Artemis Fowl: “Harry Potter” da Disney não será mais lançado no cinema
A pandemia de coronavírus rendeu o primeiro cancelamento oficial de uma estreia de cinema. A Disney abandonou os planos de lançamento de “Artemis Fowl: O Mundo Secreto”, previsto para maio. O filme não foi apenas adiado, mas completamente descartado na nova programação do estúdio, anunciada nesta sexta (3/4). A superprodução não seguirá mais para o circuito cinematográfico, sendo disponibilizada diretamente na plataforma Disney+ (Disney Plus). Fantasia juvenil baseada nos livros de Eoin Colfer, Artemis Fowl: O Mundo Secreto” era considerado uma espécie de “Harry Potter” da Disney. Mais que o protagonista com a idade do bruxinho e a trama envolvendo criaturas mágicas, a conexão se estendia até ao roteirista Michael Goldenberg, que escreveu a versão cinematográfica de “Harry Potter e a Ordem da Fênix” (2007). Além disso, como a saga de J.K. Rowling, “Artemis Fowl” também é uma franquia literária juvenil, que conta com 8 volumes. Mas as comparações ficam nisso, já que o personagem está mais para Tom Riddle (o jovem Voldemort) que Harry Potter – ainda que eventualmente vire um “malvado favorito”. A história filmada pela Disney apresenta a “origem” da saga, mas o trailer que chegou a ser divulgado atenuou várias características do personagem, um menino de 12 anos que é milionário e também gênio do crime. Artemis é herdeiro da família de criminosos Fowl, tem o maior Q.I. da Europa, uma frieza perceptível e usa sua inteligência fora do comum para fins muito pouco nobres. No livro, ele enfrenta sérios problemas quando sequestra uma fada, com o objetivo de usar sua mágica para salvar seu pai, aprisionado por um inimigo misterioso. O elenco grandioso atestava a ambição da Disney em relação à franquia, ao incluir Colin Farrell (“Dumbo”), Josh Gad (“A Bela e a Fera”), Nonso Anozie (série “Zoo”), Hong Chau (“Pequena Grande Vida”), Miranda Raison (“Assassinato no Expresso do Oriente”), Judi Dench (“Cats”), Lara McDonnell (“Simplesmente Acontece”) e o estreante Ferdia Shaw no papel-título. Ele é neto do falecido Robert Shaw, até hoje lembrado pelo papel de Quint no clássico “Tubarão” (1975). Em desenvolvimento desde 2013, a produção do filme envolveu um curioso drama de bastidores, já que quase voltou a juntar a Disney com o produtor Harvey Weinstein, condenado por crimes sexuais. Foi Weinstein quem viu o potencial de “Artemis Fowl”, negociando os direitos dos livros em 2001, quando ainda estava à frente da Miramax, empresa financiada pela Disney. Em 2005, a Disney optou por não renovar sua parceria com os irmãos Harvey e Bob Weinstein, comprando a companhia para dispensá-los – a Miramax acabou vendida mais tarde por US$ 650 milhões para um empresário árabe. Mas uma cláusula contratual assegurava a Harvey que, se um filme de “Artemis Fowl” fosse realizado pela Disney, ele teria direito à participação como produtor. Kenneth Branagh (“Assassinato no Expresso do Oriente”) foi contratado para dirigir o longa em 2015. Mas de lá para cá Weinstein caiu em desgraça, envolvido num escândalo de abuso sexual que lhe fez ser demitido da sua própria empresa, The Weinstein Company, e banido de Hollywood, até ir parar na cadeia. Logo que a polêmica estourou, a Disney aproveitou para eliminá-lo do negócio. Mas os demais parceiros do projeto permaneceram, entre eles o ator Robert De Niro (“O Lado Bom da Vida”) e sua sócia na Tribeca Films Jane Rosenthal. Foram De Niro e Rosenthal que apresentaram o livro a Weinstein e o envolveram na adaptação há 17 anos. Após tantas reviravoltas, o filme orçado em US$ 125 milhões vai sair diretamente em streaming, tornando-se a produção mais cara já realizada para a plataforma Disney+ (Disney Plus). Veja abaixo o trailer feito pela Disney quando os planos ainda previam lançamento cinematográfico.
