Porta dos Fundos bate recorde de visualizações em 2020
Enquanto o mercado cinematográfica brasileiro lamenta perda de público, os vídeos do grupo Porta dos Fundos chegaram a 1,5 bilhão de visualizações em 2020 em suas redes sociais, segundo dados da própria produtora. Isso equivale a um aumento recorde de 111% em views nos canais oficiais do grupo na comparação com 2019. O Porta dos Fundos vai fechar o ano com 33,9 milhões de seguidores, o que representa 2,74 milhões a mais do que em 2019. Metade destes seguidores se concentra na página oficial do grupo no YouTube. Mas vale reparar que o TikTok, rede em que a produtora estreou em 2020, já rendeu mais de 2,2 milhões de seguidores e 79 milhões de visualizações aos vídeos de humor da produtora em 8 meses.
Bilheterias brasileiras desabam sem cinemas de São Paulo
O fechamento dos cinemas de São Paulo durante o fim de semana de Natal, como prevenção contra o alastramento da pandemia de coronavírus, teve forte impacto na arrecadação das bilheterias brasileiras. Ao todo, 172,9 mil pessoas foram aos cinemas do país entre quinta e domingo (27/12), segundo dados da consultoria Comscore. O número representa uma queda de 67,3% na comparação com a semana anterior. O contraste se tornou ainda maior porque a estreia de “Mulher Maravilha 1984”, na semana anterior, tinha sido responsável pela melhor bilheteria desde o começo da pandemia: 529,8 mil espectadores e R$ 9,2 milhões arrecadados de quinta ao domingo retrasado (20/12). Além da queda de público, a renda dos ingressos caiu para R$ 3,1 milhões. Mesmo com o maior parque exibidor fechado, o filme estrelado por Gal Gadot foi o mais assistido. Teve 147,9 mil espectadores e arrecadou R$ 2,7 milhões, respondendo por 87% de toda a movimentação financeira do fim de semana.
Mulher-Maravilha 1984 lidera bilheterias e quebra recorde da HBO Max nos EUA
“Mulher-Maravilha 1984” teve uma arrecadação estimada em US$ 16,7 milhões em sua estreia no fim de semana de Natal, nos EUA e Canadá. Com isso, não superou os US$ 20,2 milhões de “Tenet”, o campeão da pandemia, e ainda entrou para a História como a pior estreia em décadas de um líder de arrecadação de Natal. Mas vale lembrar que “Tenet” teve exibição em 2,8 mil salas, enquanto a continuação de “Mulher-Maravilha” (2017) entrou em cartaz em 2,1 mil cinemas, num circuito que mantém somente 40% das salas em operação – e os cinemas que estão abertos trabalham com metade de suas lotações, devido aos protocolos da pandemia. O filme da super-heroína teve desempenho melhor no exterior, onde atingiu US$ 68,3 milhões, fazendo sua bilheteria total chegar a US$ 85 milhões. “Tenet” faturou só US$ 53 milhões em sua estreia internacional, mas o montante de “Mulher Maravilha 1984” já contabiliza duas semanas de exibição. O desempenho foi comemorado pela Warner, que também lançou o longa na plataforma HBO Max. A empresa estaria imensamente satisfeita com o volume de assinaturas criado com a estratégia de distribuição simultânea do filme em sua plataforma. Quase metade dos assinantes da HBO Max assistiram ao filme no dia de sua estreia, e o total de horas de utilização do serviço triplicou na sexta-feira (25/12), segundo afirmou a Warner em comunicado. “'”Mulher-Maravilha 1984′ quebrou recordes e superou nossas expectativas em todas as nossas principais visualizações e métricas de assinantes nas primeiras 24 horas no serviço, e o interesse e o impulso que estamos vendo indicam que isso provavelmente continuará além do fim de semana”, disse o chefe da plataforma da WarnerMedia, Andy Forssell. É impossível saber quanto mais o filme teria feito na bilheteria se não tivesse sido exibido na HBO Max, mas a Warner tem enfrentado a pandemia com uma estratégia focada no fortalecimento de seu espaço digital. Após “Mulher Maravilha 1984”, toda a lista de estreias de cinemas de 2021 do estúdio seguirá o mesmo caminho, com distribuição simultânea nos cinemas e na HBO Max. A decisão gerou fúria em Hollywood, mas os números podem estar do lado da Warner. As outras estreias da semana acabaram ofuscadas pela produção da super-heroína. O western dramático “Relatos do Mundo” (News of the World), estrelado por Tom Hanks, abriu com US$ 2,4 milhões em 1,9 mil cinemas. A Universal esperava arrecadar pelo menos US$ 3 milhões. Mas sua bilheteria foi suficiente para lhe garantir o 2º lugar. Já a segunda produção da Universal da semana, o thriller “Bela Vingança” (Promising Young Woman), estrelado por Carey Mulligan, fez US$ 680 mil em 1,3 mil salas e fechou o Top 5 – atrás de “The Croods 2: Uma Nova Era” e “Monster Hunter”. A Universal é o estúdio que mais estreia filmes na pandemia, devido a um acordo com os exibidores que lhe permite disponibilizar os títulos em PVOD (para locação digital premium) apenas três fins de semana após seus lançamentos cinematográficos.
