A Mulher da Janela: Netflix negocia lançar suspense estrelado por Amy Adams
A Netflix está finalizando um acordo de aquisição de “A Mulher da Janela”, suspense estrelado por Amy Adams (“A Chegada”) e dirigido por Joe Wright (“O Destino de uma Nação”). “A Mulher da Janela” era a última produção da Fox 2000, estúdio fechado pela Disney após completar a aquisição do acervo da 21st Century Fox, e tinha lançamento previsto para maio passado. Entretanto, a data coincidiu com o período de fechamento dos cinemas como prevenção contra a covid-19. Devido à pandemia, a Disney tem dado diferentes destinos para algumas de suas produções já finalizadas. Filmes de baixa classificação etária, como “Artemis Fowl: O Mundo Secreto” e “O Grande Ivan”, foram encaminhados para a plataforma Disney+ (Disney Plus). Mas títulos produzidos para o público mais velho começam a ser negociados com o mercado. Com a negociação com a Netflix, “A Mulher da Janela” não deverá mais chegar aos cinemas, assinalando um final amargo para a Fox 2000. Criado e comandado por Elizabeth Gabler desde 1999, o estúdio era especializado em filmes contemporâneos de médio orçamento. E lançou muitos sucessos, como “O Clube da Luta” (1999), “Nunca Fui Beijada” (1999), “Johnny & June” (2005), “O Diabo Veste Prada” (2006), “Marley & Eu” (2008), “A Culpa É Das Estrelas” (2014), “Joy: O Nome do Sucesso” (2015), “Ponte dos Espiões” (2015), “Estrelas Além do Tempo” (2016), “Com Amor, Simon” (2018) e “O Ódio que Você Semeia” (2018). Adaptação do best-seller homônimo de A.J. Finn, “A Mulher da Janela” é um suspense hitchcockiano, que combina “Janela Indiscreta” (1954) e “Um Corpo que Cai” (1958). Como não é a primeira vez que um filme junta as duas tramas, “Dublê de Corpo” (1984), de Brian De Palma, é outra inspiração óbvia. No filme, Adams vive Anna Fox, uma psicóloga infantil que mora sozinha em Nova York. Ela sofre de fobia por espaços públicos e locais abertos, e passa os dias em casa assistindo filmes e interagindo com as pessoas apenas pela internet. Mas um dia permite que sua vizinha (Julianne Moore, de “Kingsman: O Círculo Dourado”) a visite, descobrindo que ela sofre nas mãos do marido (Gary Oldman, de “O Destino de uma Nação”). Pouco depois, testemunha uma agressão pela janela, mas o que viu é refutado por fatos, que a levam a questionar se foi verdade ou se imaginou tudo, devido a seus remédios. O elenco ainda inclui Anthony Mackie (“Vingadores: Ultimato”), Wyatt Russell (“Operação Overlord”), Brian Tyree Henry (“Brinquedo Assassino”) e Jennifer Jason Leigh (“Os 8 Odiados”). Veja abaixo o primeiro trailer legendado da produção, divulgado em dezembro passado.
Listas de séries mais vistas da Netflix revelam distorções
A Netflix divulgou duas listas com suas séries mais assistidas em todos os tempos. Os nomes não trazem surpresas, nem números, mas revelam distorções causadas por critérios diferentes de apuração. A primeira lista contém séries que foram assistidas por pelo menos dois minutos. São elas “The Witcher”, “La Casa de Papel” (Parte 4), “Tiger King”, “Você” (2ª temporada), “Brincando com Fogo”, “Eu Nunca…”, “Space Force”, “Jogo de Lava”, “Criando Dion”, “Casamento às Cegas”, “Ozark” (3ª temporada) e “The Crown” (2ª temporada). A segunda classificação reúne produções que tiveram pelo menos 70% de seus episódios assistidos. No top 3 ficaram “Stranger Things, “The Umbrella Academy” e “La Casa de Papel”, seguidos por “Você”, “Sex Education”, “Nosso Planeta”, “Inacreditável”, “Disque Amiga para Matar”, “Olhos que Condenam” e “Elite”. A comparação entre as duas relações revela grandes diferenças e ajuda a demonstrar como o atual critério de medição de audiência da Netflix gera resultados irreais. Desde janeiro, a Netflix adota o critério dos dois minutos para considerar a audiência completa de sua séries. Por isso, tornaram-se costumeiros os comunicados que celebram 40 milhões de visualizações para seus lançamentos. Mas basta comparar as duas lista para perceber como essa medição gera distorções. A lista de séries vistas por dois minutos tem apenas duas atrações em comum com o Top 10 dos programas realmente assistidos. E a produção campeã dos dois minutos nem sequer entrou no Top 10 dos 70%.
