HBO vai exibir documentário inédito sobre o relacionamento de Carrie Fisher e sua mãe Debbie Reynolds
O canal pago americano HBO anunciou que irá exibir nos próximos dias um documentário inédito na TV sobre o relacionamento entre Carrie Fisher e sua mãe Debbie Reynolds, que faleceram nesta semana, um dia após a outra. “Bright Lights: Starring Carrie Fisher and Debbie Reynolds” teve première mundial, sob muitos elogios, no Festival de Cannes, e enfoca o relacionamento conturbado, mas sempre amoroso, entre mãe e filha – por acaso, duas das mais célebres atrizes de Hollywood. Debbie Reynolds é mais conhecida pela sua participação no clássico “Cantando na Chuva” (1952) e Carrie Fisher pela franquia “Star Wars”, que a eternizou como a princesa Leia. O filme tem direção do também ator Fisher Stevens (que dirigiu “Amigos Inseparáveis”), e esteve cotado para receber o prêmio de Melhor Documentário de Cannes, que acabou indo para “Cinema Novo”, do brasileiro Eryk Rocha. “Bright Lights: Starring Carrie Fisher and Debbie Reynolds” irá ao ar no próximo sábado, dia 7 de janeiro.
Mila Kunis publica desabafo denunciando machismo de Hollywood
A Mila Kunis (“Perfeita É a Mãe”) publicou um desabafo, na forma de carta aberta no site APlus, denunciando as atitudes machistas de alguns produtores com quem precisou trabalhar em sua trajetória profissional. No texto, ela conta que foi ameaçada quando se negou a posar seminua na capa de uma revista masculina para promover um determinado longa-metragem. E ao fazer isso, ouviu que “nunca mais trabalharia” em uma produção cinematográfica novamente. “Me senti objetificada e pela primeira vez na minha carreira eu disse não”, afirmou a atriz de 33 anos. “Advinha? O mundo não acabou. O filme fez bastante dinheiro e depois participei de outro projeto, depois outro e mais outro”, completou. “Ao longo da minha carreira, houve momentos em que eu fui insultada, marginalizada, menos remunerada, criativamente ignorada e diminuída por causa do meu gênero. Fui ensinada que é preciso jogar com a regra dos garotos para uma mulher se dar bem nessa indústria. Mas quanto mais trabalho, mais vejo que isso é uma imensa besteira”, ela afirma. Mesmo quando decidiu criar sua própria produtora, ao lado de outras três mulheres, Kunis teve de lidar com o sexismo em outra ocasião, quando a Orchard Farm Productions iniciou uma parceria com um influente produtor homem. “Durante o processo para apresentar este novo projeto de série de TV para uma grande rede, muitos e-mails foram trocados”, contou Kunis. “Nesta cadeia de e-mais, este produtor escolheu escrever o seguinte: ‘…e a Mila é uma mega estrela. Uma das maiores atrizes de Hollywood que em breve será a esposa de Ashton [Kutcher] e a mãe de um bebê!!!'” “Ele reduziu o meu valor a nada mais do que o meu relacionamento com um homem bem sucedido e minha habilidade de gerar filhos. Ele ignorou minhas significantes contribuições logísticas e criativas”, contou a atriz, no desabafo, novamente sem dar nomes aos bois. “Somos inundados com histórias da superioridade masculina que nos cegam até ao ponto de estruturar as nossas próprias relações. Portanto, daqui em diante, quando for confrontada com esse tipo de comentários, sutis ou evidentes, irei agir à altura”, declarou. A denúncia, entretanto, fica pela metade, pois Mila segue o exemplo de outras atrizes que já publicaram textos similares, sem dar nomes aos responsáveis. Com medo de retaliação, não dizem que foi fulano no filme tal. Assim, o produtor anônimo se sente à vontade para continuar agindo do mesmo jeito em outros filmes. E o desabafo fica por isso mesmo, alimentando rumores, boatos e lendas de Hollywood.