Ancine culpa burocracia por falta de dinheiro
A Justiça Federal negou o pedido do Ministério Publico Federal (MPF) para que a Ancine fosse obrigada a concluir todos os processos administrativos referentes aos editais dos anos de 2016, 2017 e 2018 em até 90 dias. Segundo uma ação movida contra a agência pelo procurador Sérgio Suiama, 782 projetos que foram lançados com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) estão parados. O inquérito do MPF foi aberto em julho de 2020, após a exoneração do coordenador de gestão de negócios da Ancine, supostamente por ele ter se negado a cumprir ordem de paralisação de processos financiados com recursos do FSA. O servidor e outras seis testemunhos foram ouvidas e confirmaram a ordem. Na ocasião, o MPF apurou que existia uma orientação para que apenas projetos com liminares judiciais pudessem tramitar. Mas o juiz Vigdor Teitel, da 11ª Vara Federal do Rio de Janeiro, aceitou explicação da Ancine de a culpa é da burocracia e não da má vontade. Segundo a Ancine, há um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) sendo elaborado e que há trâmites ainda a serem cumpridos. Apesar dessa decisão, já há, na Justiça Federal do Rio, ao menos 194 mandados de segurança impetrados contra a Ancine, em razão da demora na análise de projetos audiovisuais. Ao todo, apenas 24 projetos foram encaminhados em 2020. Mas vale ressaltar que são projetos que tiveram edital aprovado até 2018. Nenhum edital foi lançado relativo aos anos de 2019 e 2020, quando a arrecadação das taxas que financiam o FSA – Condecine e Fistel – continuaram a ser cobradas normalmente. O juiz da 11ª Vara Federal do Rio pediu que o procurador que abriu processo contra os dirigentes da Ancine por improbidade administrativa forneça mais informações sobre o caso no prazo de 15 dias. Não faltam informações. Usando a burocracia como desculpa, a Ancine represou toda a arrecadação do FSA, sem cumprir várias determinações, e ainda se aproveitou do inevitável colapso da produção cinematográfica brasileira que isso tende a causar para encaminhar uma proposta visando eliminar a exigência de cotas para a exibição de filmes e séries nacionais em 2021. Não haveria produção nacional suficiente, porque não houve liberação de verbas para que isso acontecesse, de modo que, na avaliação dos responsáveis pelo represamento, as cotas não poderiam ser cumpridas. Trata-se de um exemplo perfeito de como politizar a burocracia em nome de um projeto ideológico de destruição cultural. Vale lembrar que o então ministro Osmar Terra assumiu explicitamente os planos do governo Bolsonaro para acabar com as cotas num discurso de agosto de 2019. Como a Ancine tem represado a liberação de verbas sem sofrer pressão judicial, o mesmo problema começou também a ser constatado em relação à aprovação de projetos pela Lei de Incentivo Fiscal, a antiga Lei Rouanet. Segundo informou o jornal folha de S. Paulo na quinta (17/12), há mais de 200 projetos incentivados parados no gabinete do secretário André Porciúncula, só à espera de sua assinatura para que possam receber as verbas acertadas com a iniciativa privada e serem executados. Mas o prazo está se esgotando – vai até 30 de dezembro.