São Paulo chega a 10 cines drive-ins em um mês
Com a abertura de mais dois drive-ins, o estado de São Paulo passou a ter dez estabelecimentos do tipo em um mês, oito deles na capital, oferecendo programação regular de cinema. O Drive-In Marte começa a funcionar no aeroporto Campo de Marte neste sábado (18/7), com ingressos que variam de R$ 75 a R$ 100 e uma programação inaugural repleta de filmes inspirados em quadrinhos, como “Coringa”. Já o drive-in Go Dream começa a operar na quinta (23/7) no estádio do Pacaembu, que até recentemente abrigava um hospital de campanha para pacientes contaminados pelo coronavírus. Com espaço para 148 carros, o mais novo drive-in de São Paulo vai cobrar por R$ 200 por veículo, mas há a possibilidade de pagar uma meia-entrada solidária, doando 1 kg de alimento não perecível. A programação dos drive-ins paulistanos, entre esta sexta (17/7) e a próxima quinta, prevê a exibição de 49 filmes diferentes espalhados pelos dez drive-ins. Mas nenhum filme anunciado é inédito. Vale lembrar que até o mês passado a capital paulista não tinha nenhum estabelecimento do gênero – os primeiros foram abertos em 12 de junho, décadas após a tendência dos cinemas para carros sair de moda. Retrato maior da reviravolta, o cine drive-in da Praia Grande era um dos dois únicos estabelecimentos do tipo remanescentes em todo o país antes da pandemia de coronavírus. Ele continua a ser a única opção de cinema no litoral paulista.
Cinema britânicos voltarão a abrir em agosto
Os cinemas, teatros e casas de shows do Reino Unido poderão reabrir a partir do dia 1º de agosto. O anúncio foi feito por Oliver Dowden, secretário de cultura, mídia e esporte do governo britânico, pelas redes sociais. O secretário disse que a liberação acontece após a aprovação de “programas piloto” supervisionados pelo governo, incluindo performances da Orquestra Sinfônica de Londres que admitiram espectadores, implementando medidas de distanciamento social. O governo do Reino Unido ainda não apresentou as medidas de segurança que serão exigidas dos proprietários dos estabelecimentos durante a reabertura. A retomada da China, porém, sugere um modelo para o entretenimento pós-pandemia do coronavírus. A partir de segunda (20/7), os cinemas chineses poderão reabrir com a metade suas sessões diárias habituais e ocupação de apenas 30% de suas salas. Além disso, os ingressos só serão vendidos online, o uso de máscaras será obrigatório e os clientes terão suas temperaturas checadas antes de ingressarem nos locais. Mas o detalhe mais curioso é que os filmes exibidos não poderão ter mais de 2 horas de duração, para diminuir o tempo passado nas salas. Vários blockbusters recentes têm em torno de 2h30 de duração e alguns, como “Titanic” e “Vingadores: Ultimato”, até 3 horas. From 1 August socially distanced audiences can return for indoor performances in theatres, music halls and other venues. This builds on pilots with @londonsymphony and others. So pleased to make progress to Stage 4 of our road map for culture. pic.twitter.com/Js7dQUghZ6 — Oliver Dowden (@OliverDowden) July 17, 2020
Nova York anuncia volta das filmagens a partir de segunda-feira
A prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou nesta sexta (17/7) que a produção de filmes e séries poderá ser retomada na cidade a partir de segunda-feira (20/7). As filmagens estavam paralisadas em toda a cidade desde março, quando Nova York se tornou o epicentro da pandemia de coronavírus nos EUA. “É tudo uma questão de segurança. Queremos trazer as pessoas de volta ao trabalho. Queremos que as pessoas recuperem seus meios de subsistência. Queremos trazer nossa cidade de volta. Mas segurança e saúde em primeiro lugar, sempre”, declarou o prefeito em entrevista coletiva. A retomada das produções cinematográficas faz parte da fase 4 de reabertura de Nova York. Nesta semana, as hospitalizações por covid-19 chegaram ao nível mais baixo dos últimos quatro meses na cidade.