Harvey Weinstein teria contraído covid-19 na prisão
O ex-produtor Harvey Weinstein, condenado a 23 de anos de prisão por estupro e assédio sexual, teria testado positivo para a covid-19. Poucos dias depois de ser transferido para o Wende Correctional Facility de Rikers Island, em Nova York, ele está agora em isolamento médico, segundo uma fonte do site Deadline, descrita como autoridade policial. Sob a política de que “não podem comentar o registro médico de um indivíduo”, os representantes do departamento responsável pelas prisões do estado de Nova York não responderam ao pedido de confirmação direta. “Nossa equipe … ainda não ouviu nada assim”, também disse o chefe de relações públicas de Weinstein, Juda Engelmayer, no domingo (22/3). “Não sei dizer o que não sei”, acrescentou. Transferido para Wende em 18 de março, Weinstein, que recentemente completou 68 anos de idade, e outro prisioneiro da unidade de segurança máxima, com capacidade para 961 detentos, teriam sido postos em isolamento após testes positivos para o coronavírus. A mudança para Wende, após Weinstein passar seus primeiros dias presos em Rikers Island, foi um pedido da defesa do ex-produtor, que alegou que a nova unidade carcerária tem mais condições para lidar com seus problemas de saúde.
Harvey Weinstein é condenado a 23 anos de prisão
O ex-produtor de cinema Harvey Westein foi sentenciado nesta quarta (11/3) a 23 anos de prisão, após ser considerado culpado de dois casos de estupro e assédio sexual. Weinstein foi à corte em Nova York, à frente do juiz James Burke — que anunciou a sentença — e falou durante a audiência de hoje. Em tom baixo, disse estar confuso quanto às acusações e afirmou ter remorso pelas mulheres. “Eu tenho um grande remorso por todas vocês. Eu tenho grande remorso por todas as mulheres”, afirmou Weinstein. Entretanto, afirmou que acreditava ter uma “amizade séria” com Miriam Haley e Jessica Mann, suas vítimas. Ele segue negando os abusos e diz que fez sexo consensual com elas. “Não vou dizer que elas não sejam grandes pessoas. Eu tive tempos ótimos com essas pessoas. Estou genuinamente confuso. Homens estão confusos com essa situação”, afirmou ele. Weinstein foi condenado por um estupro em um hotel de Nova York ocorrido em 2013 e por ter forçado outra mulher a fazer sexo oral nele, em seu apartamento, em 2006. Embora a condenação tenha sido sobre esses dois casos, Weinstein também ficou “confuso” com cerca de outra centena de mulheres, que o denunciaram nas redes sociais, dando início ao movimento #MeToo. Por décadas, ele se aproveitou de jovens atrizes, algumas que ficaram, inclusive, bastante famosas, e exerceu seu poder financeiro e de influência social para manter o histórico de abusos em segredo, até que duas reportagens do final de 2017 acabaram com o sigilo, trazendo toda a obscenidade à tona. Quando a verdade se tornou conhecida, 36 mulheres apresentaram acusações contra Weinstein, porém a maioria esmagadora não pôde ser levada à justiça, devido à prescrição, e apenas os dois casos recentes foram julgados em Nova York. Além dessa condenação, Weinstein também deve enfrentar outro julgamento, por casos acontecidos em Los Angeles, que pode aumentar ainda mais sua pena. Diante do destino do ex-produtor, sua advogada Donna Rotunno considerou a pena “obscena”. “A sentença que acabou de ser proferida por este tribunal foi obscena. Estou com muita raiva por esse número (de anos de prisão). Eu acho que esse número é um número covarde para dar”, disse Rotunno. “Tem assassinos que vão sair da prisão em menos tempo que Harvey Weinstein”, completou. Além dos 23 anos, a sentença de Weinstein ainda proferiu que, após ser libertado, ele passará mais cinco sob supervisão da Justiça norte-americana. A advogada queria pena mínima, de cinco anos. Mas ele poderia ter sido condenado à prisão perpétua, caso também fosse considerado culpado das acusações de ser um predador sexual, os delitos mais graves no processo. Apesar do vasto histórico, não houve consenso entre o júri sobre a denúncia de abusos em série, apenas sobre os casos julgados. Em seu pronunciamento final, o promotor Cyrus Vance Jr agradeceu às vítimas por contaram suas histórias no tribunal. “Agradecemos às sobreviventes por suas notáveis declarações e coragem indescritível nos últimos dois anos. Harvey Weinstein empregou nada menos que um exército de espiões para mantê-las caladas. Mas elas se recusaram a ficar caladas e foram ouvidas. Suas palavras derrubaram um predador e o colocaram atrás das grades, e deram esperança aos sobreviventes de violência sexual em todo o mundo”, declarou. Já a defesa pediu ao juiz para aplicar a pena mínima, porque Weinstein é um profissional bem-sucedido que ganhou dezenas de Oscars. “Sua história de vida, suas conquistas, suas lutas são simplesmente notáveis e não devem ser ignoradas, devido ao veredicto do júri”, alegou. Pai de cinco filhos, o ex-produtor de cinema está com a saúde abalada desde o início do julgamento. Além de ter comparecido ao tribunal de muletas, quando recebeu o veredito de culpado sentiu palpitações e dores no peito, foi levado para um hospital e acabou submetido a uma cirurgia cardíaca de emergência. Para sua advogada a longa sentença contra ele equivale a uma sentença de morte.
