Johnny Depp acusa Amber Heard de agressão e se contradiz em depoimento
O ator Johnny Depp, que está processando a ex-esposa Amber Heard por difamação, mostrou-se bem menos confiante em seu segundo dia de depoimento no tribunal de Fairfax, no estado americano de Virginia, entrando em contradição e exibindo sinais de raiva ao ser questionado pela defesa. A serenidade controlada, frases empoladas e histórias tristes apresentadas no dia anterior viraram histórias de terror na primeira parte da sessão desta quarta (20/4), quando Depp fez denúncias literalmente sangrentas contra Heard. Mas seu tom sofreu outra mudança radical, quando chegou a vez do advogado de Heard, Ben Rottenborn, interrogá-lo nos minutos finais da audiência. Neste momento, Depp se atrapalhou com datas, mostrou-se confuso e reagiu com fúria ao ser questionado sobre as afirmações principais do caso, de que um editorial escrito pela atriz em 2018 no jornal Washington Post destruiu sua vida, carreira e reputação, trazendo prejuízo financeiro ao tirá-lo da franquia “Piratas do Caribe”. “Estou processando ela por difamação e as várias falsidades que usou para acabar com minha vida”, declarou Depp. Antes de Rottenborn pressioná-lo, Depp se mostrou bem à vontade para descrever Heard como mentirosa, manipuladora e extremamente violenta. O ponto mais polêmico foi a briga de março de 2015 que o deixou sem um pedaço do dedo médio da mão direita. Declarações sobre o incidente já surgiram várias vezes no julgamento. O médico particular do ator disse que Depp lhe confessou ter se cortado sozinho e a ficha médica de seu atendimento hospitalar na Austrália reforça esse relato, registrando o incidente como um corte involuntário com uma faca. No tribunal, porém, Depp disse que perdeu a ponta do dedo quando Heard jogou uma garrafa de vodka nele e o vidro quebrou. Segundo Depp, Heard havia chegado à Austrália, após um longo voo de Los Angeles, chateada com uma reunião que teve com um advogado para discutir o pedido de Depp de um acordo “pós-nupcial”. “Ela ficava dizendo: ‘Eu não estou nem em seu testamento. Eu nem estou em seu testamento’”, declarou o ator ao júri. “Achei uma coisa estranha de se dizer. Parecia errado, e ela não deixava de lado esse acordo pós-nupcial, dizendo que eu estava tentando enganá-la para não conseguir nada se algo acontecesse.” O intérprete de Jack Sparrow relatou que a discussão deles aumentou e que Heard “ficou irada e possuída”. Ele disse que acabou indo para a sala de recreação no andar de baixo da casa, onde, apesar de estar sóbrio por vários meses, serviu-se de duas ou três doses de vodka. “Ela me encontrou lá [e disse] ‘Oh, você está bebendo de novo’, um monstro e tudo mais’”, relatou Depp. Em seguida, afirmou que Heard agarrou a garrafa e jogou nele, passando direto por sua cabeça e quebrando às suas costas. Então, ele foi ao bar e se serviu de uma garrafa maior de vodka. Para recriar a situação, Depp levantando-se do banco de testemunha e interpretou o momento em que, segundo ele, Heard pegou outra garrafa para atirar em sua direção. “Minha mão estava na beirada do bar e ela jogou a garrafa grande, que quebrou em todos os lugares, e eu honestamente não senti a dor”. Mas disse que sentiu pingar sangue e “olhei para baixo e percebi que a ponta do meu dedo havia sido cortada. Eu estava olhando diretamente para o meu osso saindo e a parte carnuda do interior do dedo, e o sangue estava saindo.” Depp afirmou que ao ver o dedo transformado numa espécie de vulcão “Vesúvio” entrou em “uma espécie de colapso nervoso” e começou a escrever nas paredes com seu próprio sangue. Ele não disse o que estava escrito, citando apenas que eram “pequenos lembretes do nosso passado, que representavam mentiras que ela me contou e mentiras nas quais eu a peguei”. Os advogados de Heard disseram que pretendem provar que o corte de Depp foi auto-infligido durante um surto, seguido por coisas horríveis escritas com sangue nas paredes. Depp trocou a palavra “surto” por “colapso”, ao explicar porque não conseguia se lembrar do que fez em seguida. Ele relatou que foi ao pronto-socorro, mas disse a seu médico particular que havia esmagado o dedo em portas sanfonadas. O motivo, de acordo com sua explicação, foi para “manter as coisas o mais compactas possível”. Aos jurados foram mostradas fotos gráficas de sua lesão, bem como uma foto do rosto de Depp com uma marca, que ele afirmou ser resultado de uma agressão de Heard com o cigarro em sua bochecha. Depp disse que fez uma cirurgia para reconstruir o dedo por meio de um enxerto de pele de outra parte da mão. Ele explicou que usou um curativo durante o resto da produção de “Piratas do Caribe: Vingança de Salazar”, escondido no filme por meio de efeitos especiais. O ator também relembrou a ocasião em que encontrou cocô na cama, após uma briga com a então esposa. “Minha reação inicial foi rir. Era uma coisa tão bizarra e tão grotesca que eu só conseguia rir”, começou ele. “Ela tentou culpar os cachorros. Eles são yorkshires pequenos e pesam cerca de 4 kg cada. Eu vivi com aqueles cachorros. Eu peguei o cocô deles. Não foram os cachorros”, acusou. E seguiu descrevendo a esposa como alucinada e agressiva, alguém que sempre o atacava com “violência”. “Em sua frustração e raiva, ela sempre atacava”, ele testemunhou. “Podia começar com um tapa, podia começar com um empurrão, podia começar com um controle remoto da TV na minha cabeça. Poderia começar jogando uma taça de vinho na minha cara. Em suma, foi constante.” O júri provavelmente ouvirá uma versão radicalmente oposta durante o testemunho de Heard. Mas uma prévia dos embates de versões já pôde ser antevista após o final do depoimento espontâneo do ator, quando o advogado da atriz começou a questioná-lo. De imediato, Depp precisou admitir para o júri que o artigo em que baseou seu processo não