Academia Brasileira de Cinema define 6 finalistas para Oscar 2027
Vencedores de Berlim e Gramado avançam para a escolha final, marcada para 16 de setembro
“Nosso Segredo” vence Festival de Gramado
Filme de Grace Passô é Melhor Filme, e José Loreto e Christian Malheiros dividem prêmio de Melhor Ator
“O Agente Secreto” lidera indicações ao Prêmio Grande Otelo
Longa de Kleber Mendonça Filho disputa 18 categorias na premiação da Academia Brasileira de Cinema, que acontece em agosto
Selton Mello dá sequência à carreira internacional após “Anaconda” com filmes no Chile e na França
Ator brasileiro expande sua trajetória no exterior com o drama "La Perra" e a produção francesa "I Don't Even Know Who I Was"
Filme de Grace Passô é selecionado para o Festival de Berlim
Longa mineiro "Nosso Segredo" integra a mostra Perspectivas em edição repleta de produções brasileiras
Nova temporada de “Sessão de Terapia” reúne Selton Mello e atriz de “Ainda Estou Aqui”
Olivia Torres integra o elenco ao lado de Grace Passô, Bella Camero e Alice Carvalho na 6ª temporada da série da Globoplay
Estreias | Animação dos Transformers é maior lançamento nos cinemas
Circuito ainda recebe anime dramático, thriller com Michael Keaton, documentário raro de Paul McCartney e três filmes brasileiros
Levante | Filme brasileiro premiado no Festival de Cannes ganha primeiro trailer
A Vitrine Filmes divulgou o trailer de “Levante”, primeiro longa de Lillah Halla, que foi premiado nas mostras paralelas de Cannes. O filme acompanha a vida da atleta Sofía, que aos 17 anos, em ascensão na carreira esportiva no vôlei, descobre uma gravidez indesejada que coloca em risco seu futuro como atleta. Ao tentar interrompê-la de maneira clandestina, ela se torna alvo de um grupo conservador decidido a expô-la. Agoniada, ela recebe apoio da namorada e colegas de time. A trama explora diversos temas importantes, como a pressão a que mulheres se sujeitam nos esportes, a criminalização do aborto, a ação agressiva do conservadorismo e a sororidade na comunidade queer. Com um elenco repleto de novos rostos, o longa destaca a expressiva Ayomi Domenica no papel principal, além de nomes mais conhecidos como Grace Passô (“Onde Está Meu Coração”), Rômulo Braga (“DNA do Crime”) e Larissa Siqueira (“Pendular”). “Levante” já acumula mais de uma dezena de prêmios, incluindo o Prêmio da Crítica no Festival de Cannes, Melhor Filme no Festival de Biarritz, Melhor Filme Ibero-Americano no Festival de Palm Springs, Melhor Filme no Mix Brasil e Melhor Direção no Festival do Rio. A estreia nos cinemas brasileiros está marcada para 22 de fevereiro.
Filme sobre conflito de estudantes paulistas de 1968 vence Festival do Rio
O Festival do Rio 2023 anunciou na noite de domingo (15/10) os vencedores da mostra Première Brasil, em cerimônia realizada no Cine Odeon, no centro do Rio. “A Batalha da Rua Maria Antônia”, de Vera Egito, que narra um conflito de estudantes paulistas em 1968, durante a época da ditadura militar, foi eleito o Melhor Filme. Mas o longa com mais premiado foi “Pedágio”, de Carolina Markowicz, vencedor de quatro troféus, dos quais três foram para o elenco: Melhor Atriz para Maeve Jinkings, Melhor Ator para Kauã Alvarenga e Melhor Atriz Coadjuvante para Aline Marta Maia. Os dois filmes foram dirigidos por mulheres e uma cineasta feminina venceu o prêmio de Melhor Direção: Lillah Halla, por “Levante” – que também foi reconhecido na categoria de Melhor Edição, feita por Eva Randolph, mais uma mulher na equipe técnica de um filme. “O Dia que te Conheci”, de André Novais de Oliveira, ficou com o Prêmio Especial do Júri e dividiu o troféu Redentor de Melhor Atriz, também conferido a Grace Passô. Já o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante ficou com Carlos Francisco, por “Estranho Caminho”, que recebeu ainda o troféu de Melhor Roteiro, escrito por Guto Parente. Confira abaixo a lista completa dos premiados, incluindo os troféus da mostra Novos Rumos e o Prêmio Félix para os destaques LGBTQIAPN+ do festival. PREMIÈRE BRASIL Melhor filme de ficção: “A Batalha da Rua Maria Antônia”, de Vera Egito Prêmio especial do júri: “O Dia que te Conheci”, de André Novais de Oliveira Melhor direção de ficção: Lillah Halla, por “Levante” Melhor atriz: Maeve Jinkings, por “Pedágio”, e Grace Passô, por “O Dia que te Conheci” Melhor ator: Kauã Alvarenga, por “Pedágio” Melhor atriz coadjuvante: Aline Marta Maia, por “Pedágio” Melhor ator coadjuvante: Carlos Francisco, por “Estranho Caminho” Melhor roteiro: Guto Parente, por “Estranho Caminho” Melhor fotografia: Evgenia Alexandrova, por “Sem Coração” Melhor direção de arte: Vicente Saldanha, por “Pedágio” Melhor montagem: Eva Randolph, por “Levante” Melhor documentário: “Othelo, o Grande”, de Lucas H. Rossi