Netflix acrescenta mais 10 milhões de assinantes no trimestre
A Netflix adicionou mais assinantes que o esperado no segundo trimestre de 2020, impulsionada pelo isolamento social e o fechamento de outras opções de lazer devido ao coronavírus. A gigante do streaming somou 10,09 milhões de novos assinantes no período, aumentando sua base global para quase 193 milhões, após um primeiro trimestre recorde para a empresa, quando adicionou 15,8 milhões de usuários durante os primeiros dias da pandemia. Os números superaram com folga a previsão da empresa, que acreditava poder conseguir mais 7,5 milhões de assinaturas, mas refletiram as expectativas mais otimistas de Wall Street. Em uma carta aos acionistas, a empresa atribuiu as adições adicionais à “aquisição e retenção melhores do que o previsto”. Com os resultados do primeiro semestre de 2020, a empresa acrescentou 26 milhões de novas assinaturas, não muito longe das 28 milhões conquistadas em todo o ano de 2019. No entanto, o relatório alerta que “o crescimento está diminuindo à medida que os consumidores passam pelo choque inicial das restrições cívicas e sociais”. A empresa está prevendo um número bem mais modesto, cerca de 2,5 milhões de novos assinantes, no terceiro trimestre – abaixo dos 6,8 milhões de um ano atrás. Embora a Netflix, como seus colegas tradicionais da indústria de entretenimento, tenha sido forçada a pausar a produção em vários de seus filmes e séries originais, ela continua a lançar mais projetos concluídos que qualquer outra empresa de audiovisual, alimentando um público carente por novidades, que só é informado de adiamentos nos cinemas e na TV. “Como nosso prazo de produção de conteúdo é longo, nossos planos para 2020 de lançar programas e filmes originais continuam intactos”, diz o relatório de lucros da empresa, dirigido ao mercado. “Para 2021, com base em nosso plano atual, esperamos que as produções pausadas levem a uma lista de conteúdo com mais ponderação, mas antecipamos que o número total de programas originais para o ano inteiro ainda será maior que em 2020.” A Netflix acrescentou que está buscando aquisições externas, como alguns filmes e séries de várias partes do mundo, para adicionar ao seu serviço. Entre os lançamentos mais recentes, a empresa disse que a série de comédia “Space Force” foi vista por 40 milhões de espectadores e o filme “Destacamento Blood”, de Spike Lee, visto por 27 milhões. Os resultados foram especialmente positivos para Ted Sarandos, o chefe de conteúdo do serviço de streaming, responsável pela receita vitoriosa. O balanço trimestral foi acompanhado pelo anúncio de que Sarandos foi promovido a co-CEO da Netflix, ao lado de Reed Hastings, o CEO original.
Campanha prepara reabertura das salas de cinema no Brasil
Exibidores, distribuidores, produtores e outros integrantes do mercado cinematográfico brasileiro lançaram nesta terça (7/7) a campanha #JuntosPeloCinema, que visa preparar o público para a reabertura dos cinemas no país. A primeira etapa é a divulgação de um vídeo que destaca os laços entre cinema e os espectadores, e que pode ser visto logo abaixo. A segunda etapa será a divulgação de um estudo sobre os protocolos de segurança desenvolvidos por autoridades sanitárias em conjunto com o setor, voltado sobretudo a pequenos e médios exibidores, para que possam reabrir suas salas segundo diretrizes que serão estabelecidas. Para completar, assim que for definido o período de reabertura oficial das salas, será realizado o Festival De Volta para o Cinema, que ocupará salas em todo o Brasil nas duas semanas iniciais da volta às atividades, com a exibição de clássicos e sucessos recentes de bilheteria. Com os cinemas fechados há cerca de três meses, o setor contabiliza os prejuízos e ainda enfrenta as incertezas em relação às possibilidades de retorno. Enquanto o mercado não se normalizar, a tendência é as distribuidoras segurarem os lançamentos de peso. Por isso, os primeiros dias de abertura serão marcados por reprises, que precisarão ser atraentes o suficiente para justificar a volta do público aos cinemas.