Harvey Weinstein chegou a desejar morte de Jennifer Aniston em email
De acordo com documentos do julgamento de Harvey Weinstein obtidos pela equipe da revista Variety, o ex-produtor, condenado por abuso sexual e estupro, teria desejado a morte de Jennifer Aniston em 2017. Em 31 de outubro daquele ano, pouco depois do surgimento das primeiras reportagens sobre a rotina de assédio, abusos e até estupros de Weinstein, uma jornalista da revista National Enquirer quis saber o que ele tinha a dizer sobre alegações de que teria apalpado o corpo de Aniston — acusação não confirmada pelos representantes legais da atriz. Sua resposta, em email enviado ao jornal, foi curta: “Jen Aniston deveria ser morta”. Os emails foram obtidos e revisados pela revista Variety nesta terça (11/3), no tribunal de Nova York, nos Estados Unidos. O processo movido contra Weinstein possui mais de mil páginas de documentos.
Artemis Fowl: “Harry Potter” da Disney ganha novo trailer legendado
A Disney divulgou um novo pôster e o segundo trailer legendado de “Artemis Fowl: O Mundo Secreto”, fantasia baseada nos livros de Eoin Colfer, que tem muito em comum com “Harry Potter”. Mais que o protagonista com a idade do bruxinho e a ação envolvendo criaturas mágicas, a conexão se estende até ao roteirista Michael Goldenberg, que escreveu a versão cinematográfica de “Harry Potter e a Ordem da Fênix” (2007). Além disso, assim como a saga de J.K. Rowling, “Artemis Fowl” também é uma franquia literária juvenil, que conta com 8 volumes. Mas o personagem está mais para Tom Riddle (o jovem Voldemort) que Harry Potter – ainda que eventualmente vire um “malvado favorito”. A história do filme apresenta a “origem” da saga, mas a prévia atenua várias características do personagem, um menino de 12 anos que é milionário e também gênio do crime. Ele é o único herdeiro da família Fowl, tem o maior Q.I. da Europa, uma frieza perceptível e usa sua inteligência fora do comum para fins muito pouco nobres. No livro, ele enfrenta sérios problemas quando sequestra uma fada, com o objetivo de usar sua mágica para salvar sua família. Entretanto, o trailer sugere que ele é um herói que herda do pai a missão de salvar o mundo de criaturas mágicas, e sua ação é motivada pelo nobre motivo de libertar o pai, sequestrado por um inimigo misterioso. O elenco inclui Colin Farrell (“Dumbo”) como o pai Josh Gad (“A Bela e a Fera”), Nonso Anozie (série “Zoo”), Hong Chau (“Pequena Grande Vida”), Miranda Raison (“Assassinato no Expresso do Oriente”), Judi Dench (“007: Operação Skyfall”), Lara McDonnell (“Simplesmente Acontece”) e o estreante Ferdia Shaw no papel-título. Ele é neto do falecido Robert Shaw, até hoje lembrado pelo papel de Quint no clássico “Tubarão” (1975). Em desenvolvimento desde 2013, a produção do filme envolve um curioso drama de bastidores, já que quase voltou a juntar a Disney com o produtor Harvey Weinstein. Foi Weinstein quem viu o potencial de “Artemis Fowl”, negociando os direitos dos livros em 2001, quando ainda estava à frente da Miramax, empresa financiada pela Disney. Em 2005, a Disney optou por não renovar sua parceria com os irmãos Harvey e Bob Weinstein, comprando a companhia para dispensá-los – a Miramax acabou vendida mais tarde por US$ 650 milhões para uma empresa árabe. Mas uma cláusula contratual assegurava a Harvey que, se um filme de “Artemis Fowl” fosse realizado pela Disney, ele teria direito à participação como produtor. Kenneth Branagh (“Assassinato no Expresso do Oriente”) foi contratado para dirigir o longa em 2015. Mas de lá para cá Weinstein caiu em desgraça, envolvido num escândalo de abuso sexual que lhe fez ser demitido da sua própria empresa, The Weinstein Company, e banido de Hollywood. A Disney aproveitou para eliminá-lo do negócio. Mas os demais parceiros do projeto permaneceram, entre eles o ator Robert De Niro (“O Lado Bom da Vida”) e sua sócia na Tribeca Films Jane Rosenthal. Foram De Niro e Rosenthal que apresentaram o livro a Weinstein e o envolveram na adaptação há 17 anos. Após tantas reviravoltas, o filme finalmente deve estrear em maio no Brasil e nos Estados Unidos. Atualização: os planos mudaram.