cita seu nome e que assinou uma declaração em 2016, afirmando que “nenhuma das partes fez falsas acusações” após iniciar o divórcio. Esta declaração foi uma condição exigida por Heard para tirar da Justiça uma medida de restrição contra o ator, após ela indicar a um juiz ter sido vítima de violência doméstica. Ao pedir o divórcio, Heard obteve uma ordem de restrição temporária, alegando que Depp a agrediu depois de uma discussão em que estava bêbado em seu apartamento em Los Angeles. A denúncia diz que ele “começou a ficar obcecado por algo que não era verdade” e “ficou extremamente irritado”, jogando um telefone em Heard, atingindo sua bochecha e olho “com extrema força”. Uma declaração separada de uma amiga de Heard que testemunhou a cena, Raquel Pennington, apoiou a versão de Heard, incluindo uma descrição de que Depp balançava uma garrafa de vinho “como um taco de beisebol”. “Fui aconselhado por meus advogados a não lutar contra isso”, Depp explicou, tentando justificar o motivo de não ter contestado as acusações de abuso de Heard na época, preferindo esperar quase três anos para processá-la por insinuações a este respeito num editorial do Washington Post que não cita seu nome. A parte mais importante do julgamento por difamação é provar que o demandante sofreu danos à sua reputação por uma declaração ou artigo específico. O advogado demonstrou que Heard já tinha feito a acusação anteriormente – e na Justiça – sem ser contestada, e Depp assinou um documento afirmando que a declaração não era falsa. Outro argumento contestado pela defesa foi de que o editorial teria custado ao ator o papel de Jack Sparrow, supostamente extirpado do próximo filme dos “Piratas do Caribe”. O advogado de Heard buscou mostrar que a Disney havia tomado a decisão de não contratar Depp bem antes da publicação do texto, além de lembrar que Depp nem queria fazer o filme. A prova apresentada foi um artigo publicado no jornal britânico Daily Mail, datado de 25 de outubro de 2018, dois meses antes do editorial do Washington Post, que afirmava que Depp estava “fora” da franquia dos piratas. Pressionado pela defesa, Depp confessou a Rottenborn e ao tribunal que ele realmente não tinha ideia se outro filme da franquia seria feito. A Disney não deu nenhum prosseguimento a “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, após as confusões judiciais do ator. Portanto, não seria possível afirmar que ele “perdeu” o papel num filme que nunca entrou em produção. Os argumentos da defesa avançaram direto sobre as alegações de Depp para abrir o caso, mostrando que elas não se sustentam. Mas o julgamento deve se estender até meados de maio e trazer ainda a versão de Heard sobre os detalhes mais sombrios do relacionamento do ex-casal. Depp vai continuar no banco das testemunhas nesta quinta (21/4). Todo o julgamento está sendo transmitido ao vivo pelo canal americano Court TV, disponível pela internet. Veja abaixo os vídeos do segundo dia de depoimentos do ator.
Johnny Depp minimiza vício e mensagens sobre matar Amber Heard
O ator Johnny Depp prestou depoimento nesta terça (19/4) no julgamento do processo que abriu no estado americano de Virginia contra a ex-mulher, Amber Heard, por difamação. O motivo da ação foi um artigo escrito por ela no jornal The Washington Post em 2018, em que se descreveu como uma “figura pública que representa a violência doméstica”. Ao se apresentar, o ator jurou que nunca agrediu Amber Heard ou qualquer outra mulher em sua vida. Ele justificou a iniciativa de processar a atriz pela necessidade de se defender por conta dos filhos, que são constantemente questionados sobre as acusações. Confrontado com as mensagens ameaçadoras revelados no tribunal, com linguagem violenta desejando até morte brutal da ex-esposa, ele disse que tende a ser “bastante expressivo” ao escrever. Ciente do retrato agressivo realçado pelos textos, Depp se esforçou para minimizá-los. “Estou envergonhado com algumas das referências feitas e envergonhado com o tom que, no calor do momento, no calor da dor que eu estava sentindo, me levou para lugares escuros”, disse o ator em voz baixa no banco de testemunha. “Às vezes, a dor tem que ser tratada com humor e, às vezes, com humor muito sombrio”, ele continuou. “Às vezes, você está exagerando algo que fez para fazê-lo entender que você está no Planeta Ponto de Interrogação”, acrescentou. E se justificou com a alegação de que “ela começou”, ao insinuar ser vítima de agressão. Depp também refutou ser um drogado sem controle. Ele afirmou que só fuma maconha e toma medicamentos prescritos para dor. Esse consumo não é para fazer festa, mas para suportar os problemas que enfrenta na vida desde a infância. Em sua defesa, afirmou que essas drogas “eram um alvo fácil” para Heard denunciar, mas elas não afetavam seu comportamento. Mesmo confirmando seu vício em opioides, que diz ter encerrado, ele argumentou que sempre foi um viciado funcional, que nunca perdeu o controle durante filmagens. Entretanto, há amplas evidências em contrário, algumas já expostas no julgamento – pela enfermeira que testemunhou chutes e socos em portas e paredes – , outras levadas à Justiça, como o caso de um assistente do filme “City of Lies”, e as que deverão ser apresentadas ao tribunal pelos advogados de Heard, que pretendem trazer à tona os bastidores de “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”. A imprensa americana considerou o testemunho como uma performance teatral, já que pouco foi dito sobre o caso que motivou o julgamento. Na maior parte do tempo, Depp falou de si mesmo, de sua infância e carreira, contando “causos” para divertir os jurados. Depp vai continuar seu depoimento na quarta-feira. Todo o julgamento está sendo transmitido ao vivo pelo canal americano Court TV, disponível pela internet. Veja abaixo os vídeos do depoimento.