Reunião do Fundo Setorial do Audiovisual ignora Fundo Setorial do Audiovisual
O comitê gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) realizou nesta quarta (24/6), por videoconferência, sua segunda reunião do ano – a quarta desde a eleição de Jair Bolsonaro e apenas a segunda com membros suficientes. A falta de reuniões, ocasionada pela alta rotatividade da pasta da Cultura, paralisa o fomento do setor desde 2018, caracterizando a política de destruição cultural em vigor. Como esperado, de acordo com o padrão, a protelada reunião do comitê do fundo tratou de vários assuntos, menos do fundo. Participaram do encontro virtual o ministro do Turismo (ao qual a Secretaria Especial de Cultura é vinculada) Marcelo Álvaro Antônio, o diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Alex Braga, e o quinto secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro, o recém-empossado Mario Frias, além de representantes do setor. Na pauta, entraram temas já tocados pela Ancine, como a suspensão de prazos diante da pandemia (prestação de contas, entrega e exibição de filmes etc.), a suspensão da obrigatoriedade da primeira janela no cinema, um programa de apoio ao pequeno exibidor, a suspensão temporária de dívidas de exibidores junto ao BNDES pelo programa Cinema Perto de Você e a definição de linhas de crédito para o setor. Neste último ponto, foi aprovada a polêmica proposta da Ancine de oferecer linhas de crédito do BNDES, de R$ 250 milhões no total, e do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), de R$ 150 milhões, para o setor audiovisual. As linhas teriam prazo total de oito anos, com 24 meses de carência, e seriam voltadas à folha de pagamento, fornecedores e demais despesas operacionais para a manutenção da atividade fim das empresas. Trata-se de empréstimo bancário, que poderia ser complemento para uma ampla política cultural. Entretanto, parece ser tratado como a única verba vislumbrada pela Ancine – e por extensão o comitê – para o setor. Empréstimo bancário não tem nenhuma relação com a finalidade do fundo. O dinheiro do FSA não é para ser emprestado a juros. Ele já foi cobrado do setor, via taxas, e deve ser reinvestido como fomento. Portanto, a pauta não tocou na superfície, muito menos no que deveria estar no fundo. Em dezembro passado, ficou estabelecido que a reunião seguinte definiria a política de editais para encaminhar um montante de R$ 703,7 milhões do FSA, resultado da cobrança do Condecine e taxas de 2018, aprovado para ser utilizado dentro do Plano Anual de Investimentos (PAI) de 2019 – isto é, dinheiro que deveria ter sido liberado no ano passado mesmo. Mas isto não entrou em discussão na tal reunião seguinte, que aconteceu em fevereiro. Nem no encontro virtual desta quarta. Há poucas semanas, a Ancine deu a entender que esse dinheiro, sob sua responsabilidade, tinha sumido. “Mesmo se consideradas as disponibilidades financeiras para 2019 e 2020, o valor seria insuficiente para a contratação do total de investimentos em projetos anunciados [em 2018], restando ainda um saldo negativo de R$ 3,6 milhões”, disse um comunicado da agência, após sondagem do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o FSA. O déficit inexplicado fez com que produtores selecionados em editais de 2018, que não receberam a verba acordada, entrassem com liminares contra a Ancine para a liberação dos pagamentos. Enfim, segundo relato do roteirista Paulo Cursino, que integra o comitê como representante da sociedade civil, foram apenas duas horas de reunião. Ele disse ao jornal O Globo que uma nova reunião “deve” ser marcada para breve, para tratar do FSA. “Para duas horas de reunião, conseguimos avançar bastante”, ele disse. “Como a pauta era muito extensa, focamos no que era prioridade