmes de baixa qualidade, como a “nunsplotation” “Joana, a Mulher que Foi Papa” (1972) e os thrillers de desastre “Aeroporto 77” (1977) e “O Enxame” (1978). Seu último papel no cinema foi em “O Quinto Mosqueteiro” (1979), como a Rainha-mãe de Louis XIV (Beau Bridges), numa homenagem do diretor Ken Annakin a seus primeiros longas de capa e espada. Depois disso, sua carreira ainda se estendeu por mais uma década em produções televisivas, o que lhe valeu um último reconhecimento: o Globo de Ouro pela minissérie “Anastácia: O Mistério de Ana” (1986), aos 70 anos de idade. Em 1988, ele anunciou a aposentadoria e se mudou para Paris, na França, onde se tornou uma celebridade adorada. Ela chegou a receber a maior honraria do país, a comenda da Legião de Honra, em 2010. “Você honra a França por nos escolher como sua morada”, disse o presidente Nicolas Sarkozy na cerimônia. Ao saber de sua morte, a presidente do SAG-AFTRA (sindicato dos atores dos EUA), Gabrielle Carteris, evocou sua importância histórica para a classe artística. “Olivia de Havilland não era apenas bonita e talentosa, era uma visionária corajosa e uma inspiração para todas as gerações. Ela era uma maravilha e uma lenda. Descanse em paz.”
John Saxon (1935 – 2020)
O ator John Saxon, que enfrentou Bruce Lee em “Operação Dragão” e Freddy Krueger em três filmes de “A Hora do Pesadelo”, morreu neste sábado (25/7), de pneumonia aos 83 anos. Ítalo-americano do Brooklyn, o ator interpretou personagens de várias etnias durante sua longa carreira, iniciada em 1954 com figurações nos clássicos “Demônio de Mulher” e “Nasce uma Estrela”, ambos dirigidos por George Cukor. Mas seu nome verdadeiro não era John, muito menos Saxon. Ele nasceu Carmine Orrico em 5 de agosto de 1936. Filho mais velho de um imigrante italiano, teve seu destino decidido num dia em que decidiu faltar à aula e ir ao cinema. Na saída da sessão, foi parado por um agente de modelos que lhe deixou um cartão e convite para testes. E começou a fazer fotonovelas. Aos 17 anos, já tinha agente – o mesmo que lançou as carreiras de Rock Hudson e Tab Hunter – e pseudônimo. Decidido a fazer cinema, estudou atuação e voou para Hollywood, onde participou de um workshop da Universal e foi contratado para aparecer nos filmes do estúdio. Depois das primeiras figurações, conseguiu seu primeiro papel de coadjuvante no drama de delinquentes “Running Wild” (1955), com Mamie Van Doren – a Marilyn Monroe dos filmes B. A estreia como protagonista aconteceu logo em seguida, em “Curvas e Requebros” (1956), em que tinha uma banda de rock com Sal Mineo (“Juventude Transviada”). Ele também foi roqueiro em “Estação do Amor” (1957) e namorou Sandra Dee no drama “Corações em Suplício” (1958), enquanto estrelava comédias de diretores famosos, como “Tudo Pelo Teu Amor” (1958), de Blake Edwards, e “Brotinho Indócil” (1958), de Vincente Minnelli. Os papéis de adolescente chegaram ao fim no começo dos anos 1960, mas Saxon se reinventou. Ele integrou o elenco dos westerns “O Passado Não Perdoa” (1960), de John Huston, “Os Destruidores” (1960), com Jeff Chandler, e “Quadrilha do Inferno” (1961), com Audie Murphy, e protagonizou o drama de guerra “Obsessão de Matar” (1962), como um dos psicopatas mais realistas de Hollywood, até o fim de seu contrato com a Universal o levar a filmar na Itália. Entre títulos de spaghetti western e guerra, Saxon acabou descobrindo o terror no cinema italiano, ao estrelar “Olhos Diabólicos” (1963), do mestre Mario Bava, primeiro filme de um gênero em que acabou se especializando. A lista de terrores de sua filmografia inclui vários títulos cultuados, como “Queen of Blood” (1966), produção de Roger Corman sobre uma vampira espacial que inspirou