Testemunhas abordam violência entre Johnny Depp e Amber Heard
O julgamento por difamação travado entre Johnny Depp e Amber Heard iniciou nesta semana em Fairfax, no estado americano de Virgínia, com testemunhos sobre as alegações de violência entre o ex-casal. Na quarta (13/4), Isaac Baruch, amigo de infância de Johnny Depp, afirmou não ter visto machucados no rosto da atriz ao cruzar com ela no dia em que teria sido atingida por um telefone jogado pelo ator. Ele acrescentou que ela estava espalhando mentiras. “Muitas pessoas foram afetadas por essa mentira maliciosa que ela começou, criou e espalhou ao redor do mundo”, disse Baruch. Para deixar claro: a mentira não era sobre o telefone ter sido jogado na cara de Heard, mas que seu rosto tivesse ficado marcado pela ação, como fotos que circularam mais tarde (quando o machucado arroxou). Confrontado pela defesa de Heard, Baruch precisou confirmar uma mensagem enviada pelo astro da franquia “Piratas do Caribe”, em que ele dizia esperar ver “o corpo apodrecido [de Amber Heard] decompondo na p***a do porta-malas de um Honda Civic”. Não foi revelado como os advogados da atriz tiveram acesso à mensagem, mas o amigo de Depp confirmou a veracidade do texto, bem como de outras mensagens ofensivas. Ele sugeriu que os ataques eram justificados. “Não é justo. Não é certo o que ela fez e o que aconteceu com as várias pessoas afetadas por isso tudo. É doentio isso tudo”. Nesta quinta (14/4), a situação entornou de vez para Depp, graças aos depoimentos de uma terapeuta e um médico. O Dr. David Kipper, contratado em 2014 para tratar o ator por seu vício em opióides (medicamentos com efeitos analgésicos e sedativos potentes), foi questionado sobre mensagens de sua enfermeira Debra Lloyd, que diziam que Depp havia “socado um quadro branco na cozinha depois de uma briga” e chutado uma porta em um set de filmagem porque estava agitado. Kipper disse que nunca viu nenhuma violência entre Depp e Heard. Mas em março de 2015, quando eles estavam na Austrália, recebeu várias mensagens perturbadoras de Depp com ofensas contra a atriz – “Ela é tão cheia de merda como um ganso de Natal”, “uma malvada maliciosa e uma vadia vingativa”, etc. Depp também informou a Kipper que “cortou a parte superior” do dedo médio. “O que devo fazer? Ir ao hospital? Estou tão envergonhado por pular em qualquer coisa com ela.” Esta informação é importante, porque durante as declarações de abertura na terça-feira, os advogados de Depp alegaram que Heard jogou uma garrafa em Depp que decepou parte de seu dedo. Kipper contradisse essa alegação citando uma mensagem em que Depp admitiu ter cortado o próprio dedo enquanto brigava com a esposa. Depois dessa mensagem, o médico foi ver Depp na Austrália. Em seu depoimento, ele revelou que a residência alugada pela Warner Bros. para as filmagens de “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” estava “uma bagunça. Havia coisas jogadas por todos os lugares”. E sangue nas paredes. Ele disse que foi para o hospital com Depp para ele realizar uma cirurgia na mão. Mas Kipper o avisou que se afastaria se ele não cumprisse o plano de tratamento, pois precisava estar “estável” para a cirurgia. Depp prometeu que cumpriria. Em junho, Depp enviou um mensagem para Kipper dizendo ter trancado seu “filho monstro em uma gaiola”, referindo-se ao vício, e isso “funcionou pra c***lho. “Amber e eu fomos absolutamente perfeitos por três meses inteiros!”, exclamou, acrescentando: “Nós somos melhores amigos agora”. Heard revelou num julgamento anterior, realizado em Londres, que Depp virava um monstro ao beber e se drogar, passando a agir com violência. O outro depoimento desta quinta foi da Dra. Laurel Anderson, que foi terapeuta matrimonial do casal por 21 sessões. Ela comentou anotações feitas na terapia, confirmando agressões de Depp, mas descrevendo a relação “como abuso mútuo”. “Ele conseguiu ser bem controlado por quase 20, 30 anos. Ambos foram vítimas de abuso [na infância] em suas casas, mas eu achava que ele estava bem controlado há décadas. Mas com a Sra. Heard, ele sofreu um gatilho e eles se envolveram no que eu vi como abuso mútuo”, disse ela. Em uma nota de uma sessão, Anderson escreveu que “ele bate nela. Sem punho fechado. Ela revida por orgulho, porque o pai bateu nela.” Questionada sobre a anotação, Anderson disse que o texto se referia a um relato de Heard de que Depp a atingiu com um “tapa de mão aberta”. A terapeuta ainda foi questionada sobre os hematomas no rosto da atriz. Após a fatídica discussão de 21 de maio de 2016, que levou Heard a obter uma ordem de restrição contra Depp, a atriz a visitou para uma sessão particular. Anderson confirmou ter visto hematomas no rosto de Heard, idênticos às fotos que lhe foram mostradas, contrariando o depoimento do amigo de Depp. Uma ex-assistente de Heard também foi ouvida. Kate James pintou um quadro oposto ao dizer que Depp era um cavalheiro e Heard estava sempre louca de drogas, manifestando um comportamento agressivo. A atriz teria cuspido na ex-assistente quando ela lhe pediu aumento. James, porém, não soube contextualizar uma mensagem enviada por Depp, que parecia sugerir um encontro regado a vinho para falar mal de Heard. “Ele escreve de forma abstrata”, foi sua explicação. Todo o julgamento está sendo transmitido ao vivo pelo canal americano Court TV, disponível pela internet.
Cuba Gooding Jr. se declara culpado de assédio sexual
O ator Cuba Gooding Jr. (o O.J. Simpson de “American Crime Story”) se declarou culpado num julgamento de assédio sexual que ele enfrenta na justiça de Nova York. Em sua declaração, ele assume ter forçado um toque (“forcible touching”), uma acusação menos grave do que outros crimes sexuais, que pode lhe resultar no máximo um ano de prisão. Vencedor do Oscar por “Jerry Maguire: A Grande Virada” (1996), o ator foi preso em 2019 após uma mulher acusá-lo de apalpar seus seios sem permissão em um bar na cidade. O caso teve grande repercussão e, depois de pagar fiança para responder o processo em liberdade, outras mulheres acusaram o ator publicamente de atos semelhantes. Gooding acabou acusado em mais dois casos adicionais, por beliscar as nádegas de uma garçonete e tocar de forma inapropriada outra mulher, ambas em 2018 em Nova York. Até se declarar culpado, Gooding negava as acusações. Seus advogados argumentavam que os promotores tinham se tornado zelosos demais, apanhados no fervor do movimento #MeToo, ao transformar “gestos comuns” ou mal-entendidos em crimes. A linha da defesa mudou após o juiz decidir que, caso Gooding fosse a julgamento, os promotores poderiam chamar mais mulheres que o denunciaram para testemunhar sobre suas alegações de que Gooding também as tocou sem permissão. Ao todo, 19 acusadoras vieram à público denunciar o comportamento do ator. Ele também é acusado em outro processo de estuprar uma mulher na cidade de Nova York em 2013. Depois que um juiz emitiu uma sentença de condenação à revelia em julho passado, porque Gooding não respondeu ao processo, o ator contratou um advogado e está lutando contra as alegações. O último trabalho do ator foi o filme “A Vida em Um Ano”, lançado em 2020. Quatro anos antes, em 2016, ele foi indicado ao Emmy por interpretar O.J. Simpson na minissérie “American Crime Story”.