MGM estaria à venda
Um dos mais antigos estúdios de Holllywood, a MGM contatou dois bancos de investimento para iniciar um processo formal de venda, procurando gerar interesse de outros estúdios de Hollywood, conglomerados internacionais, firmas de investimento e gigantes do streaming. A informação foi publicada pelo Wall Street Journal, citando pessoas familiarizadas com os bastidores da produtora. A venda da MGM tem sido cogitada há vários anos, mas nunca foi formalizada porque o estúdio nunca aceitou o preço oferecido, e não está claro se conseguirá o que busca na atual situação do mercado. Mas os acionistas acreditam que sua biblioteca de títulos está especialmente valorizada na atual era de streaming, em que uma multidão de plataformas compete por conteúdo e espectadores. O estúdio por trás dos filmes de James Bond também possui a franquia “Rocky”, “O Silêncio dos Inocentes”, “O Exterminador do Futuro” e as séries “The Handmaid’s Tale” e “Vikings”, sem esquecer um catálogo de clássicos produzidos desde 1924. O WSJ afirma que o estúdio contratou os bancos Morgan Stanley e LionTree para explorar uma venda, e que seu valor de mercado foi avaliado em cerca de US$ 5,5 bilhões, com base em ações negociadas de forma privada, e incluindo dívidas – US$ 2,3 bilhões em dívidas de longo prazo. Há pouco tempo, a MGM manteve conversas exploratórias com a Apple, que cobriram desde um acordo de produção de streaming até uma aquisição completa. Em outubro, a MGM venceu suas redes televisivas, This TV e Light TV para o Allen Media Group. O maior acionista da MGM atualmente é o fundo de hedge Anchorage Capital, cujo fundador, Kevin Ulrich, preside o conselho do estúdio e enfrenta pressão de outros investidores financeiros que buscam fazer dinheiro, diante da indefinição do futuro do mercado cinematográfico diante da pandemia de coronavírus. A MGM já adiou duas vezes o lançamento de seu principal filme pronto, “007 – Sem Tempo para Morrer”, cuja estreia encontra-se marcada para abril de 2021. A pressão aumentou após vazar, no mês passado, que Ulrich foi processado por agressão sexual em um caso que foi resolvido com um acordo.
Monster Hunter perde aposta contra pandemia nas bilheterias dos EUA
A Sony fez uma aposta de risco em “Monster Hunter” e deve perder uma fortuna. O filme de monstros gigantes, orçado em US$ 60 milhões e estrelado por Milla Jovovich (“Resident Evil”), teve um desempenho muito pior que o esperado em sua estreia nos EUA e Canadá neste fim de semana. Com uma arrecadação de somente US$ 2,2 milhões entre sexta e domingo (20/12), ficou abaixo da média de US$ 3 milhões que vinha marcando as estreias dos últimos meses, durante a pandemia. O valor é reflexo da diminuição crescente dos salas de exibição em atividade. Apenas 2,3 mil cinemas estão abertos na América do Norte, dos quais 1,7 mil receberam a produção de efeitos visuais monstruosos. O estúdio não negociou um lançamento simultâneo ou antecipado em streaming com o parque exibidor, porque acreditava poder compensar o esperado prejuízo norte-americano com um grande sucesso asiático. A franquia “Resident Evil”, também estrelada por Jovovich, teve seu maior desempenho na China. Mas a estreia chinesa de “Monster Hunter” acabou prejudicada por uma cena que o público entendeu como racista, levando as autoridades do país a ordenarem a retirada do filme de cartaz. Para completar, a crítica não aprovou a nova adaptação de videogame, considerada medíocre, com 48% de notas positivas na média compilada pelo site Rotten Tomatoes. De todo modo, essa nota é bem maior que a média dos filmes de “Resident Evil”, qualificados como lixo, em aprovações que variaram de 22% a 38% em toda a franquia. Os US$ 2,2 milhões de “Monster Hunter” se tornam ainda mais abissais quando comparados à estreia que ocupou o fim de semana antes do Natal em 2019. Neste período do ano passado, “Star Wars: A Ascensão Skywalker” abriu com nada menos que US$ 177,3 milhões no mercado norte-americano. Graças ao desastre da Sony, devem diminuir muito as críticas feitas contra a Warner por decidir lançar seus filmes, a partir de “Mulher-Maravilha 1984”, simultaneamente nos cinemas e na plataforma HBO Max para os assinantes do serviço de streaming, que por enquanto só é comercializado na América do Norte. Um bom parâmetro pode ser traçado