Netflix elogia desempenho da Disney+ e celebra nova rivalidade
Além de celebrar uma marca histórica de assinantes mundiais, o ponto alto da apresentação de terça (20/1) da Netflix para investidores do mercado americano foi o reconhecimento da competição da Disney+ (Disney Plus). Apesar do avanço internacional da plataforma da Disney, a Netflix adicionou 8,5 milhões de assinantes no último trimestre e 37 milhões em 2020, bem acima das previsões, e com isso chegou a 203,7 milhões de assinantes mundiais. Ao mesmo tempo, a Disney+ atingiu 86,8 milhões, um crescimento recorde em apenas 14 meses, considerando seu lançamento em novembro de 2019. “É superimpressionante o que a Disney fez”, disse o fundador e co-CEO da Netflix, Reed Hastings, durante a apresentação. “E isso é ótimo. Mostra que os assinantes estão interessados e dispostos a pagar mais por mais conteúdo porque estão famintos por ótimas histórias. E a Disney tem ótimas histórias”, continuou. “Isso nos deixa entusiasmados para aumentar nossas assinaturas, aumentar nosso orçamento de conteúdo e será ótimo para o mundo ver a Disney e a Netflix competirem série a série e filme a filme. Estamos muito entusiasmados em alcançá-los na área de animação infantil – talvez eventualmente até ultrapassá-los, veremos, temos um longo caminho a percorrer só para chegar onde eles estão – e manter nossa liderança no entretenimento geral, o que é muito estimulante”. Hastings citou um exemplo de sua liderança, ao destacar o desempenho da série estreante “Bridgerton”, “que eu não acho que você vai ver na Disney tão cedo”. A referência de Hastings a “Bridgerton” tem vários sentidos. A série tem cenas de sexo, que a Disney+ não permitiria, e foi criada pela empresa da produtora Shonda Rhimes, que deixou a ABC, rede televisiva de propriedade da Disney, onde lançou “Grey’s Anatomy” e outras séries, em troca de um contrato milionário com a Netflix. Primeiro programa desse acordo, “Bridgerton” teria sido assistido por 63 milhões de famílias nos primeiros 28 dias, classificando-se como o 5º maior lançamento de série original da Netflix em todos os tempos. Vale apenas reparar que os números do público de “Bridgerton” são projeções – a série ainda não completou 28 dias no ar – e a Netflix considera que uma família inteira viu uma temporada completa de série se algum morador da casa assinante der play por dois minutos num episódio.
Nova versão da plataforma Paramount+ será lançada em março nos EUA e América Latina
A ViacomCBS marcou a data de lançamento do serviço de streaming Paramount+. A plataforma assumirá o lugar da CBS All Access nos EUA, numa troca de identidade que também inclui aumento de conteúdo. Além disso, o serviço será vitaminado nos lugares em que já existe com este nome. No Brasil, por exemplo, será um relançamento. A plataforma já existe como Paramount Mais no país, mas tem recebido poucas atualizações. A nova Paramount+ entrará no ar simultaneamente nos EUA, Canadá e na América Latina em 4 de março, nos países nórdicos em 25 de março e na Austrália em meados do ano. Além de anunciar a data, a ViacomCBS marcou uma apresentação geral da nova versão da plataforma para 24 de fevereiro, onde apresentará seus planos gerais de streaming, tanto para a Paramount+, quanto para a Pluto TV e o serviço da TV paga Showtime (que pode ser absorvido pela Paramount+). A Paramount+ terá a árdua missão de ingressar por último em um campo lotado, na disputa do público mundial de streaming, mas o atraso reflete a demora na conclusão das negociações de fusão entre as empresas sócios Viacom e CBS, concluída apenas em dezembro de 2019. Para completar, a ViacomCBS não priorizou sua plataforma ao agendar suas produções de conteúdo, diferenciando-se da Disney, da WarnerMedia e da NBCUniversal por ser generosa com terceiros. Esta generosidade inclui negociações de filmes da Paramount com rivais, como Netflix, Amazon, Hulu e Apple TV+, além de títulos de seu catálogo, como “South Park”, que foi para a HBO Max (da Warner), a série campeã de audiência “Yellowstone” e os filmes de “O Poderoso Chefão”, adquiridos pela Peacock (da NBCU). Séries novas, como “Star Trek: Discovery” e “Star Trek: Picard”, também foram despachadas para rivais no mercado internacional, respectivamente Netflix e Amazon. Ainda assim, o portfólio da ViacomCBS combina uma variedade de ativos premium que tornam a Paramount+ bastante atrativa, contando com o acervo grandioso de cinema da Paramount e de séries dos estúdios CBS, MTV, Nickelodeon, Comedy Central e outros. Resta conferir o que realmente formará o catálogo de seu lançamento.