Amber Heard acusa Johnny Depp de violência sexual
O primeiro enfrentamento entre as defesas de Johnny Depp e Amber Heard, no julgamento do processo aberto pelo ator contra a ex-esposa por difamação, marcou o surgimento de uma nova e grave acusação. A advogada de Heard, Elaine Bredehoft, apresentou a acusação de violência sexual no Tribunal de Justiça do Condado de Fairfax, na Virgínia, EUA, após os representantes de Depp chamaram sua ex de “uma pessoa profundamente problemática”. Segundo Bredehoft, o abuso sexual teria acontecido enquanto Heard estava desacordada. Diante das câmeras do canal Court TV, a equipe jurídica da atriz alegou que ela teria sido abusada sexualmente em mais de uma ocasião, uma delas durante três dias de pesadelo na Austrália em março de 2015, enquanto outra teria acontecido nas Bahamas em dezembro daquele mesmo ano. Ao fazer a acusação, a advogada anunciou que a atriz vai testemunhar sobre “abuso sexual, verbal, emocional e físico” que ela supostamente sofreu durante se casamento. Já o representante de Depp apresenta uma versão diferente sobre o histórico de violência trazido à tona por Heard. Segundo ele, as acusações são inventadas e a suposição de que o ator praticou violência tiveram um efeito “devastador” na sua carreira. “Este caso demonstra como as palavras podem ser devastadoras quando são falsas e ditas em público”, disse o advogado do ator, Benjamin Chew, na abertura do processo. “Amber Heard mudou para sempre a vida e a reputação de Depp e vocês o ouvirão contar o terrível impacto que isso teve em sua vida”, continuou, em sua introdução do caso para o júri. Segundo Chew, Heard acusou seu marido de violência para se vingar dele ter pedido o divórcio. Isto teria acontecido originalmente num artigo que ela escreveu para o jornal Washington Post, onde não nomeou Depp, mas afirmou ser uma “figura pública que representa a violência doméstica” e buscou demonstrar como foi assediada pela sociedade após suas denúncias de agressão. Na linha de raciocínio da acusação, a atriz “escolheu lembrar o mundo dessas acusações venenosas em um jornal conhecido mundialmente”. Johnny Depp, de 58 anos, e Amber Heard, 35, já haviam se enfrentado judicialmente na Inglaterra, num processo do ator contra um jornal que o chamou de “espancador de esposa”. A Justiça britânica concordou que Depp agrediu Heard. Agora, Depp processa Heard em US$ 50 milhões pelo editorial que ela escreveu em 2018, onde criticou basicamente a cultura machista que ataca mulheres que denunciam violência sexual. “Eu falei contra a violência sexual e enfrentei a ira de nossa cultura. Isso tem que mudar”, diz o artigo. A atriz, por sua vez, revidou a ação de Depp com outro processo, também de difamação, em que pede US$ 100 milhões. “O processo frívolo que o Sr. Depp moveu contra a Sra. Heard mantém esse abuso e assédio”, diz a ação de Heard. Um júri foi escolhido na segunda-feira para decidir quem tem razão. A expectativa é que o julgamento, que acontece em Fairfax, uma pequena cidade do estado da Virgínia onde o jornal Washington Post é impresso, dure seis semanas.
Começa o julgamento de Johnny Depp x Amber Heard
O julgamento do processo por difamação aberto por Johnny Depp contra sua ex-esposa Amber Heard começou nesta segunda (11/4) em Fairfax County, no estado americano de Virginia, com a seleção dos 12 jurados responsáveis pelo veredito. Embora os atores só devam aparecer na corte na fase de depoimentos, o grande interesse no caso atraiu muitos fãs dos artistas para as imediações do tribunal. A maioria leva cartazes em defesa de Depp, que já perdeu um processo de difamação que abriu no Reino Unido contra um jornal que o acusou de violência doméstica. Muitos viajaram de outros países para apoiar o ator contra a ex-esposa, apesar das evidências expostas anteriormente a apontarem como vítima. Mas os interessados não precisam viajar até o interior dos EUA. Com a definição do júri, o canal pago americano Court TV vai passar transmitir todas as sessões do caso, além de fornecer uma cobertura intensa do processo, numa programação que começa na terça (12/4) e se estenderá até o anúncio da sentença. “Casos judiciais tão importantes quanto este geralmente criam muito barulho, e pode ser difícil para os espectadores superar as distrações para ter uma imagem clara dos fatos, mas é aí que entramos”, disse Ethan Nelson, chefe da Court TV, em um comunicado sobre a transmissão. O caso representa tudo ou nada para Depp, que iniciou o processo, considerado por especialistas nas leis americanas como muito difícil, mas não impossível de ser vencido. Depp está pedindo US$ 50 milhões de indenização por Heard ter escrito um artigo editorial no jornal Washington Post em 2018, intitulado “Eu me manifestei contra a violência sexual – e enfrentei a ira de nossa cultura. Isso tem que mudar”. Embora o ensaio não mencione o nome de Depp, ele afirma que o texto prejudicou sua reputação e lhe custou um papel num vindouro filme dos “Piratas do Caribe”, que a Disney não produziu nem começou a produzir. Em sua resposta à ação, Heard apresentou seu próprio processo, pedindo US$ 100 milhões por Depp prejudicar sua carreira arrastando seu nome para ações judiciais. Apesar dos advogados de Depp tentarem impedir, a Justiça do estado de Virgínia aceitou a ação. Antes mesmo de chegar no tribunal, Depp já teve uma grande derrota em seu caso, quando sua principal linha de argumentação foi bloqueada numa audiência preliminar. O ator escolheu processar Heard em Virgínia, porque se trata do estado menos simpático à adoção de uma medida judicial conhecida como anti-SLAPP. A sigla SLAPP significa, na tradução para o português, Litígio Estratégico Contra a Participação Pública. Em resumo, trata-se de uma ação legal que pretende interromper quaisquer atividades ou manifestações públicas contrárias aos interesses da pessoa ou organização representada em processo. A ação de Depp é um caso típico de SLAPP, já que baseado em artigo que prejudicaria seus interesses. Entretanto, a juíza Penney Azcarate decidiu em 24 de março contra a moção de julgamento sumário de Depp, e disse que Heard pode se valer do estatuto anti-SLAPP sobre o assunto. Para entender o que isso significa, é importante destacar a ironia representada pela decisão judicial. Graças à atenção trazida pelo processo de US$ 50 milhões, aberto por Depp em março de 2019, o estado de Virgínia mudou seu enfoque favorável a ações de SLAPP para fortalecer a aplicação da medida anti-SLAPP sobre manifestações públicas. Agora, o estado garante imunidade de responsabilidade civil para declarações sobre assuntos de interesse público, que estariam protegidos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA – que aborda a Liberdade de Expressão. A juíza Penney Azcarate disse textualmente em sua decisão que o artigo de Heard no Post sobre violência doméstica tem equivalência a uma questão de interesse público. Isso é vital para a atriz, pois reformula toda a disputa legal. Com isso, os advogados de Heard podem argumentar que ela estava exercendo sua liberdade de expressão para abordar um tema de interesse público: a violência doméstica. E isso prejudica frontalmente a estratégia legal de Depp para o julgamento. Para piorar o caso do ator, ela não incluiu o nome do ex-marido em nenhuma linha do artigo. Heard apenas afirma ter sido vítima de abusos em diferentes ocasiões ao longo da vida O processo é todo baseado numa “sugestão” de envolvimento de Depp com violência doméstica – situação ligada ao divórcio tumultuado do casal, realizado num período em que Depp foi proibido de se aproximar de Heard, após ela aparecer com o rosto inchado por suposta agressão. Vale apontar ainda que os advogados de Depp tentaram incluir até o jornal Washington Post como réu ao lado de Heard, mas a Justiça alegou liberdade de imprensa para impedir que a publicação fosse a julgamento. Há dois anos, Depp perdeu um processo por difamação contra o jornal britânico The Sun, que o descreveu como um “espancador de esposa”. O julgamento em Londres não só confirmou que ele teria espancado a esposa como o fez perder um papel lucrativo num filme novo da franquia “Animais Fantásticos” – que ele já tinha começado a filmar quando foi substituído por outro ator, Madds Mikkelsen. Caso seja derrotado mais uma vez, Depp arrisca perder mais que papéis em filmes: há US$ 100 milhões em jogo, mais elevadas custas processuais e advocatícias por ter iniciado o processo. A transmissão ao vivo poderá ser vista em todo o mundo (sem legendas) pela internet a partir de terça (12/4) no endereço digital da Court TV (https://www.courttv.com/title/court-tv-live-stream-web/).
Julgamento da ação de Johnny Depp contra Amber Heard será exibido ao vivo na TV dos EUA
O julgamento do processo por difamação aberto por Johnny Depp contra sua ex-esposa Amber Heard será exibido ao vivo na TV dos EUA. O canal pago americano Court TV vai transmitir todas as sessões necessárias para o tribunal em Fairfax County chegar ao veredito, a partir do começo da próxima semana em Fairfax County, no estado da Virginia, além de fornecer uma cobertura intensa do processo. “Casos judiciais tão importantes quanto este geralmente criam muito barulho, e pode ser difícil para os espectadores superar as distrações para ter uma imagem clara. dos fatos, mas é aí que entramos”, disse Ethan Nelson, chefe da Court TV, em um comunicado sobre a transmissão. Depp está pedindo US$ 50 milhões de indenização por Heard ter escrito um artigo editorial no jornal Washington Post em 2018, intitulado “Eu me manifestei contra a violência sexual – e enfrentei a ira de nossa cultura. Isso tem que mudar”. Embora o ensaio não mencione o nome de Depp, ele afirma que o texto prejudicou sua reputação e lhe custou um papel num vindouro filme dos “Piratas do Caribe”, que a Disney não produziu nem começou a produzir. Em sua resposta à ação, Heard apresentou seu próprio processo, pedindo US$ 100 milhões por Depp prejudicar sua carreira arrastando seu nome para ações judiciais. Apesar dos advogados de Depp tentarem impedir, a Justiça do estado de Virgínia aceitou a ação. Antes mesmo de chegar no tribunal, Depp já teve uma grande derrota em seu caso, quando sua principal linha de argumentação foi bloqueada numa audiência preliminar. O ator escolheu processar Heard em Virgínia, porque se trata do estado menos simpático à adoção de uma medida judicial conhecida como anti-SLAPP. A sigla SLAPP significa, na tradução para o português, Litígio Estratégico Contra a Participação Pública. Em resumo, trata-se de uma ação legal que pretende interromper quaisquer atividades ou manifestações públicas contrárias aos interesses da pessoa ou organização representada em processo. A ação de Depp é um caso típico de SLAPP, já que baseado em artigo que prejudicaria seus interesses. Entretanto, a juíza Penney Azcarate decidiu em 24 de março contra a moção de julgamento sumário de Depp, e disse que Heard pode se valer do estatuto anti-SLAPP sobre o assunto. Para entender o que isso significa, é importante destacar a ironia representada pela decisão judicial. Graças à atenção trazida pelo processo de US$ 50 milhões, aberto por Depp em março de 2019, o estado de Virgínia mudou seu enfoque favorável a ações de SLAPP para fortalecer a aplicação da medida anti-SLAPP sobre manifestações públicas. Agora, o estado garante imunidade de responsabilidade civil para declarações sobre assuntos de interesse público, que estariam protegidos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA – que aborda a Liberdade de Expressão. A juíza Penney Azcarate disse textualmente em sua decisão que o artigo de Heard no Post sobre violência doméstica tem equivalência a uma questão de interesse público. Isso é vital para a atriz, pois reformula toda a disputa legal. Com isso, os advogados de Heard podem argumentar que ela estava exercendo sua liberdade de expressão para abordar um tema de interesse público: a violência doméstica. E isso prejudica frontalmente a estratégia legal de Depp para o julgamento. Para piorar o caso do ator, ela não incluiu o nome do ex-marido em nenhuma linha do artigo. Heard apenas afirma ter sido vítima de abusos em diferentes ocasiões ao longo da vida O processo é todo baseado numa “sugestão” de envolvimento de Depp com violência doméstica – situação ligada ao divórcio tumultuado do casal, realizado num período em que Depp foi proibido de se aproximar de Heard, após ela aparecer com o rosto inchado por suposta agressão. Vale apontar ainda que os advogados de Depp tentaram incluir até o jornal Washington Post como réu ao lado de Heard, mas a Justiça alegou liberdade de imprensa para impedir que a publicação fosse a julgamento. Há dois anos, Depp perdeu um processo por difamação contra o jornal britânico The Sun, que o descreveu como um “espancador de esposa”. O julgamento em Londres não só confirmou que ele teria espancado a esposa como o fez perder um papel lucrativo num filme novo da franquia “Animais Fantásticos” – que ele já tinha começado a filmar quando foi substituído por outro ator, Madds Mikkelsen. Caso seja derrotado mais uma vez, Depp arrisca perder mais que papéis em filmes: há US$ 100 milhões em jogo, mais elevadas custas processuais e advocatícias por ter iniciado o processo. O novo julgamento está previsto para começar na segunda-feira, mas a transmissão da Court TV só estará liberada após a conclusão da seleção do júri.