para o setor neste momento, para apagar o incêndio causado pela pandemia. São definições que vão trazer um alívio geral para produtores e exibidores. Devemos ter uma nova reunião em breve, em que poderemos tratar de outros temas urgentes, como a análise dos números do FSA de 2018 a 2019”, completou. Está prevista, portanto, uma nova reunião do comitê para o fim do mês de julho. Novamente, com a pauta do FSA. O detalhe é que estas reuniões de meados de 2020 são relativas à verbas que deveriam ter fomentado o audiovisual no ano passado. Vale lembrar que a reunião anterior, de fevereiro, aconteceu apenas para discutir um edital de 2018! E porque ele foi alvo de ação na Justiça, após ter sido suspenso pelo governo. Era o famoso edital com produções LGBTQIA+ que Bolsonaro disse ter mandado “pro saco”. “Conseguimos abortar essa missão aqui”, ele comemorou, numa live, falando que o edital era “um dinheiro jogado fora”. “Não tem cabimento fazer um filme com esse enredo, né?” O dinheiro pode ter sido realmente jogado fora. Não se sabe onde. Nem parece haver muita pressa para se descobrir. O próprio TCU emitiu um parecer técnico nesta quarta, no âmbito do processo que investiga irregularidades no FSA em 2019 e 2020, sugerindo que o valor não utilizado do fundo permaneça com o Tesouro Nacional. Isto é, no buraco negro – literalmente sem fundo. O parecer ignora o pedido de medida cautelar de seis entidades do audiovisual para que fosse suspenso “o retorno ao Tesouro Nacional de valores provenientes dos rendimentos de aplicações financeiras dos recursos do FSA” ou, se já tiverem sido devolvidos “determinar seu retorno ao FSA, com a manutenção de sua destinação legal, isto é, para o fomento de projetos audiovisuais”. Porque esse dinheiro não aparece nunca.
Quibi teria menos de 2 milhões de assinantes na véspera de começar a cobrar pelo serviço
A plataforma Quibi não deu mesmo certo. Uma reportagem do Wall Street Journal apurou que a startup de vídeos curtos para celulares, fundada por Jeffrey Katzenberg (que criou a DreamWorks Animation), não vai atingir nem remotamente sua meta de assinantes para seu primeiro ano de operação. O texto pouco lisonjeiro, publicado no domingo em Nova York, detalhou brigas internas entre Katzenberg e o CEO Meg Whitman e informou que o Quibi conseguiu menos de 2 milhões de assinantes desde seu lançamento em 6 de abril. A empresa projetava 7,4 milhões de assinantes até o final do ano. Para piorar, o download do aplicativo da Quibi diminuiu consideravelmente após a semana inaugural. O baixo interesse é ainda mais preocupante porque os usuários ainda nem estão pagando pelo uso do serviço. A plataforma foi lançada com uma oferta promocional, que garantia acesso gratuito de 90 dias. Isso significa que apenas a partir de julho, quando os usuários precisarem gastar dinheiro para acessar seu conteúdo (US$ 4,99 mensais com anúncios ou US$ 7,99 sem anúncios), é que os números reais de assinaturas vão aparecer. E qualquer projeção aponta que serão muito menores que os atuais números decepcionantes. De 6 de abril a 28 de maio, o aplicativo Quibi foi baixado cerca de 4 milhões de vezes, apurou a empresa de análise Apptopia. Desses, apenas 30% do total são usuários ativos diariamente. O conteúdo mais popular do Quibi, segundo a análise da Apptopia, é “Reno 911!”, revival de uma série de comédia do canal pago Comedy Central, exibida entre 2003 e 2009 na TV americana. Katzenberg culpou o surto de covid-19 pelos resultados decepcionantes da Quibi. “Atribuo tudo que deu errado ao coronavírus. Tudo”, disse Katzenberg em entrevista ao jornal The New York Times, publicada há um mês. Mais recentemente, a empresa acrescentou que o número mais lento de downloads do aplicativo também é resultado de “sua decisão