pelo desempenho de “Croods 2: Uma Nova Era”, da Universal e DreamWorks Animation. Cumprindo seu cronograma de apenas três fins de semana exclusivos nos cinemas, o filme foi lançado na sexta (18/12) em PVOD (locação digital premium) e, mesmo assim, ocupou o 2º lugar no ranking das bilheterias de cinema, com uma arrecadação muito próxima da atingida pelo líder estreante: US$ 2 milhões. A sequência de “Os Croods” rendeu até agora US$ 27 milhões nos cinemas norte-americanos, mas já soma US$ 84,5 milhões mundiais, com cerca de 60% desse valor vindo da China, onde o filme faturou US$ 50 milhões. Tanto “Monster Hunter” quanto “Os Croods 2” sofreram adiamentos em suas previsões de estreia para o Brasil. Os dois filmes foram remanejados para janeiro, respectivamente nos dias 14 e 21. Mas, com isso, correm o risco de encontrarem os cinemas fechados devido à disparada de casos de covid-19 no país.
MPF processa diretores da Ancine por improbidade administrativa
O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação de improbidade administrativa nesta sexta (18/12) contra os diretores e o procurador-chefe da Agência Nacional de Cinema (Ancine) pela paralisação de 782 projetos audiovisuais, referentes a editais dos anos de 2016, 2017 e 2018, lançados com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Na ação, o MPF pede a concessão de tutela de urgência para determinar que a Ancine conclua a análise de todos os processos no prazo de 90 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A ação acusa os diretores Alex Braga Muniz, Vinícius Clay Araújo Gomes e Edilásio Santana Barra Júnior, e o procurador-chefe da Ancine, Fabrício Duarte Tanure, de ordenarem a interrupção do andamento de projetos audiovisuais, omitirem dados que comprovam a paralisia dos processos e recusarem-se a formalizar um acordo com o MPF para regularizar o passivo da agência. O inquérito do MPF foi aberto em julho de 2020, após a exoneração do coordenador de gestão de negócios da Ancine, supostamente por ele ter se negado a cumprir ordem de paralisação de processos financiados com recursos do FSA. O servidor e outras seis testemunhos foram ouvidas e confirmaram a ordem. Na ocasião, o MPF apurou que existia uma orientação para que apenas projetos com liminares judiciais pudessem tramitar. De acordo com o jornal O Globo, já há, na Justiça Federal do Rio, ao menos 194 mandados de segurança impetrados contra a Ancine, em razão da demora na análise de projetos audiovisuais. Ao todo, apenas 24 projetos foram encaminhados em 2020. Outros 782 aguardam conclusão. Mas isso são projetos até 2018. Nenhum edital foi lançado relativo aos anos de 2019 e 2020, quando a arrecadação das taxas que financiam o FSA – Condecine e Fistel – continuaram a ser cobradas normalmente. Em dezembro de 2019, praticamente um ano após o período habitual das gestões anteriores, a Ancine correu para realizar a primeira reunião do comitê gestor do FSA do governo Bolsonaro. Na ocasião, foi revelado que havia R$ 703,7 milhões disponíveis no fundo para investir em novas produções e ficou acertado que uma próxima reunião definiria o Plano Anual de Investimentos (PAI), com as diretrizes para o destino deste montante. Mas 2020 começou e o comitê gestor esqueceu o que prometeu. Voltou a se reunir poucas vezes ao longo do ano, sem mencionar encaminhando algum para editais de financiamento. A última ata de reunião disponível no site da Ancine é de agosto passado. Faltando menos de duas semanas para o fim do ano, o dinheiro de 2019 continua parado, e nem sequer foi feita reunião sobre os valores do FSA de 2020. Como estes valores foram arrecadados em 2019, especula-se que existam mais R$ 1,5 bilhão não encaminhados no fundo, além dos R$ 703,7 revelados e não usados desde o ano passado. Apesar disso, num relatório de junho passado, a Ancine afirmou que o valor do FSA estava negativo. Não foram revelados maiores detalhes, nem o Tribunal de Contas da União (TCU) se interessou em se aprofundar na questão. De acordo com a legislação, o financiamento de projetos audiovisuais no Brasil, com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual ou de incentivos fiscais, depende da prévia análise dos projetos por parte da Ancine. “Sem a aprovação da Agência, os recursos não são liberados, e todo o setor audiovisual no Brasil, por