o primeiro “Alien” (1979), e “Noite do Terror” (1974), que já ganhou dois remakes – o mais recente no ano passado. Mas houve uma fase, ao voltar da Europa, que ele viu sua carreira restrita a trabalhos televisivos. Saxon apareceu em vários episódios de séries clássicas, como “Cimarron”, “Bonanza”, “Winchester 73”, “O Rei dos Ladrões”, “Os Audaciosos”, “Têmpera de Aço”, “O Homem de Virgínia”, “Gunsmoke”, “Arquivo Confidencial”, “Galeria do Terror”, “Kung Fu” e chegou até a viver Marco Polo em “Túnel do Tempo”. Felizmente, Saxon conseguiu encaixar papéis de cinema entre os capítulos da semana. E alguns dos filmes que estrelou a seguir acabaram entrando para a história do cinema. Ele começou sua volta por cima ao aparecer como bandido mexicano caçado por Clint Eastwood no western “Joe Kidd” (1972), de John Sturges. E, principalmente, ao enfrentar e se aliar a Bruce Lee no cultuadíssimo “Operação Dragão” (1973), um dos mais influentes filmes de artes marciais de todos os tempos. O sucesso internacional de “Operação Dragão” lhe rendeu um segundo ciclo italiano, desta vez praticamente restrito ao gênero policial, trabalhando com os especialistas Alberto De Martino e Humberto Lenzi. Mas o retorno aos EUA não foi diferente da primeira vez. Saxon retornou ao universo das séries, mas por estar mais conhecido, foi escalado como o vilão do crossover de 1976 entre “O Homem de Seis Milhões de Dólares” e a “Mulher Biônica”, lutou contra Linda Carter em um episódio duplo de “Mulher-Maravilha” – como nazista! -, viveu um poderoso magnata do Oriente Médio que namorou Alexis Colby (Joan Collins) num arco de “Dinastia” e ainda apareceu em 32 episódios como pai de Lorenzo Lamas em “Falcon Crest”. Saxon fez mais uma tentativa de retornar a Hollywood com “O Cavaleiro Elétrico” (1979), estrelado por Robert Redford, e na “Guerra nas Estrelas” barata de Roger Corman, chamada “Mercenários das Galáxias” (1980). Mas acabou retornando mesmo foi ao cinema italiano, desta vez ao mondo bizarro de “Canibais do Apocalipse” (1980), de Antonio Margheriti, e ao célebre giallo “Tenebre” (1982), de Dario Argento. Esta fase de terror culminou em sua escalação na obra-prima do gênero “A Hora do Pesadelo” (1984), de Wes Craven, em que viveu o pai policial da protagonista Nancy Thompson (Heather Lagenkamp). Saxon voltou em mais duas continuações: na única sequência escrita por Craven, “A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos” (1987), e na versão metalinguística da saga, “O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger” (1994), em que viveu a si mesmo, o ator John Saxon, que interpretava o Tenente Thompson. Este também foi o terceiro e último filme de Craven na franquia. O renascimento como astro de terror o inspirou até a virar diretor. Ele comandou um único filme na carreira, “Corredor da Morte” (1988), similar às produções baratas que estrelou na Itália. Foi um fracasso tão grande que nunca mais se arriscou. Após uma fase de muitos filmes ruins lançados direto em vídeo, Saxon reapareceu como vilão de blockbuster em “Um Tira da Pesada III” (1994) e como policial num terror cultuado, “Um Drink no Inferno” (1996), dirigido por Robert Rodriguez e escrito e estrelado por Quentin Tarantino. Ele também coestrelou “Genghis Khan: The Story of a Lifetime” (2010), último trabalho do mestre britânico Ken Anakin, codirigido por Antonio Margheriti. E continuava ativo, com dois projetos em desenvolvimento no momento de sua morte. John Saxon foi casado três vezes, com a roteirista Mary Ann Murphy, a comissária de bordo que virou atriz Elizabeth Saxon e, desde 2008, com cosmetóloga Gloria Martel. Os sobreviventes incluem dois filhos, um neto e um bisneto batizado com seu nome.