de reduzir seu marketing à luz de protestos nos Estados Unidos após a morte de George Floyd”, segundo relato do Wall Street Journal. Um dos principais problemas da Quibi foi o lançamento exclusivo para celular numa época em que as famílias estavam juntas em casa, em isolamento social. O aplicativo não fornecia alternativa para assistir seu conteúdo nas TVs. A empresa correu para adicionar suporte ao AirPlay da Apple (que foi feito na semana de 25 de maio) e ao Chromecast do Google (em 9 de junho). Mas esse esforço podem ter vindo muito tarde. O baixo número de downloads reduziu o interesse de anunciantes em incluir comerciais no produto, o que levou a chefe de marketing da Quibi a deixar a empresa apenas duas semanas após o lançamento. Para completar, a Quibi ainda está sendo processada pela startup de vídeo interativo Eko, que alega que o recurso Turnstyle do aplicativo – a capacidade de ver vídeos na horizontal ou vertical – viola uma patente sua importante e que a empresa de Katzenberg roubou segredos comerciais. Katzenberg originalmente fundou a empresa como “NewTV”. Ao anunciar o financiamento inicial de US$ 1 bilhão do empreendimento em agosto de 2018, ele divulgou o enorme potencial da empresa como um serviço de vídeo por assinatura apenas para celular, dizendo à Variety: “Não consideramos que competimos com o Hulu, HBO, Netflix ou as redes. É um caso de uso completamente diferente.” Entretanto, buscou conteúdos similares ao das outras plataformas, como séries e reality shows, apresentando-os apenas em capítulos menores, de menos de 10 minutos, e restringiu a exibição do material aos celulares. A Quibi acabou levantando US$ 1,75 bilhão junto a investidores como Disney, WarnerMedia, Sony, NBCUniversal e ViacomCBS. Mas consumiu o caixa rapidamente, com várias encomendas de conteúdo, num surto de produção digno da Netlix. Para criar interesse no produto, fechou contratos com uma longa lista de talentos de Hollywood, como Jennifer Lopez, Chance the Rapper, Chrissy Teigen, Liam Hemsworth, Sophie Turner, Lena Waithe, Reese Witherspoon e diretores como Steven Spielberg, Guillermo del Toro, Antoine Fuqua, Sam Raimi, Catherine Hardwicke e Peter Farrelly. Por conta disso, a plataforma pode precisar de US$ 200 milhões adicionais até o segundo semestre de 2021, de acordo com o relatório do Journal.
Brasileiros já assistem mais streaming que canais pagos na TV
Uma pesquisa da Kantar Ibope apontou que a população brasileira já assiste mais transmissões da Netflix, YouTube, Globoplay, Amazon Prime Video e outros serviços de streaming que canais de TV por assinatura em suas televisões. E maio, a audiência entre 7h e 0h de conteúdo em streaming foi de 6,9 pontos, representando 14,6% de todas as TVs ligadas no Brasil, enquanto os canais pagos somaram 6,7 pontos e 14,1%. No Brasil, cada ponto de medição representa 250 mil domicílios. No entanto, é bem provável que a audiência online seja ainda maior, pois a medição do Kantar Ibope considera apenas conteúdo exibido em TVs, deixando de lado o consumo de conteúdo por meio de smartphones, tablets e computadores. Não é surpresa que os serviços de streaming tenham boa performance. Não só o custo mensal da TV por assinatura é muito mais elevado, como obriga o público a seguir seus horários de exibição. Já as plataformas de streaming têm custo muito mais baixo, quando não gratuito – como no caso do YouTube – , e seu conteúdo pode ser assistido a qualquer hora. Mas ainda que os streamings estejam cada vez mais relevantes, as plataformas digitais ainda estão longe de superar a acessibilidade dos canais gratuitos da TV aberta. Entre 7h e 0h, mais de 60% dos televisores do Brasil sintonizam as grandes redes de TV, sendo que pelo menos metade desse público acompanha a Globo.