Rules Don’t Apply: Warren Beatty é Howard Hughes em trailer de drama romântico
A 20th Century Fox divulgou o segundo trailer de “Rules Don’t Apply”, filme dirigido por Warren Beatty (“Dick Tracy”), que também interpreta o bilionário excêntrico Howard Hughes na trama. A prévia tem um tom mais próximo do humor de “Ave, César!” (2016), dos irmãos Coen, que a seriedade de “O Aviador” (2004), a cinebiografia de Hughes dirigida por Martin Scorsese, centrando sua ação nos bastidores da era de ouro de Hollywood. A maior referência, porém, é lembrar que o roteirista Bo Goldman, que coescreveu a trama com Beatty, já tinha inventado uma aventura fictícia de Hughes na comédia clássica “Melvin e Howard” (1980). Ao contrário do filme de Scorsese, a trama acompanha o bilionário já envelhecido e em papel secundário, destacando o relacionamento entre seu jovem motorista e assessor (Alden Ehrenreich, por sinal de “Ave, César!”) e uma atriz aspirante de seu estúdio (Lily Collins, de “Os Instrumentos Mortais”). O elenco grandioso ainda conta com Matthew Broderick (“Roubo nas Alturas”), Haley Bennett (“O Protetor”), Alec Baldwin (“Missão Impossível: Nação Secreta”), Ed Harris (“Noite sem Fim”), Martin Sheen (“Trash”), Steve Coogan (“Philomena”), Candice Bergen (“O Casamento do Ex”), Taissa Farmiga (série “American Horror Story”), Oliver Platt (série “Chicago Med”), Dabney Coleman (série “Boardwalk Empire”), Paul Sorvino (“Os Bons Companheiros”), Megan Hilty (série “BrainDead”), Amy Madigan (“Medo da Verdade”), Louise Linton (“Cabana do Inferno”) e Annette Bening (“Minhas Mães e Meu Pai”), esposa de Beatty. Em desenvolvimento há muitos anos, “Rules Don’t Apply” é o quinto longa dirigido por Beatty, que já conquistou o Oscar de Melhor Direção com o drama “Reds” (1981). Ele não dirigia desde a comédia “Politicamente Incorreto” (1998) e nem sequer atuava desde “Bonitos, Ricos e Infiéis” (2001). A estreia está marcada para 11 de novembro nos EUA e não há previsão para o lançamento do longa no Brasil.
O Poderoso Chefão lidera lista dos 100 filmes favoritos de Hollywood, que ainda tem Pulp Fiction, E.T. e Star Wars
De tempos em tempos, publicações resolvem eleger os melhores filmes de todos os tempos. Os critérios de cada eleição são sempre determinados por grupos específicos: crítica, público, etc. Mas para sua lista, publicada no domingo (25/9), a revista The Hollywood Reporter buscou uma visão diferente, apresentando o resultado como os 100 filmes favoritos de Hollywood. Para chegar na seleção, a publicação ouviu 2120 membros da indústria, a maioria deles votantes na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, dentre os quais muitos vencedores do Oscar e até os chefes dos grandes estúdios. A lista revelou que o filme favorito de Hollywood é “O Poderoso Chefão” (1972), seguido de “Mágico de Oz” (1939) e “Cidadão Kane” (1941). São produções que também costumam disputar o favorecimento da crítica. Mas há surpresas no Top 5 como “Um Sonho de Liberdade” (1994), de Frank Darabont, e “Pulp Fiction” (1994), de Quentin Tarantino. E não é só. O fato de ter sido votada por Hollywood deixou de fora muitos clássicos absolutos do cinema internacional, como “Os Incompreendidos” (1959) e “A Doce Vida” (1960), por exemplo. Em compensação, sucessos comerciais como “De Volta para o Futuro” (1985), “Guerra nas Estrelas” (1977) e “Forrest Gump” (1994) aparecem entre os 25 filmes preferidos na votação. E há um excesso de produções de Steven Spielberg, com “”E.T. O Extraterrestre” (1982), “A Lista de Schindler” (1993) e “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981) entre os mais bem colocados. Confira abaixo os 20 favoritos de Hollywood e a lista completa aqui. 1. “O Poderoso Chefão” (1972) 2. “O Mágico de Oz” (1939) 3. “Cidadão Kane” (1941) 4. “Um Sonho de Liberdade” (1994) 5. “Pulp Fiction: Tempo de Violência” (1994) 6. “Casablanca” (1942) 7. “O Poderoso Chefão – Parte 2” (1974) 8. “E.T. O Extraterrestre” (1982) 9. “2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968) 10. “A Lista de Schindler” (1993) 11. “Guerra nas Estrelas” (1977) 12. “De Volta Para o Futuro” (1985) 13. “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981) 14. “Forrest Gump. – O Contador de Histórias” (1994) 15. “Gone With the Wind” (1939) 16. “O Sol é Para Todos” (1962) 17. “Apocalypse Now” (1979) 18. “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977) 19. “Os Bons Companheiros” (1990) 20. “A Felicidade Não Se Compra” (1946)