Sergio Ricardo (1932 – 2020)
O músico, escritor, pintor e cineasta Sergio Ricardo morreu na manhã desta quinta-feira (23/7), aos 88 anos no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada. Um dos integrantes de primeira hora da bossa nova, autor de “Zelão” e também da belíssima “Folha de Papel”, gravada por Tim Maia, Sergio ficou conhecido nacionalmente, a contragosto, por ter quebrado um violão no II Festival da Música Brasileira em 1967, quando foi vaiado ao apresentar a canção “Beto Bom de Bola”. Anos mais tarde, no princípio da década de 1990, escreveu uma autobiografia que batizou de “Quem Quebrou meu Violão”. Mas antes do banquinho e o violão, ele já era conhecido pela câmera na mão. Sergio Ricardo, que na verdade se chamava João Lutfi, seu nome de batismo, começou a filmar em 1962 sem nunca ter quebrado recordes de bilheteria. Mesmo assim criou um trio de clássicos do cinema brasileiro. Ao todo, ele assinou seis filmes, incluindo dois curtas, a maioria com participação importante de seu irmão Dib Lufti, um dos mais famosos diretores de fotografia do Brasil. O primeiro curta, “Menino da Calca Branca” (1962), ainda contou com apoio de outro mestre do Cinema Novo, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, que realizou sua montagem. A história do menino favelado que sonhava com uma calça nova foi lançada no Festival Karlovy Vary, na então Tchecoslováquia, e acabou premiada no Festival de San Francisco, nos EUA. O primeiro longa, “Êsse Mundo É Meu”, foi um drama social estrelado por Antonio Pitanga e abordava a vida dura na favela. Além de escrever e dirigir, Sergio Ricardo compôs sua trilha sonora, lançada em disco – a música-título também foi gravada por Elis Regina. E sua qualidade chamou atenção da crítica internacional. Na época, o critico e diretor francês Luc Moullet, em artigo publicado na revista Cahiers du Cinema, condenou a ausência da obra de Sérgio Ricardo no festival de Cannes de 1965 e listou “Êsse Mundo É Meu” entre os melhores filmes de 1964. Mas pouca gente viu, inclusive no Brasil, onde foi lançado em 1 de abril de 1964, junto do golpe militar que esvaziou as ruas e os cinemas do país. Sergio Ricardo costumava brincar que tinha sido seu primeiro fracasso cinematográfico. Vieram outros. Romance engajado, “Juliana do Amor Perdido” (1970) denunciava como fanatismo religioso mantinha o povo escravizado numa comunidade de pescadores, e foi exibido no Festival de Berlim. Mais proeminente, “A Noite do Espantalho” (1974) consagrou-se como a primeira ópera “rock” brasileira ou o primeiro filme-cordel. Rodada no “palco a céu aberto” de Nova Jerusalém, onde anualmente é encenada a Paixão de Cristo, a trama registrava a luta de camponeses contra um poderoso coronel latifundiário, que agia comandado por um dragão. Em meio a surrealismo e psicodelia sertaneja, o filme ainda revelou, de uma só vez, os talentos de Alceu Valença e Geraldo Azevedo. E arrancou elogios da crítica mundial, com sessões lotadas no Festival de Cannes e de Nova York. Seus três longas formaram uma trilogia não oficial sobre a crise social brasileira. O diretor começou na favela urbana, foi para o litoral distante e acabou no sertão nordestino. E nesse trajeto evoluiu do neorealismo preto e branco para o psicodelismo colorido, criando uma obra digna de culto. Mas apesar da grande repercussão internacional, os filmes do diretor não receberam a devida valorização no Brasil. Sem incentivo, ele acabou se afastando das telas. Só foi voltar recentemente, em 2018, para seu quarto e último longa-metragem, “Bandeira de Retalhos”, que sintetizou seus temas. O filme acompanhava a luta de moradores de uma favela carioca contra a desapropriação de suas casas, que políticos poderosos tinham negociado com empresários do setor imobiliário. A história, inspirada numa tentativa da Prefeitura do Rio de transformar o Vidigal num empreendimento de luxo em 1977, foi encampada pela ONG Nós do Morro e filmada com poucos recursos. Novamente com Antonio Pitanga em