Netflix supera 200 milhões de assinantes em meio à pandemia
A Netflix superou as expectativas do mercado ao atingir mais de 200 milhões de assinantes em meio à pandemia. O número foi alcançado com a conquista de 8,5 milhões de assinaturas durante o quarto trimestre de 2020. O crescimento aconteceu num período de acirramento da competição, durante a expansão internacional da Disney+ (Disney Plus) e da chegada da HBO Max e da Peacock ao público consumidor dos EUA, o que demonstra que a plataforma pioneira não se enfraqueceu com a chegada dos rivais, terminando o ano com quase 204 milhões de assinantes globais. A conclusão dos analistas é que a pandemia se provou uma força mais poderosa do que a ameaça dos novos serviços. As quarentenas em todo o mundo ajudaram a aumentar significativamente as inscrições de streaming e a Netflix se beneficiou do boom geral da indústria, adicionando mais de 36 milhões de assinantes durante todo o ano passado. Embora a maioria dos novos assinantes tenha vindo durante o primeiro semestre de 2020, os investidores de Wall Street esperavam que a Netflix conquistasse mais 6 milhões no trimestre final, mas foram surpreendidos com a adição de 8,5 milhões. A plataforma geralmente tem um bom desempenho durante os últimos três meses do ano, quando lança sua programação mais esperada. O trimestre mais recente não foi exceção, graças à 4ª temporada de “The Crown” e ao sucesso de novas produções, como “O Gambito da Rainha” e “Bridgerton”. A Netflix disse que as duas últimas séries entraram na lista dos títulos mais assistidos de sua história. Apesar do desempenho impressionante, a empresa está se aproximando do ponto de saturação. A oferta de assinaturas praticamente esgotou seu mercado potencial nos Estados Unidos, onde a plataforma recentemente aumentou seus preços. Por conta disso, sua estratégia passou a privilegiar mercados onde seu serviço não está tão consolidado. Ao apresentar seus resultados trimestrais, a empresa revelou que 83% de seus novos assinantes de 2020 vieram de fora dos EUA e Canadá. Durante o quarto trimestre, a maior quantidade de assinantes novos veio da Europa, Oriente Médio e África. Já o público da América do Norte cresceu em apenas 860 mil durante esse período. O sucesso internacional permitirá à Netflix passar 2021 sem pedir financiamento bancário pela primeira vez para suas operações do dia-a-dia. Além disso, a empresa afirmou esperar ter fluxo de caixa positivo em 2021, após anos operando no vermelho – isto é, gastando mais para produzir conteúdo do que a receita vinda de suas assinaturas. A notícia ajudou a impulsionar as ações da Netflix, que fecharam nesta terça-feira (19/1) com alta de mais de 10% após o expediente na Nasdaq. A Netflix obteve receita de US$ 6,6 bilhões durante o trimestre, em linha com as previsões dos analistas, e relatou lucros de US$ 1,19 por ação.
