
Divulgação/Biônica Filmes
Academia Brasileira de Cinema define 6 finalistas para Oscar 2027
Vencedores de Berlim e Gramado avançam para a escolha final, marcada para 16 de setembro
Seis avançam
A Academia Brasileira de Cinema reduziu nesta quarta-feira (9/9) a seis títulos a disputa para escolher o representante do Brasil no Oscar 2027. Avançaram “100 Dias”, de Carlos Saldanha; “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai; “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo; “Feito Pipa”, de Allan Deberton; “Nosso Segredo”, de Grace Passô; e “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins. A lista partiu de 15 produções habilitadas, e a decisão final será anunciada em 16 de setembro.
Berlim e Gramado pesam
“Feito Pipa” chega à reta final com um dos currículos mais premiados. O drama sobre um menino criado pela avó venceu o Urso de Cristal de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional na mostra Generation Kplus do Festival de Berlim. Em agosto, somou mais quatro vitórias no Festival de Gramado: Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Filme pelo Júri Popular, além de uma menção honrosa para o jovem protagonista Yuri Gomes.
“Nosso Segredo” também passou por Berlim, onde estreou mundialmente na mostra Perspectivas, e saiu de Gramado com o prêmio principal. O primeiro longa dirigido por Grace Passô venceu como Melhor Filme, além de Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte. A trama acompanha uma família negra que tenta reorganizar a vida após a morte do pai enquanto um segredo guardado dentro de casa assume contornos sobrenaturais.
O que completa a lista?
“A Natureza das Coisas Invisíveis” já havia se destacado em 2025. O primeiro longa de Rafaela Camelo acompanha a amizade de duas meninas que se conhecem num hospital e recebeu o Prêmio Especial do Júri em Gramado, além de vencer como Melhor Filme Brasileiro no Festival MixBrasil. Já o documentário “A Fabulosa Máquina do Tempo” acompanha meninas do sertão do Piauí entre as experiências de mães e avós e seus próprios projetos de futuro. Exibido na Berlinale deste ano, o filme venceu cinco categorias no Festival Guarnicê, incluindo Melhor Filme e Melhor Roteiro.
“100 Dias” leva à disputa o nome mais conhecido internacionalmente entre os diretores selecionados. Carlos Saldanha, responsável por produções como “Rio” e “O Touro Ferdinando”, dramatiza a travessia de Amyr Klink pelo Atlântico Sul em 1984, quando o navegador percorreu sozinho o trajeto da África ao Brasil num barco a remo. Filipe Bragança interpreta Klink. Ainda inédito, o longa fará sua première mundial como filme de encerramento do Festival do Rio antes de seu lançamento nacional, marcado para outubro.
“Vicentina Pede Desculpas” também não iniciou sua trajetória por festivais. O novo filme de Gabriel Martins, que já representou o Brasil na corrida pelo Oscar com “Marte Um”, terá première na seção Platform do Festival de Toronto e depois disputará a Concha de Ouro no Festival de San Sebastián. A história acompanha uma professora aposentada que procura as famílias das vítimas depois que seu filho, motorista de um ônibus, morre num acidente que também mata vários passageiros.
Nova regra pode abrir outra porta
O caso de “Vicentina Pede Desculpas” traz uma particularidade para a seleção deste ano. Uma mudança nas regras do Oscar passou a permitir que vencedores de determinados prêmios em seis festivais internacionais se qualifiquem para Melhor Filme Internacional independentemente da indicação feita pelo país. O Platform Award de Toronto está entre esses prêmios. Se o longa brasileiro vencer a competição canadense, poderá seguir por essa via mesmo que outro filme seja escolhido pela Academia Brasileira.
A escolha nacional não garante uma indicação ao Oscar. O filme selecionado em 16 de setembro será inscrito oficialmente pelo Brasil e ainda precisará passar pelas etapas de votação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Retrospectiva do Brasil no Oscar
O país chega à nova corrida após duas temporadas consecutivas de forte presença na premiação, que interromperam hiato de duas décadas e meia sem participar da disputa de Melhor Filme Internacional – desde “Central do Brasil” em 1999.
No ano passado, “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, venceu o Oscar da categoria, primeira estatueta conquistada pelo Brasil em todos os tempos. Neste ano, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações, incluindo Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, mas terminou a cerimônia sem prêmios.
O Oscar 2027 acontece em 14 de março.