papel de destaque, além de Babu Santana. Mas pela primeira vez sem Dib Lufti atrás das câmeras, falecido em 2016, o que fez toda a diferença. “Bandeira de Retalhos” foi exibida na Mostra de Tiradentes, festival de filmes independentes, e nunca estreou comercialmente. O diretor acabou lançando o filme por conta própria no YouTube, em maio passado, no começo da pandemia de covid-19. Além do trabalho como cineasta, Sergio Ricardo ainda contribuiu com outros talentos para o cinema brasileiro. São dele as trilhas de clássicos como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), “Terra em Transe” (1967) e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969), para citar só obras de Glauber Rocha, entre muitas outras colaborações. Ele também foi ator, embora tenha desempenhado poucos papéis, como no clássico infantil “Pluft, o Fantasminha” (1962) e como narrador de “Terra em Transe”, além de aparecer em dois de seus filmes e ter estrelado a minissérie “Parabéns pra Você” em 1983, na rede Globo.
Annie Ross (1930 – 2020)
A atriz e cantora Annie Ross, conhecida pelo hit de jazz “Twisted” e por papéis em filmes como “Superman 3” (1983) e “Short Cuts – Cenas da Vida” (1993), morreu na terça (21/7) por complicações cardíacas. Nascida Annabelle Macauley Allan Short, ela começou sua longa carreira ainda na infância, graças à influência da tia, a atriz e cantora Ella Logan, aparecendo em curtas dos Batutinhas aos sete anos de idade. Sua estreia em longa-metragem foi como irmã mais jovem de Judy Garland na comédia musical “Lilly, A Teimosa” (1943). Mas o trabalho que lhe deu projeção acabou sendo uma música. Ela virou a queridinha do jazz americano na década seguinte, com o lançamento de “Twisted”, música de 1952 sobre as memórias perturbadas de uma paciente psiquiátrica. Durante os anos 1950 e 1960, Annie Ross cantou ao lado de Dave Lambert e Jon Hendricks no trio Lambert, Hendricks & Ross, que lançou o disco “Sing a Song of Basie” (1957) considerado um clássico do jazz. Em 1962, eles venceram um Grammy pelo álbum “High Flying”. O sucesso musical a afastou das telas. Ela ficou tão famosa que, quando aparecia em alguma produção, interpretava a si mesma, como aconteceu num episódio da série britânica “O Santo”, em 1965. Mas após duas décadas dedicadas à música, Annie precisou voltar aos cinemas a partir dos anos 1970, após um divórcio que a deixou falida. Ela alternou participações em musicais de teatro com pequenos papéis em filmes como “Alfie – O Eterno Sedutor” (1975), “Os Yankees Estão Voltando” (1979) e principalmente “Superman III” (1983), em que interpretou a irmã do vilão Ross Webster (Robert Vaughn), transformada em um ciborgue na história. Curiosamente, acabou tendo maior projeção em duas continuações da franquia de terror “Basket Case”, produzidas em 1990 e 1991, além de ter interpretado a diretora da escola de Christian Slater no cultuado “Um Som Diferente” (1990), um filme sobre o poder subversivo do rock alternativo. Neste período, ela descobriu que tinha um fã no diretor Robert Altman, que a incluiu em dois filmes consecutivos. Após viver a si mesma em “O Jogador” (1992), Altman a escalou em “Short Cuts – Cenas da Vida” (1993), como uma cantora de jazz que lutava para se recuperar do vício em heroína e voltar aos holofotes. A personagem parecia ter sido escrita sob medida, já que Annie Ross enfrentou o vício da droga na vida real. “Short Cuts” representou um renascimento da carreira musical de Ross, que também cantou em sua trilha sonora. O filme lhe rendeu convites para retomar as turnês artísticas. Reinventando-se como cantora de cabaret, com espetáculos lotados, ela despediu-se dos cinemas pela última vez no ano seguinte, encerrando sua filmografia com “Céu Azul” (1994), um romance estrelado por Jessica Lange e Tommy Lee Jones. Ross se apresentou regularmente no Metropolitan Room até o fechamento da sala de espetáculos nova-iorquina em 2017, e, em 2014, lançou seu último álbum, “To Lady with Love”, uma homenagem a Billie Holiday.