Na Mira do Perigo: Novo filme de ação de Liam Neeson lidera bilheterias nos EUA
“Na Mira do Perigo” (The Marksman), novo thriller de ação de Liam Neeson, liderou a bilheteria do fim de semana na América do Norte, onde 60% de todos os cinemas estão fechados. A produção da Open Road, que tem estreia marcada para 18 de fevereiro no Brasil, foi o segundo filme de Neeson lançado durante a pandemia. O anterior, “Legado Explosivo”, também abriu em 1º lugar em outubro passado. Curiosamente, ambos foram rejeitados pela crítica. “Na Mira do Perigo” conquistou apenas 33% de aprovação na média do Rotten Tomatoes. O chefe da Open Road, Tom Ortenberg, comemorou os US$ 3,2 milhões arrecadados pelo longa entre sexta e domingo (17/1), dizendo em comunicado que “é uma verdade universal que mesmo em um mercado deprimido existem oportunidades”. “Como ‘Legado Explosivo’, ‘Na Mira do Perigo’ preencheu uma lacuna no mercado. São distribuidores de médio porte como nós que conseguem preencher o vazio e atender às necessidades. Há uma grande sede de produto entre os consumidores e a oportunidade está aí. A competição é leve e podemos comercializar e distribuir filmes por menos dinheiro”. A animação “Os Croods 2: Uma Nova Era”, da Universal/DreamWorks Animation, ficou com o 2º lugar, somando mais US$ 2 milhões para atingir US$ 40,1 milhões após oito fins de semana em cartaz. O desempenho é considerado um sucesso não apenas devido à pandemia, mas principalmente porque o filme já está disponível em PVOD (locação digital premium) nos EUA há quatro semanas. A boa arrecadação de “Os Croods 2” é, na verdade, mundial. Antes mesmo de estrear no Brasil, o desenho já somou US$ 134,8 milhões em todo o mundo. O lançamento nacional só vai acontecer em 25 de março. O Top 3 norte-americano provavelmente se completa com “Mulher-Maravilha 1984”, mas os valores dos ingressos vendidos ainda não foram divulgados pela Warner. O site Box Office Mojo especula que o filme tenha arrecadado US$ 1,9 milhão no fim de semana, elevando seu montante para US$ 36 milhões nos EUA e Canadá desde seu lançamento em 25 de dezembro. Em todo mundo, seriam US$ 135 milhões, bem menos que os cerca de US$ 200 milhões gastos na filmagem. Mas a Warner já anunciou uma continuação, dizendo-se feliz com o resultado do lançamento simultâneo em streaming. A heroína da DC Comics atraiu muitos assinantes novos para a HBO Max, mas esses números também estão sendo mantidos em segredo pela empresa.
Comercial da HBO Max torna filmes inéditos da Warner em atrações de streaming
A HBO Max divulgou um novo comercial, para atrair assinantes para a plataforma, que celebra a programação completa de filmes da Warner Bros. em 2021 como títulos que irá lançar em streaming, simultaneamente aos cinemas nos EUA – e em outros países em que começará a operar neste ano. A decisão polêmica da WarnerMedia azedou as relações do estúdio com os profissionais de cinema e vai cobrar um preço muito maior que os executivos da empresa imaginavam. Neste momento, a Warner realiza reuniões atrás de reuniões com os produtores dos filmes afetados, que não foram avisados antecipadamente sobre esta estratégia. E vai precisar compensar financeiramente todos os parceiros que possuem cláusulas de divisão de lucro de bilheterias pela iniciativa unilateral. Cineastas como Christopher Nolan e M. Night Shyamalan já falaram mal do estúdio publicamente. Nolan chegou a batizar a HBO Max de “pior serviço de streaming” do mundo e sugerir que a Warner traiu o cinema. Mas os cinemas estão inviabilizados pela pandemia de coronavírus. A Warner teria avaliado que 2021 será igual ou pior que 2020, com mais salas fechadas e bilheterias irrisórias. Diante da decisão de adiar tudo para 2022 ou lançar em streaming, optou pela segunda opção e manteve aberta a possibilidade de exibir os filmes nos cinemas que estiverem funcionando. Alguns filmes são caríssimos, como demonstram as primeiras cenas de “Godzilla vs. Kong” e as imagens inéditas de “O Esquadrão Suicida” exibidas no comercial. A lista também inclui “Duna”, “Mortal Kombat” e até “Matrix 4”, num total de 17 títulos previstos para 2021. “Estamos vivendo em uma época sem precedentes que exige soluções criativas, incluindo esta nova iniciativa para a Warner Bros. Pictures Group”, disse a presidente da WarnerMedia Studios, Ann Sarnoff, em comunicado. “Ninguém deseja mais que nós que os filmes voltem às telas grandes. Sabemos que conteúdo inédito é a força vital da exibição cinematográfica, mas temos que equilibrar isso com a realidade de que a maioria dos cinemas nos Estados Unidos provavelmente operará com capacidade reduzida ao longo de 2021. Com esse plano exclusivo de um ano, podemos apoiar nossos parceiros de exibição com um fluxo constante de filmes de nível mundial, ao mesmo tempo que damos aos espectadores, que podem não ter acesso aos cinemas ou não estão prontos para voltar ao cinema, a chance de ver nossos incríveis filmes de 2021.” A WarnerMedia tem planos de expandir o alcance da HBO Max para a América Latina (e o Brasil) já no começo de 2021, de modo que muitos dos 17 títulos de cinema previstos para 2021 também poderão ser vistos simultaneamente em streaming no país.