Anulação do julgamento de Juan Darthés no Brasil gera protestos na Argentina
A Justiça brasileira anulou o processo que tramitava em São Paulo contra o ator argentino Juan Darthés, acusado de estuprar a atriz Thelma Fardin (“Sou Luna”) em 2009 quando ela, que também é argentina, era menor de idade. A anulação, determinada pela Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, atendeu a um pedido da defesa e foi baseada em critérios formais. Os magistrados entenderam que o processo contra o ator argentino deveria tramitar na justiça estadual de São Paulo, onde está domiciliado Darthés, e não na jurisdição federal. Os fundamentos da decisão não foram divulgados. A decisão gerou protestos na Argentina nesta quinta-feira (10/2). Diante da possibilidade de ver o caso voltar à estaca zero em um novo tribunal, Fardin participou de um ato público apoiado pela Anistia Internacional (AI) e grupos de artistas argentinas diante do consulado brasileiro em Bueno Aires. Durante o evento, ela anunciou que apelará ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Voltar o julgamento à estaca zero seria um escândalo e é revitimizante. Os advogados [de Darthés] querem evitar que se chegue a uma sentença. Apresentaremos um recurso à Suprema Corte [no Brasil, o STF]”, disse Fardin diante do consulado do Brasil. “A apelação será feita pelo Ministério Público. Eu não posso me constituir como querelante de acordo com as leis brasileiras”, detalhou Fardin em declarações à emissora C5N. Darthés está no Brasil por possuir dupla cidadania. O ex-galã de novelas argentinas nasceu em São Paulo com o nome Juan Rafael Pacífico Dabul e voltou a morar na capital paulista em 2018, quando o escândalo ganhou grande repercussão no país vizinho. Ele contava com o fato de o Brasil não aceitar a extradição de seus cidadãos. Entretanto, o Código Penal permite processos de crimes cometidos no exterior nas cortes brasileiras. De acordo com o relato de Fardin, o estupro aconteceu em 2009, quando ela tinha 16 anos e os dois fizeram uma viagem de trabalho à Nicarágua. Segundo a denúncia original, o ator se aproveitou da “relação de confiança” para cometer a agressão sexual em um hotel em Manágua, durante a divulgação internacional da novela infantil “Patinho Feio” (2007-2008), que ambos protagonizavam. À época, Darthés tinha 45 anos. A atriz registrou queixa na polícia nicaraguense, onde o processo começou a tramitar. Enquanto isso, Darthés estrelou mais quatro novelas na Argentina. A situação mudou em 2018, quando o Ministério público argentino passou a colaborar com a Justiça nicaraguense e iniciou um processo penal contra o ator visando extraditá-lo. Foi quando ele resolveu fugir para o Brasil. Vendo-o protegido no Brasil, Fardin tornou o caso público, numa iniciativa que deu início ao movimento #MeToo na Argentina. Após a denúncia se tornar conhecida, outras atrizes acusaram Darthés de assédio. Além disso, atrizes brasileiras, como Bruna Linzmeyer e Débora Falabella, iniciaram uma manifestação contra a permanência do ator no país. Em abril de 2021, o MPF (Ministério Público Federal) de São Paulo apresentou uma denúncia contra o ator, que foi aceita pela Justiça Federal. A justificativa para a Justiça Federal assumir o caso foi, na época, a competência por se tratar de um crime denunciado a partir de investigação que envolve diferentes países. Até os MPFs de Brasil, Argentina e Nicarágua colaboraram por meio de acordos bilaterais e dentro do marco da Associação Iberoamericana de Ministérios Públicos para investigar e compartilhar provas. Mas agora esta jurisdição foi agora contestada pela Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que reclassificou o crime como de competência estadual – Manágua ficaria ali do lado de Pindamonhangaba. A anulação do processo mobilizou o movimento #MeToo Brasil, que além de protestar nas redes sociais emitiu um comunicado, afirmando esperar “que a Justiça Estadual de São Paulo acolha integralmente a instrução probatória e os atos processuais que já correram por tantos anos na esfera federal”. O #MeToo Brasil também lamenta a decisão por favorecer “a revitimização”, levando Fardin a ter que repetir todos os seus depoimentos. Thelma Fardin tem atualmente 29 anos e estrelou no ano ássadp o longa “La Estrella Roja”, uma comédia com estrutura de falso documentário que arrancou elogios rasgados da crítica argentina. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Thelma Fardin (@soythelmafardin) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Amnistía Internacional AR (@amnistiaar)
Astro de novelas argentinas começa a ser julgado por estupro em São Paulo
Começa nesta nesta terça (30/12) em São Paulo um julgamento com alcance internacional e de grandes repercussões para o movimento #MeToo da América do Sul. Famoso por fazer novelas na Argentina, o ex-galã Juan Darthés enfrenta na 7ª Vara Criminal Federal a acusação de estupro de menor, em denúncia da atriz argentina Thelma Fardin (“Sou Luna”). O caso está sendo julgado no Brasil pois foi aqui que Darthés se refugiou após a denúncia, acreditando em impunidade por possuir dupla cidadania. Ele nasceu em São Paulo com o nome Juan Rafael Pacífico Dabul e voltou a morar no Brasil em 2018, quando o escândalo ganhou grande repercussão na Argentina. Fardin relata que o estupro aconteceu em 2009, quando ela tinha 16 anos e os dois fizeram uma viagem de trabalho à Nicarágua. Segundo a denúncia original, o ator se aproveitou da “relação de confiança” para cometer a agressão sexual em um hotel em Manágua, durante a divulgação internacional da novela infantil “Patinho Feio” (2007-2008), que ambos protagonizavam. À época, Darthés tinha 45 anos. A atriz registrou queixa na polícia nicaraguense, onde o processo começou a tramitar. Enquanto isso, Darthés estrelou mais quatro novelas na Argentina. A situação mudou em 2018, quando o Ministério público argentino passou a colaborar com a Justiça nicaraguense e iniciou um processo penal contra o ator visando extraditá-lo. Foi quando ele resolveu fugir para o Brasil. Vendo-o protegido no Brasil, Fardin tornou o caso público, numa iniciativa que deu início ao movimento #MeToo na Argentina. Após a denúncia se tornar conhecida, outras atrizes acusaram Darthés de assédio. Além disso, atrizes brasileiras, como Bruna Linzmeyer e Débora Falabella, iniciaram uma manifestação contra a permanência do ator no país. Darthés apostou no fato de as leis brasileiras não permitirem extradição de pessoas com cidadania nacional, mas esqueceu que o Código Penal prevê que podem ser julgados em território brasileiro por crimes cometidos no exterior. Em abril de 2021, o MPF (Ministério Público Federal) de São Paulo apresentou uma denúncia contra Darthés, que foi aceita pela Justiça Federal, com competência nesse caso por se tratar de um crime denunciado a partir de investigação que envolve diferentes países. Os