Porta-voz de Bill Cosby defende Harvey Weinstein de julgamento injusto e parcial
Condenado por estupro e agressão sexual na segunda-feira (24/2), o produtor de cinema Harvey Weinstein recebeu apoio de outro colega famoso na mesma situação, o ator americano Bill Cosby. Usando as redes sociais de Cosby, uma porta-voz do ator, Andrew Wyatt, defendeu Weinstein, dizendo que o dia foi “muito triste” para o sistema judicial americano. “Não há como alguém acreditar que Weinstein iria receber um julgamento justo e imparcial.” Para justificar esse entendimento, ele cita que os jurados não ficaram isolados e, portanto, tiveram acesso à cobertura da imprensa e aos “sentimentos da opinião pública” sobre o assunto. “Aqui está a pergunta que deve assombrar todos os americanos, especialmente homens ricos e famosos. Para onde vamos neste país para encontrar justiça e imparcialidade no sistema judicial; e para onde vamos neste país para encontrar o devido processo legal?” Cosby foi condenado em 2018 por agredir sexualmente uma mulher. A sentença garante que ele não passará menos de três anos atrás das grades antes que se torne elegível para liberdade condicional supervisionada, embora possa ficar na prisão por até uma década. Ele foi a primeira celebridade condenada por abuso sexual desde o início do movimento #MeToo, deflagrado após os ataques de Weinstein a atrizes, modelos e assistentes se tornarem públicos no fim de 2017. Desde então, vários homens poderosos do entretenimento, da política e de outros campos perderam empregos e foram processados por assédio e coisas piores. Ver essa foto no Instagram Official Statement From Andrew Wyatt Regarding The Verdict Of Harvey Weinstein: This is not shocking because these jurors were not sequestered, which gave them access to media coverage and the sentiments of public opinion. There’s no way you would have anyone believe that Mr. Weinstein was going to receive a fair and impartial trial. Also, this judge showed that he wanted a conviction by sending the jurors back to deliberate, after they were hung on many of the counts. Here’s the question that should haunt all Americans, especially wealthy and famous men…Where do we go in this country to find fairness and impartiality in the judicial system; and where do we go in this country to find Due Process? Lastly, if the #metoo movement isn’t just about Becky [White women], I would challenge #metoo and ask them to go back 400+ years and tarnish the names of those oppressors that raped slaves. This is a very sad day in the American Judicial System. #FreeBillCosby #FarFromFinished #DueProcess #JusticeReform Uma publicação compartilhada por Bill Cosby (@billcosby) em 24 de Fev, 2020 às 11:17 PST
Vítimas famosas de Weinstein comemoram condenação do produtor nas redes sociais
Diversas atrizes que denunciaram o produtor Harvey Weinstein por abuso sexual comemoraram a decisão do juri que o condenou por estupro e agressão sexual nesta segunda (24/2) em Nova York. “Harvey Weinstein é agora um estuprador condenado. Duas sobreviventes choram e comemoram”, escreveu a atriz Asia Argento em seu Instagram. Ela foi a primeira mulher a revelar publicamente ter sido estuprada pelo ex-dono dos estúdios The Weinstein Company, Dimension e Miramax, durante reportagem histórica da revista New Yorker em outubro de 2017, poucos dias após Ashley Judd contar ter sido assediada violentamente por Weinstein na denúncia do jornal New York Times que deu início ao movimento #MeToo. Ashley Judd também se manifestou, agradecendo às mulheres que testemunharam no caso “e atravessaram um inferno traumático”. “Vocês prestaram um serviço público a meninas e mulheres em todos os lugares. Obrigada”, postou no Twitter. Ela foi ecoada por Rose McGowan, igualmente citada na primeira denúncia pública contra Weinstein. “Tenho orgulho das mulheres corajosas que testemunharam e que mataram um monstro na terra. Obrigado ao promotor e júri que não disse basta. Obrigado ao público por examinar as coisas mais profundamente. Posso finalmente expirar”, escreveu. A atriz Rosanna Arquette, outra vítima de Weinstein, postou o print de uma notícia na TV, falando da condenação. Ela acusou o ex-produtor de tentativa de abuso sexual nos anos 1990. A condenação de Weinstein encerra a história aterradora de assédio e violações do ex-todo poderoso de Hollywood, que atravessou décadas atacando jovens atrizes com o subterfúgio de realizar reuniões em seu hotel sobre projetos de cinema. Exercendo sua enorme fortuna e influência para calar as vítimas, Weinstein agiu com impunidade desde os anos 1980, e aquelas que denunciaram seu comportamento no departamento de recursos humanos de suas companhias tiveram a carreira prejudicada por ordens do produtor. Recentemente, o diretor Peter Jackson confirmou que Weinstein difamou Ashley Judd e Mira Sorvino para vetar a escalação delas em sua trilogia “O Senhor dos Anéis”. Mira Sorvino também se manifestou. “Nós, as rompedoras do silêncios, as mulheres a quem Harvey Weinstein causou danos irreparáveis – ao nosso corpo, nossa psique, nossa carreira e sensação de bem-estar – , sabemos a