Netflix já é o segundo maior grupo de TV da Europa
A Netflix se tornou o segundo maior grupo de TV da Europa em receita financeira, de acordo com os dados apurados pela empresa de pesquisa Ampere Analysis. O mais impressionante dessa constatação é que a empresa de streaming chegou nesta posição sem recursos oriundos da publicidade. Em sua análise, a Ampere somou as receitas vindas da publicidade, de vídeos sob demanda, do financiamento público e de assinaturas. A Netflix somou sua fortuna apenas com assinaturas. A pesquisa observa que, desde seu lançamento em 2012, a plataforma americana cresceu rapidamente na Europa, tendo atingindo seu primeiro US$ 1 bilhão de arrecadação em 2016 e, um ano depois, passou a ter a maior contagem de clientes de qualquer negócio de TV por assinatura na Europa. Com uma participação de 6,1% na arrecadação total do mercado europeu, a Netflix ultrapassou a ARD, emissora pública alemã, que caiu para o 3º lugar, seguida pela rede britânica BBC (4,2%) e o Canal Plus francês (3,2%). Mas apesar do sucesso da plataforma, a Comcast, nova dona das operações europeias da rede de TV paga Sky, permanece líder, com uma participação de 12% em receita. Já a maior rival de streaming da Netflix no continente, a Amazon Prime Video, está na 13ª posição com 2% do mercado.
Bilheteria de Mulher-Maravilha 1984 desaba nos EUA
“Mulher-Maravilha 1984” permaneceu no topo das bilheterias dos EUA e Canadá em seu terceiro fim de semana consecutivo, mas sua arrecadação caiu drasticamente. O filme da Warner arrecadou cerca de US$ 3 milhões – uma queda de 47% em relação à semana anterior – e agora acumula US$ 32,6 milhões domésticos, de acordo com a Warner Bros. O desempenho no exterior – onde o filme não está disponível em streaming – não foi muito melhor, com mais US$ 4,7 milhões. Com isso, o longa atingiu US$ 131,4 milhões globalmente. “The Croods 2: Uma Nova Era”, da Universal, também permaneceu em 2ª lugar em seu sétimo fim de semana com US$ 1,8 milhões. O filme animado caiu apenas 19%, apesar de também estar disponível em casa em VOD premium. Com isso, atingiu um total doméstico de US$ 36,9 milhões e US$ 127,8 milhões globalmente. Completando o Top 3, o western “Relatos do Mundo”, estrelado por Tom Hanks, igualmente manteve seu 3º lugar, somando US$ 1,2 milhão em seu terceiro fim de semana. O total arrecadado na América do Norte – único lugar onde tem lançamento nos cinemas – é de US $ 7,1 milhões. No geral foi um fim de semana sombrio para os cinemas norte-americanos, já que a receita total caiu 93% em comparação ao mesmo fim de semana do ano passado, devido à pandemia e à falta completa de lançamentos amplos.