maior ou menor que seja a produção, fica prejudicado”, afirma o procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, responsável pela atual ação. Em vez de liberar o FSA, que é verba incentivada, muitas vezes à fundo perdido, a Ancine decidiu inovar e propor neste ano empréstimos aos produtores interessados em fazer filmes, a juros “camaradas”. Esta função bancária, que não consta das atividades originais da agência, foi oferecida como alternativa à falta de investimento público que a própria Ancine tem represado. Por conta do protelamento da Ancine, existe um risco real de que as cotas de programação nacionais não possam ser cumpridas pelos programadores de cinema e TV em 2021. Infelizmente, isto integra outra linha de ataque à produção cultural brasileira da parte do governo, que, desde um discurso do então ministro Osmar Terra, em agosto de 2019, assume planos para acabar com as cotas que ajudam a impulsionar o conteúdo nacional. Vale reparar que o mesmo problema constatado na Ancine também está sendo observado em relação à liberação de projetos pela Lei de Incentivo Fiscal, a antiga Lei Rouanet. Segundo informou o jornal folha de S. Paulo na quinta (17/12), há mais de 200 projetos incentivados parados no gabinete do secretário André Porciúncula, só à espera de sua assinatura para que possam receber as verbas acertadas com a iniciativa privada e serem executados. Mas o prazo está se esgotando – vai até 30 de dezembro. A protelação é, de fato, a marca de um desgoverno como nunca se viu no Brasil, que destrói o país, gera desemprego e quebra setores econômicos com o auxílio de um burocracia que, de uma hora para outra, resolveu deixar de funcionar. Nada disso é surpresa. O próprio Jair Bolsonaro já deixou claro que não quer ver dinheiro gasto com o Cultura, muito menos com o cinema brasileiro, porque, segundo ele, a indústria cinematográfica nacional “não faz um bom filme” há tempos. Curiosamente outro presidente, Barack Obama, dos EUA, escolheu nesta sexta (18/12) o filme brasileiro “Bacurau” como um de seus favoritos de 2020.
Disney oficializa transformação dos canais Fox em Star
A Disney oficializou a mudança do nome dos canais Fox para Star. Nesta quinta (17/12), a The Walt Disney Company Latin America anunciou que a marca “Star” passará a ser usada para definir sua “oferta de entretenimento geral”, até então apresentada sob a marca “Fox”. O conglomerado já tinha alterado as denominações de outras empresas da antiga 21st Century Fox, limando o nome Fox após negociar a compra dos ativos do magnata Rupert Murdoch e outros acionistas da empresa de mídia – a 20th Century Fox virou 20th Century Studios, enquanto a Fox Searchligh se tornou Searchlight Studios, por exemplo. A alteração se tornou necessária porque Murdoch manteve a marca Fox nos canais de TV que não vendeu para a Disney, como a rede Fox e a Fox News, nos EUA. O novo nome dos canais Fox vem de outra propriedade adquirida pela Disney ao comprar a 21st Century Fox, a rede Star India, uma espécie de Globo indiana, com atividades multimídias. A mudança vai acontecer em fevereiro. “Star chegará à América Latina para continuar oferecendo o melhor conteúdo de entretenimento geral dos canais lineares Fox que, a partir de fevereiro, mudarão de nome para Star. Desta forma, Star dará continuidade ao legado de sucesso da Fox, já consolidado por muitos anos, e também adicionará outras inovações relevantes”, comentou Diego Lerner, presidente da The Walt Disney Company Latin America, em comunicado. Com a mudança, os canais de entretenimento da Fox serão relançados com um novo nome e identidade visual: O Fox Channel passará a ser chamado de Star Channel, o Fox Life passará a ser chamado de Star Life, o Fox Premium 1 será Star Hits e o Fox Premium 2 será Star Hits 2. Para deixar claro, o comunicado também informa que o FX permanecerá com o mesmo nome. Séries como “Os Simpsons”, “The Walking Dead” e “This Is Us”, e as produções de sucesso dos canais Fox continuarão na programação do Star. Além disso, o Fox Play deve virar Star+ (Star Plus), o serviço de streaming por assinatura de conteúdos de entretenimento geral para América Latina, que será lançado na região em meados de 2021. Um anúncio específico sobre a plataforma digital deverá ser realizado em breve, com novos detalhes do serviço.