Café Society é um filme apaixonante de Woody Allen
Interessante perceber a tendência mais amena e romântica que Woody Allen tem conferido a suas obras recentes, desta década em particular. De “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” (2010) ao novo “Café Society” (2016), apenas “Blue Jasmine” (2013) se destaca como uma obra essencialmente amarga em relação à vida, além de contar com um senso de humor menos presente do que os demais. Mesmo um filme como “Homem Irracional” (2015) traz a história de um homem que passa a ver sentido em sua vida depois de encontrar motivações não muito recomendáveis. “Café Society” tem sido recebido com muito mais entusiasmo pela crítica internacional do que os três trabalhos anteriores do diretor, mas não significa que seja uma das obras mestras do velho Woody. Claro que é muito bom ouvir a voz do próprio diretor contando a história, assim como é adorável ter um objeto de desejo como Vonnie, vivida por Kristen Stewart (“Acima das Nuvens”). Nem sempre uma unanimidade, Kristen se mostra como a razão de ser não apenas da vida do jovem Bobby (Jesse Eisenberg, de “Batman vs. Superman” e mais um a assimilar os trejeitos de Allen em outro de seus alter-egos), mas do próprio filme, embora mais à frente vejamos a Veronica de Blake Lively (também em cartaz em “Águas Rasas”) representando a estabilidade emocional necessária para o protagonista. Um dos problemas de “Café Society” é a tentativa de Allen em construir uma fauna generosa de tipos que acaba atropelando e atrapalhando a trama principal, ou seja, a ciranda de amores. Assim, todas as questões envolvendo a máfia nova-iorquina tornam o filme menos interessante, embora se destaquem alguns diálogos afiados, como o fato de o Judaísmo não ter a vida após a morte em seus dogmas, passando, assim, a perder pontos para o Catolicismo. Porém, mesmo com essa irregularidade, o novo trabalho de Allen conta com uma fotografia de Vittorio Storaro tão especial que vale a pena ser destacada como uma das mais importantes dos filmes de Allen dos últimos 20 anos, pelo menos. Conhecido por sua brilhante parceria com Bernardo Bertolucci (em especial, “O Último Imperador”), o veterano diretor de fotografia, vencedor de três Oscars, homenageia os filmes das décadas de 1930-40, especialmente nos close-ups de Kristen Stewart, trazendo uma espécie de véu sobre sua imagem, dando-lhe um ar de semideusa. O belo uso da luz no filme é percebido logo de cara, com tonalidades que variam de cores dessaturadas, em Nova York, para cores mais quentes, nas cenas passadas em Hollywood. “Café Society” é mais uma história sobre como as paixões acabam gerando memórias, ao mesmo tempo agradáveis e dolorosas, além de tornarem as pessoas mais fortes, como acontece com Bobby, depois de ter conhecido Vonnie. O reencontro dos dois em Nova York pode ser visto como o grande momento do filme, bem como as cenas que marcam sua conclusão. Na nova obra agridoce de Allen, não há espaço para um final exatamente feliz, como no adorável e subestimado “Magia ao Luar” (2014), mas um sorriso triste de quem pode se satisfazer com o rumo dos acontecimentos, trazidos por escolhas pessoais. Dependendo do estado do espectador, é possível sair do cinema suspirando e lembrando aquela paixão que marcou sua vida, e este é um feito e tanto para qualquer filme.