verdade. Harvey fez tudo o que foi acusado várias vezes”. Como a maioria dos ataques aconteceu há muito tempo, nenhuma das atrizes prejudicadas conseguiu levar Weinstein à Justiça. Entretanto, Miriam Haley, uma ex-assistente de produção de Weinstein, e a atriz Jessica Mann foram vítimas mais recentes e conseguiram levar seus denúncias à julgamento, que rendeu a condenação do produtor nesta segunda. Apesar de sua denúncia ter prescrito, a atriz Annabella Sciorra compareceu ao julgamento como testemunha da acusação, detalhando o estupro violento que sofreu nas mãos do produtor. “Falei por mim e com a força das mais de 80 vítimas de Harvey Weinstein em meu coração”, disse ela, em comunicado divulgado após a decisão do júri. Weinstein será sentenciado em 11 de março e pode enfrentar penas que variam de 5 a 25 anos pela condenação por agressão sexual e 18 meses a 4 anos pela condenação por estupro. For the women who testified in this case, and walked through traumatic hell, you did a public service to girls and women everywhere, thank you.#ConvictWeinstein #Guilty — ashley judd (@AshleyJudd) February 24, 2020 I'm proud of the brave women who testified, they have taken out a monster on earth. Thank you to the prosecutor & jury who said not one more. Thank you to the public for examining things more deeply. I can finally exhale — rose mcgowan (@rosemcgowan) February 24, 2020 We the Silence Breakers, we the women to whom Harvey Weinstein did irreparable harm to our bodies, our psyches, our careers and sense of well-being, we know the truth. Harvey did everything he has been accused of many times over.Don’t believe his minions.GUILTY #ConvictWeinstein — Mira Sorvino (@MiraSorvino) February 19, 2020 Ver essa foto no Instagram Harvey Weinstein is now a convicted rapist. Two survivors cry and and celebrate. Thank you God. Thank you to all the brave women. Thank you to the judge and jury in NYC — @samyliscious — this one goes out to you Anthony ❤️ Uma publicação compartilhada por asiaargento (@asiaargento) em 24 de Fev, 2020 às 9:13 PST Ver essa foto no Instagram ⚔️⛓ *CAPTION THIS* ⚔️ ⛓ #HarveryWeinstein #Swinestein #serialrapistconvicted #justice #believewomen ✊🏼 Uma publicação compartilhada por asiaargento (@asiaargento) em 24 de Fev, 2020 às 12:51 PST Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Ro (@rosannaarquette) em 24 de Fev, 2020 às 8:47 PST
Harvey Weinstein é considerado culpado por agressão sexual e estupro
O produtor Harvey Weinstein foi considerado culpado nesta segunda (24/2) por agressão sexual e estupro, em seu julgamento em Nova York. Entretanto, o júri o absolveu de duas acusações de agressão sexual predatória, que poderiam levá-lo à prisão perpétua. Ele será sentenciado em 11 de março e pode enfrentar penas que variam de 5 a 25 anos de prisão pela condenação por agressão sexual e 18 meses a 4 anos pela condenação por estupro. As penas são somadas. O julgamento midiático durou seis semanas e os jurados levaram quatro dias para tomar uma decisão depois de ouvir seis mulheres que forneceram relatos de como Weinstein, um dos produtores mais poderosas de Hollywood durante décadas, usou seu poder e influência para coagi-las a ter encontros sexuais não consensuais com ele. O caso foi considerado por muitos como um momento crucial no movimento #MeToo. O júri condenou Weinstein por ato sexual criminoso em primeiro grau por praticar sexo oral à força em Miriam Haley, uma ex-assistente de produção, e por estupro de terceiro grau no caso da atriz Jessica Mann. Mann, cujas acusações eram centrais no caso, deu um testemunho forte sobre como Weinstein forçou sexo oral, a estuprou e a manipulou para manter um relacionamento degradante, que incluía querer filmá-la fazendo sexo e urinar nela. A promotora Joan Illuzzi-Orbon disse que Weinstein era o “mestre de seu universo”, que tratava as mulheres em sua esfera de poder como “descartáveis” que não reclamavam quando eram “pisadas, cuspidas, desmoralizadas e estuprada e abusadas” pelo outrora poderoso magnata de Hollywood. A acusação também trouxe como testemunha a atriz Annabella Sciorra (“Rainhas do Crime”), que disse sob juramento ter sido estuprada pelo ex-produtor de Hollywood no começo dos anos 1990. Como foi há mais de duas décadas, o caso prescreveu e não poderia ser julgado, mas ela se dispôs a narrar para o júri o que sofreu para demonstrar que o caso das vítimas atuais não era isolado. Seu depoimento foi corroborado pela colega Rosie Perez (“Aves de Rapina”), que confirmou aos jurados que Sciorra lhe contou na época os mesmos detalhes sobre a violência, incluindo que Weinstein havia prendido as mãos dela acima de sua cabeça enquanto a estuprava. Os advogados de Weinstein tentaram convencer os jurados de que foram as mulheres que manipularam ele para ascender profissionalmente e que seus encontros sexuais com ele eram consensuais. A equipe de defesa também tentou desmoralizar os depoimentos das vítimas, questionando as mulheres sobre suas memórias, suas escolhas de vida, suas aparências e suas escolhas de não denunciar a agressão sexual à polícia na época em que aconteceram.
