Crítica: Temporada destaca desempenho premiado de Grace Passô



“Temporada”, de André Novais de Oliveira, o filme mais premiado no último Festival de Brasília, mostra realisticamente o trabalho dos agentes de saúde que partem, de casa em casa, para atuar no combate à dengue e a outras endemias.

O foco está em Juliana, que se muda de Itaúna, no interior de Minas Gerais, para assumir um posto de agente de saúde em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. O seu processo de adaptação ao trabalho, aos seus novos colegas e à ausência do marido, que ficou de vir depois, exige dela muito empenho para lidar com essas dificuldades. E algumas situações pouco comuns podem mudar aspectos importantes da sua vida.

O grande trunfo de “Temporada” é a atriz que faz Juliana: Grace Passô. Com grande domínio de cena, muita expressividade e forte desempenho, ela leva o filme com muito êxito. Até quando o que está sendo exibido não empolga tanto assim.


O tema, importante na área da saúde, é bem trabalhado, do ponto de vista descritivo. Talvez fosse importante aprofundar mais o assunto, com questionamentos que levassem a uma reflexão mais intensa, já que aí está um dos nós da questão da saúde no Brasil.

O objetivo do diretor, no entanto, priorizou a personagem em processo de adaptação e mudança, alçando-a ao primeiro plano. O ótimo desempenho de Grace Passô, premiada como Melhor Atriz nos Festivais de Brasília e de Turim, na Itália, justifica isso. Os demais prêmios conquistados no Festival de Brasília incluem Melhor Filme, Ator Coadjuvante, Direção de Arte e Fotografia.



Antonio Carlos Egypto é psicólogo educacional e clínico, sociólogo e crítico de cinema. Membro fundador do GTPOS - Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual. Autor de "Sexualidade e Transgressão no Cinema de Pedro Almodóvar","No Meu Corpo Mando Eu","Sexo, Prazeres e Riscos", "Drogas e Prevenção: a Cena e a Reflexão" e "Orientação Sexual na Escola: um Projeto Apaixonante", entre outros. Cinéfilo desde a adolescência, que já vai longe, curte tanto os clássicos quanto o cinema contemporâneo de todo o mundo. Participa da Confraria Lumière, é associado da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) e edita o blog Cinema com Recheio



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