Rules Don’t Apply: Trailer mostra Warren Beatty como Howard Hughes
A 20th Century Fox divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Rules Don’t Apply”, filme de Warren Beatty (“Dick Tracy”) sobre o bilionário excêntrico Howard Hughes. A prévia tem um tom mais próximo do humor de “Ave, César!” (2016), dos irmãos Coen, que a seriedade de “O Aviador” (2004), a cinebiografia de Hughes dirigida por Martin Scorsese, centrando sua ação nos bastidores da era de ouro de Hollywood. A maior referência, porém, é lembrar que o roteirista Bo Goldman, que coescreveu a trama com Beatty, já tinha inventado uma aventura fictícia de Hughes na comédia clássica “Melvin e Howard” (1980). Ao contrário do filme de Scorsese, a trama acompanha o bilionário já envelhecido e em papel secundário, destacando o relacionamento entre seu jovem motorista e assessor (Alden Ehrenreich, por sinal de “Ave, César!”) e uma atriz aspirante de seu estúdio (Lily Collins, de “Os Instrumentos Mortais”). O elenco grandioso ainda conta com Matthew Broderick (“Roubo nas Alturas”), Haley Bennett (“O Protetor”), Alec Baldwin (“Missão Impossível: Nação Secreta”), Ed Harris (“Noite sem Fim”), Martin Sheen (“Trash”), Steve Coogan (“Philomena”), Candice Bergen (“O Casamento do Ex”), Taissa Farmiga (série “American Horror Story”), Oliver Platt (série “Chicago Med”), Dabney Coleman (série “Boardwalk Empire”), Paul Sorvino (“Os Bons Companheiros”), Megan Hilty (série “BrainDead”), Amy Madigan (“Medo da Verdade”), Louise Linton (“Cabana do Inferno”) e Annette Bening (“Minhas Mães e Meu Pai”), esposa de Beatty. Em desenvolvimento há muitos anos, “Rules Don’t Apply” é o quinto longa dirigido por Beatty, que já conquistou o Oscar de Melhor Direção com o drama “Reds” (1981). Ele não dirigia desde a comédia “Politicamente Incorreto” (1998) e nem sequer atuava desde “Bonitos, Ricos e Infiéis” (2001). A estreia está marcada para 11 de novembro nos EUA e não há previsão para o lançamento do longa no Brasil.
Primeiro sex symbol de Hollywood, Clara Bow vai virar filme
A vida da atriz Clara Bow vai virar filme. A produtora indie Silver Bullet anunciou ter adquirido os direitos do livro “Clara Bow: Runnin’ Wild”, de David Stenn, e o próprio biógrafo ficou responsável pelo roteiro. A produção está a cargo de David Silver, proprietário da Silver Bullet, e Mike Witherill, produtor de “De Volta ao Jogo” (2014). Ela saiu dos cortiços do Brooklyn e conseguiu escapar a sina de alcoolismo e insanidade de sua família ao ganhar um concurso de talentos aos 16 anos, que premiava com um papel num filme. Ela estreou em Hollywood em 1922 e logo se destacou pela beleza, estrelando diversos clássicos do cinema mudo. Seu maior sucesso foi o filme “O Não Sei Que das Mulheres” (1927), cujo título original, “It”, lhe rendeu o apelido pelo qual entrou para a posteridade: a “it girl” – a garota com um “não sei quê”. Clara também estrelou “Asas” (1927), vencedor da primeira edição do Oscar em 1929, e foi uma das poucas estrelas a conseguir fazer a transição do cinema mudo para o falado nos anos 1930 sem perder público, por isso também era referida, em seu auge, como a “Rainha de Hollywood”. Conhecida por interpretar mulheres espirituosas, ela acabou se resignando, na vida real, a desempenhar o papel de esposa recatada e do lar, abandonando o cinema após se casar com o ator Rex Bell. Clara se aposentou aos 24 anos, com o lançamento de “Lábios de Fogo (1933). Ela teve dois filhos, mas o afastamento de Hollywood a levou à depressão e ao desenvolvimento de fobia social, que culminou numa tentativa de suicídio em 1944. Internada numa clínica, foi diagnosticada como esquizofrênica e tratada à base de eletrochoques, e ao ter alta se recusou a voltar a viver com sua família, passando o resto da vida isolada, até falecer em 1965, aos 60 anos.