Rosie Perez confirma violência de Harvey Weinstein contra Annabella Sciorra
A atriz Rosie Perez (do vindouro “Aves de Rapina”) depôs no julgamento por estupro contra Harvey Weinstein na sexta-feira (24/1) para corroborar o relato da amiga e colega Annabella Sciorra (“Rainhas do Crime”), que alega ter sido estuprada pelo ex-produtor de Hollywood no começo dos anos 1990. Sciorra depôs na quinta-feira que Weinstein a havia agredido sexualmente mais de 25 anos atrás. E Perez confirmou aos jurados que Sciorra lhe contou na época os mesmos detalhes sobre a violência, incluindo que Weinstein havia prendido as mãos dela acima de sua cabeça enquanto a estuprava. O atual julgamento de Weinstein é sobre outros dois casos de violência sexual, praticados contra Mimi Haleyi e Jessica Mann, porque a maioria das cerca de 80 denúncias contra ele prescreveu, inclusive o ataque à Annabella Sciorra. Os depoimentos, porém, foram convocados pela promotoria de Nova York para demonstrar um padrão de comportamento de predador sexual. Weinstein nega qualquer sexo sem consentimento, dizendo que todas as mulheres com quem teve relações fizeram sexo porque quiseram ou pretendiam ganhar algo em troca. Caso fique demonstrado que é um predador sexual, ele pode ser condenado à prisão perpétua.
Annabella Sciorra revela detalhes da violência de Harvey Weinstein em julgamento
A atriz Annabella Sciorra descreveu nesta quinta-feira (23/1), durante seu testemunho no julgamento de Harvey Weinstein, em Nova York, detalhes do estupro violento que sofreu do produtor de cinema. Segundo a atriz, ela foi imobilizada e forçada a ter relações sexuais com Weinstein. “Ele teve relações sexuais comigo enquanto eu tentava lutar, até que eu não pude mais lutar porque ele prendeu minhas mãos”, disse ao júri. Sciorra contou que Weinstein lhe deu carona e forçou sua entrada no apartamento dela em 1993. “Ele continuou vindo para cima de mim e eu me senti muito dominada porque ele era muito grande”, contou. “Ele me levou para o quarto e me empurrou na cama. Eu não posso te dizer exatamente quando suas calças caíram ou exatamente o que aconteceu. Eu não acho que a camisa dele já tenha saído completamente… Enquanto eu tentava tirá-lo de cima de mim – eu estava dando um soco nele, eu estava chutando ele – e ele pegou minhas mãos e as colocou sobre minha cabeça, ele colocou minhas mãos sobre minha cabeça para prendê-las e me imobilizar, e ele subiu em cima de mim e me estuprou”. A promotora-adjunta Meghan Hast explicou que Sciorra ficou em choque e com muito medo de chamar a polícia. “Ele a deixou física e emocionalmente arrasada, desmaiada no chão”, contou a procuradora. Esta história só veio à tona recentemente, quando a atriz aceitou abordar a violência sofrida em outubro de 2017, numa reportagem do jornalista Ronan Farrow para a revista The New Yorker. Poucos dias antes, o jornal The New York Times tinha publicado o primeiro artigo sobre as dezenas de assédios e abusos cometidos impunemente por Weinstein em quase quatro décadas. Desde a publicação dessas denúncias, mais de 80 mulheres acusaram Weinstein por assédio, agressão sexual ou estupro, dando origem ao movimento #MeToo. No entanto, a maioria dos crimes prescreveu e Weinstein está julgado por supostos ataques recentes contra duas mulheres, Mimi Haleyi e Jessica Mann. Embora não possa ser julgado pelo estupro de Sciorra, a atriz foi convidada a dar seu depoimento para ajudar a acusação a estabelecer que Weinstein é um predador em série. O produtor de 67 anos se declarou inocente das acusações. Ele alega que todos os seus encontros sexuais com mulheres foram consensuais. Durante o depoimento de Sciorra, as atrizes Ellen Barkin, Mira Sorvino e Rosanna Arquette enviaram mensagens de apoio para a colega, via Twitter. Barkin chegou a ir ao tribunal.