2021 começa com menos de 140 mil pessoas nos cinemas brasileiros
O primeiro fim de semana de 2021 levou apenas 137 mil pessoas nos cinemas brasileiros, segundo dados inéditos da consultoria Comscore. “Mulher Maravilha 1984” se manteve como o filme mais assistido, com quase todo o público do período. De quinta a domingo, foi visto por 110,7 mil espectadores. Os números deste fim de semana, que só teve um lançamento – o desenho sul-coreano “Sapatinho Vermelho e os Sete Anões” – , representam uma queda de cerca de 96% em relação à bilheteria do primeiro fim de semana de 2020, antes da pandemia. Entre 2 e 5 de janeiro passados, 3,9 milhões de pessoas foram aos cinemas, gerando uma arrecadação de R$ 71,2 milhões. Agora, a arrecadação total entre 31 de dezembro e 3 de janeiro de 2021 foi de R$ 2,5 milhões.
China vira maior mercado mundial de cinema ao superar bilheterias dos EUA em 2020
É oficial. A bilheteria da China superou a arrecadação dos cinemas da América do Norte em 2020, transformando o país asiático no maior mercado de cinema do mundo. Graças à pandemia de coronavírus e fechamentos sem precedentes de salas de exibição, os ingressos de cinema vendidos nos EUA e Canadá entre 1º de janeiro e 31 de dezembro geraram cerca de US$ 2,3 bilhões, bem abaixo dos US$ 11,4 bilhões arrecadados em 2019, de acordo com estimativas da consultoria Comscore. O valor representa a menor arrecadação em pelo menos 40 anos. A queda dramática era esperada, considerando que muitos cinemas, incluindo as salas situadas nos dois maiores mercados nacionais, Los Angeles e Nova York, estão fechados há mais de nove meses nos Estados Unidos. A China também sofreu uma diminuição drástica em seus rendimentos, mas mesmo assim ficou à frente da América do Norte, faturando cerca de US$ 2,7 bilhões em vendas de ingressos, também de acordo com a Comscore. O principal blockbuster chinês, o épico de guerra “The Eight Hundred”, foi o filme mais visto do mundo, liderando as bilheterias mundiais com quase US$ 440 milhões. Vários outros filmes chineses, incluindo “My People, My Homeland”, integram o Top 10 mundial, assim como o hit japonês “Demon Slayer”, suplantando os sucessos de Hollywood, que sofreram grandes perdas com a pandemia. Os maiores hits hollywoodianos foram “Bad Boys Para Sempre”, da Sony, lançado antes do lockdown, que faturou US$ 413 milhões, de acordo com a Comscore, seguido por “1917”, distribuído em janeiro, que arrecadou cerca de US$ 385 milhões, e “Tenet”, que chegou aos cinemas após a reabertura do circuito em agosto, em meio à pandemia, e faturou US$ 362 milhões em todo o mundo. Globalmente, as vendas de ingressos de cinema devem ficar entre US$ 11,5 bilhões e US$ 12 bilhões em 2020, quase 400% menores que os US$ 42,5 bilhões de 2019.
MGM estaria à venda
Um dos mais antigos estúdios de Holllywood, a MGM contatou dois bancos de investimento para iniciar um processo formal de venda, procurando gerar interesse de outros estúdios de Hollywood, conglomerados internacionais, firmas de investimento e gigantes do streaming. A informação foi publicada pelo Wall Street Journal, citando pessoas familiarizadas com os bastidores da produtora. A venda da MGM tem sido cogitada há vários anos, mas nunca foi formalizada porque o estúdio nunca aceitou o preço oferecido, e não está claro se conseguirá o que busca na atual situação do mercado. Mas os acionistas acreditam que sua biblioteca de títulos está especialmente valorizada na atual era de streaming, em que uma multidão de plataformas compete por conteúdo e espectadores. O estúdio por trás dos filmes de James Bond também possui a franquia “Rocky”, “O Silêncio dos Inocentes”, “O Exterminador do Futuro” e as séries “The Handmaid’s Tale” e “Vikings”, sem esquecer um catálogo de clássicos produzidos desde 1924. O WSJ afirma que o estúdio contratou os bancos Morgan Stanley e LionTree para explorar uma venda, e que seu valor de mercado foi avaliado em cerca de US$ 5,5 bilhões, com base em ações negociadas de forma privada, e incluindo dívidas – US$ 2,3 bilhões em dívidas de longo prazo. Há pouco tempo, a MGM manteve conversas exploratórias com a Apple, que cobriram desde um acordo de produção de streaming até uma aquisição completa. Em outubro, a MGM venceu suas redes televisivas, This TV e Light TV para o Allen Media Group. O maior acionista da MGM atualmente é o fundo de hedge Anchorage Capital, cujo fundador, Kevin Ulrich, preside o conselho do estúdio e enfrenta pressão de outros investidores financeiros que buscam fazer dinheiro, diante da indefinição do futuro do mercado cinematográfico diante da pandemia de coronavírus. A MGM já adiou duas vezes o lançamento de seu principal filme pronto, “007 – Sem Tempo para Morrer”, cuja estreia encontra-se marcada para abril de 2021. A pressão aumentou após vazar, no mês passado, que Ulrich foi processado por agressão sexual em um caso que foi resolvido com um acordo.