dos Santos Melhor direção de documentário: Daniel Gonçalves, por “Assexybilidade” Menção honrosa de documentário: “Black Rio! Black Power!”, de Emílio Domingos Melhor curta: “Cabana”, de Adriana de Faria PREMIÈRE BRASIL – NOVOS RUMOS Melhor longa: “Saudade fez Morada Aqui Dentro”, de Haroldo Borges Melhor curta: “Dependências”, de Luisa Arraes Melhor direção: Ricardo Alves Jr., por “Tudo o que Você Podia Ser” Prêmio especial do júri: “A Alma das Coisas”, de Douglas Soares Menção honrosa: “Iracemas”, de Tuca Siqueira, e “Bizarros Peixes das Fossas Abissais”, de Marão PRÊMIO FÉLIX Melhor filme brasileiro: “Sem Coração”, de Tião e Nara Normande Melhor Filme Internacional: “20.000 Espécies de Abelhas”, de Estibaliz Urresola Solaguren Melhor documentário: “Orlando, minha Biografia Política”, de Paul B. Preciado Menção honrosa de documentário: “Assexybilidade”, de Daniel Gonçalves Prêmio especial do júri: “Tudo o que Você Podia Ser”, de Ricardo Alves Jr. Troféu Suzy Capó de personalidade do ano: Nanda Costa e Lan Lanh
Festival de Brasília premia documentário de Roraima
A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) anunciou os vencedores do 53º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O prêmio de Melhor Filme foi para “Por Onde Anda Makunaíma?”, de Rodrigo Séllos. Primeira produção de Roraima a participar da competição, o documentário entrelaça as figuras de Macunaíma, personagem literário de Mario de Andrade, e de Makunaima, mito consolidado entre indígenas, para resgatar a história e denunciar o risco de extinção dos povos originários do Brasil. Sua vitória também ressalta o predomínio de documentários na programação. Dos seis filmes em competição, cinco eram documentários. Sintomaticamente, o prêmio do Júri Popular (o Prêmio do Público) elegeu a única ficção selecionada para a competição: “Longe do Paraíso”, do baiano Orlando Senna. Pela falta de concorrentes de ficção, não houve premiações para categorias de atuações, além de reconhecimentos em diversas áreas técnicas. O festival, que geralmente distribui 12 troféus Candangos (do júri) para a competição oficial de longas, este ano ofertou apenas três. Além do prêmio de Melhor Filme, houve ainda um Prêmio Especial para o documentário carioca “Ivan, o TerrirVel”, de Mario Abbade, e o Prêmio Especial de Montagem para Marta Luz, pelo documentário “A Luz de Mário Carneiro”. A disputa de Melhor Curta ainda rendeu um troféu para “República”, segundo trabalho de direção da atriz Grace Passô (“Temporada”), que retrata conflitos éticos e sociais em meio à pandemia de covid-19. Neste ano, em que Brasília completa 60 anos, o festival também ganhou uma categoria para prestigiar a capital. O documentário “Candango: Memórias do Festival”, de Lino Meireles, que conta a história do evento, foi destaque na modalidade pela escolha do júri e do público. A edição deste ano ocorreu de forma virtual, com exibição dos filmes pela televisão, no Canal Brasil, e na plataforma de streaming Canais Globo. A premiação foi transmitida pelo Canal no Youtube da Secec. Ainda de forma atípica, todos os filmes que participaram do festival deste ano foram premiados em dinheiro. A Secec distribuiu o total de R$ 400 mil para 30 obras selecionadas. Na Mostra Oficial, longas receberam R$ 30 mil e os curtas, R$ 15 mil. Já a Mostra Brasília, pagou R$ 15 mil aos longas e R$ 5 mil aos curtas.
Boca a Boca: Série de epidemia do diretor de Alguma Coisa Assim ganha trailer
A Netflix divulgou o trailer da nova série brasileira “Boca a Boca”. Criação do cineasta Esmir Filho (“Alguma Coisa Assim”, “Os Famosos e Os Duendes da Morte”), a série gira em torno de uma epidemia que afeta adolescentes de uma cidadezinha no interior do Brasil. Após uma festa com muita pegação, uma garota acorda infectada por um vírus transmitido pelo beijo. Logo, vários jovens que foram à festa começam a manifestar os sintomas horríveis da infecção, colocando a comunidade em pânico. A repressão que se segue também alimenta o medo entre os jovens de que seus segredos sejam descobertos. “Boca a Boca” é o segundo projeto da Netflix em parceria com a produtora Gullane (a primeira foi “Ninguém Tá Olhando”, de Daniel Rezende), desta vez em conjunto com a Fetiche Features, de Esmir Filho. A equipe de produção também destaca a cineasta Juliana Rojas (de “As Boas Maneiras”), que divide a direção dos episódios com Esmir – assim como alguns roteiros. O elenco é formado por Denise Fraga (“Hoje”), Michel Joelsas (“Malhação”), Thomás Aquino (“Bacurau”), Luana Nastas (“Vazante”), Kevin Vechiatto (“Turma da Mônica: Laços”), Grace Passô (“Temporada”), Bianca Byington (“Santos Dumont”), Caio Horowicz (“Califórnia”), a modelo Iza Moreira e a novata Esther Tinman. A estreia está marcada para 17 de julho.