Supo Mungam Plus: Brasil tem nova plataforma de streaming de cinema autoral
A distribuidora brasileira de filme de artes Supo Mungam lançou sua própria plataforma de streaming, focada em cinema independente e autoral. Batizada de Supo Mungam Plus, a plataforma traz vários títulos para cinéfilo nenhum colocar defeito. Entre os destaques da página inicial do serviço, estão “O Doce Amanhã” e “Exótica” de Atom Egoyan, “Filhos da Guerra” de Agnieszka Holland, “Quando Éramos Bruxas” de Nietzchka Keene, que é estrelado pela cantora Björk, “Wendy e Lucy” de Kelly Reichardt, “Bamako” de Abderrahmane Sissako, “O Funeral das Rosas” de Toshio Matsumoto, “Em Trânsito” de Christian Petzold, “Body” de Malgorzata Szumowska, “Uma Questão Pessoal” de Paolo & Vittorio Taviani, “Verão 1993” de Carla Simón, “A Camareira” de Lila Avilés, “Um Homem Fiel” de Louis Garrel, “Aqueles Que Ficaram” de Barnabás Tóth, “Nico, 1988” de Susanna Nicchiarelli, e dezenas de outros filmes. A plataforma promete uma dedicada curadoria, que trará todo mês novidades para os assinantes, além de filmes exclusivos, premiados e exibidos nos maiores festivais do planeta como Cannes, Berlim e Veneza, e também preciosidades clássicas e obras restauradas do mundo. “A criação da nossa plataforma de streaming é uma ideia que tenho desde 2017 e com o início deste projeto, uma extensão do nosso trabalho como distribuidora de filmes independentes, queremos apresentar esses filmes para novos públicos assim como para quem deseja revê-los. É muito importante para mim, como mulher, também mostrar obras incríveis de grandes diretoras. Existem muitos filmes que merecem ser vistos, e às vezes ficam escondidos ou passam despercebidos, e nossa intenção é promover eles através da plataforma, para que se conectem com as pessoas, pois acreditamos que podem fazer parte da vida delas, assim como fazem da nossa”, diz Gracie Pinto, diretora da Supo Mungam Films, no comunicado do projeto. Lançada na noite de quarta (16/12), a plataforma tem assinatura mensal (R$ 23,90) e anual (R$199,90), realizada no próprio site da plataforma, e que dá acesso ilimitado para todos os conteúdos, permitindo ao assinante assistir onde e como quiser: no computador, smartphone, tablet ou TV com os dispositivos conectados à internet. Todos os filmes possuem legenda e estão disponíveis em full HD. Para quem quiser conhecer, a Supo Mungam Plus também oferece 7 dias grátis para uma degustação de seu catálogo. O serviço pode ser acessado em www.supomungamplus.com.br.