MPFs de Brasil, Argentina e Nicarágua colaboraram por meio de acordos bilaterais e dentro do marco da Associação Iberoamericana de Ministérios Públicos para investigar e compartilhar provas. Mas isso nunca tinha acontecido antes em torno de um caso de violência sexual. “O caso da Thelma abre portas e percorre circuitos que já existem, mas não são muito conhecidos por quem denuncia crimes sexuais. Há muitos acordos de cooperação internacional que funcionam bem em casos de crimes contra a humanidade, mas em casos de abusos sexuais nem sempre. É um desafio pensar como mecanismos que já existem podem ser colocados à disposição para investigar abuso sexual”, disse Paola García Rey, diretora-adjunta da Anistia Internacional Argentina. Marcado para esta terça, ironicamente Dia da Amizade Brasil-Argentina, o julgamento de Juan Darthés começa uma semana após a sanção da Lei Mari Ferrer, que modifica o Código Penal brasileiro e proíbe o constrangimento de vítimas e testemunhas durante audiências e julgamentos relacionados a crimes sexuais. Para o advogado de Fardin, Martín Arias Duval, é um avanço importante e gera tranquilidade em relação ao que pode acontecer no julgamento desta terça. “As vítimas desse tipo de delito têm muita resistência em denunciar, não porque não queiram, mas porque sentem que não vão conseguir, porque têm medo de serem julgadas. Na nossa experiência, até agora a Justiça Federal de São Paulo conduziu tudo de maneira correta e tomou decisões dentro das regras do jogo. Nossa expectativa é que continue a velar pelo tratamento digno às testemunhas e à vítima.” Thelma Fardin tem atualmente 29 anos e estrelou este ano o longa “La Estrella Roja”, uma comédia com estrutura de falso documentário que arrancou elogios rasgados da crítica argentina.
Richard Gere será testemunha contra líder da extrema-direita na Itália
O ex-ministro do Interior da Itália e líder do partido de extrema-direita Liga, Matteo Salvini, afirmou no fim de semana que o ator norte-americano Richard Gere (“Chicago”) será testemunha no processo em que é réu por sequestro de pessoas e prevaricação. O processo se refere à proibição do desembarque de 147 migrantes que estavam no barco da ONG espanhola ProActiva Open Arms em em agosto de 2019, quando Salvini fazia parte do governo. “Richard Gere vai testemunhar contra mim. Eu o conheço como ator, mas não entendo que tipo de lição ele possa me dar, aos italianos e italianas sobre as nossas regras e as nossas leis. Se alguém quer transformar o processo em um espetáculo e quer ver o Richard Gere, que vá ao cinema, não ao tribunal”, disse Salvini durante um evento em Assis. Ele aproveitou para ironizar a presença do ator no tribunal, afirmando que vai aproveitar “para pedir um autógrafo para levar para minha mãe”. Ministro do Interior entre junho de 2018 e setembro de 2019, Salvini endureceu as políticas migratórias do país com a instituição de dois Decretos de Imigração e Segurança, que ficaram conhecidos como “Decretos Salvini”. As leis estabeleciam restrição de estadia na Itália por motivos humanitários, multas que chegavam a 1 milhão de euros para ONGs que navegassem sem permissão nas águas territoriais do país e prisão em flagrante de comandantes de embarcações que desafiassem as regras nacionais. Os “Decretos Salvini” foram revogados logo após a Liga deixar a coalizão governista que dava apoio ao então primeiro-ministro Conte. Apesar da sua presença no julgamento não ter sido confirmada pelo tribunal ou pela ONG, Gere foi uma das vozes internacionais contrárias a esses decretos. O ator chegou a ir a um dos barcos que estavam impedidos de atracar na Itália – além da Open Arms, outras embarcações também foram bloqueadas – para levar alimentos e prestar ajuda humanitária, e criticou nominalmente Salvini. À época, o então ministro mandou o ator “levar todas as pessoas a bordo e colocá-las em suas mansões”. O julgamento que contaria com Gere está marcado para o dia 23 de outubro em Palermo.
Ricardo Darín vai condenar ditadura no primeiro filme argentino da Amazon
A Amazon vai produzir seu primeiro longa-metragem argentino. Que será, como não poderia deixar de ser, estrelado por Ricardo Darín (“Relatos Selvagens”), astro mais proeminente do cinema do país. Mais interessante que o elenco é o tema, que aponta como Brasil e Argentina optaram por caminhos diferentes para lidar com o passado sombrio de suas ditaduras e, como resultado, vivem hoje momentos muito diferentes. Em contraste com a reação militar contra a Comissão da Verdade e a fanfarronice de que nunca houve ditadura no Brasil, a produção da Amazon, batizada de “Argentina, 1985”, é um filme inspirado no julgamento de militares que governaram o país com mão de ferro entre 1976 e 1983. “Uma batalha de Davi contra Golias com os protagonistas menos esperados”, descreve o comunicado da Amazon Studios. “Argentina, 1985” se inspira no trabalho da equipe de promotores que realizou a denúncia no julgamento de nove comandantes da ditadura (1976-1983). A sentença lida em 9 de dezembro de 1985 condenou o ex-ditador Jorge Videla e o ex-chefe da Marinha Emilio Massera à prisão perpétua; o ex-general Roberto Viola, sucessor de Videla, a 17 anos anos; o chefe da Marinha Armando Lambruschini a oito anos e meio e o Chefe da Aeronáutica Omar Graffigna, a quatro anos e meio. Os outros quatro réus foram absolvidos. “Senhores juízes, nunca mais”, foi a frase pronunciada pelo já falecido promotor Julio Strassera para encerrar uma emocionada declaração da promotoria, também composta por Moreno Ocampo, que mais tarde se tornou promotor do Tribunal Penal Internacional. No episódio, a procuradoria “ousou contra o relógio e sob constante ameaça acusar a mais sangrenta ditadura militar argentina”, acrescenta o comunicado. Foi a primeira vez que o sistema de justiça argentino ouviu os relato de testemunhas e sobreviventes de centros clandestinos de detenção e tortura da ditadura, que deixou 30 mil desaparecidos, segundo organizações de direitos humanos. A história causou comoção no país e não houve reação militar à condenação dos ditadores e comandantes das forças armadas. O país se pacificou e nunca mais ouviu-se falar em golpe na Argentina. Tudo ao contrário do que aconteceu no Brasil, onde a impunidade marcou o final da ditadura e a palavra “golpe” frenquenta cada vez mais o noticiário cotidiano. O filme tem direção de Santiago Mitre e trará Ricardo Darín e Peter Lanzani (“O Clã”) interpretando os promotores Julio Strassera e Luis Moreno Ocampo. Será o quarto filme da parceria entre Mitre e Darín, após “A Cordilheira” (2017), “Elefante Branco” (2012) e “Abutres” (2010) – este último foi apenas escrito pelo cineasta. Todos excepcionais. As filmagens vão acontecer nas locações reais onde os fatos ocorreram. A estreia está programada para 2022, com lançamento nos cinemas argentinos antes de ficar disponível no Amazon Prime Video.