Variety elogia projeto da Spcine para incentivar filmagens internacionais em São Paulo
A Spcine, empresa municipal de cinema que estimula a produção de audiovisual na capital paulista, está lançando nesta semana uma consulta pública de edital para Atração de Filmagens em São Paulo, em que oferece descontos/reembolsos (cash rebate) de 20% em despesas para produções estrangeiras que se comprometerem a gastar no mínimo R$ 2 milhões na região. A iniciativa é inédita no Brasil, mas já é utilizada em outras 97 cidades, como Londres, Nova York e Madri. Entretanto, o projeto tem pioneirismo mundial em outras áreas, a ponto de ter chamado a atenção do site da revista americana Variety, que conversou com a presidente da entidade, a cineasta Laís Bodanzky, e o diretor Luiz Toledo, elogiando a iniciativa e colocando-a em destaque para interessados dos EUA. Além de propiciar geração de emprego e incentivar a profissionalização de técnicos brasileiros que poderão trabalhar em mais projetos, a Spcine também promoverá ação afirmativa, ao premiar maior participação de minorias, estabelecendo maiores retornos (de até 30%) para produções encabeçadas por artistas negros ou mulheres em cargos de criação, elenco principal ou chefia de equipe. Mas tem mais. A Spcine ainda oferecerá pontos extras de porcentagem de descontos para produções que praticarem gerenciamento de resíduos, reciclagem e outras iniciativas pró-ambientais. Esse incentivos também se estenderão a outros tipos de produções elegíveis, como séries nacionais de potencial internacional – devido à distribuição em streaming – , além de comerciais de marcas multinacionais realizados na cidade. Em outra linha de incentivo, a Spcine premiará pelo menos dois roteiros de produções internacionais que incluírem a cidade ou um personagem de São Paulo em sua narrativa, sem necessariamente serem filmados ou produzidos na capital. Luiz Toledo ainda indicou que os projetos contarão com uma “cláusula de pandemia”, em que a Spcine se comprometerá a pagar salários mínimos para funcionários de filmagens que forem impedidos de trabalhar devido a um lockdown súbito, em meio à pandemia. As propostas que forem beneficiadas pelo edital, claro, deverão cumprir todas as recomendações dos órgãos de saúde pública, especialmente da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. O edital estará aberto para consulta e comentários públicos de 10 de junho a 24 de julho. Ao final deste período, a presidente da Spcine acredita que a cidade já poderá ser utilizada para filmagens, que no momento estão proibidas pela crise sanitária. “Acredito que seremos capazes de retomar as sessões de filmagens em algumas semanas, ou no segundo semestre de 2020, quando os descontos entrarem em vigor”, disse Bodanzky à Variety. Além de movimentar a economia de São Paulo num momento de crise econômica, a publicação americana também avaliou que o projeto pode representar uma alternativa importante contra o desmonte cultural praticado pelo desgoverno federal, notando que o setor audiovisual está “praticamente congelado desde que Bolsonaro chegou ao poder em janeiro de 2019”. Em tom quase eleitoral, a Variety chega a destacar a importância do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, na renovação da política brasileira, por sua postura pró-ativa em questões sociais, citando um programa que captura emissões de gases dos dois principais aterros da cidade para gerar eletricidade.