Os Croods 2 completa três fins de semanas no topo das bilheterias dos EUA
A animação “Os Croods 2: Uma Nova Era” manteve sua liderança nas bilheterias da América do Norte em seu terceiro fim de semana seguido. O filme da DreamWorks/Universal faturou US$ 3 milhões entre quinta e domingo (13/12), totalizando US$ 24,1 milhões na América do Norte. No mercado internacional, a sequência arrecadou outros US$ 8,4 milhões, chegando a um total global de US$ 76,3 milhões. Apesar do valor razoável diante da pandemia, ainda não é suficiente para equilibrar as despesas. A animação custou US$ 65 milhões apenas para ser produzida. Mas os planos da Universal para recuperar o investimento neste e em outros títulos têm chamado a atenção do mercado. Graças a um acordo sem precedentes com as redes de cinema dos EUA, que permite ao estúdio encaminhar os títulos em cartaz para locação online após apenas três fins de semana nos cinemas, o retorno tem sido praticamente garantido. Isto também dá à Universal uma disposição para realizar lançamentos nos cinemas que nenhum de seus rivais parece demonstrar. Não por acaso, os cinemas dos EUA atualmente só exibem filmes da Universal, ao lado de títulos antigos de catálogo (como “Um Duende em Nova York” e “Férias Frustradas de Natal”) e a comédia indie “Guerra com o Vovô”. Não houve nenhum novo lançamento amplo no circuito norte-americano desde que “Os Croods 2” foi lançado por volta do Dia de Ação de Graças. No entanto, o drama romântico “Wild Mountain Thyme”, estrelado por Emily Blunt, teve um lançamento limitado na sexta passada (11/12). Destruído pela crítica (só 28% de aprovação no Rotten Tomatoes), o longa chegou em 450 cinemas e rendeu somente US$ 100 mil.
Denis Villeneuve diz que Warner pode ter matado a franquia de Duna
O cineasta Denis Villeneuve se juntou aos descontentes com a decisão da Warner de promover lançamentos simultâneas nos cinemas e em streaming de todo o seu catálogo de filmes de 2021. Diretor de “Duna”, Villeneuve acredita que esta estratégia vai matar a chance de seu filme se tornar uma franquia. Em entrevista à revista Variety, Villeneuve foi claro ao dizer que a iniciativa da Warner vai favorecer a pirataria e diminuir o lucro dos filmes, o que pode impedir que a sequência de “Dune”, previamente combinada, seja produzida. “Plataformas de streaming são positivas e um poderoso acréscimo aos ecossistemas dos filmes e TV. Mas quero que o público entenda que apenas isso não irá sustentar a indústria que nós conhecemos, pré-covid-19. Streaming pode produzir um conteúdo incrível, mas não produções com a escala de ‘Duna’. A decisão da Warner Bros. faz com que ‘Duna’ não tenha a chance de uma boa performance financeira e, nisso, a pirataria irá triunfar. O estúdio pode ter simplesmente matado a franquia”, ele comentou. Villeneuve ainda acrescentou que o segundo filme é “necessário” para concluir a história. Ele só concordou em dirigir a adaptação de “Duna” porque o estúdio permitiu que dividisse o romance clássico de Frank Herbert em dois filmes, mas, até o momento, o segundo longa não recebeu sinal verde para ser filmado. Os comentários do diretor ecoam as reclamações de Christopher Nolan, que ficou irritado com a decisão dos executivos da WarnerMedia, conglomerado que estaria pensando apenas na HBO Max, em detrimento do cinema. “Alguns dos maiores cineastas e estrelas de cinema de nossa indústria foram para a cama na noite anterior pensando que estavam trabalhando para o maior estúdio de cinema e acordaram para descobrir que trabalhavam para o pior serviço de streaming”, disse Nolan, cuja relação com a Warner vem desde “Insônia”, de 2002.