Café Society: Nova comédia de Woody Allen terá lançamento antecipado no Brasil
A nova comédia dramática de Woody Allen, “Café Society”, teve sua estreia antecipada em dois meses no Brasil. O filme iria estrear no dia 27 de outubro deste ano, mas o lançamento foi adiantado para 25 de agosto. Ainda assim, chegará mais de um mês depois de passar pelos cinemas americanos, em 15 de julho. Filme de abertura do Festival de Cannes 2016, “Café Society” se passa entre os estúdios da era de ouro de Hollywood e a atmosfera boêmia dos cafés nova-iorquinos dos anos 1930. Na trama, Jesse Eisenberg (“Batman vs. Superman”) vai visitar os parentes em Los Angeles, entre eles um tio produtor de cinema (Steve Carell, de “A Grande Aposta”), que vive num mundo de festas frequentadas por celebridades. O elenco também destaca Kristen Stewart (“Acima das Nuvens”) como a assistente do tio produtor, encarregada de ciceronear o jovem turista, e Blake Lively (“A Incrível História de Adaline”) como uma bela fã de jazz que ele encontra ao retornar a Nova York.
Cannes: Woody Allen traz glamour à abertura do festival
O Festival de Cannes não poderia ter escolhido um filme mais glamouroso para abrir sua 69ª edição. “Café Society” tem a leveza de “Meia-Noite em Paris”, que abriu o evento em 2011. E exibe algumas das imagens mais belas da carreira do diretor Woody Allen, cortesia do veterano cinematógrafo Vittorio Storaro (“O Último Imperador”) e da fotogenia da estrela Kristen Stewart (“Acima das Nuvens”), dois ícones cinematográficos completamente distintos e com quem ele nunca tinha trabalhado antes. Comédia romântica de época, na linha do recente “Magia ao Luar” (2014), “Café Society” traz Jesse Eisenberg (“Batman vs. Superman”) como alterego de Allen. O cineasta já tinha dirigido o ator em “Para Roma, com Amor” (2012) e aproveita o reencontro para projetar no jovem a nostalgia por sua própria juventude, evocando paixões numa Hollywood glamourosa e numa Nova York igualmente retratada sob as luzes da estilização, durante a década de 1930. “Sempre me achei um cara romântico, embora essa opinião não seja necessariamente compartilhada pelas mulheres com quem convivi ao longo da minha vida”, brincou Allen, com seu célebre humor autodepreciativo, durante a entrevista coletiva com a imprensa internacional. “Cresci assistindo a filmes de Hollywood, que tiveram influência sobre mim, e é assim que me vejo. Tendo a ser romântico quando tento fazer filmes de amor. ‘Match Point’, por exemplo, não foi um filme romântico. Quando faço um filme de amor, ele tende a ser como ‘Café Society’, porque é um reflexo da minha formação”, explicou. No filme, Jesse Eisenberg vive Bobby, um jovem judeu de Nova York que, entendiado com os rumos de sua vida, vai tentar um recomeço em Los Angeles, com a ajuda do tio Phil (Steve Carell, de “A Grande Aposta”), poderoso agente de talentos de Hollywood. Mas, ao se apaixonar pela bela Vonnie (Kristen), secretária do tio, parte o coração e decide voltar para a Costa Leste. A experiência com as celebridades continua com seu envolvimento num nightclub frequentado por ricos e famosos, referência ao Café Society do título, que é administrado por seu irmão mafioso (Corey Stoll, de “Homem-Formiga”). Neste novo cenário, ele também conhece a paixão, ao encontrar Veronica (Blake Lively, de “A Incrível História de Adaline”). Entretanto, o romantismo de Woody Allen não é exatamente edulcorado. Ao final, há uma reviravolta melancólica. “Em filmes, tendemos a ver a vida como algo divertido. Mesmo quando vemos marido traindo a mulher, ou cônjuges mantendo relacionamentos misteriosos. Mas, analisando