Monster Hunter perde aposta contra pandemia nas bilheterias dos EUA
A Sony fez uma aposta de risco em “Monster Hunter” e deve perder uma fortuna. O filme de monstros gigantes, orçado em US$ 60 milhões e estrelado por Milla Jovovich (“Resident Evil”), teve um desempenho muito pior que o esperado em sua estreia nos EUA e Canadá neste fim de semana. Com uma arrecadação de somente US$ 2,2 milhões entre sexta e domingo (20/12), ficou abaixo da média de US$ 3 milhões que vinha marcando as estreias dos últimos meses, durante a pandemia. O valor é reflexo da diminuição crescente dos salas de exibição em atividade. Apenas 2,3 mil cinemas estão abertos na América do Norte, dos quais 1,7 mil receberam a produção de efeitos visuais monstruosos. O estúdio não negociou um lançamento simultâneo ou antecipado em streaming com o parque exibidor, porque acreditava poder compensar o esperado prejuízo norte-americano com um grande sucesso asiático. A franquia “Resident Evil”, também estrelada por Jovovich, teve seu maior desempenho na China. Mas a estreia chinesa de “Monster Hunter” acabou prejudicada por uma cena que o público entendeu como racista, levando as autoridades do país a ordenarem a retirada do filme de cartaz. Para completar, a crítica não aprovou a nova adaptação de videogame, considerada medíocre, com 48% de notas positivas na média compilada pelo site Rotten Tomatoes. De todo modo, essa nota é bem maior que a média dos filmes de “Resident Evil”, qualificados como lixo, em aprovações que variaram de 22% a 38% em toda a franquia. Os US$ 2,2 milhões de “Monster Hunter” se tornam ainda mais abissais quando comparados à estreia que ocupou o fim de semana antes do Natal em 2019. Neste período do ano passado, “Star Wars: A Ascensão Skywalker” abriu com nada menos que US$ 177,3 milhões no mercado norte-americano. Graças ao desastre da Sony, devem diminuir muito as críticas feitas contra a Warner por decidir lançar seus filmes, a partir de “Mulher-Maravilha 1984”, simultaneamente nos cinemas e na plataforma HBO Max para os assinantes do serviço de streaming, que por enquanto só é comercializado na América do Norte. Um bom parâmetro pode ser traçado pelo desempenho de “Croods 2: Uma Nova Era”, da Universal e DreamWorks Animation. Cumprindo seu cronograma de apenas três fins de semana exclusivos nos cinemas, o filme foi lançado na sexta (18/12) em PVOD (locação digital premium) e, mesmo assim, ocupou o 2º lugar no ranking das bilheterias de cinema, com uma arrecadação muito próxima da atingida pelo líder estreante: US$ 2 milhões. A sequência de “Os Croods” rendeu até agora US$ 27 milhões nos cinemas norte-americanos, mas já soma US$ 84,5 milhões mundiais, com cerca de 60% desse valor vindo da China, onde o filme faturou US$ 50 milhões. Tanto “Monster Hunter” quanto “Os Croods 2” sofreram adiamentos em suas previsões de estreia para o Brasil. Os dois filmes foram remanejados para janeiro, respectivamente nos dias 14 e 21. Mas, com isso, correm o risco de encontrarem os cinemas fechados devido à disparada de casos de covid-19 no país.