Haruma Miura (1990 – 2020)
O ator japonês Haruma Miura, conhecido por interpretar Eren Jaegar na adaptação cinematográfica do mangá “Ataque dos Titãs”, morreu no sábado (17/7) aos 30 anos. Segundo vários veículos da imprensa japonesa, Miura foi encontrado desacordado em sua casa em Tóquio e declarado morto na chegada ao hospital. A Polícia Metropolitana de Tóquio está investigando a morte como um possível suicídio. O ator nasceu na capital japonesa em 1990 e iniciou sua carreira na televisão aos 13 anos, aparecendo desde então em várias séries japonesas. Aos 16, ele estreou no cinema, atuando logo como protagonista em “Catch a Wave” (2006), como um adolescente que resolve participar de uma competição profissional de surfe. Ele trabalhou com alguns dos diretores mais populares do Japão, como Takashi Miiki em “Operação Corvo 2” (2009) e Takashi Yamazaki em “The Fighter Pilot” (2013), filme que lhe rendeu uma indicação como Melhor Ator Coadjuvante na premiação da Academia Japonesa de Cinema. Miura estrelou os dois longas live-action da franquia “Ataque dos Titãs” em 2015, e também participou de adaptações dos mangás “Gintama”, “Gokusen”, “Naoko” e da dublagem do anime “Harlock: Space Pirate”. Seus últimos papéis foram na série “Two Weeks”, lançada há duas semanas no Japão, “Gift of Fire”, drama de Hiroshi Kurosaki sobre a tentativa japonesa de criar uma bomba atômica no final da 2ª Guerra Mundial, ainda sem previsão de estreia, e “Brave: Gunjyo Senki”, adaptação do mangá homônimo que se encontrava em plena filmagem.
Del Rangel (1955 – 2020)
O diretor e produtor de TV Antônio “Del” Rangel morreu aos 64 anos na quinta-feira (16/7). A informação foi confirmada pela Diretoria Executiva da Fundação Padre Anchieta. Desde 2019, Rangel era diretor de programação da TV Cultura, em São Paulo. Segundo a fundação, o diretor morreu em decorrência de um infarto fulminante. Antes de comandar a TV Cultura, Del Rangel dirigiu várias novelas e séries em outros canais. Na Globo, realizou vários trabalhos nas décadas de 1980 e 1990, à frente de novelas como “Cambalacho” (1986), “O Outro” (1987) e “Bebê a Bordo” (1987), entre outras. Seu último trabalho na emissora foi em 2001, na direção da minissérie “Os Maias” em parceria com Emilio Di Biasi. Ele foi casado com a atriz Regina Duarte entre 1983 e 1995, e a dirigiu na série “Joana”, uma produção independente que foi exibida pelo SBT e pela extinta TV Manchete em 1984. A parceria com a esposa ainda rendeu o seriado “Retrato de Mulher”, na Globo, em 1993. Rangel também comandou algumas das novelas mais bem-sucedidas do SBT – “Éramos Seis” (1994), “As Pupilas do Senhor Reitor” (1994), “Sangue do Meu sangue” (1995), “Razão de Viver” (1996), “Vende-se Um Véu de Noiva” (2009), “Uma Rosa com Amor” (2010) e o fenômeno “Carrossel” (2012). Além disso, teve trabalhos desenvolvidos no teatro e no cinema. Produziu sete filmes dos Trapalhões, entre 1979 e 1983, e ainda dirigiu “O Trapalhão na Arca de Noé” (1983) e “Uma Escola Atrapalhada” (1990), ambos escritos por Renato Aragão, e o drama “Contos de Lygia” (1998), inspirado por histórias da escritora Lygia Fagundes Telles.