Ações da Disney disparam 14% e batem recorde após Dia do Investidor
As ações da Disney explodiram nesta sexta-feira (11/12), subindo quase 14% em 24 horas, até fechar ao preço de US$ 175,72, seu maior valor em todos os tempos. O volume de negócios foi cerca de nove vezes o nível normal. A euforia dos investidores reflete o impacto do evento batizado de Dia do Investidor da Disney, que envolveu quatro horas de apresentações na noite de quinta-feira (10/12). Comparado a uma Comic-Con expressa, o evento não foi uma sucessão de números exibidos em powerpoints, como costumam ser apresentações do gênero, mas um desfile de conteúdos que convenceram o mundo sobre a inevitabilidade dos planos da empresa para suplantar a Netflix até 2024. Foram apresentados cerca de 100 títulos novos em desenvolvimento para as plataformas de streaming do conglomerado, entre eles cerca de uma dezena de séries de super-heróis e outra dezena de séries derivadas de “Star Wars”, além do compromisso de investimento de até US$ 16 bilhões para viabilizar todos esses projetos. A empresa sustenta que esse empenho deverá lhe render entre 230 milhões e 260 milhões de assinantes na Disney+ (Disney Plus) até 2024. O pico atingido por suas ações revela que o mercado também acredita nisso. Vale lembrar que a Netflix registrou 195 milhões de assinantes globais em 30 de setembro. Os analistas do mercado de ações expressaram sua admiração pelo projeto da Disney. Mas não foi por puro entusiasmo. O mercado levou em conta as projeções feitas em evento similar do ano passado, quando Bob Iger anunciou o que se poderia esperar da Disney+ (Disney Plus). As metas traçadas para cinco anos de streaming já foram amplamente superadas em um ano apenas, o que torna bastante claro que a plataforma da Disney deve mesmo se tornar a maior empresa streaming do mundo em pouco tempo. Michael Nathanson, da empresa MoffettNathanson, assinou uma nota de recomendação, afirmando: “Embora esperássemos ouvir sobre aumento de investimento em conteúdo da Disney para seus negócios de DTC (direto ao consumidor, isto é: streaming), o tamanho e a qualidade do tsunami de conteúdo que atingiu a apresentação da Disney+ (Disney Plus) foi alucinante e assustador para qualquer empresa que esteja pensando em competir no espaço de entretenimento com eles.” Outro analista, Benjamin Swinburne, do Morgan Stanley, chegou a considerar as projeções da Disney tímidas. Para ele, a Disney+ (Disney Plus) não terá menos de 300 milhões de assinantes até 2024, tornando-a capaz de gerar uma receita anual de US$ 35 bilhões para o conglomerado – o que suplantará todas as outras atividades da Disney e levará a uma mudança ainda mais profunda na empresa.
Disney planeja gastar US$ 16 bilhões com conteúdo exclusivo para streaming
O saldo do evento corporativo de quatro horas da Disney, batizado de Dia de Investidor, teve o impacto de uma grande Comic-Con concentrada numa única noite, com mais de uma centena de anúncios de novas produções e revelações exclusivas sobre projetos em desenvolvimento. Os executivos da empresa oficializaram ao todo, na contagem do CEO Bob Chapek, produções de 63 séries e 42 filmes, com 80% deles voltados para o streaming. A conta para realizar tudo isto também foi anunciada. E será significativa. Durante a apresentação, representantes do conglomerado assumiram que irão desembolsar entre US$ 14 e US$ 16 bilhões para produzir conteúdo original para os serviços de streaming Disney+ (Disney Plus) e Hulu (Star+ no Brasil em 2021), com a proposta de aumentar sua produção de séries e filmes originais para 100 por ano até 2024. A maior parte destes gastos serão consumidos pela Disney+ (Disney Plus), afirmou a CFO do conglomerado, Christine McCarthy, no final da maratona do encontro com investidores da noite de quinta-feira (10/12). E o presidente executivo Bob Iger, que supervisiona o conteúdo criativo global, adicionou que a lista de conteúdo original era consideravelmente “mais robusta do que havíamos previsto inicialmente”. Os valores são pelo menos o dobro do que foi inicialmente antecipado por Iger no anúncio de lançamento da plataforma, há mais de um ano. Mas também refletem um crescimento muito maior e mais acelerado que o esperado da Disney+ (Disney Plus), bem como sua expansão para o mercado internacional e reposicionamento como maior rival da Netflix, além de um planejamento global com menos opções cinematográficas, devido à pandemia de coronavírus. A expectativa da Disney com esse investimento é atingir entre 230 e 260 milhões de assinantes até 2024. Até lá, o streaming deverá gerar perdas, alcançando seu pico de gastos de 2021, para passar a ser lucrativo apenas no final deste ciclo. Vai custar uma fortuna, mas também render uma fortuna. E com dividendos antecipados. As ações da Disney subiram 14% nesta sexta (11/12), após o impacto do Dia do Investidor, atingindo um recorde histórico de valorização da empresa, enquanto outros estúdios (leia-se Warner) temem uma implosão. “O fato é que estamos apenas começando”, disse Iger.