No Coração do Mundo é ponto alto do ótimo cinema feito em Contagem
Se há uma cidadezinha que se tornou presente com bastante frequência no cinema brasileiro contemporâneo é Contagem, localizada próximo a Belo Horizonte. E não à toa. É lá que se localiza produtora Filmes de Plástico, que rendeu obras importantes como “Ela Volta na Quinta” (2015), “Temporada” (2018) e vários curtas de sucesso de crítica, com participação em festivais nacionais e internacionais. Neste ano, a produtora está comemorando uma década de existência. E o filme de comemoração desses 10 anos é um dos melhores da safra da turma de Contagem. “No Coração do Mundo”, da dupla Gabriel Martins e Maurílio Martins, parece um trabalho de cineastas veteranos, tal a segurança narrativa. E não é fácil ter que dar conta de tantos personagens, lhes dar dimensões suficientemente profundas, trabalhando tanto com atores experientes quanto com iniciantes. Mas “No Coração do Mundo” vai além de ser apenas um filme bem-feito. É um trabalho que lida com questões sociais, econômicas e existenciais dos moradores de uma pequena cidade, feito por gente com intimidade na geografia humana do local. Até temos alguns momentos em que o sotaque e o jeito naturalista com que os atores/personagens dialogam soam um pouco difícil para ouvidos não-mineiros, mas aos poucos nos acostumamos. A trama básica gira em torno de um golpe – que até lembra um pouco “Como É Cruel Viver Assim”, de Julia Rezende – , mas o golpe em si não é o mais importante. O filme constrói bases firmes para que nos importemos com personagens, mesmo sabendo que estão fazendo uma burrada atrás da outra. Um personagem como Marcos (Leo Pyrata), por exemplo, é incrivelmente interessante, mesmo sendo questionável do ponto de vista de seu caráter. O filme começa com a comemoração do aniversário de Marcos. Sua noiva, a trocadora de ônibus Ana (Kelly Crifer), o surpreende com uma daquelas declarações de amor constrangedoras com carros de som. Isso já dá o tom do ambiente de periferia, que se explicita ainda mais quando adentramos as casas e os estabelecimentos comerciais daquelas pessoas. Todos os personagens vivem em função de trabalhos que rendem muito pouco para sua subsistência, enquanto outros tentam uma saída através de golpes, como é o caso do já citado Marcos. O grande golpe, no entanto, terá como mentor intelectual Selma (Grace Passô), que, consciente de sua condição de negra, acredita que, para o melhor sucesso de seu plano, será necessária a presença ativa de Ana, a namorada de Marcos, que até então nunca havia participado das tretas dele. As cenas de suspense da tal cena do golpe são de prender a respiração. No mais, como não destacar as cenas da cantora e ativista MC Carol, em suas conversas com Marcos, e a presença de personagens tão carismáticos como Beto (Renato Novaes), Miro (Robert Frank) e Rose (Bárbara Colen)? Não é todo dia que vemos um filme como este. Não é sempre que vemos o cinema brasileiro tão pulsante, surgindo em um momento de tanto desmanche cultural.
Temporada destaca desempenho premiado de Grace Passô
“Temporada”, de André Novais de Oliveira, o filme mais premiado no último Festival de Brasília, mostra realisticamente o trabalho dos agentes de saúde que partem, de casa em casa, para atuar no combate à dengue e a outras endemias. O foco está em Juliana, que se muda de Itaúna, no interior de Minas Gerais, para assumir um posto de agente de saúde em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. O seu processo de adaptação ao trabalho, aos seus novos colegas e à ausência do marido, que ficou de vir depois, exige dela muito empenho para lidar com essas dificuldades. E algumas situações pouco comuns podem mudar aspectos importantes da sua vida. O grande trunfo de “Temporada” é a atriz que faz Juliana: Grace Passô. Com grande domínio de cena, muita expressividade e forte desempenho, ela leva o filme com muito êxito. Até quando o que está sendo exibido não empolga tanto assim. O tema, importante na área da saúde, é bem trabalhado, do ponto de vista descritivo. Talvez fosse importante aprofundar mais o assunto, com questionamentos que levassem a uma reflexão mais intensa, já que aí está um dos nós da questão da saúde no Brasil. O objetivo do diretor, no entanto, priorizou a personagem em processo de adaptação e mudança, alçando-a ao primeiro plano. O ótimo desempenho de Grace Passô, premiada como Melhor Atriz nos Festivais de Brasília e de Turim, na Itália, justifica isso. Os demais prêmios conquistados no Festival de Brasília incluem Melhor Filme, Ator Coadjuvante, Direção de Arte e Fotografia.