Phyllis Somerville (1943 – 2020)
A atriz Phyllis Somerville, conhecida pelos filmes “Pecados Íntimos” e “As Rainhas da Torcida”, morreu na quinta (16/7) de causas naturais em sua casa, na cidade de Nova York, aos 76 anos. Ainda criança, Somerville teve uma pequena aparição na série “Guiding Light”, em 1952, mas seguiu carreira no teatro e só foi reaparecer nas telas três décadas depois, como figurante na comédia de sucesso “Arthur, o Milionário Sedutor”, lançada em 1981. Ela esperou mais uma década antes de decidir se focar no audiovisual, atuando em episódios de várias séries a partir dos anos 1990, como “Nova York Contra o Crime” (NYPD Blue), “Sex and the City”, “Família Soprano” (The Sopranos) e até em três títulos da franquia “Lei & Ordem”: a “Law & Order” original, “Law & Order: SVU” e “Law & Order: Criminal Intent”. Somerville também acumulou participações em filmes famosos, entre eles “Fé Demais Não Cheira Bem” (1992), “Adoráveis Fantasmas” (1998), “Simplesmente Irresistível” (1999) e “Vivendo no Limite” (1999), até que começou a se destacar, alcançando papéis importantes em “Pecados Íntimos” (2006), de Todd Field, como a mãe do pedófilo vivido por Jackie Earle Haley, e em “O Curioso Caso de Benjamin Button” (2008), de David Fincher, como a vovó da versão mirim da personagem de Cate Blanchett. Após seus melhores filmes, ela entrou no elenco de “The Big C”, série de 2010 da HBO sobre a luta de uma mulher com câncer, em que viveu a vizinha suicida da protagonista Laura Linney. Ainda atuou em um episódio de “House of Cards”, antes de virar a mãe do Rei do Crime em “Demolidor” (em 2015), a líder da comunidade alternativa de “Outsiders” (de 2016) e Meemaw no sucesso da Netflix “The Unbreakable Kimmy Schmidt” (em 2017). Nos últimos anos, Sommerville apareceu no suspense “Segredos de Sangue” (2013), estreia do sul-coreano Park Chan-wook em Hollywood, no romance “Nossas Noites” (2017), que voltou a reunir o casal Robert Redford e Jane Fonda, no drama “A Vida de Diane” (2018), premiado no Festival de Tribeca, e na comédia “As Rainhas da Torcida” (2019), onde teve um de seus maiores destaques como uma das personagens do título – um time de cheerleaders da Terceira Idade que também incluía Diane Keaton, Jacki Weaver e Pam Grier. O último papel da atriz foi na série de detetive “Mare of Easttown”, prevista para estrear na HBO em 2021.
Roma rebatiza seu maior auditório com o nome de Ennio Morricone
A Assembleia de Roma aprovou por unanimidade nesta sexta (17/7) o projeto de renomear o Auditorium Parco della Musica (Parque da Música) como Auditorium Ennio Morricone, numa homenagem ao compositor e maestro italiano, autor de trilhas lendárias de cinema, que faleceu no dia 6 de julho aos 91 anos. A homenagem foi realizada numa sessão extraordinária, que contou com uma cerimônia solene e presença da prefeita de Roma e da família de Morricone. Um dos filhos do compositor, Marco, destacou aos presentes sua emoção pela mudança de nome, já que o pai considerava que o Auditorium “como sua casa” e agradeceu aos políticos “pela espontaneidade e pela velocidade” da honraria. Participaram também alguns dos expoentes do cinema e das artes italianas, como o diretor e amigo do maestro romano, Giuseppe Tornatore, que ressaltou o “grande privilégio” de ter conhecido e trabalhado com Morricone, e a Orquestra de Santa Cecília, que abriu a sessão tocando “Deborah’s Theme”, do filme “Era uma Vez na América” (1984). “Hoje estamos celebrando uma pessoa de grande valor humano e artístico que merece que Roma continue a lembrá-lo dignamente por tudo aquilo que ele deixou e que ficará na nossa memória. Estou feliz que essa amável homenagem seja compartilhada com os cidadãos”, disse a prefeita de Roma, Virginia Raggi, ao abrir a sessão legislativa. Raggi lembrou que “até os seus últimos concertos” ficaram lotados tanto na Itália como em outros países e que “Morricone era admirado na sua cidade, mas a sua popularidade foi muito além das fronteiras” italianas. “Uma popularidade que poucos tiveram igual. Para ele, o mundo todo fez homenagens seja no mundo do espetáculo, da cultura ou da política. Foram sentimentos sinceros porque poucos como Morricone souberam emocionar e comover em um sentimento que atravessou gerações. Todos nós temos recordações inesquecíveis, centenas de composições, que poderemos escutar no auditório que levará o seu nome”, finalizou. O presidente da Assembleia, Marcello De Vito, ressaltou que o projeto foi aprovado da maneira mais rápida possível porque “houve uma ação unânime de todas as forças políticas para esse ato necessário e indispensável”. O agora chamado Auditorium Ennio Morricone é o maior complexo musical de Roma, com três salas de concertos e apresentações para os mais diversos tipos de atividades culturais. Ele foi projetado pelo renomado arquiteto Renzo Pieno e inaugurado em 2002.