Os Croods 2 completa três fins de semanas no topo das bilheterias dos EUA
A animação “Os Croods 2: Uma Nova Era” manteve sua liderança nas bilheterias da América do Norte em seu terceiro fim de semana seguido. O filme da DreamWorks/Universal faturou US$ 3 milhões entre quinta e domingo (13/12), totalizando US$ 24,1 milhões na América do Norte. No mercado internacional, a sequência arrecadou outros US$ 8,4 milhões, chegando a um total global de US$ 76,3 milhões. Apesar do valor razoável diante da pandemia, ainda não é suficiente para equilibrar as despesas. A animação custou US$ 65 milhões apenas para ser produzida. Mas os planos da Universal para recuperar o investimento neste e em outros títulos têm chamado a atenção do mercado. Graças a um acordo sem precedentes com as redes de cinema dos EUA, que permite ao estúdio encaminhar os títulos em cartaz para locação online após apenas três fins de semana nos cinemas, o retorno tem sido praticamente garantido. Isto também dá à Universal uma disposição para realizar lançamentos nos cinemas que nenhum de seus rivais parece demonstrar. Não por acaso, os cinemas dos EUA atualmente só exibem filmes da Universal, ao lado de títulos antigos de catálogo (como “Um Duende em Nova York” e “Férias Frustradas de Natal”) e a comédia indie “Guerra com o Vovô”. Não houve nenhum novo lançamento amplo no circuito norte-americano desde que “Os Croods 2” foi lançado por volta do Dia de Ação de Graças. No entanto, o drama romântico “Wild Mountain Thyme”, estrelado por Emily Blunt, teve um lançamento limitado na sexta passada (11/12). Destruído pela crítica (só 28% de aprovação no Rotten Tomatoes), o longa chegou em 450 cinemas e rendeu somente US$ 100 mil.
Denis Villeneuve diz que Warner pode ter matado a franquia de Duna
O cineasta Denis Villeneuve se juntou aos descontentes com a decisão da Warner de promover lançamentos simultâneas nos cinemas e em streaming de todo o seu catálogo de filmes de 2021. Diretor de “Duna”, Villeneuve acredita que esta estratégia vai matar a chance de seu filme se tornar uma franquia. Em entrevista à revista Variety, Villeneuve foi claro ao dizer que a iniciativa da Warner vai favorecer a pirataria e diminuir o lucro dos filmes, o que pode impedir que a sequência de “Dune”, previamente combinada, seja produzida. “Plataformas de streaming são positivas e um poderoso acréscimo aos ecossistemas dos filmes e TV. Mas quero que o público entenda que apenas isso não irá sustentar a indústria que nós conhecemos, pré-covid-19. Streaming pode produzir um conteúdo incrível, mas não produções com a escala de ‘Duna’. A decisão da Warner Bros. faz com que ‘Duna’ não tenha a chance de uma boa performance financeira e, nisso, a pirataria irá triunfar. O estúdio pode ter simplesmente matado a franquia”, ele comentou. Villeneuve ainda acrescentou que o segundo filme é “necessário” para concluir a história. Ele só concordou em dirigir a adaptação de “Duna” porque o estúdio permitiu que dividisse o romance clássico de Frank Herbert em dois filmes, mas, até o momento, o segundo longa não recebeu sinal verde para ser filmado. Os comentários do diretor ecoam as reclamações de Christopher Nolan, que ficou irritado com a decisão dos executivos da WarnerMedia, conglomerado que estaria pensando apenas na HBO Max, em detrimento do cinema. “Alguns dos maiores cineastas e estrelas de cinema de nossa indústria foram para a cama na noite anterior pensando que estavam trabalhando para o maior estúdio de cinema e acordaram para descobrir que trabalhavam para o pior serviço de streaming”, disse Nolan, cuja relação com a Warner vem desde “Insônia”, de 2002.