seriamente, tudo isso é muito triste, porque vemos pessoas sendo traídas, tendo casos, destruindo famílias e relacionamentos. Filmes adotam uma perspectiva cômica da crueldade da vida”, ele comentou, a respeito da trama de “Café Society”. “Dá vertigem, porque é como acontece na vida: você sempre pergunta se tomou as decisões corretas”, comentou Kristen Stewart, presente – e platinada! – à entrevista, a respeito da história escrita por Allen. Apesar do tom nostálgico nas lembranças da velha Hollywood e da romantização boêmia de Nova York, a recriação de época de “Café Society” contou com a incorporação de tecnologia de ponta. Pela primeira vez, e com excelentes resultados, Woody Allen trabalhou com câmeras digitais. “Para mim não mudou nada. Tenho ali a câmera e o elenco que precisa ser iluminado. O processo, para mim, é o mesmo que tenho feito com película. O digital oferece mais opções quando o filme está pronto. Mas não comprometi o meu modo de filmar por causa desse detalhe”, ele ponderou. A facilidade que a tecnologia propicia ao trabalho de pós-produção, entretanto, é vital para um cineasta que mantém um ritmo intenso, lançando um filme por ano desde 1982, apesar da idade avançada. “Eu mesmo não acredito que cheguei aos 80 anos!”, comentou Allen, divertindo a imprensa, antes de retomar seu humor mórbido, que continua desconcertante. “Minha mãe morreu com quase 100 anos, meu pai passou disso. Mas um dia, tenho certeza, acordarei pela manhã e terei um derrame, e vou parar em uma cadeira de rodas. Aí as pessoas vão apontar para mim na rua e dizer: ‘Lembra dele? Costumava fazer filmes. Agora ela faz isso (treme a mão, simulando um descontrole motor)’”. Woody Allen já lançou 14 filmes em Cannes, sempre fora de competição, porque não concorda que filmes possam ser comparados e que o trabalho de um cineasta deva ser considerado melhor que o de outro. “Café Society” será distribuído nos EUA com exclusividade pelo Amazon Studios, que pretende realizar um lançamento limitado nos cinemas em julho, antes de disponibilizá-lo na internet. No Brasil, a estreia está marcada apenas para 27 de outubro.
Ave, César é homenagem dos irmãos Coen à velha Hollywood
Os irmãos Coen sempre tiveram um interesse muito grande pela História do Cinema, em especial pelos gêneros clássicos de Hollywood. Eles começaram a carreira fazendo um film noir sujo (“Gosto de Sangue”), seguiram com filmes de gângster (“Ajuste Final”), policial (“Fargo”), musical (“E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?”), western (“Bravura Indômita”), etc. Inclusive, já tinham tratado dos bastidores da indústria cinematográfica dos anos 1940, no delirante “Barton Fink” (1991). “Ave, César!” é praticamente uma síntese dessa obsessão, uma obra em esquetes que procura homenagear vários gêneros, com um registro cômico quase sempre satisfatório, sobre a Hollywood dos anos 1950, considerada a última década da Era de Ouro dos estúdios. O fio que liga as tramas é a história do produtor (Josh Brolin) que precisa manter seus astros na linha, ao mesmo tempo em que recebe uma proposta indecente para mudar de emprego. Entre os astros de seu estúdio estão o protagonista de um épico cristão (George Clooney), que é sequestrado por comunistas, uma diva desbocada de filmes de balé aquático (Scarlett Johansson), um ator de musicais com sapateado (Channing Tatum) e um caubói com pouco talento que integra o elenco de um melodrama (Alden Ehrenreich, que acaba sendo a melhor surpresa do filme). A cena em que Ehrenreich treina como deve dizer uma fala, sob comando do diretor afetado vivido por Ralph Fiennes, é