Galyn Görg (1964 – 2020)
A atriz e dançarina Galyn Görg, que atuou em “Twin Peaks” e “RoboCop 2”, morreu em um hospital no Havaí na terça-feira (14/7), um dia antes de completar 56 anos. Natural de Los Angeles, Görg apareceu no popular videoclipe de “Sharp Dressed Man”, sucesso de 1983 da banda ZZ Top, e um ano depois fez sua estreia numa produção televisiva, como dançarina num episódio de “Fama”. Ela apareceu em diversas séries famosas, de “Esquadrão Classe A” a “Lost”, passando por duas atrações da franquia “Star Trek” – “Deep Space Nine” e “Voyager”. No cinema, além de “RoboCop 2” (1990), também foi vista em “Caçadores de Emoção” (1991), “Storyville, um Jogo Perigoso” (1992) e “Uma Jogada do Destino” (1993). Apesar de pequenos, alguns de seus papéis marcaram época, como a pugilista que nocauteou Will Smith em um ringue de boxe, na série “Um Maluco no Pedaço” (The Fresh Prince of Bel-Air) em 1996, ou como Nancy, a irmã de Blackie O’Reilly (Victoria Catlin) em três capítulos de “Twin Peaks”, em 1990. Mas ela conseguiu um papel de protagonista, na pele da detetive da polícia Leora Maxwell na série sci-fi “M.A.N.T.I.S.”, criada pelo cineasta Sam Raimi, que só durou uma temporada na Fox, entre 1994 a 1995. Depois do fim desta série, Raimi ainda a escalou num capítulo de “Xena: A Princesa Guerreira”. Mais recentemente, ela também foi vista em “Parks and Recreation”, “Colony” e “How to Get Away with Murder”.