The Assistant: Filme inspirado nas denúncias contra Harvey Weinstein ganha primeiro trailer
O estúdio indie Bleecker Street divulgou o pôster e o primeiro trailer de “The Assistant”, um drama sobre os bastidores burocráticos da indústria do entretenimento, inspirado pelas denúncias de assédio contra Harvey Weinstein e outros abusos cometidos por vários executivos poderosos, que perderam o emprego após acusações de vítimas e funcionárias. Apesar de ter sido originalmente apresentado como a dramatização do cotidiano de uma assistente de Weinstein, o executivo retratado não é nomeado no filme. Os abusos também são apresentados de forma velada, por meio de detalhes observados pela assistente do título. A prévia explora muito bem o clima de desgosto da protagonista, que testemunha situações constrangedoras e se vê forçada a comprometer seus princípios para não perder o emprego, enquanto os colegas de trabalho acham tudo que a incomoda perfeitamente normal naquele ambiente. Escrito e dirigido pela documentarista Kitty Green (“Quem é JonBenet”) em sua estreia na ficção, “The Assistant” é estrelado por Julia Garner (vencedora do Emmy por “Ozark”) e ainda traz em seu elenco os atores Matthew Macfadyen (“Succession”), Kristine Froseth (“The Society”), Dagmara Dominczyk (também de “Succession”), Makenzie Leigh (“The Slap”), Noah Robbins (“Unbreakable Kimmy Schmidt”) e Jon Orsini (“Minha Vida dava um Filme”). A estreia está marcada para 31 de janeiro nos Estados Unidos, mas ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
Woody Allen lembra carreira sem acusações de assédio e pagamentos igualitários para atrizes
O cineasta Woody Allen voltou a se defender dos ataques de militantes do movimento #MeToo em entrevista ao canal francês France24, destacando que poderia ser citado como um exemplo positivo na relação entre diretores e atrizes da indústria cinematográfica dos Estados Unidos. Ele lembrou que nunca enfrentou problemas com nenhuma atriz com quem trabalhou, em meio século de carreira. Além disso, nunca distinguiu entre homens e mulheres na hora de pagar os cachês pelos papéis em seus filmes. “Eu trabalhei com centenas de atrizes e nenhuma delas se queixou de mim, nem uma única reclamação. Eu trabalho com mulheres há anos e sempre pagamos a elas exatamente o mesmo que pagamos aos homens”, afirmou ele. “Fiz tudo o que o movimento #MeToo gostaria de alcançar.” A declaração foi feita poucos dias após Scarlett Johansson romper o piquete virtual do movimento #MeToo para defender o cineasta, com quem trabalhou em três filmes, numa entrevista de capa para a revista The Hollywood Reporter, dizendo que acreditava em Woody Allen e voltaria a atuar para ele “a qualquer momento”. A polêmica que cerca o diretor se deve à denúncia de sua filha, Dylan Farrow, de que ele a teria molestado quando tinha um relacionamento com sua mãe, a atriz Mia Farrow. As acusações não são novas, mas ganharam mais força após Dylan aproveitar o movimento #MeToo para desenterrar suas denúncias, reafirmando ter sido molestada quando criança por Allen, em 1992. Allen sempre negou tudo, creditando a acusação à lavagem cerebral promovida pela mãe da jovem, Mia Farrow, desde a infância. Outro de seus filhos, Moses Farrow, confirma a versão de Allen, que não foi condenado quando o caso foi levado a tribunal em 1990, durante a disputa da guarda das crianças. A denúncia, porém, fez com que perdesse a guarda dos filhos, objetivo de Mia Farrow. O diretor disse ainda que as consequências das acusações não afetaram seus planos de vida e ele não teme ser “cancelado” em Hollywood. “Eu não poderia me importar menos. Eu nunca trabalhei em Hollywood. Eu sempre trabalhei em Nova York e isso não importa para mim. Se amanhã ninguém financiar meus filmes, minhas peças de teatro ou ninguém publicar meus livros, eu ainda me levantaria e escreveria, porque é isso que faço. Então eu sempre vou trabalhar. O que acontece comercialmente é outra questão”, afirmou. O cineasta ainda informou que já terminou de rodar seu novo filme na Espanha e está atualmente escrevendo o próximo. Veja abaixo o vídeo da entrevista, que ainda destaca a estreia de “Um Dia de Chuva em Nova York” nos cinemas franceses. O longa, que teve seu lançamento cancelado nos Estados Unidos pela Amazon, devido ao ressurgimento das acusações de 1992, vai chegar ao Brasil em dezembro.