uma das melhores do filme, numa homenagem ao cinema melodramático de Douglas Sirk. A trama também explora a indústria da fofoca (representada pelas jornalistas gêmeas vividas por Tilda Swinton) e a tentativa dos produtores de evitar que certas verdades vazassem para a mídia. Eram tão bem sucedidos no resguardo da intimidade dos astros da época, que pouco se sabia sobre suas verdadeiras orientações sexuais – embora houvesse burburinhos. O problema é que, por ser conduzido por esquetes, “Ave, César” tende à irregularidade e, mesmo se mostrando afiado, nem sempre seu humor resulta engraçado. A impressão é que os Coen fizeram o filme pelo prazer de recriar as cenas (caprichadas) de balé aquático e de coreografia de sapateado (com marinheiros dançando), que homenageiam de maneira explícita a Era de Ouro de Hollywood. São os momentos que enchem os olhos dos cinéfilos. Tão bem feitos que até devem entrar em futuras antologias sobre a história do Cinema.
Café Society: Veja o primeiro trailer do novo filme de Woody Allen
A distribuidora Mars Films divulgou o primeiro trailer de “Café Society”, novo filme de Woody Allen, para o mercado francês, antecipando sua première mundial como filme de abertura do Festival de Cannes 2016. A prévia apresenta a ambientação na Hollywood dos anos 1930, o tom de comédia e a função do personagem de Jesse Eisenberg (“Batman vs. Superman”) como condutor da narrativa. Ele interpreta um jovem que vai visitar os parentes em Los Angeles, entre eles um tio produtor de cinema (Steve Carell, de “A Grande Aposta”), que vive num mundo de festas frequentadas por celebridades. O elenco também destaca Kristen Stewart (“Acima das Nuvens”) como a assistente do tio, encarregada de ciceronear o jovem turista, e Blake Lively (“A Incrível História de Adaline”) como uma bela fã de jazz que ele encontra ao voltar a Nova York. “Café Society” vai estrear nos cinemas franceses junto do Festival de Cannes, em 11 de maio, mas ainda levará alguns meses para chegar a outros países. Ele será distribuído nos EUA com exclusividade pelo Amazon Studios, que pretende realizar um lançamento limitado nos cinemas em julho, antes de disponibilizá-lo na internet. O Amazon também disponibilizou o primeiro pôster da produção, que pode ser conferido logo abaixo. No Brasil, a estreia está marcada apenas para 27 de outubro.
Trumbo lembra histeria anticomunista que afligiu Hollywood
Dalton Trumbo foi um dos mais bem-sucedidos roteiristas da história de Hollywood. Escritor muito talentoso, era capaz de produzir desde histórias banais, com personagens sem sentido, em função de atender às expectativas de lucro fácil dos produtores, a obras elaboradas, sofisticadas, passando por épicos, blockbusters e outros tipos de sucessos populares. Mas filiou-se ao Partido Comunista Americano num período em que, por conta da 2ª Guerra Mundial e suas consequências, muitos acreditavam que poderiam melhorar, transformar o mundo. Ocorre que, no pós-guerra, a paranoia anticomunista atingiu níveis brutais nos Estados Unidos, culminando na Guerra Fria e na política que sustentou as ditaduras da América Latina. Mas tudo começou com um movimento nacional de “caça às bruxas”. A partir de 1947, o chamado Comitê de Atividades Antiamericanas do Congresso dos Estados Unidos voltou sua atenção para Hollywood e pretendeu extirpar de seu meio os que eram denunciados como comunistas. E o fez marcando-os, publicamente, impedindo-os de trabalhar em seu ofício e, em vários casos, encarcerando-os por algum tempo. Foi precisamente o caso do roteirista, cuja história é narrada no filme “Trumbo – A Lista Negra”, dirigido