Heather Morris homenageia Naya Rivera com fotos dos filhos das duas
A atriz Heather Morris, que interpretou Brittany em “Glee”, par romântico de Santana, a personagem de Naya Rivera, prestou uma homenagem tocante à colega em seu Instagram, em que falou da forte amizade que partilhavam fora das telas e que era estendida a seus filhos. O corpo de Naya Rivera foi encontrado na segunda-feira (13/7), cinco dias após desaparecer num lago da Califórnia, enquanto passeava com o filho. Morris chegou a ir até o lago Piru para acompanhar as buscas e acabou participando de uma despedida à amiga, cuja morte motivoumuitos tributos do elenco de “Glee”. “Começamos como melhores amigas e, como todas as coisas novas, passamos por uma fase um pouco difícil. No entanto, ficamos do lado uma da outra e criamos a mais bela amizade construída a partir do amor e da compreensão”, ela escreveu, lembrando que a última vez que elas deveriam ter se visto foi quando Naya foi até sua casa buscar laranjas, mas, por conta da quarentena, apenas pegou o saco com as frutas que ela tinha deixado na frente da porta. “Eu queria dizer ‘Oi’ pela janela, mas meu telefone não tocou quando você ligou (o que nunca acontece, maldito celular); então, você e Josey deixaram duas suculentas à nossa porta como agradecimento. Plantei elas e as olho todos os dias e penso em você”, escreveu. “Ainda ouço o seu EP repetidamente, porque a partir do momento em que o ouvi, fiquei impressionada e sempre desejei que o mundo soubesse mais da sua voz. Você me enviou mais de cinco dúzias de vídeos do SnapChat quando você e Josey acordavam de manhã, e eu me bato por não ter salvo nenhum deles. Você sempre compartilhou receitas e eu admirava seu amor por comida. Prometemos passar toda Páscoa juntas, mas a covid roubou esta última de nós. Você é e sempre será o ser humano mais forte e resistente que eu conheço, e prometo levar isso comigo enquanto continuar vivendo minha vida”, continuou. Morris revelou que aprendeu muito com sua parceira de elenco. “Você constantemente me ensinou lições sobre dor, beleza e equilíbrio, sobre ser forte, resistente e não dar a mínima (mas ainda ser respeitosa). No entanto, a lição mais importante que aprendi com você foi ser uma amiga consistente e amorosa. Você foi a primeira a se apresentar, a primeira a fazer perguntas, a primeira a ouvir… Você valorizou nossa amizade e eu nunca reconheci isso”, lamentou. A atriz também falou como as fotos da convivência entre seus filhos era bem representativa sobre a relação das duas, como famílias. “Nunca tiramos fotos juntas porque ambas odiamos tirar fotos… Nosso relacionamento significava mais que isso. Tenho inúmeras fotos de nossos bebês brincando, porque compartilhamos esse tipo de orgulho e alegria. Então, eu estou mostrando ao mundo uma foto dos nossos ‘bobões’, porque eu sei que isso significava para você mais do que tudo, e elas me lembram você e eu”. As crianças que ilustram o post são Josey, o filho de 4 anos que estava com Rivera quando ela se afogou, Elijah, de 6, e Owen, de 4, filhos de Mirris. “Falo com você todos os dias porque sei que você ainda está comigo”, continuou a atriz. “E, embora esteja me sentindo insaciável por não termos mais tempo juntas, aprecio cada momento que tivemos e guardo junto ao meu coração”. Ver essa foto no Instagram We started out as the closest friends and then like all new things, we went through a bit of a rocky phase. However, we stuck by each other’s side and created the most beautiful friendship built out of love and understanding. The last I had the chance to see you in person, I had left oranges outside our home for you to take. I wanted to say hi through the window but my phone didn’t ring when you called (which it never does, f*cking T-Mobile), so instead you and Josey left two succulents on our doorstep as a thank you. I planted those succulents and I look at them everyday and think of you. I still listen to your EP on repeat because from the moment I heard it, it struck me and I always wished the world knew more of your voice. You sent me over 5 dozen SnapChat videos when you and Josey woke up in the morning and I kick myself that I didn’t save one of them. You always shared recipes and I admired your love for food. We vowed to spend every Easter together, even though Covid stole this last one from us. You are and always will be the strongest and most resilient human being I know, and I vowed to carry that with me as I continue to live my life. You constantly taught me lessons about grief, about beauty and poise, about being strong, resilient and about not giving a fuck (but still somehow respectful ). Yet, the utmost important lesson I learned most of all from you was being a consistent and loving friend. You were the first to check in, the first to ask questions, the first to listen..you cherished our friendship and I never took that for granted. We never took photos together because we mutually hated taking pictures…our relationship meant more than proof. I have countless pictures of our babies playing, because we shared that kind of pride and joy. So I’m showing the world a photo of our little goof balls for you, because I know that meant more than anything and they remind me of you and I. I speak to you everyday because I know you’re still with me and even though I’m feeling greedy that we don’t get more time together, I cherish every moment we had and hold it close to my heart. Uma publicação compartilhada por Heather Morris (@heatherrelizabethh) em 15 de Jul, 2020 às 2:03 PDT