Califórnia deve começar a abrir cinemas na sexta-feira
Os cinemas da Califórnia poderão reabrir as portas na sexta-feira (12/6). O governo do estado autorizou os donos de cinemas a voltar ao trabalho, estipulando uma série de medidas de segurança que precisarão ser implementadas, mas cada cidade ainda decidirá se vai permitir a reabertura. Entre as normas estabelecidas, as salas só poderão funcionar com 25% de sua capacidade — ou no máximo 100 espectadores, o que for menor. Os espectadores também deverão manter um metro e meio de distância uns dos outros e usar máscaras. Além disso, é recomendado que os donos das salas adotem capas de assento descartáveis ou laváveis, mantenham as portas abertas nos períodos de maior circulação de pessoas e limitem o número de clientes que possam usar o banheiro de uma só vez. Os cinemas dos EUA estão fechados desde 20 de março por causa da pandemia do novo coronavírus, e a reabertura é esperada com ansiedade por Hollywood. A Warner, por exemplo, ainda espera sua grande aposta para a temporada, o filme “Tenet”, dirigido por Christopher Nolan (“Batman: O Cavaleiro das Trevas”, “A Origem” e Dunkirk”), na data originalmente prevista para a estreia: 17 de julho. A esperança do mercado, inclusive, é que candidatos a blockbusters como “Tenet” ajudem a trazer de volta o público de cinema, que inicialmente deverá ser escasso, não apenas devido às medidas de distanciamento social, mas pelo medo de contaminação. Caso não haja uma segunda onda de infecções, causada pela reabertura do comércio, as regras de ocupação dos cinemas deverão ser relaxadas após as primeiras semanas, possibilitando o aumento no número de assentos nas salas para refletir o interesse nos grandes lançamentos. Além da Warner, a Disney também tem um grande lançamento marcado (na verdade, adiado) para julho: “Mulan”. A região de Los Angeles é o maior mercado para a exibição de filmes nos Estados Unidos, seguido por Nova York, onde ainda não há previsão para a reabertura das salas.
O Último Cine Drive-In: Cinema retratado no filme de 2015 lidera bilheterias na pandemia
Um cinema bem conhecido dos cinéfilos brasileiros, que serviu de cenário e batizou o filme “O Último Cine Drive-In” (2015), virou o maior vendedor de ingressos de cinema no país durante a pandemia de covid-19. O Cine Drive-In Brasília recebeu 3,1 mil pessoas no último fim de semana na capital federal, o que rendeu mais de 80% de toda a bilheteria do período no Brasil. Premiado nos festivais de Gramado e do Rio, “O Último Cine Drive-In”, do diretor Iberê Camargo, tinha como pano de fundo a decadência desse tipo de cinema, que por suas características típicas teve o destino virado do avesso pelo surto de coronavírus, tornando-se a principal alternativa de projeção cinematográfica por suas características de distanciamento social. Não por coincidência, os outros poucos cinemas abertos no fim de semana também são de estilo drive-in, em que os espectadores assistem exibições ao ar livre sem sair de seus carros. Segundo apuração do site Cine B, o Cinesystem Litoral Plaza Drive-In, de Praia Grande, no litoral paulista, foi o segundo cinema que mais futurou no fim de semana, seguido pelo Cine Globo Santa Rosa, no interior do Rio Grande do Sul. O filme mais visto nesses cinemas foi “Jumanji: Próxima fase”, que vendeu 1,2 mil ingressos e arrecadou R$ 24,6 mil no Cine Drive-In Brasília, virando o líder da bilheteria nacional no fim de semana. O blockbuster estrelado por Dwayne Johnson e Jack Black, que estreou dia 16 de janeiro no Brasil, foi seguido no ranking por “Era uma Vez em… Hollywood” (R$ 21,4 mil) e “Uma Aventura Lego 2” (R$ 20,4 mil), ambos também em cartaz no Cine Drive-In Brasília. O Filme B ainda informou que dois novos cinemas drive-in foram abertos no último domingo, mas sem divulgação de bilheteria: o Cineprime Drive-In, no Parque Agrícola Pastoril, em Uruguaiana (RS), e o Cineplus Drive-in, no Shopping Castello, em Curitiba (PR). E outros devem ser inaugurados em breve, inclusive uma competição para o Cine Drive-In Brasília, prevista para junho no estacionamento do Taguatinga Shopping, em Brasília. Para completar, o festival Cine-PE, de Recife, informou que deve acontecer num esquema de drive-in, entre 24 a 30 de agosto. Popularizados nos anos 1950 e em decadência desde os 1970, os drive-in também ganharam força nos EUA como alternativa durante a pandemia. Recentemente, “O Último Cine Drive-In” venceu uma eleição entre assinantes da Netflix para ser incorporado ao catálogo mundial da plataforma.