Ron Jeremy é indiciado por mais de 30 agressões sexuais
O ator Ron Jeremy, lenda dos filmes adultos americanos, foi indiciado por mais de 30 acusações de agressão sexual envolvendo 21 vítimas, que datam de mais de duas décadas. Atualmente com 67 anos, ele enfrentará julgamento por 12 acusações de estupro forçado, sete acusações de cópula oral forçada, seis acusações de agressão sexual por contenção, quatro acusações de penetração sexual por um objeto estranho, duas acusações de penetração sexual de pessoa inconsciente ou adormecida e contabilização de ato lascivo em criança menor de 14 ou 15 anos, além de sodomia com uso de força e agressão com intenção de estupro, segundo a promotoria. Preso desde o início das primeiras denúncias em junho de 2020, por não conseguir pagar a fiança de US$ 6,6 milhões, Jeremy declarou-se inocente de todas as acusações. Ele deve retornar ao tribunal em 12 de outubro para uma conferência pré-julgamento. O ator, cujo nome verdadeiro é Ronald Jeremy Hyatt, começou a fazer filmes adultos nos anos 1970 e apareceu em obras famosas do gênero, como “Delicious” (1981), “Objeto de Desejo” (1983), “Garganta Profunda II” (1987), “John Bobbit – Sem Cortes” (1994) e a versão adulta de “Dracula” (1994). Seu último vídeo para maiores é de 2018. Ele ficou conhecido o suficiente para ganhar vários documentários sobre sua carreira e aparecer em filmes convencionais. A maioria das vezes sua participação se resumiu a figurações. Chegou a superar Stan Lee nesse quesito, sendo visto por alguns segundos em filmes cultuados e até em grandes sucessos, como “Pânico na Escola” (2011), com Josh Hutcherson, “Adrenalina 2” (2009), com Jason Statham, “Todo Poderoso” (2003), com Jim Carrey, “Detroit, a Cidade do Rock” (1999), com a banda Kiss, “Studio 54” (1998), com Salma Hayek, “Tromeo & Juliet” (1996), escrito por James Gunn, “Rotação Máxima” (1994), com Charlie Sheen, “Parceiros do Crime” (1993), com Eric Stoltz, e, acredite se quiser, “O Poderoso Chefão III” (1990)!
Serial killer que matou namorada de Ashton Kutcher é sentenciado à morte
O chamado “estripador de Hollywood” foi sentenciado à morte na sexta-feira (17/7) pelo assassinatos de duas mulheres no começo dos anos 2000. Uma delas era namorada do ator Ashton Kutcher. O juiz do Tribunal Superior do Condado de Los Angeles, Paul Fidler, foi quem definiu a sentença de Michael Thomas Gargiulo, um faz-tudo aspirante a ator e que consertava ar-condicionados – que chegou a ser chamado de “assassino do refrigerador” pela imprensa. Gargiulo manteve a alegação de inocência durante o julgamento. Mas foi considerado culpado pelo júri pelo assassinato de Ashley Ellerin, uma estudante de moda de 22 anos que foi assassinada em sua casa em Hollywood quando se preparava para sair com Kutcher em 2001. O astro das séries “O Rancho”, “Dois Homens e Meio” e “That’s 70s Show” chegou a depor no julgamento em 2019, contando como foi até a casa da vítima instantes após sua morte. Em seu testemunho, Kutcher revelou que havia marcado de sair com Ellerin na noite de 21 de fevereiro de 2001, e que falou com ela pela última vez às 8 horas da noite daquele dia, confirmando o encontro. A polícia acredita que a jovem foi morta pouco depois de desligar o telefone, e que foi surpreendida por Gargiulo quando estava saindo do banho. O acusado teria esfaqueado a vítima nada menos do que 47 vezes, antes de fugir. Por volta das 11 horas da noite, o ator chegou na casa de Ellerin e tocou a campainha. Sem conseguir resposta, notou que as luzes estavam acesas no apartamento e espiou pela janela para a sala de estar, onde observou uma mancha vermelha no carpete, mas presumiu que se tratava de vinho tinto. “Isso não me surpreendeu, porque fui a uma festa na casa dela alguns dias antes, e estava tudo uma bagunça. Não pensei duas vezes”, comentou ele no testemunho. Na verdade, era o sangue da jovem de 22 anos. No dia seguinte, segundo Kutcher, a polícia o procurou para notificar que o corpo de Ellerin havia sido encontrado por sua colega de quarto. O ator confessou que “entrou em pânico”, achando que a polícia o considerava um suspeito. A investigação do assassinato só foi concluída recentemente, quando a polícia encontrou ligações entre o crime e outros ataques, graças a evidências de DNA que apontaram para Michael Gargiulo. Gargiulo também foi condenado por matar à facadas Maria Bruno, de 32 anos, que era sua vizinha em El Monte, Califórnia, em 2005. Ele foi preso em 2008 quando outra vítima, Michelle Murphy, de 26 anos, sobreviveu a um ataque em sua casa em Santa Mônica, Califórnia. A polícia ainda desconfia que ele pode ter matado outras mulheres.