por Jay Roach (“Entrando numa Fria”). O filme procura mostrar quem foi esse personagem, suas relações profissionais e familiares, suas crenças e, sobretudo, a luta que travou para poder trabalhar e viver, dando trabalho a outros talentosos escritores banidos, além de seu permanente combate pelo fim da lista negra. Por mais de uma década, ele atuou clandestinamente, sem poder assinar seus roteiros e, ironicamente, venceu o Oscar por duas vezes, com os filmes “A Princesa e o Plebeu” (1953) e “Arenas Sangrentas” (1957), impedido de aparecer para receber o prêmio, que não estava em seu nome. Só a partir de “Spartacus”, dirigido por Stanley Kubrick, e por iniciativa do ator Kirk Douglas, seu nome pôde voltar a figurar nos créditos. No mesmo ano, em 1960, ele também assinou “Êxodus”, dirigido por Otto Preminger, e a abominável lista caiu por terra. Não está no filme, que vai até 1970, mas um dos mais importantes trabalhos de Dalton Trumbo no cinema foi a adaptação de sua obra literária “Johnny Vai À Guerra”, de 1939, que ele mesmo dirigiu em 1971. Vale a pena complementar a sessão, pois se trata de um dos mais importantes filmes sobre guerra já feitos. “Trumbo – A Lista Negra” funde cenas dos filmes originais à filmagens feitas agora, tanto em preto e branco como a cores, de um modo muito eficiente. Tem atuações marcantes do trio central de atores: Bryan Cranston (série “Breaking Bad”), como Trumbo (indicado ao Oscar pelo papel), Diane Lane (“O Homem de Aço”), como sua mulher, Cleo Trumbo, e a vilã da história, representada pela personagem Hedda Hopper, ex-atriz do cinema mudo e colunista de sucesso, que combateu ferozmente os chamados traidores comunistas de Hollywood. O papel coube à grande Helen Mirren (“A Dama Dourada”), que faz a vilã em um figurino excêntrico, com um chapéu diferente a cada cena, cada um mais extravagante do que o outro. E roupas de igual teor. O figurino e a caracterização de época são outro ponto alto do filme, por sinal. E seu senso de humor, também. Trata-se, no entanto, de um filme político e muito atual. A paranoia anticomunista continua por aí, travestida de outros nomes, às vezes. Mas nada mudou, essencialmente. As práticas políticas se repetem à exaustão, incluindo o ódio e a intolerância, simplistas e grosseiros, que fizeram parte do legado do período macartista da caça às bruxas, quando Dalton Trumbo realizava seu trabalho, com muito esforço e dedicação, em Hollywood.
Ave, César: Trailer destaca o humor da nova comédia dos irmãos Coen
A Universal Pictures divulgou um novo trailer de “Ave, César!”, comédia dos irmãos Coen (“Inside Llewyn Davis”) que vai abrir o Festival de Berlim. A prévia evidencia o humor da trama, passada nos bastidores da Era de Ouro de Hollywood, ao destacar o embate entre um diretor (vivido por Ralph Fiennes, de “O Grande Hotel Budapeste”) e um astro de cinema (Alden Ehrenreich, de “Dezesseis Luas”), que insiste em interpretar seu papel refinado com sotaque caipira. A trama gira em torno do sequestro de outro astro, vivido por George Clooney (“Gravidade”), que leva um grande estúdio a contratar o personagem de Josh Brolin (“Homens de Preto 3”), especialista em fazer os problemas das estrelas desaparecerem. O elenco também inclui Scarlett Johanson (“Os Vingadores”), Channing Tatum (“Anjos da Lei”), Tilda Swinton (“Expresso do Amanhã”), Jonah Hill (“O Lobo de Wall Street”), Frances McDormand (minissérie “Olive Kitteridge”), Dolph Lundgren (“Os Mercenários”) e Christopher Lambert (“Highlander”). “Ave, César!” chega aos cinemas brasileiros em 10 de março, mais de um mês após a estreia nos EUA.