Scarlett Johansson apoia Woody Allen contra denúncias de abuso da filha
A atriz Scarlett Johansson rompeu o piquete virtual do movimento #MeToo para defender o cineasta Woody Allen em entrevista de capa da revista The Hollywood Reporter. Estrela de três filmes do cineasta nos anos 2000, ela disse acreditar na inocência do diretor em relação à denúncia da filha, Dylan Farrow, de que ele a teria molestado quando tinha um relacionamento com sua mãe, a atriz Mia Farrow. Johansson trabalhou com Allen em “Match Point” (2005), “Scoop – O Grande Furo” (2006) e “Vicky Cristina Barcelona” (2008), numa fase criativa que representou o renascimento da carreira do diretor em contato com paisagens europeias. “Eu amo Woody. Eu acredito nele e trabalharia com ele a qualquer momento”, declarou a estrela. “Eu vejo Woody sempre que posso, e tive conversas com ele sobre isso. Eu fui muito direta com ele, e ele foi muito direto comigo. Ele mantem a sua inocência, e eu acredito nele”, completou. Johansson reconhece que esta não é uma opinião capaz de vencer concurso de popularidade em Hollywood neste momento. Vários astros de filmes de Allen, como Marion Cotillard, Mia Sorvino, Greta Gerwig, Colin Firth e até Rebeca Hall, com quem Scarlett contracenou em “Vicky Cristina Barcelona”, expressaram arrependimento por trabalhar com o diretor, e ele entrou em litígio com a Amazon, que se recusou a lançar seu filme mais recente, “Um Dia de Chuva em Nova York” (2019), e optou por descumprir contrato firmado de distribuição de novos projetos. “É difícil, porque as pessoas estão muito envolvidas [em ativismo] no momento, e isso é compreensível. As coisas precisavam mudar, e então as pessoas estão muito apaixonadas, têm muitos sentimentos e estão com raiva, o que faz sentido. É um momento muito intenso”, definiu. As acusações, porém, não são novas, apesar de ganharem mais força após Dylan Farrow aproveitar o movimento #MeToo para desenterrar suas denúncias, reafirmando ter sido molestada quando criança por Allen, há cerca de três décadas. Allen sempre negou tudo, creditando a acusação à lavagem cerebral promovida pela mãe da jovem, Mia Farrow. Outro de seus filhos, Moses Farrow, confirma a versão de Allen, que não foi condenado quando o caso foi levado a tribunal em 1990, durante a disputa da guarda das crianças. A denúncia, porém, fez com que perdesse a guarda dos filhos, objetivo de Mia Farrow. O mais importante a destacar é que ele nunca foi acusado de abuso ou assédio por nenhuma outra mulher, tendo levado várias atrizes a vencerem o Oscar por desempenhos em seus filmes. Mesmo as que juram jamais voltar a trabalhar com ele não tem nada negativo a relatar, além do extremo distanciamento do diretor. São meio século de carreira sem uma queixa sequer. Sem outras histórias que reforcem a acusação, o caso se resume à recordação de Dylan, aos sete anos de idade, durante o período tenso de separação entre Mia Farrow e Woody Allen, que trocou a ex pela filha adotiva dela, Soon-Yi (que não era adotada por Allen, como Dylan). Foi realmente um período polêmico e escandaloso, mas Allen e Soon-Yi se casaram, estão juntos desde então e também adotaram duas filhas que parecem adorar os pais. O fato é que os amigos de Woody Allen diminuíram muito após o ressurgimento das denúncias, mas alguns mais antigos, como Diane Keaton, e outros que reconhecem a contribuição de Allen para suas carreiras, como Penelope Cruz, ficaram do lado do diretor. Cruz, que venceu o Oscar por “Vicky Cristina Barcelona”, voltará inclusive a trabalhar com o diretor em seu próximo filme, atualmente em produção na Espanha. O último filme rodado por Allen, “Um Dia de Chuva em Nova York”, chega ao Brasil em 26 de dezembro.





